quinta-feira, 5 de março de 2015

Procuradoria Geral da República pede abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal contra oito senadores

Os nomes dos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Collor (PTB-AL) estão na lista de pedidos de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal, encaminhada na noite de terça-feira pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Parte deles já vem dando explicações nos últimos dias sobre a possibilidade de estar na lista, inclusive com a contratação de advogados. A lista de senadores na ativa incluiria ainda Ciro Nogueira (PP-PI), que já afirmou que renuncia ao mandato caso se comprove o recebimento de propina a partir dos desvios da Petrobras. O senador disse também que já irá contratar advogado para fazer a sua defesa. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também foi avisado de que está na lista, junto com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com Renan, o número de senadores incluídos no pedido de abertura de inquéritos no STF totaliza oito, ou seja, 10% dos 81 parlamentares que constituem o Senado Federal. Na expectativa de confirmar se está ou não na lista dos que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal, Lindbergh Farias, o "Lindinho", defendeu a necessidade de separar o que é fruto de corrupção e o que foi doação legal de campanha. "Continuo na expectativa de não ter meu nome nessa lista. Uma coisa é corrupção e quem fez isso tem de pagar. Outra coisa é doação legal. É preciso separar o joio do trigo", afirmou o senador. Apesar de o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), negar qualquer possibilidade de envolvimento com os desvios de dinheiro da Petrobras, a Procuradoria Geral da República (PGR) já decidiu que vai pedir abertura de inquéritos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra ele. O entendimento é de que há elementos suficientes para os pedidos das investigações – os procuradores envolvidos descartam solicitar o arquivamento das citações. A avaliação dos procuradores é a mesma envolvendo o caso do governador do Acre, Tião Viana (PT). A exemplo do que foi feito em relação aos políticos com foro junto ao Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República não vai oferecer uma denúncia direta contra os dois. O instrumento será o mesmo usado para as 54 pessoas listadas nas 28 solicitações ao Supremo Tribunal Federal: o pedido de abertura de inquérito.

LISTÃO DO PETROLÃO ENVIADO AO STF INCLUI 45 PARLAMENTARES


A procuradoria-geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra cerca de 45 parlamentares com mandato. Na última quarta-feira, a Procuradoria Geral da República enviou ao Supremo 28 pedidos de abertura de inquérito envolvendo 54 investigados com ou sem foro privilegiado. Esse último caso pode abranger tanto parlamentares sem mandato quanto pessoas sem prerrogativa de foro que tiveram atuação próxima aos políticos no suposto esquema de corrupção na Petrobrás. Juntamente com os pedidos de abertura de inquérito, Janot solicitou ao Supremo o cumprimento de ao menos quatro mandados de busca e apreensão, quebras de sigilos telefônico e bancário. O sigilo telefônico poderia confirmar não o teor, mas que houve conversas entre os investigados, uma vez que o pedido será para ter acesso ao extrato da conta telefônica. Na lista de pedido de abertura de inquérito o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os senadores Lindhberg Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Collor (PTB-AL). A PGR pediu ainda o arquivamento do ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, descartou pedir investigação da presidente Dilma Rousseff, que teve o nome citado pelo doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do esquema, por considerar que a menção a petista é anterior ao mandato de presidente. Aos procuradores, os delatores da Operação Lava Jato citaram o envolvimento de parlamentares do PT, PMDB, PP, PSDB e PSB. Os nomes das pessoas que aparecem na lista não foram divulgados pelo STF, em razão de o caso estar sob sigilo de Justiça. Na relação há políticos com mandato, sem mandato e pessoas que, por estarem ligadas diretamente aos casos que envolvem políticos, acabaram incluídas nos pedidos de inquérito. O ministro do Supremo Teori Zavascki, relator das ações relativas à Operação Lava Jato, deve decidir pela divulgação dos nomes nesta sexta-feira, 6. Conforme pessoas envolvidas nas investigações, a lista de cerca de 45 parlamentares pode crescer com o avanço das investigações e de novas delações que estão sendo colhidas no âmbito da Lava Jato.

RECEITA INVESTIGA SONEGAÇÃO DE 57 ENVOLVIDOS NA LAVA JATO


A Receita Federal incluiu no Plano Anual de Fiscalização para 2015 as investigações de contribuintes envolvidos na Operação Lava Jato. O secretário de Fiscalização da Receita Federal, Iágaro Jung Martins, informou que já estão em andamento ações contra 57 contribuintes pessoas físicas e jurídicas para tentar identificar crime de sonegação fiscal. "A chance desses contribuintes terminarem o processo com auto de infração é de 91%", afirmou. Interessante, por que não é de 99%? Além disso, outros 265 contribuintes (130 pessoas físicas e 135 pessoas jurídicas) estão em análise e podem ter um procedimento de fiscalização aberto. Segundo ele, nos casos em que outros crimes forem identificados, como evasão de divisas e lavagem de dinheiro, a Receita Federal encaminhará para o Ministério Público Federal para que possa ser aberta uma ação penal. Iágaro Jung Martins explicou que, em caso de contribuintes sem foro privilegiado, as informações são encaminhas para o Ministério Público Federal em Curitiba, responsável pela investigação da Lava Jato. Mas nos casos de contribuintes com foro privilegiado, os dados serão enviados à Procuradoria Geral da República, em Brasília.

Receita Federal cria malha fina para pequenas empresas, governo petralha resolve arrochar os pobres


A Receita Federal anunciou nesta quinta-feira, 5, a criação da malha fina para pessoa jurídica que terá como foco as pequenas e médias empresas. O secretário de Fiscalização da Receita Federal, Iágaro Jung Martins, informou que 26 mil empresas receberam um comunicado da Receita no último dia 23 de fevereiro alertando que foram encontradas incoerências nas declarações de 2012. As empresas que estão na malha foram orientadas a consultarem no site da Receita (e-Cac) o extrato lançado apontando essas inconsistências. Martins disse que a Receita dará 90 dias para que as empresas avaliem os dados e façam a autorregularização por meio de uma retificação na declaração. Após esse período, as empresas podem sofrer a qualquer momento a fiscalização da Receita Federal. "A vantagem para a Receita é autorregularização por gerar uma arrecadação espontânea. Para o contribuinte, a vantagem é que havendo a autorregularização não há pagamento de multa que vai de 75% a 225% sobre o valor sonegado", disse. "Queremos uma relação de transparência com a pessoa jurídica, principalmente as pequenas e médias", afirmou. A Receita calcula que os créditos lançados podem somar R$ 7,2 bilhões. Martins garante que a oportunidade de autorregularização não significa um afrouxamento na fiscalização. "Não significa que a fiscalização da Receita virou gatinho", afirmou. Não, significa que agora ela é uma alcatéia inteira.

STJ NEGA NOVO PEDIDO DE LIBERDADE PARA O EMPREITEIRO PROPINEIRO RICARDO PESSOA, O CHEFE DO CLUBE DO BILHÃO


O Superior Tribunal de Justiça negou nesta quinta-feira mais um pedido de habeas corpus da defesa do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, dentro do processo da operação Lava Jato. A defesa pediu que Pessoa fosse posto em liberdade, mas por unanimidade, os cinco ministros da Turma que analisou a solicitação seguiram o relator, ministro Newton Trisotto, e negaram o pedido. O argumento do STJ é a dimensão do delito e o fato de Pessoa ser acusado pelo Ministério Público Federal de coordenar o cartel de empreiteiras que conquistariam obras na Petrobras mediante pagamento de propina. Pessoa estaria negociando com o Ministério Público Federal realizar uma delação premiada. Pessoa está preso desde novembro na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Esta não foi a primeira vez que os advogados de Pessoa tentaram libertar o empreiteiro da prisão, sem sucesso.

DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF PEDE PERDÃO JUDICIAL


Um dos principais delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef pediu à Justiça Federal no Paraná o perdão judicial em uma das 11 ações penais na qual é acusado de lavar R$ 1,16 milhão do ex-deputado José Janene, (PP-PR), que morreu em 2010, no esquema do Mensalão do PT. O pedido foi feito nas alegações finais da ação, prestes a ter uma sentença do juiz Sérgio Moro. No documento assinado pelo advogado Antonio Figueiredo Basto e sua equipe, responsável pela defesa do doleiro, os defensores pedem que a denúncia seja julgada improcedente e, caso o juiz não tenha esse entendimento, que seja concedido o perdão judicial ao doleiro. "Haja vista sua colaboração ser efetiva com resultados relevantes para a elucidação dos fatos nesta e em outras ações penais", assinala o texto. Caberá ao juiz Sérgio Moro, ao dar a sentença, decidir se acolhe ou não o pedido da defesa do doleiro. Youssef decidiu colaborar com a Justiça após ser preso na Lava Jato e ser denunciado pelo Ministério Público Federal em diversas ações penais que lhe deixaram na iminência de pegar uma condenação superior a 50 anos de prisão. Em seus depoimentos, que ajudaram a embasar os pedidos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de abrir inquéritos para investigar 54 pessoas no Supremo Tribunal Federal, o doleiro chegou a citar os nomes da presidente Dilma Rousseff e do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves. Janot decidiu pedir o arquivamento dos inquéritos contra os dois. Além de Youssef, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que também colaborou com a Justiça, pediu perdão judicial em outra ação da Lava Jato na Justiça Federal. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, neste episódio Youssef é acusado de liderar uma quadrilha que lavou R$ 1,16 milhão recebido por Janene no escândalo do Mensalão do PT e investido na empresa Dunel Indústria, no Paraná. Em uma de suas audiências na Justiça Federal, o próprio doleiro admitiu que mantinha uma conta corrente conjunta com o ex-deputado José Janene, que foi o responsável pela indicação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da estatal petrolífera, em 2004. Youssef declarou que, por orientação de Janene, repassava valores a "agentes públicos" e usava para isso um segundo doleiro, Carlos Habib Carter, dono do Posto da Torre, em Brasília, para entregar os valores. Ele disse que parte do dinheiro vinha do caixa de construtoras. Atualmente, o doleiro está preso em caráter preventivo e poderá ficar no máximo cinco anos preso como parte das 23 cláusulas de seu acordo firmado com o Ministério Público Federal, que prevê ainda que ele devolva suas propriedades e participações que possui em empresas. Além disso, caso sua condenação nas ações penais nas quais já é réu ou nas que ainda possam surgir contra ele somem 30 anos de prisão, todos os processos e inquéritos policiais que ainda tramitarem contra ele serão suspensos por um período de dez anos.

Avisado de que está na lista de Janot, o petista Lindbergh, ex-cara pintada, hoje parceirinho de Collor, diz que "vai para cima"

Avisado de que a Procuradoria-Geral da República teria pedido a abertura de inquérito contra ele na Operação Lava Jato, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta quinta-feira (5) que "vai para cima" para tentar provar sua inocência. O petista foi citado em depoimentos por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras que está preso e atuou em sua campanha ao governo do Rio em 2014. O ex-cara pintada é hoje um vulgar "companheirinho de Collor" no Petrolão. "Vou para cima. Vou me defender e fazer o embate político", disse Lindbergh: "Uma coisa é corrupção, outra é doação legal de campanha. Não pode misturar tudo num balaio só". Esse é o "Lindinho". "Não fui avisado oficialmente de nada, mas estou muito tranquilo. Quem está envolvido com corrupção tem que pagar", acrescentou o senador. Em 2014, as três maiores doações que Lindbergh declarou à Justiça Eleitoral foram feitas por empreiteiras envolvidas na Lava Jato: UTC, Queiroz Galvão e OAS. O petista nega relação entre as contribuições e o esquema de corrupção na Petrobras. Ele afirma que Paulo Roberto Costa só atuou em sua campanha como consultor do programa de governo para gás e petróleo. "Ele parecia o melhor cara da área. Dizia que o Rio de Janeiro poderia virar a Houston brasileira. Fizemos três reuniões e depois fiquei surpreso quando ele foi preso. Eu não sabia de nada", afirmou Lindbergh. Como são ingênuos esses petistas, não é mesmo?!!!!
 

Adriano leva 18 garotas de programa para motel


Sem perspectivas de voltar aos gramados, o atacante Adriano não se cansa de causar confusão no Rio de Janeiro. Uma semana depois de ter seu carro apreendido em uma blitz da Lei Seca, o jogador de 33 anos realizou uma festa com 18 garotas de programa e um grupo de pagode em um motel no Leblon. Segundo a publicação, Adriano e um famoso grupo musical foram até uma casa de prostituição em Copacabana e recrutaram 18 mulheres para a animada festa. O ex-jogador da seleção brasileira teria levado 60.000 reais em espécie para bancar a farra que varou a madrugada - e a cada 4.000 reais gastos ele fechava a conta e abria outra, como garantia de que pagaria todas as despesas. Adriano está sem time desde que saiu do Atlético Paranaense, em abril de 2014. Ele esteve perto de acertar seu retorno aos gramados no início deste ano, mas a negociação com o Le Havre, da segunda divisão do futebol francês, não teve sequência e o clube desistiu do acerto. Adriano também estaria negociando com o Guaratinguetá, clube da série A2 do Campeonato Paulista e da terceira divisão do Campeonato Brasileiro.

Governo esquerdóide do Distrito Federal exonera chefe do Batalhão de Trânsito que permitiu o "buzinaço" dos caminhoneiros na Esplanada dos Ministérios


O comandante do Batalhão de Trânsito, tenente-coronel Evaldo Soares, deixou o cargo após caminhoneiros que estavam concentrados no estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha fazeram um "buzinaço" na Esplanada dos Ministérios na tarde desta quarta-feira (4). A Polícia Militar diz que ele "colocou à disposição o cargo que ocupava" e que avalia a saída do policial. Um membro do batalhão informou que Soares foi exonerado e negou que ele tenha colocado o cargo à disposição. Segundo o servidor, após os caminhoneiros fazerem a carreata Soares foi chamado pelo comandante-geral da PM, coronel Florisvaldo César, para dar explicações sobre o motivo da liberação do deslocamento dos caminhoneiros. Ainda de acordo com o policial, o comandante-geral afirmou que Soares descumpriu um acordo entre o Governo do Distrito Federal e o governo petista de Dilma Rousseff de que os caminhoneiros não poderiam sair do estacionamento do estádio. O ato fez parte dos protestos iniciados há duas semanas contra a alta do diesel, o valor dos pedágios e a redução do preço do frete, entre outras pautas. Os veículos seguiram em fila indiana pelo Eixo Monumental, com o intuito de sensibilizar a população sobre a causa da categoria. O "caminhonaço" serviu como uma despedida dos trabalhadores, que deixaram a capital federal na noite de quarta-feira. O policial contou que Soares decidiu liberar o deslocamento dos caminhoneiros até o Congresso Nacional porque um grupo de quatro pessoas infiltrado no movimento queria interditar a rua e fazer "baderna". "Ele deixou os caminhoneiros darem uma volta na Esplanada para evitar um problema maior e de lá eles seguiriam viagem. O "buzinaço" em si não estava autorizado, somente o deslocamento até o Congresso", disse: "Os caminhoneiros foram escoltados, ocuparam só uma faixa e não houve nenhum congestionamento ou problema para a sociedade. Tudo foi calculado, o horário, o local. Eles queriam mostrar que estiveram aqui em Brasília". Cerca de 50 caminhões estavam estacionados em frente ao estádio desde a manhã de terça-feira (3) para tentar dialogar com o governo sobre as reivindicações da categoria. Eles chegaram escoltados por equipes do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar. O primeiro deles tocava o hino nacional e o restante estampava faixas em verde e amarelo. Durante encontro com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o trotskista petista Miguel Rossetto, na tarde de quarta-feira, os caminhoneiros da região Sul do País entregaram a ele uma pauta com sete reivindicações. O primeiro item do documento é o pedido de desoneração do diesel combustível, utilizado pelos veículos de grande porte. "Não falaram nem que sim, nem que não. Vamos ter outra reunião no dia 10. Agora, a gente vai retornar para casa, para o Sul, e retomar o trabalho", diz um dos organizadores da comitiva, o caminhoneiro Fábio Luis Roque. Segundo ele, a redução do preço do diesel é a pauta mais sensível do grupo, sem a qual não pode haver acordo. A categoria também pede um crédito de R$ 50 mil para os caminhoneiros autônomos, com parcelamento em 24 vezes e juros de 2,5% ao ano. Para os financiamentos já contraídos com o BNDES, os trabalhadores querem uma carência de 24 meses para dar início à quitação. O restante da pauta não foi divulgado.

Polícia Federal prende 37 pessoas em operação contra lavagem de dinheiro


A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira 37 pessoas em uma operação para desbaratar um esquema de lavagem de dinheiro em quatro Estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. A Operação Bemol desarticulou uma quadrilha que movimentou pelo menos 600 milhões de reais, segundo as investigações. Foram expedidos 34 mandados de prisão temporária, 25 mandados de condução coercitiva e 68 mandados de busca e apreensão. O bando agia por meio de contas bancárias de 87 empresas de fachada, com o intuito de receber dinheiro de pessoas físicas e jurídicas interessadas em adquirir mercadorias, drogas ilícitas e cigarros vindos do Paraguai. Além de controlar o esquema de lavagem de dinheiro, o grupo criava uma aparência lícita aos recursos financeiros do tráfico e remetê-los de volta ao Paraguai, e também fazia a transferência dos ativos ilícitos para contas bancárias no Brasil - controladas por doleiros paraguaios. "Eles possuíam várias empresas usadas pelo comprador para depositar o dinheiro que deveria chegar ao Paraguai. Quando envolvia pequenas quantias, sacavam em agências bancárias e levavam esse dinheiro fisicamente pela Ponte da Amizade. Quando envolvia quantias maiores, usavam o esquema de "dólar cabo", uma espécie de compensação em que o dinheiro passa de uma mão para outra sem sair do país onde está", explicou o delegado. Segundo a Delegacia de Foz do Iguaçu, ainda não há previsão para o fim das buscas. O nome "Bemol" foi dado à operação devido à semelhança com o caso que comandou a Operação Sustenido - que ocorreu em maio de 2014. Tanto "bemol" como "sustenido" representam uma nota intermediária entre duas outras notas musicais. O papel das organizações criminosas descortinadas pelas Operações Sustenido e Bemol era o de fazer a ligação entre traficantes de droga, "cigarreiros" e empresários brasileiros, com os fornecedores de tais produtos residentes no Paraguai - por isso a analogia com as notas.

Moro autoriza dono da UTC a chamar o ministro petista da Defesa como testemunha


O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância, determinou nesta quinta-feira que agentes públicos arrolados como testemunhas pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, informem as datas que podem prestar depoimento por videoconferência. Preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba e acusado de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro no esquema de corrupção da Petrobras, Ricardo Pessoa requisitou oitivas do ministro da Defesa, Jacques Wagner (PT), e dos deputados federais Arlindo Chinaglia (PT), Paulinho da Força (SDD), Jorge Tadeu Mudalen (DEM) e Jutahy Magalhães Júnior (PSDB). Moro ainda tentou, sem sucesso, que a defesa de Ricardo Pessoa informasse se os agentes públicos tinham informações sobre as acusações contra o empresário. Sem esses esclarecimentos, o juiz decidiu permitir a intimação dos políticos para evitar alegações de cerceamento de defesa. Os depoimentos serão feitos por videoconferência, exceto se algum deles tiver interesse em comparecer pessoalmente a Curitiba. O ex-deputado federal e Secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim (PPS), também vai ser intimado. No mesmo rol de testemunhas foi incluído o ex-ministro das Comunicações, o petista Paulo Bernardo. Ficou acertado com o advogado dele que o ex-ministro será ouvido em videoconferência.

Renan critica Janot e indica que pode rever eleição do Procurador Geral da República


Depois de ter sido avisado de que será investigado por participação no esquema do petrolão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), partiu para o ataque contra o Ministério Público Federal e indicou que a Casa pode discutir uma nova regra para a eleição do procurador-geral da República. Ele disse que o atual procurador-geral, Rodrigo Janot, está em campanha para ser reconduzido ao cargo e defendeu que, a exemplo de outras autoridades, ele se afaste para pedir votos para um novo mandato. Essa é a primeira reação explícita do senador contra o Janot desde o envio de 28 pedidos de abertura de inquérito contra autoridades suspeitas de participação no escândalo do Petrolão do PT. "Nós estamos com o procurador-geral da República em processo de reeleição para a sua recondução ao Ministério Público. Quem sabe se nós, mais adiante, não vamos ter também, a exemplo do que estamos fazendo com as reeleições do Executivo, que regrar esse sistema que o Ministério Público tornou eletivo", disse Renan. O presidente do Senado também criticou o fato de Janot ter pedido abertura de inquérito contra autoridades suspeitas de participar do esquema do petrolão sem ouvir, previamente, cada um dos futuros investigados. "Eu só lamento que o Ministério Público não tenha ouvido as pessoas, como é praxe, para que elas possam se defender. Quando há excesso, quando há pessoas citadas injustamente, a democracia depois corrige tudo isso", afirmou. Renan ainda insinuou que Roberto Gurgel, antecessor de Rodrigo Janot, teria cometido irregularidades em sua recondução ao pagar auxílio-moradia ao MPF e defendeu que essas suspeitas sejam apuradas. "O último procurador-geral da República, no processo de eleição, de uma só vez, às vésperas das eleições, pagou 275 milhões de reais ao Ministério Público de vários anos de ajuda-moradia. É evidente que isso o ajudou no próprio processo de recondução. Isso é um absurdo. Essas coisas precisam ser investigadas", declarou.

Dólar fecha acima de R$ 3,00 pela primeira vez em mais de 10 anos


A moeda americana voltou a subir nesta quinta-feira, dessa vez fechando acima de 3 reais. Esta é a maior cotação de fechamento desde 13 de agosto de 2004, quando fechou a 3,02 reais. O dólar à venda encerrou a sessão valendo 3,01 reais, alta de 1,03%. Na quarta-feira, a moeda americana já havia subido 1,80%, para 2,98 reais. Na máxima da sessão, a divisa chegou a ser cotada a 3,01 reais. Nos últimos quatro dias, o dólar acumulou alta de 5,44%. Para João Augusto de Castro Neves, economista da consultoria Eurasia, continua pesando sobre a moeda americana a conjuntura política e econômica adversa do Brasil. Nesta semana, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recusou-se a colocar em votação a medida provisória 669, que reduz as desonerações sobre a folha de pagamento das empresas. A medida foi anunciada na semana passada pelo governo, como parte da cruzada empreendida pela equipe econômica para elevar a arrecadação de impostos e equilibrar a política fiscal. O episódio envolvendo a negativa de Renan Calheiros aumentou as preocupações do mercado sobre o processo de ajuste fiscal. Os economistas temem que o governo encontre muita resistência na aprovação de medidas mais austeras e isso atrase a melhora da situação das contas públicas. Isso acontece ao mesmo tempo em que representantes da agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) chegam ao Brasil para conversar com autoridades do país sobre a condução da política fiscal. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se encontrou na tarde desta quinta-feira com representantes da agência. Os executivos da S&P também foram ao Palácio do Planalto. Investidores têm demonstrado preocupação com a possibilidade de o ajuste das contas públicas brasileiras não ser tão forte quanto o necessário, em meio a crescentes obstáculos políticos à implementação de cortes de gastos e aumentos de impostos. Segundo analistas, a expectativa de uma política fiscal mais contracionista era o único fator amortecendo a pressão exercida sobre o dólar pela deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros. A inflação deve superar 7% no período mesmo com a provável contração da economia brasileira. A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, que poderia atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em países como o Brasil, também vem elevando as cotações do dólar globalmente. Investidores buscarão mais sinais sobre quando isso de fato acontecerá no relatório de emprego do governo norte-americano, que será divulgado na sexta-feira. O movimento do dólar no Brasil também veio em linha com os mercados externos, onde o mercado europeu puxava uma apreciação generalizada da divisa. A moeda européia reagia à declaração do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, de que o BCE pode estender seu programa de compra de títulos para além de setembro de 2016, "se necessário", injetando mais euros no mercado global. A pressão cambial tem levantado dúvidas sobre o futuro das intervenções do Banco Central no mercado, marcada para durar pelo menos até o fim deste mês.

Sonda da Nasa se aproxima do planeta anão Ceres nesta sexta-feira


A sonda Dawn, da Nasa, vai entrar na órbita do planeta anão Ceres nesta sexta-feira, após mais de sete anos viajando pelo espaço. "Dawn está prestes a fazer história. Nossa equipe está pronta e ansiosa para descobrir o que Ceres nos reserva", disse Robert Mase, diretor de projetos da missão, em comunicado no site da agência espacial americana. A sonda começou a se aproximar do planeta anão em dezembro. Desde 25 de janeiro, ela tem enviado as fotografias de melhor resolução já feitas de Ceres, e a qualidade continua aumentando à medida que a distância diminui. Imagens recentes mostram crateras e pontos brilhantes ainda não desvendados pelos cientistas. Ceres foi identificado pela primeira vez em 1801, pelo astrônomo italiano Giuseppe Piazzi. À medida que mais objetos foram encontrados naquela região do espaço, os corpos celestes passaram a ser categorizados como asteróides. Em 2006, cientistas finalmente classificaram Ceres como planeta anão, ao lado de Plutão e Eris. O planeta anão tem diâmetro de 950 quilômetros e sua massa é composta em 25% por água. Nomeado em homenagem à deusa grega da agricultura, suas crateras receberão nomes de divindades do cultivo e da vegetação da mitologia e de festivais de agricultura. Lançada em setembro de 2007, a sonda Dawn visitou o asteróide Vesta entre 2011 e 2012, capturando imagens detalhadas dele. Vesta e Ceres estão entre Marte e Júpiter, no principal cinturão de asteróides do Sistema Solar. "Os dois objetos estavam no caminho de se tornarem planetas, mas seu desenvolvimento foi interrompido pela gravidade de Júpiter. Por isso eles são como fósseis do nascimento do Sistema Solar e podem trazer informações sobre sua origem", afirma Carol Raymond, pesquisadora da Nasa.

Xuxa assina com Record e alfineta Globo: "Antes eu tinha que pedir permissão"




Após dois anos de negociação, Xuxa finalmente assinou o tão falado contrato com a Rede Record em entrevista coletiva organizada nesta quinta-feira em São Paulo, na sede da emissora. Ao lado do vice-presidente artístico do canal, Marcelo Silva, e sob o olhar atento de mais de 100 pessoas, entre jornalistas, fãs, funcionários e, claro, do namorado, Junno Andrade, a apresentadora falou sobre a nova casa e aproveitou para alfinetar seu último lar, a Rede Globo. "Agora se eu quiser fazer, eu posso. Antes eu tinha que pedir permissão", diz Xuxa: "O que me motivou a mudar de casa foi a vontade de fazer algo novo e o aval que eles me deram. Eles acreditam em mim e me passaram segurança naquilo que tenho projetado". Xuxa fez questão de enfatizar a nova liberdade. "O programa vai ser o que eu sonho. Posso fazer o que eu quero agora. É muito difícil trabalhar em um lugar que você não pode, não pode, não pode. Agora eu posso, eu posso", afirmou a apresentadora. Como previsto, o novo programa será inspirado no talk show apresentado pela americana Ellen DeGeneres. Porém, abrasileirado. Além das entrevistas, a atração terá platéia, brincadeiras, música, notícias e até a ajuda de uma repórter mirim. A dupla prometeu que, ao fim da coletiva, uma reunião aconteceria para sugerir os nomes que farão parte da equipe. Silva sonha que o programa esteja no ar em dois meses, mas Xuxa acha difícil. Ainda não se sabe se a atração será diária ou semanal, gravada ou ao vivo. "Tenho vontade que seja ao vivo. Mas será um desafio que me dá frio na barriga", disse Xuxa. Sobre o tão falado contrato milionário, a apresentadora desconversou: "Eu nunca falei de dinheiro nem contrato, não vai ser agora que vou falar. Mas posso dizer que assinei um bom contrato e que estou muito feliz". 


Com a saída de Sandrão da cadeia, Suzane Von Richthofen volta à cela das solteiras


Suzane Von Richthofen ficou solitária na Penitenciária Feminina de Tremembé (SP) e terá de voltar às celas comuns, destinadas a solteiras. A mudança é motivada pela transferência de sua companheira na cadeia, Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, para uma unidade de regime semiaberto, o Centro de Ressocialização Feminino de São José dos Campos (SP). "Sandrão" recebeu a progressão de regime no último dia 12 de fevereiro e se mudou de presídio nesta quarta-feira. A informação foi confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Com a transferência da namorada, Suzane deixará a ala dos chamados "celões", onde presas casadas cumprem pena juntas. Ela dividia uma cela neste setor com Sandrão e mais dez detentas. Suzane voltará para a área de convivência com outras presas, entre elas Elize Matsunaga, ex-affair de Sandrão, presa por matar, esquartejar e esconder o corpo do então marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, um executivo da empresa Yoki. Suzane poderá pedir novamente transferência para o semiaberto, em uma tentativa de continuar ao lado da mulher. Em agosto do ano passado, ela foi beneficiada com a progressão de regime, mas optou porficar no sistema fechado até que novas vagas abrissem no semiaberto. Também alegou que se sentia "mais segura" no presídio onde já cumpria pena. Dois meses depois, ela casou-se com Sandrão. De acordo com a SAP, com a progressão, Sandrão poderá sair durante o dia para trabalhar e dormir à noite na prisão, ou então trabalhar no próprio centro de ressocialização, que oferece atividades profissionais para as presas. Antes disso, porém, ela terá de passar pelo regime de observação, durante o qual será avaliada para saber se pode mesmo conviver no semiaberto. A companheira de Suzane cumpre pena de 24 anos por sequestro seguido de morte. Suzane von Richthofen pegou 39 anos por ter matado os pais - e já cumpriu doze anos. Sandrão retornou para a mesma unidade prisional de que foi expulsa, em 2010, por agredir um carcereiro. Ela já estava no semiaberto, mas voltou para o regime fechado como punição. O Centro de Ressocialização de São José dos Campos, que recebia presas dos três tipos de regime, agora só recebe presas do semiaberto e há vagas para Suzane von Richthofen, caso ela peça a progressão. A unidade pode abrigar 183 presas, mas atualmente só tem 156 vagas ocupadas.

Janot diz em carta a colegas que a Operação Lava Jato chegou a "momento crucial"

Em carta encaminhada aos membros do Ministério Público Federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, alertou os colegas que a operação Lava Jato chegou a um “momento crucial” com o envio, na última terça-feira (3), dos pedidos de investigação sobre pessoas com foro privilegiado ao Supremo Tribunal Federal. No documento, enviado ontem (4) e tornado público hoje (5), o chefe do Ministério Público Federal pediu que o órgão se mantenha unido, de modo a enfrentar “investidas que busquem diminuir o Ministério Público brasileiro, desnaturar seu trabalho ou desqualificar seus membros”. Na carta, Janot ressaltou que examinou “cuidadosamente” as particularidades apresentadas pelo grupo de trabalho baseado em Brasília e pela força-tarefa sediada em Curitiba. Ressaltou que usou critérios “técnicos e objetivos” ao preparar a peça enviada ao Supremo, com 28 pedidos para investigar 54 pessoas e os sete de arquivamento contra políticos citados. “Não espero unanimidade e não a terei. Desejo e confio, neste momento singular do País, particularmente do Ministério Público brasileiro, que cada um dos meus colegas tenha a certeza de que realizei meu trabalho em direção aos fatos investigados, independentemente dos envolvidos, dos seus matizes partidários ou dos cargos públicos que ocupam ou ocuparam”, acrescentou Janot. O procurador-geral ressaltou que, caso o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo, concorde com o pedido para retirar o sigilo do processo, todo o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público será “esquadrinhado” e “submetido aos mais duros testes de coerência” pela sociedade e pelo que classificou como “parte disfuncional do sistema político”. “Não guardo o dom de prever o futuro, mas tenho experiência bastante para compreender como a parte disfuncional do sistema político comporta-se ao enfrentar atuação vigorosa do Ministério Público no combate à corrupção. Assim ocorrerá, porque é um valor central da democracia e do Princípio Republicano a submissão de qualquer autoridade pública ao crivo dos cidadãos brasileiros”, afirmou Janot. O ministro Teori Zavascki e assessores analisam o material desde a envio dos requerimentos de abertura de inquérito e de arquivamentos propostos pela Procuradoria-Geral da República. É possível que Zavascki anuncie amanhã (6) a decisão de acatar ou não o pedido de Janot para que o processo deixe de ser sigiloso.

Anvisa interdita cautelarmente lotes de medicamento para crises convulsivas

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada hoje (5) no Diário Oficial da União determina a interdição cautelar dos lotes AY0028/2013 (val.: 09/2015) e AY001/2014 (val.: 12/2015) do medicamento Fenitoína 50 mg/ml ampola de 5 ml, produzido pela empresa Hipolabor Farmacêutica Ltda. De acordo com o texto, laudos emitidos pela Fundação Ezequiel Dias apresentaram resultados insatisfatórios nos ensaios de aspecto para ambos os lotes. A resolução entra em vigor hoje e vai valer pelo prazo de 90 dias. Por meio de nota, a Hipolabor Farmacêutica Ltda. informou que a interdição cautelar de lotes de medicamento é um procedimento normal da Anvisa em relação às indústrias farmacêuticas que atuam no Brasil e que a empresa já solicitou uma contraprova e aguarda resultado definitivo: “A suposta reprovação de dois lotes de fenitoína 50mg/ml (injetável) foi apenas no teste de aspecto; todos os outros parâmetros foram aprovados, inclusive o de teor dos princípios ativos, o que garante a eficácia do medicamento. Entre outras razões, tal alteração pode ser causada por armazenagem inadequada". A empresa destacou ainda que o produto em questão é exclusivo para uso hospitalar e não é disponibilizado em farmácias e drogarias.

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, a "alma petista" José Mariano Beltrame, quer mudança na lei para manter criminosos presos


O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, a "alma petista" José Mariano Beltrame, voltou hoje a defender a redução da maioridade penal. Segundo ele, os adolescentes que cometem crimes não ficam presos. Mas o próprio secretário reconheceu que, no Rio de Janeiro, os adultos também não permanecem detidos. “No ano passado, foram feitas em torno de 3 mil prisões de pessoas que já tinham sido detidas naquele mesmo ano e foram soltas. Os policiais são à toda hora demandados a prender duas vezes, investigar duas vezes. Depois de um trabalho de seis, sete ou oito meses, faz a prisão e quando vê, você encontra essa pessoa de novo na rua”, disse o secretário. Beltrame observou que, caso não seja feita uma reforma do Código Processual Penal, a polícia ficará “sozinha”, “enxugando gelo” e “sofrendo com as lacunas da legislação”. O secretário de Segurança deu hoje uma coletiva à imprensa para comentar uma operação contra o tráfico de drogas na região de Niterói e São Gonçalo. Policiais civis, em parceria com o Ministério Público, buscaram cumprir hoje 37 mandados de prisão de acusados de integrar uma organização, e 12 de busca e apreensão de adolescentes, integrantes do grupo.

Poupança registra a pior captação mensal em 20 anos

O Banco Central informou hoje (5) que a captação líquida da poupança ficou negativa em R$ 6,26 bilhões em fevereiro. O resultado é o pior já registrado para um mês desde o início da série histórica do Banco Central, em 1995. O número negativo superou o recorde de janeiro, quando a poupança ficou negativa em R$ 5,528 bilhões, até então o pior resultado da série. A captação negativa significa que as retiradas, que somaram R$ 142,17 bilhões em fevereiro, superaram os depósitos dos poupadores, que ficaram em R$ 135, 9 bilhões no mês passado. O saldo nas contas dos poupadores ficou em R$ 658,19 bilhões. O volume dos rendimentos creditados nas cadernetas dos investidores alcançou R$ 3,677 bilhões. Do saldo das cadernetas de poupança em fevereiro, R$ 518,7 bilhões pertencem ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) e R$ 139,4 bilhões à poupança rural. Pela regra atual, quando a taxa Selic passa de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a Taxa Referencial (TR), tipo de taxa variável. Essa fórmula está em vigor desde agosto do ano passado, quando a Selic foi reajustada para 9% ao ano. Quando os juros básicos da economia estão iguais ou inferiores a 8,5% ao ano, a caderneta rende 70% da taxa Selic mais a TR. A fórmula só vale para o dinheiro depositado na poupança a partir de 4 de maio de 2012. Para os depósitos anteriores, o rendimento segue a regra antiga, de 0,5% ao mês mais a TR. Os demais direitos de quem aplica na caderneta foram mantidos, como a isenção de taxa de administração e de impostos.

Deputado federal Eduardo Cunha diz que a petista Dilma festejou com champanhe a inclusão de seu nome na lista de Janot

O deputado federal Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, vazou ontem para os jornalistas que sua inclusão na lista foi comemorada com champanhe pela presidente petista Dilma e seus auxiliares. A petista Dilma também teria comemorado a exclusão da senadora Gleisi Hoffmann, que aparentemente não foi beneficiada. Na versão contada por Eduardo Cunha, seu nome foi empurrado para dentro da lista pelo ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, que teria feito gestões junto ao procurador-geral. Para que esse enredo fique em pé será necessário que as acusações contra o deputado desmontem logo que forem divulgadas pelo relator do processo no Superior Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki.

Governo do Rio Grande do Sul vai começar a atrasar o pagamento dos salários dos funcionários já a partir deste mês de março


Durante quase um século, a burocracia pública do Rio Grande do Sul achou que a capacidade de pagamento do Estado era infindável. Pois agora está começando a se defrontar com a verdade que já estava escrachada há muitos anos: acabou o dinheiro, não tem mais dinheiro sequer para pagar o funcionalismo. A teta da vaca secou. A crise das finanças públicas finalmente irrompeu com toda sua cara feira. Afinal de contas, qual é o Estado que consegue sobreviver quando, sobre um único funcionário, por exemplo, os pagamentos podem se manter por cerca de quase 150 anos? (para ele, na atividade e na aposentadoria, e depois para seus pensionistas). O governador precisa apenas colocar um teto. Por exemplo, não pagar mais de 4.500 reais para ninguém. Oficiais da Brigada Militar, delegados da Polícia Civil, funcionários da Procuradoria-Geral do Estado, técnicos da Fazenda e até mesmo os secretários de Estado e o governador estarão entre os principais atingidos pela mudança. Professores, policiais militares e servidores do quadro geral devem receber normalmente. Entretanto, é bom verificar bem essa folha, porque tem professoras que ganham mais de 15 mil reais. Em geral, são professoras que nunca deram um dia de aula, nunca estiveram em sala de aula, ou só muito pouco tempo em sala de aula, e que se especializaram em acumular gratificações incorporadas, principalmente as da Assembléia Legislativa. Tirando esses casos, os professores não terão o que reclamar. Os atrasos poderão se repetir mensalmente.  É evidente, ainda mais em um período de recessão econômica, decretada pela incapacidade do governo petista de Dilma Rousseff, a arrecadação do Estado continuará em queda. A medida não atingirá a cúpula e os servidores do Tribunal de Justiça, da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público. Tudo que ficar excedente ao teto de 4.500 reais será pago em três vezes, estuda o governo. 

MESMO QUE OBTENHA MAIS ESPAÇO FISCAL, GOVERNO GAÚCHO NÃO PODERÁ TOMAR NOVOS EMPRÉSTIMOS

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já avisou ao secretário gaúcho da Fazenda, deputado estadual Giovani Feltes, que o governo federal não concederá aval a qualquer novo empréstimo, mesmo que seja regulamentada a lei que repactuou o contrato de financiamento com a União. O freio foi notificado durante a última reunião do Confaz. A ordcem é reduzir o endividamento dos Estados e com isto melhorar a conquista de superávit primário do setor público consolidado.

BRASIL PERDE PARA MÉXICO POSTO DE MAIOR PRODUTOR DE VEÍCULOS DA AMÉRICA LATINA

O Brasil perdeu para o México a liderança na produção de veículos na América Latina e, neste ano, pode também deixar de ser o quarto maior mercado de carros do mundo. Os dados foram divulgados na quarta-feira, pela Organização Internacional de Construtores de Automóveis (Oica), durante o Salão do Carro de Genebra. Para 2015, a previsão é de que o setor automotivo brasileiro terá um dos desempenhos mais fracos entre os grandes mercados. No ano passado, a Oica aponta que a produção brasileira sofreu um tombo de 15,3%, o que fez o País registrar o pior resultado entre os dez principais produtores do mundo. Com isso, o Brasil caiu da sétima colocação para a oitava no ranking dos maiores fabricantes globais, com 3,1 milhões de unidades. O México, com uma alta de 10%, passou a ter 3,3 milhões de unidades produzidas, superando a fabricação nacional e virando líder na região. Os números do Brasil vão na contramão dos de países ricos e dos emergentes. No mundo, segundo organização, o setor automotivo cresceu 3% em 2014 e, neste ano, deve assistir a outra expansão de 3%, tanto em produção quanto em vendas.

JUIZES ESTADUAIS REAGEM ÀS AGRESSÕES DA OAB CONTRA O JUIZ SÉRGIO MORO

A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages) divulgou a seguinte Nota Pública:
REPÚDIO ÀS AFIRMATIVAS 
DA “ONG TORTURA NUNCA MAIS” E DA OAB.
“Sem justiça, não existe democracia.”
A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MAGISTRADOS ESTADUAIS – ANAMAGES, tendo e vista as recentes declarações da ONG Tortura Nunca Mais, presidida pelo ex-preso político Sr. Waldomiro Batista, e do Exmo. Sr. Wadhi Damous, Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, vem a público manifestar o apoio e solidariedade da magistratura estadual brasileira ao Exmo. Sr. Dr. Sergio Moro, DD. Juiz Federal responsável pelo processamento das ações decorrentes da “Operação Lavo-Jato”, em tramitação no Fórum Federal de Curitiba/PR. Imputar ao magistrado a pecha de torturador porquanto está praticando atos de jurisdição é ofensa à sua dignidade e honra funcional. O Brasil assiste envergonhado e enojado toda uma sorte de assalto aos cofres públicos, com desvio de verbas bilionárias para satisfazer interesses pessoais, enquanto se nega ao seu povo direitos elementares como saúde, segurança, educação, previdência, direitos trabalhistas e transporte sempre com a alegação de que não existem recursos financeiros. Quem se desvia do bom caminho, independente de raça, cor, condição social ou política, deve responder por seus atos, sujeitando-se ao devido processo legal e, comprovada a culpa, às sanções impostas. O MM. Dr. Juiz Federal está apenas cumprindo com seu dever funcional e zelando pelo interesse público. Quem não estiver satisfeito com suas decisões, que delas recorra, legem habemus! Não se pode admitir, isto sim, que entidades sociais ou de classe denigram e desmoralizem a imagem do magistrado apenas para atender interesses partidários e pessoais, achincalhando publicamente não só a pessoa do Juiz, mas toda a magistratura pátria. Estas pessoas tem todo o direito de divergir da condução do processo, desde que não atinjam a honra funcional e pessoal. Deveriam, sim, se preocupar com a ofensa aos direitos humanos da população vilipendiada em seus mais elementares anseios pelos sucessivos escândalos, desvios de conduta e a prática de crimes das mais variadas natureza, deixando a cargo das defesas regiamente contratas e pagas, com toda certeza com o dinheiro público surrupiado, o trabalho de defender seus clientes usando dos recursos legais. Dr. Sergio Moro, os magistrados estaduais brasileiros rendem homenagens a Vossa Excelência, com a certeza de que seu profícuo trabalho traduz a vontade de todo o povo brasileiro de fazer JUSTIÇA, certos que, ao final, em se comprovando as acusações, sejam os réus responsabilizados por seus atos. A prisão preventiva e a delação premiada são institutos legais, implantados pela via legislativa própria e como tal devem ser regularmente aplicados, sem que isto signifique tortura ou coação, mas sim proteção cautelar à sociedade. Brasília, 02 de março de 2.015 - Antonio Sbano - Presidente da ANAMAGES

SANTAS CASAS COBRAM R$ 25 MILHÕES QUE SARTORI NÃO DEVE

O governo estadual não gostou das investidas da Federação de Santas Casas do Rio Grande do Sul para cobrar dívidas que o governador José Ivo Sartori recebeu do peremptório petista "grilo falante" e tenente brigadeiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, porque embora reconheça que elas existam, não aceita a inclusão de faturas que não deve, referentes ao atual mandato. As dívidas deixadas pelo petista Tarso Genro foram contingenciadas, como aconteceu com todas as demais despesas que o governo do PT espetou na conta do atual governo do PMDB. Acontece que as Santas Casas querem receber R$ 25 milhões que teriam vencido em janeiro e fevereiro. Elas não existem. O valor cobrado refere-se a um apoio financeiro baseado em contrato que venceu no dia 31 de dezembro. E que portanto não existe não existe mais. 

PSDB denuncia que apenas 37% dos projetos do PAC foram concluídos

A assessoria técnica da bancada do PSDB na Assembléia Legislativa fez um levantamento sobre a execução dos projetos do PAC no Rio Grande do Sul e concluiu que, em 2014, foram executados apenas 37% do orçamento previsto. Os dados foram retirados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Senado. Do total de R$ 1,5 bilhão previstos na dotação inicial do PAC, foram executados somente R$ 551,2 milhões. Os tucanos frisam que as obras anunciadas pelo governo da petista Dilma não passam de peças de propaganda para enganar a população e dificultar o desenvolvimento do Estado. Segundo o relatório, entre as obras que deixaram de receber recursos estão:
1) A adequação da BR 116, entre Estância Velha e Dois Irmãos (R$ 10 milhões);
2) A construção da ponte sobre o Rio Jaguarão (R$ 30 milhões);
3) A construção do contorno rodoviário norte da Região Metropolitana de Porto Alegre nas rodovias BR 116 e BR 448 (R$ 9 milhões);
4) A construção do trecho na BR 392, entre Santa Maria e Santo Ângelo (R$ 9 milhões);
5) A construção das barragens e canais de irrigação de Arvorezinha, Taquarembó e Jaguari (R$ 8,1 milhões);
6) A expansão do perímetro de irrigação do Arroio Duro (R$ 6,6 milhões);
7) A recuperação dos molhes de acesso e a ampliação do cais público do porto de Rio Grande (R$ 9,7 milhões).

CPI da Petrobrás convoca os petistas Graça Foster, José Sérgio Gabrieli, Jorge Zelada e Renato Duque, e ainda contrata a Kroll para investigações internacionais

A CPI da Petrobrás aprovou nesta quinta-feira 43 requerimentos. Entre os convocados, estão os ex-presidentes da estatal Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, além dos ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Jorge Zelada (Internacional) e Renato Duque (Serviços). O plano de trabalho, sugerido pelo relator Luiz Sérgio (PT-RJ), passou com uma mudança - justamente a que permitiu que Barusco fosse o primeiro a ser ouvido. Se a sequência for mantida, Gabrielli e Graça Foster serão os próximos depoentes. Os parlamentares também aprovaram pedidos de acesso às investigações conduzidas pelo Tribunal de Contas da União, pelo Supremo Tribunal Federal e a Justiça Federal no Paraná. Além disso, solicitaram o compartilhamento do material obtido pela CPMI da Petrobras, encerrada no fim do ano passado. Outro requerimento aprovado nesta quinta-feira prevê a contratação da empresa americana Kroll para auxiliar os trabalhos de investigação. Apesar dos protestos de alguns parlamentares do PT e de seu sabujo PSOL, a CPI terá quatro sub-relatorias. A primeira sub-relatoria vai investigar superfaturamento e gestão temerária na construção de refinarias no Brasil e ficará sob responsabilidade do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ); a segunda, a constituição de empresas subsidiárias e sociedades com o fim de praticar atos ilícitos, sob comando de Bruno Covas (PSDB-SP); a terceira, o superfaturamento e gestão temerária na construção e afretamento de navios de transporte, navios-plataforma e navios-sonda, sob responsabilidade de Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); e a última vai apurar irregularidades na operação da companhia Sete Brasil e na venda de ativos da Petrobras na África e será comandada por André Moura (PSC-SE).

O sem-voto Paulo Odone, aquele que destruiu o Grêmio, agora exige cargos para o PPS no governo Sartori

Está complicado para o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB) equacionar a distribuição de cargos para satisfazer a todos os partidos que lhe dão sustentação na Assembleia Legislativa. Agora é a vez do PPS, uma propriedade do ex-deputado (sem voto) Paulo Odone. Na semana passada, Odone foi indicado para uma diretoria do Badesul (uma excrescência que já deveria ter sido fechada) e mesmo assim se diz constrangido com a demora do govermo em aprovar as nomeações de apadrinhados do seu partido. Paulo Odone não é de se sensibilizar com dificuldades financeiras, seja de um clube de futebol ou de um governo estadual. No Grêmio, ele entregou todo o patrimônio do clube, acumulado durante décadas, em troco de nada, para a empreiteira baiana propineira OAS, dona a arena conhecida atualmente como Lava Jato. Agora ele pouco se importa se o governo terá ou não dinheiro para pagar o salário do funcionalismo no fim do mês de março. Ele quer é o dinheirinho para seus CCs. 

Cassados os mandatos do governador e do vice de Rondônia, o faroeste brasileiro, por abuso de poder econômico

O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia cassou na tarde desta quinta-feira os mandatos do governador Confúcio Moura (PMDB) e de seu vice, Daniel Pereira (PSB). Por quatro votos favoráveis à cassação e três contrários, os juízes acataram denúncia da coligação "Frente Muda Rondônia", do candidato Expedito Júnior (PSDB), derrotado no segundo turno, quando o peemedebista foi reeleito. Confúcio foi acusado de abuso de poder econômico por distribuir almoço e refrigerantes para mais de 2 mil pessoas que participaram da convenção do PMDB, realizada em junho, em Porto Velho.

Wamberto Di Lorenzo retorna ao PSDB gaúcho, mas terá que enfrentar o aprendiz de caudilho Marchezan Jr.


A richa entre o deputado federal Nelson Marchezan Júnior e o advogado Wambert Gomes Di Lorenzo, que disputaram em 2012 a indicação do PSDB à prefeitura de Porto Alegre, com vitória de Wambert, parece não ter arrefecido. Nos bastidores, comenta-se que Marchezan pretende dificultar como puder a vida de seu rival, que na segunda-feira retornou ao partido, após uma breve passagem pelo PSD. O deputado tem apoio de parte da militância, mas é criticado por um grupo de tucanos ainda maior, desde que se incompatibilizou com a então candidata ao governo do Estado Yeda Crusius, em 2006. Marchezan Jr. é onhecido pelo pavio curto, ele tem facilidade para colecionar desafetos. É pessoa de trato muito difícil, devido à sua arrogância. E também porque não tem firmeza nas bandeiras que assume, como a guerrilha que promoveu contra o Poder Judiciário e o Ministério Público, ambas abandonadas sem maiores comentários. Em resumo, Nelson Marchezan Jr. é apontado como um aprendiz de coronel retardatário, cercado por aprendizes de jagunços, o que é um anacronismo na política. 

PROCURADORES PEGAM PROVA DE DEPÓSITO DE DINHEIRO SUJO NA CONTA DA MULHER DE VACCARI, O TESOUREIRO DO PT, QUE AINDA CONTINUA SOLTO


Nas listas que circularam até agora, o nome do tesoureiro nacional do PT não aparece, embora se saiba que ele não escapará das mãos do Ministério Público Federal. Apesar de tudo, João Vaccari Neto ainda não foi para a cadeia. Mas pela primeira vez na Operação Lava Jato, as autoridades que investigam o caso obtiveram comprovantes de transações bancárias que ligam o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a suspeitos de operar no esquema de corrupção na Petrobras. Este novo Mensalão, o Mensalão II, é novamente chefiado por Lula, mas desta vez também por Dilma. Todos estão sendo poupados até o momento, enquanto personagens marginais são punidos. A reportagem é da Folha de hoje. Leia: 
A força-tarefa da Lava Jato apura se duas operações de recebimento e envio de R$ 400 mil em 2008 e 2009 com o uso de uma conta da mulher de Vaccari tiveram ligação com o suposto pagamento de propina pela Toshiba em negócios com a Petrobras. O dinheiro foi movimentado a partir de uma conta de uma empresa controlada pelo empresário Cláudio Mente, que, segundo o doleiro Alberto Youssef, operava o pagamento de subornos na estatal de petróleo. Vaccari afirma que as transações resultaram de um empréstimo concedido a ele por Mente, seu amigo, para a aquisição de uma casa. Os documentos fazem parte de um inquérito aberto em janeiro para investigar se a Toshiba repassou duas parcelas de propina a Vaccari, no valor de R$ 400 mil cada uma, entre 2009 e 2010, para o fechamento de um contrato no valor de R$ 117 milhões com a Petrobras para obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Essa suspeita surgiu após Youssef apontar a realização desse crime em um dos depoimentos de sua delação premiada na Lava Jato. Nessa investigação foi anexado o depoimento do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como laranja de Youssef e gestor da empresa de Mente, a Comércio de Produtos Agropecuários, que tem o nome fantasia de CRA (Centro de Reproduções das Américas). Em fevereiro, Paulo Roberto Costa afirmou à Policia Federal ter providenciado uma remessa de R$ 400 mil de uma conta da CRA para uma conta de Giselda Rousie de Lima, mulher de Vaccari, em novembro de 2008. O advogado relatou que elaborou um contrato de empréstimo para justificar a transferência, mas que a CRA nunca emprestou dinheiro. De acordo com Paulo Roberto Costa, o contrato de novembro de 2008 e um termo de quitação do empréstimo, com data de 29 de dezembro de 2009, foram elaborados no mesmo dia, o que era comum na empresa para "esquentar" transações financeiras. O advogado entregou à Polícia Federal o comprovante da transferência para Vaccari em 2008 e também um extrato que aponta uma remessa de R$ 400 mil da conta do atual tesoureiro do PT para a conta da CRA no dia 22 de dezembro de 2009. À época, Vaccari presidia a Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). O Ministério Público move ação penal em que acusa Vaccari de ter desviado valores da entidade para o PT – o que ele nega. Vaccari assumiu a tesouraria do PT em 2010. Em depoimentos prestados em fevereiro à força-tarefa da Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa e Youssef apontaram que Mente operava o pagamento de propinas para empreiteiras. A Polícia Federal agora vai buscar o depoimento de executivos da Toshiba para aprofundar as investigações

Não adianta Janot tentar me fazer chegar às lágrimas. Ou “Piu-Piu sem Frajola”

piu-piu com Frajola
Não adianta o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tentar me matar de tédio porque não vai. Eu resisto. As minhas hipóteses de felicidade não estão nessa seara. Vamos ver.
Ele concedeu uma entrevista coletiva em que afirmou:
“Não espero a unanimidade nem a terei. Desejo e confio, sim, nesse momento singular do país e, particularmente, do Ministério Público brasileiro, que cada um dos meus colegas tenha a certeza de que realizei meu trabalho em direção aos fatos investigados, independentemente dos envolvidos, dos seus matizes partidários ou dos cargos públicos que ocupam ou ocuparam”.
De saída, eu gostaria de menos verbos na primeira pessoa. E também descarto nuances de subjetivismo. Não me interessam. Nem deveriam interessar aos brasileiros.
Janot tentou explicar por que só apresentou pedidos de abertura de inquérito, não denúncias. Laryssa Borges, da VEJA.com, explica o que ele disse. Leiam. Volto em seguida.
“Embora o Ministério Público tenha colhido contra cada parlamentar diferentes níveis de provas, em alguns casos evidências cabais de recebimento de propina, o procurador-geral decidiu enviar ao STF apenas pedidos de inquéritos — e não denúncias diretamente — para poder abastecer posteriormente com mais indícios as futuras acusações contra cada congressista. Denúncias diretas contra parlamentares envolvidos no petrolão necessitam de provas mais fortes para serem apresentadas à Corte. A avaliação da força-tarefa do MP, porém, é que não se pode correr qualquer risco com a apresentação imediata de denúncias ainda não suficientemente embasadas.”
Laryssa é uma repórter competente e, certamente, fez um esforço danado para tentar deixar claro o pensamento de Janot. Fez o máximo possível. Ocorre que a fala não tem sentido. É um nó na lógica. Quer dizer que as evidências cabais de recebimento de propina acabam merecendo o mesmo tratamento de indícios tênues em razão do excesso de rigor? Ah, tenham a santa paciência!!!
A VEJA.com informa ainda que alguns parlamentares já se preparam para defender Janot dos ataques que seriam organizados pelos políticos que serão alvos de inquérito. Que bom, então, que já esteja se formando a tropa que vai defender Janot. Porque eu, como veem, o estou criticando. Daqui a pouco, alguém vai sugerir que sou um agente do Renan Calheiros, do Eduardo Cunha e do Fernando Collor.
Petrolão sem Lula e Dilma, como naquela música bonitinha cantada por Adriana Calcanhotto, é “avião sem asa/ fogueira sem brasa/ futebol sem bola, Piu-Piu sem Frajola”. Por Reinaldo Azevedo

CPI larga bem, apesar da avó do petista Luiz Sérgio

Apesar de o petista Luiz Sérgio (RJ) se comportar como o petista Luiz Sérgio, a CPI da Petrobras larga bem. E, no caso, até agora, o elogio fica para o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), que preside a comissão. Ah, sim: se e quando eu achar que ele pisou na bola, aí critico. Adiante!

A CPI aprovou 43 requerimentos de convocação. Na lista, estão Pedro Barusco — o primeiro —, Graça Foster, José Sérgio Gabrielli, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada e Renato Duque. O petista relator quis que Barusco fosse o primeiro porque este disse ter começado a receber propina da SBM Offshore em 1997. A intenção do rapaz é clara: atingir o governo FHC. É do jogo. Mas Barusco também afirmou que o PT recebeu entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina entre 2004 e 2014. Que seja o primeiro.
Houve um bate-boca no começo da comissão. O PSOL, linha auxiliar do PT nesse caso, e os companheiros queriam evitar a criação de sub-relatorias, como decidiu Hugo Motta. Luiz Sérgio, este incrível parlamentar, esse comediante involuntário, explicou seus motivos, apelando à sabedoria de uma filósofa, a sua avó:
“Isso cria uma dificuldade. Minha avó dizia que bolo em que muita gente mexe acaba solado. Aqui, nós teremos muita gente mexendo nessa massa. Se, no final, sair um bolo solado, a culpa não pode ser só minha”.
Como se nota, ele já antecipa que terá culpa no eventual bolo solado e, como direi, revela uma intenção secreta, não é mesmo? Mas, como escrevo lá no alto, Luiz Sérgio é Luiz Sérgio: embora ele seja contra a criação de subcomissões, quer que se criem mais duas, com pessoas de sua confiança.
Antes, essa gente provocava em mim a tal “vergonha alheia”. Agora tenho nojo mesmo, asco, repulsa física.
Em todo caso, a CPI larga bem, apesar do neto de sua avó. Por Reinaldo Azevedo

É isso aí! Cada um na sua! Eu critico Janot por ter deixado Dilma fora da lista, e Renan Calheiros, porque está na lista. Ou: Presidente do Senado faz ameaça velada ao Ministério Público

Eu não lido com tolices como “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Se eu fosse me aliar a todos que não gostam de pessoas das quais também não gosto, teria alguns crápulas como parceiros. E eu não os quero. E também não faço o contrário. Há amigos de amigos que detesto. Há inimigos de amigos por quem tenho apreço. Eu sou rei absoluto da minha simpatia, como escreveu Fernando Pessoa. E isso vale quando penso política ou questões institucionais.

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, desferiu farpas contra Rodrigo Janot, procurador-geral da República. Eu também. Renan tem os motivos dele. Eu tenho os meus, expressos aqui faz tempo, desde o começo. Eu mirei em Janot por ter deixado Dilma Rousseff fora da lista, o que distorce miseravelmente o petrolão; Renan, porque está na lista.
Afirmou o presidente do Senado:
“Eu só lamento que o Ministério Público não tenha ouvido as pessoas, como é praxe, pra que as pessoas questionadas possam se defender, apresentar as suas razões. Mas isso tudo é da democracia. Quando há excesso, quando há pessoas citadas injustamente, a democracia depois corrige tudo isso”.
Ele tem o direito de lamentar. O que Renan não pode e não deve fazer é isto aqui, ó. Leiam direito:
“Nós estamos agora com o procurador em processo de reeleição para sua recondução ao Ministério Público. Quem sabe se nós, mais adiante, não vamos ter também que, a exemplo ao que estamos fazendo com o Executivo, regrar esse sistema que o Ministério Público tornou eletivo”.
É claro que se trata de uma ameaça velada. Se Renan não gostava da forma como o Ministério Público define o seu comando, ele que dissesse antes. Afinal, está exercendo a presidência do Senado pela quarta vez.
Vamos lá! Eu, Reinaldo Azevedo, tenho críticas à forma como se define o procurador-geral. Ocorre que eu a deixei clara neste blog no dia 23 de abril de 2013. O texto está aqui. Lá eu exponho os motivos. Não esperei Janot fazer algo de que não gostei para ter uma opinião a respeito. Pouca gente sabe, mas o procurador-geral, leiam o meu texto de há dois anos, é escolhido, na prática, por uma entidade de caráter sindical: a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Como uma República vem a ser o contrário de uma corporação, há caroço nesse angu.
Renan deveria ter se ocupado antes dessa questão, não é? Não apenas agora, quando integra a tal lista. O presidente do Senado foi adiante nas insinuações:
“O último procurador, antes do doutor Janot – que tem uma excelente relação com essa Casa –, no seu processo de eleição, pagou de uma só vez R$ 275 milhões ao Ministério Público de vários anos de ajuda moradia. É evidente que isso ajudou no próprio processo de recondução”.
Eu, por exemplo, não sabia disso, confesso. Se soubesse, teria tratado do assunto aqui. No lugar de Renan, com o poder que ele tem, teria botado a boca no trombone. É evidente que Renan nos permite fazer indagações sobre os métodos a que estaria recorrendo Janot para ser reconduzido ao cargo. Indagado a respeito, desconversou e insistiu nas excelentes relações.
Entenderam a diferença entre quem pensa com independência e quem pensa em nome do rancor, dos interesses contrariados ou da própria loucura? Por Reinaldo Azevedo

“Exército” convocado por Lula vai à luta e destrói anos de pesquisa científica

Há dias, Luiz Inácio Lula da Silva convocou o “exército” de João Pedro Stédile a ir para as ruas para enfrentar, como é mesmo?, os reacionários, os conservadores, sei lá o quê. Nesta quarta, ele esteve de novo com representantes do MST, que organizam, com a CUT e com a UNE, uma manifestação para o dia 13, convocada para, podem rir, “defender a Petrobras”.

Pois bem!
Nesta terça, mulheres do MST, todas mascaradas, invadiram uma unidade da empresa Suzano, na cidade de Itapetininga, no interior de São Paulo. Mudas de eucaliptos foram destruídas na ação (foto).
mudar destruídas
Atenção! Tratava-se de uma planta genericamente modificada, que vem sendo desenvolvida desde 2001. Antes de se dirigir às estufas e destruir as mudas, elas picharam placas e muros da empresa. Os funcionários presentes foram feitos reféns e só foram liberados depois que o ataque terrorista tinha sido consumado.
O novo eucalipto, chamado de “H421” seria apresentado nesta quinta à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, que regula esse tipo de pesquisa. Os bandidos que promoveram o vandalismo argumentam que a nova espécie consome mais água e põe em risco a produção brasileira de mel… Os pesquisadores estavam prontos para demonstrar que essas são apenas algumas das mentiras propagadas pelo MST.
E que se note: ainda que verdade fosse, é assim que se faz?
Eis aí. Esse é o “exército” de Lula. Esses são alguns dos interlocutores do petismo. Eles não gostam, como sabemos, é de caminhoneiros que trabalham.
A propósito
Circula no Facebook um vídeo postado pelo brasileiro Evaldo Renato. Ele está no Museu de Direitos Humanos de  Winnipeg, no Canadá. Entre os grandes heróis dessa luta está o MST. O vídeo está aqui. Evaldo conversou com a organização do museu e quis saber como o MST foi parar lá. Ficou sabendo que a indicação foi feita pelo governo brasileiro. É o exército de Lula. Por Reinaldo Azevedo

Eis aí: Janot recomenda ao STF que Dilma também não seja investigada. A propósito: por que os heróis de Curitiba não se interessaram por Lula? Ou: Segundo procurador-geral, no petrolão, Aécio e Dilma são iguais. Ou ainda: EIS AÍ A PIZZA DO DOUTOR JANOT, CUJO MAU CHEIRO ANTECIPEI AQUI

Antes que vá ao ponto, reproduzido no título, um pouco de memória, sim.

Tomei aqui algumas porradas por ter antevisto a natureza do jogo. No domingo, dia 22, escrevi um post com este título:
Petrolão-Janot 1
E lá se lia:
Petrolão-Janot 2
No dia 26, dada a fúria dos tolos que disseram que nunca mais leriam o blog (um favor que me fariam se cumprissem a promessa), escrevi:
Patrolão-Janot 3
E no corpo do texto:
Petrolão-Janot 4
No dia 27, voltei à voltei à questão:
Petrolão-Janot 5
Petrolão-Janot 6
Por que lembrar?
Porque prefiro que os leitores deste blog tenham memória. Tenho compromisso com o que escrevi ontem. Para mim, é impossível afirmar hoje o contrário do que afirmei antes, sem oferecer, quando menos, uma explicação ao internauta. Agora, vamos ao texto a que se refere o título.
*
Pronto! Rodrigo Janot, como sabem, recomendou ao Supremo Tribuna Federal que não abra inquérito para investigar o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB. E fez o mesmo com a presidente Dilma Rousseff (PT). Inventou-se uma narrativa em que, na história do petrolão, Aécio e Dilma são iguais: nada têm a ver com o peixe. Mas, por favor, não confundam Rodrigo Janot com um engavetador-geral. Eu preferiria, para ser justo, o epíteto de Absolvedor-Específico. Ou, quem sabe, de pizzaiolo-geral da República.
É bem verdade que, a qualquer momento, Janot pode encontrar motivos para, ao menos, pedir que se investigue a conduta da presidente da República. Mas vamos ser francos, não é, leitor? Nem eu nem você acreditamos que isso vá acontecer. Afinal, como você já leu neste blog, Janot é aquele que deu graças a Deus por “ter passado a régua e não ter encontrado nada contra Dilma e Lula”.
De resto, a delação premiada de Ricardo Pessoa, ex-amigo de Lula e dono da construtora baiana UTC, não saiu. Parece que ele não aceitou aderir à narrativa criada para fazer a sua delação. Não gostou do roteirista. Assim, não lhe foi dada, até agora ao menos, a vantagem. E tudo indica que não saberemos detalhes de suas doações paralelas ao PT, especialmente à campanha de Dilma, conforme revelou a revista VEJA.
Nestes tempos em que houve um barateamento da figura do herói, também devo lembrar aqui o nome do Grande Ausente de Curitiba: Luiz Inácio Lula da Silva. Nem mesmo um convite para depoimento, nada! Mais uma vez, um escândalo de dimensões pantagruélicas é revelado — e, não duvidemos, parcialmente revelado — sem que o chefe inconteste do partido seja ao menos convidado para prestar esclarecimentos.
Devemos nos contentar com a fantasia de que os empreiteiros, todos corruptos ativos, meteram o pé na porta da Petrobras, ameaçando os diretores nomeados pelo PT: “Exigimos que vocês recebam a propina que nosso cartel quer lhes pagar”. Os corruptos passivos, então, distribuíram depois parte da dinheirama suja para alguns políticos e pronto. Não havia eixo, hierarquia, relações de subordinação, nada!
Espantosamente, nem José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras no período em que a empresa foi à lona, mereceu papel de destaque. No roteiro que se escreve em Curitiba, ele não disputaria o Oscar nem de ator coadjuvante. Quando muito, seria um daqueles figurantes que ficam ao fundo, fora de foco.
Sim, eu senti antes o cheiro sofisticado que vinha do forno de doutor Janot. E também expressei meu descontentamento com o roteiro que se escrevia em Curitiba. Num canto, livrou-se a cara de Dilma; no outro, a de Lula.
Cqd. Como Queríamos Demonstrar. Por Reinaldo Azevedo

Começa julgamento do acusado pelos atentados na maratona de Boston

A cidade americana de Boston mergulhou novamente nesta quarta-feira (4) no pesadelo dos atentados que atingiram a maratona em abril de 2013 com o início do julgamento contra seu único acusado, Dkojhar Tsarnaev, dois anos após esta tragédia que deixou 3 mortos e 264 feridos. Djokhar Tsarnaev, um jovem muçulmano de origem chechena que chegou criança aos EUA, pode ser condenado à pena capital se for declarado culpado do pior atentado cometido em solo americano desde os ataques do 11 de Setembro de 2001. A sala de audiência do tribunal presidido por Georde O'Toole estava repleta para a abertura desse esperado processo.


Sua advogada, Judy Clarke, reconheceu perante o júri que o jovem foi responsável pelo ataque. Ao mesmo tempo, porém, argumentou que ele o fez sob a influência de seu irmão mais velho, Tamerlan Tsarnaev. Previamente, o jovem de 21 anos havia se declarado inocente das 30 acusações apresentadas contra ele, incluindo o uso de uma arma de destruição em massa que provocou as mortes. Também é acusado, junto ao seu irmão, que morreu durante um confronto com a polícia quatro dias depois dos atentados, de ter matado um policial durante sua fuga. Os irmãos Tsarnaev, acusados de ter planejado sozinhos os atentados, são um exemplo da ameaça representadas pelos lobos solitários autorradicalizados, tão temidos pelas autoridades americanas. Tamerlan morreu na madrugada de 19 de abril de 2013 em Watertown, nos arredores de Boston, em um tiroteio com a polícia. Seu irmão mais novo, um jovem de constituição magra e com rosto de adolescente endurecido com uma pequena barba que deixou crescer na prisão, apresenta-se, portanto, sozinho no banco dos réus, no tribunal federal de Boston. A defesa planeja descrever Tamerlan como o líder, o conspirador principal sem o qual nada teria acontecido. O júri, cuja seleção terminou na terça-feira (3), é composto por oito homens e dez mulheres, todos brancos. Doze deles decidirão sobre a culpa de Tsarnaev, mas também, em um segundo momento, se o acusado será condenado à pena de morte ou à prisão perpétua, as únicas opções possíveis se for declarado culpado. Os outros seis são substitutos. Na segunda-feira (2), a defesa pediu novamente que o julgamento fosse realizado fora de Boston, argumentando que o acusado não pode ser julgado com imparcialidade em uma cidade profundamente marcada pelos ataques. Nesta quarta-feira está previsto que os promotores detalhem como as duas bombas de fabricação caseira explodiram em meio a uma multidão reunida perto da linha de chegada da maratona, matando três pessoas, um menino de oito anos, uma estudante chinesa de 22 e uma mulher de 29. Quinze feridos precisaram ser amputados. Djokhar Tsarnaev, que obteve a nacionalidade americana em 2012, estudava na Universidade de Massachusetts em Dartmouth, perto de Boston, e era considerado um jovem bem integrado. "O governo americano mata nossos civis inocentes (...). Nós, muçulmanos, somos um só corpo, quando prejudicam um de nós prejudicam todos. (...) Parem de matar nossos inocentes e pararemos", havia escrito para explicar seu ato dentro de um barco onde foi encontrado pela polícia, gravemente ferido, poucas horas após a morte de seu irmão. Djokhar Tsarnaev encontra-se desde sua prisão praticamente isolado em um hospital penitenciário a 70 km de Boston. Será julgado em um Estado, Massachusetts, que aboliu a pena de morte em 1984. Mas, ao se tratar de um ato terrorista com uso de uma arma de destruição em massa, o caso pertence à justiça federal. Uma de suas advogadas, Judy Clarke, é uma das melhores especialistas em pena capital nos Estados Unidos. Conseguiu evitar que ela fosse aplicada contra vários acusados, entre eles o autor do atentado dos Jogos Olímpicos de Atlanta de 1996, Eric Rudolph, ou Ted Kaczynski, conhecido como "Unabomber", o matemático que enviou entre 1978 e 1995 quinze pacotes-bomba que deixaram 3 mortos e 23 feridos. Todos se declararam culpados em troca de uma condenação à prisão perpétua, algo que Tsarnaev ainda pode fazer. Estima-se que o julgamento dure até junho.