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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Bolsonaro planeja trocar Argentina por Chile e preocupa país vizinho

A Argentina está preocupada com um possível afastamento do Brasil sob Jair Bolsonaro (PSL), eleito domingo (28). "É uma ruptura do status quo, mas talvez a Argentina já esperasse por isso", disse o economista Marcelo Elizondo, especialista em Mercosul. Nesta segunda-feira, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que deve ser o ministro da Casa Civil de Bolsonaro, afirmou que o Chile será o primeiro destino internacional de Bolsonaro, quebrando uma praxe da política externa brasileira segundo a qual a Argentina é o primeiro destino dos presidentes eleitos no Brasil, seja qual for a coloração ideológica dos governos de turno. Além disso, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou no domingo que nem Mercosul nem Argentina serão prioridades. "A ideia de a Argentina ser secundária para a economia brasileira choca e está causando grande agitação na Argentina, mas este é o retrato deste momento, é preciso que esperar um pouco mais", diz Elizondo. "O Brasil é ainda o principal parceiro comercial da Argentina e a Argentina é o terceiro no ranking do comércio exterior brasileiro." O economista lembra que o presidente Carlos Menem (1989-1999), em cujo governo se dizia que as relações entre Argentina e EUA deveriam ser "carnais", disse algo parecido sobre o Brasil quando assumiu, mas que "a realidade acabou se impondo". Apesar da crise nos dois países, o Brasil exportou para a Argentina nos primeiros nove meses deste ano, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, US$ 12,3 bilhões -6,83% de suas vendas ao exterior- e importou US$ 8,2 bilhões, com saldo positivo de US$ 4,1 bilhões na balança.  Quase metade do valor exportado vem do setor de veículos, enquanto para o principal parceiro, China, o país exporta majoritariamente commodities, e com o segundo, os EUA, tem um déficit de US$ 555 milhões até setembro. Os dois países coincidem, porém, no desejo de flexibilizar o Mercosul, bloco comercial do qual também são sócios Uruguai e Paraguai (além de Venezuela, por ora suspensa). Elizondo lembra que, nos últimos anos, desde o impeachment de Dilma Rousseff e com o Brasil em recessão, a Argentina também buscou novos aliados fora. "É um desejo comum de Brasil, Paraguai, Argentina de que o Mercosul seja mais flexível e que ofereça mais possibilidades de se ampliar tratados dos países com parceiros fora do bloco." 

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