terça-feira, 7 de outubro de 2014

Guido Mantega, o ministro defunto, faz terrorismo eleitoral e ainda corta pela metade a taxa de juros reais da era PT. É mesmo um espanto!

Guido Mantega é o primeiro caso da história de ex-ministro da Fazenda no cargo. Nunca antes na história deste mundo. Nessa condição, ele poderia ao menos ficar caladinho. Mas ele fala. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o narrador se diz “um defunto autor”, não um “autor defunto”. Como analista de política e de economia, Mantega é um “ministro defunto”, não um “defunto ministro”. Convenham: ele já era! Ninguém mais dá bola para o que diz.

Nesta terça, o homem que erra previsões sobre economia mais do que institutos de pesquisa antevendo os votos de Aécio, veio a público para fazer um pouco de terrorismo eleitoral. Sabem como é… A desocupação é a morada do capeta. Eu, por exemplo, tenho três empregos. Ninguém me surpreende fazendo fofoca ou revelando nas redes sociais o que acabei de comer ou de ouvir. Não tenho tempo. Mas Mantega, sem nada para fazer, anda com tempo ocioso. Afirmou sobre Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio Neves se o tucano for eleito presidente:
“Me preocupa muito que o mesmo gestor da política monetária possa voltar e vá querer derrubar inflação com choque monetário, como foi feito no passado”.
Em primeiro lugar, quem disse que o Armínio, se ministro, dará um “choque monetário”? Isso é uma ilação maliciosa de um desocupado. Em segundo lugar, o ministro fala como se a taxa de juros no Brasil estivesse baixa, não é mesmo? É a maior do mundo em termos reais. A convergência maldita, senhor Mantega, é outra: os juros já estão lá na ponta do pavio, o crescimento na ponta oposta, e a inflação roçando o teto da meta. De fato, a gente não precisa de choque monetário, mas de outro governo, como até a presidente Dilma reconheceu, não é mesmo? É por isso que ela garantiu que, se reeleita, governará com ideias novas e pessoas novas. Estava, na verdade, mais uma vez, a afirmar que o senhor não fará parte da equipe. Então, ex-ministro, tenha a bondade de não fazer um papelão.
Continuando a fazer terrorismo eleitoral, Mantega afirmou que a média das taxas de juros reais era de 15% no governo FHC, enquanto no governo petista, teria sido de 3,5%:
“Uma taxa de juros dessa magnitude acaba com o mercado de construção, o setor imobiliário, porque ninguém vai querer investir em imóveis se pode ter um lucro tranquilo em aplicações em títulos. Vai ser uma maravilha, ninguém vai precisar trabalhar — quem tem dinheiro. Você vai provocar uma recessão na economia.”
Em primeiro lugar, a taxa média de juros reais do governo petista entre 2003 e 2013 foi de 6,99%, o dobro do que disse Mantega. Com que dados trabalho? Vejam nota no pé da página (*). Em segundo lugar, é preciso saber que tipo de dificuldade viveu FHC e que tipo de dificuldade viveram os governos petistas. A tarefa de acabar com a hiperinflação ficou com o tucano. Os petistas, como sabemos, tentaram acabar com o Plano Real. Em terceiro lugar, um ministro da Fazenda deveria ter o bom senso de não se meter em terrorismo eleitoral.
O ministro, com a clareza habitual, ainda tentou fazer outra graça sobre o fato de os mercados terem reagido com euforia à notícia de que Aécio vai disputar o segundo turno: “Os mercados são muito espertos, mais do que você imagina. Eles buscam ganhar sempre, em todas as condições. Faz parte. Esse é, por definição, o objetivo. Se ele puder causar turbulência que favoreça a ele, ele vai.”
Que sutil esse Guido Mantega! Quando os mercados aplaudiam Lula, os petistas exibiam em suas páginas os elogios que lhe eram dirigidos por publicações especializadas. Que bom que o ministro reconhece que os mercados querem “ganhar sempre”. Estranho seria se quisessem perder. Ocorre, ex-ministro Mantega, que aquilo a que chamam, muitas vezes, de “especulação” é só um movimento defensivo dos agentes econômicos para se proteger de governos irresponsáveis.
Faço uma pergunta ao ex-ministro Mantega, não ao cabo eleitoral: “Por que não se cala?”
*
(*) Para chegar à taxa média de juros reais dos anos petistas trabalhei com os seguintes dados: 2003 (9,4%); 2004 (11,2%); 2205 (11,4%); 2006 (7,9%); 2007 (7,7%); 2008 (6,9%); 2009 (9,8%); 2010 (6,2%); 2011 (4,5%); 2012 (1,8); 2013 (4,09%). Eles representam a taxa nominal (swap de 360 dias), deflacionada pela mediana da expectativa de inflação para os 12 meses seguintes. Período: 2003 a 2013, no dia 31 dezembro de cada ano.
Por Reinaldo Azevedo

Renan Calheiros defende candidatura própria do PMDB em 2018 em discurso no Senado, e nem fica vermelho....

Em discurso da tribuna, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu nesta terça-feira, 7, a candidatura própria do partido a presidente da República em 2018. A defesa feita pela primeira vez publicamente por Renan Calheiros ocorre após o desempenho que ele considerou "acima" das expectativas do partido nas eleições de domingo, 5. O peemedebista, entretanto, voltou a pedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). O que ele está fazendo é o truque mais mulambeiro do País, que é feito por qualquer jogador de time da segunda divísão, a chamada "valorização do passe". Ele quer vender pelo maior preço a adesão do partido ao novo governo. Para Renan Calheiros, "o bom desempenho" de partido no primeiro turno das eleições representam necessidade de projeto próprio para 2018. O peemedebista citou uma série de resultados de integrantes do partido para justificar a proposta. Ele mencionou o fato de que o partido elegeu em primeiro turno quatro governadores e ainda pode eleger outros oito no segundo turno, o maior número do País, que permanecerá como a maior bancada do Senado, será a segunda maior na Câmara dos Deputados e terá o maior número de deputados estaduais no País. Renan fez um "agradecimento especial" e uma "homenagem sincera" ao que chamou de renovação que será conduzida em Alagoas pelo seu filho, o deputado federal Renan Filho (PMDB), eleito governador do Estado em primeiro turno. "São números superlativos que impõem ao partido uma sincera reflexão sobre a necessidade de ter um projeto próprio de poder em 2018", conclamou Renan. Para ele, o "bom desempenho" da legenda reforça a necessidade de um projeto próprio e reposiciona o PMDB no centro da decisão das três esferas de poder. Questionado após em entrevista quem poderiam ser os candidatos do partido, Renan respondeu laconicamente: "Tem muitos". Sem citar nominalmente Dilma Rousseff, o presidente do Senado disse que o PMDB deixou as "dúvidas" que tinha no passado e "embarcou num projeto que está mudando o Brasil", numa referência às gestões petistas. "Nós do PMDB nunca faltamos e nunca faltaremos ao Brasil", disse. "O PMDB está, de fato em um relacionamento sério com o Brasil, o partido mostrou a sua densidade eleitoral. A força e a confiança naturalmente reservarão ao PMDB o papel de protagonista tanto no Legislativo quanto no Executivo", completou. Renan defendeu a aprovação de uma reforma política para tirar o País da "idade da Pedra" e disse assumir o compromisso de tratá-la como prioritária após o segundo turno.

Plenário da Câmara vira "muro das lamentações"

No retorno dos deputados aos trabalhos após o primeiro turno das eleições, o plenário da Câmara se transformou em uma espécie de "muro das lamentações". Enquanto os vencedores agradeciam a reeleição, parlamentares derrotados nas urnas fizeram discursos em tom de despedida. O petista Amauri Teixeira (PT-BA) se juntou ao deputado Domingos Dutra (SD-MA) para lamentar não ter sido eleito. O deputado do PT, que costuma exercer a presidência das sessões em dia de quórum baixo, disse que, apesar da derrota, exerceria seu mandato de deputado até o último momento. O deputado Antônio Reguffe (PDT-DF) agradeceu os 826 mil votos que o elegeram senador para os próximos oito anos. Entre sorrisos e gestos de vitória para os fotógrafos, Marco Feliciano (PSC-SP), terceiro mais votado em São Paulo com 398 mil votos, também comemorou sua votação no plenário. Ele foi violentamente satanizado por petistas, ongs filopetistas e ativistas gayzistas, e agora colhe o reconhecimento por seu trabalho. Ou seja, fica comprovado que os vagabundos esquerdopatas não representam ninguém. Já os tucanos Duarte Nogueira e Vanderlei Macris (SP) destacaram não só suas reeleições, como a votação do PSDB em São Paulo. "Agradeço a confiança do povo de São Paulo", disse Macris. Nogueira lembrou que o PSDB paulista teve uma vitória expressiva com a eleição de José Serra ao Senado, a reeleição de Geraldo Alckmin para o governo paulista já no primeiro turno e os votos do candidato Aécio Neves para a Presidência da República que o cacifaram a disputar o segundo turno da sucessão presidencial.

Renan Calheiros agora quer discutir correção de aposentadorias

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu nesta terça-feira, 7, a discussão de um projeto de lei que trate da correção das aposentadorias com ganhos superiores a um salário mínimo. "Essa discussão da necessidade de recuperar o poder de compra dos aposentados, daqueles que ganham acima de um salário mínimo, é um tema inevitável dessa eleição. É uma discussão que necessariamente temos que travar após o segundo turno", disse Renan Calheiros. A fala dele é absolutamente cínica. Renan Calheiros disse que é preciso ter uma regra para recuperar o poder de compra dos aposentados. Ele citou o fato de que, para quem ganha até um salário mínimo, foi instituído uma fórmula de correção durante o governo Lula (alcaguete que delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr). Calheiros, o homem que usou jatinho da FAB para ir fazer implante de cabelo na sua careca, defendeu que se faça o mesmo sob o mandato da presidente Dilma Rousseff para quem ganha acima de um salário mínimo de aposentadoria. Ele ressalvou que a regra, se for aprovada pelo Congresso, não pode permitir que se sacrifique as contas públicas. O comentário de Renan Calheiros em plenário foi endereçado ao senador Paulo Paim (PT-RS). O petista é relator de um projeto com esse objetivo em tramitação no Senado e apresentou uma emenda que garante aos aposentados que recebem mais de um salário mínimo um reajuste anual que ele considera justo. A base seria o crescimento real da remuneração da média dos trabalhadores empregados no mercado de trabalho formal. O texto já passou pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e será votado em caráter terminativo pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Se for aprovado e não tiver recursos de senadores para levá-lo ao plenário, a matéria seguirá diretamente para a Câmara dos Deputados.

Ex-pré-candidato ao governo pelo PMDB, Junior Friboi declara apoio a Marconi Perillo

O empresário e ex-pré-candidato ao governo de Goiás pelo PMDB, José Batista Júnior, o Júnior Friboi, declarou nesta terça-feira o apoio à reeleição de Marconi Perillo (PSDB). O anúncio é um posicionamento público e contrário ao candidato do próprio partido, Iris Rezende, que concorre no segundo turno contra o tucano. Friboi, um dos donos e ex-presidente do Grupo JBS, filiou-se ao PMDB em maio de 2013 e sempre deixou clara a intenção de concorrer ao governo neste ano. A entrada dele no partido aconteceu pelas mãos do vice-presidente da República e líder do partido, Michel Temer. Iris Rezende não compareceu, mas assinou a ficha de filiação e disse à época que cabia ao empresário viabilizar a candidatura. Desde então seguiu-se uma guerra de bastidores entre o grupo ligado ao Iris Rezende e os defensores da candidatura de Friboi. Em abril deste ano, Iris oficializou pré-candidatura e, diante da resistência de Friboi, desistiu três semanas depois. Sinalizou, no entanto, que não apoiaria a candidatura do empresário que, em maio, renunciou abrindo espaço para a quinta candidatura de Iris Rezende ao governo. Após a renúncia, Friboi liberou aliados para apoiarem a quem quisessem no primeiro turno. Agora, decidiu se posicionar favorável ao governador Marconi Perillo (PSDB), de quem já foi aliado (inclusive com filiação ao PSDB) e auxiliar.

Posição da família de Eduardo Campos será revelada nesta quarta-feira

O governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), deixou a residência de Marina Silva, em São Paulo, onde esteve com outras lideranças do partido por cerca de duas horas nesta terça-feira, 7. Acompanhado do ex-ministro e senador eleito do Estado, Fernando Bezerra, Câmara evitou dar qualquer declaração de apoio do partido ou da coligação para o segundo turno. O governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), disse já saber a decisão de Renata Campos. Câmara afirmou já ter a posição da viúva de Eduardo Campos, Renata, e afirmou que a levará para a reunião da Executiva Nacional do PSB nesta quarta-feira, em Brasília, mas se recusou a dizer qual seria essa posição. "Amanhã vocês vão saber. De amanhã não passa", desconversou. O governador eleito disse apenas considerar a neutralidade uma opção ruim: "É importante termos uma definição para os rumos do Brasil". Nos bastidores, sabe-se que não é cogitado o apoio à petista Dilma Rousseff, principalmente pelos ataques durante a campanha, considerados baixos tanto pelo núcleo de Marina Silva como pelo PSB. O apoio ao tucano Aécio Neves é sinalizado por diversas lideranças, mas ainda enfrenta resistências. Sobre a nota de apoio a Aécio Neves divulgada pelo irmão de Eduardo Campos, Antônio Campos, Câmara repetiu que foi a expressão de um posicionamento pessoal e não do PSB de Pernambuco.

Ex-chefe da Receita Federal é condenado a 11 anos de prisão por fraude

A Justiça Federal em Tupã condenou o ex-técnico da Receita Federal, Ciro Afonso de Alcântara, a 11 anos e oito meses de reclusão, em regime fechado, por peculato. O Ministério Público Federal havia denunciado o ex-servidor e outras nove pessoas por fraude nos sistemas do Fisco entre abril de 2005 e setembro de 2006. O esquema gerou prejuízos de R$ 88,4 mil ao erário. O ex-servidor deverá ainda pagar multa de cerca de R$ 100 mil, e ressarcir os danos causados aos cofres públicos. Os condenados, entre eles três parentes de Alcântara, receberam restituições do imposto de renda a partir da inserção de documentos falsos. A Justiça afirma que o ex-servidor se utilizou do cargo para gerar 32 declarações falsas. Quatorze resultaram em pagamento de restituições fraudulentas. As outras não chegaram a ser pagas. O esquema foi descoberto em 2006. “Todos tiveram participação ativa nos crimes ao menos em seu apogeu, qual seja, o saque dos valores indevidos de restituição depositados em suas contas bancárias”, informou o juiz federal Vanderlei Pedro Costenaro, autor da sentença. Os demais acusados foram beneficiados por suspensão dos processos. Como se vê, era o chamado bagrinho..... Peixe grande é outra coisa para ser pego. O ex-técnico era chefe da agência da Receita Federal no município de Osvaldo Cruz. Segundo a Justiça, ele arquitetou o esquema e cooptou funcionários terceirizados da unidade e familiares para gerar declarações forjadas sobre o vínculo trabalhista entre essas pessoas e órgãos municipais das cidades de Pracinha, Prado Ferreira e Sagres, entre 2002 a 2006. Ao informarem valores retidos, os réus apresentavam declarações retificadoras e recebiam as restituições indevidas. A Justiça afirma que Alcântara se aproveitou de uma brecha do sistema de fiscalização da Receita. Em órgãos públicos municipais, há o cruzamento dos documentos de retenção de imposto na fonte e declaração de renda do contribuinte, sem possibilidade de comprovação sobre o efetivo recolhimento do imposto. O Fisco depende exclusivamente das informações que os municípios enviam para checar o cumprimento dos deveres tributários. Um auditor da Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente percebeu que dois dos envolvidos haviam caído na malha fina por erro na documentação. Constavam dos cadastros apenas as declarações do imposto de renda, sem as correspondentes declarações do imposto retido, problema identificado automaticamente pelo sistema. Ao verificar informações da fonte pagadora, a Câmara Municipal de Pracinha, o auditor notou que outros contribuintes estavam em situação semelhante. Todos tinham vínculo de parentesco com o então chefe da agência em Osvaldo Cruz. As informações levaram à instauração de um processo administrativo interno que constatou as fraudes e culminou na demissão de Alcântara.

CNMP aprova auxílio-moradia para toda categoria, arrombado o cofre da União e dos Estados

Após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ter aprovado no final da manhã desta terça-feira regulamentação de auxílio-moradia a todos os magistrados do País, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) reconheceu o direito ao mesmo benefício aos promotores brasileiros. Assim, tanto juízes como representantes do Ministério Público receberão o benefício no valor máximo previsto, de R$ 4.377,73. Na análise do caso pelo plenário, foram lembradas as liminares do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, ao estender o direito aos juízes federais, a todos os estaduais e aos membros da Justiça do Trabalho e Militar. A proposta de estender a decisão do CNJ que regulamentou a análise de Fux foi aprovada por unanimidade. "A decisão firma um fato histórico que é o reconhecimento de mão dupla da simetria constitucional assegurada entre Judiciário e Ministério Público brasileiro", disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. De acordo com o procurador-geral, a situação do recebimento do benefício era bastante díspar entre os integrantes do Ministério Público. Enquanto em alguns Estados o pagamento do auxílio-moradia chegava a R$ 8 mil, no Ministério Público Federal a verba girava ao redor de R$ 3,3 mil. Para Janot, a regulamentação serve para "uniformizar" o pagamento. As restrições estabelecidas para recebimento do benefício se assemelham às estabelecidas pelo Judiciário. Não podem receber auxílio-moradia os membros do Ministério Público que possuem à disposição residência oficial no local onde trabalham ou onde efetivamente vivem. Também não têm direito os aposentados. O pagamento será interrompido em casos de aposentadoria ou indisponibilidade por sanção, afastamento do trabalho sem recebimento de subsídio ou ainda quando cônjuge ocupar imóvel funcional ou receber o auxílio-moradia na mesma localidade.

Datafolha e Ibope sobre 2º turno presidencial saem nesta quinta-feira

As primeiras pesquisas Ibope e Datafolha com intenção de voto para o segundo turno da disputa presidencial serão divulgadas nesta quinta-feira, no Jornal Nacional, da TV Globo. A pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo deve ouvir 3.010 eleitores entre 7 e 9 de outubro. Já o Datafolha, encomendado pela Folha de S. Paulo e pela TV Globo, deve ouvir 2.884 eleitores entre 8 e 9 de outubro. Os levantamentos do Ibope e do Datafolha foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral sob os protocolos BR-01071/2014 e BR-01068/20014, respectivamente. É preciso uma fiscalização cerrada sobre esses institutos que estão sob suspeita, devido às suas criminosas pesquisas no primeiro turno, incluindo a boca de urna, com resultados completamente errados e invertidos, a favor do petismo.

Petista critica sugestão de Armínio Fraga de reduzir subsídios

O primeiro vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), criticou nesta terça-feira a sugestão feita pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, de se reduzir a política de concessão de subsídios a setores da economia. Fraga já foi escolhido pelo candidato a presidente do PSDB, Aécio Neves, ministro da Fazenda, caso o tucano vença a corrida ao Palácio do Planalto. Os petistas são vigaristas ideológicos, políticos, econômicos. Passaram uma vida inteira vociferando contra subsídios para as empresas, e agora defendem de maneira efusiva. Jorge Viana disse que há uma "preocupação" com o fato de Fraga ter acenado que pretende diminuir a política de juros diferenciada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O petista citou que tanto o ProUni quanto o Fies são duas políticas que ajudam milhões de jovens pobres a estudar a partir de crédito subsidiado. Ele insinuou que os programas podem acabar num eventual governo Aécio Neves. Ou seja, é terrorismo petista, no que esses vigaristas são especializados. "Que país nós vamos ter se nós não dermos oportunidade para a juventude fazer uma faculdade?", questionou. "Nosso governo faz um programa que dá todas as oportunidades para os pobres e jovens de classe média fazerem uma faculdade", completou. Para o petista, está errada a avaliação de que o mercado tem que resolver esses assuntos, em um país tão desigual como o Brasil: "Isso aqui não é para fazer medo a ninguém, não; não é para fazer medo a ninguém. É para ficar bem claro que o governo do presidente Lula e o governo da presidenta Dilma têm lado: não é contra os que já têm, não é contra os que estão incluídos, não é contra o ''andar de cima''. O nosso governo é a favor do ''andar de baixo'', da classe média", destacou. Jorge Viana afirmou que faz um alerta a 3 milhões de estudantes que se beneficiam de políticas de estudos por meio de juros subsidiados. "Eles já estão avisando que política implementarão, deixarão de ajudar setores da nossa economia com os financiamentos do BNDES e - pelo menos, estão dizendo - cancelarão esse tipo de programa de financiamento", disse. "Será que têm coragem de fazer isso? Tirar o dinheiro do ProUni? Tirar o dinheiro do Fies?", questionou Viana, na continuação do discurso. "Porque, se é essa a intenção do senhor Armínio Fraga, tido como eventual futuro Ministro da Fazenda, num eventual governo do PSDB, se é isso que ele está querendo fazer, é bom que a população brasileira fique atenta e reaja a isso", frisou.

Dilma reconhece que não teve voto em São Paulo

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, foi direta na análise sobre seu desempenho eleitoral no Estado de São Paulo, no primeiro turno, onde obteve apenas 26% dos votos válidos. O candidato do PSDB, Aécio Neves, foi o mais votado no maior colégio eleitoral do País, com 44% dos votos paulistas. "O meu diagnóstico é assim simples, eu não tive voto em São Paulo. Não tem diagnóstico mais simples e mais humilde. Diagnostico que não tive voto. A gente pode fazer todas as suposições, mas tem de partir desse princípio e buscá-lo", afirmou. "Tem que partir deste princípio e buscar objetivos a partir disso", discursou candidata à reeleição. A candidata disse que deve apresentar propostas específicas para o Estado. "Eu pretendo olhar São Paulo com muito cuidado, inclusive com propostas específicas e abrir o mais possível o debate, a discussão e a comunicação com todos os setores paulistas", disse. A presidente comemorou a vitória no Rio Grande do Sul, seu domicílio eleitoral, onde recebeu 43% dos votos válidos contra 41% de Aécio Neves. Ela alfinetou o oponente, ressaltando que venceu também em seu Estado natal, Minas Gerais, onde o tucano foi governador por oito anos. "Quem me conhece votou em mim. Fiquei muito feliz com isso", provocou. Dilma ressaltou que vai manter a campanha nas regiões Norte e Nordeste, onde venceu com folga, além de trabalhar em Estados nos quais derrotada. Entre eles, Santa Catarina (52,89% para Aécio Neves e 30,76% para a petista), onde Dilma deve ir na próxima semana: "Vou lutar para ganhar em todos os Estados possíveis. Não tem de não ganhar num Estado e achar que não vale tentar virar. O Brasil é um só, todos os Estados são importantíssimos".

Protestos na Turquia por cidade síria sitiada deixam pelo menos 9 mortos

Pelo menos nove pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas em manifestações por toda a Turquia nesta terça-feira, relatou a mídia local, nas quais os curdos exigiram que o governo faça mais para proteger a cidade curda de Kobani, na Síria, dos militantes do Estado Islâmico. Combates entre manifestantes e policiais criaram clima de guerra por todo o país. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, que incendiaram carros e pneus quando tomaram as ruas nas províncias de maioria curda no leste e no sudeste da Turquia. Enfrentamentos também irromperam em Istambul, maior cidade turca, e na capital, Ancara. Cinco pessoas morreram em Diyarbakir, a maior cidade curda do sudeste, que testemunhou combates entre manifestantes e policiais. Um homem de 25 anos morreu em Varto, cidade pequena na província de Mus, no leste, e pelo menos meia dúzia de pessoas foi ferida na mesma localidade durante os confrontos, reportou a mídia local. Duas pessoas perderam a vida na província de Siirt, no sudeste turco, disse o governador local à rede de televisão CNN Turk Television, e outra morreu na vizinha Batman. Toques de recolher foram impostos em cinco províncias predominantemente curdas do sudeste após os protestos, durante os quais lojas e bancos foram danificados. O ministro do Interior, Efkan Ala, pediu o fim das manifestações. “A violência não é a solução. Ela desencadeia represálias. Esta atitude irracional deveria terminar imediatamente”, disse ele a repórteres. Combatentes do Estado Islâmico avançaram em direção ao sudoeste de Kobani, aumentando a pressão para que a Turquia intervenha no conflito. O cerco de três semanas a Kobani já cobrou 400 vidas, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede em Londres e monitora a guerra na Síria. Membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Turquia já acolheu mais de 180 mil refugiados que fugiram de Kobani, mas evitou se unir à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra os militantes radicais sunitas, dizendo que a campanha deveria ser ampliada e incluir a deposição do presidente sírio, Bashar al-Assad.

OMS diz que surgimento de mais casos de ebola na Europa é 'inevitável'

A diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa disse, nesta terça-feira, que haverá mais casos de ebola no continente, mas que os países estão preparados para controlar a doença. Segundo a húngara Zsuzsanna Jakab, incidentes como o da enfermeira espanhola, que contraiu o vírus em Madri enquanto tratava de dois pacientes infectados na Libéria, são “inevitáveis”. A enfermeira foi a primeira pessoa infectada pelo ebola fora da África. A confirmação do diagnóstico foi feita nesta segunda-feira. Segundo autoridades da Espanha, outras três pessoas estão internadas no país sob suspeita de terem tido contato com o vírus: o marido da enfermeira, uma pessoa que viajou de uma região africana atingida pela epidemia e um profissional de saúde. "Outros casos importados e eventos similares ao da Espanha ocorrerão no futuro muito provavelmente", disse Jakab à agência Reuters. "É algo bastante inevitável devido ao grande número de viagens tanto da Europa para os países afetados como no sentido inverso.”

Tratamento — Vários países na região europeia da OMS, incluindo França, Grã-Bretanha, Holanda, Noruega e Espanha, trataram pacientes repatriados após contraírem ebola na África Ocidental, onde a doença tem se espalhado. A epidemia já causou mais de 3.400 mortes na região, especialmente na Guiné, Serra Leoa e Libéria. "Para nós, o mais importante é que a Europa ainda se encontra em risco baixo e que a parte ocidental do continente em particular é a mais bem preparada do mundo para responder a febres virais hemorrágicas, incluindo o ebola”, disse a diretora da OMS.

Coligação de Ana Amélia Lemos no Rio Grande do Sul anuncia apoio a Sartori

A senadora Ana Amélia em Brasília

A senadora Ana Amélia em Brasília (Pedro França/Agência Senado/VEJA)
Os partidos que integram a coligação que lançou a candidatura da senadora Ana Amélia Lemos (PP) ao governo do Rio Grande do Sul anunciaram nesta terça-feira apoio a José Ivo Sartori (PMDB), que disputa o segundo turno da eleição no Estado com Tarso Genro (PT), e também ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, que enfrenta Dilma Rousseff (PT). "Reconhecidamente no Rio Grande do Sul a mudança está representada, neste segundo turno, pelos projetos liderados pelas candidaturas de Aécio Neves e Sartori", diz a nota, destacando que a coligação continua "coerente" ao desejo de mudança demonstrado nas urnas. Segundo a nota, os partidos buscarão dialogar com outras forças políticas para ampliar o apoio à candidatura de Aécio Neves e levarão suas instâncias partidárias a apoiarem Sartori, "que representa o projeto mais identificado com as propostas que defendemos". Assinaram a nota os presidentes estaduais de PP, PSDB, SD e PRB.

BRF quer dissociar marcas Sadia e Perdigão

A BRF pretende aumentar suas receitas com produtos processados através da dissociação das marcas Sadia e Perdigão, afirmou nesta terça-feira o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, Fernando Erne. Os alimentos processados representam cerca de 50% das vendas da BRF. Segundo Erne, as marcas, que são os dois principais nomes no segmento de alimentos industrializados, ainda possuem a mesma percepção diante do mercado consumidor. "Precisamos dissociar as duas marcas para maximizar as oportunidades de ganhos, atendendo às diferentes demandas do mercado", disse o executivo. Dentro dessa estratégia, Erne explica que a marca Sadia deve passar a seguir tendências globais de consumo, com um foco muito grande em praticidade. Segundo ele, o desenvolvimento dos produtos deve seguir a linha de porções menores e prontas para o consumo. "A BRF elegeu a Sadia como a marca para sua estratégia de expansão em mercados internacionais", explicou o executivo, citando os mercados do Oriente Médio e de outros países da América do Sul como foco no Exterior. Já a Perdigão deve buscar uma proximidade maior com o consumidor brasileiro. "O foco da marca é mais na alimentação familiar, com porções maiores e embalagens econômicas, por exemplo. Vamos tentar crescer com a classe média emergente no Brasil", disse, apostando em crescimento da marca mesmo com a desaceleração do consumo interno. Segundo ele, o foco nas duas principais marcas já possibilitou um crescimento de 107% no faturamento, enquanto o número de projetos registrou uma redução de 63%. No entanto, o executivo descartou que a estratégia associe a marca Sadia à parcela da população de renda mais elevada, enquanto os produtos da Perdigão estariam atrelados ao consumo das classes de renda mais baixas. "A separação segue mais a necessidade dos diferentes consumidores e não uma tendência de classes", disse. Ele, porém, reconheceu que a partir do processo de dissociação, os preços dos produtos Sadia tendem a ficar mais caros em comparação com o portfólio da Perdigão. Erne avaliou ainda que crescimento da Seara, marca de processados da JBS Foods, é "inegável", mas considerou que a concorrência serve como um estímulo para as novas iniciativas da companhia. "Concorrência nós sempre estivemos acostumados a ter, afinal Perdigão e Sadia concorriam entre si (antes da fusão que deu origem à BRF). O crescimento de outras marcas impede que nós fiquemos estagnados e estimula ainda mais o nosso desenvolvimento", afirmou o executivo, que participou nesta terça-feira do 16º Congresso Brasileiro de Embalagens promovido pela Associação Brasileira de Embalagens (Abre), em São Paulo.

Petrobras confirma presença de óleo em poço no Espírito Santo

A Petrobras confirmou a descoberta de uma acumulação de hidrocarbonetos no pós-sal (águas ultraprofundas) na Bacia do Espírito Santo. A extensão foi descoberta em perfuração de 1.886 metros de profundidade no poço Pudim (3-BRSA-1253D-ESS ANP e 3-ESS-219D Petrobras). De acordo com comunicado da Petrobras, foi "comprovada a presença de óleo de boa qualidade por meio da análise de dados de perfis, de amostragens de fluido e de teste a cabo", em reservatórios a profundidade de cerca de 3.550 metros. A empresa pretende chegar à profundidade final de 4.500 metros. O poço está na área de Brigadeiro, a 121 quilômetros de Vitória (ES). A Petrobras é a operadora do consórcio para exploração do Plano de Avaliação da Descoberta (PAD) de Brigadeiro (65%), em parceria com Shell (20%) e Inpex (15%). A notícia sobre a descoberta e o bom humor vindo da possibilidade cada vez maior de Marina Silva (PSB) acertar a aliança com Aécio Neves (PSDB) nesse segundo turno da corrida presidencial levaram as ações preferenciais da Petrobras para o patamar de 21,79 reais (alta de mais de 6%).

Eike Batista vira réu de novo, agora, em processo envolvendo a OSX

O empresário de papel Eike Batista virou réu em mais um processo que apura uso de informação privilegiada na negociação de ações de suas empresas, ou insider trading, no jargão do mercado financeiro. Agora ele será formalmente investigado por lucrar indevidamente em operações com ações da OSX. Na segunda-feira, a Justiça Federal do Rio de Janeiro já havia acatado denúncia de crime semelhante, porém, envolvendo ações da OGX. Agora, o juiz federal Paulo Bueno acatou a denúncia do Ministério Público Federal em São Paulo sobre a OSX, empresa do ramo naval. Tanto a OSX quanto a OGX entraram com pedido de recuperação judicial no ano passado. Eike Batista foi denunciado no dia 15 de novembro à 3ª Vara Empresarial de São Paulo. A procuradora Karen Khan, do Ministério Público Federal em São Paulo, afirmou, na ocasião, que Eike Batista vendeu ações da OSX um mês antes de divulgar um novo plano de negócios que previa demissões, paralisação nas obras e revisão nos investimentos. Com as vendas, feitas em 19 de abril de 2013, Eike Batista arrecadou 33,6 milhões de reais. As notícias negativas foram divulgadas ao mercado em 17 de maio. Logo em seguida, o valor dos mesmos papéis caiu a 2,50 reais. A procuradora sustenta que, ao vender as ações antes da queda, o ex-bilionário evitou perdas de 8,7 milhões de reais. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro já havia acusado o ex-controlador do grupo EBX de insider trading e manipulação de mercado com ações da petroleira OGX — os procuradores Rodrigo Poerson e Orlando Cunha pediram o arresto de até 1,5 bilhão de dólares em bens do empresário. Fundada dois anos depois da OGX, a OSX tinha como objetivo fornecer equipamentos para a petroleira. Mas, em julho do ano passado, depois de amargar várias quedas na produção, a OGX anunciou a suspensão do plano de investimentos e iniciou uma reestruturação dos seus negócios. Em outubro, entrou em recuperação judicial. A OSX seguiu o mesmo caminho, entrando em recuperação judicial em novembro. Segundo a denúncia da procuradora de São Paulo, além de deter informações que os outros investidores não tinham, Eike Batista estava impedido pela lei das SAs de negociar os papéis da OSX, justamente  por estar às vésperas de um anúncio importante ao mercado. O mesmo se passou na OGX, que teve suas ações negociadas por Eike Batista em duas ocasiões diferentes, a primeira em maio de 2013 e a segunda em setembro do mesmo ano. As vendas de ações da OGX em maio ocorreram junto com as da OSX. Já as de setembro foram feitas dias antes de Eike Batista anunciar que não injetaria mais 1 bilhão de dólares no caixa da petroleira, como havia prometido aos investidores em outubro de 2012. Com as duas vendas de ações da OGX, Eike Batista teria lucrado 260 milhões de reais. O empresário sustenta que vendeu as ações para pagar credores. As denúncias das últimas semanas são, provavelmente, as primeiras de uma série. Há outras investigações em curso contra Eike Batista na Comissão de Valores Mobiliário, a autarquia que regula o mercado financeiro, no próprio Ministério Público e da Polícia Federal. Em maio, a Justiça federal do Rio de Janeiro decretou o sequestro de 122 milhões de reais do empresário. Mesmo que consiga o arresto dos bens do empresário, o Ministério Público dificilmente terá 1,5 bilhão de dólares pretendidos, uma vez que o patrimônio de Eike Batista hoje é negativo em 1 bilhão de reais.  As punições para o crime de insider trading vão desde multa e suspensão do direito de operar no mercado até prisão. Nesse caso, a pena máxima seria de 5 anos. Para manipulação de mercado, as penas podem chegar a 8 anos de prisão.

Pró-Aécio, PSB de Pernambuco se reúne com Marina Silva

Cúpula do PSB pernambucano tenta convencer Marina Silva a se aliar a Aécio

Cúpula do PSB pernambucano tenta convencer Marina Silva a se aliar a Aécio (Ricardo Matsukawa/VEJA)
A cúpula do PSB de Pernambuco se reuniu por duas horas com Marina Silva em São Paulo nesta terça-feira para discutir o posicionamento que o partido tomará no segundo turno – o grupo defende a adesão à candidatura do tucano Aécio Neves, com aval de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos. Foram à capital paulista no início da tarde o atual governador de Pernambuco, João Lyra Neto, acompanhado do governador eleito no Estado, Paulo Câmara, do prefeito do Recife, Geraldo Júlio, do senador eleito Fernando Bezerra Coelho e o presidente estadual da sigla, Sileno Guedes. Antes de se reunirem com Marina Silva, os políticos tiveram um encontro com Beto Albuquerque, que concorreu ao cargo de vice-presidente pelo PSB, e com Márcio França, presidente estadual do partido e eleito vice-governador de São Paulo. Além do apoio ao tucano no segundo turno, os pessebistas debateram sobre as eleições do Diretório Nacional do partido, marcadas para a próxima segunda-feira. No evento, será escolhida a composição da nova Executiva Nacional da sigla. Em meio à disputa eleitoral, o PSB tinha concordado em manter Roberto Amaral na presidência da sigla e Geraldo Júlio na vice.

FBI pede ajuda para identificar terrorista americano do Estados Islâmico

O FBI pediu ajuda à população americana nesta terça-feira para identificar um terrorista que aparece em um vídeo divulgado pelo Estado Islâmico com ameaças aos Estados Unidos. O homem fala em árabe e inglês com sotaque americano na gravação intitulada Flames of War (Chamas da Guerra) e parece orquestrar uma execução em massa de soldados sírios que cavavam as próprias covas no deserto. Para facilitar a caçada, o FBI publicou um pôster com imagens aproximadas do rosto do terrorista mascarado e pede ao público que entre em contato se tiver qualquer informação que possa levar à sua identificação. "Esperamos que alguém possa reconhecer esse indivíduo e fornecer informações importantes", afirmou à rede CNN Michael Steinbach, diretor-assistente da divisão de contraterrorismo do FBI. A polícia federal americana lançou também uma campanha incentivando as pessoas a alertarem as autoridades caso suspeitem de que algum americano planeja viajar para se unir ao terrorismo. O FBI vê o terrorista que está sendo procurado como um assassino persuasivo e articulado, o que provavelmente lhe confere uma posição influente na hierarquia do Estado Islâmico. O homem pode ser tanto um árabe educado no Ocidente, quanto um cidadão de origem americana ou canadense que se uniu às fileiras do Estado Islâmico. Caso seja realmente americano, se tornará o primeiro cidadão do país a ser filmado perpetrando um crime de guerra. "Estes extremistas violentos criados em solo americano são almas perturbadas que estão buscando significado em um caminho deturpado. É por isso que eles se deixam levar por propagandas e se radicalizam por conta própria, através de uma espécie de estudo independente. Eles também conseguem se equipar e treinar através da internet", afirmou o diretor do FBI, James Comey, à rede CBS, no domingo. Uma fonte da CIA revelou no mês passado que 15.000 estrangeiros, incluindo 2.000 ocidentais, viajaram à Síria para lutar na guerra civil do país. Não está claro quantos deles se uniram ao Estado Islãmico. O maior receio das autoridades é que os terroristas jihadistas possam retornar aos seus países de origem para perpetrar atentados. Acredita-se que os terroristas sejam provenientes de 80 países. Em setembro, o FBI comunicou que identificou o carrasco de sotaque britânico que aparece nos vídeos de decapitação de reféns estrangeiros divulgados pelo Estado Islãmico na internet. A polícia federal não revelou o nome do terrorista nem confirmou sua nacionalidade, para não prejudicar o andamento das investigações. Acredita-se que os jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff e os voluntários britânicos David Haines e Alan Henning tenham sido assassinados pelo mesmo terrorista.

Petista Aloizio Mercadante se licencia para trabalhar na campanha de Dilma

Presidente Dilma Rousseff e o Ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante

A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (Valter Campanato/Agência Brasil/VEJA)
Mais um ministro decidiu se afastar do governo para trabalhar na campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, atuará ao lado do também ministr licenciado Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário. Mercadante começou o governo à frente do Ministério de Ciência e Tecnologia, mas foi ganhando espaço até se tornar um interlocutor privilegiado da presidente. É uma das poucas pessoas que Dilma ouve na hora de tomar decisões importantes. 

Sem Marina, Dilma desdenha: "Ninguém é dono do eleitor"

O PT já não tem mais esperança de receber o apoio de Marina Silva e sabe que o PSB dificilmente ficará ao lado da presidente-candidata Dilma Rousseff no segundo turno. Por isso, a petista afirmou nesta terça-feira, depois de reunião com aliados em Brasília, que os apoios não são decisivos para a segunda etapa da eleição nacional. "Eu sei perfeitamente, pela experiência política, que ninguém é dono do eleitor. Eu fico muito feliz quando me apoiam. Agora, sei também que ninguém manda no eleitor", disse Dilma: "Cada pessoa tem consciência, cada pessoa é capaz de definir o que quer. E isso é fundamental numa visão de cidadania e de democracia". A presidente retomou o tradicional recurso petista de divisão de classes ao definir o PSDB como um partido que governa para os ricos. "Está havendo uma oposição entre os ricos e os pobres. Nós faríamos a política dos pobres e eles fariam a política dos ricos. Essa é uma oposição que é parcialmente verdadeira", disse ela, aparentemente mencionando de forma torta uma afirmação dada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que atribuiu parte dos votos de Dilma à falta de informação dos eleitores. Um dos exemplos citados por ela foi o das obras de metrô pelo País. "Esse Brasil do passado não fazia metrô. O governo era para um terço da população. Se chegasse a dois terços era muito", disse ela. Depois, soltou uma frase que contradiz a própria tese: "O Brasil do passado não fazia metrô porque metrô era coisa para rico". Dilma afirmou também que pretende apresentar propostas específicas para São Paulo, onde foi derrotada por Aécio Neves (PSDB) com uma diferença de vinte pontos porcentuais no primeiro turno. "Nós achamos São Paulo um estado muito importante. Eu pretendo dar toda atenção a São Paulo, olhar com muito cuidado e, inclusive, apresentar propostas específicas para São Paulo", prometeu. As afirmações da presidente foram dadas em Brasília, após uma reunião com dez governadores e cinco senadores recém-eleitos, além de quatro candidatos a governador que disputam o segundo turno. Dilma pediu o empenho deles para buscar a vitória na corrida pela Presidência da República. Cinco presidentes de partido e seis governadores eleitos também compareceram.

MP Federal e Estadual querem tomar o lugar do governador de SP e decretar racionamento. É o fim da picada!

Pois é… Há coisas que fogem ao limite do razoável. Como todo mundo sabe, sou um defensor das prerrogativas do Ministério Público, mas também cobro responsabilidade e limites. Por que digo isso? Os MPs Estadual e o Federal resolveram apelar à Justiça para que esta force a Sabesp a limitar a retirada de água do Sistema Cantareira, vetando o uso da segunda etapa do volume estratégico — que se chama “estratégico” justamente porque não é “morto”, esse nome cretino. Os requerentes afirmam que ele deve ser usado apenas excepcionalmente, para “evitar um colapso”. Ora, não é precisamente esse o caso? Segundo leio na Folha, os MPs Estadual e Federal argumentam que “a continuidade de retirada de água do Cantareira poderá trazer sérias implicações ao abastecimento público, levando a um ‘colapso do sistema’, além de prejuízos ao meio ambiente e à saúde pública”. A ação foi movida por promotores de Piracicaba e Campinas e por um dos procuradores de Piracicaba. Entre os réus, a ação cita a ANA (Agência Nacional de Águas), o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) e a SABESP.

Muito bem. O que eles querem então? Racionamento! A sua avaliação sobre os prejuízos decorrentes do uso da segunda etapa do volume estratégico não é uma questão matemática; trata-se apenas de opinião, com a qual não concordam técnicos da Sabesp, que são especialistas no assunto. Trata-se de um juízo curioso: digamos que as chuvas não venham mesmo, então se trata, segundo essa escolha, de antecipar o que eles chamam de “colapso” para evitar o “colapso”? Isso não faz sentido!
Há números demonstrando que os incentivos à economia de água têm sido mais efetivos do que a imposição do racionamento, que acarretaria severos problemas técnicos quando as tubulações voltassem a receber a água. Mais: nos períodos de abastecimento, a população tende a fazer estoque para se precaver, e se conjugam, então, o ruim e o pior: a falta de água com o desperdício.
Acho que o Ministério Público Estadual e o Federal precisam se conformar com o fato de que não são governo, de que não foram eleitos pelo povo, de que já gozam de prerrogativas que raramente se veem em outras democracias. A ser como querem alguns promotores e procuradores, os governantes deveriam submeter previamente suas decisões aos dois órgãos, e políticas públicas só seriam implementadas depois que contassem com a sua concordância. Nesse caso, o regime democrático seria substituído por uma espécie de Guarda Pretoriana dos Homens Ilustrados. Seria, assim, uma casta acima das vulgaridades do mundo e das escolhas falhas dos homens.
Se os representantes dos dois MPs querem esse grau de interferência na vida dos cidadãos e nas escolhas administrativas, o caminho é a urna.
Eleição
Mais: certa delinquência política deu agora para ligar o não racionamento à passagem de Aécio Neves para o segundo turno. Então um problema local, que nada tem a ver com o presidenciável, poderia afetar a sua eleição? Tenham paciência! Esse discurso não colou nem em São Paulo. Com toda a pregação terrorista de Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT), Alckmin venceu a eleição para governador em 644 dos 645 municípios de São Paulo, e Aécio, em 565. Associar o não racionamento à eleição é de uma impressionante má-fé. Por Reinaldo Azevedo

Aécio Neves fala como "presidente da mudança"

O candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) adotou o "marinês" - linguajar da candidata derrotada Marina Silva (PSB). Nesta terça-feira, em evento em São Paulo, Aécio Neves disse estar pronto para liderar um projeto "em favor de uma nova política", expressão usada incansavelmente por Eduardo Campos (PSB) em sua campanha e adotada por Marina, quando ela substituiu-o como cabeça de chapa. Aécio reafirmou: “Vejo convergências importantes entre as propostas de governo da Marina e as nossas”: "Estou pronto para liderar um projeto em favor do Brasil. Em favor de uma nova política, em favor de uma construção coletiva. E, para isso, reitero o que tenho dito nas reuniões, nossas propostas são sempre abertas a novas contribuições. Até porque o programa de governo é obra que não acaba nunca, está em construção permanente". Aécio Neves reafirmou que sua candidatura "não é de um partido, representa sentimento amplo de mudança". Marina Silva sempre defendeu que iria governar "com os melhores", independentemente de quais partidos fossem. Na segunda-feira, também em São Paulo, Aécio Neves já havia dito isso. O tucano aguarda definição sobre apoio de Marina Silva no segundo turno. Na segunda-feira e nesta terça, disse que "há convergências importantes entre as propostas de governo de Marina e as nossas". E emendou que "um programa de governo é obra que não termina nunca, está em construção permanente, aberta a aprimoramentos" - mais uma vez adotando o "marinês". Sua antiga adversária disse inúmeras vezes que o programa de governo era construído constantemente. Questionado sobre como estão as conversas sobre o apoio do PSB, voltou a dizer: "Temos de respeitar o tempo e as discussões internas de cada um daqueles que se posicionaram em outra direção no primeiro turno", mas que "o segundo turno é, sim, momento das convergências e aproximações": "Vamos aguardar com muito respeito a movimentação dos outros candidatos". Aécio Neves disse que falou por telefone com Beto Albuquerque, vice de Marina Silva, mas que a conversa tratou "apenas de uma palavra de amigos": “Cumprimentei-o pelo desempenho, assim como conversei ontem com Marina". "Agora é hora dos partidos discutirem internamente. Cada uma dessas forças tem seu sistema de decisão, seus colegiados. Vamos aguardar com serenidade." O tucano vai se reunir amanhã à tarde em Brasília "com companheiros de todo o Brasil" para manter a mobilização em torno de sua candidatura. Nesta terça-feira à tarde, Marina Silva emitiu uma nota oficial dizendo: "A ex-candidata à Presidência da República pela Coligação Unidos pelo Brasil, Marina Silva, vem a público reafirmar o processo definido pelos partidos que integram a aliança para contribuir para o debate do segundo turno da disputa presidencial: Os resultados das eleições refletiram uma posição de insatisfação com as condições existentes no Brasil expressando sentimentos de mudanças. Os partidos da Coligação promoverão até amanhã, dia 8 de outubro, reuniões de suas instâncias deliberativas para definirem os pontos que consideram relevantes para a formulação de posicionamento conjunto das legendas aliadas. Na quinta-feira, dia 9, Marina Silva e as demais lideranças dos partidos aliados participarão de encontro para construir um posicionamento comum da Coligação sobre a continuidade da disputa pela Presidência da República. Marina Silva também contribuirá para a construção de uma posição da Rede Sustentabilidade nesse processo de unidade da Coligação. As opiniões individuais de cada partido, dirigentes e lideranças políticas das agremiações neste momento de construção devem ser respeitadas mas não refletem em nenhuma hipótese a opinião da ex-candidata".

Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef será ouvidos nesta quarta-feira na Justiça Federal, e não poderão ficar quietos como na CPI do Petrolão

O megadoleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, serão ouvidos nesta quarta-feira pela Justiça Federal do Paraná. A defesa de Paulo Roberto Costa chegou a pedir adiamento do depoimento, mas o pedido foi negado pelo juiz federal Sérgio Moro. Diferentemente do que fez durante o depoimento à CPMI da Petrobras no Congresso, Paulo Roberto Costa não poderá se manter calado, pois isso significaria quebrar o acordo de delação premiada assinado pelo ex-diretor. A audiência deve girar em torno das denúncias sobre as obras na refinaria de Abreu e Lima e o foco deve se manter na participação das empreiteiras contratadas para realizar a construção. Entretanto, informações sobre envolvimento de políticos fogem da alçada de Sérgio Moro e devem ser dadas ao Supremo Tribunal Federal. Além de Youssef, que também aceitou dar informações por um acordo semelhante ao de Paulo Roberto Costa, outros oito réus também serão ouvidos nesta quarta-feira.

Ministro petista Guido Mantega não vê "fantasmas" que Dilma possa deixar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 7, que não enxerga “fantasmas” que o governo da petista Dilma Rousseff possa deixar para 2015. “Em 2014, vamos encerrar o ano com dívida externa líquida de US$ 330 bilhões, vamos deixar desemprego de 5,4%, que é um privilégio ter desemprego baixo. Vamos deixar programa de infraestrutura em andamento. Então, eu diria que não vejo que fantasmas são esses”, disse. Seguindo a linha da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff, que logo após o resultado do primeiro turno disse que o País não quer os fantasmas do governo passado, o petista Guido Mantega afirmou que a eleição do candidato Aécio Neves (PSDB) representaria uma volta ao passado, com desemprego, arrocho fiscal, altas taxas de juros, recessão e política conservadora neoliberal. Adotando a estratégia de colocar o PSDB como partido do arrocho fiscal, o ministro afirmou que os superávits fiscais mais fortes significarão o corte de programas sociais. Mantega atacou, mais uma vez, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, escolhido por Aécio Neves como ministro da Fazenda, caso seja eleito. “Me preocupa que o mesmo gestor da política monetária possa voltar e vá querer derrubar a inflação com choque monetário, como foi feito no passado”, disse. “Então, o que é a política conservadora neoliberal? Ela só pensa em política monetária austera e em política fiscal austera. Taxas de juros altas e aumento de superávit primário. Se o aumento do superávit primário for muito forte, significa cortar programas sociais. Eu desconfio que tem gente que gostaria de cortar programas sociais”, cutucou. “Sobre os fantasmas, o que nós temos é a possibilidade da volta de uma política conservadora neoliberal. É uma volta ao passado, quando prevaleciam taxas de juros muito altas. É só ver o que foi praticado. A taxa de juros real média de 1995 a 2002 era de 15%”, disse. “Uma taxa de juros dessa magnitude acaba com o mercado de construção, porque ninguém vai querer investir em imóveis se pode ter lucro tranquilo aplicando em títulos públicos. Quem tem dinheiro nem vai precisar trabalhar. Então, você vai provocar recessão na economia com taxas de juros muito elevadas”, afirmou: “Essa é a natureza da política conservadora, desemprego alto". O ministro chegou ao brincar com os jornalistas, ao ser questionado sobre os “fantasmas”, e, num ato falho, disse: “Eu fiquei tão preocupado com os fantasmas que esqueci a primeira parte da pergunta”. O ministro havia sido questionado sobre a participação do PIB brasileiro no PIB da América Latina. “De fato, o PIB brasileiro é um PIB bem maior que o dos outros países da América Latina e ele tem influência grande na média do crescimento”, afirmou, acrescentando que todos os países estão com redução do PIB, como Chile e Peru. “Mesmo que estejam vendendo a mesma coisa, determinadas commodities estão com preço mais baixo e o PIB cai. É um problema generalizado que eu vejo e só se soluciona com retomada do crescimento da economia européia. É preciso que os outros países também se recuperem”, afirmou. Mantega afirmou que os mercados são “muito espertos”, ao ser questionado sobre eleições, e defendeu que o câmbio não terá volatilidade como a que ocorreu em 2002. “Os mercados são muito espertos, mais do que você imagina. Eles buscam ganhar sempre, em todas as condições. Se puder causar turbulência que o favoreça, o mercado vai causar. Mesmo antes do primeiro turno, já tinha gente querendo influenciar o mercado através de pesquisa eleitoral”, disse. “Eu acho bom quando a bolsa sobe, o câmbio fica estável, seja qual for a razão pela qual isso acontece. Em todas as eleições você tem volatilidade de câmbio e de bolsa". Mantega aproveitou a oportunidade para citar a volatilidade “excepcional” do câmbio que ocorreu em 2002 e criticar as condições da economia naquela época. “Teve depreciação muito forte do real. A diferença é que hoje a economia brasileira é muito mais sólida do que 2002. Porém, não terá a volatilidade que você teve em 2002, (quando o dólar) saiu de R$ 1,70 e foi para R$ 3,80″, disse, acrescentando que o Brasil não tinha reservas e devia para o FMI. “Volatilidade é normal, ocorre em todos os países. Você tem volatilidade de câmbio por causa da situação da economia global e anúncios do Fed. Isso altera muito o posicionamento dos mercados, onde você sai de posições de bolsa e câmbio de vários países, inclusive emergentes. São esses movimentos que produzem essa situação na bolsa”, disse.

Ministério Público dá prazo para Dilma explicar o uso dos Correios na sua campanha eleitoral

O procurador federal Frederick Lustosa de Mello deu prazo de 30 dias para que a presidente Dilma Rousseff dê explicações sobre denúncia de uso político dos Correios em benefício de sua campanha à reeleição. Uma investigação preliminar foi instaurada pela Procuradoria da República no Distrito Federal, a partir de representação do PSDB. O pedido de apuração se baseou em reportagens do jornal O Estado de S. Paulo que revelaram uma “exceção” aberta pelos Correios para entregar 4,8 milhões de panfletos da candidata sem chancela ou estampa digital. O partido também incluiu na representação um vídeo, divulgado pelo jornal, no qual o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG) diz que Dilma só aumentou suas intenções de voto em Minas Gerais porque “tem dedo forte dos petistas dos Correios” atuando na campanha. O procurador avaliará se há indícios de improbidade administrativa na conduta dos envolvidos no caso. Caso entenda que sim, abrirá inquérito para aprofundar as investigações. Além de Dilma, o procurador também pediu explicações do deputado Durval Ângelo, do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, e dos diretores regionais José Pedro de Amengol Filho (Minas Gerais), Divinomar Oliveira da Silva (Interior de São Paulo) e Wilson Abadio de Oliveira (Grande São Paulo). O ofício endereçado para Dilma ainda precisa ser analisado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que decidirá se vai remetê-lo ou não para a presidente. No entanto, é praxe o envio com pedido de explicações. Até esta terça-feira, o documento ainda estava na procuradoria da República do Distrito Federal e não havia chegado ao gabinete de Janot. O PSDB acusa a campanha da presidente Dilma de infringir os artigos 332 e 377 do Código Eleitoral, que caracterizam como crime impedir o exercício de propaganda política – o candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB), acusa os Correios de não entregar panfletos de sua campanha em Minas Gerais. A legislação citada pelo partido também prevê como crime o uso de empresas públicas para beneficiar partido ou organização de caráter político.

FMI adapta previsão de crescimento do Brasil à realidade: 0,3%!!!

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira sua projeção de crescimento econômico do Brasil neste ano e em 2015, ao mesmo tempo em que elevou a expectativa de inflação em meio à menor confiança dos agentes econômicos. Em seu relatório “Perspectiva Econômica Global”, o FMI estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) do País vai crescer apenas 0,3% em 2014 – na projeção anterior, a expansão esperada era de 1,3%. Para 2015, a expectativa é de 1,4% de aumento, 0,6 ponto porcentual menor do que no relatório de julho. ”A fraca competitividade, baixa confiança empresarial e condições financeiras mais apertadas… restringiram o investimento, e a moderação contínua no emprego e no crescimento do crédito têm pesado sobre o consumo”, destacou o FMI em nota.

A revisão dos dados aconteceu depois que o Brasil entrou em recessão no primeiro semestre, com forte retração nos investimentos e na produção da indústria, às vésperas das eleições presidenciais. O FMI vê recuperação moderada da atividade em 2015, “conforme as incertezas políticas que cercam as eleições presidenciais deste ano se dissipam”. Disputarão o segundo turno do pleito a atual presidente Dilma Rousseff (PT) e o candidato do PSDB, Aécio Neves. As projeções do órgão internacional são um pouco mais otimistas do que as de analistas consultados pelo Banco Central para a pesquisa Focus. Eles vêem expansão de 0,24% do PIB neste ano e de 1% em 2015. O FMI também diminuiu suas projeções para o crescimento das economias emergentes como um todo: elas passaram de 4,6% para 4,4% para 2014 e de 5,2% para 5% em 2015. Para a economia global, as contas também foram mais pessimistas, com o FMI vendo expansão de 3,3% neste ano e 3,8% no próximo. Em julho, esperava crescimento econômico de 3,4% e 4%, respectivamente.
Inflação
O FMI também piorou suas estimativas para a inflação neste e no próximo ano, destacando diminuição da demanda do consumidor e repressão dos preços administrados, que mantém o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) próximo ao teto da meta do governo (de 6,5%). Agora o FMI projeta a inflação ao consumidor em 6,3% em 2014 e em 5,9% em 2015, contra 5,9% e 5,5% respectivamente no relatório anterior. Em meio a esse cenário, o FMI piorou suas estimativas para a taxa de desemprego no Brasil em 2015, passando a 6,1%, frente a 5,8% esperados até então. Para este ano, a mudança foi mais sutil, com leve baixa de 0,1 ponto percentual nas contas, a 5,5%. O FMI projetou ainda que o déficit em conta corrente do Brasil ficará em 3,5% do PIB neste ano e em 3,6% no próximo, com pouca diferença entre, respectivamente, déficits de 3,6% e de 3,7% projetados anteriormente. Por Reinaldo Azevedo

O raciocínio do abismo de Luíza Erundina, a despensadora

A deputada Luíza Erundina (PSB-SP), que só não continua petista porque o PT a expulsou do partido — não foi ela que expulsou o partido do seu coração —, produziu um juízo singular ao defender que sua legenda não apoie ninguém no segundo turno. Vejam que mimo:

“Nem Aécio nem Dilma. Nós não dissemos o tempo inteiro, na campanha, que queríamos mudança? Não propúnhamos o tempo inteiro o fim da polarização? Se nós apoiarmos um dos polos, não vamos justamente fortalecer um dos polos e, portanto, justamente a polarização que combatemos?”.
É o raciocínio típico de uma cabeça de esquerda: termina sempre no abismo. Não tenho esperança de que Erundina tenha lido Kant. Não tenho a esperança de que Erundina tenha lido alguma coisa de relevante. Aliás, o fato de ela ter sido uma das “coordenadoras” de Marina talvez ajude a explicar muita coisa.
Imaginem se todos os que querem uma “nova política”, ou, vá lá, uma “política nova”, com procedimentos mais decentes, fizessem como ela recomenda. Ninguém seria eleito! Talvez pudesse ser até a solução, né? Há muito tempo eu também acho que o governo atrapalha o Brasil. Seria melhor sem ele. Mas sei que não é possível.
Isso já é o PT operando. Gente como Erundina e Roberto Amaral sabem que a campanha suja empreendida pelo partido contra Marina não deixou espaço para apoiar, de fato, a candidatura de Dilma. Então eles buscam uma forma de apoio branco, envergonhado. No caso, não se alinhar com ninguém corresponderá, evidentemente, a apoiar a máquina oficial. Por Reinaldo Azevedo

Como é? Então os institutos de pesquisa acertam quando acertam e acertam também quando erram? A justificativa não é séria!

Acompanhei atentamente as explicações dos institutos de pesquisa para os erros de percepção sobre a vontade do eleitorado e, confesso, não entendi nada. A conversa de que as pessoas decidiram mudar de ideia na última hora, com o devido respeito, é história da Carochinha. Como assim?

Então estamos com alguns problemas — e é a lógica elementar que tem de nos socorrer. É preciso mudar o intervalo de confiança e a margem de erro. Aí alguém diria: “Não, Reinaldo, para a hora do registro, margem e intervalo são aqueles; a gente não tem como avaliar o imponderável”.
Bem, então os institutos estão no melhor dos mundos, não é mesmo? Quando acertam, é sinal de que o eleitor decidiu não mudar de idéia. Quando erram, também acertam porque, afinal, não podem se responsabilizar pela instabilidade dos votantes.
A ser assim, vou montar um instituto, ora essa!, e vou começar a fazer pesquisas sem ouvir ninguém. Quando disseram, por exemplo, que haveria o risco de Dilma vencer no primeiro turno — e todo mundo lembra disso —, euzinho escrevi aqui no blog, disse no programa “Os Pingos no Is”, na Jovem Pan, e afirmei na TV da VEJA que isso não iria acontecer. Os institutos até que me ajudaram. Nas três últimas eleições, eles sempre tinham previsto mais votos ao PT do que o partido depois obteria e menos votos aos tucanos. Tive a certeza de que não seria diferente desta vez. Eu só não antevi que o vexame fosse ser tão grande.
Querem exemplos? Amigos gaúchos me dizem desde o início da campanha que José Sartori venceria a eleição. Ele ainda tinha 5% dos votos segundo os levantamentos. Se vai vencer, não sei. Mas ele chegou em primeiro lugar — e com uma baita distância. O jornalista Clayton Ubinha, produtor de  “Os Pingos nos Is”, viajou à Bahia ainda antes do início oficial da campanha e disse na volta: “O Rui Costa vai ganhar… Andei por lá…” Não era torcida, só registro. Manguei dele. Pois é… Ele também apostou que Aécio Neves estaria no segundo turno quando os institutos davam ao tucano 14%… Então vamos criar o Vox Ubinha! Serei o investidor capitalista. Vamos cobrar muito caro!
Eu não estou dizendo, obviamente, que institutos devam endossar a percepção das pessoas. Mas me parece que eles têm de ser proibidos de errar mais do que a… percepção das pessoas, não é mesmo? Antes de a censura disfarçada de lei eleitoral encher o saco da Jovem Pan, a rádio sempre acertava o resultado de boca de urna simplesmente ouvindo o povo na rua. Agora não pode mais. É preciso, dizem, ter ciência. Um erro com ciência passa a ter aparência de seriedade, né? Vira coisa respeitosa! Ok apelar à ciência, mas não para ter o monopólio do erro.
Sim, o debate da TV Globo, no caso da eleição presidencial, visto por milhões de pessoas, pode ter feito diferença. Mas os institutos foram às ruas depois dele, ora essa! Aliás, uma nota a respeito: quando afirmei aqui que o tucano Aécio Neves tinha tido, de longe, o melhor desempenho no embate entre os três principais candidatos, fui acusado por idiotas disfarçados de jornalistas de estar expressando o meu gosto pessoal. Como todo mundo, faço, sim, as minhas escolhas, mas, neste trabalho, não confundo análise com torcida. O resultado das urnas está aí. E os idiotas, como sempre, fingem que não disseram idiotices,
Eu não estou demonizando os institutos nem sugerindo que devam ser censurados. Eu prefiro é que eles assumam o erro, que admitam que, desta feita, não entenderam o que estava em curso e que prometam submeter seus métodos a um teste de estresse. Bater no peito e cantar as vitórias quando acertam e atribuir a responsabilidade ao eleitor quando erram não é coisa de gente séria. Imaginem se um médico justificasse a morte de paciente afirmando que seu diagnóstico e o remédio recomendados estavam certos, mas o ex-vivente é que estava com a doença errada. Institutos de pesquisa não podem dar desculpas mais esfarrapadas do que a de alguns políticos. Por Reinaldo Azevedo

Aliado de Marina Silva, PPS anuncia apoio a Aécio Neves

Integrante da coligação que encampou a candidatura derrotada de Marina Silva (PSB), o PPS decidiu nesta terça-feira, por unanimidade, apoiar o projeto eleitoral de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. “O PPS não aceita nem a posição de neutralidade nem o apoio a presidente Dilma Rousseff”, disse Roberto Freire, presidente da sigla. Em dezembro do ano passado, a legenda foi procurada por Aécio Neves em busca de uma aliança, mas acabou fechando com Eduardo Campos, então candidato a presidente – morto em agosto numa tragédia aérea. Para interlocutores da legenda, a decisão custou caro: afirmam que Roberto Freire não se reelegeu para a Câmara dos Deputados por ter se distanciado do PSDB do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo.

Desde a noite de domingo, Marina Silva tem se reunido com aliados para definir o posicionamento no segundo turno. A ex-senadora não esconde o ressentimento com os ataques da petista Dilma Rousseff, mas busca afinar um acordo programático com o tucano para não ser novamente alvo de críticas. Durante toda a campanha, Marina Silva criticou a “velha política” e o domínio do PSDB e do PT nos últimos vinte anos. Em discurso pós-urnas, entretanto, sinalizou apoio a Aécio Neves.
O anúncio oficial de Marina Silva ainda depende de outras negociações. Nesta quarta-feira, a Executiva do PSB vai se reunir em Brasília para decidir se apoia Dilma ou Aécio Neves ou se optará pela neutralidade. Na quinta-feira, os seis partidos que compõem a coligação da ex-candidata também terão encontro para decidir o rumo no segundo turno. Em nota divulgada nesta terça-feira, sem se posicionar claramente, Marina Silvadisse que “os resultados das eleições refletiram uma posição da insatisfação com as condições existentes no Brasil, expressando o sentimento de mudanças”.

PP, PSDB, Solidariedade e PRB decidem apoiar Sartori no Rio Grande do Sul

A Coligação "Esperança que Une o Rio Grande" representada pelos Partidos que a compõe: PP - PSDB - SD e PRB, decidiram na manhã desta terça-feira que apoiarão a candidatura de José Ivo Sartori, PMDB. Os quatro Partidos tiraram nota há pouco, na qual destacam o que farão para defender os nomes de Aécio e de Sartori:
1º) Reconhecidamente no Rio Grande do Sul a mudança esta representada, neste segundo turno, pelos projetos liderados pelas candidaturas de AÉCIO NEVES e SARTORI;
2º) Diante desta realidade os Partidos que desde o 1º turno estiveram com Aécio Neves para Presidente, buscarão dialogar com outras forças políticas para ampliar o apoio a esta candidatura, que representa as mudanças e as transformações que o Brasil merece e precisa;
3º) Com a mesma coerência, os Partidos signatários levarão às suas instâncias partidárias, especialmente às Bancadas Federal, Estadual, Prefeitos/Vices e Vereadores o indicativo de apoio ao candidato SARTORI, que representa o projeto mais identificado com as propostas que defendemos.
Porto Alegre/RS, 07 de outubro de 2014.
Celso Bernardi, Presidente PP/RS; Cláudio Janta, Presidente do SD/RS; Dep. Adilson Troca, Presidente PSDB/RS, Dep. Carlos Gomes, Presidente do PRB/RS

O Congresso que sai das urnas. Ou: Dilma ou Aécio fariam maiorias folgadas na Câmara e no Senado; a questão é saber para quê

Vamos ver que Congresso sai das urnas de 2014. O número de partidos com representação na Câmara saltou de 23 para 28. Estavam sem nomes na Casa PTN, agora com 4 deputados; PSDC e PTC, que passam a ter dois cada um, e PRTB e PSL, com um cada. O PT foi o partido que perdeu o maior número de deputados: 18. Mas não foi o único: encolheram ainda o PMDB (-5), o PSD (-8), o PP (-4), o DEM (-6), o Solidariedade (-7), o PROS (-9) e o PCdoB (-5). As novas legendas não foram assim tão bem-sucedidas na Câmara: o PSD passou de 45 para 37 deputados; o PROS, de 20 para 11, e o Solidariedade, de 22 para 15. Já o PRB, do autoproclamado bispo Edir Macedo, pode comemorar: saltou de 10 para 21.

Os partidos que disputaram a eleição coligados a Dilma Rousseff têm hoje 339 deputados e passarão a contar com apenas 304. Os que apoiaram o tucano Aécio Neves contam com 119 e passarão a ter 128. Os que apoiaram Marina Silva saltaram de 30 para 49. Nesse caso, o PSB passa de 24 para 34; o PPS, de 6 para 10, e o PHS, de nenhum para cinco. Vejam quadro geral.
Bancadas Câmara 1ª
Bancadas Câmara 2ºIsso é sinal de que Aécio Neves, se eleito, enfrentará dificuldades severas na Câmara? É claro que não! À base de 128 deputados, que pode ser considerada certa, há uma chance grande de se agregarem os 53 eleitos por partidos que apoiaram Marina, o que elevaria esse número, então, para 181. Não me parece que, caso o tucano se eleja, o PMDB ficaria na oposição. Ao contrário: Aécio já estabeleceu entendimento com a legenda em vários Estados. Certamente levaria para a base de apoio uma boa parcela dos 66 parlamentares da legenda — estamos falando de um potencial de 247 parlamentares.
O PP, com 36 deputados, chegou a flertar com a candidatura do PSDB, mas acabou vítima de um golpe da sua direção. Poderia perfeitamente migrar para a base de apoio. O potencial, então, já chega a 283. Certamente seria possível dialogar com os 8 do PV, os 12 do PSC, os 2 do PSDC e 1 do PRTB. Eis aí uma possibilidade clara de 306 deputados. E me digam uma boa razão para PSD, PR e PRB integrarem a oposição sistemática. Já estamos falando de um universo de 409 deputados. Não será impossível dialogar com o PDT — e se salta para 428. A oposição sistemática a um eventual presidente tucano viria mesmo dos 70 deputados do PT, dos 5 do PSOL e, talvez, mas não com tanta certeza, dos 10 do PCdoB.
Mas que se note: não acho que Aécio, se eleito, deva repetir o erro da presidente Dilma de criar a maior base congressual da história do Ocidente. Isso não é necessário. É possível fazer negociações pontuais com os partidos a partir de propostas programáticas, sim. Afinal vocês sabem que a arte de vender e de se vender sempre depende da disposição de quem quer comprar. O que estou demonstrando aqui é que é bobagem a história de que, se eleito, Aécio poderia ter problemas no Congresso. Não teria.
Senado
Os partidos que apoiaram Dilma têm hoje 52 senadores e passarão a ter 53; os que apoiaram Aécio tem 22 e ficarão com 19. O PSB, no entanto, que esteve com Marina, saltou de 4 para 7. O PMDB e o PT perderam um senador cada um, passando, respetivamente, para 18 e 12 parlamentares. O PSDB caiu de 12 para 10, e o PTB, de 6 para 3. O PCdoB também murchou: tinha 2 e contará com apenas 1. Além do PSB, ganharam parlamentares o PDT, de 6 para 8; o PSD, de 1 para 3, e o DEM, de 4 para 5. Vejam quadro.
Bancadas Senado
Dilma, se eleita, continua com uma base sólida. Mas Aécio também não teria grandes dificuldades para negociar. PT, PC do B e PSOL (14 parlamentares) certamente ficariam na oposição. Sobrariam 67 senadores para dialogar.
O que estou dizendo, meus caros, é que tanto Dilma como Aécio conseguiriam fazer maiorias folgadas no Congresso, inclusive para encaminhar reformar constitucionais. Boas reformas se o governo for bom; más reformas se o governo for mau. Por Reinaldo Azevedo

No Estado de São Paulo, o PT levou uma sova de 644 a 1!!! Aécio venceu Dilma em 565 de 645 cidades. Nunca antes antes na história “destepaiz”!

Vamos reescrever Caetano Veloso para deixá-lo irritadinho. São Paulo vê e não vê quem desce ou sobe a rampa, aquela lá, do Planalto Central do Brasil. Como não depende muito da boa vontade de estranhos, não cede com facilidade à chantagem. Não é bolinho, não! O Estado tem 645 municípios: o governador Geraldo Alckmin venceu a disputa para o governo em, atenção!, 644! Só Hortolândia ficou de fora. Mas por muito pouco: 35.809 votos para Alexandre Padilha contra 32.354 para o tucano. Hortolândia é uma das 67 cidades administradas no Estado pelo PT. Alckmin ganhou em 66.

Mas não foi só isso. O presidenciável tucano Aécio Neves venceu a petista Dilma Rousseff em 565 dos 645 municípios — um total de 88%. Isso significa que tanto o presidenciável como o governador bateram o partido na cidade de Guarulhos, administrada pelo PT há 14 anos; na mitológica São Bernardo de Lula, que está na segunda gestão petista, de Luiz Marinho, o coordenador da campanha de Dilma em São Paulo, e na Osasco do presidente do PT paulista, Emídio de Souza.

A explicação dada por João Paulo Rillo, líder do PT na Assembléia: “Não temos conseguido fazer o debate com o eleitor paulista sobre os avanços dos governos do PT. O antipetismo se relevou muito forte”. Mas espere aí: esse antipetismo, então, deve ter um motivo, não é mesmo?

Acho impressionante que os petistas tenham tentando, no Estado, faturar com a crise da água, faturar com a crise dos transportes, faturar com a greve do metrô — ocorrências, enfim, que criam dificuldades para a vida dos paulistas — e achem estranho que a população tenha rejeitado a sua abordagem. Mais: indivíduos — e estamos falando da larga maioria — que não dependem da boa vontade do poder público para garantir o próprio sustento e que não estão oprimidos pela pobreza ou pela miséria tendem a rejeitar essa espécie de tutoria que o partido busca exercer sobre suas vidas.

E, de resto, há a experiência propriamente com o jeito petista de fazer as coisas. O partido acreditar que o morador da cidade de São Paulo — o paulistano — caminha para aplaudir a gestão de Fernando Haddad, o maníaco da bicicleta, chega a ser um sinal de alienação da realidade.

Não é que São Paulo seja congenitamente antipetista, senhor Rillo. É que o petismo acaba sendo congenitamente antipaulista porque gosta de exercer a tutela sobre os cidadãos. E o lema do brasão da cidade de São Paulo expressa não só o espírito paulistano, mas também o paulista: “Non ducor, duco”. Não sou conduzido, conduzo. Se o PT não entender isso, na próxima eleição, não vai perder por 644 a 1, mas por 645 a zero. Por Reinaldo Azevedo

Marina já decidiu: vai apoiar Aécio; família de Eduardo Campos faz o mesmo movimento. É a frente contra os “fantasmas do presente”

Na segunda-FEIRA, Antônio Campos — irmão de Eduardo Campos, filiado ao PSB e primeiro membro da família do então presidenciável do partido a declarar apoio a Marina Silva depois da tragédia — anunciou no Facebook seu apoio à candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência. Deixou claro que era uma posição pessoal — como fez, de resto, quando ungiu Marina Silva à condição de sucessora do irmão na chapa. Mas parece evidente que, dada a forma como os Campos têm se comportado depois da morte do líder político, atrás do apoio de Antônio, virão o de Renata, a viúva do ex-governador, e o dos filhos, que se transformaram em personagens políticos importantes em Pernambuco. Se alguém tiver alguma dúvida, basta ver a razia que o clã promoveu nas ambições petistas no Estado.

Pernambuco se mostrou um prodígio de alinhamento com a memória de Eduardo Campos. Paulo Câmara, dias antes do acidente que matou o candidato do PSB à Presidência, amargava 13% nas intenções de voto para o governo do Estado. Com o apoio do PT, Armando Monteiro (PTB), indicavam as pesquisas, seria eleito no primeiro turno. O petista João Paulo mantinha liderança folgada para o Senado. Um pouco mais de um mês e meio depois, Câmara bateu Monteiro no primeiro turno por impressionantes 68,08% a 31,07%, e João Paulo foi derrotado por Fernando Bezerra na disputa pelo Senado por 64,34% a 34,8%. Marina Silva, uma estranha no ninho até a morte de Campos, bateu Dilma no Estado 48,05% a 44,22%.
A adesão da família Campos certamente facilitará a decisão já tomada de Marina Silva de apoiar Aécio Neves. Ela vai, sim, apresentar, uma agenda mínima ao tucano, que contempla o fim da reeleição, um compromisso com a educação integral e a adoção de medidas em favor da sustentabilidade — nada que seja estranho ao conjunto de valores que ele tem expressado em sua campanha. De qualquer modo, a decisão da Rede já está praticamente tomada, e quem a sintetiza é João Paulo Capobianco, um dos coordenadores do futuro partido de Marina Silva e de sua campanha: “A avaliação é que não dá para ter mais quatro anos desse governo. Isso é ponto pacífico. O nosso compromisso é com o movimento de mudança”.
Marina Silva preferiria que o movimento fosse feito em conjunto com o PSB, hoje presidido por Roberto Amaral, um lulista fanático. O coração de Amaral bate por Dilma Rousseff, mas ele tentará arrancar do partido uma posição de neutralidade — e olhem que Márcio França, seu correligionário, é o vice-governador eleito de São Paulo, na chapa encabeçada por um tucano. Como os petistas são quem são, emissários do partido têm tentado se aproximar de Marina Silva, mas o esforço, consta, será inútil.
Pessoas que conhecem a líder da Rede afirmam que ela realmente não esperava que o PT a atacasse com tanta violência; achava que a campanha seria dura, sim, mas não desleal. Parte de seu abatimento, que ficou muito evidente nas duas semanas que antecederam a disputa, se deveu à brutalidade da investida. Ela contava com oposição firme a algumas de suas propostas, mas não esperava que tentassem desconstruir a sua imagem e a sua biografia. Talvez ela desconhecesse a alma profunda do partido no qual ficou tanto tempo.
Marina Silva e os Campos juntos, formam, sim, um apoio importante à candidatura de Aécio Neves, que terá de enfrentar uma pauleira. Na segunda-feira, o tucano já respondeu à investida da adversária, Dilma Rousseff, segundo quem o País não pode andar para trás, rumo aos “fantasmas do passado”. O presidenciável do PSDB devolveu: o problema dos brasileiros, hoje, são os fantasmas do presente. Por Reinaldo Azevedo