Candidato derrotado a uma vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro, o vereador Cesar Maia (DEM), afirmou que o resultado da eleição teve impacto da operação Lava Jato. Segundo ele, o País vive momento semelhante ao que levou a Itália a eleger, em 1994, o então magnata das comunicações Silvio Berlusconni como primeiro ministro. Na época, partidos tradicionais do parlamento italiano foram arrasados nas eleições depois da chamada Operação Mãos Limpas, que investigou esquema de corrupção entre políticos e empresas privadas. Berlusconi chegou ao poder em momento de profunda insatisfação da sociedade italiana com seus políticos. Ele foi eleito defendendo discurso a favor dos valores tradicionais, contra a corrupção e de combate ao déficit público. Cesar Maia comparou o momento italiano ao atual brasileiro em discurso no plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (9), dois dias depois do resultado eleitoral no País, que levou a uma renovação de 50% da Câmara Federal e colocou Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno com cerca de 18 milhões de votos a mais que seu concorrente Fernando Haddad (PT).
Cesar Maia, que foi deputado constituinte, deputado federal e duas vezes prefeito do Rio de Janeiro, afirmou que o desempenho de Bolsonaro não é mérito exclusivo do candidato, a quem se referiu como "líder carismático". Parte dos 49,2 milhões dados ao capitão da reserva seriam, segundo sua avaliação, "efeito da Lava Jato" e não somente por sua popularidade. "Senhor presidente, iludem-se aqueles que imaginam que a campanha se resolveu em função de um líder carismático que puxou votos", disse ele no plenário da câmara municipal do Rio de Janeiro. Ele ressaltou, contudo, que os casos brasileiro e italiano guardam uma diferença: o regime político, que no Brasil é presidencialista e na Itália era parlamentarista. Essa diferença, ponderou, pode esconder uma pegadinha para Bolsonaro, caso vença no segundo turno, de tomar para si a certeza de que sua expressiva votação represente adesão irrestrita dos eleitores ao futuro presidente, sem atentar para o fato de que parte de seus votos foram dados como protesto à realidade política atual. "E quando ocorrem fatos como esse que observamos em um regime presidencialista, você tem uma impulsão maior daquilo que o eleitor, os analistas ou a imprensa imaginam que seja a força e a expressão do líder carismático, quando, na verdade, é a operação Lava Jato que constrói esse ambiente, dentro do qual vêm as mudanças - e mudanças muito importantes -, dentro do qual surge uma liderança forte e carismática, que, para aqueles que fazem uma análise simplista, imaginam que essa seja a causa, quando, na verdade, é o efeito", disse: "E quando ocorrem fatos como esse que observamos em um regime presidencialista, você tem uma impulsão maior daquilo que o eleitor, os analistas ou a imprensa imaginam que seja a força e a expressão do líder carismático, quando, na verdade, é a Operação Lava Jato que constrói esse ambiente, dentro do qual vêm as mudanças - e mudanças muito importantes -, dentro do qual surge uma liderança forte e carismática, que, para aqueles que fazem uma análise simplista, imaginam que essa seja a causa, quando, na verdade, é o efeito."

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