O desgaste com delações e menções na Lava Jato não impediu que aos menos seis réus, 24 investigados e seis denunciados fossem eleitos nas eleições deste domingo (7) pelo País, membros do grupo mais destacado da política nacional. Outros cinco personagens que são alvos da operação vão ainda disputar o segundo turno. Na lista de eleitos, estão políticos que foram intensamente alvejados na Lava Jato, como os senadores reeleitos Renan Calheiros (MDB), em Alagoas, e Ciro Nogueira (PI), no Piauí, que chegou a ser alvo de buscas já na reta final da campanha, em desdobramento da delação da Odebrecht. O veterano Jader Barbalho (MDB) foi o mais votado para o Senado no Pará. Houve ainda três investigados que conseguiram se eleger, mas foram "rebaixados": os hoje senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Aécio Neves (PSDB-MG) e Agripino Maia (DEM-RN). Muito desgastados pelas investigações, concorreram a deputado federal. Gleisi, presidente nacional do PT, foi a terceira mais votada em seu Estado, o Paraná.
Entre os 46 alvos da operação Lava Jato que concorreram e foram derrotados, há nomes de primeira grandeza da política nacional, como a ex-presidente Dilma Rousseff (duas vezes denunciada pela Procuradoria-Geral da República), o ex-governador paranaense Beto Richa, que chegou a ser preso durante a campanha, e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). A lista inclui ainda o senador Romero Jucá (MDB-RR), líderes tucanos, como Cássio Cunha Lima (PB) e Marconi Perillo, e petistas conhecidos do Congresso, como Marco Maia (RS) e Lindbergh Farias (RJ). Réu em ação penal aberta pelo juiz Sergio Moro, o ex-deputado Cândido Vaccarezza, que era do PT e agora está no Avante, tentou voltar a Câmara dos Deputados e fez apenas 5.200 votos em São Paulo.
No Rio de Janeiro, além dos investigados que sofreram reveses nas urnas, filhos de dois dos principais presos da Lava Jato também acabaram não eleitos. O deputado federal Marco Antonio Cabral (MDB), filho do ex-governador Sérgio Cabral, não foi reeleito, e Danielle Cunha (MDB), filha do ex-deputado Eduardo Cunha, foi derrotada. Danielle havia obtido R$ 2 milhões do MDB do Rio, via fundo eleitoral, para financiar sua campanha.
Outros 11 congressistas que são réus no Supremo Tribunal Federal, em casos não ligados à Lava Jato, disputaram a eleição. Desses, oito foram derrotados, como André Moura (PSC), líder do governo Michel Temer no Congresso, que tentou o Senado em Sergipe, Sebastião Bala Rocha (PSDB-AP), que concorreu ao Senado, e Alberto Fraga (DEM), que ficou em sexto lugar na disputa pelo governo do Distrito Federal. O deputado federal Silas Câmara (PRB) foi um dos mais votados do Amazonas.
RÉUS DA LAVA JATO ELEITOS
- Aécio Neves (PSDB-MG) - eleito deputado federal e réu em ação penal no STF
- Arthur Lira (PP-AL) - eleito deputado federal e réu em ação penal no STF
- Eduardo da Fonte (PP-PE) -eleito deputado federal e réu em ação penal no STF
- Agripino Maia (DEM-RN) - eleito deputado federal e réu em ação penal no STF
- Mário Negromonte Jr. - eleito deputado federal e réu em ação de improbidade no Paraná
- Vander Loubet - eleito deputado federal e réu em ação penal no STF
JÁ DENUNCIADOS PELA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICO E ELEITOS
- Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) - Câmara
- Ciro Nogueira (PP-PI) - Senado
- Gleisi Hoffmann (PT-PR) - Câmara
- Jader Barbalho (MDB-PA) - Senado
- Odair Cunha (PT-MG) - Câmara
- Renan Calheiros (MDBL-AL) - Senado
Nenhum comentário:
Postar um comentário