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domingo, 16 de dezembro de 2007
Argentina acusa Estados Unidos de promoverem armadilha processual no caso da mala
O governo argentino acusou no sábado os Estados Unidos de promoverem "uma formidável armadilha processual" para evitar a extradição do empresário americano-venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson, envolvido no caso da mala. "É muito difícil acreditar que haja uma ação independente da Justiça norte-americana, fundamentalmente porque é uma ação de promotores, e os fiscais não atuam com independência nos Estados Unidos", afirmou o chefe de gabinete, Alberto Fernández. A Justiça dos Estados Unidos declarou esta semana que a valise com US$ 800 mil confiscados em agosto passado de Wilson, em Buenos Aires, tinha como destino financiar a campanha eleitoral da atual presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner. No início de agosto, às vésperas de uma viagem oficial do presidente venezuelano, Hugo Chávez, à Argentina, Wilson tentou entrar em Buenos Aires com uma mala contendo dólares não-declarados. Ao mesmo tempo, um ex-juiz argentino admitiu que assessorou o empresário venezuelano-americano Guido Antonini Wilson, depois que a Justiça local pediu sua extradição aos Estados Unidos, para investigá-lo pela tentativa de entrar ilegalmente no país com US$ 800 mil. O ex-magistrado Guillermo Ledesma reconheceu que viajou para Miami no final de agosto para assessorar Antonini Wilson, a pedido de um escritório jurídico venezuelano. "Eu destaquei que era conveniente que não fugisse da ação da Justiça argentina", afirmou Ledesma, que integrou o tribunal que julgou e condenou à prisão perpétua, em 1985, os responsáveis pela sangrenta ditadura argentina (1976-83). Ledesma tornou pública sua ligação com o "caso da mala" depois que a Procuradoria dos Estados Unidos divulgou que o destino do dinheiro era a campanha presidencial da recém-empossada presidente argentina Cristina Kirchner. O ex-juiz recomendou que Antonini Wilson se apresentasse na Argentina durante uma reunião da qual também teriam participado outros dois venezuelanos, que estão presos, acusados de serem agentes infiltrados do governo da Venezuela nos Estados Unidos. A Procuradoria norte-americana garantiu ter provas de que, nesta reunião, realizada em um restaurante de Miami, os dois venezuelanos pressionaram e ameaçaram Antonini Wilson para que não divulgasse que o destino dos US$ 800 mil dólares era a campanha de Cristina Kirchner.
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Vitor Vieira Jornalismo
as
20:15:00
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