sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Diretor do Ipea pede exoneração após órgão se negar a divulgar estudo sobre desigualdade

Herton Araújo, diretor do Ipea

Herton Araújo, diretor do Ipea que pediu exoneração nesta sexta (Ipea/Reprodução)
Uma decisão inédita tomada pela direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de proibir a publicação de estudos realizados pelos pesquisadores envolvendo dados públicos divulgados entre julho e o fim das eleições presidenciais, deu origem a mais uma crise interna. O diretor de estudos e políticas sociais do Ipea, Herton Araújo, colocou seu cargo à disposição por discordar da definição da cúpula do Instituto e, nesta sexta-feira, pediu sua exoneração. Disposto a publicar um estudo técnico com dados sobre miséria social no Brasil a partir da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada há três semanas, Araújo trouxe o assunto à reunião da diretoria colegiada do Ipea, realizada no dia 9 deste mês. Ele não conseguiu. A decisão do Ipea foi mantida: estudos somente serão divulgados a partir do dia 27 de outubro, após a realização do segundo turno eleitoral. Segundo nota do Ipea "o Sr. Araújo procurou convencer os demais membros do colegiado a rever a decisão, restando vencido". Não se trata do primeiro estudo preso nas gavetas do Ipea. Em setembro, que o Instituto havia engavetado outro levantamento, desta vez, feito com base nos dados das declarações de Imposto de Renda de brasileiros, e que mostrava que a concentração de renda havia aumentado no Brasil entre 2006 e 2012. A tese, curiosamente, contraria o discurso recorrente dos governos petistas. A credibilidade do Instituto foi colocada em risco em outra ocasião em 2014. Levantamento divulgado em março deste ano mostrava que 65% dos brasileiros concordariam total ou parcialmente com a idéia de que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. O dado correto, divulgado posteriormente, era de 26%.

Baixarias petistas vão continuar, PT quer colocar as mulheres contra Aécio Neves

O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (Rede), concedem entrevista em São Paulo

Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (Rede), concedem entrevista em São Paulo (Joel Silva/Folhapress)
As baixarias da campanha petista vão ser reforçadas na televisão: a equipe de marketing da presidente-candidata Dilma Rousseff vai exibir inserções com cortes em que o candidato tucano Aécio Neves aparece com o dedo em riste nos debates entre presidenciáveis – sobretudo em respostas a Dilma, Luciana Genro (PSOL) e Marina Silva. Os petistas, que passaram a fazer ataques ao caráter de Aécio, agora querem sugerir que o candidato é agressivo com as mulheres. O público-alvo dos vídeos é bem específico: mulheres das periferias das grandes cidades, geralmente mais vulneráveis à violência doméstica. A campanha de Dilma tenta conter o avanço do tucano nessas regiões.

Vendas de aparelhos de ar-condicionado saltam 323% em São Paulo

Consumidores antecipam compra de ares-condicionados para evitar desabastecimento

Consumidores antecipam compra de ares-condicionados para evitar desabastecimento
As altas temperaturas que atingem, especialmente, as regiões Sudeste e Centro-Oeste têm impulsionado as vendas de ventiladores, climatizadores e ares-condicionados no Estado de São Paulo. Segundo o site comparador de preços Zoom, em 300 lojas on-line (que respondem por 90% do varejo virtual), a procura por ares-condicionados e ventiladores saltaram 323% e 54%, respectivamente, em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Além disso, nos últimos 15 dias, Casas Bahia e Ponto Frio dobraram as vendas desses produtos: outro dado que comprova que os consumidores estão adiantando as compras para aproveitar preços mais baixos e evitar problemas de desabastecimento. Para o presidente do departamento nacional de instalação e manutenção da Associação Brasileira de Refrigeração (Abrava), Arnaldo Parra, se as temperaturas continuarem acima de 30º, a dificuldade para encontrar os aparelhos pode aumentar. "As empresas do ramo não tiveram um desenvolvimento expressivo para atender (no início do próximo ano) a uma demanda parecida com a de 2014".

Agora Dilma diz, em Florianópolis: "Paulo Roberto Costa nunca foi da minha confiança"

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), participa de agenda de campanha em Florianópolis

Dilma Rousseff (PT) em Florianópolis(Jeronimo Carmo/Mafalda Press/Folhapress)
A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta sexta-feira que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator do esquema de desvio de verbas e de financiamento ilegal de partidos à Justiça Federal, nunca foi uma pessoa da sua confiança e negou que tenha cogitado nomeá-lo ministro das Cidades. Pivô do petrolão, Paulo Roberto Costa foi preso durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, fez acordo para colaborar com as investigações e agora cumpre prisão domiciliar. O ex-executivo da Petrobras foi indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento no primeiro mandato do ex-presidente Lula, em maio de 2004, época em que Dilma era ministra de Minas e Energia. Depois de participar de reunião com prefeitos e o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), em Florianópolis, Dilma negou que tenha cogitado fazer de Paulo Roberto Costa seu ministro das Cidades, cargo ocupado em seu governo por nomes do PP. “Eu não tenho a menor idéia de quem indicou. Eu não fui quem indicou e nem quem nomeou, porque ele jamais foi ministro das Cidades no meu governo. No meu governo, para ser convidado para alguma coisa, só eu convido. Ele não só não foi, como deixou de ser diretor da Petrobras. Ele nunca foi uma pessoa da minha confiança”, afirmou. Até deixar a Petrobras em 2012, Paulo Roberto Costa também presidiu os conselhos de administração de refinarias da petrolífera, como Abreu e Lima, negócio que também envolveu pagamento de propina, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. Em seu primeiro ato de campanha em Santa Catarina, a presidente prometeu ajudar os cerca de 160 governantes municipais presentes ao evento. Eles foram arregimentados pelo governador reeleito Raimundo Colombo (PSD). Dilma pediu que os prefeitos colocassem a militância nas ruas por um “voto combativo” e comparou sua trajetória política com a de Anita Garibaldi, filha de imigrantes italianos que combateu na Guerra dos Farrapos, no século XX. “As mulheres catarinenses sempre foram mulheres corajosas. Eu tenho certeza que eu honro a tradição da Anita Garibaldi”, disse Dilma. “Eu honro, sobretudo, a tradição do nosso País, de ser um País que detesta a divisão. Eu não serei eleita para ser a presidenta segregada e reduzida por uma parte da sociedade. Não serei a presidenta que eles querem que eu seja, defendendo só uma parte, mas de todos os brasileiros. Desde o Lula, nós temos essa relação com os prefeitos e os governadores, não olhamos partido. Agora, eu também sei muito bem valorizar aqueles que me apoiam". Dilma e Colombo se aproximaram em 2012 depois que o governador se emocionou, em Brasília, ao tentar renegociar a dívida do Estado e ao pedir ajuda para evitar o corte de receita de 90 milhões de reais ao mês por causa de mudanças na arrecadação do ICMS. Colombo obteve verbas federais para realizar obras de barragens anti-enchente no Vale do Itajaí, ao custo cerca 1 bilhão de reais, na região afetada por chuvas. A presidente afagou o neoaliado em público nesta sexta: “Ao longo da vida política, a gente encontra pessoas que não tinha nenhum indicativo de que teria uma excelente relação. Eu me refiro ao governador Colombo com que construí um relacionamento de alta qualidade. As pessoas não sabem que a vida política dá alguns presentes. Esse foi um presente que eu recebi”. Aos cerca de 4.000 militantes e cabos eleitorais presentes no centro de convenções onde o ato político ocorreu Dilma trocou juras de amor. Elas respondeu aos gritos de "Dilma eu te amo", com a frase: "O bom de me amar é que eu amo vocês. A coisa mais triste é amor não correspondido".

Eike Batista se livra de dívida bilionária da OGX

Com o avanço da recuperação judicial, a OGPar passou a deter 28,5% das papéis da OGX

OGPar passou a deter 28,5% das papéis da OGX (Fred Prouser/Reuters/VEJA)
O empresário Eike Batista se livrou de uma dívida de 13,8 bilhões de reais depois de entregar na quinta-feira o controle da OGX aos credores da companhia. Um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que a OGX aprovou a capitalização dos créditos concursais e extra-concursais com credores que aderiram ao plano de recuperação judicial da empresa, o que resultou na capitalização de 13,8 bilhões de reais e na transferência de mais de 70% das ações para os credores. Com o avanço da recuperação judicial, a OGPar, ainda controlada por Eike Batista, ficou com 28,5% das papéis da OGX. “Nos termos do plano de recuperação, a efetiva entrega das ações da OGX aos credores representa pagamento integral dos referidos créditos, desobrigando e desonerando, por completo, a OGX, OGPar e OGX Áustria como devedoras principais”, disse o documento.

ONS reduz estimativas de chuva e eleva previsão de consumo de energia, apagões a caminho no verão

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reduziu a estimativa de chuvas que deverão chegar aos reservatórios das hidrelétricas do País em outubro, com todas as regiões sofrendo afluências bem abaixo da média, com exceção do Sul. A baixa pluviosidade desde o ano passado mantém as represas do País em níveis baixos históricos. No Sudeste e no Centro Oeste o nível já é o mais baixo entre as represas brasileiras desde o ano do racionamento, em 2001. Segundo o Informe do Programa Mensal de Operação (PMO) do ONS divulgado nesta sexta-feira, as chuvas previstas em outubro para o Sudeste/Centro-Oeste, que concentra os principais reservatórios de hidrelétricas do país, deverão ser de 67% da média histórica para o período. Assim, o nível dos reservatórios dessa região deverá cair dos atuais 22,09% para cerca de 19% ao final do mês. A redução do nível dos reservatórios do Sudeste ocorre quase que ininterruptamente desde junho de 2013, sendo que o período úmido 2013/2014 não conseguiu recuperar as represas. O próximo período tradicionalmente chuvoso, de novembro a março, será crucial para evitar problemas de suprimento de energia em 2015, dizem especialistas do setor. No Norte, as chuvas que chegarão às hidrelétricas serão equivalentes a 67% da média, e no Nordeste, a 38%. Somente o Sul continuará com chuvas acima da média, a 147%. O ONS ainda elevou nesta sexta-feira a estimativa de aumento de consumo de carga de energia no País em outubro para alta de 2,4% ante mesmo mês de 2013. Na semana passada, o ONS estimava alta de 1,3% no consumo neste mês. Altas temperaturas elevam o uso de equipamentos de refrigeração e, como consequência, o consumo de energia. A piora das perspectivas levou ao aumento do Custo Mensal de Operação (CMO) do sistema elétrico para uma média de 852,7 reais por megawatt-hora (MWh), em todas as regiões, indicando elevação do preço de energia de curto prazo (PLD) para a próxima semana.

Cade aprova compra da Transbrasiliana pelo Grupo Triunfo

Bodes às margens da rodovia em Pindobaçu (BA)

Transbrasiliana: Cade aprova aquisição pelo grupo Triunfo (Jonne Roriz/VEJA)
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição, pela Dable Participações, da totalidade das ações de emissão da BR Vias Holding TBR, que detém o capital social da Transbrasiliana Concessionária de Rodovia. A Dable é uma holding não operacional parte do Grupo Triunfo, que possui participação em empresas concessionárias de serviços públicos de transporte rodoviário, de geração de energia elétrica, de logística portuária e administração de aeroportos. A empresa adquirida, a Transbrasiliana, atua na administração da concessão da rodovia BR-153 no trecho entre a divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais e a divisa dos Estados de São Paulo e Paraná. O aval para o negócio, anunciado pelo Grupo Triunfo em setembro no valor de 22,659 milhões de reais, foi dado pela Superintendência Geral do Cade. 

Em Curitiba, Dilma usa de novo o discurso terrorista do "medo" e esconde sua companheira derrotada Gleisi Hoffman

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, durante campanha com o vice, Michel Temer, em Curitiba, nesta sexta-feira (17)

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, durante campanha com o vice, Michel Temer, em Curitiba, nesta sexta-feira (17)  (Gisele Pimenta/Folhapress)
Em sua primeira visita ao Paraná durante a corrida eleitoral, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) voltou a usar a tática do medo, dizendo que a vitória do seu adversário Aécio Neves (PSDB) representa riscos ao País. “Nós precisamos de vocês, de cada um de vocês. A partir de hoje nós temos que ir às ruas. Falem com os amigos, falem com os vizinhos. Nós temos que mostrar as consequências se o Brasil voltar para trás. Nós temos que mostrar o que aconteceu nesse país quando eles governaram. Mostrar o que aconteceu com os trabalhadores, com estudantes, com cada um”, disse. A petista tentou justificar o tom agressivo de sua campanha afirmando que ela apenas responde aos ataques de seus adversários. "Nós não somos da guerra, da briga. Mas quando nos desafiam, a gente encara uma boa briga", disse. Antes da presidente, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que a vitória de Aécio e a visão econômica dos tucanos podem acabar transformando o Brasil em uma nova “Grécia ou Espanha”, dois dos países mais afetados pela crise européia. Depois de seu discursos, a presidente-candidata participou de uma carreata pelas ruas do centro de Curitiba. No carro, Dilma foi acompanhada pelo vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e Requião. Juntaram-se à comitiva o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e o ex-senador Osmar Dias (PDT). Uma ausência notável foi a da senadora Gleisi, que foi ministra-chefe da Casa Civil durante o governo Dilma e deixou o cargo para concorrer ao governo do Paraná. Gleisi era uma das apostas do PT nestas eleições, mas acabou amargando um vergonhoso terceiro lugar, com apenas 14,87 % dos votos, contra 55% dos obtidos por Beto Richa (PSDB-PR), que foi reeleito governador do Estado. Gleisi chegou a receber Dilma no aeroporto, mas desistiu de acompanhar a presidente no evento público. A carreata marcou a primeira visita de Dilma ao Paraná nesta campanha eleitoral, Estado onde enfrenta dificuldades para angariar votos. No primeiro turno, a presidente ficou com 32,54% dos votos no Estado, contra 49,79% de Aécio. Ao lado do candidato tucano ao Palácio do Planalto e de Richa, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também teve votação expressiva, conseguindo se eleger para novo mandato no Senado Federal, com 77% dos votos, o maior porcentual para o cargo do País. Durante o percurso, a comitiva de Dilma optou por não passar pela rua XV de Novembro, a avenida mais famosa de Curitiba e tradicional ponto de encontro para atos políticos. Na campanha de 2010, Dilma foi hostilizada quando passou pela avenida. Desta vez, ela passou por uma via paralela. A carreata percorreu cerca de 300 metros. Milhares de militantes petistas, reforçados por sindicalistas da Força Sindical, compareceram ao centro de Curitiba. Ao contrário de 2010, Dilma não foi hostilizada. O único incidente ocorreu antes da sua chegada. Militantes petistas agrediram um homem que levantou um exemplar do livro “Assassinato de Reputações”, do ex-secretário nacional de Justiça , Romeu Tuma Jr., que contém diversas denúncias contra o governo Lula. Policiais militares e outros militantes acabaram separando a briga e retiraram o homem, que teve um corte na cabeça. No carro de som, os organizadores pediram que os militantes se contivessem diante de “provocações”. 

PSDB acusa governo da Paraíba de usar presos como cabos eleitorais

Presos são obrigados a fazer campanha para Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba

Presos são obrigados a fazer campanha para Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba (Reprodução/VEJA)
O candidato tucano ao governo da Paraíba, Cássio Cunha Lima, acusou a campanha de Ricardo Coutinho (PSB), que tenta a reeleição, de usar presidiários que cumprem pena em regime semiaberto como cabos eleitorais. O programa eleitoral do PSDB na televisão exibiu imagens dos detentos, identificados nominalmente e com descrição dos crimes cometidos, distribuindo panfletos nas ruas de João Pessoa. O PSDB acionou o Ministério Público Eleitoral e a Vara de Execuções Penais sobre o caso. Segundo a campanha de Cunha Lima, os presos fazem parte do projeto de ressocialização O Trabalho Liberta, da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado. Eles trabalham no Departamento de Trânsito da Paraíba (Detran) e estariam sendo desviados do trabalho na repartição para fazer campanha. O procurador eleitoral da Paraíba Rodolfo Alves Silva afirmou que o Ministério Público Eleitoral irá ouvir os presos para saber em quais circunstâncias eles foram chamados para fazer campanha e em que horário a panfletagem foi realizada. “Eles podem se dedicar a outras atividades, mas fora do horário de trabalho”, diz o procurador. Em nota, o governo da Paraíba negou que os funcionários do Detran tenham sido coagidos a atuar na campanha de Coutinho. "Por fim, o Governo do Estado da Paraíba lamenta que, mais uma vez, o processo eleitoral estimule o levantamento de acusações infundadas contra uma gestão que, comprovadamente, age com respeito e compromisso, em nome da legalidade e da preservação dos princípios constitucionais da moralidade pública", diz a nota. A campanha de Coutinho se manifestou por meio de nota na qual ressalta o direito de apenados em demonstrar posições políticas. "Querer privar a liberdade de uma pessoa professar suas preferências políticas é uma atitude digna de coronéis que se acham donos da consciência do povo. A ‘velha política’ passou. Todos aqueles que, por algum motivo, tenham sido condenados pela Justiça, pagaram ou estão pagando suas penas, seja por homicídio ou por corrupção eleitoral, têm o direito garantido por lei de expressar suas convicções políticas, ideológicas ou suas intenções de voto", diz a nota.

Michel Temer diz que vai enquadrar rebeldes do PMDB depois das eleições; a possibilidade maior é dele ser ejetado da direção do partido

O vice-presidente da República, Michel Temer, disse nesta sexta-feira, em Curitiba, que pretende enquadrar as alas dissidentes do PMDB depois das eleições. Sem citar nomes nem especificar a corrente divergente que pode apoiar o candidato Aécio Neves (PSDB), Temer disse ainda que a centralização é necessária para que o PMDB possa até mesmo considerar lançar um candidato à Presidência em 2018. A possibilidade maior é de que ele seja defenestrado da direção do partido, no caso da vitória de Aécio Neves. “O que tem acontecido no PMDB é essa tolerância com movimentos de divergência. Logo depois das eleições, vamos reunir o partido e buscar uma unidade absoluta. Nós vamos definir uma conduta mais centralizadora, mais unificadora, para evitar essas divergências. Você não pode ter um partido com trinta correntes”, disse Temer, presidente licenciado da legenda. “Se houver pessoas que não acompanham o partido, elas não têm por que ficar. Têm que ir para o partido do candidato que elas estão apoiando”, disse Temer, na sede do diretório estadual do PMDB paranaense.  Na segunda-feira, as divisões no PMDB ficaram mais aparentes depois de o deputado e líder da sigla na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), sinalizar que ele e outros deputados podem apoiar Aécio caso ele ganhe as eleições. Cunha também afirmou que Temer não deve ter condições de continuar a chefiar a sigla caso Dilma perca. O deputado também disse que pelo menos metade da bancada do PMDB na Câmara simpatiza com Aécio. Temer negou que essa última informação seja verdadeira e disse que a maioria está com a presidente Dilma Rousseff (PT). O vice não especificou se pretende forçar a expulsão dos dissidentes, mas disse que os filiados que não estiverem satisfeitos vão poder sair sem sofrer punição do partido. “É melhor ter um partido enxuto que um partido diversificado”, afirmou. Temer disse ainda que tais medidas vão permitir que o PMDB possa arriscar lançar um candidato à Presidência em 2018. “Para lançar candidatura em 2018, o PMDB não pode fazer o que fez com Ulysses Guimarães ou com Orestes Quércia. Isso aconteceu porque o partido não era unificado. Para lançar candidato em 2018, o PMDB precisa estar unificado. E é isso que nós vamos fazer", disse ele, o que é uma evidente lorota. Temer pediu esforços do PMDB para que em 2016 o partido consiga eleger o maior número de prefeitos e também um grande número de governadores em 2018. “Eu preciso que vocês nos reelejam agora, porque, estando na vice-presidência, serei uma porta”, disse ele. Temer também pediu para que a militância saia para pedir votos: “Vá ao restaurante, ao bar, bate um papo, fala bem da Dilma, fala bem de mim”. Foi quase patético. O dirigente partidário quando chega a esse ponto, em que fala e pede e ninguém o atende, é um espetáculo lastimável.

Preço de energia dispara no mercado de curto prazo

Trabalhadores fazem manutenção em rede elétrica na zona sul de São Paulo

Trabalhadores fazem manutenção em rede elétrica na zona sul de São Paulo (Reinaldo Canato/VEJA)
O preço de energia de curto prazo voltou a subir ao patamar mais alto permitido para o ano, a 822,83 reais o megawatt, diante da redução da estimativa de chuvas que deverão chegar aos reservatórios das hidrelétricas em outubro em todas as regiões do Brasil. A energia consumida pelas residências é proveniente de um mercado regulado pelo governo. As distribuidoras que repassam a energia ao consumidor a compram em leilões promovidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que estabelece o preço a ser pago por megawatt levando em conta as perspectivas de demanda das próprias companhias. Quando a demanda excede a oferta, as distribuidoras são obrigadas a comprar no mercado de spot, também chamado de curto prazo, onde os preços são mais caros e sofrem grandes oscilações. No início do ano, o preço do megawatt ficou no patamar de 800 reais até abril.  Todas as regiões do país ainda terão afluências bem abaixo da média em outubro, com exceção do Sul, e o nível dos reservatórios na região Sudeste/Centro Oeste pode chegar ao final do mês a 19%, segundo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) — que seria o pior nível mensal já verificado pelo menos desde 2000. A baixa pluviosidade desde o ano passado mantém represas do país em níveis baixos históricos. No Sudeste/Centro Oeste o nível atual de 22,09 por cento já é o mais baixo entre as represas brasileiras desde o ano do racionamento, em 2001. O governo federal descarta racionamento atualmente e afirma que o risco de haver qualquer déficit de energia em 2015 está abaixo do patamar máximo aceitável de 5%. A expectativa de meteorologistas era de que as chuvas voltassem a ocorrer a partir das duas últimas semanas de outubro no Sudeste/Centro-Oeste, intensificando-se com o início do período úmido em novembro. Mas, segundo o Informe do Programa Mensal de Operação (PMO) do ONS divulgado nesta sexta-feira, as chuvas previstas em outubro para o Sudeste/Centro-Oeste, que concentra os principais reservatórios de hidrelétricas do País, deverão ser de apenas 67% da média histórica para o período.

Sai novo manifesto em apoio a Aécio Neves — desta vez, de ex-eleitores do PT

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, chega para o debate promovido pelo SBT, nesta quinta-feira (16), em São Paulo

O candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, recebe apoio de ex-petistas (Felipe Cotrim/VEJA.com)
A mobilização virtual de eleitores tem ido muito além dos compartilhamentos de virais em redes sociais. Manifestos têm sido produzidos por grupos intelectuais como forma de defender candidaturas e ideias. No início da semana, 164 economistas se mobilizaram para explicar detalhadamente por que a crise internacional — principal argumento usado pela presidente Dilma para explicar o fracasso econômico — é, na verdade, uma falácia. Agora, 246 intelectuais e profissionais liberais também redigiram um texto de apoio ao tucano Aécio Neves. Aqueles que assinaram afirmam, inclusive, terem sido ativistas de esquerda e/ou eleitores de candidatos petistas. "Sempre respeitamos o PT, em cujos candidatos muitos de nós já votaram. Pensamos que o rico pluralismo da esquerda deve se combinar com a recusa a qualquer posicionamento inflexível, submisso a princípios abstratos ou comandos partidários. Não aceitamos que nenhum partido atue como se fosse o único representante coerente da esquerda ou da democracia", afirma o texto, cujo título é "Esquerda Democrática com Aécio Neves". Os signatários da lista se dizem decepcionados com o PT, sobretudo após a campanha eleitoral deste ano, em que o partido dizimou a candidatura de Marina Silva à presidência. "A campanha petista no primeiro turno valeu-se de táticas e subterfúgios que desonram o bom debate. Caluniou, difamou e agrediu moralmente a candidatura de Marina Silva, sob o pretexto de que seria preciso fazer um "aguerrido" confronto político. Atropelou regras procedimentais e parâmetros éticos preciosos para a esquerda e a democracia", afirmam os autores. Segundo o texto, o tucano Aécio Neves poderá dar seguimento às políticas sociais dos últimos anos, além de ampliar os programas já existentes. "O capitalismo brasileiro se consolidou sob os governos do PSDB e do PT, tendo sido modelado pelas mesmas elites econômicas e pela predominância do capital financeiro. Agora, temos de avançar para um novo patamar de modernização e superar o padrão de liberalismo que presidiu àquela consolidação. Não dá para aceitar que os setores mais pobres da população sejam abandonados à própria sorte ou transformados em consumidores, em vez de cidadãos", dizem os autores. Entre os que assinaram a lista estão o ator Marcos Palmeira; o economista José Eli da Veiga, da USP; o ex-presidente do IBGE, Sergio Besserman Vianna, e o cientista político Luiz Eduardo Soares, que foi secretário de Segurança Pública no governo Lula.

Dilma mente sobre o número de pessoas atendidas pelo Mais Médicos em mais de 30 milhões

Uma das principais bandeiras da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff é o Programa Mais Médicos. A candidata já disse em debates na TV e em propagandas eleitorais que 50 milhões de pessoas passaram a ser atendidas pelos 14.462 profissionais em atuação no programa. A cifra é impressionante, mas irreal. Se fosse verdadeira, significaria que um em cada quatro brasileiros é atendido pelo Mais Médicos. Segundo o Ministério da Saúde, 80% dos beneficiados – 40 milhões de pessoas – consultam-se com equipes de Saúde da Família que foram criadas ou reforçadas após o início do Mais Médicos, em outubro de 2013. Os demais, 10 milhões, são atendidos pelos 2.947 médicos do programa que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde. Mas os registros oficiais do Departamento de Atenção Básica (DAB) do Ministério da Saúde mostram uma contradição em relação ao que se diz na propaganda eleitoral. Segundo esses dados, de outubro de 2013 a agosto de 2014, o incremento no número de pessoas cobertas pelo programa Saúde da Família foi de 9,48 milhões. “Os números foram claramente inflados. Para atingir os 40 milhões de habitantes, seriam necessárias cerca de 12.000 novas equipes de Saúde da Família e só foram criadas 3.662 no período”, diz um funcionário do Ministério da Saúde que revelou os dados. Na melhor das hipóteses, partindo-se do pressuposto que o Ministério da Saúde e a campanha de Dilma Rousseff não inflaram também os dados dos atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o total de pessoas beneficiadas pelo programa não chega a 20 milhões. Nessa conta estão os 10 milhões de cidadãos que o Ministério da Saúde afirma serem atendidas pelas UBS, mais as 9,48 milhões de pessoas que se somaram àquelas que já eram cobertas pelo Programa Saúde da Família antes da importação de médicos estrangeiros, em sua maioria cubanos. O programa Saúde da Família foi criado em 1994, no governo de Fernando Henrique Cardoso. No seus primeiros oito anos uma média de 6,8 milhões de pessoas por ano passaram a ser atendidas pela iniciativa. Em 2003, quando o alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr) assumiu a Presidência da República, estavam em funcionamento no País cerca de 17.000 equipes de Saúde de Família, que atendiam 55 milhões de pessoas. Ao final de seu mandato, o programa tinha 31.660 equipes, que cobriam 100 milhões de pessoas. O avanço foi de 5,6 milhões de famílias por ano. O governo Dilma chega ao final de seu primeiro mandado com um incremento de apenas 18 milhões de novos atendimentos (uma média de 4,5 milhões por ano), apesar do esforço do Mais Médicos. Trata-se do pior desempenho desde a criação do programa, há duas décadas. Segundo o DAB, atualmente 118.348.067 pessoas são atendidas em todo o Brasil, por um conjunto de 38.156 equipes que são compostas por no mínimo um médico, um enfermeiro, um auxiliar ou técnico de enfermagem e um grupo de até doze agentes comunitários. O Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, que dos 11.515 médicos atuando no Programa Saúde da Família cerca de 3.000 passaram a compor as novas equipes e os demais foram destinados a equipes que não tinham profissionais. A pasta afirma que cada equipe atende em média 3.450 pessoas, o que atingiria 40 milhões de pessoas. Os registros do Departamento de Atenção Básica (DAB) mostram, entretanto, que nos dois anos que antecedem a implantação do Programa Mais Médicos a diferença entre o número de equipes cadastradas no Ministério da Saúde e aquelas efetivamente em funcionamento nunca foi maior que 1.000. Por lei, as equipes que ficam sem médicos, deixam de ser consideradas como parte do Programa. Os dados dos DAB mostram que este não existia esse número de vagas que o Ministério da Saúde afirma preenchido.

Institutos europeus apontam que o Brasil só perdeu com a Copa do Mundo, enquanto a Fifa só ganhou

Três meses depois da Copa do Mundo, um estudo encomendado por entidades européias aponta que o Brasil "perdeu o Mundial" fora de campo. Um levantamento realizado pela instituição suíça Solidar, em parceria com a entidade alemã Institut Heinrich Böll, concluiu que as cidades-sede aumentaram suas dívidas e o Estado foi obrigado a arcar com parte importante dos custos do Mundial, enquanto a Fifa deixou o País com um lucro recorde e sem pagar impostos. Em novembro, a Fifa voltará ao Brasil para uma reunião para avaliar o impacto da Copa. Se em campo o Mundial foi um sucesso, a avaliação sobre o impacto para o País divide especialistas e governo, que destaca o fluxo de torcedores e o impacto positivo na imagem do País. Para membros da Fifa, o impacto real apenas será conhecido em cinco anos. Mas a avaliação das entidades sociais européias é diferente. "O apito final foi dado há três meses. Mas foi o Brasil quem perdeu", alertou a Solidar, entidade com 70 anos e que trabalha no campo do desenvolvimento social: "Os brasileiros pagaram um preço alto pela Copa. Foi o Mundial mais caro de todos os tempos - 13,3 bilhões de dólares (aproximadamente 32,5 bilhões de reais) - e afetado por violações de direitos humanos". Segundo o estudo, a "repressão contra manifestantes" foi considerada dado infeliz: "A militarização fez parte das tristes consequências deste Mundial". De acordo com o levantamento, os investimentos do setor privado não conseguiram atender aos projetos propostos, principalmente no setor de transporte. O resultado foi "uma redução dramática" no número de iniciativas: "Vários projetos de construção foram anulados - especialmente um terço dos projetos de transporte público previstos - ou ficaram para depois da Copa". O documento também mostra que o endividamento das cidades-sede chegou a aumentar em 51%. Mesmo cidades que não receberam jogos tiveram um aumento da dívida de 20%. A constatação do levantamento é que o preço médio das arenas ficou duas vezes superior aos estádios da Alemanha em 2006 e África do Sul em 2010. Por assento, a Copa custou em média 15.410 reais no Brasil. Na Alemanha, ela saiu por 8.950 e 8.200 na África do Sul. O estudo também acusa os organizadores de terem erguido quatro "elefantes brancos": "São estádios superdimensionados e praticamente inutilizados". Segundo o estudo, dos 350.000 vendedores nas 12 cidades que acolheram jogos, apenas 4.000 puderam trabalhar nas redondezas das arenas: "Os mais pobres no Brasil perderam sua fonte de renda". O estudo também aponta que 250.000 pessoas no País foram desalojadas durante sete anos de obras, "frequentemente sem compensação". Diante de um "resultado desastroso", as entidades querem que a Fifa modifique a forma de organizar os torneios: "A Fifa obteve um lucro recorde e solicitamos à entidade assumir no futuro de forma séria suas responsabilidades na qualidade de instituição organizadora". Segundo o levantamento, a Fifa teve renda recorde que pode variar entre 10 bilhões de reais e 12,5 bilhões de reais com o Mundial. Os lucros seriam de cerca de 7,5 bilhões de reais. "É escandaloso que a Fifa consiga fazer com que os custos sejam assumidos pelo estado brasileiro, mas mantenha os lucros", declarou Joachim Merz, representante da Solidar Suisse. Para ele, em futuros Mundiais, a Fifa precisa exigir que os países se "comprometam a respeitar os direitos humanos, as normas internacionais de trabalho, acabem com privilégios fiscais e considerem os trabalhadores do setor informal".

SE VOCÊ QUER APRENDER A COMBATER O PETISMO, PRECISA ENTENDER QUE DEMÔNIO É O PETISMO

LEIA ESTE ARTIGO IMPRESCINDÍVEL DO PROFESSOR JOSÉ GIUSTI TAVARES. É FÁCIL DE COMPREENDER, É MUITO DIDÁTICO, E É DENSO, COM REFERÊNCIAS A DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O CARÁTER REVOLUCIONÁRIO (QUEBRA DA ORDEM INSTITUCIONAL, IMPLANTAÇÃO DA DITADURA DO PROLETARIADO, AGORA DISFARÇADA SOB O MANTO DE DEMOCRACIA BOLIVARIANA) DO PT E DOS SEUS ASSECLAS.

PARTIDOS TOTALITÁRIOS EM DEMOCRACIAS CONSTITUCIONAIS
por José Antonio Giusti Tavares

Nas democracias constitucionais contemporâneas (1) a representação política e o governo são constituídos por dois procedimentos senão diferentes pelo menos independentes entre si, ambos em eleições universais competitivas periódicas e regulares e com mandato por tempo determinado (sistemas presidenciais de governo) – ou a representação política eleita pelo voto popular direto constitui o governo que, diante dela responsável, exercita suas funções enquanto dela detém a confiança, contando entretanto, com a faculdade contraposta de submetê-la a novas eleições (sistemas parlamentares de governo); (2) são instituídos e funcionam efetivamente mecanismos de separação e de contenção recíproca entre os poderes constitucionais, compreendendo, em sua forma superior, a separação entre Chefia de Governo, responsável pela execução das políticas públicas, e Chefia de Estado, responsável pelo equilíbrio da ordem constitucional, bem um Tribunal Constitucional, guardião supremo dos valores e dos preceitos constitucionais supremos; (3) toda autoridade pública detentora de poder constitucional é submetida, em princípio, a mecanismos de responsabilização pública; e, enfim, (4) os direitos individuais, incluído o direito à vida, à liberdade, à propriedade e à associação, são assegurados pela lei constitucional e pelo poder judiciário.

Os mecanismos institucionais da democracia constitucional são eficazes, sem serem invasivos ou ofensivos, para assegurar o equilíbrio da ordem política e, nela, a liberdade e os direitos fundamentais do ser humano, sem o que não há sequer justiça social. São eficazes, mas são desarmados: são fios de seda, como os denominou Guglielmo Ferrero, o notável jurista, cientista político e historiador liberal italiano da primeira metade do século precedente; e fios de seda não permitem atar o dragão da maldade. Assim, em uma democracia constitucional e representativa, sobretudo quando erodida e fragilizada pela decadência de suas elites, bem como pela corrupção e pela desinformação políticas generalizadas, não só os partidos constitucionais, que se movem nos limites da ordem pública constitucional,  mas aquela  própria ordem, devem enfrentar o paradoxo de que se encontram com freqüência em inferioridade de condições frente aos partidos revolucionários totalitários que,  participando da política institucional, não só não observam aqueles limites mas manifestamente, por suas proposições e por suas atitudes, atentam permanentemente contra aquela ordem. O paradoxo identificado no parágrafo inicial decorre de quatro fenômenos evidentes.

Em primeiro lugar, a democracia constitucional é a mais complexa e delicada dentre as formas políticas e muito dificilmente pode competir pela preferência do homem comum com o totalitarismo, que recorre a uma simplificação brutal da realidade política, substituindo a informação e a análise racional pelo apelo direto ao inconsciente e à emocionalidade de indivíduos mergulhados em  situação de massas. Em segundo lugar, ao participarem da ordem política constitucional os partidos totalitários beneficiam-se das prerrogativas e dos recursos que ela confere, sem obrigar-se aos valores, às regras e aos limites que ela impõe e, sobretudo, sem abrir mão do comportamento revolucionário, conspiratório, insurrecional e golpista. Fora do governo mas, sobretudo, ao ocupá-lo, adotam simplesmente a estratégia leninista-trotskista da dualidade de poder, que consiste em conspirar pelo alto, do interior das instituições, e mobilizar de baixo, mobilizando camadas sociais disponíveis e receptivas e, enfim, gerando pressões societárias, inclusive armadas.

Este é o caso exemplar, no Brasil, do Partido dos Trabalhadores e de seu braço armado, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, como revela a Circular do Diretório Nacional na qual aquele partido justificava a sua recusa inicial de obrigar-se à Constituição de 1988, que consagrava as normas e as instituições da ordem constitucional estabelecida: “O PT, como partido que almeja o socialismo, é por natureza um partido contrário à ordem burguesa, sustentáculo do capitalismo. (...) rejeita a imensa maioria das leis que constituem a institucionalidade que emana da ordem burguesa capitalista, ordem que o partido justamente procura destruir". Ainda em  1988, o atual governador petista do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, sustentou, com a sua conhecida competência doutrinária, na revista partidária "Teoria e Debate" (n°4,pp. 38-41), a estratégia leninista-troskista da dualidade de poder: “...o partido deve responder às exigências  de uma longa disputa pela hegemonia (...) com a construção de uma cultura política e de uma ideologia socialista em bolsões altamente organizados daqueles setores revolucionários, em direção a uma ruptura com o Estado burguês... com respostas dentro e fora da ordem (...), sob pena de limitar-se aos enfrentamentos na esfera política das instituições da ordem, sendo inexoravelmente sugado por ela".

A noção gramsciana, ultra-leninista, de hegemonia, muito difundida na América Latina, significa poder monopólico e é, portanto, absolutamente incompatível com o pluralismo político essencial à democracia constitucional. Alguém muito complacente poderia objetar às citações acima que elas pertencem ao ano de 1988 e que, entrementes, o partido e o político que as enunciaram podem ter alterado suas atitudes políticas. A objeção seria pueril mas respondê-la introduz a oportunidade de pontuar um princípio elementar. Partidos e homens públicos têm a responsabilidade de publicar não só as suas concepções e estratégias políticas, mas as revisões ou mudanças que, quanto àquelas, tenham feito. Em 1959, no Congresso de Bad Godesberg, o Partido Social-Democrata Alemão declarou, em um documento formal amplamente divulgado, que a partir daquele momento renunciava a qualquer tipo de confessionalismo político e, em particular, à noção de partido portador de uma teoria, exorcizando, assim, o fantasma do marxismo.

O fato de que o PT ou mesmo qualquer de seus próceres jamais tenha revisto formal e publicamente as concepções originárias do partido, tendo mesmo recusado a comprometer-se com o pacto constitucional de 1988, revela que lamentavelmente está ainda viva a estratégia revolucionária totalitária que fora enunciada naquele ano. Ademais, ao longo dos doze anos do governo petista, as  tentativas sucessivamente frustradas de violar os princípios, as normas e as instituições da democracia constitucional e representativa – entre as quais o Programa Nacional de Direitos Humanos III, de 2009, e a Política Nacional de Participação Social, de 2014 – demonstram claramente que não há ambigüidade que consiga ocultar o empenho continuado e cada vez mais radical, por parte do neocomunismo petista, de destruir a democracia representativa e constitucional edificada com tanto esforço, substituindo-a por uma democracia plebiscitária e totalitária. Em terceiro lugar, os cidadãos comuns, que participam dos partidos constitucionais ou com eles  se identificam, partilham a sua dedicação, as suas energias e a sua lealdade entre múltiplas atividades e associações, entre as quais a política e os partidos possuem uma importância limitada, ocupando mesmo um espaço menor.

Não há nessa atitude nada de errado. Ao contrário, como já Aristóteles observara, a participação política moderada constitui requisito fundamental da democracia constitucional, que o filósofo denominava  simplesmente politéia. Contudo, pertence à natureza e à lógica dos partidos totalitários apelar para a participação e para a mobilização políticas permanentes, para o profissionalismo e para o ativismo revolucionários de tempo integral e, enfim, para a politização da totalidade das esferas da existência, incluídas aquelas mais íntimas. Enfim, em quarto lugar, a compreensão adequada dos valores sobre os quais está fundada a democracia constitucional e das normas e das instituições com as quais opera, bem como dos processos econômicos por referência aos quais se definem as  políticas públicas e o comportamento dos partidos nas sociedades democráticas contemporâneas, exige dos indivíduos, em virtude de sua complexidade e sutileza, um nível muito elevado de discernimento intelectual, que se encontra normalmente fora do alcance da informação e do entendimento do  homem comum.

A rigor, a participação racional e responsável nas decisões democráticas exige do cidadão um nível relativamente elevado de  informação factual, de saber contextual e de saber estrutural, que ele normalmente não possui. Sob tais condições,  a democracia constitucional muito dificilmente pode  competir pela preferência do homem comum com o totalitarismo, que recorre  a uma simplificação brutal da realidade política e econômica, substituindo a informação e a análise racional pela ideologia, um  “saber” de custo próximo de zero, que contém, por outro lado, um apelo direto à emocionalidade e ao inconsciente de indivíduos mergulhados em  situação de massa. Enfim, o exercício da liberdade e da responsabilidade públicas, inerente à democracia constitucional, implica em assumir custos e riscos, requerendo dos indivíduos um grau pouco comum de segurança psicológica que lhes permita conviver com a incerteza.

O recurso normal para reduzir a incerteza e os riscos é provido pela informação factual e pelos saberes contextual e estrutural, o que envolve custos imediatos e a médio e longo prazo, que os indivíduos que pertencem aos segmentos mais baixos da sociedade não podem assumir.  Assim, para a maioria das pessoas, pouco capazes de conviver com  a incerteza e suportar os riscos inerentes à liberdade pessoal e pública, a ideologia totalitária proporciona uma explicação omnicompreensiva da realidade e da história, que lhes restaura magicamente e a baixo custo a segurança; e o partido ou o movimento totalitário, que a interpreta nos diferentes casos, provê uma autoridade externa onipotente que retira daquelas pessoas o inquietante peso da liberdade de decidir. Diante desse desigual e insólito desafio as democracias constitucionais mais avançadas e sólidas armam-se com recursos previstos na lei constitucional, o mais importante dos quais é a proscrição de partidos políticos que promovem, estimulam ou apóiam processos conspiratoriais ou qualquer outra forma de violência política: a cláusula de constitucionalidade dos partidos, contida no art. 21,(2) da Constituição da República Federal da Alemanha e eficazmente aplicada pelo seu Tribunal  Constitucional, é o exemplo de maior proeminência: “Os partidos que por suas finalidades ou pelas atitudes de seus partidários tentam desvirtuar ou eliminar o regime fundamental de democracia e de liberdade, ou pôr em perigo a existência da República Federal, são inconstitucionais”.

É verdade que a Constituição Brasileira contém uma cláusula semelhante: o artigo 17 estatui, em  seu caput, como requisito para a existência dos partidos políticos, a fidelidade ao “regime democrático”, ao “pluripartidarismo” e aos “direitos fundamentais da pessoa humana”, estabelecendo, no inciso II, “a proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes”; e, enfim, no § 4º, veda “a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar”.  Resta aplicá-lo. Se, entretanto, um supremo esforço de esclarecimento não  conseguir persuadir o eleitor comum que a democracia constitucional, conquistada a duras penas mas perversamente disputada, deve ser preservada, quaisquer que sejam as suas vicissitudes – então, a manipulação populista de justos descontentamentos e o ilusionismo messiânico pavimentarão o caminho auto-destrutivo que, exaurido em Cuba, está sendo trilhado no continente sul-americano pela Venezuela, pelo Equador, pela Bolívia, pela Argentina e pelo Brasil. Não tenhamos ilusão. Eleições universais geram legitimidade democrática, mas não legitimidade constitucional.

Como  profetizou com acerto Alexis de Tocqueville, na ausência de sólidas e vigorosas instituições de representação política e de separação dos poderes constitucionais, incluindo a separação entre Chefia de Estado e a Chefia do Governo, bem como um Tribunal Constitucional, eleições plebiscitárias provêm a ante-sala do bonapartismo e da democracia totalitária. Eleições e reeleições consecutivas provêm um claro e importante contributo a governos populistas empenhados em programas de distribuição direta e ostensiva da renda nacional em benefício das populações pobres ou na linha da miséria. Aparentemente empenhados na eliminação da pobreza, esses governos têm clara consciência de que sua perpetuação no poder é alimentada pela pobreza e dela necessitam, do que decorre que, na realidade, empenham-se não em eliminar a miséria, mas em mantê-la estável e dependente, aguardando-a nas urnas.

Sob tais condições é  altamente improvável que eleições fortaleçam a democracia constitucional; ao contrário, há alta probabilidade de que contribuam poderosamente para destruí-la. A experiência histórica registra importantes casos em que o totalitarismo ocupou o Estado pela via eleitoral, entre os quais o fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão, nenhum dos dois foi debelado pela força da sociedade que aprisionara; ao contrário, ambos foram eliminados pela derrota  militar infligida de fora, por nações invasoras.

José Antônio Giusti Tavares - Professor de Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisador Associado no Centre d’Études et de Recherches Internationales, Fondation Nationale des Sciences Politiques, Paris,em 1985 e 1986. Guest Scholar em 1998,e Visiting Fellow, em 2002, do Helen Kellogg Institute for International Studies, Notre Dame University, Indiana, US.

Advogado entra com ação popular contra o prefeito petista de Canoas, por contratar empresa de lixo e limpeza de esgoto para fazer comida dos estudantes, e sem licitação

O ex-procurador geral de Canoas (RS), José Carlos Duarte, entrou nesta semana com mais duas ações populares contra a prefeitura comandada pelo petista Jairo Jorge. Em um dos casos, a ação coloca entre os réus o prefeito Jairo Jorge e o secretário de Educação, Eliezer Pacheco (marido da deputada federal petista Maria do Rosário, também conhecida como Maria do Ossário, ex-ministra dos Direitos Humanos, a mesma de cujo comitê partem sugestões terroristas aos beneficiários do Bolsa Família, de que perderão o beneficio se os petista Tarso Genro e Dilma Rousseff perderem as eleições), sob a acusação de terem usado de forma indevida recursos do FUNDEB para a contratação da empresa lixeira WK Borges, que atualmente é responsável pelo preparo da merenda escolar. A outra ação tem o prefeito petista Jairo Jorge  e a primeira dama Taís Oliveira Pena entre os réus, em razão do pagamento de empresa contratada para realização de evento sem a existência de prévio empenho. Na ação relativa à merenda escolar, Duarte aponta que a empresa WK Borges foi contratada em fevereiro deste ano, com dispensa de licitação, para prestar um serviço que sequer estaria  entre seus objetivos sociais, pois é uma empresa que atua em atividades de limpeza, coleta de resíduos não-perigosos, tratamento e disposição de resíduos não-perigosos, coleta de resíduos perigosos, usinas de compostagem, além de atividades relacionadas a esgoto e a descontaminação. Não haveria então qualquer menção a serviços que envolvam preparo de alimentos. Duarte ressalta que os produtos aplicados na elaboração de merendas, desde frutas, carnes e derivados, arroz, massas, leite e até o gás, são aquisições de responsabilidade do Município e pagos pela administração municipal, independente deste contrato com a empresa WK BORGES & CIA. LTDA. No texto da ação, Duarte explica que, por mês, sem considerar ainda um aditivo contratual feito posteriormente, a empresa recebia o valor de R$ 1.856.011,50 no primeiro contrato, que era válido por seis meses. Em agosto um novo contrato, também sem licitação, foi assinado por mais seis meses. O autor da ação alega que se trata de um subterfúgio já que a lei proíbe a renovação de contrato nesses casos. A soma total dos custos durante todo o ano, e que representa o valor cobrado pela ação apresentada pelo ex-procurador é de R$ 23.647.548,66. Além do Município, do Prefeito e do Secretário de Educação, também são réus da ação o Secretário da Fazenda, Marcos Bósio, o Secretário de Planejamento e Gestão, Fábio Cannas e a empresa WK Borges & Cia. LTDA. Na outra ação distribuída nesta semana, Duarte aponta que a prefeitura de Canoas, através da Secretaria de Projetos Especiais, Captação e Inovação, contratou a empresa individual Angela Beatriz Da Costa Salomão-EPP, para serviços de organização, produção e montagem de eventos que seriam realizados no III Forum Mundial de Autoridades Locais de Periferia, que ocorreu na cidade no período de 11 a 13 de junho de 2013. O evento, de apenas três dias, custou cerca de R$ 1,4 milhão. Duarte afirma: “... o empenho nº 0701000116/2013 foi elaborado após o evento, o que fere a legislação. Basta que se veja a descrição contida no corpo do empenho, que expressamente diz: "ocorreu na cidade de Canoas/RS, no período de 11 a 13 de junho de 2013". Ocorreu  é passado, e isso se explica porque o empenho foi feito com data de 25/06/2013, quando a contratação/despesa já havia sido realizada. Isso sem adentrarmos na exorbitância do valor empenhado. É um absurdo, imoralidade, R$ 1.392.000,00 para organizar-se um evento de três dias”. O valor contratado foi pago em duas ocasiões, sendo a primeira em 31 de janeiro, no valor de R$ 1.139.200,00 e a segunda em 21de março, no valor de R$ 252.800,00". A causa, no valor de R$ 1.392.000,00, tem como réus a prefeitura, o prefeito petista Jairo Jorge, a primeira dada Tais Oliveira Pena, o secretário da Fazenda e a empresa Angela Beatriz Da Costa Salomão-EPP. Além destas duas recentes, Duarte já ajuizou outras ações populares contra a atual administração municipal. São de sua autoria as ações que tratam de irregularidades no "Natal da Transformação de 2010 e de 2011", as que contestam o valor repassado pela Prefeitura para o Canoas Sport Clube, os gastos exorbitantes da administração municipal com uniformes escolares superfaturados, a contratação da empresa de lixo, entre outras. (com base em informações do jornal O Timoneiro)

Ao lado de Marina Silva, Aécio Neves diz: "Disputa política não é guerra"

O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) e a candidata derrotada no primeiro turno Marina Silva (Rede), concedem entrevista em São Paulo (Joel Silva/Folhapress)

Por Bruna Fasano e Talita Fernandes, na VEJA.com: O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, e a candidata derrotada do PSB, Marina Silva, realizaram nesta sexta-feira seu primeiro encontro oficial depois da ex-senadora declarar apoio ao tucano no segundo turno. E o clima não poderia ser melhor: a união foi selada com direito a troca de abraços e elogios. Membros do PSDB e PSB faziam fila para cumprimentar a dupla – uma cena que emprestou ao evento político ares de casamento. Ao lado da nova aliada, Aécio Neves afirmou que a aliança é exemplo de uma “nova prática política”. “O que nós assistimos na política é o oposto disso. São entendimentos em torno de cargos, entendimentos em torno de vantagens, conveniências”, afirmou o tucano. Criticou ainda os ataques pessoais proferidos pela presidente Dilma Rousseff (PT) no debate de quinta-feira e prometeu reagir a “todas as calúnias”: “Faço convocação a Dilma para um debate programático. Disputa política não é guerra, não pode ser um vale-tudo. Ninguém destrói alguém e vence”.
Já Marina Silva, que abandonou o tradicional coque para o evento, classificou o compromisso que Aécio Neves  formou com os brasileiros como “corajoso”, dizendo que ele soube interpretar “o que está acontecendo neste País nos últimos 20 anos”. “Aécio teve coragem de apresentar, doze anos depois, uma carta-compromisso aos brasileiros, indicando que vai resgatar os compromissos com política macroeconômica, que estão sendo terrivelmente prejudicados com juros altos, inflação alta e baixíssimo crescimento e pouco investimento no nosso País. O compromisso de que vai manter as políticas sociais e aperfeiçoá-las”, disse Marina Silva. Ela afirmou ainda que Aécio Neves deve vencer as eleições “ganhando”, já que não fez alianças sem compromissos.
Aécio Neves evitou abordar o papel que caberia a Marina Silva em um eventual governo tucano, dizendo que tratar do assunto “seria uma forma de desrespeito” à ex-senadora. “A Marina traz um simbolismo muito grande. Eu vejo através do abraço e do beijo carinhoso que recebi da Marina, o abraço e o beijo carinhoso de milhões de brasileiros que querem mudar esse País. São esses brasileiros que eu defendo a partir de agora”, disse, acrescentando que Marina Silva não faz qualquer tipo de exigência para apoiá-lo. Por Reinaldo Azevedo

Horda de fascistoides de esquerda impedem um simples debate na UERJ. Cadê os “progressistas” da Zona Sul para protestar?

Consta que um humorista, no Rio de Janeiro, foi verbalmente molestado porque declarou seu apoio à presidenciável Dilma Rousseff. Ele próprio anunciou isso numa coluna de jornal e, claro!, recebeu a solidariedade de muita gente, inclusive de molestadores profissionais da liberdade alheia. A minha coluna de hoje na Folha traz dois trechos que faço questão de destacar aqui:
O primeiro – “A democracia permite que a gente seja intolerante e resolva as pendengas no braço? Não, a democracia não permite isso, e, se é assim que você pretende agir, o seu regime é outro, e eu não tenho nada a lhe dizer, e você não tem por que perder seu tempo comigo. Se é assim que você pensa, vá se catar”.
O segundo – “Seja livre e feliz e mande à merda os que se pretendem donos do seu voto. A democracia permite.”
Isso é o que eu penso dos que pretendem impedir os outros de expressar livremente a sua opinião. Ocorre que, no Brasil, quando um idiota qualquer molesta uma celebridade de esquerda, o assunto logo vira notícia, se espalha nas redes, é tratado como crime de lesa-pátria. Mesmo um episódio isolado se transforma em assunto da maior gravidade. Quando, no entanto, hordas de extremistas de esquerda se impõem na base do berro, da truculência, da força física, da porrada, aí o que se tem é silêncio covarde. Afinal, eles são de esquerda… Afinal, eles querem mudar o mundo. Na terça-feira, haveria na UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro — um debate sobre o livro “Donos do Morro – Uma avaliação provisória do impacto da UPP”, de autoria de Doriam Borges, Eduardo Ribeiro e Ignacio Cano. Atenção: esse trio de estudiosos da área está muito longe de integrar um grupo de pessoas conservadoras ou com ideias de direita. Ainda que assim fosse, deveriam ter assegurado o seu direito de falar. Mas quê… Um grupo de ditos estudantes, liderados pelos capitães de mato do Centro Acadêmico da Faculdade de História, invadiu o local do debate com megafones e, aos berros, impediu a realização do encontro. Por quê? É que a mesa tinha uma formação plural: acadêmicos, lideranças comunitárias, policiais etc. Havia, prestem atenção, pessoas favoráveis e contrárias às UPPs. Ocorre que os arruaceiros comuno-fascistoides são contrários às UPPs e não queriam que policiais fizessem parte da mesa. Não pensem que essa ocorrência foi única. Não pensem que é só na UERJ que verdadeiras milícias impedem o debate; não pensem que é só ali que minorias truculentas de esquerda e extrema esquerda decidem o que pode e o que não pode ser debatido. Assim é em quase todas as universidades públicas brasileiras. Essa gente não quer democracia, mas ditadura. Atenção! Pessoas que molestam os outros por causa de suas escolhas, quaisquer que sejam — e desde que estejam afinadas com os fundamentos das liberdades públicas e individuais —, são delinquentes, não importa se de direita ou de esquerda. O que eu lamento profundamente é que, especialmente depois das chamadas “jornadas de junho” — até hoje tratadas com incrível estupidez pela imprensa e pelos acadêmicos —, a intolerância das esquerdas tenha se tornado uma rotina e passado a ser admitida como coisa normal. E lamento mais ainda que amplos setores da imprensa, em razão de escolhas ideológicas, magnifiquem a ocorrência esporádica e minimizem o que já se tornou uma regra: minorias fascistoides hoje se impõem nas universidades públicas e em espaços públicos em geral do modo como traficantes e milícias se impõem nos morros no Rio e nas periferias das grandes cidades. E tudo isso sob o silêncio cúmplice, quando não o incentivo velado, de celebridades que reclamam quando alguém censura seu voto na rua. Por Reinaldo Azevedo

Lula, o Babalorixá de Banânia, agora espalha que Aécio foi agressivo. Claro… Suave foi Dilma, né?

Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, já começou a entrar na fase do desespero eleitoral e decidiu aderir ao “coitadismo”. Acusa por aí, para gáudio dos blogs sujos, que o tucano Aécio Neves foi agressivo com a petista Dilma Rousseff, como se, nesta eleição, os adversários é que estivessem recorrendo ao jogo sujo. Fiquemos, por enquanto, nas práticas rasteiras contra Aécio. Quem partiu para a desconstrução do governo de Minas? Não que isso seja em si um pecado, desde que os números empregados sejam verdadeiros. E não são. Quem, no debate do SBT, apelou a questões familiares e, na noite desta quinta-feira, avançou para o campo pessoal? Que partido, nos bastidores e até abertamente, na imprensa, faz ameaças, como se tivesse um grande trunfo na manga? Ontem, o deputado Vicentinho (PT-SP), sem nenhum pudor, sugeriu a jornalistas que a pancadaria que está aí é só o começo. Na quarta-feira, alertei, os petistas plantavam em todo canto, para qualquer jornalista que quisesse ouvir, que uma grande bomba está para estourar nesta sexta-feira. Anteciparam? Já teria sido a de ontem, com a acusação feita por Paulo Roberto Costa de que Sérgio Guerra, já morto e ex-presidente do PSDB, recebeu propina da quadrilha que atuava na Petrobras? A delação premiada, que corre em sigilo de Justiça, estaria sendo instrumentalizada “pelos companheiros”, que, não obstante, reclamam da divulgação de um depoimento do ex-diretor da Petrobras que nem sob sigilo está? Mas voltemos um pouco e pensemos em Marina. Lembrem-se do que o PT fez com ela. Reitero: não tenho a menor simpatia pela líder da Rede e discordo de uma penca de coisas que ela diz. Mas pergunto: independência do Banco Central tira a comida do prato dos brasileiros? Marina Silva pretendia mesmo paralisar o pré-sal e provocar rombo de R$ 1,3 trilhão na educação? Chega a ser revoltante. Pior de tudo: o partido, que é aliado de Paulo Maluf e de Fernando Collor, chegou a acusar Marina Silva de se alinhar com representantes do regime militar. É certamente o que Lula chama de “campanha honesta”. Por Reinaldo Azevedo

O bafo(metro) de Lula. Ou: Há sete anos…

No debate desta quinta, Dilma tentou ligar Aécio Neves à bebida. E se deu mal. Era decisão partidária. Lula fizera o mesmo num comício, há três dias. Quem diria, né? O poeta da cachacinha virou um moralista! E que se note: Lula gosta mesmo é de uísque, que ele bebia à farta na Fiesp, quando negociava uma coisa com os empresários e falava outra em assembleia para a “peãozada”. Um verdadeiro artista na arte da dissimulação. Sempre foi. Em 2004, Larry Rohter, correspondente, então, no New York Times no Brasil, escreveu que o homem gostava de uma cachacinha. O chefão petista deu ordens para expulsá-lo do Brasil. A esquerda herbívora e carnívora babou de patriotismo. Para muita gente, segue inesquecível a solenidade de posse de Nelson Jobim no Ministério da Defesa, em 25 de julho de 2007. O chefão petista estava num daqueles dias, digamos, cheios de alegria. Ao se despedir de Waldir Pires, o ministro que saía, disse com voz bem característica que o homem, coitado!, estava cansado… Ao saudar o titular que chegava, afirmou que resolveu nomeá-lo porque este estaria em casa, sem fazer nada, enchendo o saco da mulher. Era mesmo um gigante da institucionalidade! Mas a gente sabe como são os moralistas, não é? Um repórter estrangeiro afirmar, em tom cordial, sem viés de denúncia, que Lula toma uma cachacinha é um crime contra a pátria. Lula sacar a acusação contra um adversário é coisa de poeta. Nojo! Por Reinaldo Azevedo

Paulo Roberto Costa diz que Sérgio Guerra, que está morto, pediu propina. Que se vá até o fim, sem piscar!

A presidente Dilma Rousseff e o comando do PT criticaram a decisão do juiz Sérgio Moro, que tornou disponível um áudio com um dos depoimentos de Paulo Roberto Costa — sobre uma investigação que não estava sob sigilo de Justiça. Vale dizer: a divulgação é absolutamente regular. Mas certamente não reclamarão de um vazamento que veio a público — pinçado com lupa — de parte da delação premiada, esta, sim, protegida por sigilo de Justiça: Paulo Roberto Costa afirmou que, em 2009, o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, exigiu propina de R$ 10 milhões para pôr um ponto final da CPI da Petrobras, que foi encerrada, sem nenhuma conclusão, no dia 18 de dezembro de 2009. O dinheiro seria para campanhas eleitorais do partido. Guerra morreu no dia 6 de março de 2014. Pode ser? Que se investigue até o fim. Os petistas estão ouriçados. Tudo o que excita a sua imaginação e a sua fúria é a máxima de que “somos todos iguais e corruptos”.

Alguém poderia indagar: “Ah, mas agora vão acusar um morto?” Não interessa. A acusação diz respeito a quando ele estava vivo. Em nota oficial, a legenda escreveu: “O PSDB defende e quer rigor na apuração de qualquer denúncia que envolva filiados que ocupam ou ocuparam qualquer cargo do partido”. Ponto. É assim que se faz.
De todo modo, cumpre fazer algumas considerações. A CPI da Petrobras instalada em 2009 no Senado para apurar irregularidades na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tinha 11 membros. Sabem quantos eram da oposição? Apenas três: além de Guerra, estavam lá Álvaro Dias (PSDB-PR) e ACM Jr (DEM-BA). O governo tinha uma maioria esmagadora para fazer o que bem quisesse, inclusive enterrar a investigação, como se fez. Por que o esquema pagaria R$ 10 milhões para um Sérgio Guerra que não tinha poder nenhum? Paulo Roberto teria dito que a Queiroz Galvão pagou o valor pedido. A empreiteira nega.
Mais: quando os governistas decidiram enterrar a comissão, o PSDB expressou o seu repúdio e fez um relatório paralelo com 18 representações ao procurador-geral da República. Isso não é desculpa de última hora. O partido criou, à época, o “Blog da CPI da Petrobras” para acompanhar o dia a dia da comissão — já digo em que circunstâncias. Lá está o post, com data de 24 de novembro de 2009, sobre as representações (imagem abaixo)
blog da CPI da Petrobras
Arrogância
Em 2009, a empresa, presidida pelo petista-mor José Sérgio Gabrielli, criou o chamado “Blog da Petrobras”, sob o pretexto supostamente meritório da transparência. Conversa! O blog virou o canal de contado da empresa com os jornalistas. Se um repórter estivesse apurando um furo qualquer e enviasse perguntas à empresa, suas questões eram tornadas públicas, o que, obviamente, dificultava a apuração. Era parte do esforço para que não se investigasse nada. A página do PSDB foi criada como resposta a esse desvio autoritário. Era a época em que Gabrielli tinha mais poder na Petrobras do que os Irmãos Castro em Cuba. O presidente da empresa, então, costumava ser extremamente malcriado com jornalistas, certo de que não tinha contas a prestar a ninguém.
Atenção agora a estas relações intrincadas. Na suposta conversa com Paulo Roberto Costa — que era, à época, diretor de Abastecimento da Petrobras e presidente do Conselho de Administração da refinaria Abreu e Lima —, Guerra estaria acompanhado do deputado federal Eduardo da Fonte, do PP de Pernambuco. O contato do então senador na empresa seria Armando Ramos Tripodi, que era chefe de gabinete de… Gabrielli. Nesse caso, então, uma operação suja supostamente proposta pelo presidente do PSDB passaria por um homem de confiança de Gabrielli, o petista. Não é muito verossímil. Se é ou não verdade, que se investigue. Ah, sim: Tripodi é hoje gerente-executivo de Responsabilidade Social da estatal.
Que o PSDB não pisque um só segundo e defenda uma profunda investigação. Reitero que pagar propina a membros da oposição na CPI em 2009 seria o mesmo que fazê-lo a oposicionistas da CPMI de hoje. Pergunto: pra quê? Mas não importa. Que se vá até o fim. Que não se use essa questão para igualar todo mundo e provar que, no fundo, todo mundo é ladrão. Uma ova! Por Reinaldo Azevedo

Líder do PP aproximou ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, de Sérgio Guerra

O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, relatou à Justiça, sob delação premiada, uma reunião em 2009 com o falecido senador Sergio Guerra (PE), presidente do PSDB, articulada pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), na qual ficou acertada a doação de R$ 10 milhões para a campanha local. Ele diz que a reunião ocorreu durante ameaça de criação de CPI sobre negócios suspeitos na Petrobras. Paulo Roberto contou que, a seu pedido, Ildefonso Colares, presidente da empreiteira Queiroz Galvão, pagou o acerto com Fonte e Guerra. A Queiroz Galvão, segundo Paulo Roberto Costa, estava no centro das acusações de irregularidades a serem investigadas pela CPI, na época.

Deputado acusa governadora Roseana Sarney de "grampear" conversa

O deputado estadual maranhense Raimundo Soares Cutrim (PCdoB) enviou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, representação criminal contra a governadora do estado, Roseana Sarney, por espionagem. De acordo com Cutrim, uma conversa sobre as eleições realizada na casa de seu primo, presidente do Tribunal de Contas do Maranhão, Edmar Cutrim, no dia 1º de outubro, foi gravada pelo Gabinete Militar do Palácio dos Leões e editada para utilização no horário eleitoral, incluindo diálogos montados. Pela representação, o deputado pede abertura de inquérito e perícia nos áudios que causaram “prejuízos eleitorais” com “impacto negativo entre os eleitores”. A governadora disse que ligou para Edmar Cutrim e a ligação foi completada, mas ela não obteve resposta. Roseana  afirmou que, ao ouvir seu nome, permaneceu na linha e ordenou a gravação da conversa.

Tribunal de Justiça de São Paulo reduz pena de Roger Abdelmassih para 181 anos

A 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter, nesta quinta-feira, a condenação do ex-médico Roger Abelmassih por 48 crimes sexuais cometidos contra 37 mulheres pacientes de sua clínica de fertilização em São Paulo, entre 1995 e 2008. O julgamento por três desembargadores que formam a câmara criminal rejeitou o pedido da defesa de anulação do julgamento anterior. A decisão, contudo, fixou a pena em 181 anos, 11 meses e 12 dias de reclusão. Anteriormente, a pena era de 278 anos. O TJ-SP decidiu também manter a pena integral como base de cálculo para progressões de regime. Portanto, Abdelmassih deve ficar preso por até 30 anos, período máximo previsto pela lei brasileira, mesmo que seja beneficiado pela progressão para o regime semiaberto após cumprir dois quintos da pena, conforme prevê o código penal. O ex-médico estava há três anos foragido no Paraguai quando foi capturado em agosto. Ele cumpre pena no presídio de Tremembé no interior paulista.

Dilma escolheu o confronto no ringue, não na arena de debater, e mais apanhou do que bateu. Perdeu por pontos

Se o debate da Band foi equilibrado — achei que o tucano Aécio Neves se saiu melhor porque, ao menos, tentou apresentar propostas —, o embate travado nesta quinta, promovido pela Jovem Pan, pelo UOL e pelo SBT, foi bem desequilibrado: o domínio esteve com Aécio Neves durante quase todo o tempo. É a velha história: o ouvinte/telespectador decide quem ganhou e quem perdeu. Eu me limito a falar do desempenho de cada um.

As táticas de Dilma para desestabilizar o adversário não funcionaram e, convenham, ele acabou vencendo no contra-ataque. Se será essa a avaliação majoritária do eleitorado, não sei. Dilma voltou a atacar a gestão de Aécio em Minas e a desfilar números supostamente ruins das gestões tucanas. Ele contestou, claro!, e seria infindável entrar aqui nas minudências, mas encontrou duas armas que me pareceram muito eficazes: lembrou que já está à frente dela em Minas — e as pesquisas vão demonstrá-lo — e sugeriu que a petista deixe o povo mineiro em paz, que pare de tentar degradar o Estado. A petista sentiu o golpe e tentou se explicar: estava criticando o candidato, não os mineiros. Acabou fincando na defensiva.
O debate serviu para deixar claro que o PT não terá nenhum receio em avançar para o campo pessoal. Dilma tentou ser sutil e perguntou o que o tucano pensava sobre a Lei Seca. Ele acertou ao se antecipar, desafiando Dilma a ter “coragem para a fazer pergunta direto”. E emendou: “Eu tive um episódio, sim, e reconheci. Eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. Eu tive um episódio que parei numa [blitz da] Lei Seca porque minha carteira estava vencida e, ali naquele momento, inadvertidamente, não fiz o exame e me desculpei disso.” E afirmou que era diferente de sua oponente, que nunca reconhece os próprios erros. E concluiu: “A senhora caminha para perder essas eleições pela incapacidade que demonstrou inclusive de respeitar os seus adversários”.
No queixo
Fosse uma luta de boxe, Dilma levou um direto no queixo ao acusar o Aécio de empregar Andrea Neves, sua irmã, no governo — ela atuou no Fundo de Solidariedade do governo de Minas Gerais, uma atividade não-remunerada. O tucano esperou que Dilma fizesse um belo salseiro a respeito e disparou o direto: “Candidata, a senhora conhece o senhor Igor Rousseff? Seu irmão, candidata! Não queria chegar a esse ponto. O seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel no dia 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar. Essa é a grande verdade. Lamento ter que trazer esse tema aqui. A diferença entre nós é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. Seu irmão recebe e não trabalha nada. Infelizmente, agora, nós sabemos porque a senhora diz que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que seus aliados o fizessem.”
Sem resposta, Dilma tartamudeou: “A sua irmã e meu irmão, eles têm que ser regidos pela mesma lei. Eles não podem estar no governo que nós estamos. O nepotismo, eu não criei”. Acho que ela quis dizer que não é nepotismo quando um aliado contrata o parente de um político. É, sim: chama-se “nepotismo cruzado”. E, claro, entre trabalhar e não receber e receber e não trabalhar, só uma das duas práticas lesa os cofres públicos.
De resto, encerro relembrando aquela que foi a barbaridade da noite: para Dilma, uma inflação de 3% no Brasil só é possível com uma taxa de desemprego de 15%. É uma das maiorias abobrinhas ditas sobre economia nos últimos tempos. Só que é uma abobrinha brava, do tipo perigosa. Segundo a sua lógica perturbada, a inflação deve continuar alta para que haja desemprego.
Eis aí uma derrota, antes de mais nada, intelectual. Dilma escolheu um confronto no ringue, não numa arena de debates. E perdeu. Até petistas ficaram desanimados. Por Reinaldo Azevedo

Inflação da Argentina atinge maior nível desde 1991

A inflação da Argentina subiu 2,48% em setembro, o maior nível desde dezembro de 1991, mostrou o Índice Congresso, elaborado por deputados da oposição com base na média das estimativas de consultorias econômicas. No acumulado do ano, os preços ao consumidor aumentaram 30,5% e, em 12 meses até setembro, avançaram 41,06% (também o patamar mais elevado em 23 anos). O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), oficial do país, aponta que a inflação subiu 1,4% em setembro e 19,8% no acumulado do ano. Mas os dados oficiais não possuem credibilidade devido à forte suspeita de manipulação por parte do governo da presidente peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner. O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, afirmou em setembro que a inflação será de 21,3% em 2014. Mas, economistas e sindicatos estimam que o aumento dos preços atingirá 40%.

O debate: Dilma quer pancadaria, não debate. E disse uma enormidade perigosa

Acabamos de ouvir, pela rádio Jovem Pan, ou de assistir pelo SBT, mais um debate entre os presidenciáveis Aécio Neves, do PSDB, e Dilma Rousseff, do PT. Mais uma vez, Dilma se negou a falar sobre o futuro do Brasil. O seu marqueteiro a preparou para duas coisas: para tentar desconstruir o governo FHC e para tentar desconstruir a gestão de Aécio Neves em Minas. Foi um festival de acusações. O tucano, justiça se faça, tentou falar sobre saídas para o Brasil. Mas ficou difícil. Quero fugir um pouco da pancadaria para ficar na grande enormidade do dia. Ao ser indagada sobre a inflação alta no país, Dilma falou uma barbaridade que, é claro!, terá um preço alto caso ela vença a disputa. Em tom de acusação, a petista afirmou que seu adversário queria levar a inflação para 3% e que isso só seria possível se o desemprego fosse levado a 15%. É uma estupidez. Se os mercados levarem a sério o que diz Dilma, segundo quem só é possível ter inflação baixa com desemprego alto, todos entenderão o óbvio: que ela vai manter baixo o desemprego e alta a inflação. Ao acusar Aécio Neves de ter construído um aeroporto em terras de sua família — é falso porque a área era desapropriada —, Dilma afirmou que o dinheiro público não pode ser usado em benefício de alguns. Chega a ser engraçado que isso seja dito no momento em que a Petrobras, resta evidente, foi vítima de uma quadrilha. E um dos principais nomes envolvidos nas acusações é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT e conselheiro de uma estatal, nomeado por Dilma. Não conseguimos saber quase nada do que pretendem os candidatos para o futuro do Brasil. Sobraram acusações e não ouvimos propostas. Dilma não quis. Por Reinaldo Azevedo

João Santana para Dilma Rousseff ao final do debate: "Por favor, não fala mais nada hoje".

A presidente Dilma Rousseff diz ter se sentido mal após debate no SBT

Testemunhas ficaram pasmas ao final do debate do SBT quando ouviram esta frase dita com rispidez pelo marqueteiro da presidente, João Santana: "por favor, não fala mais nada hoje." Ela obedeceu. E foi embora sem falar com a imprensa. O desastre foi total. Especialistas dizem que será difícil juntar os cacos.