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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Polícia Federal libera Dorneu Maciel, Lair Ferst e demais presos da Operação Rodin

A Polícia Federal liberou na tarde desta terça-feira, oito dias depois de detonada a Operação Rodin (que investiga fraude de mais de 40 milhões de reais no Detran do Rio Grande do Sul), os últimos cinco acusados que ainda estavam presos no “Tio Patinhas”, carceragem da Superintendência da Polícia Federal localizada na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre. Foram liberados: Antonio Dorneu Maciel, ex-diretor administrativo da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica, afastado do cargo por ordem judicial e demitido do mesmo pela governadora Yeda Crusius), Lair Ferst (dono de empresas subcontratadas pela Fatec e depois pela Fundae, que usufruiram de contratos superfaturados; ele foi um dos arrecadadores de recursos financeiros para a campanha de Yeda Crusius), Alfredo Pinto Telles (sócio da Newmark Tecnologia, cunhado de Lair Ferst, empresa subcontratada pelo esquema), José Fernandes e Ferdinando Fernandes (pai e filho, sócios proprietários da Pensant Consultores, empresa-mãe do esquema de desvios de recursos do Detran). A liberação deles ocorreu um dia depois de Rubem Höher, que fez delação premiada, ter entregue à Polícia Federal a maleta preta que era usada para o transporte do dinheiro da propina até o apartamento 403 do apart-hotel Partenon, localizado na Avenida Independência nº 813, onde era distribuído o botim. O procurador do Estado Flávio Vaz Neto, presidente do Detran (também afastado do cargo por ordem judicial e demitido pela governadora Yeda Crusius), c conforme a Polícia Federal, era um dos principais beneficiários da propina. Antonio Dorneu Maciel é defendido pelo advogado Flávio Luz. Mas, as atividades da Polícia Federal continuam. Nesta terça-feira, policiais federais apreenderam documentos e bens na sede da World Travel Turismo Ltda, em Santa Maria. A empresa, de familiares do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Paulo Jorge Sarkis, é suspeita de ser uma das beneficiadas pela fraude. Paulo Jorge Sarkis teve seu nome promovido por um escritório jornalístico de lobismo para ser nomeado secretário de Planejamento do Rio Grande do Sul. Segundo a Justiça, na condição de reitor da UFSM, Sarkis tinha papel relevante junto à Fatec e se valeu de contatos políticos para a obtenção do contrato da fundação com o Detran. A prisão de Antonio Dorneu Maciel, agora solto, tem mais um subproduto: agora ele não interferirá mais nas obras do Memorial do Parlamento, a reforma da Casa Rosada, localizada ao lado do Palácio Piratini, que será sede do memorial da Assembléia Legislativa. Desde o começo do ano ele estava interferindo na execução do projeto, tendo forçado uma modificação no projeto, para obrigar à instalação de um elevador interno. As alterações desse projeto implicaram em um gasto extra de cerca de um milhão de reais, deturpando o projeto original da arquiteta responsável, que tinha sido aprovado pelo Conselho Estadual de Proteção do Patrimônio Histórico.

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