Em carta encaminhada na sexta-feira à direção do PT e a militantes do partido, o secretário-geral, deputado federal José Eduardo Cardozo (SP), anunciou sua decisão de não voltar a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele disse que vai se dedicar a campanha da ministra Dilma Rousseff à sucessão presidencial e não tem seu futuro político definido. No texto, Cardozo afirma que já tinha se comprometido a não voltar a disputar um mandato de deputado se não houvesse uma ampla reforma política. "Desde a última campanha eleitoral, disse e repeti, por diversas vezes, que achava difícil a possibilidade de vir a participar de uma nova eleição à Câmara dos Deputados se não houvesse uma radical reforma do sistema político brasileiro", afirma. Disse o namorado da deputada federal comunista gaúcha Manuel D'Ávila: "Minha intenção era convocar uma ampla plenária, aberta a todos os que ao longo destes quase 16 anos de vida parlamentar me honraram com seu voto ou apoio, para informar e debater o posicionamento estritamente pessoal que motiva o encaminhamento desta mensagem. O vazamento de notas na imprensa e a dimensão pública que a questão assumiu ao longo dos últimos dias, inclusive com especulações infundadas, me forçam a ter de fazê-lo agora, de imediato, por esta via, sem prejuízo das reuniões do meu mandato que promoverei até o final do presente ano, com o objetivo de prestar as informações e os esclarecimentos necessários à compreensão deste meu posicionamento, bem como para que possamos juntos continuar debatendo e participando ativamente da vida política do País. Comecei a ter uma vida política mais intensa no movimento estudantil, especialmente quando, ao final dos anos 70, fui presidente do Centro Acadêmico "22 de agosto" da PUC/SP. Desde a sua fundação, ingressei no PT onde hoje, pela segunda vez, ocupo o cargo de Secretário-Geral Nacional. Convidado por Luiza Erundina, tive a honra de participar da primeira gestão petista na Cidade de São Paulo, na condição de Secretário de Governo do Município, deixando o cargo apenas para disputar minha primeira eleição ao Legislativo Paulistano. Desde então venho me dedicando à vida parlamentar". Ele disse que se desiludiu quando se sentiu desconfortável em disputas "onde os recursos financeiros cada vez mais decidem o sucesso de uma campanha, onde apoios eleitorais não são obtidos pelo convencimento político das idéias, pelo programa ou pela própria atuação do candidato proporcional, mas quase sempre pelo quanto de estrutura financeira ele pode distribuir". Enfim, deu uma de bom mocinho. Mas, o certo é que ele já antevia as dificuldades para conseguir os votos necessários para sua reeleição a deputado federal por São Paulo.
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