Assine Vitor Vieira Jornalismo

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Ferroban e ALL condenadas a pagar até R$ 326 milhões

A Ferroban e a América Latina Logística foram condenadas a pagar um valor que pode chegar a R$ 326 milhões em multas por dano moral coletivo e em indenizações para funcionários que foram demitidos irregularmente ou que foram humilhados no trabalho por não aderir ao Plano de Demissão Voluntária das empresas. As verbas indenizatórias estabelecidas pela Justiça Trabalhista podem chegar a R$ 70 milhões para 142 trabalhadores que foram demitidos e não receberem indenizações previstas em acordo coletivo firmado em 1995/96. Em outra ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho, as duas empresas foram condenadas a pagar multa que deve chegar a R$ 256 milhões por dano moral coletivo. De acordo com a Justiça Trabalhista, os trabalhadores e ex-trabalhadores da Ferroban vivem um verdadeiro calvário desde que a Ferrovias Paulista S/A (Fepasa) iniciou o processo de desmonte com vistas à privatização, há mais de dez anos. A empresa foi vendida para a Ferroban, com um deságio de R$ 244,8 milhões, exatamente o valor que deveria ser usado para pagamento dos direitos dos trabalhadores, o que não foi feito. Neste período, muitos trabalhadores foram demitidos sem receber as indenizações previstas no acordo coletivo e os que ficaram sofreram toda sorte de assédio moral por não aderir ao Plano de Demissão Voluntária. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, a Ferroban assinou um acordo judicial, no qual prometia paralisar coação feita aos trabalhadores para assinar o PDV. Os trabalhadores, encostados pela empresa, passaram a ser chamados pelos colegas de "javali", no sentido de "já vali" alguma coisa para a empresa. A empresa foi transferida para a Rede Ferroviária Federal, depois para a Ferroban e finalmente para a América Latina Logística, mas os trabalhadores continuaram a ser demitidos sem receber seus direitos. No dia 26 de novembro, a procuradora Alvamari Cassilo Tebet, da 15ª Região, em Campinas (SP), tentará em audiência negociar o pagamento das parcelas deferidas aos trabalhadores. Esse é caso típico de capitalismo bucaneiro.

Nenhum comentário: