quinta-feira, 19 de março de 2015

Governador Sartori assina decreto para cortar despesas em R$ 1 bilhão


Em meio à grave crise financeira por que passa o Rio Grande do Sul, o governador José Ivo Sartori (PMDB) assinou decreto que corta despesas de custeio da máquina pública. Atualmente, o Estado é o mais endividado do país: o défici previsto para 2015 é de 5,4 bilhões de reais, o que equivale a três vezes a folha de pagamento do Estado - de 1,8 bilhão de reais mensais. A projeção é de que o saldo negativo aumente para 6,2 bilhões de reais em 2016, 6,9 bilhões de reais em 2017 e 7,3 bilhões de reais em 2018. Com o decreto, o governo espera reduzir os gastos em cerca de 1 bilhão de reais neste ano. O documento, publicado na manhã desta quinta-feira no Diário Oficial do Estado, prevê o corte de 20% no orçamento de todas as secretarias, fundações e autarquias. Além disso, determina que 35% dos cargos de confiança (CCs) não poderão ser ocupados neste ano. As secretarias e demais órgãos que já tiverem ultrapassado o limite de preenchimento de vagas terão que dispensar colaboradores contratados como CCs. Ao anunciar os novos cortes, Sartori não descartou o risco de atraso ou parcelamento nos salários dos servidores já no mês de março. Questionado por jornalistas sobre quando haveria uma definição sobre o tema, ele ressaltou que o governo está se esforçando para evitar prejuízos à população: "Vamos fazer o possível para preservar os salários dos servidores, o atendimento dos hospitais, o suporte da segurança e o custeio das escolas", disse. "Mas o fluxo de caixa é no dia a dia". Sartori também lembrou que vem enfrentado a crise financeira desde que assumiu o cargo, no início de janeiro, quando assinou um primeiro decreto para economizar cerca de 700 milhões de reais em 2015 - na ocasião, cortou gastos com viagens, diárias e horas extras, e congelou os pagamentos de débitosdeixado pelo antecessor, Tarso Genro (PT), por seis meses. "A crise vai levar muito tempo para ser resolvida. Mas nós não temos nenhum receio de organizar e liderar esse processo, fazendo nossa parte com seriedade e responsabilidade", disse o governador.

Advogado do petista Renato Duque descarta delação premiada


Se depender do seu advogado, o ex-diretor da Petrobras, o petista Renato Duque, não fará qualquer acordo de delação premiada. Duque, que está preso desde segunda-feira, é acusado de receber propina para permitir desvios em contratos da estatal. Mas o defensor Alexandre Lopes diz que não há possibilidade de um acordo com a Justiça, como fizeram outros envolvidos no Petrolão do PT. "Enquanto eu for seu advogado, ele jamais fará uma delação premiada", afirmou Lopes, após o depoimento de Renato Duque à CPI da Petrobras nesta quinta-feira. "Acho isso uma indecência. É o que há de pior na relação do ser humano. Eu não vou dar base legal a alcaguetagem", prosseguiu. Outros tantos presos da Operação Lava Jato também diziam isso por meio de seus advogados, e acabaram quase todos substituídos pela doutora Beatriz Catta Preta, a grande especialista brasileira na questão da delação premiada. Segundo o advogado, o petista Duque também afirma que não há a quem delatar, já que ele nega qualquer participação nos desvios da Petrobras. O ex-diretor nega até mesmo a propriedade dos 10 milhões de euros em seu nome encontrados pelo Ministério Público em Mônaco. Ou seja, é outro Malufinho..... "Se ele fez ou se ele não fez, se ele tem ou se não tem, isso vai ser desvelado no curso da marcha processual", afirmou o advogado sobre a conta no Exterior. Lopes admite que a recusa de seu cliente em responder as perguntas dos deputados na CPI nesta quinta-feira foi parte da estratégia de defesa, embora o petista Renato Duque estivesse disposto a falar. "Eu não vou antecipar o depoimento dele em um ambiente político conturbado como esse. É uma questão de estratégia de defesa", disse o advogado. Alexandre Lopes também minimizou os encontros do petista Renato Duque como tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O ex-gerente Pedro Barusco disse que as reuniões serviam para a divisão de propina, mas o defensor de Duque tem outra versão: "Ele conheceu o Vaccari depois que virou diretor em questões institucionais. Ou, nas palavras dele, primeiro em eventos. Depois, gostou da companhia, travou algum conhecimento com o Vaccari, mas nada ilícito".

Banco Central diz que o sistema bancário não será ameaçado pela Operação Lava Jato


O sistema bancário brasileiro tem robustez para suportar eventuais impactos da Lava Jato, afirmou o diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles, após o banco apontar, em relatório, que a operação desperta atenção sobre eventuais efeitos na capacidade de pagamento dos tomadores de crédito - e, consequentemente, nas provisões dos bancos. Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, Meirelles disse que a investigação, que apura esquema de desvios milionários na Petrobras, merece atenção e monitoramento permanente do Banco Central pelo fato de ser uma "operação de porte, que atinge setor relevante do ponto de vista econômico". Apesar de reconhecer que o impacto exato da Lava Jato só será conhecido mais adiante, conforme avançam as investigações, Meirelles afirmou que a autoridade monetária está confiante que as condições do sistema bancário brasileiro se encontram em situação robusta para suportá-lo. "Temos bastante segurança da capacidade do nosso sistema financeiro de absorver eventuais impactos", disse. No início do mês a agência de classificação de risco Moody's divulgou um relatório em que mostra apreocupação com os bancos brasileiros, especialmente pelo risco de respingos dos problemas da estatal. Depois de rebaixar a nota de crédito da Petrobras, a agência alertou para os riscos que os bancos públicos brasileiros correm, uma vez que poderiam ser obrigados pelo governo a oferecer à Petrobras e seus fornecedores suporte para evitar uma crise de crédito. Em Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado nesta quinta, o Banco Central apontou uma tendência de manutenção da resiliência do sistema de crédito. Contudo, indicou que o "acesso mais restrito a financiamentos pelas empresas investigadas no contexto da Operação Lava Jato e seus fornecedores, bem como indefinições quanto às condições e custos de oferta de energia elétrica e de água, ensejam atenção relativamente aos seus impactos potenciais sobre a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito". No documento, o Banco Central avaliou que "o sistema financeiro nacional, em geral, encontra-se com adequado nível de provisões" (reservas) para o risco de crédito. Segundo o Banco Central, o sistema bancário brasileiro seguiu apresentando baixo risco de liquidez e elevada solvência no segundo semestre de 2014, apesar de cenário marcado por ambiente externo complexo e com desafios fiscais no lado doméstico. "O risco de liquidez de curto prazo do sistema bancário brasileiro, que já se apresentava em baixo patamar, reduziu-se ainda mais no segundo semestre de 2014, evento fortemente influenciado pela elevação do estoque de ativos líquidos nas instituições financeiras", trouxe o documento. A autoridade monetária indicou que o Índice de Liquidez do sistema passou a 2,02 no segundo semestre, ante 1,71 na primeira metade do ano. No relatório anterior, o Banco Central havia publicado um índice de liquidez de 1,51 para o primeiro semestre. Quanto ao mercado de crédito à pessoa física, o relatório assinalou que pesquisa realizada em dezembro pelo Banco Cenral mostrou uma potencial redução na oferta de empréstimos em função da preocupação com o nível de emprego e com as condições salariais. Isso pode impactar a concessão e os riscos de crédito nas carteiras de crédito para pessoas físicas no início de 2015. Na véspera, o Ministério do Trabalho divulgou que o Brasil perdeu 2.415 vagas formais de trabalhono mês passado, no pior resultado para meses de fevereiro desde 1999, após o registro de 81,8 mil demissões líquidas em janeiro.

O petista Renato Duque era refinado, sofisticado, ele recebia quadros dos empreiteiros propineiros, diz a Polícia Federal


O ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque recebeu quadros de artistas renomados como pagamento de propina para favorecer empreiteiras em contratos com a estatal. De acordo com o delegado Igor Romário de Paulo, chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, a Operação Lava Jato identificou na posse do petista Renato Duque, até agora, três compras feitas pelo operador Milton Pascowitch, que pagava propina para o ex-diretor a mando de empreiteiras. A Polícia Federal ainda investiga a origem dos 131 quadros apreendidos no apartamento do petista Renato Duque, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O ex-diretor exibia obras de arte em praticamente todos os cômodos da casa, até na academia de ginástica que mantinha. Foram encontrados quadros de Miró, Heitor dos Prazeres, Guignard, entre outros. Se comprovado que os quadros de Renato Duque foram comprados com dinheiro desviado da Petrobras, ele vai responder a mais uma ação penal por lavagem de dinheiro. O delegado destacou que o mercado de arte foi um dos mais utilizados pelos criminosos investigados na Operação Lava Jato. "Obras de arte são habitualmente pagas com dinheiro em espécie. É um mercado não muito rígido, muito fértil para lavagem de dinheiro", afirmou o delegado. Nesta quinta-feira, a Polícia Federal entregou para o Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, um total de 139 quadros apreendidos na segunda-feira. Oito telas pertenciam ao operador Adir Assad, preso com o petista Renato Duque. Com a entrega, o museu já tem 203 quadros apreendidos na Java Jato. Apenas um deles era réplica. Todas as obras de arte foram enviadas para custódia da instituição por determinação do juiz federal Sérgio Moro, para que fiquem ao acesso da população. 



Turbulência política faz dólar fechar a R$ 3,29


O dólar terminou esta quinta-feira em alta de 2,56%, a 3,2965 reais na venda, maior nível de fechamento desde 1º de maio de 2003, quando atingiu a 3,315 reais na venda. Na máxima da sessão, o dólar atingiu 3,3084 reais, maior nível também desde 1º de maio de 2003, após a presidente Dilma Rousseff negar que realizará uma reforma ministerial. Segundo dados da BM&FBovespa, o giro financeiro ficou em torno de 1,3 bilhão de dólares. A declaração da presidente frustrou a expectativa de que mudanças no Executivo poderiam atenuar a rebeldia no Congresso. O mercado também reagiu à demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação nesta quarta-feira. A decisão de Cid foi tomada depois de uma sessão tumultuada na Câmara dos Deputados em que houve bate boca entre congressistas e o ex-ministro. "O mercado reage à Dilma agora da mesma forma que parte da população se manifesta, com panelaço, quando ela começa a falar", comparou o operador Ovídio Pinho Soares, da corretora Icap do Brasil. O fato é um ingrediente adicional que tensiona a já complicada relação do governo com a base aliada, o que pode dificultar o andamento do ajuste fiscal. "O custo político de fazer o ajuste está cada vez mais alto e o mercado não gosta disso", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira. No radar dos investidores estiveve o encontro do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, com representantes da Fitch, que estiveram nesta quarta-feira com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Embora nos mercados haja o temor de que um rebaixamento da nota de crédito do país esteja próximo, o governo estaria mais confiante agora de que conseguirá convencer a agência de que conduzirá o ajuste fiscal necessário e cumprirá a meta de superávit primário de 1,2% para este ano. A divisa havia fechado em queda na quarta pelo terceiro dia seguido reagindo ao tom de cautela adotado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em seu comunicado de política monetária. "O rali de moedas emergentes após a conclusão da reunião do Fed de ontem se provou pouco duradouro", escreveram analistas da Capital Economics em nota a clientes. Nesta quinta, contudo, o dólar se valorizou em relação às demais moedas. Outro fator de incerteza no mercado doméstico é a dúvida sobre o futuro do programa de atuações diárias do Banco Central, marcado para durar até o fim deste mês. Muitos operadores acreditam que o governo vem sinalizado que deixará de ofertar swaps cambiais diariamente, apesar da volatilidade recente. As operações de swap equivalem à venda de dólar no mercado futuro pelo BC. Na quarta-feira, Tombini disse que ainda não está definido se os leilões continuarão por mais tempo, o que adiciona mais instabilidade ao mercado de câmbio. "Parece que as autoridades estão prontas para permitir que o programa termine, já que o plano anti-inflação agora depende mais da política de juros e de melhorar o resultado primário", escreveram estrategistas do Bank of America Merrill Lynch em relatório.

Câmara de Vereadores de São Paulo aprova isenção de IPTU para teatros paulistanos


A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta quarta-feira proposta que concede isenção do pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) a teatros e espaços culturais da capital com capacidade para até 400 lugares. O projeto de lei, que segue para a sanção do prefeito Fernando Haddad (PT), atende a reivindicações de grupos teatrais e de companhias tradicionais da cidade que funcionam em imóveis alugados, como o grupo Satyros, da Praça Roosevelt. Apenas locais que oferecem acesso pela rua terão direito ao benefício. "É para favorecer os teatros pequenos da cidade. Desse modo, os espaços maiores, que ficam dentro de shoppings, por exemplo, estão fora", explica o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), um dos autores do projeto. Além dele, assinam a proposta José Américo (PT), Nabil Bonduki (PT), Ricardo Nunes (PMDB) e Floriano Pesaro (PSDB). Também ficam proibidos de obter a isenção teatros geridos por partidos políticos e empresas sem fins lucrativos. Aprovado em primeira votação em dezembro passado, o projeto voltou à pauta nesta quarta-feira após acordo entre as lideranças e a gestão Haddad. No texto final, ficou definido que a isenção obedecerá um teto anual, estabelecido pelo Orçamento Municipal. Caberá à Secretaria Municipal de Cultura, hoje comandada por Bonduki, definir o valor da renúncia. De acordo com o projeto, apenas os imóveis que funcionam como teatros ou espaços culturais há mais de dois anos terão direito a requisitar o benefício, que deverá ser renovado todos os anos. Entende-se por espaços culturais locais que desenvolvam "ações de criação, produção, formação, programação ou promoção de atividades artísticas com finalidade estética e cultural".

O bandido petista mensaleiro José Dirceu recebeu R$ 1,2 milhão enquanto estava na cadeia na Papuda


Do dia 16 de novembro de 2013 até 4 novembro de 2014, o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu cumpriu 11 meses e 20 dias de prisão por ter arquitetado e dirigido o esquema do Mensalão do PT. Passou seis meses trancafiado no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, e posteriormente foi transferido para uma unidade que abriga detentos em regime semiaberto. Nesse período, conseguiu um emprego para organizar a biblioteca do escritório do advogado e amigo José Gerardo Grossi, com salário de 2.100 reais mensais. Voltava para o Centro de Progressão Penitenciária do Distrito Federal para dormir. Em 142 dias, amealhou cerca de 10.000 reais pelo serviço. Mas, segundo a Receita Federal, um montante exponencialmente maior passou pelas suas contas bancárias enquanto esteve na cadeia. Investigado por novas suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, José Dirceu recebeu pagamentos como "consultor" de novembro de 2013 a novembro de 2014: faturou pelo menos 1,2 milhão de reais. A gigante farmacêutica EMS e a construtora Consilux pagaram 700.000 reais e 500.000 reais, respectivamente, ao petista. O bandido petista mensaleiro José Dirceu começou a ser investigado na Operação Lava Jato porque a Polícia Federal e o Ministério Público Federal constataram que ele faturou pelo menos 8 milhões de reais de grandes empreiteiras do clube do bilhão, o cartel que fraudava contratos da Petrobras e pagava propina a políticos e partidos. A polícia investiga se os pagamentos eram propina ou recompensas pela influência do petista no governo Lula e Dilma Rousseff. A análise da movimentação financeira de José Dirceu mostrou que ele recebia pagamentos não só das construtoras ligadas ao esquema de corrupção mas de diversas outras empresas com negócios regulados pelo governo federal. No total, a JD Assessoria e Consultoria faturou 29,2 milhões de 2006 a 2013 de 50 empresas. Condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa no Mensalão do PT, o bandido petista mensaleiro José Dirceu cumpre pena em regime domiciliar. Além da reclusão, a Justiça determinou que ele devolvesse 920.700 reais aos cofres públicos como multa. Mas, apesar de continuar recebendo dinheiro atrás das grades, ele não precisou colocar a mão no bolso: uma suposta "vaquinha" feita por quase 4.000 simpatizantes do mensaleiro arrecadou mais de 970.000 reais. Sócio-fundador da Consilux, Aldo Vendramin afirmou que manteve os pagamentos enquanto o ex-ministro estava preso porque o contrato previa o desembolso de 90.000 reais mensais de dezembro de 2011 a junho de 2014. Segundo ele, José Dirceu foi contratado para "resolver problemas" na Venezuela, onde o empresário alega que a empresa sofreu com atrasos de pagamentos depois de estrear no mercado de habitações populares do ditador Hugo Chávez, em 2006. Mas jamais deixou de ser bem remunerado. O controlador da Consilux afirmou que José Dirceu obteve sucesso em 2012. De acordo com Vendramin, ele destravou os pagamentos do governo venezuelano. A atuação do ex-homem forte do governo Lula também garantiu a assinatura de mais dois aditivos, de 80 milhões de dólares e 120 milhões de dólares, o que elevou o faturamento da empresa com o governo do país vizinho para um total de 416 milhões de dólares. "Sou muito grato ao que José Dirceu fez pela Consilux na Venezuela. A partir de 2012, não havia muito o que fazer por nós. Ele já tinha prestado os serviços. Mas continuamos pagando porque tinha contrato vigente. Nem poderia ser diferente", afirmou Vendramin. Ele admitiu, no entanto, que não tem documentos do governo venezuelano, e-mails ou mensagens que comprovem alguma atuação de José Dirceu. Afirmou que se informava sobre a evolução dos trabalhos em conversas por telefone com o ex-ministro. Jamais foram para a Venezuela juntos. Vendramin disse que José Dirceu fazia contatos com Hugo Chávez, morto em 2013, mas que também foi recebido pelos ex-ministros Ricardo Molina, Julio Montes e Diosdado Cabello. O empresário diz ter notas fiscais e um contrato como provas de que José Dirceu prestou serviços na Venezuela. Ele negou ter sido beneficiado pela influência de José Dirceu em território brasileiro. "Ele realmente defendeu interesses de uma empresa brasileira. Não temos obras com a Petrobras ou nenhuma estatal. Só trabalhamos com as prefeituras de Curitiba e São Paulo", afirmou. Maior farmacêutica nacional e líder em genéricos, a EMS foi a empresa que mais bem remunerou o bandido petista mensaleiro José Dirceu. De 2006 a 2014 foram 8,5 milhões de reais para a consultoria do ex-ministro. A empresa cita notas fiscais e contratos como prova de que o ex-ministro efetivamente prestou algum serviço, mas não esclarece por que manteve pagamentos quando José Dirceu estava preso. "Sobre a contratação da empresa JD Assessoria, a EMS informa que a prestação de serviços, que durou cerca de cinco anos, teve a finalidade de internacionalização da empresa e a prospecção, expansão e diversificação dos negócios do Grupo, exclusivamente em outros países. A EMS possui todos os documentos dos serviços prestados", informou em comunicado.

Procurador defende continuidade de investigação de denúncia contra a presidente argentina populista peronista Cristina Kirchner


O procurador-geral Germán Moldes pediu nesta quinta-feira a reabertura da investigação da denúncia apresentada pelo assassinato promotor Alberto Nisman contra a presidente peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner por acobertar iranianos envolvidos no atentado contra o centro judaico Amia (Associação Mutual Israelita da Argentina), que deixou 85 mortos em Buenos Aires em 1994. No pedido apresentado à Justiça, o procurador defendeu a necessidade de "investigar, por em andamento o processo e desvendar o acontecimento que chegou ao nosso conhecimento". Emr eportagem exclusiva da edição desta semana de VEJA, ex-integrantes da cúpula do venezuelano Hugo Chávez confirmaram a conspiração denunciada por Nisman. "Para superar essa situação de incerteza, é necessário concretizar pelo menos as diligências úteis que permitam tomar conhecimento dos fatos denunciados, pois o contrário significaria, simplesmente, abortar a averiguação", argumentou o procurador-geral argentino. Na prática, Moldes manteve o recurso de apelação apresentado pelo promotor Gerardo Pollicita contra a decisão do juiz federal Daniel Rafecas, que havia rejeitado a denúncia, alegando ausência de delito. Ao citar um caso anterior, o procurador criticou indiretamente Rafecas, dizendo que "um magistrado extraordinariamente apressado debilitou todo o curso processual e chegou à fatal conclusão - sem pedir nenhuma materialização de prova - sobre a ausência de delito". "Assim como a lentidão exaspera, desanima e, às vezes, indigna, a aceleração precipitada e imprudente com frequência lastima, confunde culpados com inocentes e só acaba em desilusão", acrescentou ele. Por fim, ele pediu aos juízes da Câmara Federal que revoguem a decisão e "ordenem que a investigação prossiga". Presidente da Procuradoria Geral na Câmara de Apelações, Moldes foi confirmado no caso esta semana, depois de pedidos para que ele fosse afastado. O deputado Andrés Larroque foi um dos que defendeu o afastamento, alegando que ele teria deixado de ser imparcial ao participar da marcha realizada no dia 18 de fevereiro em memória de Nisman. A Câmara Federal de juízes agora deverá decidir se as acusações apresentadas por Nisman merecem ser investigadas ou se devem ser desconsideradas, como decidiu Rafecas. No dia 14 de janeiro, Nisman apresentou uma denúncia contra Cristina Kirchner e vários apoiadores indicando que o governo teria trabalhado para encobrir o envolvimento do Irã em troca de acordos comerciais com o país persa. Quatro dias depois, e na véspera de detalhar a denúncia em uma audiência no Congresso, o promotor foi encontrado morto no banheiro do apartamento em que morava, em Buenos Aires. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas.

Banqueiro mensaleiro Vinicius Samarane, do Banco Rural, consegue progredir do regime fechado


O ex-vice-presidente do Banco Rural, Vinicius Samarane, deve ser o primeiro mensaleiro condenado a regime fechado a ter o direito de passar a cumprir pena em regime semiaberto. Até agora, o benefício só foi concedido ao núcleo político do esquema de corrupção porque seus integrantes, entre eles o ex-ministro e bandido político mensaleiro José Dirceu, tiveram penas inferiores aos oito anos de reclusão. Samarane, que integrava o núcleo financeiro, foi condenado a oito anos, nove meses e dez dias de prisão pelos crimes de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. A defesa de Samarane recorreu ao Supremo Tribunal Federal alegando que, como já cumpriu pelo menos um sexto da pena e tem bom comportamento na cadeia, pode passar ao regime semiaberto, situação que permitiria a ele trabalhar ao longo do dia e voltar à cadeia apenas à noite. O pedido de Vinicius Samarane obteve parecer favorável do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas ainda precisa ser analisado pelo relator do processo do Mensalão do PT, ministro Luís Roberto Barroso. Em seu pedido, o ex-executivo diz que a Vara de Execuções Penais autorizou que ele parcelasse a multa imposta pelo STF como parte da condenação. Ao todo, a multa do mensaleiro chega a 892.771 reais - ele pagou a primeira parcela em fevereiro, no valor de 37.198 reais. Em sua manifestação, Janot diz que o parcelamento da multa é possível, mas ressalta que Samarane precisa comprovar mensalmente estar em dia com as parcelas assumidas junto à Justiça. Outros integrantes da cúpula do Banco Rural, incluindo a presidente Katia Rabello, continuam presos em regime fechado. De acordo com a decisão do Supremo que condenou os executivos, para repassar dinheiro ao valerioduto, o Banco Rural ignorou normas do Banco Central, a falta de garantias dos avalistas e ainda suprimiu documentos que provariam as fraudes financeiras. Em troca, a cúpula da instituição bancária esperava obter caminho livre para a liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco, o que poderia render ganho bilionário a ela.​

Câmara dos Deputados processa Cid Gomes e pede indenização


A avaliação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é que a demissão do ministro Cid Gomes (Educação) não foi o suficiente. Nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados ingressou com quatro ações contra Gomes, que provocou a ira de deputados nesta quarta-feira após afirmar que na Casa há 400 "achacadores". Três delas foram apresentadas à Procuradoria-Geral da República: uma por crime de responsabilidade - por ter sido convocado, Cid não poderia abandonar a sessão; outra por condescendência criminosa - já que o ex-ministro se omitiu diante de crimes contra a gestão pública ao não dar os nomes de quem chamou de "achacador"; e a restante por improbidade administrativa - pelo fato de Cid se manter calado diante dos crimes, o que, segundo a Procuradoria da Câmara, fere princípios como lealdade e honestidade. A outra ação, por danos morais, foi ingressada na Justiça Federal de Brasília. A Casa alegou que a sua imagem foi ferida e apresentou uma ação de reparação. O valor da indenização ficará à critério do juízo. A Câmara apenas apontou o destino do recurso: o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Atlético-MG tem a maior dívida com a União, de R$ 284 milhões


A presidente petista Dilma Rousseff aprovou nesta quinta-feira uma medida provisória com sete itens que os clubes terão de cumprir para "modernizar e melhorar a relação econômica dos times de futebol". Um dos principais itens é o que refinancia as dívidas dos times com a União, dando até 240 meses para que as contas sejam pagas. Em levantamento feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o total dos débitos de 103 clubes, até fevereiro, é de 2.330.672.633 reais - havia estimativas de que as dívidas passavam dos R$ 4 bilhões. Os times que mais devem são Atlético Mineiro (mais de 284 milhões de reais), Flamengo (235 milhões de reais) e Botafogo (mais de 215 milhões de reais). Segundo a Procuradoria, as inscrições em Dívida Ativa da União referem-se a qualquer débito com a União devido e não pago no tempo e modo devidos. Podem ter natureza tributária (Imposto de Renda, CSLL, etc); tributária previdenciária (contribuições previdenciárias); ou não-tributárias (multas, receitas patrimoniais, etc) - a Procuradoria também inscreve e cobra débitos do FGTS. A Medida Provisória obriga clubes de futebol a cumprirem obrigações por uma gestão saudável.

Vítima do terror islâmico é identificada quase 14 anos depois dos ataques de 11 de setembro às torres gêmeas em Nova York


Quase catorze anos depois dos ataques do terror islâmico da Al Qaeda de 11 de setembro, as autoridades de Nova York anunciaram que mais uma vítima foi identificada. O jovem Matthew David Yarnell, morador de Nova Jersey, foi identificado a partir de testes de DNA. Ele tinha 26 anos quando o atentado foi perpetrado. A identidade de Yarnell foi revelada a partir de novas análises de amostras recolhidas durante os primeiros esforços de recuperação dos corpos de 2001 a 2002. Com a descoberta, o número de vítimas identificadas passa a ser de 1.640, de um total de 2.753 pessoas dadas como mortas nos ataques contra as Torres Gêmeas. O jovem trabalhava como analista de tecnologia em uma firma de investimentos que mantinha escritório no 97º andar da torre sul. No total, 97 funcionários da empresa foram mortos no atentado, informou o jornal The New York Times. Antes de Yarnell, a identificação mais recente havia ocorrido em setembro do ano passado, quando as autoridades divulgaram informações sobre Patrice Braut, único cidadão belga a morrer no ataque. Os médicos analisaram 21.906 grupos de restos humanos resgatados no local dos atentados, informou a agência France-Presse. Os testes realizados nos restos encontrados e a evolução da ciência nos últimos anos contribuíram para novas identificações.

CPI – Quando indagado se conhece Vaccari, o petista Duque respondeu: “Permanecerei calado”

Apontado pelas investigações da Operação Lava Jato como o grande elo entre o PT e o esquema de corrupção que sangrou os cofres da Petrobras, o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque cumpriu durante boa parte do tempo a recomendação de seus advogados para permanecer calado em depoimento à CPI da Petrobras. Mas, diante dos questionamentos dos parlamentares durante quatro horas, acabou perdendo a paciência em alguns momentos – e falou. Duque se pronunciou para dizer que sua mulher não é parente do ex-ministro e mensaleiro condenado José Dirceu, seu padrinho na Petrobras. Também afirmou que ela não procurou o ex-presidente Lula pedindo sua liberação da cadeia e, em tom exaltado, reclamou que “não é Pedro Barusco”. Indagado pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), Duque acabou na sequência expondo outra brecha: “Não conheço o senhor Youssef”, disse, sobre o doleiro-delator do petrolão. Valente emendou: “E o senhor Vaccari, o senhor conhece?”. A resposta foi reveladora: “Permanecerei calado”.

Nomeado por indicação do partido para o cargo na estatal, o ex-diretor se beneficiou de desvios milionários em parceria com o tesoureiro do PT, João Vaccari, segundo dados colhidos pela Lava Jato. O depoimento começou por volta das 10h30. Duque anunciou que não responderia a nenhuma pergunta. E de fato cumpriu o prometido na maior parte do tempo: não deu qualquer resposta sobre os crimes pelos quais é investigado. Mas acabou sucumbindo. Depois de ouvir provocações de parlamentares e ser chamado de “criminoso”, Duque acabou por se irritar e, desobedecendo a orientação do advogado, respondeu a duas perguntas feitas pelo deputado Izalci (PSDB-DF). Sobre a suspeita de que sua mulher seja parente de Dirceu, afirmou: “Basta olhar a árvore genealógica de um e de outro. Não tem nenhum parentesco”.
Depois, para tentar evitar que sua mulher fosse convocada para a CPI, respondeu outra pergunta e negou que ela tenha pedido ao ex-presidente Lula, por meio de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, que intercedesse pela libertação de Duque para evitar que o ex-diretor contasse o que sabe. “Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula ou o senhor Okamotto. Não conhece e nunca conheceu”, afirmou o depoente. Antes disso, uma das únicas afirmações espontâneas de Renato Duque surgiu quando, por engano, o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) o chamou de “Pedro Barusco” – o ex-gerente que atuava sob coordenação de Duque revelou a divisão da propina entre a dupla e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Duque gesticulou enfaticamente e repetiu, exaltado: “Eu não sou Pedro Barusco”.
Sem perspectiva de obter explicações do ex-diretor, a oposição tentou convencê-lo a firmar um acordo de delação premiada para contar à Justiça o que sabe. “O senhor não tem vergonha de ter roubado o Brasil e vir aqui ficar calado?”, provocou o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP). “Vossa senhoria vai ter no mínimo trinta anos de prisão a cumprir e a chance de ser protegido pelo PT é zero. Vossa senhoria tem família, tem parentes e tem amigos. Faça uma análise de consciência junto com seus advogados, se vale a pena esse ônus recair sobre seus ombros”, afirmou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP). O tucano citou o episódio do mensalão, que resultou em penas de mais de trinta anos de prisão para os operadores financeiros do esquema, enquanto os agentes políticos receberam sentenças muito mais brandas.
Já no final do depoimento, Duque também decidiu quebrar o silêncio para responder a questionamento se o seu filho trabalharia no exterior em uma empresa ligada à UTC Engenharia, cujo presidente, Ricardo Pessoa, está preso. “A empresa é muito maior do que a UTC. Meu filho é economista e foi recrutado como head hunter. Quando ele foi recrutado nos Estados Unidos, fiz uma consulta formal ao jurídico da Petrobras se haveria algum empecilho e a resposta foi não. Ele retornou ao Brasil depois de um ano e meio e algum tempo depois se retirou para montar o próprio negócio”, disse. Em seguida, foi pontual ao dizer que não tinha “nenhuma” relação com as atividades da Sete Brasil, companhia formada pela Petrobras e sócios privados para administrar o aluguel de sondas para o pré-sal.
Nas considerações finais da CPI, Duque rebateu as críticas em torno do custo de viajar até Brasília e permanecer calado. “Foi comunicado com antecedência que eu me manteria calado. Já era uma decisão tomada de acordo com a orientação do advogado e do meu direito constitucional”. O ex-diretor afirmou ainda que tem a “consciência tranquila” e “argumentos suficientes” para rebater as acusações que pesam contra ele, mas que aguarda outro momento para se defender. “Eu vou provar que meus bens são fruto do meu trabalho. Tenho 34 anos de companhia, tenho orgulho de ter sido diretor e lamento que a Petrobras esteja nessa situação. Não era para acontecer isso. Mas tudo tem seu tempo. Vou me defender na hora certa”, afirmou. A sessão foi encerrada após mais de quatro horas de audiência.

Deputado do PMDB encaminha requerimento para convocação da mulher do petista Renato Duque para depor na CPI da Petrobras


O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS) informou, nesta quinta-feira, que encaminhou o requerimento pedindo a convocação de Maria Auxiliadora Tiburcio Duque, mulher do ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque. Em depoimento à CPI da Petrobras, Renato Duque manifestou incômodo com a possibilidade de sua mulher ser convocado para depor na comissão e negou que ela tenha tido contato com o ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto (o Gregório Fortunato de Lula X9). Durante a sessão, Perondi apelou para que Duque contasse aos parlamentares o que sabe sobre o esquema de corrupção na Petrobras. "O senhor vai virar o Marcos Valério e vai apodrecer na cadeia. Ouça a dona Elza", disse Perondi, enfatizando que a "casa caiu" para os envolvidos no Mensalão do PT que não fizeram delação premiada. "Entregue quem está acima do senhor", insistiu. Ao responder, o petista Renato Duque corrigiu o deputado: "Dona Elza é minha mãe, não é minha esposa". Mas ela se chama Maria Auxiliadora Tiburcio Duque (na foto, em viagem de turismo à França, em frente ao Louvre, no ano passado).

A sessão foi marcada por um bate-boca entre o delegado Waldir Soares (PSDB-GO) e um grupo de petistas quando o tucano chamou o PT ao falar em "cara de pau". "Gostaria de pedir o seguinte, pedir para quem tem estabelecimento comercial aqui em Brasília mandar óleo de peroba para passar na cara dos deputados do PT. Dois, aparelho auditivo porque eles não querem escutar as vozes das ruas", afirmou o delegado. Os petistas se levantaram com dedos em riste e os microfones foram cortados. "Tira o dedo! Abaixa o dedo", retrucou o tucano aos gritos. Entre as poucas respostas que deu aos membros da CPI da Petrobras, o petista Renato Duque disse que não conhece o doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema de corrupção na empresa. Indagado pelo tucano Otávio Leite (RJ) se conhecia ou não o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, Renato Duque voltou a dizer que permaneceria calado.

JUSTIÇA CASSA DE VEZ O MANDATO DO DEPUTADO GILMAR SOSSELA, PDT.


Todos os seis desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul votaram, nesta quinta-feira, pela rejeição dos embargos declaratórios apresentados pela defesa do deputado estadual Gilmar Sossella (PDT) e mantiveram a cassação do seu mandato. O pedetista deverá perder o mandato tão logo a decisão judicial for publicada no Diário da Justiça, o que deverá levar alguns dias.


Sossella foi condenado por abuso de poder político e captação ilícita de recursos devido à fartura de provas, incluindo depoimentos. O deputado poderá recorrer, mas fora do exercício do mandato. Com a decisão, o PDT manterá a cadeira na Assembleia. Juliana Brizola se tornará titular e Vinícius Ribeiro, atual presidente da Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (Corag), será chamado para assumir o cargo como 1º suplente. A denúncia original do caso Sossella foi feita originalmente por Videversus. Só quatro dias mais tarde, após a atuação da Polícia Federal, que ingressou na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul com ordem judicial, para afastar o superintendente geral do cargo, para o qual havia sido nomeado pelo presidente Gilmar Sossella, e para apreensão de documentos, é que a grande imprensa passou a divulgar e acompanhar o assunto, que até ali desconhecia olímpicamente. Gilmar Sossella já tinha sido apontado, no ano passado, como contratante dos serviços da mulher do atual senador Lasier Martins. Após a divulgação dessa contratação por Videversus, a jornalista mulher de Lasier Martins pediu demissão do cargo que lhe dava um salário de 12 mil reais na assessoria de imprensa da Presidência da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, presidida por Gilmar Sossella. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal não se encerraram com a condenação de Gilmar Sossella à perda do mandato de deputado estadual e cassação de seus direitos políticos por oito anos. Também outros parlamentares estão sendo investigados por atos similares. 

SENADOR PETISTA PAULO PAIM CONFIRMA QUE PODERÁ SAIR DO PT

Confirmando o que o jornalista Políbio Braga adiantou ontem, o senador Paulo Paim disse hoje que pode mesmo sair do PT. O PDT já recebeu consultas sobre a possível filiação de Paulo Paim e deu sinal verde para a operação. É a debandada do barco da organização criminosa petista que está afundando. 

Justiça paulista determina que o prefeito paulistano petista Haddad suspenda obras de ciclovias

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nesta quinta-feira, em caráter liminar, que a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) interrompa as obras de ciclovias na capital paulista. O juiz Luiz Fernando Rodrigues Guerra, da 5ª Vara da Fazenda Pública da capital, acatou parcialmente ao pedido do Ministério Público, que moveu na quarta-feira uma ação contra a prefeitura, alegando que as faixas exclusivas para bicicletas estavam sendo instaladas sem projeto técnico, audiências públicas suficientes e de maneira inadequada. “Defiro tutela antecipada para o fim exclusivo de impor aos réus a paralisação de todas as implantações de novas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas de caráter permanente no Município de São Paulo, sem prévio estudo de impacto viário global e local”, escreveu o magistrado no despacho. Na ação, a promotora de Habitação e Urbanismo Camila Mansour Magalhães da Silveira afirma que solicitou “informações detalhadas” à prefeitura sobre os estudos de engenharia das ciclovias e só recebeu releases de imprensa. Ela também elencou uma série de irregularidades na construção das ciclovias, como a ocupação de calçadas, sarjetas e pontos de ônibus. A Justiça estipulou multa diária de 10.000 reais em caso de descumprimento da decisão e definiu um prazo de sessenta dias para a prefeitura apresentar a sua defesa. “Sabendo-se que o interesse da Administração Municipal segue no desejo de implantar ao menos 400 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas nesse município, é de se entender como razoável a presença de prévio estudo de impacto viário global e local, de sorte a mitigar efeitos deletérios como o estrangulamento do tráfego de veículos em vias públicas”, afirmou o juiz no texto. O magistrado, no entanto, indeferiu o pedido do Ministério Público de paralisar as obras na Avenida Paulista, sob o argumento de que os trabalhos no local estão em estágio avançado de execução e foram mais planejados. “Solução diversa merece a implantação da ciclovia da Avenida Paulista, já que se trata de trabalho que aparenta melhor estudo e planejamento. A paralisação dos trabalhos ou a recomposição ao estado anterior importará em maiores transtornos aos munícipes”, concluiu o juiz. Em nota, a prefeitura considerou a decisão do juiz como “sensata” por não ter entendido que “houve omissão ou violação do poder público na implantação do sistema cicloviário”, conforme dizia a ação proposta pelo MP. “A Procuradoria Geral do Município irá apresentar todos os dados e relatórios que se fazem necessários para esclarecer a questão. Com isso, a prefeitura espera em breve poder retomar as obras e ajustes viários para dar continuidade ao projeto cicloviário da cidade, um marco importante no desenvolvimento da mobilidade de São Paulo”, informou a nota.

A notícia mais importante do dia (até agora)

O Antagonista arrisca dizer que a notícia mais importante do dia já foi dada na coluna de Lauro Jardim. A Procuradoria-Geral da República deu parecer contrário a um mandado de segurança que o BNDES apresentou no STF, a fim de evitar que o TCU tenha acesso às informações sobre os financiamentos concedidos ao grupo J&F, mais conhecido como JBS/Friboi. O BNDES alega que a entrega dos dados requeridos pelo TCU feririam o sigilo bancário. No parecer, o subprocurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco, disse o óbvio: que financiamentos com recursos públicos devem ser transparentes. Caberá ao ministro do Luiz Fux decidir a parada. Como o grupo J&F é o maior financiador das campanhas do PT, a revelação das informações do BNDES pode significar a abertura de uma caixa de Pandora para o partido que lava dinheiro com doações oficiais.

Vaccari já operava na Petrobras antes de ser tesoureiro do PT

O PT adotou uma linha de defesa de João Vaccari Neto segundo a qual ele não pode ser responsabilizado por nada que ocorreu na Petrobras antes de 2010, ano em que se tornou tesoureiro do partido. A linha de defesa é fajuta. João Vaccari Neto fazia negociatas na Petrobras quando ainda era presidente da Bancoop, a cooperativa habitacional dos bancários paulistas que ele ajudou a quebrar. Mais uma prova acaba de vir à tona. De acordo com o doleiro Alberto Youssef, entre 2005 e 2006, a empreiteira Construcap, de médio porte, deu propina de 2,4 milhões de reais ao PT e PP, em troca de um contrato da Petrobras. O butim destinado ao PT foi entregue a João Vaccari Neto, disse Alberto Youssef. Quem intermediou a negociata entre João Vaccari Neto e a Construcap foi o empresário Cláudio Augusto Mente, amigo do tesoureiro do PT. A dupla já era investigada por um toma-lá-dá-cá de mufunfa, feito entre 2008 e 2009. Ao que tudo indica, a origem da grana foi uma propina para facilitar um contrato da Toshiba no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Uma das empresas de Cláudio Augusto Mente transferiu 400 mil reais para a conta da mulher de João Vaccari Neto, em 2008. No ano seguinte, valor idêntico saiu da conta dela para a empresa do sujeito cujo sobrenome é o verbo "mentir" na terceira pessoa do singular. Esse toma-lá-dá-cá de mufunfa é operação típica de lavagem de dinheiro. A única dúvida em relação a toda a sujeira é a data da prisão de João Vaccari Neto. (O Antagonista)

Renato Duque: vocês pensam que não dá trabalho ser ladrão?

O ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, disse que vai provar que os bens dele têm origem no seu trabalho na Petrobras. Entre os bens de Renato Duque, estão 20 milhões de euros que saíram da Suíça para o Principado de Mônaco, depois que ele foi solto, no final do ano passado. Não temos dúvida de que Renato Duque deu um duro danado para:
a) Acertar propinas com as empreiteiras
b) Cobrar a sua parte de Pedro Barusco, seu subordinado direto
c) Esconder o dinheiro em espécie que recebeu de Pedro Barusco
d) Prestar contas a José Dirceu, o seu mentor
e) Administrar o que embolsou diretamente no Exterior
Vocês pensam que não dá trabalho ser ladrão? (O Antagonista)

Oposição pede demissão do ministro da Comunicação petista, Thomas Traumann


A oposição na Câmara quer convocar o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o petista Thomas Traumann, para que ele esclareça as contratações de robôs e financiamentos de blogs para favorecer o governo federal. O líder da Oposição, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), e os deputados Nilson Leitão (PSDB-MT) e Elizeu Dionizio (SD-MS) protocolaram requerimento com base no documento elaborado pela Secom admitindo comunicação “errática” e defendendo mais propaganda em São Paulo. O texto ressalta que os investimentos em comunicação deverão se concentrar em São Paulo em parceria com o prefeito Fernando Haddad, vítima, como a presidente Dilma, da baixa popularidade.— É inadmissível que um órgão oficial se utilize dessa prática e envolva recursos públicos para o pagamento de blogueiros, crackers ou hackers a serviço do governo, ou ainda, que os incentive a publicar matérias favoráveis ao governo e contrárias à oposição — argumentou Bruno Araújo. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) pediu nesta quarta-feira, em discurso, a demissão do ministro. Aloysio quer ainda a convocação do ministro pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado e a investigação do uso de verbas públicas. O tucano classificou de "criminoso e imoral" o documento elaborado pelo ministro e o uso de verbas publicitárias federais para atender interesses políticos e partidários da presidente da República. Aloysio vai pedir ainda que a conduta de Traumann seja investigada pelo Ministério Público e até mesmo pela Controladoria Geral da União (CGU). "Seu pedido de férias está publicado hoje, no Diário Oficial. Mas, assim que ele voltar, já vai receber uma convocação, que estou propondo, para que ele venha se explicar perante à Comissão. Isso se não for demitido antes, como espero que seja. E estou propondo também que a Procuradoria-Geral da República inicie um processo de investigação por prática de crime, assim como um pedido de investigação à Controladoria-Geral da União", disse Aloysio Nunes Ferreira. O tucano disse que ficou "estarrecido" com o documento elaborado na Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. "Nesse documento, patenteia-se a mistura entre interesse partidário e interesse do Estado, entre governo e partido, que está na raiz de todos os totalitarismos. Visa a virar o jogo a partir do diagnóstico absolutamente fantasioso, errado, de que os problemas políticos da Presidência da República e a ruína política prematura da presidente se devem a erros de comunicação. Na verdade, não se trata de erro de comunicação, mas de erro das ações que são comunicadas", disse Aloysio Nunes Ferreira. Ele disse que Traumann propõe "algo criminoso": "Para virar o jogo, o que propõe é, pura e simplesmente, criminoso, a utilização dos meios oficiais da Secretaria de Comunicação da Presidência, das verbas de que ela dispõe, para promover uma ação conjunta, coordenada entre a divulgação institucional a cargo da Secretaria e a ação dos blogues ditos progressistas. Será que é papel do servidor público municiar guerrilha política? Isso é crime!" Ele citou o artigo 321 do Código Penal, que diz que é crime “patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário".

Prefeito do PT é preso em flagrante recebendo propina de R$ 100 mil na mochila, é o petista Vaccari fazendo escola


O prefeito de São Sebastião do Alto, na Região Serrana do Rio de Janeiro, foi preso em flagrante recebendo R$ 100 mil de propina. No início da noite de quarta-feira (18), o prefeito de São Sebastião do Alto (RJ), Mauro Henrique, do PT, chegou à Polícia Federal, em Niterói (RJ). O prefeito foi preso em flagrante, no estacionamento deste posto de gasolina, na BR-101, às 14 horas. Quem denunciou o caso à polícia foi um empresário que não quer se identificar. Ele ganhou duas licitações do município. “Viemos participar da licitação, como qualquer um pode vir participar. Aí participamos, ganhamos, tudo legal e ele foi e exigiu os 10%. Tinha que dar o dinheiro para assinar o contrato”, conta o empresário. O delegado encontrou R$ 100 mil no carro do prefeito dentro de uma mochila. O segurança dele que também foi preso com uma pistola e quatro carregadores. Esses R$ 100 mil representam 10% do valor de duas licitações para obras de saneamento e da saúde do município de São Sebastião do Alto (RJ), que fica na Região Serrana, a 370 quilômetros do Rio de Janeiro, e tem 9 mil habitantes. Há menos de um ano, o prefeito Carmond Bastos, do PT, teve o mandato cassado por desvios de recursos. Mauro Henrique era o vice, do mesmo partido, e tinha assumido o mandato em abril de 2014. “Ele vai responder pelo crime de concussão, previsto no Código Penal, com penas que vão até oito anos de reclusão, e nós vamos continuar as investigações para ver se outras licitações também foram fraudadas ou foi exigido quantia de propina como esse caso aqui”, explica Jerônimo José da Silva, delegado da Polícia Federal.

PT cai de 22% para 9% na preferência do eleitor


O PT desaba junto com a petista Dilma Rousseff. Na última pesquisa Datafolha, apenas 9% dos brasileiros declararam preferência pelo partido da corrupção. No início de dezembro, eram 22%. O que significa que a sofisticada organização criminosa do Mensalão e do Petrolão perdeu mais da metade do eleitorado fiel. O PT está pagando o preço dos 3% que desviou na Petrobras. Mas como diz o ministro "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, pesquisa é fotografia do momento. O que significa que vai piorar.

AMIGO DE LULA, O PETISTA WILSON SANTAROSA CHEFÃO DA COMUNICAÇÃO, É DEMITIDO DA PETROBRAS

O petista Wilson Santarosa, gerente Institucional da Petrobras, foi demitido hoje pelo novo presidente da companhia, o também petista Aldemir Bendine. O ex-sindicalista Santarosa é amigo pessoal de Lula e estava na Petrobras desde 20003, quando começou o primeiro governo petista. A gestão da ex-presidente a petista Graça Foster, também tentou tirá-lo do cargo, mas não obteve êxito. Sob a gerencia institucional rola toda verba da Petrobras para publicidade, patrocínio, imprensa, comunicação interna, entre outras. A Petrobras, além de ter abrigado o maior escândalo de corrupção de todos os tempos promovido pelo regime petista, ainda patrocinou até hoje toda a imprensa petista bandida, blogs sujos que fazem todo tipo de assassinato de reputações. O setor de comunicação social da Petrobras é um covil que precisa ser devassado pela CPI da Petrobras. 

TRE GAÚCHO CASSA EM DEFINITIVO O MANDATO DO DEPUTADO ESTADUAL GILMAR SOSSELLA, CONDENADO POR CRIMES ELEITORAIS


Dilma diz que não fará reforma ministerial. Então tá…

Um dia depois de demitir Cid Gomes do Ministério da Educação, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que o sucessor não será escolhido com base em questões partidárias e negou que promoverá uma reforma para tentar ajustar o ministério atrapalhado que montou para o segundo mandato. “Vocês (jornalistas) estão criando uma reforma no ministério que não existe. São alterações pontuais. Eu estou fazendo uma alteração pontual no MEC, não tenho perspectiva de alterar nada nem ninguém. Mas as circunstâncias às vezes nos obrigam a alterar, como foi o caso da Educação”, afirmou. “Não adianta vocês botarem que tem reforma ministerial, não tem e não vou fazer. Reforma ministerial é uma panaceia. Não resolve os problemas”, disse a petista em entrevista após cerimônia no Palácio do Planalto.

Apesar da afirmação, líderes dos partidos aliados, especialmente do PMDB, negociam uma troca de cadeiras no alto escalão. Nos bastidores, é dada como certo o embarque de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) no governo: ele recebeu a promessa de assumir o Ministério do Turismo caso não fosse investigado pela Supremo Tribunal Federal na Operação Lava Jato, o que se confirmou. A vaga reservada para Alves é o Ministério do Turismo, mas o PMDB apresentou a proposta para a presidente de colocá-lo na articulação política. Com a experiência de décadas no Congresso e trânsito com diferentes partidos, ele substituiria Pepe Vargas (PT-RS) nas Relações Institucionais.
No caso da pasta da Educação, uma saída possível é a volta de Aloizio Mercadante, hoje chefe da Casa Civil. O petista resiste à perda de prestígio, mas a solução acalmaria a base parlamentar no Congresso, que reclama de dificuldade para negociar com ele. Dilma disse nesta quinta que que o MEC “não é dado para ninguém” e que tem o compromisso de construir um caminho para a educação brasileira “dando mais saltos” de qualidade. “Nós temos de garantir que os professores sejam bem formados, capacitados, e tenham uma carreira sustentável. Portanto, eu vou escolher a pessoa boa para a educação, e não a pessoa desse, daquele ou de outro partido”, disse a petista.
Cid Gomes caiu depois de provocar a irritação de deputados governistas e de oposição, a quem chamou de “achacadores”, e de comprar briga com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com quem o Palácio do Planalto tenta reconstruir pontes. Por Reinaldo Azevedo

O petista Renato Duque nega parentesco com o bandido petista mensaleiro José Dirceu e diz que sua mulher nunca procurou Lula

Apesar de ter adiantado à CPI da Petrobras que permaneceria calado no depoimento desta quinta-feira (19), o ex-diretor da estatal, o petista Renato Duque, deu breves declarações e negou que ele ou sua mulher tenham parentesco com o petista José Dirceu ou que ela tenha procurado o ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") para pedir ajuda para que fosse solto. Preso na última segunda-feira (16) pela décima fase da Operação Lava Jato, o petista Renato Duque já havia sido convocado pela CPI e – após a suspensão de um ato da Câmara que impedia a oitiva de presos dentro da Casa – foi conduzido da carceragem da Polícia Federal até a Câmara para ser ouvido pelos deputados. Ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque é apontado pelo ex-gerente Pedro Barusco, seu subordinado, como beneficiário do pagamento de propinas de empresas. Segundo Barusco, que assinou delação premiada, Renato Duque recebia parte da propina e ainda repassava outra parte ao PT, por meio do tesoureiro João Vaccari Neto. Ambos negam as acusações. Renato Duque começou a falar por volta das 10h30. Ao ser apresentado, já adiantou: “Existe uma hora de falar e uma hora de calar. Esta é a hora de calar, do meu ponto de vista, eu estou sendo acusado, me encontro preso, então por esse motivo é que eu estou exercendo meu direito constitucional ao silêncio”. Provocado pelos deputados, chamado de “corrupto” e criticado por ficar calado, Renato Duque não resistiu quando os parlamentares começaram a ameaçar convocar sua mulher e quando Izalci Ferreira (PSDB-DF) perguntou se havia laços de parentesco dele ou dela com o ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu, condenado no Mensalão do PT, como citado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, delator da Lava Jato. “Quando eu digo infelizmente não posso responder, é porque realmente tem determinadas perguntas que não tem nenhum problema de responder. Uma questão de parentesco é uma questão de árvore genealógica, basta olhar a árvore genealógica de um e de outro. Não tem nenhum parentesco, nunca teve”, afirmou, duas horas depois de ter avisado que não falaria nada. Também às acusações de que sua mulher teria procurado o ex-presidente Lula ou o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto (o Gregório Fortunato de Lula X9), para pedir ajuda na libertação dele na primeira vez que foi preso, Duque se pronunciou e negou. “Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula ou com o senhor Okamotto. Não conhece, nunca conheceu”, afirmou o petista Renato Duque. A deputada petista Maria do Rosário (RS) repudiou ameaças de convocação à mulher de Renato Duque: “As pessoas devem responder pelos seus atos. Por isso, repudio como mulher, como mãe".

Comissão quer que Lula e Stédile expliquem o que quer dizer “colocar o exército do MST nas ruas”. Eu também quero! Quem ameaça a democracia faz terrorismo

O que é exército metafórico? Não sei. Quem tem de explicar é Lula. Já um exército de metáforas, bem, aí sei o que é: trata-se de uma alegoria. Vamos ver. No dia 24 de fevereiro, Luiz Inácio Lula da Silva conspurcou a sede da Associação Brasileira de Imprensa e pregou que João Pedro Stédile, chefão do MST, coloque seu exército na rua em defesa do governo. Afirmou literalmente: “Também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”.

Muito bem! A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou um convite para que o sr. Lula e o sr. Stédile, então presente ao evento, expliquem o que isso quer dizer. O requerimento foi apresentado por Ezequiel Teixeira (SDD-RJ). A imprensa informa que os maiores apoiadores do convite foram os deputados evangélicos, que perderam a presidência da comissão para o PT, que indicou para a função o deputado Paulo Pimenta (RS). É assim? Então viva a bancada evangélica! Eu também quero saber o que Lula pretendeu dizer com aquilo.
Jean Wyllys (RJ), cada vez mais um deputado do PSOL a serviço do PT, fartamente elogiado pela Secom por defender o governo com mais entusiasmo do que os petistas (dê um ministério pra ele, Dilma!), acusou uma “hipervalorização” da declaração num contexto de polarização política. Ora, vejam só quem fala! Em 2012, o pastor Silas Malafaia criticou a Marcha Gay por ter levado para a avenida modelos vestidos de santos católicos em situações homoeróticas. O pastor disse então na TV: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprenderem. É uma vergonha!”
Qualquer um que atentasse para o contexto de sua fala perceberia que ele se refira a ações na Justiça. Até porque a igreja não tem porrete nem ameaça ninguém. Mesmo assim, ONGs, Ministério Público e Jean Wyllys se mobilizaram para punir Malafaia. Sabem qual era a acusação? Incitar a violência contra os gays. Perderam, é claro!
Quando Lula, no entanto, convoca o MST apôr na rua o seu exército, Wyllys não vê nada demais. Nem ele nem Érika Kokay (DF), uma das petistas da comissão. Segundo a deputada, tratava-se de uma metáfora.
É mesmo? No dia 5 de março, duas semanas depois da fala de Lula, um destacamento de mulheres do “exército” de Stédile invadiu uma unidade de pesquisa em Itapetininga, onde a FuturaGene e a Suzano Celulose desenvolvem uma espécie geneticamente modificada de eucalipto. Destruíram as mudas e jogaram no lixo mais de 10 anos de pesquisa. O prédio foi pichado, e os funcionários, feitos reféns. Ninguém nem sequer foi preso.
Metáforas não invadem laboratório e destroem pesquisa. Metáforas não invadem propriedade alheia. Metáforas não impedem o direito de ir e vir. Metáforas, no máximo, seduzem subintelectuais do miolo mole, que gostam de planejar a revolução no conforto de seus lares, certos de que o lombo que vai ser posto em risco é o alheio.
Não custa lembrar: naquele dia 24, à porta da ABI, uma tropa de choque de militantes da CUT e do PT — alguns com porte de milicianos — desceu porrada em pessoas comuns, que protestavam contra a roubalheira. Como se noticiou, era um grupo de 300 “soldados” de Lula e Stédile contra 15 manifestantes.
A dupla têm de se explicar, sim. Mas duvido que compareça, já que não é obrigatório. As ameaças estão no ar e se adensam. Nas redes sociais, nos “protestos a favor” do dia 13, nos bloqueios frequentemente promovidos Brasil afora por MST e MTST, fica sempre no ar a ameaça: “Se impicharem Dilma, vamos pra briga”. Ora, Dilma só será impichada se for pela lei. Logo, os soldados do senhor Stédile e assemelhados podem não gostar e protestar, mas vão ter de enfiar a viola no saco.
A menos que a opção seja a guerra civil. Como os que se opõem a essa gente não têm armas, pergunto: a) o outro lado tem?; b) vai ser um confronto da base do soco e da pernada?
Quem pede que se convoque um exército de militantes está fazendo, é evidente, uma ameaça à democracia. Para arrematar: se professores petistas do Complexo Pucusp convocarem o seu “exército” em favor do governo, sei que se trata de uma metáfora. Até porque o mal maior que essa gente pode fazer ao país será produzir algum texto ou externar algum pensamento. Já o sr. Stédile e assemelhados dispõem mesmo de soldados, a exemplo daqueles que invadiram um laboratório, produzindo violência e obscurantismo. Por Reinaldo Azevedo

SARTORI MOSTRA EM NÚMEROS QUE HERANÇA MALDITA DE TARSO GENRO, PT, INVIABILIZOU O GOVERNO DO RIO GRANDE DO SUL

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB) responsabilizou diretamente o governador Tarso Genro pela crise das finanças públicas do Estado, ao explicar esta manhã porque mandou cortar 20% dos orçamentos de todas as secretarias e efetuar um duro contingenciamento de R$ 1 bilhão nos gastos públicos deste ano. O secretário da Fazenda, Giovani Feltes, elencou 13 motivos para a crise financeira do Rio Grande do Sul. A apresentação dos dados das finanças do Estado pelo governador José Ivo Sartori (PMDB) resultou em um corte de R$ 1,037 bilhão no orçamento das secretarias. Durante uma hora, na manhã desta quinta-feira, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, expôs números que mostram o esgotamento das fontes de financiamento do déficit por parte da administração anterior.  Feltes não poupou o governo anterior. Repetiu que o déficit previsto para 2015 é de R$ 5,4 bilhões e disse que a administração do peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso gastou R$ 663 milhões sem autorização. O valor corresponde a dinheiro de investimentos que foi gasto com custeio. Além disso, o Piratini afirma que o petista Tarso Genro sacou R$ 11,8 bilhões do caixa único e deixou um passivo de R$ 8 bilhões com precatórios. Disse o secretário da Fazenda: "Não queremos olhar para o retrovisor. Todos somos culpados". O secretário apresentou um detalhamento de dados sobre o funcionalismo, incluindo a informação de que serão gastos R$ 4 bilhões com aumentos salariais concedidos a servidores da segurança pública até 2019. Segundo o estudo da Fazenda, o Estado tem, hoje, mais aposentados do que servidores ativos. As diretrizes de enfrentamento da crise também foram expostas. A maioria diz respeito a corte de gastos e busca de apoio com o governo federal.

RENATO DUQUE FICA ASSUSTADO COM AMEAÇA DE PERONDI, QUE QUER CONVOCAR MULHER DO EX-DIRETOR

Até o momento em que o deputado gaúcho Darcisio Perondi propôs chamar a própria mulher para depor, o ex-diretor da área de Serviços, Renato Duque, permanecia impassível na sua recusa de responder a perguntas na reunião desta manhã na CPI da Petrobrás. A pergunta de Perondi tinha a ver com a informação veiculada por Veja, segundo a qual a mulher do diretor tinha procurado Lula por ocasião da primeira prisão de Duque, quando teria ameaçado contar tudo, caso o ex-presidente não tratasse de livrar o marido. Lula, então, teria pedido ao ministro Teori Zavascki que mandasse soltar o ex-diretor, o que aconteceu. O deputado do PMDB disse que quer mesmo ouvir a mulher, porque se ela disse para Lula que iria contar tudo é porque ela sabe tudo e deve falar na CPI. Renato Duque ficou assustado com a possibilidade e pela primeira vez a boca: "Minha mulher não pediu nada e não tem nada a ver com isto". Renato Duque chegou a se confundir quando se referiu ao deputado Perondi, porque pensou que estava falando com outro deputado gaúcho, Onyx Lorenzoni. No caso de Paulo Costa, o ex-diretor só falou depois que a Polícia Federal ameaçou prender as filhas, a mulher e o genro dele, já que todos buscaram queimar pistas, logo depois da sua primeira prisão. Em outra fala na CPI, Renato Duque disse que nunca viu o doleiro Youssef.

Sócio da Engevix admite que empresa pagou propina de R$ 10 milhões: “Foi extorsão”

Por David Friedlander, na Folha:

O empresário Cristiano Kok, presidente do conselho de administração da empreiteira Engevix, admite que pagou cerca de R$ 10 milhões em propina para o doleiro Alberto Youssef e diz ter feito isso para receber pelas obras que fazia para a Petrobras. “Os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras. Foi extorsão”, disse Kok, 69, em entrevista à Folha. “Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso.” Acusada de participar do esquema de corrupção descoberto na Petrobras pela Operação Lava Jato, a Engevix está sendo processada por improbidade administrativa. O Ministério Público pede indenização de R$ 538 milhões pelos supostos delitos. Entre os executivos processados, está um dos sócios da empreiteira, Gerson Almada, preso há mais de 120 dias. Empreiteira de tradição no setor, a Engevix hoje corre o risco de quebrar. Com várias empresas do grupo à venda para pagar dívidas, Kok conta que passou a rezar para pedir ajuda divina. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Folha – Ao todo, quanto vocês pagaram de propina nos contratos da Petrobras?
Cristiano Kok
 - Foram R$ 6 milhões a R$ 7 milhões num contrato de R$ 700 milhões da refinaria Abreu e Lima, e mais uns R$ 3 milhões na refinaria de Cubatão. Pagamos em prestações mensais para três empresas do Alberto Youssef, como se fosse prestação de serviços. Quando começou a Lava Jato, ficamos sem dinheiro e paramos tudo. Só que Youssef tinha duplicatas assinadas por nós e as descontou no banco. O banco veio atrás e tivemos que pagar para não ficar com o nome sujo.
Para quem ia o dinheiro?Não sei. José Janene [ex-deputado do PP] indicou o Youssef e ele dizia: ‘Paga isso aqui, paga aquilo ali’. Não sei para onde o dinheiro ia e só soube que as empresas eram do Youssef muito depois.
O sr. não desconfiava que o dinheiro era para políticos?Como a indicação do Youssef foi política, evidentemente ele falava em nome do partido [PP]. Mas para quem ele mandou dinheiro eu não sei.
A propina era para ganhar contratos na Petrobras?Era para não ser prejudicado nos pagamentos de aditivos [aos contratos] e das medições da obra. Os contratos a gente ganhou por licitação. Mas, para receber em dia, e ter as medições aprovadas, tem que pagar comissão, taxa de facilitação, propina, chame do que você quiser. Você começa a obra, monta equipe, se instala, sua um pouquinho e aí começam a aparecer as dificuldades para receber. Era chantagem mesmo. Extorsão.
E as outras empresas, pagavam para ganhar obras?Não sei dizer a razão delas. Cada caso é um caso.
O sr. tem um sócio na cadeia há mais de 120 dias, está com o nome sujo e precisa vender quase tudo para pagar dívidas. O que passa pela sua cabeça?Minha resposta imediata seria dizer que foi tudo um absurdo, não devia ter participado. Mas era fazer isso ou ficar sem serviço. As empresas cometeram erros e estão pagando um preço altíssimo por um processo de extorsão. Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso. Você sai do mercado, seu contrato é cancelado, vão comer teu fígado.
O governo diz que a Petrobras foi vítima de…Foi vítima de má gestão. Os políticos aparelharam essa máquina com gestores incompetentes, para obter vantagens pessoais ou para seus partidos. A versão que tem sido divulgada é que a Petrobras foi assaltada por um bando de empreiteiras. A verdade é que os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras.
O Ministério Público afirma que as doações de campanha também são pagamento de propina, só que disfarçado.Nunca pagamos doação de campanha para ganhar contratos ou fazer obras. Na última semana de campanha, por exemplo, o tesoureiro da Dilma [Edinho Silva] saiu pedindo dinheiro para todos, e contribuímos com R$ 3 milhões. Tudo registrado. Agora, evidentemente, quando você apoia um partido ou um candidato, no futuro eles vão procurar ajudá-lo de alguma forma, não tenha dúvida. É política de boa vizinhança.
(…)
Vocês combinavam a divisão das obras entre as empresas?Eu não participei disso. Mas havia, digamos assim, uma certa organização para que uma empresa que já estava trabalhando numa determinada refinaria continuasse lá, porque não tem sentido trocar por outra. A Petrobras poderia fazer isso, mas deixava para o mercado.
Isso não é cartel?Num cartel, um grupo de empresas se organiza para combinar os preços do mercado. No caso da Petrobras, ela é a única compradora, ela estabelece preço e ela escolhe quem participa. Não há a menor chance de entrar numa obra se ela não quiser.
O contrato da Engevix com o ex-ministro José Dirceu também era para pagar propina?Nunca foi propina. Dirceu foi contratado pelo relacionamento que tinha no Peru, em Cuba e na África. Tínhamos interesse nesses mercados, mas não houve resultados. O contrato era em torno de R$ 1 milhão, não sei exatamente. Fizemos outro contrato com o Paulo Roberto Costa depois que ele saiu da Petrobras. Eram R$ 30 mil por mês, para consultoria.
Quem é Milton Pascowitch, que seu sócio Gerson Almada citou em depoimento como uma ponte com o PT?Milton atua conosco há mais de 15 anos. Tem um relacionamento forte com o PT e disse para o Gerson que podia ajudar no relacionamento com o partido. Foram feitos contratos com ele para fazer esse relacionamento. Era uma relação de lobby, nunca para pagamento de propina. (…)

Os delírios ditatoriais do bolivariano Rui Falcão. Ou: Congresso vai convocar a Secom a explicar a explicitação de crimes contida em documento?

Um dia depois de ter vindo a público o documento aloprado da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), que admite usar pistoleiros da Internet, que chama “soldados”, para “disparar munição” do governo, ficamos sabendo que Rui Falcão, presidente do PT, quer que o Planalto corte verba de publicidade oficial das emissoras que “apoiaram” ou “convocaram” a manifestação de protesto do dia 15.

Nota: ninguém nem apoiou nem convocou. Veículos de comunicação noticiaram a convocação e cobriram o evento, como fizeram com o “protesto a favor” do dia 13, organizado pela CUT, pelo PT e por partidos e entidades de esquerda.

E daí? Rui Falcão não está tentando ser justo. Ele está sendo apenas petista. Isso quer dizer o seguinte: se eles estão no governo e se a verba de publicidade existe, então esse dinheiro pertence ao PT e pode ser usado para punir os que considera adversários e beneficiar os amigos.

Vejam que curioso. No fim das contas, o que é o petrolão senão rigorosamente isto: a apropriação do que é público por entes privados, em nome de uma causa? Sim, claro!, havia os que roubavam apenas em nome do próprio enriquecimento. Mas só um rematado canalha faria uma distinção moral entre os dois ladrões, não é?, o que rouba para si e o que rouba para financiar uma suposta utopia.

A propósito e antes que continue com Falcão: o Congresso brasileiro estará se desmoralizando se não chamar o titular da Secom — Thomas Traumann ou quem estiver no seu lugar — para se explicar. Qual é a relação entre o governo federal e os ditos “blogs progressistas”, também chamados de blogs sujos? Quanto isso custa por mês? Que tipo de “munição” o governo federal fornece a eles? Os ataques sistemáticos que fazem a membros do Supremo, órgãos de imprensa, jornalistas, políticos de oposição e também da base — especialmente os do PMDB — estão n0 preço? Parece que sim, não é?

Que critério o governo emprega para distribuir essa verba? Número de acessos? Alinhamento ideológico? Simpatia pessoal? Outro ainda mais inconfessável? E que se lembre: a Secom defendia no texto outros procedimentos ilegais, como usar a estrutura de comunicação estatal para o proselitismo pró-governo e empregar verba oficial para elevar a popularidade do prefeito Fernando Haddad.

Quanto a Falcão, dizer o quê? Quando esses caras são acusados de tentações bolivarianas, reclamam. E logo surge algum bobalhão da academia ou alguma Poliana lesada da imprensa para marcar as diferenças. Ora, claro que há diferenças. Mas, como fica evidente, o petismo só não involui para o bolivarianismo porque as instituições brasileiras não permitem, não porque os companheiros não queiram. Eles querem. O uso que fazem da verba pública para beneficiar apaniguados é a prova mais evidente dessa tentação.

Que fique claro! O que está no documento da Secom é, entendo, a admissão de práticas criminosas, que Rui Falcão pretende ampliar. Qualquer critério de distribuição de verba oficial de publicidade que não leve em conta a eficiência do veículo na comunicação com o público — refiro-me a número de telespectadores, leitores, internautas, ouvintes etc. — é uma fraude e é pratica similar ao roubo.

O dinheiro pertence à sociedade, não aos governantes. E é essa sociedade que decide, no que respeita à publicidade, quem é e quem não é relevante. Se o PT quer pagar os blogs sujos, que o faça com o seu dinheiro, não com o da população. Se o PT quer a simpatia de emissoras de televisão, que compre lá um horário, em vez de empregar a verba de publicidade, que é disciplinada pela Constituição e pelas leis.

Um governo chega, às vezes, ao grau zero da articulação. Foi o que se viu nesta quarta-feira com o espetáculo patético protagonizado por Cid Gomes (PROS), em boa hora já ex-ministro da Educação. Numa palestra, o homem disse haver 300 achacadores no Congresso. Ainda que houvesse 400, na democracia, quando um ministro de estado diz algo assim, está obrigado a dar os nomes. Obviamente não tenho a menor simpatia por um ataque ao Legislativo bucéfalo como esse. Ele me remete aos “300 picaretas” que Lula dizia existirem no Parlamento brasileiro em 1993. Ganhou até uma música de um grupo de rock. Vinte e dois anos depois, o PT está no 13º ano de poder e já tem nas costas o mensalão e o petrolão.

Ademais, quem é Cid para falar? Não ocupava a pasta em razão de alguma especial inclinação para a área. Estava lá em razão de um acordo político. O ministério lhe foi dado para beneficiar o tal PROS, um partido surgido do nada — do troca-troca indecoroso que a legislação permite —, com o único propósito de participar dos despojos da balcanização que toma conta da política brasileira. O Cid que foi demitido nunca deveria ter sido convidado.

É evidente que o homem deveria se desculpar. Em vez disso, resolveu ter um chilique e enfiar o dedo na cara do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de quem ele tem o direito de não gostar. Mas deve respeito à função institucional do outro, ora essa! Daqui do meu conservadorismo, pouco me importam disposições subjetivas e esferas de opinião. A instituição tem de ser preservada. O fato de haver um pedido de inquérito para investigar Cunha não dá a um ministro de estado o direito se portar como um vândalo.

E aconteceu, então, o inédito. Tão logo Cid deixou o Congresso, com uma claque importada do Ceará a acompanhá-lo, Cunha foi ao Palácio do Planalto e voltou com o anúncio: o homem tinha sido demitido. Na verdade, ele sabia que já chegara com o emprego por um fio. Mas sabem como é… Os Gomes, do Principado de Sobral, nunca se dobram nem — ou muito especialmente — às regras do decoro.

Nunca se tinha visto nada parecido. Dilma ficou, obviamente, sem opção. O PMDB avisou: se Cid Gomes ficasse no cargo, o partido abandonaria o barco do governo. É evidente que Dilma não precisava de mais essa crise. Cid sai em meio à lambança no Fies, o programa que financia o terceiro grau em instituições privadas, que alcança agora cifras estratosféricas.

Foi um espetáculo patético. Cid foi demitido, na prática, por Cunha — e muito bem demitido, diga-se. Saiu de lá em seu próprio carro, aplaudido por aqueles que havia levado para aplaudi-lo. O Brasil é um país valente. É impressionante que sobreviva. Por Reinaldo Azevedo

“Fiz vários depósitos para Fernando Collor”, disse Youssef

Em delação premiada complementar, feita em fevereiro deste ano, o doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, afirmou ao Ministério Público Federal que entregou diversas vezes dinheiro para o senador e ex-presidente (1990/1992) Fernando Collor (PTB-AL). A delação, dividida em vários depoimentos, foi gravada em vídeo. O arquivo com as imagens de Youssef depondo foi incluído nos autos da Lava Jato.

VEJA A PARTE DO DEPOIMENTO DE YOUSSEF QUE CITA COLLOR


O senador e ex-presidente Fernando Collor nega ‘qualquer relação’ com Youssef. O doleiro disse que funcionários seus entregaram quantias em espécie na casa do parlamentar em Alagoas e em um apartamento em São Paulo. Segundo Youssef, um emissário de Collor teria ido a seu escritório receber dinheiro. O ex-presidente é investigado pelo Supremo Tribunal Federal. “Eu fiz vários depósitos para o Fernando Collor e isso já faz algum tempo. Creio que 2010, 2011, não me lembro. Não sei precisar a data”, disse Youssef. “Não sei especificar exatamente os valores. Mas teve vez que foi R$ 200 mil, R$ 300 mil. Sempre mais ou menos nesses valores". O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta “indícios veementes” de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Collor. Ele pediu que o senador seja ouvido para que “apresente sua versão sobre os fatos”. Na petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, em que pede investigação sobre o envolvimento de Collor com o doleiro Alberto Youssef, o chefe do Ministério Público apontou a existência de comprovantes de depósitos bancários apreendidos com o doleiro.


Youssef afirmou que um emissário seu foi a Alagoas ‘umas 4 ou 5 vezes’ entregar dinheiro a Collor e que um emissário do senador foi a seu escritório buscar dinheiro ‘umas 4 ou 5 vezes ou mais’. O doleiro disse que nunca teve contato diretamente com o parlamentar, apenas com o funcionário dele. Segundo ele, um ex-ministro de Collor, que chama de PP, pediu para que desse dinheiro ao senador. Youssef afirma que o ex-ministro foi seu cliente de 2008 até sua prisão (em março de 2014) e tinha uma conta com ele. O doleiro está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, base das investigações da Lava Jato. “O meu relacionamento com o Collor nessa questão de valores sempre foi por intermédio do PP. Nunca teve outra pessoa que tivesse pedido pra eu entregar alguma coisa ao Collor”, disse. “(PP) tinha conta corrente comigo e pediu que eu fizesse um depósito nessa conta, que era do Fernando Collor. Como também pediu que eu entregasse dinheiro em espécie na casa do Fernando Collor”, afirmou. Youssef falou ainda que ‘neste meio de políticos que eu frequentava, se dizia que o Collor tinha uma diretoria na BR”. “Qual diretoria era e qual diretor indicado por ele eu não posso dizer, porque eu não sei.”

Passaporte do bandido petista mensaleiro José Dirceu revela viagens a paraíso fiscal

A defesa do ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu entregou à Polícia Federal cópia de seu passaporte que mostra que ele fez 108 viagens a 28 países. Os destinos mais frequentes foram Venezuela e Portugal, com 16 viagens para cada. Na sequência estão Estados Unidos (14 vezes) e o paraíso fiscal do Panamá (8). A maior parte dos deslocamentos ocorreu quando José Dirceu já havia deixado a Casa Civil do governo Lula. O passaporte foi entregue pelos advogados do ex-ministro para comprovar que os serviços contratados pelas empreiteiras Galvão Engenharia, OAS e UTC Engenharia – sob suspeita de integrarem cartel na Petrobrás – “foram prestados regularmente pela empresa JD – Assessoria e Consultoria, principalmente em relação àqueles prestados no âmbito internacional”.


A JD Assessoria e Consultoria é do ex-ministro e de um irmão dele. A força-tarefa que investiga esquema de corrupção na Petrobrás suspeita que José Dirceu fazia lobby para o cartel de empreiteiras que se instalou na estatal petrolífera para assumir o controle de contratos bilionários. O lobby seria disfarçado em contratos de consultorias que nunca existiram. Por meio dessa empresa, segundo suspeitam os investigadores da Operação Lava Jato, José Dirceu teria recebido valores ilícitos desviados da Petrobrás. Em 2008, José Dirceu abriu uma filial da JD Assessoria e Consultoria Ltda no Panamá. Muitos dos alvos da Lava Jato, como os delatores Pedro Barusco (ex-gerente de Engenharia da Diretoria de Serviços da Petrobrás), Julio Camargo (lobista de empreiteira) , o doleiro Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás) tinham offshores no Panamá para movimentar contas fora do Brasil. Na terça feira, 17, o empreiteiro Gérson de Mello Almada, vice presidente da Engevix Engenharia – preso desde 14 de novembro de 2014 – afirmou à Justiça Federal que foi procurado por José Dirceu. O ex-ministro, segundo ele, lhe ofereceu serviços de lobby em Cuba, no México, no Peru e na África. Almada afirmou que José Dirceu “tinha ótimo relacionamento, abrir as portas, mas não resolvia”. Ele disse que fez duas doações para a campanha de Zeca Dirceu (PT/PR), filho do ex-ministro. A defesa do ex-ministro informou que a JD Assessoria e Consultoria, sediada em São Paulo, atua desde 2006 “assessorando empresas brasileiras e estrangeiras, sobretudo no mercado externo”. Em 9 anos de atuação, segundo a defesa, a JD Assessoria prestou serviços a mais de 50 empresas no universo de quase 20 setores da economia, como comércio exterior, comunicação, telecomunicações, logística, tecnologia cia informação, construção civil, além de vários ramos da indústria, como a de bebidas, de bens de consumo, farmacêutico e insumos elétricos.