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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Ex-presidente da CCR é alvo de buscas da Lava Jato

O ex-presidente do grupo CCR, Renato Vale, foi alvo de busca e apreensão da Operação Integração II, fase 55 da Lava Jato, nesta quarta-feira, 26. O executivo foi apontado pelo doleiro Adir Assad, delator da Lava Jato, "como interlocutor no tema de produção de recursos de caixa 2 em espécie para diversas empresas concessionárias do Grupo CCR". Fundada em 1999, a companhia é responsável por 3.265 quilômetros de rodovias da malha concedida em São Paulo, no Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul. Valle esteve no comando da empresa desde sua criação até 31 de julho. "O colaborador Adir Assad menciona atuação do presidente atual do Grupo CCR, Renato Vale, e do diretor da CCR, José Roberto Meirelles, como interlocutores no tema de produção de recursos de caixa 2 em espécie para diversas empresas concessionárias do Grupo CCR", relata a manifestação do Ministério Público Federal ao juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23.ª Vara Federal, que autorizou a deflagração da operação. José Roberto Meirelles não foi alvo da Lava Jato 55. A operação prendeu Pepe Richa, irmão do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado nas eleições 2018. Segundo a Lava Jato, foram identificados dois esquemas paralelos de pagamentos de propinas envolvendo o DER do Paraná: um deles era intermediado pela Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias (ABCR) e funcionava desde 1999 e outro de propinas mensais de 2% dos valores de cada contrato vigente com os fornecedores do DER, implementado no governo estadual, a partir de 2011.

Os investigadores afirmam que, no primeiro esquema, os beneficiários finais da propina eram agentes públicos do DER/PR e posteriormente, após 2011, da Agência Reguladora do Paraná (Agepar). As entregas, de acordo com a Lava Jato, eram realizadas com dinheiro em espécie, sendo os valores entregues na sede da ABCR Curitiba por emissários das concessionárias. O Ministério Público Federal aponta que, para obtenção de dinheiro em espécie, as concessionárias simulavam ou superfaturavam a prestação de serviços com empresas envolvidas no esquema. Entre os operadores financeiros que simulavam a prestação de serviços, estavam Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran, investigados na Lava Jato. Para o Grupo Triunfo, controlador da Econorte, Adir Assad faturou R$ 85 milhões em notas frias. Já para o Grupo CCR, controlador da Rodonorte, foram produzidas notas frias que somaram R$ 45 milhões. A operação estima que o esquema tenha girado R$ 35 milhões, sem atualização monetária, em propina. Os pagamentos duraram até o final de 2015, segundo a Lava Jato. Em relação ao segundo esquema identificado pela Lava Jato, os investigadores estimaram em R$ 20 milhões o pagamento de propinas. O esquema teria durado até 2014.

Os investigadores apontam que cabia ao operador financeiro Aldair Petry, conhecido como Neco, o recolhimento mensal dos valores que eram pagos em espécie, que totalizam aproximadamente R$ 500 mil. Em nota, a CCR afirma: "Com relação às notícias veiculadas hoje relativas a ações da Polícia Federal em São Paulo e no Paraná, a CCR informa que tem contribuído com as autoridades no sentido de esclarecer todos os pontos pertinentes à questão em curso e permanece à disposição para quaisquer outros esclarecimentos que se fizerem necessários.

Em fevereiro último, quando surgiram denúncias envolvendo o Grupo CCR, o Conselho de Administração da companhia imediatamente constituiu um Comitê Independente para conduzir investigação de todos os fatos relacionados. Os trabalhos do Comitê Independente estão adiantados e, assim que concluídos, seus resultados serão reportados ao Conselho de Administração e autoridades."

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