domingo, 6 de julho de 2014

TRIBUNAL DE CONTAS GAÚCHO DETERMINA QUE EX-PREFEITO PETISTA DE NOVO HAMBURGO DEVOLVA R$ 609 MIL AOS COFRES PÚBLICOS

O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul determinou, em sessão realizada na quinta-feira, que o ex-prefeito de Novo Hamburgo, o petista Tarcísio Zimmermann, devolva R$ 609.426,30 aos cofres municipais. Apesar do parecer favorável à aprovação das contas de 2011 do ex-prefeito, o relator fixou o débito, que conforme o voto, deve ser ressarcido à prefeitura em 30 dias. O valor, apurado pela auditoria externo do Tribunal de Contas, se refere a irregularidades em contrato de limpeza urbana, pagamento de gratificação em desacordo com a lei e gastos de honorários sobre compensações não homologadas pela Receita Federal. Além de determinar a devolução do valor, o órgão ainda aplicou multa de R$ 1,5 mil ao ex-prefeito pela inobservância das normas de administração financeira e orçamentária.

VIADUTO QUE DESABOU EM BELO HORIZONTE JÁ ESTAVA NA MIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO

A obra de duplicação da avenida Pedro I, em Belo Horizonte, na qual um viaduto desabou matando duas pessoas e ferindo 22 na última quinta-feira, já era alvo de investigação do Ministério Público Estadual de Minas Gerais bem antes da tragédia. Tanto o contrato com a Prefeitura de Belo Horizonte quanto a execução do projeto são alvos de inquérito da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que ainda apura suspeita de irregularidades em outras obras do Move, nome dado na cidade ao BRT (Bus Rapid Transit), incluindo superfaturamento. Segundo o promotor Eduardo Nepomuceno, um dos detalhes que "causou estranheza" foi o fato de a licitação para a realização da obra ter sido vencida pelo Consórcio Integração, formado pela Delta Engenharia em parceria com a Construtora Cowan. No fim de 2012, porém, a Delta deixou o projeto após o estouro de escândalo envolvendo o proprietário da empresa, Fernando Cavendish, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, apontado pela Polícia Federal como sócio oculto da companhia. Mas, ao invés de rescindir o contrato, a Prefeitura de Belo Horizonte fez dois aditivos substituindo o consórcio pela Cowan para a realização das obras em dois trechos da avenida Pedro I, com saldo contratual somado de R$ 117 milhões. A justificativa alegada nos aditivos, assinados pelo secretário Municipal de Obras e Infraestrutura, José Lauro Nogueira Terror, é de que a substituição foi feita em razão da "cessão integral de direitos e obrigações" da Delta à Cowan. "O que chama atenção é que na hora de participar da licitação, houve a necessidade de formar o consórcio Delta e Cowan. E durante a execução, por conta do escândalo que envolveu a Delta, ela sai do consórcio. E essa saída dela não gerou nenhum desdobramento contratual", observou Nepomuceno. Além da questão contratual, Nepomuceno citou também relatório do Tribunal de Contas do Estado que aponta indícios de superfaturamento de até 350% em alguns itens da obra, assim como de outros projetos do BRT na capital mineira. O resultado das análises era esperado para os próximos dias, mas o desabamento do Viaduto Guararapes criou a necessidade de se estender os trabalhos porque, segundo o promotor, o colapso da estrutura "vai ser incorporado à investigação e à perícia para saber por que se deu essa queda".

EMPRESAS NÃO CONSEGUEM PAGAR A CONTA DE LUZ E PARAM DE PRODUZIR

O elevado preço da eletricidade no mercado à vista, por causa do baixo nível dos reservatórios, tem criado uma série de distorções no setor elétrico e na economia. Para algumas empresas, que tinham contrato de suprimento de eletricidade direto com as geradoras, ficou mais lucrativo deixar de produzir, importar o produto e vender a energia no mercado à vista. Por outro lado, há companhias que não aguentaram o custo alto da conta, ficaram inadimplentes e tiveram a energia cortada. Em uma situação normal, com reservatórios cheios e chuvas na média, o preço do mercado à vista, também chamado de PLD, pode ficar meses abaixo dos R$ 100,00 o MWh. Em janeiro de 2012, por exemplo, estava em R$ 12,00. Mas, quando há um stress no clima e o volume de chuva fica abaixo do esperado, o preço explode. Em quase todo o primeiro semestre deste ano, o PLD ficou em R$ 822,00 o MWh, o limite máximo estabelecido. Nas últimas semanas, o preço recuou um pouco, para entre R$ 356,00 e R$ 547,00, mas continua em patamar alto. Com esse preço, empresas que tinham energia comprada em contratos de longo prazo, por menos de R$ 100,00, fecharam as portas e embolsaram o valor do PLD, vendendo a energia no mercado à vista. No primeiro semestre, por exemplo, a diferença foi de R$ 722,00 por MWh. Várias unidades do setor de ferro-ligas preferiram reduzir a produção e receber pela energia não consumida. No setor de alumínio, a história foi diferente, mas com resultado semelhante. Com os altos custos do País e o enorme estoque mundial, as empresas fecharam linhas de produção e reduziram o volume fabricado. Para abastecer o mercado interno, que continua em alta, o setor teve de importar alumínio. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, de janeiro a maio, as importações de alumínio bruto cresceram 888% em relação a igual período de 2013. O mesmo ocorreu com ligas de alumínio, com avanço de 193%. Nesse mesmo período, a produção caiu 16,1%. “Desde 2010, estamos avisando que o preço da energia está muito alto para produzir no Brasil”, diz o presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Adjarma Azevedo. Dos 28% de queda na conta de luz, promovida pela MP 579, que renovou as concessões de geração e transmissão de eletricidade, a indústria de alumínio só conseguiu 5,6%. Consequentemente, ao reduzir a produção, sobrou energia para essas empresas, que lucraram com o preço alto. O PLD também baliza o preço da energia negociada nos contratos bilaterais de longo prazo. Hoje, quem quiser comprar energia por um ano a partir de 2015 terá de pagar mais de R$ 300,00 o MWh. O problema é que muitas empresas tinham contratos de dez anos, por exemplo, vencendo este ano, com custo de R$ 60,00 o MWh. Com a explosão dos preços, elas ficaram sem contratos e sem condição de pagar a nova conta de luz com base no PLD.

DEMOLIÇÃO DE VIADUTO EM BELO HORIZONTE DEPENDE DE PERMISSÃO DA POLÍCIA

Uma força-tarefa montada para demolir o viaduto que desabou em Belo Horizonte aguarda autorização da Polícia Civil mineira para iniciar os trabalhos para retirada da estrutura da avenida Pedro I, na região da Pampulha. O Viaduto Guararapes ruiu na quinta-feira causando as mortes de duas pessoas, deixando 22 feridas e interditando completamente a avenida, uma das mais movimentadas da cidade. Até o início da noite de sábado, porém, a polícia não havia autorizado a demolição exigindo uma série de medidas para que os trabalhos sejam realizados, além da preservação de partes da obra para a conclusão da perícia já iniciada no local.

DOIS ARGENTINOS FORAM PRESOS DURANTE JOGO EM BRASÍLIA

A Polícia Militar do Distrito Federal prendeu dois argentinos acusados de agredir fisicamente torcedores brasileiros dentro do Estádio Nacional Mané Garrincha. A briga teria começado quando um brasileiro jogou um copo de cerveja em um grupo de argentinos. Revoltados, alguns torcedores do grupo partiram para cima do brasileiro, que caiu e foi espancado. Pouco depois do início da confusão, outros brasileiros se envolveram no tumulto e tentaram intervir para evitar mais agressões. Cerca de 20 policiais apareceram no local e separaram a briga. Além da prisão dos estrangeiros, os policiais encontraram uma mala que foi deixada nas imediações da arena. Durante o jogo, a Polícia Federal prendeu Pablo Alvarez, conhecido como Bebote. O nome dele constava na lista de 2,5 mil torcedores violentos proibidos de frequentar estádios na Argentina. Os nomes foram enviados pela polícia argentina para o Brasil antes do mundial começar. Conhecidos como ‘barra bravas’, os torcedores eram a maior preocupação das forças de segurança que trabalharam no local.

EGITO CONDENA LÍDER DA IRMANDADE MUÇULMANA À PRISÃO PERPÉTUA

Um tribunal do Egito condenou no o líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badia, e outros 36 islamitas, à prisão perpétua por atos de violência e confirmou a pena de morte para outros dez já sentenciados. Os islamitas foram processados pelos distúrbios registrados na província de Qaliubiya, ao norte do Cairo, no final de julho de 2013, pouco depois da cassação militar do presidente Mohamed Morsi, quando morreram duas pessoas. Os condenados também terão de pagar uma indenização de 20 mil libras egípcias ao Ministério do Interior. Outro islamita processado, menor de idade, foi condenado a três anos de prisão. Entre os condenados à prisão perpétua estão, além de Badia, o dirigente da Irmandade Muçulmana, Mohamed Beltagui, o predicador Shafut Hegazi e o ex-ministro Basim Kamal Auda (no cargo durante o mandato de Morsi). Em 7 de junho, o mesmo tribunal havia sentenciado à pena de morte dez réus e fixou para este sábado a emissão do veredicto para os outros 38 islamitas. Os condenados à pena capital foram julgados à revelia e ao serem presos terão direito a outro processo. Nos últimos meses, a Justiça egípcia condenou integrantes e partidários da Irmandade, declarada grupo terrorista pelas autoridades em dezembro, à morte ou prisão perpétua. As sentenças foram criticadas pela comunidade internacional e organizações de direitos humanos.

GASTO COM CAMPANHA ELEITORAL PRESIDENCIAL ESTE ANO DEVE ALCANÇAR UM BILHÃO DE REAIS

A corrida presidencial deste ano deverá custar quase R$ 1 bilhão. A campanha mais cara será a de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), que estabeleceu como limite de gasto em R$ 298 milhões. Por sua vez, a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) deve custar R$ 290 milhões. Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos, atrás de Dilma e Aécio, Eduardo Campos (PSB) fixou o custo em R$ 150 milhões. Advogados que representam as campanhas do PT, do PSDB e do PCO apresentaram no sábado no Tribunal Superior Eleitoral o registro dos candidatos e as estimativas de gastos. Nas últimas eleições de 2010, o PT estabeleceu inicialmente o gasto de R$ 157 milhões no primeiro turno, valor que foi alterado para R$ 191 milhões com o ingresso de Dilma no segundo turno da disputa. A campanha do então candidato José Serra (PSDB), na eleição passada, fixou o valor em R$ 180 milhões. O limite de gasto não necessariamente é atingido em todas as campanhas. Da mesma forma, esses valores podem ser alterados como ocorreu em 2010, no caso da presidente Dilma. Somados os gastos das campanhas do PT e do PSDB aos dos outros nove candidatos presidenciais, o custo chega a R$ 916,7 milhões. Confiram os limites de gastos estabelecidos pelos candidatos à presidência da República: Dilma Rousseff (PT) - R$ 298 milhões; Aécio Neves (PSDB) - R$ 290 milhões; Eduardo Campos (PSB) - R$ 150 milhões; Eduardo Jorge (PV) - R$ 90 milhões; Pastor Everaldo (PSC) - R$ 50 milhões; Eymael (PSDC) - R$ 25 milhões; Levy Fidélix (PRTB) - R$ 12 milhões; Luciana Genro (PSOL) - R$ 900 mil; Zé Maria (PSTU) - R$ 400 mil; Rui Costa Pimenta (PCO) - R$ 300 mil; Mauro Iasi (PCB) - R$ 100 mil.

SISTEMA CANTAREIRA PERDE 47 BILHÕES DE LITROS EM 30 DIAS E CAI PARA 19,6%

Com déficit de 47 bilhões de litros em um mês, o nível do Sistema Cantareira caiu para 19,6% da capacidade no sábado, já considerando o chamado “volume morto” das represas. Desde o dia 16 de maio, quando a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) começou a contabilizar o acréscimo de 182,5 bilhões de litros da reserva profunda, o principal manancial paulista já perdeu 7,1% no nível de armazenamento. Até agora, a concessionária já retirou 41,7 bilhões de litros do "volume morto", ou 23% do total. Segundo estimativa feita pela própria Sabesp, se a quantidade de água que chegar ao Cantareira nos próximos meses for igual a 50% das mínimas históricas registradas no sistema, a reserva profunda pode acabar no dia 27 de outubro. Em junho, por exemplo, a vazão afluente ao manancial foi 53,8% menor que a pior da história para o mês. Nesses cinco primeiros dias de julho, o índice está 78,6% abaixo da vazão mais baixa já registrada em 84 anos. Apesar do cenário crítico, a Sabesp afirma que o abastecimento de água na Grande São Paulo está garantido até março de 2015 sem precisar adotar o racionamento de água generalizado.

TATUZÃO CHEGA AO LOCAL DA FUTURA ESTAÇÃO MOEMA DO METRÔ PAULISTANO

Um dos três “tatuzões” que trabalham nas escavações de futuros trechos do Metrô de São Paulo chegou no sábado ao local que será a Estação Moema (Linha 5-Lilás). O equipamento venceu um trecho de 1,3 km em seis meses. "É um momento histórico", avaliou o governador Geraldo Alckmin (PSDB): "A Linha Lilás é o que chamamos de linha integradora porque vai se conectar à Linha 9 da CPTM, à Linha 1 do Metrô, à Linha 3 do Metrô e à Linha 17 do futuro monotrilho". A Estação Moema deve entrar em operação em 2016. A previsão é que a estação atenda 24,5 mil passageiros por dia. Atualmente, 20% das obras do local estão prontas. Trabalham no canteiro 350 operários.

PSDB USARÁ MOTE "MUDA BRASIL" NA CAMPANHA PRESIDENCIAL

Integrantes da campanha presidencial do PSDB entregaram no sábado o pedido de registro da candidatura do senador Aécio Neves (PSDB). A coligação levará o nome de "Muda Brasil". Em 2010, os tucanos adotaram o mote "O Brasil pode mais". Nos documentos entregues à Justiça Eleitoral, os tucanos estabeleceram R$ 290 milhões como teto de gastos para a campanha. Na eleição presidencial passada, esse teto foi de R$ 180 milhões. Segundo advogados da legenda, ao final da eleição, o então candidato José Serra declarou ter gastado cerca de R$ 120 milhões. Questionado sobre o aumento dos custos, o advogado do PSDB, Flávio Henrique Costa Pereira, disse que os valores estão dentro da expectativa de que o partido irá disputar um segundo turno da eleição. No ato do registro da campanha, integrantes do PSDB não distribuíram à imprensa dados referentes a atual declaração de bens do tucano nem o programa de governo. Na última eleição para o Senado, Aécio Neves afirmou ter um patrimônio de R$ 617.938,42 mil. Agora ele incorporou ao seu patrimônio a herança que recebeu de seu pai falecido.

CNJ APURA 149 PROCESSOS DE CORRUPÇÃO OU INDISCIPLINA NO PIAUÍ

O Corregedor do Tribunal de Justiça do Piauí, desembargador Sebastião Ribeiro Martins, afirmou que a falha imperdoável dos magistrados é a corrupção.  Ele revelou que alguns juízes no Estado respondem a processo, mas a maioria é por causas disciplinares. Mas são 149 processos, sendo que alguns magistrados são reincidentes. O Estado tem um total de 170 magistrados, somando-se a esta conta os desembargadores do Tribunal de Justiça do Piauí. Sebastião Martins afirmou que 90% dos casos é questão de indisciplina ou morosidade no andamento processual, mas existem outros casos mais graves. Segundo ele, os juízes e até os desembargadores estão sendo monitorados pelo Conselho Nacional de Justiça neste quesito. "Vamos ter uma atenção especial com a questão disciplinar e a corrupção. O papel da Corregedoria é fiscalizar e garantir o trabalho dos juízes. 90% dos processos disciplinares em andamento são em relação a excesso de prazo.", enfatizou o Corregedor. Sebastião Martins afirmou que existem 149 processos disciplinares contra juízes no Piauí em tramitação no Conselho Nacional de Justiça. Ele esclarece que isso não representa a quantidade de juízes, já que alguns magistrados respondem a dois ou até três processos disciplinares. O desembargador afirmou que uma de suas prioridades é combater a corrupção, que ele considera falha grave e imperdoável.  Ele disse que vários juízes já foram punidos em Teresina, Floriano, Campo Maior e Parnaíba, alguns colocados em indisponibilidade.

EX-PRESIDENTE DIZ QUE OAB NÃO VELA PELO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

No artigo em "O Globo" deste domingo, intitulado "Por onde anda a OAB?", seu ex-presidente, Reginaldo Castro, acusa o atual presidente por omissão deliberada diante dos ataques feitos pelos governos do PT ao estado democrático do direito. Ele vai até mais longe, ao avisar que a OAB trai por interesse próprio, já que seu atual presidente está na lista dos que poderão ser nomeados para o STF. Leia tudo: "Diante de sinais claros de retrocesso, sente-se a falta da palavra e da orientação da Ordem. Poucas vezes na história republicana do Brasil tantos e tão graves acontecimentos puseram em risco o Estado Democrático de Direito. São questões que, no passado, provocariam a intervenção da única tribuna pública não estatal em defesa da cidadania: a Ordem dos Advogados do Brasil, cujo Estatuto a compromete com a defesa da Constituição, da democracia e dos direitos humanos. A OAB surgiu no bojo de uma crise institucional de grandes proporções: a Revolução de 1930. São 84 anos. Desde então, teve papel decisivo em todos os conflitos da vida brasileira, sempre mantendo distância crítica dos protagonistas do processo político, ocupando, com isenção e destemor, a tribuna da sociedade civil. Hoje, diante de sinais claros de retrocesso, sente-se a falta da palavra e da orientação da OAB. Falo como seu ex-presidente e alguém que preza sua história e papel social. Distingo a instituição dos que circunstancialmente estão no seu comando. Estamos diante de uma agenda política assustadora. Teme-se pela independência do Judiciário e do Legislativo. O aparelhamento do Estado, síntese desses temores, culmina com a edição do decreto 8.243, que o entrega ao arbítrio dos “movimentos sociais”, sem que se defina o que são, já que podem ser institucionais ou não, segundo o decreto. Antes, tivemos o mensalão, pontuado de agressões por parte dos réus ao STF e ameaças de morte a seu presidente, Joaquim Barbosa. E ainda: a tentativa de regulamentar (eufemismo de censurar) a mídia; a inconstitucionalidade do programa Mais Médicos; a desobediência do presidente do Senado ao STF quanto à instalação da CPI da Petrobras; a violência dos black blocs nas manifestações de rua; as ações criminosas de milícias armadas do MST e do MTST, entre numerosas outras ilegalidades que reclamam uma palavra firme de condenação por parte da advocacia brasileira. E o que se ouviu da OAB? Nada. Preocupo-me com essa omissão, que, como é óbvio, não é gratuita: tem substância política, expressa na inclusão do nome de seu atual presidente, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, na lista de postulantes ao STF. A presidente Dilma Rousseff faria um grande favor à advocacia brasileira nomeando-o, em justa paga aos inestimáveis serviços prestados a seu governo. A OAB é grande, mas sua atual direção trai a sua história e, com isso, infunde desamparo à nossa frágil democracia. É preciso resgatá-la e devolvê-la a seu glorioso lugar de porta-voz da cidadania brasileira.

MENDONÇA DE BARROS ANTEVÊ FORTE QUEDA NA ECONOMIA

O economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, aponta, em artigo, forte desaceleração da economia. Leia a seguir: "A queda na atividade se intensifica - As informações mais recentes mostram que a atividade econômica está desacelerando muito rapidamente, mais do que o esperado. Os itens mais significativos a destacar são os seguintes: 1) As expectativas dos agentes vêm caindo acentuadamente nesta primeira parte do ano. Se compararmos o índice de junho, recém-findo, com o mesmo mês de 2013, a confiança do consumidor caiu 8%, a do comércio 7,4%, a da construção 8,9%, a do setor de serviços 9,30% e a da indústria mergulhou 16%! Não me lembro de período no qual, tanto produtores de todos os setores, como consumidores, tenham ficado tão desanimados simultaneamente. Este comportamento acaba se traduzindo numa profecia que se auto confirma: se o consumidor está reticente, vai comprar menos; se os produtores ficam pessimistas tentarão cortar custos e reduzir estoques. O resultado só pode ser uma queda na atividade. 2) A produção industrial divulgada nesta semana desabou até maio. Neste período, a indústria como um todo encolheu 1,6%, bem como todas as categorias econômicas, exceto bens não duráveis de consumo, que acumulou ganho de 1%. No caso dos bens duráveis, a queda foi extraordinária. Conforme divulgado também nesta semana, a produção de veículos encolheu quase 20% em relação a maio de 2013. Ainda assim, a escassez de clientes foi de tal natureza que os estoques se elevaram muito no varejo e na indústria, levando a um grande volume de paradas na produção. Estas decisões de ajuste de oferta/demanda, em segmentos com cadeias de produção relativamente complexas, como é o setor automotivo, sempre são tomadas apenas em último caso, em situações de forte desequilíbrio, uma vez que a redução no fluxo de produção de uma montadora exige de 60 a 90 dias para se materializar, dada a necessidade de se coordenar fornecedores e distribuidores. Outro segmento que gera preocupações é o de bens de capital, cujo resultado desabou quase 6%, entre janeiro e maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Seguramente, os investimentos vão continuar se contraindo, pois os dados da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) mostram uma queda no faturamento do setor de quase 14% nos primeiros cinco meses deste ano em relação a 2013. 3) Olhando para adiante, é certo que a atividade industrial continuará caindo. No setor automotivo a MB projeta para o ano uma queda de quase 10% na venda de autos e comerciais leves, de 15% na de caminhões e de 10% na de ônibus. Os estoques já acumulados garantem que um corte de produção significativo ainda será necessário. A mesma coisa vale para outros bens duráveis. Existe um fator específico neste ano a contribuir para o encolhimento da atividade industrial, que é o encarecimento do preço da energia elétrica no mercado livre, fruto da severa redução de água nos reservatórios e da intensa utilização da termoeletricidade. Como resultado, muitas empresas consumidoras intensivas em energia optaram por desligar equipamentos e vender sua eletricidade assegurada no mercado livre, a preços muito elevados. Isto fica muito claro, quando se observam (gráfico) as quedas na produção de setores de alta e média intensidade no consumo de energia elétrica. Ainda não é possível fazer uma avaliação mais cuidadosa de qual o volume de produção cortado, mas têm-se notícias de muitos desligamentos de equipamentos nos setores de metais, química, cimento, etc. Além disso, os dados de comércio exterior mostram uma apreciável redução nas exportações de produtos industriais, especialmente tendo-se em vista a crise pela qual passam vários de nossos vizinhos, como Argentina e Venezuela. É inescapável uma forte queda no produto da indústria de transformação deste ano, que projetamos ser da ordem de 3,6%. 4) Quando olhamos para o mercado de trabalho, fica claro que o efeito negativo no emprego será muito mais acentuado agora no segundo semestre. Por exemplo, se considerarmos os dados de emprego formal, mostrados pelo Caged em maio deste ano, observamos uma geração líquida (contratados menos desligados) de empregos de apenas 59 mil pessoas. A indústria reduziu seu contingente em 28 mil empregados, o comércio dispensou 1000 funcionários, a construção civil contratou 3000 e apenas os setores de serviços (mais 41 mil) e a agropecuária (mais 44 mil) contrataram de maneira mais significativa. A abertura dos dados de serviços mostra o efeito da Copa, uma vez que os itens de hospedagem e alimentação foram os mais relevantes. Entretanto, na agropecuária 65% do saldo de contratações foi de colhedores de café, atividade de curta duração, uma vez que até o fim do próximo mês, a safra já estará nos armazéns. O fato é que no segundo semestre é que ocorrerá o grosso da redução do emprego industrial e da redução do emprego na construção civil, uma vez que muitas obras ficaram prontas e terão seus canteiros desativados, como é o caso dos estádios. Além disso, o ajuste decorrente da questão da energia terá seu efeito pleno dado que a maior parte das companhias só organizou sua decisão de desligar equipamentos em março/abril. Nosso crescimento caminha para zero e não dá para culpar o resto do mundo, mesmo tendo-se em conta que a escolha de nossos parceiros comerciais preferenciais não tenha sido das mais felizes".