sábado, 25 de outubro de 2014

EX-ADVOGADO DA CAMPANHA DE DILMA, QUE ESTÁ NO TSE, CENSURA CAMPANHA PUBLICITÁRIA DA VEJA E CONCEDE DIREITO DE RESPOSTA AO PT. REVISTA RECORRE AO SUPREMO



O TSE decidiu censurar a publicidade habitual que a revista VEJA faz de suas edições, a exemplo de qualquer outro veículo de comunicação. Por quê? Porque traz a reportagem informando que, segundo Alberto Youssef, Dilma Rousseff e Lula sabiam da roubalheira na Petrobras. O texto também informa que o doleiro se dispôs a ajudar a polícia a localizar contas secretas do PT no Exterior. Segundo o ministro Admar Gonzaga, “ainda que a divulgação da VEJA apresente nítidos propósitos comerciais, os contornos de propaganda eleitoral, a meu ver, atraem a incidência da legislação eleitoral, por consubstanciar interferência grave em detrimento de uma das candidaturas”. Gonzaga foi advogado da campanha presidencial de Dilma em 2010. A justificativa é absurda: “em detrimento de uma das candidaturas” por quê? Quer dizer que, se houvesse um outro doleiro que disse algo parecido sobre o PSDB, aí tudo bem? Uma revista agora fica obrigada a fabricar escândalos “do outro lado” quando topa com o escândalo “de um dos lados”? O nome disso é censura. A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) classificou a decisão provisória do TSE de “inconstitucional”. Segundo a entidade, “a intervenção do TSE, além de extemporânea, fere a liberdade de imprensa, agride o Estado de Direito e conspurca os princípios que regem a atividade econômica em nosso país”.
Direito de resposta?
Admar Gonzaga está mesmo inquieto. Há pouco, concedeu à campanha de Dilma direito de resposta, determinando que o site da VEJA publique a contestação da reportagem. A revista recorreu ao Supremo contra as duas decisões.
Tenham a santa paciência. Parece que está caracterizado um ânimo de perseguição do PT contra a VEJA. Como o ministro Admar Gonzaga explica o fato de que, neste sábado, Folha e Estadão tenham publicado reportagens que endossam o que publicou VEJA, sem que os petistas tenham recorrido à Justiça?
A decisão do ex-advogado da campanha de Dilma embute um entendimento sobre o papel da imprensa: proteger candidatos de si mesmos, de suas respectivas trajetórias, de seus atos. O que ele queria? Que a revista tivesse escondido a informação?
Lembro aqui dois dispositivos constitucionais.
Inciso IX do Artigo 5º da Constituição:
“IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”
Artigo 220:
“A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”
Ou Admar Gonzaga não leu esses dois trechos ou decidiu não concordar com eles. Por Reinaldo Azevedo

Argentina condena 15 à prisão perpétua por mortes na ditadura

Alguns dos vinte e um homens acusados ​​de crimes contra a humanidade durante a ditadura militar da Argentina são fotografados na sala do tribunal de julgamento, na cidade de La Plata

Quinze pessoas, entre militares da reserva e civis, foram condenadas à prisão perpétua por violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura na Argentina (1976-1983). A condenação aconteceu na sexta-feira, em um tribunal de  La Plata (62 quilômetros da capital Buenos Aires). Outras quatro pessoas foram sentenciadas a doze e treze anos de prisão e dois réus foram absolvidos. O grupo foi acusado de torturar e matar 135 pessoas, entre elas, a filha de Estela de Carlotto, líder da organização Avós da Praça de Maio, grupo que luta para encontrar familiares desaparecidos durante a ditadura. Segundo a acusação, as violações dos direitos humanos aconteceram em um centro clandestino de detenção, conhecido como "La Cacha", na periferia de La Plata. Estela Carlotto compareceu ao julgamento acompanhada do neto Guido Montoya, de 36 anoso qual reencontrou recentemente, após quase quatro décadas de busca. Os dois se abraçaram, enquanto o público aplaudia a leitura da sentença. O julgamento foi transmitido pela internet pelo Centro de Informação Judicial. Em seus 37 anos de existência, a organização Avós da Praça de Maio, fundada por Carlotto, conseguiu devolver a identidade de 115 bebês roubados na ditadura. Outros 400 filhos de presos políticos desaparecidos são procurados até hoje. Este ano, Carlotto recebeu distinções e reconhecimento internacional por seu trabalho humanitário na organização. Entre os réus condenados, o ex-chefe da polícia de Buenos Aires, Miguel Etchecolatz, que acumulou a segunda condenação à prisão perpétua. Além dos militares da reserva, também foram julgados membros do Serviço Penitenciário e civis, como o ex-funcionário do regime Jaime Smart. Desde que foram anuladas as Leis de Anistia no país, há dez anos, 547 ex-militares e ex-policiais foram condenados. Dos ditadores, o único ainda vivo é o ex-general Reynaldo Bignone, de 85 anos, que cumpre seis condenações por graves violações dos direitos humanos. Cerca de 30.000 pessoas desapareceram na ditadura, segundo grupos argentinos de defesa dos diretos humanos.

Debate na Globo bateu recorde de interações no Facebook

O debate presidencial com Aécio Neves e Dilma Rousseff, exibido na noite de sexta-feira pela Rede Globo, bateu recorde de interações no Facebook entre todos os debates das eleições deste ano. Ao todo, foram 19,9 milhões de comentários, posts e compartilhamentos. O número é praticamente o mesmo da soma das interações na rede social de todos os debates do primeiro turno juntos: 20 milhões. No debate do primeiro turno na Globo, haviam sido registradas 12,9 milhões de interações, ou seja, quase a metade do vista na noite passada. Segundo o Facebook, nas três horas do confronto ( duas horas de exibição e mais uma hora posterior) foram registrados mais de 6,6 milhões de comentários por hora, ou 36,6 mil por minuto. Considerando os dados desde o início da campanha eleitoral, em 6 de julho, foram geradas 594,4 milhões de interações no Facebook. O recorde anterior havia sido registrado durante as eleições indianas, realizadas no início de 2014, de 227 milhões. O volume brasileiro foi, porém, 2,6 vezes maior do que o registrado na Índia, que tem uma população seis vezes maior que a do Brasil e acumulou 227 milhões de interações durante a campanha deste ano. O Brasil já havia batido o volume indiano no primeiro turno, quando somou 346 milhões de interações. Somente no segundo turno, período de 21 dias, foram geradas 248,4 milhões de interações na rede. Nos 91 dias de campanha do primeiro turno houve 3,8 milhões de interações diárias, contra 13 milhões no segundo (3,4 vezes maior). Segundo levantamento feito pelo Facebook e pelo Social Bakers, nestas eleições, três em cada cinco eleitores brasileiros têm conta na rede social e metade dos brasileiros presentes na rede gerou algum tipo de interação sobre eleições durante a campanha. Na disputa por fãs na rede social, Aécio venceu. O candidato tucano já começou a campanha na frente, com 800.000 fãs, contra 508.500 da presidente. Na medição feita neste sábado, dia 25 de outubro, Aécio contava com 3.350.822 fãs, 4,1 vezes mais do que no início da campanha. Já a candidata à reeleição, fechou com 1.805.325 fãs, 3,5 vezes maior.

Ato de apoio a Aécio Neves reúne multidão na Avenida Paulista

Manifestação de apoio ao candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, leva centenas de eleitores para a avenida paulista, neste sábado (25), em São Paulo

Um ato de apoio ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, reuniu pelo menos 8.000 pessoas neste sábado na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo informações da Polícia Militar. Já os organizadores do evento contabilizaram 12.000 pessoas. A caminhada começou às 15 horas no vão livre do Masp e seguiu pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, até o Parque do Ibirapuera. "É um momento histórico, do qual São Paulo vai se lembrar para sempre", afirmou ao site de VEJA o senador eleito José Serra, que participou da marcha. O tucano conquistou nestas eleições uma vaga no Congresso com mais de 11 milhões de votos. Também participaram do evento Eduardo Jorge (PV), derrotado na corrida pelo Planalto, o vereador tucano Andrea Matarazzo e o deputado federal Walter Feldman (PSB), porta-voz da Rede, grupo político da ex-senadora Marina Silva. Em terceiro lugar na corrida presidencial, Marina declarou apoio a Aécio neste segundo turno. Nas ruas, famílias com crianças, idosos e jovens acompanhavam o carro de som e empunhavam faixas de apoio ao candidato, além de diversos exemplares da revista VEJA desta semana, cuja reportagem de capa revela que o doleiro Alberto Youssef, um dos pivôs de um megaesquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a políticos e partidos desvendado pela Operação Lava Jato, afirmou em delação premiada à Polícia Federal que Dilma e Lula tinham conhecimento do assalto aos cofres da Petrobras. O ato foi organizado pelas redes sociais e grupos de discussão do WhatsApp com o hashtag #vemprarua, a mesma usada pelos manifestantes que protestaram em 2013. “No entanto, ao contrário daqueles atos, queremos mudar o Brasil por vias institucionais, pelo voto”, afirmou ao site de VEJA o empresário Rogério Chequer, de 46 anos, um dos quatro organizadores do evento. “Queremos mudança partidária e esperamos que esse movimento seja aproveitado para incluir pessoas que têm interesse político no debate pelas reformas do país.”

Ex-ministro de Dilma parabeniza vândalos que atacaram prédio da Abril

No Twitter, Orlando Silva elogia ataque ao prédio da Editora Abril

Ex-ministro de Lula e Dilma, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB) parabenizou os vândalos que depredaram na noite desta sexta-feira o prédio da Editora Abril, que publica VEJA, em São Paulo. As pichações foram assinadas pela União Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB. Em sua edição desta semana, VEJA revela depoimento prestado na última terça-feira pelo doleiro Alberto Youssef, que atuava como banco clandestino do petrolão, em que ele implica a presidente e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, no esquema de corrupção. Pelo Twitter, Silva classificou o ato de vandalismo como “corajoso” e afirmou sentir "orgulho" da depredação promovida pelo grupo. Em 2011, Orlando Silva foi defenestrado do comando do Esporte após VEJA revelar a existência de um esquema organizado pelo PCdoB na pasta para desviar dinheiro público usando ONGs amigas como fachada. O então ministro foi apontado como mentor e beneficiário dessa engrenagem. 

Datafolha: Aécio sobe e empata tecnicamente com Dilma

Candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB)

Pesquisa Datafolha divulgada na tarde deste sábado aponta que o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, recuperou terreno na véspera das eleições e está tecnicamente empatado com a presidete-candidata Dilma Rousseff (PT), no limite da margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. Segundo o levantamento, encomendado pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo, a petista lidera a corrida com 52% das intenções de votos válidos (excluídos brancos, nulos e os eleitores indecisos), e o tucano tem 48%. Na sondagem anterior, feita pelo instituto, nos dias 22 e 23, Dilma marcava 53%, e Aécio tinha 47%. Se considerados os 5% de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo e outros 5% de indecisos, Dilma tem 47% das intenções de voto, e Aécio, 43%. O instituto entrevistou 19.318 eleitores, em 400 municípios brasileiros, na sexta-feira e neste sábado. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral com o número BR-1210/2014.
Pesquisa eleitoral 25/10

As pesquisas: Aécio está em ascensão. Ou: Melhor enfrentar as dificuldades andando institucionalmente para a frente, com o tucano, do que para trás, com Dilma

Quem vai ganhar a eleição? Não sei. Espero que seja Aécio Neves, do PSDB. Certas ou erradas, as respectivas pesquisas dos dois institutos mais conhecidos, Ibope e Datafolha, captam o que parece inequívoco: o tucano está recuperando votos. Vários fatores podem ter contribuído para isso. Um deles, certamente, é o debate da TV Globo, com 30 pontos de audiência, coisa digna, assim, de um jogo entre Corinthians e Flamengo. O desempenho de Aécio, reconhecem os próprios petistas, foi arrasador; o de Dilma, constrangedor. Se havia gente em dúvida sobre quem parece mais competente para dirigir o país, não foi difícil tomar uma decisão. Há, sim, o efeito da reportagem publicada por VEJA na sexta-feira. Segundo Alberto Youssef, Dilma e Lula sabiam das lambanças ocorridas na Petrobras. A propósito: agora não é mais só a VEJA. A Folha e o Estadão reafirmaram a apuração da revista, como se isso fosse necessário. Estamos lidando com fatos, não com o boatos, desde a primeira hora. Se alguém mentiu, não foi a imprensa.  O PT, Lula e Dilma vão processar também os dois jornais? Dilma foi à TV, no horário eleitoral, demonizar a revista, estimulando uma verdadeira campanha do ódio contra a publicação. No dia seguinte, uns 10 ou 12 truculentos foram à porta da Editora Abril para protestar. Até aí, vá lá. Mas fizeram a seu modo: picharam a área externa do prédio, rasgaram exemplares da revista, pediram “controla social da mídia” — outro nome para a censura. Sim, eram eleitores de Dilma. Ela não mandou ninguém quebrar nada, é claro. À medida, no entanto, que uma presidente da República sataniza abertamente uma publicação que apenas cumpriu o seu dever,  é evidente que está emitindo um sinal. Aliás, a presidente emite um péssimo sinal também para a hipótese de ter um segundo mandato. A exemplo do que já faz o seu partido, é possível que queira governar com a faca nos dentes, num ambiente em que terá metade do eleitorado na oposição, uns 20% que se abstiveram, quase 10% que não votaram em ninguém, uma economia com crescimento perto de zero, pressão inflacionária, baixos investimentos… Se ganhar, Dilma vai ter de arcar com as consequências de ter exercitado o discurso do ódio, do rancor e do confronto. Esses fatores todos, tudo indica, estão pesando na reta final. Vamos ver. Em dois dias, a distância no Ibope e no Datafolha caiu dois pontos: é de seis a favor da petista no primeiro instituto (53% a 47%) e de quatro, na margem de erro, no segundo: 52% a 48%. No MDA, Aécio aparece numericamente à frente 50,3% a 49,7%. Acho, sim, que a diferença tende a ser apertada e torço para que esteja em curso uma onda pró-Aécio — ou que a onda sempre tenha existido e jamais tenha sido percebida por alguns institutos. É o melhor para o Brasil. A vida do futuro governante não será fácil, qualquer que seja o eleito. Mas é melhor enfrentar as dificuldades andando institucionalmente para a frente — com Aécio — do que para trás, com Dilma. Por Reinaldo Azevedo

Aécio se recupera, diminui distância no Ibope, empata no Datafolha e está numericamente à frente de Dilma no MDA

Segundo o Ibope, o tucano Aécio Neves (PSDB) tem 47% dos votos válidos, e Dilma Rousseff (PT), 53% — uma diferença de seis pontos. Há dois dias, a distância apontada pelo instituto era de 8. No Datafolha, a petista tem 52%, e o tucano, 48%, uma diferença de quatro pontos — que está na margem de erro. Há dois dias, a diferença, nesse caso, era de seis. Tudo aponta para uma recuperação de Aécio. Já a pesquisa CNT/MDA mostra empate técnico, mas com Aécio na frente: 50,3% a 49,7%. Voto daqui a pouco.

Doleiro desmaia na carceragem e é levado para UTI em Curitiba

O doleiro Alberto Youssef foi encaminhado neste sábado, 25, para a UTI do hospital Santa Cruz em Curitiba, após sofrer forte queda de pressão na hora do almoço, chegando a desmaiar na carceragem após a refeição. A suspeita é de ele que tenha sofrido um enfarte, mas o doleiro ainda será submetido a exames cardiológicos. “É o estresse pelo qual está passando, é natural. Mas não tem diagnóstico ainda”, afirmou o advogado de defesa do doleiro, Antonio Figueiredo Basto. Caso se confirme o enfarte, essa será a terceira vez que ele sofre de parada cardíaca desde que caiu no radar da Polícia Federal. A primeira foi no ano passado, quando ainda era monitorado pela PF, sem saber. Nas conversas interceptadas com autorização judicial, ele e seus subalternos comentam o episódio em que o doleiro esteve internado por conta do coração. Já em 2014, após ser preso, ele teve outra internação em julho, quando chegou a passar por um cateterismo. Principal alvo da Operação Lava Jato, que teria lavado cerca de R$  10 bilhões, o doleiro está preso na carceragem da Polícia Federal no Paraná. Ele é acusado de liderar um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas a políticos envolvendo a Petrobrás. Alvo de 4 ações penais na Justiça Federal do Paraná, Youssef decidiu fazer uma delação premiada e vem prestando depoimentos ao Ministério Público Federal, nos quais revelou que o ex-presidente Lula  teria dado uma ordem em 2010 ao então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, para que ele resolvesse uma pendência com uma agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na estatal. O doleiro, contudo, não apresentou nenhum detalhe ou prova. Os depoimentos estão sendo tomados em sigilo e ainda serão submetidos ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que vai decidir se homologa ou não o acordo. Caso seja homologado, o doleiro poderá conseguir atenuar sua pena.

Doleiro diz que Lula mandou pagar agência envolvida na corrupção. A ordem de Lula para Gabrielli: "Pague essa merda !"

Os jornalistas Ricardo Brandt e Fausto Macedo, no Estadão deste sábado, contam que o  doleiro Alberto Youssef afirmou nos termos de sua delação premiada que o então presidente da República, o alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr. em seu livre "Assassinato de Reputações") deu ordem em 2010 ao então presidente da Petrobras, o petista José Sérgio Gabrielli, para que ele resolvesse uma pendência com uma agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na Petrobrás. “O Lula ligou para o Gabrielli e falou que tinha que resolver essa merda”, revelou o doleiro em um dos seus vários depoimentos que vem prestando à Justiça a fim de tentar reduzir sua pena ao colaborar com as investigações da Operação Lava Jato.

Aécio vence rigorosamente todos os embates com Dilma nesta sexta; tucano faz na Globo o melhor debate da série, e Dilma, o pior

Nunca antes na história desta eleição o tucano Aécio Neves tinha se saído tão bem num debate, e a petista Dilma Rousseff, tão mal. Ele é, nem petista pode negar, um debatedor mais competente do que ela, mas a desproporção jamais havia sido tão gritante. No encontro da Globo, Aécio foi melhor do que a média de Aécio, e Dilma, pior do que a média de Dilma. A presidente-candidata estava com o raciocínio confuso, mais do que de hábito, o discurso lhe saía truncado, as ideias, aos borbotões, sem um eixo organizador. Se é assim que ela pensa no dia a dia da administração, muita coisa se explica.

Dilma, a rigor, levou um direto no queixo logo no primeiro embate, ficou atordoada e não conseguiu mais se recuperar. O tucano abordou a reportagem publicada por VEJA, segundo a qual o doleiro Alberto Yussef confessou à Polícia Federal e ao Ministério Público que ela e Lula sabiam das lambanças ocorridas na Petrobras. O candidato do PSDB disse que daria a Dilma a chance de se explicar e perguntou: “A senhora sabia?” Dilma resolveu atacar a revista VEJA e anunciou que tomará decisões na Justiça. Na réplica, Aécio lamentou a resposta, criticou a sordidez dos ataques de que foi vítima e indagou se a adversária se orgulhava da campanha que fez. Dilma não respondeu; tartamudeou. O massacre se anunciava. Não vai aqui, acreditem, torcida ou juízo ditado por afinidades eletivas. Revejam o confronto. Dilma não conseguiu vencer um único embate.
Sobre a “questão VEJA”, uma nota rápida: neste sábado, outros grandes veículos de comunicação fazem relatos parecidos, alguns até com detalhes novos. A exemplo do que faz a revista, atribuem as informações a Alberto Youssef, fornecidas no curso da delação premiada. Dilma pretende processar todos eles ou tem especial predileção por VEJA?
Notem: acho que os petistas podem destacar aspectos virtuosos de sua gestão ao longo de 12 anos. Não estão no terceiro mandato, com chances reais de conquistar o quarto, porque só cometam equívocos. Por que, então, precisam apelar com tanta determinação ao que não aconteceu, atribuindo aos adversários o que não fizeram? Resposta: porque esse é e sempre foi o jogo de Lula; o jeito que ele tem de fazer política.
Dilma disse que FHC deixou como herança uma inflação maior do que a que herdou — é falso! Que o governo (de novo!) tucano proibiu a construção de escolas técnicas. É falso. Atribuiu ao PSDB a responsabilidade por Minas ser a segunda unidade da Federação mais endividada do país. É falso. A dívida é a segunda, mas a gestão do partido, que pegou o Estado quebrado, reduziu o endividamento em 37%. A presidente-candidata disse ainda que os tucanos não têm apreço pelo salário mínimo. É falso. Nas gestões FHC, o aumento real passou de 85%. Segundo Dilma, seus adversários são contra o Enem. Ocorre que ele foi criado na gestão Paulo Renato — ministro de Educação de FHC. A petista voltou a chamar as ETECs de São Paulo, nas quais se inspira o Pronatec, de escolas experimentais. Falso! São 217 escolas, com 221 mil alunos.
Dilma levou algumas invertidas inesperadas porque o adversário já conhecia a resposta e tinha planejado o contra-ataque. Aécio perguntou se ela continuava a achar José Dirceu um herói ou se considerava justa a punição que lhe foi aplicada. A presidente-candidata fez o que dela se esperava: devolveu com o que chama de “mensalão mineiro”. Coube ao tucano o arremate: um dos coordenadores da campanha da petista em Minas é Walfrido dos Mares Guia, peça-chave do que ela chama mensalão mineiro. Então Dilma acredita que esse tal crime aconteceu, mas chama seu principal organizador para a coordenação de sua candidatura em Minas?
O momento emblemático se deu no confronto sobre a corrupção. Um dos indecisos quis saber o que era preciso fazer para combatê-la. Cada candidato elencou as suas medidas e coisa e tal, mas Aécio partiu para a política: a mais eficaz das medidas, disse ele, é mesmo tirar o PT do poder.
Dilma perdeu feio até quando parecia que poderia ganhar. Quando se debate a questão das aposentadorias, Aécio afirmou que pretende criar um meio de acabar com o fator previdenciário. Mais uma vez, convidou Dilma para o corpo a corpo, e ela foi, afoita: afirmou que o dito-cujo foi criado no governo FHC. É verdade. E Aécio concordou. Só que ele lembrou que o Congresso aprovou o fim do fator, mas que Lula vetou. Xeque-mate.
Quantos votos o bom desempenho num debate muda ou conquista? Ninguém sabe. O fato é que Aécio está no segundo turno, contra a previsão de todos os institutos de pesquisa. E foi, sem dúvida, o melhor debatedor da jornada. Venceu o embate. Vamos ver agora o que acontece nas urnas. Para encerrar: o debate da Globo teve quase audiência de novela: 30 pontos. Foi um banquete para os indecisos.
Caso os principais institutos de pesquisa voltem a cometer erros gritantes, já dispõem de uma boa desculpa: foi o debate da Globo que mudou tudo! Por Reinaldo Azevedo