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sábado, 1 de dezembro de 2007

Instituto Ethos suspende conselheiro após flagrante de índios em situação degradante em usina

O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social suspendeu a participação do usineiro José Pessoa de Queiroz Bisneto do conselho consultivo da entidade após índios serem encontrados em situação degradante em uma usina de álcool do grupo J.Pessoa, em Brasilândia, a 372 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Segundo nota do instituto, Queiroz ficará afastado até que o conselho deliberativo da entidade analise os esclarecimentos solicitados ao usineiro. Uma usina da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool/Agrisul, que pertence a Queiroz, foi flagrada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel mantendo 820 índios em situação degradante de trabalho. Após a fiscalização, realizada no dia 13 de novembro, a usina foi interditada. Entre as irregularidades encontradas a fiscalização constatou que os alojamentos ocupados pelos índios estavam superlotados, sem armários ou locais para guarda de roupas e objetos de uso pessoal, em desacordo com normas de segurança e saúde do trabalhador. Nos alojamentos foram encontrados lixo espalhado pelo chão, restos de comida por todo o local e esgoto a céu aberto. Essa é a responsabilidade social de um empresário que é admitido no Instituto Ethos. Se o Instituto Ethos não fiscaliza seus próprios membros, imagine-se o que as empresas praticam contra os trabalhadores por este Brasil afora. Diz o site do instituto: “O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização não-governamental criada com a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Seus 1279 associados – empresas de diferentes setores e portes – têm faturamento anual correspondente a aproximadamente 35% do PIB brasileiro e empregam cerca de 2 milhões de pessoas, tendo como característica principal o interesse em estabelecer padrões éticos de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente”. A entidade é presidida por Ricardo Young e tem como diretor-executivo Paulo Augusto Itacarambi. O Conselho Deliberativo é presidido pelo empresário petista Oded Grajew, um dos idealizados do Fórum Social Mundial e fundador da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente. Também faz parte do conselho outro empresário petista, o fazedor de primeiro filho milionário Antoninho Marmo Trevisan, presidente da BDO Trevisan Auditoria, Consultoria e Outsourcing.

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