segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Justiça decreta prisão preventiva de babá de ministro chavista

A Justiça Federal decretou a prisão preventiva da venezuelana Jeanette Del Carmen Anza, babá do filho do ministro chavista Elias Jauá Milano (Relações Exteriores), presa pela Polícia Federal na madrugada de sexta feira, 24, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos/Cumbica. Em uma maleta preta do ministro, a babá levava um revólver Smith & Wesson calibre 38 municiado e uma extensa agenda política que fala da “derrota permanente do inimigo” e cartilhas; uma delas ensina como “marcar e neutralizar o inimigo” e “como enfrentar crises e conflitos reais”. A ordem de prisão preventiva contra Jeanette Anza foi tomada pela juíza Gabriella Naves Barbosa, da 5ª Vara da Justiça Federal de Guarulhos, que rejeitou pedido de liminar em habeas corpus da defesa da babá. Ao mesmo tempo, a magistrada transformou a prisão em flagrante em prisão preventiva – Jeanette Anza terá que responder na penitenciária feminina o processo por tráfico internacional de arma de fogo. “Não obstante a arma de fogo encontrar-se em nome de Elias José Jauá Milano, ministro de Estado da Venezuela, por ora mostra-se temerário conceder a liberdade provisória em favor da paciente (Jeanette)”, assinalou a magistrada, em decisão da última sexta feira, 24. A babá disse que trabalha para Elias Jauá, que está em São Paulo acompanhando a mulher, em tratamento de saúde. Jeanette Anza contou na Polícia Federal que o ministro pediu a ela que lhe trouxesse sua maleta preta com documentos, mas orientou-a a tirar o revólver 38. A babá afirmou que “não encontrou” a arma na maleta. Para a juíza Gabriella Naves Barbosa, “não parece crível a versão (de Jeanette), e de que embora fosse alertada da existência de uma arma em seu interior, não logrou localiza-la muito menos entrou em contato com o dono, seu alegado patrão, para obter maiores informações a respeito de seu paradeiro”. Segundo a juíza, a babá limitou-se a esclarecer que “na pressa esqueceu de verificar a bolsa externa da maleta” – onde foi encontrada a arma quando Jeanette passava pelo equipamento de raio X, em Cumbica. Ao pedir liminar em habeas corpus para Jeanette a defesa juntou declaração do ministro, segundo o qual, a babá trabalha para ele há 12 anos. Em seu despacho, rejeitando a liminar, a juíza sustentou que “a declaração de Elias não veio acompanhada de prova documental a respeito do suposto vínculo”. “De fato, nos autos não há sequer a documentação pessoal (de Jeanette)”, destaca a magistrada.

Líderes do PP e PSD se dividem sobre reforma política prometida por Dilma

Moreira Mendes, líder do PSD, contra o bolivarianismo
Líderes da atual base do governo na Câmara se dividiram quanto à promessa da presidente petista reeleita Dilma Rousseff de encampar a reforma política por meio de plebiscito popular. O tema foi a principal bandeira levantada por Dilma em seu discurso de vitória, no domingo, em um hotel em Brasília. O líder do PP na Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte (PE), disse que o partido ainda discute se a reforma política deve ser feita com plebiscito ou referendo. "Vai ter de se discutir bastante isso", disse. O parlamentar lembrou que a reforma política foi um tema defendido tanto por Dilma quanto pelo candidato do PSDB, senador Aécio Neves, e que este é o momento apropriado para debater o assunto. "Não pode esperar para o segundo ou terceiro ano de governo, tem de ser no primeiro ano", defendeu. Eduardo da Fonte disse que o texto da reforma "não pode ser redigido por A ou B" e deve sair do Congresso Nacional. Já o líder do PSD, deputado Moreira Mendes (RO),  na foto, criticou a proposta de plebiscito. "Isso é jogar o jogo deles. É o caminho para mudar a democracia representativa pela participativa", afirmou o parlamentar, que disputou uma vaga ao Senado neste ano, mas não foi eleito.

CPI da Petrobras tem data para acabar

A Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) do Congresso que investiga irregularidades na Petrobras vai encerrar seus trabalhos sem avançar em nada na apuração dos atos de corrupção na estatal. Tanto representantes do governo quanto da oposição concluíram que a CPI não tem condição de competir com a Polícia Federal e o Ministério Público nas investigações. A CPI tem até data para acabar. O relator, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou que pedirá a prorrogação dos trabalhos para o dia 21 de dezembro. Pelo calendário atual, a CPI terminará no dia 23 de novembro. "Na minha opinião a CPI está investigando tudo. Não precisa ampliar seu arco de apuração com os novos fatos sobre irregularidades que surgiram na estatal durante a campanha política", disse o relator. Como os trabalhos do Congresso terminam em dezembro, a CPI não poderá ser prorrogada para data posterior. "Vou fazer o relatório e nós vamos concluir os trabalhos em dezembro. Quem quiser uma nova CPI que colha novas assinaturas no ano que vem. Será outro tempo, outra legislatura", disse Marco Maia. Ele e o presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), desmarcaram o depoimento de Alberto Yousseff, marcado para quarta-feira. Foram dois os motivos: o mal súbito do doleiro no sábado à noite e a informação dada pelos advogados dele de que nada diria, para não quebrar o acordo de delação premiada negociado com o Ministério Público. Para não passar em branco, a CPI decidiu ouvir no lugar de Yousseff o depoimento do atual diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza. Ele sucedeu no cargo a Paulo Roberto Costa, que foi preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato e foi o primeiro a fazer acordo de delação premiada com o Ministério Público e com a Justiça. No requerimento de convocação de Cosenza, os integrantes da CPI argumentaram que ele deveria também falar sobre denúncias de que teria participado do suposto esquema de desvio de verbas. Segundo a Polícia Federal, o valor do dinheiro nas mãos da quadrilha poderia chegar a R$ 10 bilhões. "Essa CPI não anda mais. Não tem muito a oferecer. A investigação avançou muito na área judiciária", disse resignado o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), um dos oposicionistas que mais lutaram pela criação da CPI: "Estamos apostando muito mais no trabalho da Justiça, com participação do Ministério Público e da Polícia Federal". Alvaro Dias, no entanto, não acha que os trabalhos da CPI foram em vão: "Ela cumpriu um papel importante, pois levou transparência às investigações sobre corrupção na Petrobras. Mas de fato perdeu o timing". Para ele, esperar da CPI mais do que fez até agora - correr atrás dos investigados pela Polícia Federal e pedir para ter acesso a cópias de documentos que estão com a Justiça - é exigir demais em função da composição da comissão, com predomínio de governistas que sempre impediram que as investigações avançassem.

Líderes da oposição duvidam da disposição para diálogo

No discurso da vitória em que a presidente Dilma Rousseff se diz disposta a "abrir um grande espaço de diálogo em todos os setores da sociedade", lideranças da oposição ao governo no Congresso Nacional acenam com a chance de aprovar reformas importantes ao Brasil lideradas pela petista, mas duvidam da disposição da reeleita em dialogar com opositores. Para alguns dos principais líderes, a condição para votar a favor de propostas positivas ao País seria que ela ouvisse e incorporasse idéias do bloco antagônico ao governo no parlamento. O deputado federal reeleito Duarte Nogueira (PSDB-SP) avalia que "um bom começo" para ter uma relação construtiva com seus adversários políticos seria chamá-los para conversar, como o ex-presidente Lula e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações") costumava fazer. "O Aécio, por exemplo, foi o protagonista na pregação das reformas política e tributária, inclusive as pontuou e detalhou em seu programa de governo. Se ela quiser, para efeito de início de diálogo, pode sentar para conversar com a gente para explicarmos as nossas teses, que podem ser unidas às idéias que ela já tem. Fica aqui minha sugestão". O deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB em Minas Gerais, reclamou: "Em momento algum a presidente propôs um diálogo com a oposição. Ela não teve a humildade de mencionar nada em relação aos 48 milhões de eleitores que a rejeitaram e o que fez foi um discurso em que reafirma a continuidade. Ela não tem vocação nenhuma para o diálogo. E não acho que depois de certa idade as pessoas mudem. Não creio nessa conversão súbita, não creio que mude sua índole autoritária. Nossa oposição não vai titubear em vocalizar o desejo de metade do Brasil", avisou. A oposição também se incomodou com a fato de Dilma ter citado a promoção de um plebiscito para referendar reformas ao País. O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), viu na fala presidencial uma "inversão na ordem". "Nosso partido não se furtará de discutir o interesse nacional. Mas estamos falando de discutir uma agenda prévia. E não colocar como condição da reforma a submissão ao plebiscito". Recém-eleito senador, o deputado Ronaldo Caiado (GO) segue a mesma linha. "É inviável fazer plebiscito sobre uma matéria técnica, sendo que é prerrogativa do Congresso a responsabilidade de elaborar o texto e depois, dada a importância do tema, fazer uma avaliação por meio de consulta popular. Você só faz plebiscito de questões objetivas, de temas que podem se resumir a um ''sim'' ou um ''não''. Na reforma política você tem dezenas de variantes, como no sistema eleitoral, na forma de financiamento, na cláusula de desempenho, no financiamento de campanha, nas coligações e por aí vai". Ele critica a proposta: "O que eles querem é induzir uma reforma de acordo com seus interesses, aproveitando-se do benefício da máquina presidencial. Assim foi feito com o decreto de criação dos conselhos populares. Não tem nada a ver com democracia, e sim com um modelo bolivariano da qual ela é tão defensora e que nós combateremos firmemente".

Dilma diz que novas medidas serão objeto de amplo diálogo entre todos setores

A presidente Dilma Rousseff (PT) usou sua primeira entrevista depois de ser reeleita para reafirmar seu compromisso com o diálogo no segundo mandato, dizer que novas medidas serão discutidas com todos os setores e que o novo ministro da Fazenda será anunciado no momento adequado. "As (próximas) medidas vão ser justamente... objeto de um amplo diálogo, de uma discussão com todos os setores", disse Dilma nesta segunda-feira em entrevista ao Jornal da Record. Já na noite de domingo, quando derrotou Aécio Neves (PSDB) pela menor margem em uma eleição desde a redemocratização, Dilma havia falado em diálogo e união. Na entrevista desta segunda-feira, ela reforçou que o debate será com todos os setores produtivos, sociais e financeiros. Depois de um dia de muita turbulência nos mercados financeiros brasileiro, com forte alta do dólar ante o real e queda da bolsa de valores, a presidente disse que é preciso esperar o mercado se acalmar. E otimista completou: o mercado vai acalmar.

Já com 2ª cota, Cantareira volta a cair e tem 13% da capacidade

Na imagem, a represa Jaguari, do Sistema Cantareira, marca baixo nível de água, na cidade de Vargem, a 88 km da capital, São Paulo. A crise hídrica tornou-se histórica no Estado de São Paulo e vinha sendo utilizada como campanha política durante as eleições 2014

O volume de água armazenada no Sistema Cantareira voltou a cair nesta segunda-feira, de 13,2% para 13% da capacidade total dos reservatórios, segundo dados da situação dos mananciais da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Desde que a segunda cota do volume morto foi incluída, na última sexta, o sistema vem registrando queda de 0,2 ponto porcentual por dia. Antes de a segunda cota do volume morto entrar no cálculo da Sabesp, o nível do Cantareira estava em apenas 3%, o mais baixo já registrado. Após a adição de 105 bilhões de litros da reserva emergencial, o volume útil de água subiu para 13,6%. Três dias depois, no entanto, o sistema já caiu 0,6 ponto porcentual. Segundo o site de monitoramento da Sabesp, a pluviometria registrada nesta segunda-feira sobre a região do sistema é de 11,9 milímetros. No mês de outubro, contudo, o volume acumulado de chuvas soma 42,5 milímetros - que representa apenas 32,5% da média histórica do mês, de 130,8 milímetros.

Petrobras contrata duas empresas para investigar petrolão

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro

No dia seguinte à reeleição de Dilma Rousseff, a Petrobras enviou na manhã desta segunda-feira comunicado ao mercado sobre as medidas que tem tomado em relação à Operação Lava Jato, da Polícia Federal, no qual informa que avalia medidas jurídicas para ressarcimento de recursos que as investigações apontam terem sido desviados e eventuais sobrepreços de empresas que teriam participado de cartel. Na última semana da corrida eleitoral, o escândalo do petrolão atingiu em cheio a presidente e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme VEJA revelou, o doleiro Alberto Youssef, por um acordo de delação premiada, afirmou à Polícia Federal que tanto ela como Lula sabiam dos esquema de desvios na Petrobras, investigados no âmbito da Operação Lava Jato. A corrida eleitoral acabou, e Dilma tem agora de lidar com os desdobramentos do caso. Ainda no comunicado, a companhia diz que nos últimos dias 24 e 25 de outubro assinou contratos com duas empresas independentes especializadas em investigação, uma brasileira e outra americana, "com o objetivo de apurar a natureza, extensão e impacto das ações que porventura tenham sido cometidas no contexto das alegações feitas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, bem como apurar fatos e circunstâncias correlatos que tenham impacto material sobre os negócios da companhia." Dessa forma, a diretoria executiva entende cumprir seu dever de diligência e, além das normas regulatórias e de auditoria aplicáveis pela CVM, considera o contexto do Foreign Corrupt Practices Act ("FCPA") e da Seção 10A do Securities Act of 1934 (Seção 10A), já que a Petrobras é registrada na Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA. Conforme a nota, a companhia esclarece que vem prestando esclarecimentos às autoridades - Polícia Federal, Ministério Público Federal e Poder Judiciário - e que solicitou esclarecimentos, "para subsidiar suas avaliações internas", às empresas mencionadas na imprensa como tendo atividades sob investigação, especialmente após a repercussão da delação premiada do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa. A companhia afirma que paralelamente ao avanço das investigações, "já está trabalhando nas medidas jurídicas adequadas para ressarcimento dos supostos recursos desviados e dos eventuais valores decorrentes de sobrepreços derivados das empresas supostamente participantes do cartel". Além disso, a estatal reforça que "está sendo oficialmente reconhecida pelas autoridades públicas como vítima nesse processo de apuração." A Petrobras reitera que constituiu comissões internas de apuração para averiguar indícios ou fatos contra a empresa e que também solicitou acesso ao conteúdo da delação premiada, o que ainda não foi deferido pelo Poder Judiciário, como explica a nota. Por outro lado, lhe foi deferido acesso aos autos da investigação (Operação Lava Jato), incluindo os autos da ação por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Também a companhia teve acesso oficial ao teor dos depoimentos de Costa e de Alberto Youssef, em audiência na 13ª Vara Federal do Paraná em 08/10/2014, e "tem utilizado tal material para subsidiar suas Comissões Internas de Apuração".

Cutrale e Safra acertam compra da Chiquita

Chiquita atua no segmento de frutas tropicais, especialmente bananas

O grupo formado pela empresa de suco de laranja Cutrale e o banco Safra acertaram nesta segunda-feira a compra da Chiquita, produtora de bananas com sede nos Estados Unidos. O acordo é avaliado em 1,3 bilhão de dólares. A Cutrale-Safra vai adquirir a Chiquita por 14,50 dólares por ação, a última proposta feita pelo grupo. A Chiquita informou mais cedo que o acordo foi aprovado por unanimidade pelo seu Conselho de Administração. O controle da empresa agora ficará nas mãos dos milionários José Luís Cutrale e Joseph Safra. A Chiquita Brands é a maior produtora de bananas do mundo. Ela atua no segmento de frutas tropicais, especialmente bananas. A companhia já havia recusado mais de uma vez as ofertas de compra. Em agosto, refutou a proposta de 625 milhões de dólares feita pelas duas empresas brasileiras. Na época a Chiquita informou que a proposta do Safra e da Cutrale não atendia "os melhores interesses da empresa e de seus acionistas".O mercado global de bananas é controlado por quatro empresas: Chiquita, Fresh Del Monte Produce, Dole Food Company e Fyffes. A Chiquita, sediada em Charlotte, na Carolina do Norte, Estados Unidos, vinha negociando, desde março, uma fusão com a Fyffes, de Dublin, na Irlanda. Na quinta-feira, os grupos Cutrale e Safra aumentaram pela segunda vez a oferta de compra pela Chiquita. A distribuidora americana, por sua vez, rejeitou a oferta por conta da fusão com a Fyffes. No entanto, os acionistas da Chiquita realizaram assembleia geral nesta sexta-feira, e decidiram desistir da fusão e aceitar a oferta das brasileiras. Agora a Chiquita terá que indenizar a Fyffes, segundo acordo entre os dois grupos.

BP Energy comprará direitos da Petrobras no Nordeste

O aval consta em despachos publicados no Diário Oficial da União (DOU)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição, pela BP Energy do Brasil, de direitos e obrigações detidos pela Petrobras em cinco blocos de petróleo e gás na Bacia Potiguar, no Nordeste, todos ainda em fase de exploração. O aval consta em despachos publicados no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira, mas não há citação de valores. A primeira operação prevê a compra, pela BP Energy, de 40% dos direitos e obrigações referentes à participação de 80% detida pela Petrobras nos blocos POT-M-665, POT-M-853 e POT-M-855. Já o segundo despacho aprova a aquisição, pela BP Energy, de 30% dos direitos e obrigações da fatia de 60% da Petrobras nos blocos POT-M-663 e POT-M-760. Segundo a Petrobras, em comunicado, o negócio ajuda a mitigar os riscos exploratórios e diminui sua exposição de capital pois o aporte de investimento necessário é grande. Já BP Energy se beneficiará comercialmente do negócio, já que amplia, assim, suas atividades no Brasil. A operação não deve gerar impacto no mercado financeiro porque os direitos transacionados entre as partes consistem em ativos não operacionais, explicou a estatal brasileira ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A BP Energy, que pertence ao britânico Grupo BP, atua na exploração e produção de petróleo e gás e possui um portfólio diversificado, com 19 concessões em terra e mar, distribuídas por seis diferentes bacias brasileiras. Potencial - Nesta segunda-feira, a Petrobras confirmou a descoberta de petróleo "de boa qualidade" no primeiro poço perfurado após a licitação da área, sob regime de partilha de produção, no ano passado. O poço está na área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, a cerca de 170 quilômetros da costa do Estado do Rio e a aproximadamente 4 quilômetros a Sudeste do poço descobridor da área, perfurado antes da licitação. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estima que Libra tenha entre 8 e 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis, possivelmente sendo a maior reserva brasileira.

Gol e TAM perdem participação de mercado em setembro

Anac também informou que demanda doméstica subiu 3,2%, enquanto oferta cresceu 1,7% em setembro

As companhias aéreas Gol e TAM perderam participação de mercado em voos domésticos em setembro ante o mesmo período do ano passado, enquanto as rivais de menor porte Azul e Avianca tiveram avanços de dois dígitos em suas fatias. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), após a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e a Gol anunciarem os resultados de setembro e do terceiro trimestre. A participação da TAM no mercado doméstico recuou de 39,9% em setembro de 2013 para 38,1% em setembro de 2014. A participação da Gol passou de 35,4% para 35%. Já a fatia da Azul aumentou de 16,7% para 17,1%, enquanto a fatia da Avianca subiu de 7,4% para 9%. A demanda doméstica subiu 3,2% em setembro sobre um ano antes, "completando 12 meses consecutivos de crescimento e atingindo o seu maior nível para o mês nos últimos dez anos", informou a Anac em comunicado à imprensa. Já a oferta interrompeu sete meses de queda e cresceu 1,7% em setembro na mesma base de comparação. Com o resultado, a demanda doméstica acumulou alta de 5,4% entre janeiro e setembro e a oferta ficou praticamente estável, com variação negativa de 0,14% no período. A Anac acrescentou ainda que os aviões voaram mais cheios em setembro. A taxa de ocupação alcançou 78,6%, batendo recorde para o mês nos últimos dez anos.

Sem previsão de alta, Youssef tem quadro estável

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O Hospital Santa Cruz, em Curitiba, informou nesta segunda-feira que o quadro de saúde do doleiro Alberto Youssef continua estável. Segundo o último boletim médico, ele está “consciente, lúcido e orientado com sinais vitais dentro da normalidade”. Apesar disso, não há previsão de alta. No último sábado, o doleiro passou mal e desmaiou na carceragem da Polícia Federal. delator do petrolão é cardiopata – é a terceira vez que ele foi hospitalizado desde que foi preso na Operação Lava Jato. Em nota, a PF informou que ele sofreu “forte queda de pressão arterial causada por uso de medicação no tratamento de doença cardíaca crônica”. A PF também desmentiu que ele havia sido envenenado na prisão. Reportagem de VEJA desta semana revelou que Youssef afirmou em depoimento à Polícia Federal que a presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam do esquema de corrupção na Petrobras.

Em 2016, PT terá indicado dez dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal

Ministros do supremo

No momento em que as investigações sobre o Petrolão avançam e mais autoridades com foro privilegiado são mencionadas pelos delatores do caso, a reeleição da presidente Dilma Rousseff permitirá a ela indicar mais cinco nomes para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF). A partir de 2016, o único integrante do STF não indicado por um presidente petista será Gilmar Mendes. Se permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória, ele deixará a corte em 2025. Hoje, há uma vaga aberta no tribunal: Dilma ainda não escolheu o sucessor de Joaquim Barbosa, que se aposentou em julho. Outros dois lugares surgirão na primeira metade do próximo mandato da presidente. Em novembro de 2015, Celso de Mello completará 70 anos e deixará a corte por causa do limite de idade. Decano do STF, ele foi indicado em 1989 pelo presidente José Sarney. Em julho de 2016, quem terá de se aposentar é Marco Aurélio Mello, nomeado por Fernando Collor em 1990. Com exceção de Gilmar Mendes, dos outros dez ministros, três foram escolhidos por Lula: Ricardo Lewandowski, Cármen Lucia e José Dias Toffoli. Sete estarão na conta de Dilma: Luiz Fux, Rosa Weber, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso e os três nomes que ela ainda vai escolher. Dilma ainda poderá substituir outros três ministros em 2018: Lewandowski, Rosa Weber e Zavascki. Eles terão de se aposentar no último ano de mandato da presidente. A mudança no perfil do STF se acentuou nos últimos anos. O julgamento do Mensalão do PT deixou evidente uma divisão na corte: os ministros mais antigos, inclusive alguns nomeados por Lula, foram mais rigorosos do que os integrantes mais novos do Supremo. O julgamento dos embargos do processo, que favoreceu os condenados e reduziu a pena de figuras como José Dirceu e José Genoino, teve a participação decisiva dos novatos Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso. Durante o julgamento dos embargos, após a absolvição dos réus que haviam sido condenados por formação de quadrilha, Joaquim Barbosa afirmou que os novos nomes foram escolhidos para livrar os mensaleiros: "Temos uma maioria formada sob medida para lançar por terra o trabalho primoroso desta corte no segundo semestre de 2012", disse. Barbosa também fez um alerta: "Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. É uma maioria de circunstância que tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora".

Em discurso pós-eleições, Mantega consegue desanimar ainda mais o mercado

O ministro Guido Mantega (Fazenda) concede entrevista coletiva no gabinete do Ministério, para falar sobre as perspectivas para o novo governo da presidente Dilma Rousseff, nesta segunda-feira (27)

A segunda-feira começou com o furor já esperado na bolsa de valores, com o dólar disparando — chegou a 2,58 reais — e o Ibovespa em queda de mais de 2%, depois de recuar 6,2% na abertura do pregão. Petrobras recua 14%. Investidores digerem a vitória da presidente Dilma Rousseff e aguardam uma sinalização de que as políticas que levaram o Brasil ao cenário recessivo serão, ao menos, reavaliadas. Enquanto ela não vem, as incertezas persistem tanto no mercado financeiro quanto no setor produtivo. Prestes a deixar o Ministério da Fazenda Guido Mantega deu sua primeira entrevista pós-eleições, nesta segunda-feira. Não que se esperasse grandes declarações do ministro demissionário. Mas a lógica prevê que, diante da dura reação do mercado em relação ao Brasil, o ministro tivesse a sensatez de acalmar os ânimos. Contudo, conseguiu o impensável: piorar tudo. Disse que o resultado das urnas mostra que a população aprova as políticas que estão sendo praticadas e que a volatilidade da bolsa nada tem a ver com o processo eleitoral. Diz o ministro: "Isso (o resultado das urnas) mostra que a população está aprovando as políticas que estamos praticando. Hoje, todas as bolsas estão caindo. Vocês não vão me dizer que é pelo processo eleitoral no Brasil", disse. "Como está tendo queda de commodities no mundo, afeta as ações brasileiras. As eleições também afetam a bolsa. Causam volatilidade de todo tipo. Com o fim da eleição esse cenário tende a amainar", defendeu. Diante de um País completamente rachado, o ministro poderia reconhecer, ainda que de forma não tão escancarada, a possibilidade de ouvir os anseios da outra metade do Brasil que não aprovou o governo Dilma. Mas Mantega prosseguiu, afirmando que as reações negativas são porque os pessimistas "ficaram mais pessimistas". "Terminada a eleição, esse cenário tende a se acalmar. Já há uma volta do otimismo da economia", disse. Levantando um ponto sensível durante o pleito, a independência do Banco Central, Mantega disse que não faz sentido encaminhar projeto de autonomia do órgão ao Congresso. Depois de tal introdução, afirmou que o governo vai reforçar "o lado fiscal" e "manter a inflação controlada". "Já temos perspectiva para 2015 de um resultado fiscal mais forte. Vamos continuar nos esforçando para aumentar a transparência da execução fiscal. Isso tem avançado bastante", afirmou. Ao final, depois de proferir um discurso que dá um golpe de misericórdia na credibilidade de sua gestão, o ministro disse que seu pronunciamento teve o objetivo de "confirmar os compromissos do governo brasileiro". "Temos compromisso de fortalecer os fundamentos da economia brasileira. Isso é fundamental e prioritário na nossa economia. Significa manter bom resultado fiscal para que a dívida pública fique sob controle", afirmou, acrescentando que isso é uma prioridade para os próximos quatro anos. Ao longo da gestão do ministro, houve retrocesso na transparência dos dados fiscais e sua demissão chegou a ser sugerida por veículos de comunicação internacionais, como Financial Times e a revista The EconomistVale ressaltar, porém, que o setor público consolidado (composto por Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobras e Eletrobras) apresentou déficit primário de 14,460 bilhões de reais em agosto, o pior resultado desde dezembro de 2008 e o quarto resultado negativo consecutivo. No acumulado do ano, o montante economizado para pagar os juros da dívida pública, somou apenas 10,205 bilhões de reais, contra 54,013 bilhões de reais em igual período de 2013. A meta do ano todo para o setor público consolidado é de 99 bilhões de reais, ou 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Economistas já alertam que, de novo, o governo terá de usar abatimentos controversos - contabilidade criativa - para ajudar na meta. O Tesouro também chegou a atrasar por meses os repasses a bancos referentes aos benefícios de programas sociais, o que ajudou a inflar superficialmente as contas públicas. No caso da inflação, ela se mantém acima do teto da meta desde setembro, depois de passar o ano próxima do teto de 6,5%. Questionado sobre sua sucessão, Mantega não quis responder. Disse que a pergunta deveria ser direcionada para a presidente Dilma Rousseff. "Não cabe a mim falar em nome de ministros neste momento", afirmou. Segundo ele, a entrevista desta segunda-feira foi convocada para falar de propostas. "Nós temos muitas coisas para fazer até o fim do ano, uma série de estímulos foram feitos e outros devem vir. Temos dois meses pela frente de trabalho intenso, até terminar o ano, para que possamos fortalecer os fundamentos e criar as condições para que as empresas e trabalhadores se mobilizem para um novo ciclo de expansão".

Coréia do Sul pede pena de morte para capitão de balsa que naufragou

Lee Joon-seok, capitão da balsa naufragada na Coreia do Sul, pode ser condenado à pena de morte

Promotores sul-coreanos pediram nesta segunda-feira uma condenação à pena de morte para Lee Joon-seok, capitão da balsa que naufragou, em abril, deixando mais de 300 mortos. Lee, de 68 anos, é acusado de homicídio e, segundo a promotoria, deve ser condenado por fracassar em cumprir com sua obrigação. Ele abandonou a embarcação de forma negligente, sem ter coordenado o resgate dos passageiros, apontam as autoridades. O capitão negou sua intenção de matar. O comandante está entre os quinze acusados de abandonar a embarcação. Quatro, incluindo Lee, enfrentam acusações de homicídio. Os outros três membros da tripulação acusados de homicídios podem ser condenados à prisão perpétua. Uma quarta tripulante pode pegar 30 anos de prisão por negligência. Uma comissão de três juízes deve anunciar seu veredicto em novembro. É incomum que as autoridades apliquem penas de morte na Coréia do Sul. Embora esteja prevista no código penal do país, a sentença deixou de ser considerada devido ao seu uso político no passado. A última execução foi praticada há 17 anos, informou a rede americana CNN. A maioria das vítimas do desastre com a balsa sul-coreana era formada por estudantes de ensino médio que viajavam junto com professores. A tragédia provocou forte comoção no país e revoltou a população, insatisfeita com as frágeis regulamentações de segurança. Críticos afirmam que as legislações sul-coreanas não acompanharam o rápido crescimento econômico apresentado pelo país nos últimos anos. Duras críticas também foram destinadas ao trabalho das equipes de resgate. Dez corpos não foram encontrados pelos mergulhadores até o momento. Um covarde como esse Lee Joon-seok não merece outra coisa senão a morte.

Atividade de brasileiros no Facebook quadruplicou no 2º turno eleitoral

As eleições 2014 entraram para a história do Brasil. E do Facebook. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, a disputa eleitoral motivou cerca de 674 milhões de interações na rede social — o que inclui postagens, comentários, compartilhamentos e likes. O levantamento considerou a atividade de usuários entre 6 de julho, início da temporada oficial de campanha, e a noite de domingo. Só no domingo, quando foi realizado o segundo turno, foram 49 milhões de interações. Em todo o primeiro turno, foram 346 milhões (média de 3,8 milhões por dia). No segundo, 328,4 milhões (15,6 milhões/dia). Como o primeiro período compreendeu cerca de três meses e o segundo apenas 21 dias, a atividade na reta final da eleição quadruplicou. Entre as postagens que citavam os candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT), que se reelegeu neste domingo, foi a mais comentada no último domingo, aparecendo em 53,8% das interações. Aécio Neves (PSDB) ficou com 46,2%. Segundo a rede, 89 milhões de brasileiros acessam o Facebook ao menos uma vez por mês. Cerca de 76% deles, usam a rede social a partir de dispositivos móveis.

Sonda chinesa de ida e volta entra na órbita da Lua

Foguete decola no Centro de Lançamento de Satélite de Xichang, na província de Sichuan, no sudoeste da China. A nave não tripulada testará as tecnologias utilizadas na sonda Chang'e-5, que fará a primeira missão chinesa à Lua

Chegou nesta segunda-feira ao campo gravitacional da Lua a primeira sonda espacial chinesa de ida e volta ao satélite. A missão Chang'e-5-T1 foi lançada na semana passada e deve levar 32 horas antes de iniciar sua viagem de retorno. A sonda, que realizará meia volta ao redor da Lua e chegará à Terra no sábado, é a primeira desenvolvida pela China para voltar ao planeta. O objetivo da ambiciosa missão é testar as tecnologias de retorno, como o controle da navegação ou o escudo de proteção contra o calor gerado pela reentrada na atmosfera. Seu lançamento ocorreu na quarta-feira passada, na base espacial de Xichang. No total, a sonda deve percorrer 413.000 quilômetros da Terra até o ponto mais distante em oito dias de missão. O pouso está previsto para a região chinesa da Mongólia interior, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. Esta é a primeira vez que os cientistas chineses têm como meta o retorno de um módulo orbital, que precisará resistir à reentrada na Terra, em particular às elevadas temperaturas provocadas pela fricção do contato com a órbita terrestre. A nave atingirá no retorno à Terra uma velocidade de 11,2 quilômetros por segundo, antes de reduzir a aceleração. A missão pretende testar a tecnologia que será utilizada na missão prevista para 2017, que deseja coletar mostras da superfície lunar. O desejo de Pequim é ser o primeiro país asiático a enviar um ser humano ao satélite natural, provavelmente depois de 2025. As sondas Chang'e 1 e 2, lançadas respectivamente em 2007 e 2010, realizaram voltas ao redor da Lua. Em dezembro de 2013, o país conseguiu levar a sonda Chang'e-3 a pousar na Lua e deixar na superfície lunar um veículo teleguiado batizado de "Coelho de jade", uma missão que foi considerada um êxito total. 

Dívida pública cresce 0,65% em setembro, diz Tesouro

A Dívida Pública Federal inclui a interna e externa

O estoque da dívida pública federal (DPF) subiu 0,65% em setembro, atingindo 2.183 bilhões de reais. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Tesouro Nacional. Em agosto, o estoque estava em 2,169 trilhões de reais. A correção de juros no estoque total da DPF foi de 26,88 bilhões de reais no mês passado. A DPF inclui a dívida interna e externa. Enquanto a dívida interna (DPMFi) cresceu 0,19%, para 2.079 bilhões de reais em setembro, a externa avançou 10,76% sobre o estoque apurado em agosto, encerrando setembro em 104,58 bilhões de reais. A parcela da DPF a vencer em 12 meses subiu de 25,91% em agosto para 26,21% em setembro, segundo o Tesouro Nacional. O prazo médio da dívida subiu de 4,47 anos em agosto para 4,50 anos em setembro. O custo médio acumulado em 12 meses da DPF passou de 10,83% ao ano em agosto para 11,54% ao ano em setembro. Segundo o Tesouro, a variação da dívida externa se deve, principalmente, à valorização da moeda norte-americana frente ao real, de 9,44%, e à emissão do bônus Global 2025, no valor de 2,50 bilhões de reais. A parcela de títulos prefixados na DPF subiu de 40,74% em agosto para 41,84% em setembro e ficou dentro da banda de 40% a 44% estabelecida pelo Plano Anual de Financiamento (PAF). Os papéis remunerados pela inflação também aumentaram a fatia, de 34,81% para 35,07%. Esses títulos também ficaram dentro do intervalo do PAF, que vai de 33% a 37%. Os títulos atrelados à Selic caíram para 18,36% do estoque da DPF em setembro, ante 20,21% em agosto, e voltaram para o intervalo do PAF, que vai de 14% a 19%. Os papéis cambiais elevaram a participação na DPF de 4,24% em agosto para 4,72% em setembro e também ficaram dentro da banda, que vai de 3% a 5%. Os estrangeiros aumentaram mais uma vez a aquisição de títulos do Tesouro Nacional em setembro. A participação dos investidores estrangeiros no estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu de 18,80% em agosto para 19,32% em setembro, somando 401,69 bilhões de reais, segundo os dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Em agosto, o estoque estava em 390,16 bilhões de reais. A categoria das instituições financeiras teve pequena queda na participação do estoque da DPMFi de 28,43% em agosto para 28,22% em setembro. Os Fundos de Investimentos também reduziram a fatia de 21,21% para 20,48%. Já as seguradoras tiveram crescimento na participação de 3,98% para 4,04%.

Mercados fazem o óbvio: despencam

A vitória da presidente Dilma Rousseff na corrida pela eleição presidencial trouxe mau humor para o mercado financeiro nesta segunda-feira. Puxado pelas ações da Petrobras, o Ibovespa, principal índice da BM&Fbovespa, cai 3,71%, aos 50.014 pontos. Na mínima do dia, o índice chegou a despencar 6,20%, aos 48.729 pontos. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras caíam,12,39% e 11,27%, respectivamente, por volta de 14h10. No início do pregão, os operadores começaram a falar de um possível “circuit breaker”, mecanismo usado para controlar a forte oscilação do Ibovespa, mas os ânimos acalmaram um pouco. Quando o Ibovespa atinge uma queda de 10%, o “circuit breaker” é acionado e as negociações das ações são interrompidas por trinta minutos. Após esse intervalo, o índice volta a ser transacionado, mas se a queda alcançar 15%, as operações voltam a ser paralisadas, desta vez com intervalo de 1 hora. Se a queda alcançar 20%, ocorre a suspensão dos negócios por prazo a ser definido pela bolsa. Uma das principais insatisfações de operadores e analistas em relação às diretrizes econômicas do governo federal vinha do que consideram como intervenção excessiva nas estatais, que eles veem persistindo com a continuidade de Dilma no Palácio do Planalto. Além das ações da Petrobras, outras estatais também sofrem no dia na bolsa de valores. Banco do Brasil caía 7,96%, enquanto Eletrobras ON perdia 11,84%. O dólar, que começou a ser negociado às 9h (horário de Brasília) já subia 3,37% com apenas 20 minutos de pregão. Por volta de 14h20, a moeda americana valorizava 3,21% sobre o real, cotada a 2,5354 reais. Com 51,64% dos votos, a presidente Dilma Rousseff superou o candidato Aécio Neves (PSDB) na corrida presidencial. Aécio obteve um total de 48,36% dos votos válidos. A diferença de apenas três pontos porcentuais é a menor desde que o PT chegou ao poder, em 2002. Em 2010, a própria Dilma obteve 56% dos votos válidos, contra 44% do tucano José Serra.

Derrotado no Mato Grosso do Sul, petista Delcídio Amaral volta ao Senado tendo que enfrentar denúncia do Petrolão

Depois da derrota inesperada para um político considerado novato na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul, o senador Delcídio do Amaral, do PT, começa a refazer seus planos políticos. Ele retoma a cadeira no Senado no início de novembro para cumprir o mandato que vai até 31 de janeiro de 2019. Ele perdeu as eleições com 44,6% dos votos, contra 55,3% do vencedor, Reinaldo Azambuja, do PSDB. Em rede social, agradeceu a votação, parabenizou o eleito e prometeu trabalhar pelo Estado no Senado, “ao lado da presidente reeleita Dilma Rousseff”. Cotado para concorrer a prefeito de Campo Grande em 2016, o petista deve ceder o espaço nessa disputa para um colega de partido, o médico Ricardo Ayashi. Estreante na política, Ayashi concorreu ao Senado e ficou em segundo lugar com mais de 280 mil votos. Para Delcídio, resta nova tentativa de se eleger governador em 2018. Conhecido nacionalmente pela atuação na CPMI dos Correios, que deu origem ao processo do Mensalão do PT, Delcídio entrou como franco favorito na disputa do governo. Em 2010, ele se reelegera senador com 826 mil votos, votação maior que a do governador do Estado. As articulações iniciais indicavam que o senador seria praticamente candidato único, com apoio do governador André Puccinelli. O PSDB local apoiava uma composição com o petista, que apoiaria para o Senado o nome de Azambuja. Delcídio e o tucano chegaram a percorrer juntos algumas regiões do Estado, engajados na possível dobradinha, mas a aliança foi vetada pelas cúpulas do PT e do PSDB. A executiva nacional do PSDB não abriu mão de candidatura própria no Estado. Ex-prefeito de Maracaju, cidade do interior, Reinaldo começou a incomodar o petista quando ultrapassou, nas pesquisas de intenções de voto, o então segundo colocado, o peemedebista Nelson Trad Júnior. Denúncias contra o PT, como o esquema de desvio de verbas na Petrobrás, atingiram Delcídio por tabela, apesar do esforço para se desvincular da imagem do partido. Uma possível vitória no primeiro turno não se confirmou e o petista acabou ultrapassado por Azambuja. Assessores dizem que o principal adversário do senador foi o próprio PT, fortemente rejeitado no Mato Grosso do Sul. Delcídio sempre teve mais votos que o partido no Estado. Desta vez, o eleitor o identificou com o PT.

Grandes consumidores de energia querem discutir custos com o governo Dilma

O slogan “Governo novo, idéias novas” encampado na campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT) foi incorporado por aliados da presidente antes mesmo da vitória no segundo turno. De acordo com o presidente executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa, membros da candidatura à reeleição sinalizavam que o novo mandato da presidente promoveria mudanças na relação com os setores produtivos. “A campanha foi de mudanças e nosso diálogo com a campanha foi bastante positivo”, afirma Pedrosa, citando nominalmente o coordenador do programa de governo da candidata, Alessandro Teixeira. “Houve acolhimento por parte da campanha sobre as questões de energia e de produtividade”, explica Pedrosa. A Abrace representa principalmente grandes indústrias consumidoras de energia, casos de Vale, Usiminas, Braskem e Alcoa, entre outras. Pedrosa acredita que o resultado da eleição, com vitória apertada de Dilma sobre Aécio Neves (PSBD), mostra que grandes temas estão na agenda de discussão do futuro do Brasil e que o foco nos ganhos sociais não pode excluir outras prioridades. “O fato de as regiões onde estão localizados os pólos produtivos do Brasil não darem a ela uma votação tão expressiva mostra as dificuldades enfrentadas pelo setor”, analisa o presidente da Abrace. “Sem abrir mão da distribuição de renda, é preciso ter a visão de que também devemos olhar para outro ciclo, o do aumento da produtividade”, complementa. Um estudo feito a pedido da entidade, mas ainda não divulgado, mostra que um terço da desaceleração da economia brasileira em 2014 teve origem no alto custo da energia para a produção. Outro levantamento da Abrace mostra que as indústrias associadas à entidade podem ser obrigadas a arcar com um custo extraordinário da ordem de R$ 20 bilhões na energia até 2018. Apenas em 2015, o desembolso adicional com a compra de energia estaria estimado em cerca de R$ 5 bilhões. O custo mais elevado viria da assinatura de novos contratos de energia, em substituição em acordos já em vigor, da elevação dos custos de transmissão e dos desembolsos com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Não estão incluídos nesse valor possíveis aumentos das despesas com os Encargos de Serviços do Sistema (ESS) e com o fim do contrato de energia entre a Chesf e grandes indústrias instaladas na região Nordeste do País, as quais são atendidas em regime especial de fornecimento e preços. Na visão de Pedrosa, o resultado das eleições mostra que é preciso manter os ganhos sociais alcançados pelo Brasil nos últimos anos, mas também recuperar a capacidade de produção do País. “A campanha de governo foi de mudanças, e estamos mais próximos de mitigar o desafio da inclusão social e do combate à miséria. A questão da competitividade é um grande desafio”, salienta o presidente da Abrace. Ao estimular a recuperação da competitividade produtiva no Brasil, a presidente Dilma Rousseff também pode contribuir para melhorar os indicadores sociais do país, reforça Pedrosa. O estudo inédito da Abrace mostra que o efeito positivo de uma energia mais barata destinada à produção tem um impacto 16 vezes maior no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do que quando a mesma energia é destinada ao consumo de pequenos clientes, caso das residências, por exemplo. “Ao aumentarmos a produção, também há aumento de renda na mão da população. E o diálogo com a campanha nos permitiu ter um alento para essa situação”, diz Pedrosa, após citar o custo da energia como um dos entraves a serem superados neste momento. Outros dois pontos cuja discussão é considerada essencial pela Abrace para o próximo mandato da presidente Dilma Rousseff são a redução das incertezas associadas a encargos, fator que igualmente pode elevar o custo da energia, e a elaboração de uma política nacional que viabilize a oferta de gás natural competitivo para as indústrias e para a geração de energia.

A petista Dilma venceu em 65% dos municípios com menos de 50 mil habitantes

O mapa do 2º turno presidencial revela que Dilma Rousseff venceu em 65% das cidades com até 50 mil eleitores. Dos municípios com eleitorado acima disso, Aécio Neves (PSDB) ficou à frente na maioria (55%). No total, a presidente reeleita ganhou em 3.527 municípios (63%) e perdeu em 2.043 (27%). A distribuição geográfica do voto mostra que, desde 2006, os candidatos do PSDB tendem a vencer no Sul, em São Paulo e em um corredor que passa pelo Centro-Oeste e por pedaços do Pará. Já os petistas ficam com o norte de Minas Gerais, a Região Nordeste e quase toda a Amazônia. A representação cartográfica tradicional do voto, porém, pode levar a leituras equivocadas da realidade. Quando a cor do vitorioso toma toda a área do município ou Estado, oculta o desempenho do perdedor. No 1º turno, por exemplo, a vitória de Aécio Neves em São Paulo tingiu o Estado de azul. Mas Dilma teve lá quase 6 milhões de votos, mais do que em qualquer dos Estados “vermelhos” do Nordeste. Outro problema é a desconexão entre a área dos Estados e seu peso eleitoral. O Amazonas, por exemplo, tem 18% do território do País, mas só 1,5% dos eleitores. Já o Rio de Janeiro tem 0,5% da área do País e 8,5% do eleitorado. Em um mapa, porém, o impacto visual do Amazonas pintado com determinada cor é muito superior ao do Rio de Janeiro, apesar de haver quase seis vezes mais votantes fluminenses que amazonenses.

Doleiro Youssef entrega provas sobre políticos que citou

Além de entregar comparsas no governo e no Congresso Nacional, o megadoleiro Alberto Youssef também está mostrando à Polícia e ao Ministério Público Federal todas as provas documentais que acumulou e deixou em mãos de pessoas de sua confiança. Ele promete revelar os bens usados pelo esquema do Petrolão para presentear corruptos, além dos números das contas do desses políticos em paraísos fiscais. Paulo Roberto Costa tratava com a cúpula do poder (Lula o chamava de “Paulinho”) e Youssef fazia o “varejo”, pagando propina a políticos. Alberto Youssef já revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que pelo menos 28 membros do Congresso recebiam propinas mensais de R$ 100 mil a R$ 150 mil. Na terça-feira, 30, Youssef revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, em depoimento, que Lula e Dilma sempre souberam da roubalheira na Petrobras. Ainda no início das investigações, a Polícia Federal concluiu que uma quadrilha se instalou na Petrobras para roubá-la.

Após reeleição de Dilma, dólar sobe 3,21% a R$ 2,5359 e Bovespa cai 3,33%

O dólar opera em forte alta ante o real nesta segunda-feira depois que a presidente Dilma Rousseff foi  reeleita para um segundo mandato. Por volta das 14h19, a moeda norte-americana avançava 3,21%, cotada a R$ 2,5359 para a venda. Por volta das 11h, a divisa  avançava 2,95%, cotada R$ R$ 2,529. Minutos antes, atingiu o patamar de R$ 2,56, a máxima desde 2008. Também influenciada pela reeleição de Dilma, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)mcaía 6% na abertura do pregão nesta segunda-feira. Pouco depois da abertura, a bolsa desabava 6%, a 48.823 pontos.  Por volta das 14h34, a Bovespa operava em queda de 3,33% a 50.212 pontos. Destaque para as ações da Petrobras, alvo de denúncias de corrupção - que registravam queda em torno de 13%. Já os papéis do Banco do Brasil recuavam 8%.

Dívida pública federal sobe a R$ 2,183 trilhões em setembro

O estoque da dívida pública federal (DPF) subiu 0,65% em setembro (o equivalente a R$ 2,181 bilhões), atingindo R$ 2,183 trilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, pelo Tesouro Nacional. Em agosto, o estoque estava em R$ 2,169 trilhões. A correção de juros no estoque da DPF foi de R$ 26,88 bilhões no mês passado. A DPF inclui a dívida interna e externa. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu 0,19% e fechou o mês em R$ 2,079 trilhões. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) ficou 10,76% maior, somando R$ 104,48 bilhões em setembro.

Quanto vale uma Dilma de branco, no discurso da vitória, ao lado de Ciro Nogueira, citado no escândalo do petrolão? Ou: De terno branco, com alma vermelha. Ou: Ainda não será desta vez que Dilma vai sentir falta do meu mel

A presidente reeleita, Dilma Rousseff, resolveu tirar o terninho vermelho de campanha e de debates. Em seu lugar, vestiu o branco. Há a hora do Falcão e a hora da pomba. No discurso da vitória, falou em nome da paz. Cumprimentou todos os parceiros de jornada, com salamaleques especiais a Lula — nem poderia ser diferente. Entre os presentes, Ciro Nogueira, o presidente do PP, citado no escândalo do petrolão. No discurso, aquela que, segundo Alberto Youssef, sabia das vigarices na Petrobras, prometeu combater a corrupção. Ciro Nogueira aplaudiu com entusiasmo. Dilma negou que o País esteja dividido, rachado ao meio — embora ela saiba que está. Venceu a eleição com pouco mais da metade dos votos válidos, numa disputa em que 27,44% dos eleitores se negaram a sufragar um nome: 1,71% dos votantes decidiram pelo branco; 4,63%, pelos nulos, e 21,1% se ausentaram. De fato, ela é presidente por vontade de 38% dos eleitores aptos a participar do pleito. É bem menos do que a metade. É a reeleita legítima, mas isso não muda os números. Assim, cumpre que Dilma busque ganhar a confiança não apenas dos 51.041.155 que votaram em Aécio Neves, mas também dos 32.277.085 que não quiseram votar em ninguém. Juntos, eles são 83.100.453, bem mais do que os 54.501.118 que a escolheram. Neste blog, eu adverti várias vezes para esse fato, não é mesmo? Critiquei severamente a campanha suja movida pelo PT porque ela acabaria deixando um rastro de ressentimentos, de rancor. No discurso da vitória, leiam a íntegra abaixo, Dilma afirma, por exemplo: “Toda eleição tem que ser vista como forma pacífica e segura. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós que vivemos em uma das maiores democracias do mundo". Pois é. Posso concordar em parte ao menos, embora, de fato, nas democracias, eleições signifiquem, antes de mais nada, conservação de um método: recorre-se às urnas para decidir quem governará o país. Mas sigamos. Quando o PT e Dilma transformaram os adversários em verdadeiros satãs, que fariam o país recuar nas conquistas sociais; quando os acusaram de representantes de “fantasmas do passado” — sim, essa expressão foi empregada; quando lhes atribuíram um passado que não tiveram e intenção que não teriam, será que a presidente e seu partido expressavam, de fato, fé na democracia? Quando a chefe da nação, ainda que nas vestes da candidata, investe contra um veículo de comunicação que apenas cumpriu o seu dever, estimulando milicianos a atacar uma empresa jornalística, onde estava essa Dilma que agora veste o branco? Quando Lula comparou os opositores do PT a nazistas, acusando-os de golpistas, onde estava o PT da paz e do entendimento? “Ah, mas Aécio Neves não criticou Dilma?” É certo que sim! Mas nunca deixou de reconhecer avanços nas gestões petistas. Uma coisa é criticar a condução de políticas; outra, distinta, é acusar o adversário de articular, de forma deliberada, o mal do País. A fala pacificadora de Dilma não me convence — até porque Gilberto Carvalho, seu secretário-geral da Presidência, quase ao mesmo tempo, falava uma linguagem de guerra. Tratarei dele em outra oportunidade. E não me convence por quê? Porque Dilma afirmou que a principal e mais urgente tarefa de seu governo é a reforma política. Ainda voltarei muitas vezes a esse assunto. Mas a tese é falaciosa. Diz a presidente reeleita que pretende conduzir o debate por meio de plebiscito — para que e com que pergunta? Em debates na TV, expressou o entendimento absurdo de que o mal essencial do nosso sistema está no financiamento de campanhas por empresas. Errado! O mal essencial no que diz respeito ao Estado está no aparelhamento do bem público em favor de partidos e camarilhas. Ou não vimos um agente do petismo, disfarçado de presidente da Agência Nacional de Águas, a fazer proselitismo eleitoral em São Paulo de maneira descarada? Ignorar a crise de fundamentos — para ser genérico — que hoje assola a economia brasileira e que deixa o país sem perspectiva de futuro para brincar de plebiscito, constituinte exclusiva, como ela já defendeu, e reforma política corresponde a apagar incêndio com gasolina. Dilma não tenha a ilusão de que gozará de um período de lua de mel. Com ou sem razão, espero que sem (e também sobre isso falarei em outra ocasião), naquelas partes do Brasil em que pouco se olha quem sobe ou desce a rampa, desconfia-se até da inviolabilidade das urnas eleitorais. Se a dita reforma política vai ser o seu “chamamento à união”, então, posso afirmar, com pouca chance de errar, que ela está é querendo provocar ainda mais conflitos. Não adianta vestir um terninho branco quando a alma segue vermelha, governanta. Em seu discurso, Dilma insiste que o Brasil votou para mudar — é, talvez para que o governo mude os métodos. No que concerne às instituições, o voto crescente é para “conservar” — no caso, conservar instituições. Espero que também as oposições se deem conta disso e não tergiversem, como já fizeram no passado, na defesa dos fundamentos da democracia representativa. No que me diz respeito, é preciso bem mais do que um terninho branco para me comover. Ademais, sigo a máxima de que um indivíduo se dá a conhecer muito mais por seus atos do que por suas palavras. As palavras recentes da presidente-candidata estimularam uma milícia de vagabundos a atacar uma empresa de comunicação. Por enquanto, não tem a minha simpatia nem meu voto pessoal de confiança — sei que é irrelevante para ela, mas é meu, e dele, cuido eu. E também não consigo imaginar que alguém que proponha constituinte exclusiva para fazer reforma política esteja com boa intenção. Bondade assim, já vi antes na Venezuela, no Equador e na Bolívia. Ainda não será desta vez que Dilma vai sentir falta do meu mel. Por Reinaldo Azevedo

Deem um copo de sangue a Gilberto Carvalho! Ele está com sede!

Dilma Rousseff é a presidente reeleita do Brasil. Os que me conhecem podem dizer quantos chutes no cão eu dei por isso: nenhum! Quantos murros na mesa eu dei por isso: nenhum! Quantos chiliques eu dei por isso com quem trabalha comigo: nenhum! Quantas piadas eu deixei de contar por isso? Nenhuma! Quantas ironias ou autoironias deixei passar: nenhuma! Quem está bravo, quem está rancoroso, quem está irritado, quem está com o sangue nos olhos, quem está com o espírito envenenado, quem está com fome de fígado, quem revela o desejo de partir para a porrada — o que é sempre mais fácil quando se conta com seguranças aos montes, pagos pelo dinheiro público — é o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. Eu não disputo eleições; o partido do ministro, sim. Eu não ganho nem perco nada, o ministro, sim. Vença Dilma ou não, a minha vida segue a mesma, trabalhando muito, com três empregos — a menos que as gestões do sr. ministro surtam algum efeito e eu os perca. Preocupados estavam aqueles que aprenderam, ao longo destes 12 anos, a viver das prebendas estatais; preocupados estavam aqueles que dependem do capilé público para comer o seu caviar. Enquanto Dilma Rousseff, de terninho branco, fazia uma chamamento à união e à paz, apesar de seus planos amalucados de plebiscito e reforma política, Carvalho concedia uma entrevista ao UOL e anunciava a sua disposição de ir para a guerra. Afirmou o ministro, entre outros mimos: “Ninguém mais do que nós vai defender permanentemente a liberdade de imprensa”. Mas emendou: “A meu juízo, o excesso de editorialização, de adjetivação e o colunismo que acabou ganhando um peso enorme na imprensa brasileira têm feito, na minha opinião, um estímulo a esse ódio que nós vimos nos últimos tempos”. Vale dizer: o ministro é a favor da liberdade de imprensa, desde que ele concorde com as opiniões emitidas. Se elas forem contrárias ao que ele pensa, aí ele acredita estar diante de um problema. O político que diz ser contra o ódio pertence ao partido que sugeriu que o adversário era alcóolatra e espancador de mulheres. O político que que diz ser contra o ódio pertence ao partido que espalhou nas ruas panfletos acusando o oponente de querer acabar com o Bolsa Família e com os programas sociais. O político que diz ser contra o ódio estimulou, na prática, que milícias de vagabundos e desocupados atacassem uma empresa de comunicação porque não gostaram da notícia veiculada. Na entrevista, o ministro elogiou a Folha: “Eu até destaco aqui particularmente a Folha, que eu acho que é um periódico dos mais equilibrados, mas infelizmente há jornais que se transformaram em panfletos nessa campanha”. E emendou um novo ataque à VEJA: “O excesso de editorialização da imprensa, a meu juízo, capitaneado nesse episódio vergonhoso final da revista Veja é a ponta avançada a mim da principal conspiração contra a verdadeira liberdade de imprensa”. Vergonhosa é sua fala, ministro! Seus entrevistadores decidiram não refrescar a sua memória, mas eu refresco: a Folha de S.Paulo, que pertence ao mesmo grupo de comunicação ao qual pertence o UOL, deu a mesma notícia publicada pela VEJA, senhor ministro, no dia seguinte. E que se coloquem, uma vez mais, os pingos nos is: VEJA NÃO ANTECIPOU EDIÇÃO NENHUMA! A data estipulada para a revista que está nas bancas era sexta-feira. A publicação não tinha como adivinhar que Alberto Yousseff fizesse a sua confissão na terça anterior. Gilberto Carvalho anunciou que o governo quer conversar com os veículos de comunicação. Disse ele: “O que nós queremos é sentar com vocês, com gente séria da imprensa, para a gente fazer uma análise de como é que o Brasil está sendo passado para as pessoas, de como a realidade é traduzida efetivamente”. Isso, ministro, sente mesmo com gente séria. Aliás, gente séria não senta, metaforicamente falando, no colo de ministros de estado, veja lá, hein. Carvalho agora está ocupado em Eatacar o que ele chama “pregadores do ódio”. Certamente ele não está se referindo àqueles que, financiados por estatais e pela administração direta, atacam a imprensa livre, os líderes da oposição e figuras do Judiciário. Ah, não! Esses, são todos defensores do amor, não é mesmo? Diz ainda o ministro: “O que não dá para aceitar é a gente ser considerado como aqueles que inventaram a corrupção no Brasil”. Claro que não! Eu, por exemplo, nunca disse isso. Mas digo, sim, que é o PT é o único partido que chama corrupto de “herói do povo brasileiro”. Enquanto Dilma pregava o amor, Carvalho emitia sinais de que vai dar início a uma nova temporada de caça às bruxas. O partido já fez uma lista negra de jornalistas. Pelo visto, pretende ampliá-la ou partir para a execução dos sentenciados. Encerro assim: Dilma quer um pouco de paz? Comece por botar na rua Gilberto Carvalho. O diabo é que ela não pode fazer isso. Porque é ele o chefe dela, não o contrário. O PT foi notavelmente violento nesta campanha e partiu para a baixaria. Ocorre que só quem posa de vítima pode atacar os adversários e os discordantes sem obedecer a qualquer limite ou ética. E é este o lugar que ele reivindica: o da vítima. Carvalho acaba cometendo um ato falho. Diz ele, para evidenciar o caráter popular do governo, que vai retomar o diálogo com as pessoas. Afirmou: “Nós fizemos mais de 260 reuniões plenárias pelo país afora, com 300, 400, 500 militantes”. Tomo a conta pelo topo: o ministro conversou, portanto, com, no máximo, 130 mil militantes. Ocorre que 51.041.155 votaram em Aécio, e 32.277.085 não quiseram votar em ninguém. Juntos, eles são 83.100.453, bem mais do que os 54.501.118 que a escolheram Dilma. Certa feita um adversário de Marat, o porra-louca da fase do Terror da Revolução Francesa, referiu-se a ele nestes termos: “Deem um copo de sangue a este canibal; ele está com sede”. Gilberto Carvalho está com sede. O ministro não se conforma que seus 130 mil militantes não consigam mandar na vontade de mais de 83 milhões. Carvalho não se conforma que o PT não tome, enfim, o lugar da sociedade. Dizer o quê para encerrar? Isto: “Não passarão!” Por Reinaldo Azevedo

PSDB governará quase 45% do PIB; em segundo lugar, vem o PMDB, com 22,4%

Abaixo, fiz um levantamento da distribuição dos Estados segundo os partidos, mas usando, para hierarquizar o poder das respectivas legendas, o PIB que elas governarão, segundo os números de 2011, do IBGE. O PSDB continuará a governar quase 45% do Produto Interno Bruto: dos atuais 43,8%, passará para 44,4%. É claro que São Paulo faz toda a diferença: sozinho, representa 32,6% do Produto Interno Bruto brasileiro. O que falta para chegar a 44,4% vem de Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará. O partido governava cinco Estados e com cinco ficará.

Em segundo lugar no PIB vem o PMDB, com 22,4%, quase a metade do que terão os tucanos. O partido ficou com o maior número de unidades da Federação: ao todo, serão sete, o mesmo de agora: Rondônia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Dos 22,4%, o Rio responde por 11,2%, e o Rio Grande do Sul, por 6,4%.
O partido que governará o terceiro maior PIB na soma dos Estados é o PT, com 16,1% — hoje em dia, 14,6%. É quase um terço do que terão os tucanos. Perdeu 6,4% do Rio Grande do Sul, mas ganhou os 9,3% de Minas e conseguiu manter os 3,9% da Bahia. Governava quatro Estados e vai governar cinco: além de Minas e Bahia, também Acre, Piauí e Ceará.
O PSB governava quatro unidades da Federação e terá apenas três: Distrito Federal, Paraíba e Pernambuco, mas o seu PIB passou de 6% para 7,4%. Desse total, 4% pertencem ao Distrito Federal. Com Santa Catariana e Rio Grande do Norte, o PSD governará 5% do PIB — 4,1% são dos catarinenses. PDT e PCdoB não governavam estado nenhum. O primeiro conquistou o Mato Grosso e o Amapá (juntos, 1,9%), e o segundo, o Maranhão: 1,3%. O PROS tinha apenas o Amazonas, com 1,6%, e, a partir de 2015, terá também o Ceará, somando 3,7%.
O PP passou a governar Minas — 9,3% do PIB — com a renúncia do tucano Antonio Anastasia, que resolveu disputar o Senado. A partir do ano que vem, o Partido Progressista terá apenas 0,2% do PIB nacional, que corresponde a Roraima, único estado em que venceu. DEM e Solidariedade não governarão Estado nenhum. O primeiro ficará sem os dois que tem hoje — Rio Grande do Norte e Roraima —, e o outro, sem Tocantins.
O PT obteve nas urnas o quarto mandato consecutivo para a Presidência, mas não conseguiu, como deseja, quebrar a espinha tucana. Na verdade, o PSDB, por muito pouco, não lhe tira também a Presidência da República.
Vejam a lista:
PSDB – Governa hoje cinco estados e continuará com cinco.
A partir de 2015 – 5: São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará. 44,4% do PIB.
Em 2014 – 5: São Paulo, Paraná, Goiás, Alagoas e Pará. 43,8% do PIB
PMDB – Governa hoje sete estados e com sete continuará.
A partir de 2015 – 7: Rondônia, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. – 22,4 do PIB
Em 2014 – 7: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia e Sergipe. – 17,3% do PIB
PT – Governa hoje quatro Estados e ficará com cinco.
A partir de 2015 – 5: Acre, Piauí, Ceará, Bahia e Minas. 16,1% do PIB
m 2014 – 4: Acre, Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. 14,6 do PIB
PSB – Governa hoje quatro estados e terá três.
A partir de 2015 – 3: Distrito Federal, Paraíba e Pernambuco. 7,4% do PIB
Em 2014 – 4: Amapá, Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco. 6% do PIB
PSD – Governa um estado e passará a ter dois
A partir de 2015 – 2: Santa Catarina e Rio Grande do Norte. 5% do PIB
Em 2014 – 1: Santa Catarina. 4,1% do PIB
PDT – Não governa nenhum estado e passará a ter dois.
A partir de 2015 – 2: Mato Grosso e Amapá. 1,9% do PIB
Em 2014 – Nenhum – 0% do PIB
PROS – Governa hoje dois Estados e ficará com um.
A partir de 2015 – 1: Amazonas. 1,6% do PIB
Em 2014 – 2: Amazonas e Ceará. 3,7% do PIB
PCdoB – Não governa nenhum e terá um.
A partir de 2015 – 1: Maranhão. 1,3% do PIB
Em 2014 – Nenhum.0% do PIB
PP – Governa um estado e terá um.
Em 2014 – 1: Minas Gerais. 9,3% do PIB
A partir de 2015 – 1: Roraima – 0,2% do PIB
Democratas – Governa hoje dois estados e não terá nenhum.
A partir de 2015 – Nenhum – 0% do PIB
Em 2014 – 2: Rio Grande do Norte e Roraima. 1,1% do PIB
Solidariedade – Governa 1 estado e não terá nenhum.
A partir de 2015 – Nenhum. – 0% do PIB
Em 2014 – Tocantins – 0,4% do PIB
Por Reinaldo Azevedo

No Rio Grande do Sul, Sartori dá uma surra eleitoral em Tarso Genro, que agora vai fazer o Pronatec

Tarso Genro levou uma surra e tanto no Rio Grande do Sul. José Sartori, do PMDB, elegeu-se governador com 61,29% dos votos válidos, contra 38,79% do atual governador, que é do PT. O Estado repete, assim, a tradição de não reeleger o titular do Executivo. Perguntam-me o que Tarso Genro vai fazer agora… Ah, dou a resposta que Dilma deu àquela indecisa do debate da Globo, que é economista e está desempregada porque tem 55 anos: que tal o Pronatec? Mas, também deve se perguntar: e o que Sartori fará no governo? Suas chances de ter um governo desastroso são enormes, porque ele ficará completamente à mercê do governo Dilma, que controla da incontrolável dívida do Estado. Não será de estranhar se José Ivo Sartori for obrigado a aceitar a imposição de alguns petistas em seu secretariado. E assim os gaúchos terão trocado seis por meia dúzia. 

Goiás reelege Marconi Perillo (PSDB)

Marconi Perillo, candidato à reeleição ao governo de Goiás pelo PSDB

O atual governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi reeleito neste domingo. Com mais de 92% das urnas apuradas, Perillo conta com 1,6 milhão de votos, o equivalente a 57,5% dos votos válidos. O tucano disputava a vaga com o peemedebista Iris Rezende, que obteve 1,2 milhão de votos, ou 42,5% dos votos válidos. O resultado reedita as eleições de 1998 e 2010, quando Perillo também venceu Rezende no segundo turno. Já no primeiro turno, Perillo havia amealhado 45,8% dos votos, contra 28,4% do adversário. E poderia ter saído vitorioso logo na primeira etapa se uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) da última terça-feira tivesse sido tomada anteriormente. A corte indeferiu o registro de candidatura de Antônio Gomide (PT), que obteve 10% dos votos, por irregularidades na prestação de contas de 2010, quando era prefeito de Anápolis. Com os votos do petista anulados, o governador chegaria a 51% no primeiro turno e seria reeleito. A defesa de Gomide recorreu e o caso aguarda uma decisão da Justiça. Com a vitória, Perillo comandará o Estado pela quarta vez. Ele não ocupou o cargo entre 2006 e 2010, período em que seu então apadrinhado Alcides Rodrigues foi o governador. Enquanto esteve fora do Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano, Perillo foi senador por seu Estado, eleito com quase 80% dos votos válidos.

Waldez derrota Capiberibe e volta ao comando do Amapá

Waldez Góes, candidato ao governo do Amapá pelo PDT

Waldez Góes (PDT) derrotou Camilo Capiberibe (PSB) neste domingo e voltará ao comando do Amapá. Com 89% das urnas apuradas, Góes soma 60,8% dos votos válidos, contra 39,2% do atual governador.No primeiro turno, Góes obteve 42,2% dos votos, contra 27,5% do socialista. Pesquisas de intenção de voto já apontavam o pedetista como favorito para comandar o Amapá pelos próximos quatro anos. Um dos principais aliados do peemedebista José Sarney, ele foi beneficiado pelos altos índices de rejeição de Capiberibe. Em 2010, junto com outros dezessete políticos locais, o candidato do PDT foi preso pela Polícia Federal na Operação Mãos Limpas. Eles eram acusados de integrar uma quadrilha de desvio de dinheiro público do Amapá e da União. Quando foi preso, Góes concorria ao Senado – meses antes, havia deixado o cargo de governador para disputar as eleições. Não conseguiu a cadeira no Congresso. Davi Alcolumbre foi eleito senador pelo Estado em 5 de outubro com 36% dos votos, derrotando Gilvam Borges (PMDB), candidato José Sarney. Foi o sucesso de uma impensável aliança do conservador DEM com o PSOL, sigla fundada para abrigar o grupo conhecido como “radicais do PT”.

Reinaldo Azambuja (PSDB) é eleito governador no Mato Grosso do Sul

Reinaldo Azambuja (PSDB), candidato ao governo de Mato Grosso do Sul

Com uma vitória mais folgada que o esperado, Reinaldo Azambuja (PSDB) venceu a disputa pelo governo do Mato Grosso do Sul neste domingo. Com 91,3% das urnas apuradas, o tucano tinha 676.410 votos ou 55,33% dos válidos, contra 546.122 votos, ou 44,67% dos votos válidos, do petista Delcídio Amaral. No final, Azambuja teve 741.516 votos ou 55,34%, e Delcídio, 598.461 ou 44,66%. Azambuja se elegeu após uma virada na campanha. Ele terminou o primeiro turno na segunda posição, com cerca de 50.000 votos a menos que Delcídio. O senador petista comandou a CPI dos Correios, que culminou na denúncia do mensalão e, perdeu a chance de adquirir projeção interna significativa no PT.

Camilo Santana, candidato do clã Gomes, vence no Ceará

Camilo Santana, candidato ao governo do Estado do Ceará

Desconhecido pela grande maioria do eleitorado cearense no início da campanha, o candidato do PT, Camilo Santana, venceu as eleições para o governo do Estado, neste domingo, com 53,24% dos votos, contra 46,76% de seu rival, Eunício Oliveira (PMDB). Até às 20h15, 96,21% das urnas haviam sido apuradas. O futuro governador representa a continuidade da atual gestão, comandada pelo clã Gomes. Há oito anos, Cid Gomes (Pros) governa o Estado que tem o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste, com seis milhões de eleitores. No início da campanha, Santana tinha menos de 10% da preferência do eleitorado, segundo as primeiras pesquisas eleitorais. Mas após o forte apoio dado pela família Ferreira Gomes, sua candidatura deslanchou e, nos últimos levantamentos, o petista despontou numericamente à frente de seu rival. Cid Gomes não poupou esforços para impulsionar a candidatura de Santana e participou, inclusive, de "adesivaços" em cidades estratégicas. No primeiro turno, a presidente Dilma Rousseff (PT) registrou 68,5% da preferência do eleitorado no Estado. "Nos 160 municípios que visitei na campanha, ouvi os problemas, as expectativas, mostrei coisas boas que o Ceará conseguiu nos últimos sete anos, como as escolas profissionalizantes, hospitais no interior, geração de emprego recorde, o Cinturão das Águas, que vai resolver o problema da seca", afirmou Santana, em coletiva à imprensa. "Mas também mostrei os grandes desafios que o Ceará ainda vai ter" acrescentou, na manhã deste domingo, após votar no município de Barbalha, no interior do Estado. Em sua trajetória política, Santana foi o deputado estadual mais votado do Ceará em 2010, quando recebeu mais de 131 mil votos. Licenciado do cargo, assumiu a Secretaria de Cidades, antes de ser escolhido pelos irmãos Gomes para disputar o pleito estadual. Durante a campanha, foi acusado de envolvimento no chamado "escândalo dos banheiros fantasmas", por conta de supostos fechamentos de contratos fraudulentos para a construção de banheiros para famílias de baixa renda. Entre suas principais propostas, está a ampliação de escolas de tempo integral, a melhoria da qualidade de serviços de saúde e a organização da área de segurança pública, um dos temas centrais desta eleição. Camilo sai vitorioso de uma das campanhas mais agressivas que o Ceará já teve, em que sofreu - e também fez - diversos ataques conta Eunício. O peemedebista chegou a acusar o petista de "homem dócil", que não teria dificuldades para obedecer seu chefe (Ciro). "Essa história de "família Gomes' não é um clã. Estamos na vida pública, não por interesse pessoal, ou familiar, mas por vocação para servir", rebateu o governador. "Essa campanha teve uma característica dúbia: de um lado você teve um candidato que se esforçou e, foi visto pela sociedade, para apresentar propostas (...) e de outro, uma espécie de biruta de aeroporto, com propostas mirabolantes ou a mais pura e desqualificada agressividade", disse Ciro Gomes, em referência a Eunício. Após o primeiro turno, a campanha foi marcada por escândalos, com batidas policiais, recolhimento de materiais difamatórios, como faixas, jornais e DVDs. Houve ainda processos, por parte do próprio governador, contra policiais acusados de fazer campanha na Internet. No segundo turno, para evitar crimes eleitorais, a segurança em 11 municípios cearenses foi reforçada por 2.500 oficiais da Força Nacional. O envio das tropas foi autorizado após o governador Cid Gomes ter acusado a atuação de supostas milícias policiais facilitando crimes eleitorais em favor do candidato peemedebista no primeiro turno. Eunício, por sua vez, acusou Camilo Santana de usar a máquina pública para ampliar sua vantagem na disputa.