segunda-feira, 30 de março de 2015

PT pede a Dilma que recrie conferências nacionais de Lula

Em uma tentativa de superar a atual crise política, o comando nacional do PT pediu à presidente Dilma Rousseff que se reaproxime dos movimentos sociais e que recrie as conferências nacionais, encontros temáticos com setores da sociedade promovidos no governo do ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"). Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a presidente já se mostrou disposta a promover um encontro, no Palácio do Planalto, com movimentos sociais. A reunião tem como objetivo aproximar o governo federal com os grupos que historicamente apoiaram a gestão petista. "Nós estamos debatendo com o governo federal a necessidade de sinalizar para a nossa base social e eleitoral", disse. "Há a sugestão de que tenha um encontro da presidente, no Palácio do Planalto, com o conjunto de movimentos sociais, para que eles possam se expressar e apresentem suas reivindicações", acrescentou. O dirigente petista disse acreditar que a presidente também colocará em prática a sugestão de retomar as conferências nacionais que, segundo ele, ajudaram a produzir políticas públicas com a participação popular. 

Câmara aprova projeto que eleva salário de defensores públicos

O governo sofreu nova derrota na noite desta segunda-feira (30) com a aprovação pelo plenário da Câmara dos Deputados de um projeto que eleva o salário dos defensores públicos da União a partir de 2016 e que tem impacto estimado de mais de R$ 100 milhões ao ano. A votação foi simbólica, sem registro nominal dos votos. O projeto ainda que tem que ser analisado pelo Senado e sancionado pela presidente Dilma Rousseff para entrar em vigor. Pelo texto, o defensor-público geral, o posto mais alto da categoria, passa a ganhar o mesmo que um ministro do Supremo Tribunal Federal, R$ 33.763,00 o teto salarial do funcionalismo. Hoje ele recebe R$ 31.090,00. Há um efeito cascata no salários dos demais defensores públicos, cerca de 500. Segundo o atual defensor-público geral, Haman Tabosa Córdova, a proposta apenas estabelece um "equilíbrio" entre a balança da Justiça, equiparando os salários ao do Ministério Público. "É uma correção histórica. O órgão de defesa terá a mesma importância do de acusação", disse. Além do governo, o oposicionista DEM se posicionou contra o projeto. "Isso tem impacto nas contas do governo federal e dos Estados. Não há dinheiro para pagar médicos, dentistas, professores, a segurança pública. Falo aqui não em defesa do governo Dilma, que já acabou, mas em defesa do erário", afirmou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Segundo ele, o salário-base dos defensores saltará de R$ 16 mil para R$ 28 mil. A proposta original tentava vincular o salário da categoria ao vencimento do ministro do Supremo para garantir futuros reajustes automáticos, mas esse dispositivo acabou excluído da versão final do texto.

Lula pede que dirigentes petistas "levantem a cabeça"


Em meio à crise que traga o Palácio do Planalto, o ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") conclamou dirigentes petistas a "levantarem a cabeça" e "irem à luta" na criação de uma estratégia para reduzir os danos causados à imagem do partido. "O PT não pode ficar acuado diante dessa agressividade odiosa", disse o ex-presidente, segundo relatos de alguns dos presentes. Com o aval de Lula e do presidente nacional do PT, Rui Falcão, os dirigentes estaduais petistas aprovaram um manifesto no qual defendem que é hora de a legenda "sair da defensiva", "assumir responsabilidades" e "corrigir erros". Entre as medidas, Lula pediu o aprofundamento das relações do PT com os movimentos sociais via CUT (Central Única dos Trabalhadores), apoiando as manifestações organizadas pelas centrais e ampliando as alianças petistas. Falcão afirmou que o PT já pediu à presidente Dilma Rousseff (PT) que volte a receber lideranças dos movimentos sociais e recrie as chamadas conferências nacionais, promovidas durante os dois mandatos de Lula. Outra defesa de Falcão foi o fim das doações empresariais para o partido. A proposta foi debatida no encontro desta segunda mas só será discutida formalmente na reunião do diretório nacional do PT, nos dias 16 e 17 de abril. O manifesto reconhece ainda que o partido cometeu erros e deve retomar os valores que pautaram sua criação em 1980. "A fim de que retome sua radicalidade política, seu caráter plural e não dogmático", diz o texto. Um dos temas caros ao PT, a corrupção está no documento baseada na tese "nós contra eles", utilizada na campanha à reeleição de Dilma. Para os petistas, "querem fazer do PT bode expiatório da corrupção nacional e de dificuldades passageiras da economia". As lideranças do partido comparam os ataques sofridos pela sigla em meio às investigações do esquema de corrupção na Petrobras ao sequestro do empresário Abílio Diniz, em 1989, que, segundo eles, foi "imputado ao PT". Para Falcão, a sigla é alvo de uma campanha de "cerco" e "aniquilamento". "Faço um chamamento a nós sairmos da defensiva, enfrentarmos de cabeça erguida àqueles que nos atacam, porque é impensável que a gente possa ser acusado de corrupção", disse o presidente do PT em entrevista à imprensa após a reunião. Os petistas ainda defendem dez bandeiras tradicionais da esquerda para reaproximar o partido e, consequentemente, o governo Dilma da base social do partido. As principais propostas são: a orientação da bancada do PT no Congresso a aprovar proposta de taxação das grandes fortunas, que sofre resistência de setores do governo federal, a aprovação das reformas política e tributária, a aplicação dos direitos trabalhistas, na contramão do ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, entre outras. Fazendo coro ao discurso mais otimista de Lula, o texto afirma: "A hora não é de recuo, é de avançar com coragem e determinação". Nos bastidores, porém, aliados do ex-presidente e X9 afirmam que ele vê o cenário de uma perspectiva mais desanimadora. Avalia que o governo está paralisado e que Dilma precisa retomar as concessões e as obras pelo País, além de resolver a crise política com o pacto definitivo com o PMDB. Lula defende o afastamento imediato de Vaccari e tem dito a aliados que, se permanecer no cargo, o tesoureiro não consegue nem se defender nem ajudar o partido. 

Delator reforça suspeita de que propinas foram pagas no Exterior

Delação premiada de Rafael Angulo Lopez, entregador do doleiro Alberto Youssef, reforça a suspeita de que as empresas Odebrecht, Braskem e OAS tenham feito repasses de propinas ligadas a contratos da Petrobras para contas e beneficiários no Eexterior. Em depoimento, Lopez afirmou que entregou dados para depósitos fora do Brasil e colheu comprovantes de transferências para o Exterior em escritórios da empreiteira Odebrecht e da petroquímica Braskem, que fazem parte do mesmo grupo – os maiores acionistas da Braskem são a Odebrecht (38%) e a Petrobras (36%). Detalhes dos depoimentos prestados por Lopez foram antecipados pela revista "Veja" na edição que circula nesta semana. A Folha apurou que Lopez também relatou à força-tarefa da Operação Lava Jato que entregou dinheiro no Brasil e no Exterior por indicação de representantes da construtora OAS em países como Peru, Panamá e Trinidad e Tobago. Segundo Lopez, a OAS tinha uma espécie de "conta corrente" com Youssef. Funcionário de Youssef desde 2005, ele prestou mais de 30 depoimentos em março no âmbito da delação premiada, com o objetivo de obter redução de penas nos processos criminais da Lava Jato. Investigadores consideram a colaboração de Lopez importante, pois ele poderá reconhecer pessoas, locais e documentos relativos a operações das quais participou pessoalmente e para as quais há maior dificuldade de apuração, como as relativas a repasses além das fronteiras brasileiras e à movimentação de dinheiro em espécie. Em um dos testemunhos, Lopez afirmou que esteve várias vezes no escritório da Odebrecht em São Paulo entre 2010 e 2012 para se encontrar com Alexandrino de Alencar – executivo da companhia e atual diretor de relações institucionais da Odebrecht – com o objetivo de lhe entregar informações de contas para transferências ao Exterior e retirar comprovantes de repasses fora do Brasil. O depoimento traz mais um indício de que a Odebrecht tenha realizado o pagamento de subornos ligados ao esquema de corrupção na Petrobras em contas no Exterior. Também em delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que recebeu propina de mais de US$ 30 milhões da Odebrecht em contas na Suíça. Lopez disse às autoridades que o mesmo trabalho de entrega de dados de contas para repasses ao Exterior, além da retirada dos comprovantes de transferências para países estrangeiros, foi realizado em visitas ao escritório da Braskem em São Paulo, em 2008 e 2009, nas quais os contatos também foram feitos com Alexandrino de Alencar. O testemunho reforça as acusações já feitas pelos delatores Costa e Youssef de que a Braskem também pagou propina no Exterior para ter vantagens ligadas a contratos de compra de matéria-prima da Petrobras. Segundo Youssef, o valor médio do suborno era de US$ 5 milhões por ano, e as reuniões para tratar do assunto começaram em 2006 com Alexandrino de Alencar.  Em um de seus depoimentos, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras disse que as propinas da Braskem e da Odebrecht remetidas ao Exterior se misturavam, "visto que são empresas do mesmo grupo". Na delação, Lopez afirmou também que esteve várias vezes no escritório da OAS em São Paulo, desde 2012, para entregar e recolher valores em espécie, dólares, euros e reais, em montantes que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. No depoimento, disse que esteve na OAS inclusive na companhia de outros funcionários de Youssef, como Adarico Negromonte e João Procópio, e um dos parceiros de negócios do doleiro, o empresário Leonardo Meirelles. A equipe de defesa de Lopez, composta pelos criminalistas Adriano Bretas, Tracy Reinaldet e André Pontarolli, informou que a delação do entregador ainda tramita em sigilo e por isso não iria se manifestar. Odebrecht, Braskem e OAS e o executivo Alexandrino Alencar negaram o pagamento de propinas. Em nota, a Odebrecht afirma que "não fez nenhum tipo de pagamento ou depósito para quaisquer agentes públicos ou políticos para obter contratos junto à Petrobras". "A empresa deplora ainda o vazamento ilegal e seletivo de informações falsas, o que impede o exercício pleno do direito de defesa", completa a nota. A Braskem aponta também em nota que "todas as negociações, pagamentos e contratos da Braskem com a Petrobras seguiram os preceitos legais e foram aprovados de forma transparente de acordo com as regras de governança das duas empresas". De acordo com a companhia, "é importante ressaltar que os preços praticados pela Petrobras na venda de matérias-primas nunca favoreceram a Braskem e sempre estiveram atrelados às referências internacionais mais caras do mundo, com notórios efeitos negativos para a competitividade da Braskem e da petroquímica nacional". 

MILITANTES DO PSOL E PSTU, E MAIS ATIVISTAS GAYZISTAS, COMANDADOS PELO PETISMO, HOSTILIZAM EDUARDO CUNHA EM PORTO ALEGRE


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), voltou a ser impedido de falar nesta segunda-feira por manifestantes ligados a partidos de esquerda em um evento público. Menos de 50 vagabundos se inscreveram no Fórum dos Grandes Debates, promovido pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, e vaiaram a presença do peemedebista Eduardo Cunha no auditório Dante Barone, em Porto Alegre. Com faixas contra a PEC 352, da reforma política, e cartazes em favor de comunidades LGBT, os manifestantes ligados ao PSOL e ao PSTU e mais ativistas gayzistas, todos subalternos ao PT (que encomenda e lidera essas manifestações) ocuparam a parte frontal do auditório e promoveram um “apitaço” logo que a mesa começou a ser formada. Houve até um beijo gay protagonizado por dois manifestantes. Nem ao longo da execução do Hino Nacional os manifestantes petralhas silenciaram. O evento, programado para discutir reforma política, teve de ser transferido para o plenário da Assembleia, onde o ingresso de pessoas foi restrito. Além de Eduardo Cunha, estavam na mesa o vice-presidente Michel Temer, o governador gaúcho José Ivo Sartori e o presidente da Assembleia Legislativa, Edson Brum – todos do PMDB. Edson Brum, responsável pela recepção dos convidados, foi impedido de se manifestar pelas vaias e palavras de ordem dos manifestantes. Depois de pedir calma e respeito, o presidente da Assembléia Legislativa suspendeu o seminário e dissolveu a mesa. Edson Brum tentou negociar com os manifestantes, mas a condição para o fim dos protestos era a saída de Eduardo Cunha da mesa. Vagabundos não conhecem limite. Edson Cunha, obviamente, apesar de todos os anos na política, não aprendeu, ou não quer aprender, que com petistas não há diálogo. 

Já no plenário da Assembleia, o presidente da Câmara criticou a manifestação, que classificou como “intolerante”: "Se os manifestantes não respeitam nem o Hino Nacional, não podem se permitir protestar contra nada. Não há problema nenhum debater essas questões, desde que com o respeito previsto na Constituição. Foi lamentável essa demonstração de intolerância, mas mesmo assim meus cumprimentos aos intolerantes". Na nova etapa do seminário, entretanto, não havia mais manifestantes em plenário. Eduardo Cunha confirmou que pretende colocar a votação da PEC 352 até a 40ª sessão plenária do ano, que deverá ocorrer, segundo o presidente da Câmara, entre a primeira e a terceira semana de maio. Eduardo Cunha disse que se não for possível votar nesse período, convocará uma semana de esforço concentrado apenas para votar a reforma política na Câmara. Ele afirmou que as regras precisam ser aprovadas a tempo de reger a eleição municipal de 2016: "É uma decisão política já tomada. Não podemos repetir o patamar de confusão de 2014, ninguém aguenta mais disputar uma eleição assim". Na sexta-feira, Eduardo Cunha já tinha sido alvo de protestos em uma das sessões da Câmara Itinerante na Assembleia Legislativa de São Paulo. Um grupo de outros cerca de 20 pessoas, membros do movimento Juntos! (ligado ao PSOL), também impediu que o presidente da Câmara iniciasse o discurso e a sessão teve que ser suspensa por 10 minutos. Os manifestantes deram beijo gay, além de levantar faixas e cartazes pedindo uma assembleia constituinte já. Na ocasião, a Polícia Militar foi chamada e retirou o grupo da Assembléia.

Tesoureiro investigado pela Lava-Jato falta à reunião da direção do PT com Lula


Acusado pelo Ministério Público de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, não participou nesta segunda-feira de reunião da comissão executiva do PT, da qual fez parte, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro, que reuniu também os presidentes do partido nos estados, teve início às 15h30 em um hotel de São Paulo. Vaccari tem sido pressionado por lideranças petistas para deixar o cargo. O PT do Rio Grande do Sul chegou a enviar um documento à executiva nacional reivindicando o afastamento do dirigente. O grupo Mensagem ao Partido, que representa a segunda força dentro do PT, também defende a saída do tesoureiro. Vaccari, no entanto, tem contado com o respaldo do presidente nacional da legenda, Rui Falcão. Depois de participar pela manhã de um encontro com Lula e o futuro ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, o ex-governador Tarso Genro defendeu publicamente a saída do tesoureiro. Tarso é um dos fundadores da Mensagem ao Partido. "Se ele foi denunciado e se a denúncia foi aceita, como é a informação que temos, o partido deve pedir para que ele se afaste. E se ele não se afastar, afastá-lo preventivamente", afirmou o ex-governador. 

Em documento, PT diz ser "atacado por suas virtudes" e não cita o tesoureiro João Vaccari


Os 27 diretórios do PT aprovaram nesta segunda-feira em São Paulo, durante reunião com a presença do ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), um manifesto em que afirmam que o partido vem sendo sofrendo "por suas virtudes" e não por seus erros. O texto também compara o atual momento com o episódio em que a legenda foi responsabilizada pelo sequestro do empresário Abílio Diniz, em 1989. No texto, muito cínico, os petistas defendem que sejam expulsos os filiados condenados em casos de corrupção, mas não se referem ao tesoureiro João Vaccari Neto, que não participou da reunião da direção do partido e que responde a processo por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Também não dizem nada sobre os bandidos petistas condenados no Mensalão do PT, que já foram saudados como "guerreiros do povo brasileiro". Publicamente, o ex-presidente e alcaguete Lula X9 defende Vaccari. O tesoureiro chegou a ser aplaudido em dois encontros do partido desde o final do ano, quando ficaram mais fortes as denúncias de sua participação em um esquema de distribuição de propinas a partidos políticos por parte de empresas contratadas pela Petrobras. Como resposta à crise, o PT propõe no manifesto aprovado hoje o aprofundamento da reforma agrária, o apoio à criação de um imposto sobre grandes fortunas e aprovação do projeto de lei que estabelece o direto de resposta nos meios de comunicação. "A campanha de agora é uma ofensiva de cerco e aniquilamento. Como já propuseram no passado, é preciso acabar com a nossa raça. Para isso, vale tudo. Inclusive criminalizar o PT, quem sabe até toda a esquerda e os movimentos sociais", diz o documento, que continua: "Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades". O texto destaca ainda que os "adversários são maus perdedores no jogo democrático e tentam agora reverter sem eleições o resultado eleitoral". "Querem fazer do PT bode expiatório da corrupção nacional e de dificuldades passageiras da economia", afirma outro trecho. Na chegada ao hotel onde se reúne a comissão executiva do PT, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio "Top Top" Garcia, afirmou que o partido enfrenta um cenário como se a oposição tivesse ganhado a eleição. "Nós estamos vivendo uma situação paradoxal. Ganhamos a eleição com uma narrativa que a campanha teve capacidade de fazer, a presidente Dilma Rousseff como candidata assumiu de forma muito corajosa, explícita. Pouco depois da sua eleição, passamos a viver uma situação como se quem tivesse ganhado fosse a oposição e não o governo. Esse é um tema sobre o qual temos que nos debruçar", afirmou o trotskista Garcia, principal executivo do Foro de São Paulo. 

Levy quer adiar por um ano impacto da troca do indexador



O governo quer ganhar tempo de um ano para adotar o novo indexador para as dívidas de estados e municípios, empurrando o impacto fiscal para 2016. Segundo os senadores, a proposta foi apresentada nesta segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), numa tentativa de evitar que o Senado vote nesta terça-feira o projeto de lei que obriga o governo federal a implementar as novas em até 30 dias. De acordo com Renan Calheiros, Levy disse que está costurando um acordo com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que entrou na Justiça, e que pretende adotar esse modelo para os demais entes da Federação. O acordo em construção seria para manter a atual regra do indexador até o final do ano, quando o contrato seria refeito com base no novo indexador e a União faria um acerto de contas e devolveria ao município o que foi pago a mais. Renan disse que, por enquanto, não há acordo político para suspender a votação do projeto, mas sinalizou que poderá retirar de pauta caso haja o entendimento entre os os líderes dos partidos neste sentido. "O ministro Levy tem uma proposta para a questão das dívidas, que é o acordo judicial que ele fez com o Rio de Janeiro. Mas é uma coisa pontual. Ele fez um acordo judicial com o Rio de Janeiro e isso pode sinalizar uma negociação. A troca do indexador tem urgência constitucional, será apreciada amanhã, salvo acordo. Se houver acordo com os líderes, você derruba a urgência. Mas, por enquanto, não há acordo", disse Renan. O Ministério da Fazenda não quis explicar o detalhe do acordo com o Rio de Janeiro. Para evitar uma derrota do governo no Senado, Levy estará hoje na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para falar do ajuste fiscal e de duas declarações sobre a presidente Dilma Rousseff. O depoimento é considerado a "bala de prata" para o futuro do ajuste fiscal. Já Renan Calheiros apresentou a Levy uma proposta adicional para ser negociada: a independência formal do Banco Central. O PMDB quer um mandato de cinco anos para o presidente do Banco Central, sendo não-coincidente com o mandato do presidente da República. O cargo de presidente do Banco Central é indicação do presidente da República, e hoje ele tem status de ministro. Na campanha eleitoral, Dilma disse que é contra a independência oficial do Banco Central, afirmando que ele já tem independência na prática. Renan Calheiros disse que a proposta de Levy, por enquanto, beneficia o Rio de Janeiro e que é preciso ver se os outros Estados concordam com isso, Mas avisou, que, por enquanto, não há acordo. Na mesma linha, Jucá explicou que Levy quer utilizar o acordo com o Rio de Janeiro como modelo para os demais Estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul. Mas o senador alertou que é preciso duas coisas: primeiro, ver se os demais Estados e prefeituras concordam com a proposta e, depois, é preciso criar uma legislação que dê sustentação a esse entendimento, para evitar que Estados e municípios entrem na Justiça. "A proposta do ministro Levy para o Rio de Janeiro, que está sendo feita nos autos, é que o Rio de Janeiro pague a parcela cheia (do pagamento da dívida, com base no atual indexador ) até o final do ano e, no final do ano, a União regulamenta e devolve parte dessa parcela paga a mais a partir do ano que vem. Ele quer adotar esse modelo para os outros Estados. Mas é preciso ver se eles aceitam esperar um ano. Além disso, teremos que criar uma legislação, para evitar reagir de susto em susto", disse Jucá, afirmando que é preciso evitar uma corrida dos demais entres da Federação à Justiça. Na saída do encontro com o presidente do Senado, Levy disse que está havendo um entendimento com o Rio de Janeiro e outros entes da Federação. "Estou bastante confiante quanto a um encaminhamento positivo. Há um entendimento, no Rio de Janeiro e em outros lugares, no sentido de todo mundo contribuir para o ajuste . Hoje, temos de vencer essa etapa para criar as bases para a retomada do crescimento e a geração de empregos", disse Levy. O encontro durou mais de uma hora. A portas fechadas, Renan Calheiros, Jucá e o ministro conversaram sobre o ajuste fiscal. A lei complementar fixando um novo indexador para a dívida de estados e municípios foi sancionada em novembro de 2014. Comemorada na época, a lei complementar 148, de 25 de novembro de 2014, muda o indexador que corrige as dívidas dos atuais 6% a 9% de juros mais IGP-DI, para 4% ao ano mais a variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA). Mas o projeto estabelece que a Taxa Selic seja usada como uma espécie de teto para as correção. O texto diz que a União fica autorizada a conceder descontos sobre os saldos devedores dos contratos firmados com Estados e municípios, em valor correspondente à diferença entre o montante do saldo devedor em janeiro de 2013 e aquele apurado utilizando-se a variação da Selic acumulada desde a assinatura dos contratos. O problema é que o governo nunca aplicou a lei, alegando que é preciso haver uma regulamentação. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reagiram. E, na semana passada, a Câmara aprovou o projeto que fixa o prazo de 30 dias para o governo adotar as novas regras. Para evitar uma derrota no Senado, Levy se propôs a partir hoje de uma audiência na CAE para debater o ajuste fiscal. Renan disse que o Congresso está preocupado com o tamanho do ajuste fiscal e defendeu a autonomia do Banco Central. "Estamos preocupados com a qualidade do ajuste, não é apenas com quanto significará o ajuste, mas e como será o ajuste. E sugeri para o ministro algumas medidas, inclusive a independência formal do Banco Central, com mandatos não coincidentes com o do presidente da República", disse Renan. O presidente da CAE, Delcídio Amaral (PT-MS), entrou em campo para montar uma operação de guerra, com o objetivo de blindar Levy. O roteiro acertado por Levy incluirá os seguintes pontos: divida dos Estados e municípios; convalidação dos benefícios fiscais, guerra fiscal do ICMS, cortes no Orçamento, MPs do ajuste fiscal e investimentos. 

Volkswagen coloca em férias coletivas compulsórias 4.200 trabalhadores em Taubaté


Em meio à redução das vendas de automóveis no País, a Volkswagen concedeu férias coletivas a 4.200 funcionários dos 5 mil trabalhadores de sua fábrica de veículos compactos em Taubaté (SP) até 18 de abril, informou o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região nesta segunda-feira. A decisão paralisa a unidade que produz os modelos Voyage e up!. A decisão da montadora ocorreu diante da suspensão do terceiro turno, que emprega cerca de 970 funcionários que serão remanejados para os dois outros turnos. Essa alteração vai demandar mudanças no sistema de produção, o que exigirá a paralisação da fábrica e por isso foram concedidas as férias coletivas, disse o sindicato. Outros 500 funcionários da fábrica estão afastados e 250 com contratos de trabalho suspensos (layoff). A Volkswagen anunciou em fevereiro do ano passado investimento de 1,2 bilhão de reais na fábrica de Taubaté para a implantação da linha de produção do up!. Segundo o sindicato, a Volkswagen tinha planejado produzir 1.400 carros por dia na fábrica, mas a produção atual está em 850 unidades. As vendas de veículos novos no Brasil no primeiro bimestre recuaram 23% ante o mesmo período do ano passado, para cerca de 186 mil unidades. Segundo a associação de montadoras, Anfavea, o setor terminou fevereiro com queda de cerca de 9% no total de funcionários ocupados, a 142,3 mil.

Dólar termina em baixa após Dilma e Levy mostrarem discurso alinhado


O dólar fechou em queda nesta segunda-feira após a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, adotarem discursos alinhados, dissipando preocupações de que recentes declarações do ministro sobre a presidente pudessem gerar atrito entre os dois. A moeda americana fechou com queda de 0,27%, a 3,2317 reais na venda, após ser negociada a 3,2902 reais na máxima da sessão e a 3,2082 reais na mínima. Dilma afirmou que Levy foi mal interpretado ao fazer comentários sobre ela e que não há motivos para complicações devido ao episódio. O ministro defendeu a afinidade com a presidente, dizendo que a "confiança mútua é muito sólida". Os dois se pronunciaram, nesta segunda-feira, sobre o áudio publicado pelo site do jornal Folha de S. Paulo no sábado, que mostrava uma apresentação do ministro Levy, em que ele afirma que a presidente nem sempre faz as coisas "da maneira mais eficaz". "A fala dele (Levy) e a própria presidente vindo a público acalmaram o mercado", disse o economista-chefe do banco BESI Brasil, Jankiel Santos. O alinhamento mostrado pela presidente e pelo ministro fez com que o cenário local se sobressaísse ao externo, em que o dólar tinha valorização de cerca de 0,7% em relação a uma cesta de moedas nesta segunda-feira.

BNDES perde R$ 2,6 bilhão com Petrobras e balanço do banco é aprovado com ressalvas


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de 8,59 bilhões de reais em 2014, alta de 5,4% em relação a 2013. Mas a KPMG, auditoria independente que aprovou o balanço financeiro, fez a ressalva de que o valor está inflado em 1,6 bilhão de reais. Os dados estão em relatório publicado na edição desta segunda-feira do Diário Oficial da União. As ressalvas da KPMG se devem ao registro de perdas de 2,6 bilhões de reais com a participação societária do banco na Petrobras. Contudo, como o banco já havia provisionado perdas de 1 bilhão de reais para os negócios com a estatal, a auditoria apontou que "apenas" 1,6 bilhão foram inflados. O BNDES comenta, em relatório, o investimento na Petrobras: "em 31 de dezembro de 2014, seu valor de mercado, apurado com base na cotação das ações em bolsa de valores, apresentava desvalorização em relação ao respectivo custo de aquisição". A administração do BNDES estimou os 2,6 bilhões de reais como "perda permanente", mas não abateu o total do valor de seu lucro, valendo-se de uma brecha aberta pela Resolução 4.175, editada pelo Conselho Monetário Nacional em dezembro de 2012. A resolução isenta o BNDES de fazer a baixa contábil em ações transferidas pela União "para aumento de capital". O artigo abre espaço para que a baixa seja feita somente quando os papéis forem vendidos. Pelas regras contábeis, todo o valor das perdas deveria ser reduzido do lucro. Diante disso, a KPMG registrou a ressalva de que "o lucro líquido individual e consolidado do semestre e exercício findos em 31 de dezembro de 2014, está inflado em 1,6 bilhão de reais, líquido de efeitos tributários". Além disso, os auditores independentes fizeram a ressalva de que a perda de 2,6 bilhões de reais foi determinada pelo BNDES por intermédio de "avaliação econômico-financeira" e, devido "à falta de divulgação, pelo emissor das ações, de demonstrações financeiras revisadas ou auditadas", não foi possível "obter evidência de auditoria apropriada e suficiente para algumas premissas utilizadas". O BNDES encerrou o ano passado com ativos totais de 877,21 bilhões de reais. A carteira de participações societárias, administrada pela BNDESPar, alcançou 63,36 bilhões de reais, queda de 27,8% em relação a 2013. O banco de fomento detém 17,24% de participação no capital da Petrobras. Essa fatia encerrou 2014 valendo 22,48 bilhões de reais, queda de 40,4% em relação aos 37,72 bilhões de reais de 2013 e um tombo de 44,2% ante o valor de setembro do ano passado (40,31 bilhões de reais). Com a queda do patrimônio, o Índice de Basileia do BNDES recuou para 15,9% em 2014, ante 18,7% em dezembro de 2013, ainda dentro dos limites definidos pelo Banco Central.

Tarso Genro defende afastamento de Vaccari


O ex-governador do Rio Grande do Sul, o peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, afirmou nesta segunda-feira ser a favor do afastamento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, réu na Operação Lava Jato por recebimento de propina para o partido no esquema do Petrolão do PT. "Se ele foi denunciado e se a denúncia foi aceita, que é a informação que nós temos, o partido deve pedir que ele se afaste e, se não afastar, afastá-lo preventivamente", disse o peremptório petista "grilo falante", na chegada ao encontro de dirigentes do partido e com o ex-presidente Lula. O ex-governador, que perdeu a disputa à reeleição no ano passado, também defendeu uma "renovação profunda" e o retorno do PT às suas origens. "Esse tipo de coalizão que nos trouxe até aqui está vencida. Elementos da própria coalizão são fundamentais para a oposição", afirmou referindo-se à revolta do PMDB, que tem imposto sucessivas derrotas à presidente Dilma no Congresso. "Ninguém está pedindo para romper com a coalizão. O governo tem que funcionar, negociar, tem que dar estabilidade; mas o partido tem que pensar no futuro em uma coalizão mais coerente, mais programática e mais orgânica", completou. É o tipo da conversinha ao "estilo Tarso". 

ONG dos irmãos Grael rejeita fazer proposta para fazer limpeza da Baía de Guanabara para a Olimpíada


O Instituto Rumo Náutico, ONG criada pelos irmãos Torben, Lars e Axel Grael, rejeitou na manhã desta segunda-feira a proposta de contratação de seus serviços para a limpeza da Baía de Guanabara, que receberá as competições de vela nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. O convênio havia sido anunciado pelo governo do Estado na semana passada e previa um contrato de 20 milhões de reais sem a necessidade de licitação. O projeto de limpeza foi elaborado pelo ambientalista Axel Grael, vice-prefeito de Niterói, e cedido à Secretaria Estadual de Ambiente. Mas a modalidade de contratação, em regime de urgência, recebeu críticas, o que fez a ONG abrir mão de gerir os trabalhos. No início de março, o governo estadual encerrou o contrato com as empresas que prestavam serviço de recolhimento de detritos na Baía por meio de ecobarcos. O projeto das ecobarreiras - estruturas colocadas para conter o avanço de lixo através dos rios - também não teve sequência. Na semana passada, o comitê organizador admitiu que a despoluição da Baía de Guanabara era sua maior preocupação, a menos de 500 dias para o início dos Jogos. "A ação do Projeto Grael não seria despoluir a Baía de Guanabara, mas uma medida para oferecer uma raia mais justa e igualmente competitiva para os atletas", disse Lars Grael: "Não é a nossa principal vocação gerir o projeto de coleta de lixo flutuante, mas nos manteremos à disposição do Estado, em prol de uma Baía mais digna para todos os usuários". Torben é, ao lado do também iatista Robert Scheidt, o maior medalhista olímpico do Brasil, com cinco medalhas conquistadas - duas de ouro (Atlanta-1996 e Atenas-2004), uma de prata (Los Angeles-1984) e duas de bronze (Seul-1988 e Sydney-2000). Já seu irmão Lars Grael conquistou duas medalhas de bronze, em Seul-1988 e Atlanta-1996.

Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados deve aprovar proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16, e ainda é pouco (deveria ser reduzida para 12 anos)


Palco de acaloradas discussões nas últimas três semanas, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados sinaliza que pode destravar a tramitação da proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, tema há mais de duas décadas engavetado na Casa. O colegiado driblou as manobras de deputados contrários à proposta de emenda à Constituição (PEC) e abriu caminho para a votação do texto na manhã desta terça-feira. Em sessão que durou mais de três horas nesta segunda-feira, foi derrubado o requerimento de retirada de pauta por 32 votos a 15 e aprovado o que pedia o encerramento da discussão, o que leva à imediata votação, por 41 votos a sete. "Há uma sinalização muito clara de que a comissão vai aprovar a admissibilidade", disse o deputado federal Marcos Rogério (PDT-RO). Contra a proposta, o deputado Alessando Molon (PT-RJ) admite que o prognóstico é "muito ruim" e ameaça ingressar na Justiça contra a medida. "Essa PEC é passível de ser trancada no Supremo Tribunal Federal", afirmou.

Novos óculos fazem daltônicos enxergarem todas as cores


Novos óculos especiais farão pessoas daltônicas verem todas as cores pela primeira vez. A fabricante de tintas americana Valspar desenvolveu o objeto em parceria com a EnChroma, empresa que pesquisa a percepção de cores. A capacidade de ver cores está ligada a células da retina, que absorvem luz em diferentes comprimentos de onda e emitem impulsos nervosos a partir das informações recebidas. É dessa forma que o cérebro "enxerga" as cores. Existem três tipos dessa células: um absorve luz vermelha, outro verde e outro azul. Em pessoas daltônicas essas células não funcionam de forma adequada e acabam absorvendo luz de outras cores além daquelas que deveriam captar, o que faz com que eles diferenciem menos cores. As lentes dos óculos ajudam a separar as cores para que sejam captadas corretamente pelos olhos. O fabricante afirma que pessoas com visão normal podem utilizá-lo para dar mais intensidade aos tons. Os óculos, disponíveis em vários modelos, custam em média 400 dólares e podem ser comprados pelo site da EnChroma, que envia o produto para diversas localidades, inclusive o Brasil. Em um vídeo divulgado pelo fabricante, pessoas daltônicas experimentam os óculos e veem cores pela primeira vez. Confira (legendas em inglês):


Aprovado pela Anvisa, remédio inova no tratamento da hepatite C


Um conjunto de três remédios vai inovar o tratamento de hepatite C crônica no País. Junto com odaclatasvir, aprovado em janeiro, e o simeprevir, aprovado em meados deste mês, o sofosbuvir, que teve o registro concedido nesta segunda-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), compõe um tratamento que vem sendo utilizado em países da Europa, no Japão e Canadá. O trio representa um avanço considerável no tratamento da doença. Em comparação com os medicamentos utilizados atualmente, eles elevam o índice de cura de 75% para mais de 90%, são administrados por via oral - enquanto os atuais são injetáveis -, e reduzem os efeitos colaterais. Além disso, as novas pílulas têm a vantagem de reduzir o tempo de tratamento, que hoje é de cerca de um ano, para três meses. A expectativa é que os três estejam disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) entre agosto e setembro deste ano. "Essa é uma luz no fim do túnel para os pacientes de hepatite C crônica. O novo tratamento, composto por medicamentos que atacam diretamente o vírus, só tem pontos positivos. São novos, de eficácia maior e, nos países em que vêm sendo utilizados, como França ou Estados Unidos, os efeitos colaterais são muito reduzidos, o que os estudos já apontavam", diz o infectologista Roberto Focaccia, coordenador do grupo de hepatites virais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Os medicamentos aprovados pela Anvisa fazem parte da chamada terceira geração de tratamentos para a hepatite C. A doença, causada por cinco tipos de vírus transmitidos principalmente pelo sangue contaminado, começou a ser tratada com maior eficácia na década de 1990 pelo remédio interferon, um quimioterápico que estimula o sistema imunológico. Ele não ataca diretamente o vírus e promove uma série de efeitos colaterais. Há cerca de cinco anos, entraram em cena os antivirais, que atuam diretamente no vírus, em suas diferentes fases de multiplicação, e promovem uma taxa de cura maior. A partir de então, antivirais como o ribavirina passaram a ser associados ao interferon, um tratamento que conseguia curar de 40% a 45% dos doentes e precisava ser seguido por um período que variava de 48 a 72 semanas. Em 2013, o SUS passou a oferecer o boceprevir e o telaprevir, inibidores de protease que impedem a replicação do vírus e impossibilitam o progresso da doença. Associados ao interferon e à ribavirina, a taxa de cura da terapia subiu para 75%, com uma duração de até 48 semanas. Os novos medicamentos aprovados neste início de ano, entretanto, não precisam ser associados ao interferon, o que é um grande avanço para o tratamento. "Esses remédios atingem pontos nevrálgicos do vírus, um ganho excepcional no combate à doença. Eles diminuem muito o risco de câncer no fígado e barram a reinfecção. Juntos, esses fatores significam uma economia imensa no tratamento da doença crônica", diz Focaccia. Se administrados na fase inicial da hepatite C, previnem que a doença seja transmitida, pois a hepatite C só apresenta sintomas em fases avançadas. No Brasil, calcula-se que existam cerca de 1,5 a 1,7 milhão de pessoas infectadas pela hepatite C, que é responsável por 70% das hepatites crônicas, 40% dos casos de cirrose e 60% dos cânceres primários de fígado. Estimativas indicam que cerca de 3% da população mundial pode ter sido exposta ao vírus e desenvolvido infecção crônica, o que corresponde a 185 milhões de pessoas. A evolução da infecção, do seu início até a fase da cirrose hepática, pode levar de 20 a 30 anos e não apresentar sintoma.

Joaquim Levy defende nomes com "mais currículo" na composição do Carf



O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quer que as próximas indicações da pasta para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) sejam de nomes com "mais currículo". Levy pretende orientar as escolhas por critérios técnicos e priorizar pessoas com tradição na área tributária. Além disso, a Receita Federal dará prioridade neste ano a investigação de operações em que houve fraude em fusão e aquisição de empresas para pagar menos tributos. Esse tipo de operação é apontado pelos investigadores como um dos focos da Operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal na semana passada. A operação investiga um esquema de corrupção no Carf para anular ou reduzir multas aplicadas pela Receita que pode ter causado prejuízos de 19 bilhões de reais aos cofres públicos. Os conselheiros do Carf são indicados pelo Ministério da Fazenda e por entidades que representam os contribuintes, como confederações da indústria e do comércio. A questão do conselho preocupa Levy desde antes mesmo de sua posse. Em seu discurso ao assumir o cargo, no início do ano, o ministro disse que seria dada "renovada ênfase" ao conselho "com vistas a fortalecê-lo". Já na posse, Levy indicou o então secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, para a presidência do Carf, em substituição ao então presidente Otacílio Cartaxo. A Operação Zelotes apura se Cartaxo está envolvido no esquema. Um dos principais focos dos problemas encontrados pelos investigadores foi em processos questionando multas aplicadas pela Receita pelo não-pagamento de tributos decorrentes de operações de fusão e aquisição. São casos em que uma empresa, ao adquirir outra, pode descontar do pagamento de tributos o ágio da operação - diferença entre o valor de compra e o valor do patrimônio da companhia adquirida. A Receita já identificou abusos no abatimento do ágio e declarou como prioridade a fiscalização dessas operações em 2015. Casos em que empresas são criadas com o único objetivo de adquirir outra companhia de terceiros serão analisados com lupa. Nessas operações, em um segundo momento, a primeira empresa é fundida à outra dentro do mesmo grupo, a preços fora de mercado, possibilitando um ágio interno fraudulento e a redução do tributo pago. No foco da investigação estão grandes empresas, como os bancos Bradesco, Santander, Pactual, Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi, o grupo de alimentos BRFoods, a Petrobras, Camargo Corrêa, Light, Gerdau e o grupo de comunicação RBS.

Levy sinaliza entendimento com Renan sobre indexador de dívida


O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou nesta segunda-feira que o governo pode chegar a um entendimento sobre a lei de renegociação das dívidas de Estados e municípios com a União. O ministro se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e aguarda para saber se o senador colocará ou não em votação, nesta terça-feira, a proposta que define um novo índice de correção para as dívidas estaduais e municipais. O chefe da Fazenda disse que "todo mundo" deve contribuir para o ajuste fiscal. "Eu estou muito confiante de um encaminhamento positivo. Há um entendimento generalizado no Rio de Janeiro e em outros lugares, dos entes subnacionais, da importância de todo mundo contribuir para o ajuste", afirmou o ministro após se reunir com Renan. De acordo com Levy, o realinhamento da economia no segundo governo da presidente Dilma Rousseff permitirá reverter o cenário de estagnação da economia e gerar novos empregos. "Hoje a gente tem que vencer essa etapa de ajuste para já criar as bases para a retomada do crescimento, retomada do emprego. Há cada vez mais convergência nesse entendimento", disse. Segundo Calheiros, é possível que um acordo de líderes retire a urgência constitucional da proposta de renegociação das dívidas e, com isso, a votação seja adiada - o que daria alívio a Levy. O adiamento garantiria maior margem para que o governo possa procurar individualmente os entes federados e propor alternativas ao projeto. Uma das hipóteses seria replicar para outros Estados a recente proposta apresentada pela equipe econômica ao prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes - pela proposta, Estados e municípios se comprometeriam com o pagamento da parcela cheia até o final do ano e depois receberiam uma devolução do governo federal. Essa proposta será discutida amanhã com os parlamentares em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. "Ele está construindo individualmente - governo e prefeitura do Rio de Janeiro - um acordo que levaria ao pagamento da parcela cheia até o final do ano e no final do ano haveria uma devolução do governo federal. É uma proposta que vai ser colocada amanhã", relatou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que participou da reunião com Levy. "O ministro Levy está sinalizando na busca de um entendimento. Nós achamos de fundamental importância votar essa convalidação e vamos verificar amanhã na CAE qual a proposta efetiva que o governo coloca. É muito importante que a gente possa retomar a segurança jurídica, retomar os investimentos, e a convalidação tem um papel muito importante nesse modelo", completou. A lei, que alivia as dívidas de prefeituras e governos estaduais fazendo com que eles retomem gradualmente a capacidade de investimentos, foi sancionada pela presidente em novembro do ano passado. No entanto, a medida ainda não entrou em vigor porque o Planalto adiou a sua regulamentação. Em vez do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) somado aos juros de até 9% ao ano, o cálculo da dívida passa a ser feito pelo Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA), com juros de até 4% ao ano, limitados pela taxa Selic. Serão 180 municípios e sete Estados diretamente beneficiados pela medida. A previsão é de que Estados e municípios zerem seus débitos até 2030.

Empreiteiro que pagou R$ 100 milhões de propina ao PT e PMDB é solto após delação premiada


O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini (foto), foi solto na manhã desta segunda-feira. O executivo, que estava detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, fechou acordo de delação premiada e vai cumprir prisão domiciliar em casa, em São Paulo. Avancini estava preso desde novembro e é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Durante o período da prisão domiciliar, ele será monitorado por uma tornozeleira eletrônica. Pela manhã, acompanhado dos advogados Marlus Arns e Pierpaolo Bottini, ele compareceu ao Tribunal de Justiça do Paraná onde o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara de Curitiba, homologou a colaboração. No total, 15 acordos foram feitos pelo Ministério Público Federal. Apenas o acordo do engenheiro Shinko Nakandakari ainda não foi assinado. O executivo saiu da Polícia Federal por volta das 10h30 e foi levado para a sede da Justiça Federal sob escolta policial. Atualmente, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e Eduardo Leite, vice-presidente da construtora Camargo Corrêa, também cumprem a pena em casa. Ao prestar depoimento em delação premiada, Avancini informou que a empresa pagou pouco mais de R$ 100 milhões em propina para obter contratos de obras na usina de Belo Monte. Ainda segundo Avancini, o valor foi dividido entre PT e PMDB, com cada um dos partidos abocanhando 1% do valor dos contratos.

Ação contra Petrobras nos Estados Unidos cita os petistas Graça Foster e José Sérgio Gabrielli; ainda não cita a soberana búlgara, mas está perto


A queixa consolidada da ação coletiva contra a Petrobras nos Estados Unidos cita 15 pessoas como réus, entre elas os ex-presidentes da companhia, os petistas Maria das Gracas Foster e José Sérgio Gabrielli. Também é acusada a PwC, responsável pela auditoria dos balanços financeiros da petrolífera. O documento foi submetido nesta segunda-feira na Corte do Distrito Sul de Nova York pela firma de advocacia Pomerantz. O escritório representa o Universities Superannuation Scheme (USS), o maior fundo de pensão da Grã-Bretanha que foi apontado como líder do processo pelo juiz do caso no início de março. A ação coletiva acusa a Petrobras, duas de suas subsidiárias internacionais e vários dos seus executivos de promoverem um “esquema multibilionário de corrupção e lavagem de dinheiro, que durou vários anos e foi escondido dos seus investidores”. Podem ser beneficiados pelo processo qualquer investidor que tenha adquirido papéis da Petrobras, incluindo títulos de renda fixa emitidos no exterior, entre 22 de janeiro de 2010 e 18 de março de 2015. Além da Petrobras, são acusadas a Petrobras International Finance Company (PifCo) e a Petrobras Global Finance (PGF), subsidiárias da petrolífera estabelecidas respectivamente na Holanda e em Luxemburgo. Além dos petistas Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, Almir Barbassa — que foi diretor financeiro das empresa entre 2005 e este ano — também é citado como réu. Outros 12 executivos também estão sendo processados, a maioria deles ocupando cargos nas subsidiárias internacionais. A ação também acusa 15 instituições financeiras, que subscreveram emissões da Petrobras, de serem corresponsáveis no esquema. A ação cita ainda a presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Fazenda, o petista Guido Mantega, como pessoas de interesse para o processo, mas não os indica como réus., por enquanto.

Petrobras não consegue medir o tamanho do roubo ocorrido nos governos do PT, balanço continua em aberto


Em mensagem do presidente aos acionistas e investidores para as assembléias geral ordinária e extraordinária a serem realizadas em 29 de abril, a Petrobrás afirma que, em função das investigações da Operação Lava Jato, ainda não é possível concluir e apresentar as demonstrações financeiras revisadas do terceiro trimestre de 2014 e as anuais auditadas, "apesar dos melhores esforços empregados". Como consequência, a assembléia se restringirá a deliberar sobre a eleição dos administradores e membros do conselho fiscal. A Petrobrás poderá perder o grau de investimento pela agência Standard & Poor's se deixar de divulgar seu balanço auditado até o dia 30 de abril. Após esse período, a agência deverá colocar a classificação de risco da estatal em revisão. De acordo com as regras do mercado, a companhia tem até o final de abril para divulgar os números de 2014 devidamente auditados. Após essa data, disse a Petrobrás anteriormente, a empresa ainda terá de 30 dias a 60 dias, dependendo do contrato de dívida, para cumprir essa obrigação. Ou seja, o balanço anual auditado deve ser emitido até o final de maio de 2015, segundo a empresa. Caso contrário, credores poderão pedir a antecipação do vencimento da dívida. A Petrobrás já perdeu o grau de investimento pela Moody's e o corte por uma segunda agência obrigará alguns fundos, que apenas podem manter em carteira papéis que sejam grau de investimento por duas agências, a desovarem suas posições. Envolvida em um escândalo de corrupção, a petroleira não publicou até agora seus resultados auditados do terceiro trimestre, depois que a auditora PricewaterhouseCoopers (PWC) se recusou a assinar o documento. Agora corre contra o tempo para divulgar também o balanço do quarto trimestre auditado, incluindo as perdas estimadas com corrução, reveladas pelas investigações da Operação Lava Jato.

Governo da petista Dilma atrasa verba e faz escolas técnicas suspenderem Pronatec

Escolas técnicas participantes do Pronatec decidiram suspender as aulas do programa e demitir professores, devido aos atrasos no pagamento do governo federal. A gestão Dilma Rousseff ainda não repassou recursos equivalentes às aulas de novembro, dezembro e janeiro. Até 2014, a União pagava até 45 dias após cada mês letivo. O atraso fez com que os colégios Augustus (MG) e Futura (PR) suspendessem as aulas, à espera da normalização dos pagamentos. As escolas possuem, respectivamente, 300 e 220 estudantes. Os institutos federais de Minas Gerais e o de Farroupilha (RS) também chegaram a suspender as atividades, mas já retornaram, após pagamento de parte do atrasado. Dificuldades orçamentárias fizeram com que o governo atrasasse repasses desde o fim de 2014. Outro problema no Pronatec é que a União ainda não informou às escolas quantos novos alunos poderão ingressar no programa neste ano. As aulas foram adiadas em um mês, com previsão agora para início em junho. Os colégios já se preparam para receber menos alunos. Dificuldades no programa fizeram com que fossem demitidos professores nos colégios Factum, Cristo Redentor e Senac, no Rio Grande do Sul. Nos dois primeiros, o corte ficou em 10%. O Senac informou que foram 35 docentes. Questionado sobre os problemas no Pronatec, o Ministério da Educação disse apenas que, na semana passada, já trabalhava para fazer o pagamento de dois dos três meses atrasados. O programa foi uma das principais bandeiras de Dilma nas eleições. “Estávamos recorrendo a empréstimos bancários, mas isso tem um limite. E o Ministério da Educação nunca deixa claro quando pagará”, afirmou o diretor do Futura (PR), Marcos Aurélio de Mattos. Aluno do curso de massoterapia no colégio, Jeverson Branski, de 36 anos, disse entender a situação da escola: “O Pronatec é uma ótima política de educação, mas está com esse problema de recursos. Demoraremos mais para nos formar e trabalhar na área". O colégio Augustus (MG) afirmou que não possui mais caixa, por isso suspendeu as aulas. A escola já prevê que, dos 300 alunos, devem voltar apenas 100, pois muitos se frustraram com a situação. “Tivemos de demitir 10% dos professores, suspender investimentos. Como organizar as atividades nesse cenário de incertezas?”, disse a diretora do colégio Factum (RS), Bárbara Nissola.

DISSECANDO A VIGARICE INTELECTUAL DE UM ESQUERDISTA SENSÍVEL. OU: RENATO JANINE RIBEIRO

O ministério de Dilma Rousseff é ruim, com exceções que já destaquei aqui. Acho que Katia Abreu (Agricultura), Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Joaquim Levy (Fazenda — sim, ele…) têm condições de fazer um bom trabalho dentro do que é possível fazer. Para a Educação, Dilma tinha nomeado um político chegado a algumas artes circenses: Cid Gomes! Deu no que deu. Agora, ela atingiu o fundo do poço: Renato Janine Ribeiro, o petista que não ousa dizer o nome do seu partido, assume a pasta.

Janine quer-se apenas um pensador da ética. Já está na Internet o vídeo de um recente colóquio de que participou — há menos de um mês — em que diz que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, não pertence ao mundo civilizado; em que canta as glórias de Gramsci e exalta o fato de o PT querer se constituir como força hegemônica e em que faz uma apreciação cretina e covarde do pensamento de Olavo de Carvalho. É cretina porque ligeira, bucéfala. É covarde porque Carvalho já o chamou para o debate, e ele fugiu. Prefere o conforto dos pequenos convescotes, na companhia de outros, suponho, mais ignorantes do que ele próprio.
O ministério de Dilma era composto de uma maioria de pessoas incompetentes. Mas faltava alguém muito incompetente. Agora já tem: Renato Janine Ribeiro. Trata-se de um mistificador. Exercita a pior forma de petismo, que é o da brasa encoberta, que se disfarça de tolerante. No pé deste post, vocês encontram o longo e chato vídeo em que o homem expõe seu pensamento. Quem tiver paciência para assistir ao troço perceberá os vários momentos em que Janine, o ético, flerta com a censura. Prestem especial atenção ao momento em que ele fala da “classe média”. No fundo, ele também tem nojo dessa fatia da sociedade, mas acha que o PT precisa tratá-la de forma diferente, precisa aprender a… fingir que a respeita.
Reproduzo abaixo um texto publicado neste blog no dia 25 de janeiro de 2010. Ele disseca a alma deste patriota, que tanto tem contribuído para transformar as universidades públicas brasileiras em centros da incompetência doutrinária. Divirtam-se. As circunstâncias em que o escrevi ficam claras. Evidencio, assim, o que penso desse tal Janine, o covardão que fugiu do pau com Olavo de Carvalho porque prefere atirar pelas costas. Clicando aquivocê tem acesso a tudo o que já escrevi sobre este senhor.
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Escreverei um texto sobre um artigo escrito pelo esquerdista Renato Janine Ribeiro no Estadão neste domingo. Ficou longo, meus caros, muito longo. E alguns leitores podem dizer: “Pô, Reinaldo, esse cara é irrelevante!”. Em si, é mesmo! Acontece que eu quero dissecar um método. Antes, leitores podiam, às vezes, ser acusados de patrulhar o articulista. Estamos, como vocês verão, diante de um fato inédito: o articulista resolveu patrulhar os leitores. Vamos ver.
Janine é uma versão sensível, com alguns fricotes pós-modernos, de Marilena Chaui. As coisas que ela pretende nos dizer privatizando Spinoza, ele nos diz analisando a novela das oito… Mas não se deve subestimá-lo por isso. Afinal, foi um capa-preta da poderosa Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), onde não deixou saudade. Pensa como petista, escreve como petista, fala como petista. Até aí… Só que ele gosta de dizer que não é petista. Aí não dá. Trata-se do petismo que não ousa dizer seu nome, né? Que prefere ficar no armário.
Achava já ter visto de tudo em matéria de trapaça intelectual. Engano! Não é que, neste domingo, Janine resolveu dar uma bronca em leitores do Estadão e em alguns comentadores do jornal na Internet? É! Vocês entenderam direito! Feito aquela tia do colégio que investigava se você estava com o uniforme e portava a carteirinha de acesso ao prédio, ele resolveu distribuir pitos em leitores que, a seu juízo, andam a dizer inconveniências. Professor de Ética e Filosofia da USP, agora ele se dispõe a ensinar a sobrinhos do jornal que julga malcriados o que é o “verdadeiro Estadão”. E, para fazê-lo, Janine, como se verá, não abre mão da mentira.
Antes que eu disseque, com aquela paixão com que um entomologista fatia um escarabeídeo coprófago, as bobagens que ele escreveu, cumpre notar que há algo de realmente espetacular no fato de ele escrever no Estadão e querer patrulhar os comentários dos leitores. Janine é uma flor olorosa (lá para eles) da esquerda universitária brasileira. É verdade que ele se ocupa pouco de economia — não deve saber a diferença entre Taxa Selic e uma fatia de mortadela — e da política mais propriamente partidária. Ele é da turma que faz a guerra de valores; que tenta nos convencer de que atravessou os umbrais do novo homem — homem, mulher, bicho ou coisa — e vislumbrou o futuro. Com fala mansa, costuma fazer digressões sobre os sentimentos com a seriedade de uma cartomante e a frivolidade de um acadêmico.
Nos jornais da grande imprensa — aquela coitada que costuma ser malhada nas universidades —, “intelectuais” como ele estão presentes em nome da diversidade, da pluralidade, do debate… E esses, atenção!, são os nossos valores, os da sociedade liberal, que gente como Janine tanto despreza. Vocês sabem: o liberalismo é muito estreito para as ambigüidades do “novo homem”… Já nos veículos deles — sejam os da esquerda ideológica, os da esquerda venal ou os dos sindicatos —, não há espaço para divergência, não!!! Entenderam? Em nome dos nossos valores, aceitamos que eles venham nos esculhambar; em nome dos deles, a divergência jamais seria publicada. Eles têm a licença que jamais concederiam a quem lhes dá a… licença!!! Agora ao artigo, que tem o sugestivo e arrogante título de ”Para quem não conhece o ‘Estado’”. Espero que o Departamento de Marketing do jornal não o contrate. Ele em vermelho; eu em azul.
Tenho lido, nas cartas de leitores a O Estado de S. Paulo e sobretudo nos comentários de internautas em sua página na web, observações de pessoas sem muita noção do que é este jornal. Usam expressões preconceituosas, carregadas de ódio pela esquerda (que chegam a chamar de “subversiva”) e até de simpatia pela ditadura militar.Como se nota, pessoas de quem Janine discorda “não têm noção”. Na URSS, por exemplo, eram consideradas, muitas vezes, loucas. Posso, por exemplo, dizer o que for de quem tem “ódio pela direita”, menos que seja uma questão de preconceito. Prefiro considerar que é uma questão de escolha. Na imprensa dos amiguinhos de Janine, há expressões carregadas de “ódio pela direita”, e ele não vai lá posar de bedel da ideologia. Quanto a chamar a esquerda de “subversiva”, qual é o problema? Quando o MST invade uma propriedade, ao arrepio da Constituição e das leis, e destrói um laboratório de pesquisa — e o faz com financiamento público e sob a tutela de um órgão do governo —, estamos, sem dúvida, diante de um crime, mas também de um ato de subversão da ordem. A menos que Janine ignore o sentido que as palavras têm. Quando a canalha do mensalão comprou partidos de porteira fechada, fraudando as regras do Poder Legislativo, estávamos, sem dúvida, diante de um ato subversivo: subvertia a democracia. Quanto à simpatia pela ditadura militar, dizer o quê? Não padeço desse mal, como todos sabem. Lutei contra ela e sofri algumas conseqüências não muito agradáveis por isso, embora fosse quase um moleque. Mas nunca vi Janine dar pito na canalha esquerdista que tem simpatia pelo comunismo ou, sei lá, por Hugo Chávez.
É preciso lembrar, a esses leitores e a todos os mais jovens, o papel do Estado durante a ditadura. Não é segredo que o jornal apoiou a deposição do presidente João Goulart. Não é segredo que, na sua oposição ao getulismo, projeto político que comandou a política brasileira de 1930 a 1964, o Estado acreditou na necessidade de um regime de exceção breve e eficaz.Trata-se de um dos parágrafos mais vigaristas da imprensa brasileira em muitos anos. E QUE OFENDE A LUTA DO ESTADÃO CONTRA AS DITADURAS. O Getúlio de 1930 era aquele que rompia o status da chamada República Velha. Em 1932, já estava claro o seu projeto ditatorial, a que se opuseram o estado São Paulo e o jornal O Estado de S. Paulo.
Acontece que o marxismo bocó que toma conta da USP ainda hoje — em Pequim, eles morreriam de rir se soubessem que há uma universidade em que as ciências sociais ainda são dominadas por marxistas — firmou a doxa de que a Revolução Paulista de 1932 foi reacionária, entenderam? Mera reação dos barões que não se conformavam com o surgimento de um Brasil moderno… ISSO É UMA EVIDÊNCIA DO ÓDIO QUE ESSA CANALHA SEMPRE TEVE À DEMOCRACIA E AO ESTADO DE DIREITO. Para eles, progressista, em 30, era um governo que tocava o país com leis de exceção, sem Constituição.
Em 1937, o getulismo se torna uma ditadura escancarada, arreganhada. A ditadura de Getúlio matou, torturou, trucidou, censurou, colou-se ao fascismo de modo evidente. Mas a esquerda o elegeu o grande mártir contra as elites. Para tanto, uma alma de tirano como a de Luiz Carlos Prestes colaborou bastante. Foram o Partido Comunista e seus historiadores que inventaram um “Getúlio Progressista”. Mas entendo: afinal, ele era um estatista, e essa gente tem ódio ao capital privado, ódio à liberdade, ódio ao capitalismo. O Getúlio que veio depois, que acabou se matando, já era outro. E o João Goulart, que se apresentou como seu herdeiro, decidira levar a subversão — Janine deve ficar com os pêlos todos arrepiados diante da palavra — para dentro do governo.
Afirmar que o Estadão se opôs ao getulismo de 1930 a 1964 faz tábula rasa de 34 anos de história, colocando o jornal na contramão, então, do que seria um projeto popular, democrático quem sabe. Ocorre que, de 1930 a 1945, tivemos pelo menos 10 anos de ditadura. É que Janine pertence àquela turma que se opõe apenas a certas ditaduras.
Contudo, mesmo quem discorda dessa opção deve reconhecer que o Estado acreditava nela. Foi uma escolha de valores. Não foi uma adesão oportunista, como, por exemplo, a do governador de São Paulo em 1964. Por isso mesmo, tão logo o regime militar começou a adotar medidas das quais o jornal discordava, ele criticou-o. A história do Estado é a de um jornal que viveu na oposição mais tempo do que na situação.
Ele mordeu no parágrafo anterior; aqui, ele decide dar uma assopradinha. E deixa claro que discorda da opção do jornal — suponho que, para ele, o Estadão deveria ter apoiado o golpe do Estado Novo e suas brutalidades. Exagerando na linguagem melosa, afirma que o jornal fez uma “escolha de valores”. DE QUAIS VALORES, MEU SENHOR? É preciso dizer. Quem disse “não” a João Goulart disse “não” a quais valores?
Mais que isso. No fatídico 13 de dezembro de 1968 – quando já se esperava o anúncio da medida mais liberticida da História do Brasil, o Ato Institucional número 5 -, a edição do Estado foi apreendida por ordem do governo. Dela constava um editorial que ficaria célebre, Instituições em frangalhos, hoje disponível no site, que responsabilizava o marechal Costa e Silva, ditador da época, pela crise em que vivíamos. Tratava-o com respeito – “sua excelência” do começo ao fim -, mas não hesitava em chamar o regime de ditadura militar.
Atenção, leitores! Houve um período no Brasil, com efeito, em que:
- foram fechados o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais;
- houve intervenção federal dos Estados;
- houve intervenção federal em jornais;
- estabeleceu-se censura prévia à imprensa;
- proibiu-se o Supremo Tribunal Federal de conceder habeas corpus a presos políticos;
- políticos tiveram seus direitos políticos cassados;
- acusados de subversão poderiam ser condenados à morte;
- teatro e cinema estavam submetidos à censura prévia;
- o presidente da República podia emendar a Constituição como lhe desse na telha;
- a tortura de presos políticos era prática regular nas cadeias.
É o AI-5 o que vai acima? Não!!! É o Estado Novo do santo Getúlio Vargas, que durou de 1937 A 1945. Mas Janine, que não entende zorra nenhuma de história — ou entende, mas prefere a distorção —, pretende que houve um continuum histórico de 1930 a 1964. É o sumo da vigarice intelectual.
Como se nota, o AI-5 foi apenas a segunda “medida mais liberticida da história do Brasil”. A primeira foi a Constituição fascistóide de 1937 — que, nota-se, Janine deve aplaudir. Porque omite que Getúlio foi um ditador asqueroso, alinhado com os vários fascismos europeus.
Quando me perguntam: “Pô, por que você é tão duro com esses caras?”. Em primeiro lugar, porque eles querem. Em segundo, porque acho a mentira asquerosa. Eles dizem essas porcarias nas salas de aula para estudantes, deformando gerações. Quantos saberão que a ditadura de Getúlio dispunha de um repertório de repressão mais vasto do que o próprio AI-5? Isso livra a barra desse ato? UMA OVA! Isso apenas evidencia que as ditaduras, todas elas, são detestáveis. Não para Janine. Não para as esquerdas.
Esse confisco de uma edição não foi apenas simbólico. Nos anos que se seguiram, o Estado foi o diário brasileiro a amargar o mais longo período de censura prévia de nossa História. É digno de nota que se recusou a se autocensurar. Deixou bem separadas as posições do reprimido e do repressor. Nem café, diz a legenda, dava aos censores. Também se recusou a substituir as matérias proibidas por outras, palatáveis. Como a censura não deixasse saírem em branco as colunas cortadas, publicou em seu lugar trechos de Os Lusíadas. Seu jornal irmão, o Jornal da Tarde, tratado com igual rudeza, colocava receitas de cozinha nas páginas censuradas. O engraçado, dizia-se, é que leitores distraídos do Jornal da Tarde teriam reclamado que as receitas não davam certo… Mas a grande maioria entendeu o que acontecia.
Depois de fraudar a história, o momento de puxar o saco de quem, na prática, acabou de enxovalhar, fazendo crer que o jornal se opôs ao projeto, sei lá, democrático do getulismo — aquele, vocês sabem, de 1930 a 1964. Janine pertence àquela categoria que aposta na insegurança das elites brasileiras, que se deixariam seduzir por seu charme… acadêmico (???).
Com os ventos dos anos 70, o jornal mudou várias de suas opções antigas. Publicou uma histórica entrevista com Celso Furtado, o que talvez não fizesse 20 anos antes.
Os homens que comandaram a resistência no Estadão certamente não vão se ocupar de corrigir as patacoadas de Janine. Afirmar que o jornal não publicaria entrevista de Celso Furtado 20 anos atrás faz supor que o veículo foi se penitenciando, fazendo o mea-culpa, a autocrítica. A maioria dos esquerdistas é viciada nessa droga!
Tudo isso mostra uma honra que ninguém pode negar ao Estado: é um jornal que teve e tem convicções. Podemos discordar – ou não – de suas posições, mas ele jamais compactuou com a repressão, com a tortura, com a censura.
Ele, de fato, não! Mas quem poupa o Estado Novo de críticas e o coloca apenas como um dado da história que vai de 1930 a 1964 compactua com a repressão, com a tortura e com a censura. Assim, fica demonstrado que Janine compactua com o repressão, a tortura e a censura…
Hoje, se o jornal não apóia a Comissão da Verdade proposta no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, terá suas razões para isso. Eu, pessoalmente, defendo a apuração da verdade, para que todos os brasileiros saibamos o que aconteceu e para que a (má) História não se repita – só para isso.
É verdade! Já imaginaram como seria vergonhoso haver no futuro alguém que chamasse a ditadura militar de “democracia”, como, na prática, faz Janine com o Estado Novo? Quem não defende a apuração da verdade? Mas não pode ser a verdade só das esquerdas, não é mesmo? Ademais, este senhor precisa tomar cuidado com essa palavra. Não é o seu forte.
Mas de uma coisa tenho certeza: as razões do Estado nada têm em comum com as daqueles que aplaudem a tortura, que ainda usam a palavra “comunista” como insulto contra todos os de quem discordam, que gostariam até mesmo de expulsá-los do País que é de todos nós.
Quem é que aplaude a tortura? Aplaude a tortura, reitero, quem chama o Estado Novo de democracia. Quanto aos comunistas… Eis um bom debate. Todos concordamos que nazistas combinam com cadeia, não? Por que devemos ser mais tolerantes com os comunistas? Só porque, em matéria de morticínio em massa, eles conseguem ser ainda mais produtivos? Como Janine é meigo!!! “O país é de todos nós…” É? Também é dos nazistas, xenófobos, racistas??? “Comunista” como metáfora, metonímia ou simplesmente xingamento é só uma questão de justiça histórica. Ou o nosso “novo homem” sensível pretende resgatar a palavra de uma história que matou 35 milhões da URSS, 70 milhões na China e 3 milhões no Camboja?
Aqui está o recorte entre a democracia e a não-democracia. Aprendemos com a ditadura. Sabemos que ela é uma caixa de Pandora: quando se solta o demônio do autoritarismo, ele devasta. Isso ensina que é essencial termos liberdade para divergir. Nos anos 50 e 60, muitos achavam que a democracia era mero meio para valores mais importantes – para uns, a sociedade ocidental e cristã, para outros, a sociedade sem classes.
Argumento falacioso. A moderna sociedade ocidental e cristã não se descola da democracia, e esta nunca foi um valor tático para ela. Já os comunistas, estes, sim, sempre a tomaram como um simples instrumento. Querer igualar as duas posturas é mais um absurdo num texto de absurdos.
Creio que o longo período de trevas ensinou, a quem o viveu, que a democracia não pode ser rifada em função de outros valores. A democracia não é meio. Ela é um fim em si, um valor fundamental.
Sei.
O curioso é que, em que pese a absurda censura judicial que afeta esse jornal há meio ano, hoje não há mais nenhuma instância estatal que possa punir a expressão de opiniões. Isso é muito bom – e por isso mesmo soa tão chocante a ilegalidade que é a censura ao Estado.
Não há porque, felizmente, os que se opõem aos “novos comunistas” impediram “O partido” de criar um conselho de censura disfarçado de Conselho Federal de Jornalismo. Não há porque o Programa Nacional de Direitos Humanos, que Janine defende neste texto, não é lei e, espero, jamais será. Porque ele recria a censura no Brasil.
Mas, voltando ao fim da repressão política pelo Estado brasileiro, isso não quer dizer que nossa sociedade tenha reconhecido o direito à divergência. Um espírito maniqueísta, opondo bem e mal, domina muitos cidadãos que falam sobre política, costumes e o que seja em nosso país.
Bilu, tetéia… Discordar de Janine, vejam só, é ser maniqueísta. Ele escreve um artigo para dar pito nos leitores do Estadão; chama-os, na prática, de defensores da tortura e da ditadura, mas combate o maniqueísmo…
Por incrível que pareça, nesse ponto o Estado brasileiro e suas instituições parecem mais adiantados que a sociedade. Comecei este artigo criticando opiniões de leitores e internautas, justamente porque eles condenam seus desafetos com mais rapidez do que faria qualquer tribunal, hoje, em nosso país.
Não! Isso quem faz é Janine; quem poupa um ditador de seus crimes neste texto é Janine!
Em outras palavras, a democracia por vezes está mais forte nas leis e nas instituições do que no povo do qual – segundo o artigo 1º de nossa Constituição – ela emana. Ela ainda é um texto, mais que uma prática. Mas palavras, com a força da lei ou a da imprensa, não são pouca coisa. Pode demorar, mas elas acabam surtindo efeito.
Os esquerdistas, devidamente preservados pelo autor neste artigo, nunca viram problema em, como dizer?, mudar o povo, nem que fosse na base da porrada, para preservar a lei dos camaradas — hoje companheiros.
Disse Stendhal em 1817, ao saber da Revolução de Pernambuco (no seu único texto em que menciona o Brasil), que a liberdade é contagiosa. É como a peste e o único meio de acabar com ela, ironiza ele, é “lançar os pestíferos ao mar”. Já sofremos essa tentativa de extermínio. Hoje, graças a quem se opôs à ditadura, vivemos a boa contaminação pela liberdade.
Notem que Janine não escreve “graças a quem se opôs ÀS DITADURAS”. Se o assunto envolve o Estadão, esse plural é fundamental. Para ele, houve apenas um regime ditatorial no país. E, obviamente, seria ocioso indagar a Janine se, na opinião dele, os terroristas que atuaram na VPR (a ex-organização de Dilma e Carlos Minc), na ALN (de Paulo Vannuchi) e no MR-8 (de Franklin Martins) estavam se opondo “à ditadura” ou lutando por “uma outra ditadura”. Ele vai dar um passo miudinho e acusar o interlocutor de “maniqueísmo”. Assim como seu texto é mentiroso sobre a ditadura do Estado Novo, ele também não está interessado na verdade sobre o Regime Militar. Ele quer uma Comissão da Verdade que possa, enfim, transformar a mentira em história oficial. Como Stálin fazia com as fotografias. Que os leitores no Estadão não caiam nesse truque vulgar. Janine é um mau professor de história. E uma mau professor de democracia.
https://www.youtube.com/watch?v=hBzcT4uMpJY
Por Reinaldo Azevedo