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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Polícia Federal prende sete suspeitos de envolvimento em fraude na CGTEE
A Polícia Federal prendeu na manhã destas quarta-feira, em Porto Alegre, sete suspeitos de envolvimento com fraude relacionada à Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE). Um oitavo homem, que também teve mandado de prisão expedido, estaria na Alemanha. Entre os presos na Operação Curto-circuito estão o petista Carlos Cecin, ex-diretor técnico e de meio ambiente da CGTEE; Alan Barbosa, diretor-presidente da Hamburgo; Iorque Barbosa, presidente da Cooperativa Riograndense de Eletricidade Ltda (Coorece); Joceles da Silva Moreira, advogado da CGTEE; e Júlio César Azevedo Magalhães, presidente da Elétrica Jacuí (Eleja). O homem que estaria na Alemanha é Erwin Alejandro Jaeger Karl, representante da CCC Machinery. Júlio Cesar Azevedo Magalhães é outro expoente de primeira grandeza do PP do Rio Grande do Su. Ele foi secretário substituto de Minas e Energia do Estado no governo de Germano Rigotto (PMDB), e chegou a exercer o cargo como titular. Em 23 de maio, foi revelado que a CGTEE, mesmo proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal de dar aval em financiamentos a empresas privadas, constava como fiadora em 12 contratos de empréstimos internacionais de 2005 e 2006 em favor de pelo menos quatro usinas do Rio Grande do Sul e uma do Paraná. O valor era de pelo menos 157 milhões de euros (aproximadamente R$ 409,5 milhões pelo câmbio desta terça-feira). Os mandados de prisão foram expedidos pela 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre. Chegou a ser noticiado que também estava preso Julio Quadros, ex-presidente da CGTEE e ex-presidente do PT no Rio Grande do Sul, mas essa informação não se confirmou. Também chegou a ser noticiado que tinha sido preso o petista Clovis Ilgenfritz, que tem assinatura sua nos avais como diretor da CGTEE, mas esta informação também não foi confirmada. A CGTEE, principal empresa de energia térmica do Rio Grande do Sul, desmembrada da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) aparece como fiadora de 12 contratos de empréstimos em benefício de empresas. O aval significa que a CGTEE pode ter de usar dinheiro público para saldar dívidas privadas em caso de inadimplência. Os contratos somam financiamentos de pelo menos 157 milhões de euros (aproximadamente R$ 409,5 milhões pelo câmbio desta terça-feira) junto ao banco alemão Kreditanstalt fur Wiederaufbau (KfW). Oito deles beneficiam a Hamburgo e quatro, a Winimport. Em 1º de junho, o então diretor técnico da CGTEE, Carlos Marcelo Cecin, foi exonerado do cargo. Ele alega ter assinado documentação prévia, insuficiente para avalizar empréstimos. Nos financiamentos da Hamburgo, aparecem assinaturas de Cecin e do diretor financeiro da CGTEE, Clovis Ilgenfritz. Conforme laudo contratado pela companhia, as assinaturas são falsas. A CCC Machinery (ligada a Enerpal, Elétrica Jacuí e PML) é empresa da cidade de Hamburgo, na Alemanha, que atua no ramo do comércio internacional de máquinas, controlada pelo Münchmeyer Petersen & Co GmbH (MPC), que tem volume de negócios estimado em 2 bilhões de euros. Segundo Júlio César Azevedo Magalhães, presidente da Elétrica Jacuí (Eleja), a CCC controlaria parte da Eleja. A Energiegessellschaft Palmaille mbH (Enerpal) é ligada a CCC Machinery e Hamburgo. É uma empresa alemã da qual a CCC Machinery é acionista direta. A Polícia Federal revelou que a CGTEE recebeu uma consulta sobre garantias que também existiram em nome da estatal a essa empresa. A Hamburgo Energia Participações Ltda (ligada à Enerpal) é controlada 100% pela Enerpal, tem Alan Barbosa como diretor-presidente. Foi criada para construir quatro usinas de biomassa no Rio Grande do Sul. Recebeu garantias ilegais da CGTEE. A Elétrica Jacuí (Eleja) é empresa ligada à CCC Machinery, Ela é constituída para conclusão do projeto da térmica Jacuí 1, a partir da transferência para a Carbonífera Criciúma do projeto da Tractebel, que em 1998 havia arrematado a divisão de geração de energia da Eletrosul, chamada Gerasul. Mais tarde, a Criciúma vendeu a maior fatia para a CCC. A Polícia Federal suspeita que a Eleja tenha recebido avais ilegais da CGTEE. A PML Petersen Matex Importação e Exportação Ltda (ligada a CCC Machinery e Winimport) é uma das representantes oficiais do grupo MPC no Brasil. Assim como a CCC Machinery, a Petersen Matex Importação e Exportação Ltda tem sede em São Paulo. Tem atividades desde 1922. A Usina Termoelétrica Winimport SA, do Paraná (ligada à PML), também é ligada à CCC, por meio da PML, e foi instalada no Paraná para implantar duas usinas de biomassa. Recebeu garantias ilegais da CGTEE. Alan Barbosa (preso nesta terça-feira pela Polícia Federal) é ex-funcionário da CEEE e amigo de Carlos Marcelo Cecin; é diretor-presidente da Hamburgo Participações Ltda, uma das beneficiadas pelos avais ilegais a financiamentos junto ao banco alemão KfW; ele teria tido um papel importante na aproximação entre a CGTEE e a Winimport, do Paraná; é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Carlos Marcelo Cecin (preso pela Polícia Federal nesta terça-feira) é ex-diretor técnico e de meio ambiente da CGTEE, exonerado a partir do escândalo dos avais ilegais. Filiado ao PT e fundador da Coorece, assim como Alan Barbosa. Outros personagens desta história: Júlio Quadros, ex-presidente da CGTEE e do PT gaúcho; Clovis Ilgenfritz, que tem seu nome ligado a alguns avais ilegais concedidos pela CGTEE, é ex-secretário do Planejamento do governo Olívio Dutra (PT); Júlio César Azevedo Magalhães (preso nesta terça-feira pela Polícia Federal) é ex-vereador do PP em Ijuí, desligou-se do cargo de secretário interino de Energia, Minas e Comunicações, em 2005, para assumir a presidência da Elétrica Jacuí (Eleja), com investimento da CCC Machinery; na sua casa, a Polícia Federal encontrou um carimbo com o nome e o cargo de Carlos Marcelo Cecin; Erwin Alejandro Jaeger Karl (tem mandado de prisão expedido pela Polícia Federal, mas estaria na Alemanha) é citado em correspondência de Carlos Marcelo Cecin como representante do MPC, controlador da CCC Machinery; é sócio de Júlio Magalhães na Eleja e na BD Assessoria e personagem mais controverso do caso, apontado pela sindicância interna da CGTEE como um dos implicados no caso dos avais ilegais; segundo a Polícia Federal, ele mora em Vila Velha (ES); Iorque Barbosa (preso nesta terça-feira pela Polícia Federal), é presidente da Cooperativa Riograndense de Eletricidade Ltda (Coorece), prestadora de serviços da CGTEE; Joceles da Silva Moreira (preso nesta terça-feira pela Polícia Federal) é advogado da CGTEE. (Informações da Zero Hora)
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