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domingo, 4 de novembro de 2007

Petrobras avisou o governo Lula há um ano, por carta, da crise do fornecimento de gás

Nesta semana, os brasileiros viram as conseqüências de uma crise que tinha sido anunciada. No ano passado, a Petrobras alertou o governo Lula sobre o risco de um corte no fornecimento de gás natural. Isso foi feito por meio de cartas, escritas pelo presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, pelo ex-diretor de gás e energia da empresa, Ildo Sauer, pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, e o presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica, Gerson Kellman. A troca de correspondências começou em 2006, com a discussão sobre a possibilidade de a Petrobras enviar gás natural para as usinas termelétricas e evitar falta de energia no País em caso de queda no nível dos reservatórios. Em setembro do ano passado, o presidente da Petrobras alertou o ministro de Minas e Energia: "O atendimento de demanda acima dos volumes implicaria em cortes de consumo Petrobras e do consumidor industrial". Em março deste ano, o ex-diretor de gás e energia reforçou: "O deslocamento do gás natural para atender usinas termelétricas provocaria uma desorganização do mercado de gás natural com prejuízos para a sociedade, que voltaria a consumir combustíveis mais caros". O então ministro de Minas e Energia cobrou do presidente da Petrobras um plano de expansão da oferta de gás para o abastecimento de usinas termelétricas e disse que não poderia admitir nenhuma fragilidade no momento em que o governo buscava aceleração do crescimento do País. Em abril, o fornecimento de gás para termelétricas virou obrigação, de acordo com termo de compromisso assinado pelas autoridades. Só que, nesta carta, Gabrielli deixou claro o descontentamento com a medida. Jose Gabrielli escreveu: "A Petrobras está empenhada em cumprir os compromissos, apesar de questionamentos, sobre obrigações legais e contratuais. Os cronogramas acordados estão fora do controle e da ação da Petrobras". No momento que o Brasil precisava de gás, a Argentina pediu ajuda ao presidente Lula. Diante da crise da Argentina, a Petrobras reduziu a quantidade de gás importado da Bolívia. A medida permitiu que os bolivianos enviassem mais gás para a Argentina. O resto do filme é conhecido. E vai ficar pior. Só não vê quem não quer que o governo Lula está produzindo um violento apagão elétrico no País, e a arquiteta deste apagão se chama Dilma Roussef.

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