O ministro Marco Aurélio, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu aval ao acordo de delação premiada de Alan Malouf, um empresário que diz ter participado de um esquema de repasses de caixa dois e desvio de dinheiro público que envolve o governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB). A colaboração é sigilosa e foi homologada no dia 19 de abril. Parte da documentação do acordo foi enviada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (PSDB), também é citado como uma das lideranças do esquema. Atualmente, Taques tenta a reeleição e Leitão concorre ao Senado. Na delação feita à Procuradoria-Geral da República, Malouf afirma que captou R$ 10 milhões em recursos não contabilizados para a campanha de Pedro Taques ao governo, em 2014, então candidato do PDT. A conta, diz ele, era administrada por Júlio Modesto, que virou o chefe da Casa Civil matogrossense.
Segundo Malouf, Taques recebeu R$ 10 milhões em caixa dois. O delator afirma que "esteve reunido mais de 100 vezes com o governador Pedro Taques em sua residência para tratar de assuntos financeiros ligados a campanha de 2014". Ele diz que presenciou encontro entre o então candidato a governador e o ex-governador Silval Barbosa --também delator no STF, Silval diz que Taques pediu R$ 12 milhões em caixa dois. Malouf foi condenado a 11 anos de prisão pela Justiça de Mato Grosso sob acusação de integrar organização criminosa, mas não está preso. Alguns benefícios da delação são redução de pena e alteração do monitoramento da tornozeleira eletrônica neste processo. Ele foi condenado no âmbito da Operação Rêmora, que investigou desvios de R$ 56 milhões da Secretaria de Educação do Estado por meio de contratos.
Algumas das acusações já haviam sido feitas em depoimento à Justiça do Estado, mas não resultaram em processo contra o governador. Leitão, de acordo com o delator, comandava a operação de desvios. Taques sabia que o dinheiro captado para a campanha seria pago, segundo Malouf. Ele diz que informou, diretamente ao governador, que empresários efetuaram pagamentos destinados a Nilson Leitão. Malouf também diz que, quando o esquema foi descoberto, se reuniu em duas ocasiões com Taques na sede do governo e o informou dos riscos. O governador, segundo ele, respondeu que "daria um jeito de resolver".
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