
O fundo soberano da Noruega, que é considerado o maior do mundo, quer deixar de investir em acções de petrolíferas. Mas não deverá ser assim tão simples: a comissão criada pelo Governo para analisar esta possibilidade recomenda exatamente o contrário. Cabe agora ao Executivo tomar esta decisão, o que deve acontecer no final do ano. "Desinvestir em ações de energéticas no fundo soberano da Noruega não é uma proteção garantida contra uma queda permanente dos preços do petróleo", afirma Oystein Thogersen, presidente da comissão criada pelo governo, em comunicado citado pela Bloomberg. Foi no ano passado que o fundo soberano da Noruega alertou que o país estava demasiado exposto à volatilidade dos preços do "ouro negro". Quis, por isso, reduzir o número de ações de petróleo e gás que detém: são ao todo mais de 40 bilhões de dólares em títulos deste setor. Estas declarações agitaram os mercados globais e levaram o governo da Noruega a criar um grupo de especialistas para analisar a possibilidade de o maior fundo do mundo vir a diminuir a exposição às energéticas. Uma comissão que recomendou agora exatamente o contrário daquilo que o fundo pretendia: a entidade deve continuar a investir na matéria-prima. O petróleo tem contribuído fortemente para os resultados do fundo. Entre abril e junho, alcançou ganhos de 167 bilhões de coroas norueguesas (20 bilhões de dólares), o que representa uma taxa de rendibilidade de 1,8%. Um desempenho que se beneficiou sobretudo da valorização das ações norte-americanas, mas também das cotadas ligadas ao petróleo e ao gás (um ganho de 13%). O Executivo vai agora analisar a recomendação do grupo de trabalho antes de remeter esta questão para o Parlamento, considerando que tem "bases sólidas para tomar uma decisão", que deverá chegar no final do ano.
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