María Isabel "Chicha" Chorobik de Mariani, uma das fundadoras da associação Avós da Praça de Maio, na Argentina, morreu aos 94 anos sem ter conseguido encontrar sua neta, desaparecida durante a ditadura militar no país (1976-1983). "Nos despedimos de uma companheira de luta. Continuaremos procurando Clara Anahí", informou a organização em comunicado, no qual definiu "Chicha" como "uma mulher fundamental no início da busca pelos meninos e meninas sequestrados pelo terrorismo de Estado e um símbolo da luta pelos direitos humanos". Segundo veículos de imprensa locais, a idosa, que desde meados da década de 1990 presidia uma fundação com o nome de sua neta, morreu na noite desta segunda-feira (20) após vários dias internada em um hospital da cidade de La Plata, devido a um acidente vascular cerebral. A nora de Chicha, Diana Teruggi - integrante da organização guerrilheira Montoneros - e sua neta Clara Anahí, de três meses, desapareceram após uma operação do aparelho repressivo na casa onde viviam . Segundo testemunhos, soube-se que a menina foi levada da casa com vida, e desde então Chicha não parou de procurá-la. O pai da menina e filho de Chicha, Daniel Mariani, também terrorista montonero, foi encontrado pelos repressores da ditadura e assassinado em agosto de 1977. Até agora, após 40 anos de intensa luta e pesquisa que inclui complexos estudos de DNA, as Avós da Praça de Maio conseguiram descobrir a identidade de 128 dos cerca de 500 bebês que foram sequestrados durante o regime militar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário