terça-feira, 1 de julho de 2014

ENTERRO DOS TRÊS JOVENS JUDEUS ASSASSINADOS PELO TERRORISMO ISLÂMICO COMOVE ISRAEL

Dezenas de milhares de israelenses participaram nesta terça-feira do funeral dos três adolescentes sequestrados e assassinados na Cisjordânia pelos terroristas islâmicos, no que se tornou “espontaneamente um dia nacional de luto”, nas palavras do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Emissoras de rádio e televisão interromperam sua programação para a cobertura do enterro. Várias pessoas dividiram táxis e carros e fretaram ônibus para chegar ao cemitério da cidade de Modiin, entre Jerusalém e Tel-Aviv, onde Eyal Yifrach, de 19 anos, Naftali Frenkel e Gilad Shaer, ambos de 16, foram enterrados. Os três desapareceram no dia 12 de junho e seus corpos foram encontrados na segunda-feira, perto de Hebron. Durante o funeral, o premiê disse que “um grande abismo moral nos separa de nossos inimigos”: “Eles santificam a morte, nós santificamos a vida. Eles santificam a crueldade, e nós a misericórdia e a compaixão. Este é o segredo de nossa força e também a base da nossa união”. Depois que os corpos dos rapazes foram achados, Netanyahu afirmou que o Hamas "pagaria" pela morte dos jovens, que foram sequestrados enquanto pegavam carona perto de Gush Etzion, um bloco de colônias situado entre Belém e Hebron, em uma zona sob controle civil e militar israelense. As autoridades israelenses afirmam que os três foram mortos por integrantes do grupo fundamentalista islâmico que controla a Faixa de Gaza. Para Netanyahu, o incidente é uma consequência da reconciliação do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, com o Hamas. Os dois lados assinaram um acordo em abril que resultou na formação de um novo governo palestino. Abbas condenou o sequestro e disse que ele era uma ameaça aos interesses palestinos, ordenando que suas forças de segurança ajudassem Israel nas buscas aos garotos, medida que foi condenada pelo Hamas. “Eu sei que vamos colocar as mãos nos assassinos e eles serão punidos”, disse o presidente israelense Shimon Peres durante o funeral. “A todos os que estão felizes com nossa tristeza”, advertiu, “o terror é como um bumerangue”. O ministro da Defesa, Moshe Yaalon, também participou da cerimônia, e disse que os três jovens foram assassinados “por desalmados, somente pelo fato de serem judeus”. “Foram assassinados a sangue frio por aqueles que içam a bandeira de uma guerra de desgaste diária contra nós”, disse, acrescentando que Israel “não descansará até levar os responsáveis à Justiça”. O vice-ministro da Defesa, Danny Danon, defendeu que o governo israelense envie “uma mensagem clara” sobre o incidente. “Espero que o primeiro-ministro mostre sua liderança e ordene ações duras contra o Hamas”, disse Danon, que apóia a demolição de casas de suspeitos na Cisjordânia. As casas de dois suspeitos apontados como integrantes do Hamas, Marwan Qawasmeh, de 29 anos, e Amer Abu Aisha, de 33 anos, apontados como os sequestradores dos jovens assassinados, foram alvo de ações do Exército. Uma delas pegou fogo depois de ser atingida por explosivos, indicando uma retomada da destruição de propriedades de suspeitos de terrorismo, algo que não ocorria desde 2005. Soldados prenderam o pai e irmãos de um dos suspeitos e ordenaram a saída dos moradores antes de detonar os explosivos. Netanyahu e Moshe Yaalon, defendem uma nova expansão de assentamentos na região e desejam construir uma nova colônia em memória dos adolescentes. As autoridades israelenses também começaram a investigar os erros cometidos pela polícia durante o sequestro. Segundo a apuração, os jovens pegaram carona com dois palestinos que fingiram ser colonos judeus. A imprensa israelense informou que um dos jovens judeus conseguiu fazer uma ligação para a polícia e informou que estava sendo sequestrado. Conforme uma gravação divulgada, Eyal Yifrah diz, em voz baixa, “me sequestraram”, enquanto o policial do outro lado da linha repete 'alô, alô'. A conversa é interrompida imediatamente por um dos sequestradores, que ordena, em um hebraico com sotaque árabe, “baixa a cabeça, baixa a cabeça, baixa a cabeça!”, enquanto ao fundo o policial continua a repetir “alô, alô”. Durante os 15 segundos da gravação, é possível ouvir pelo menos duas rajadas de tiros, embora não se saiba se foram contra as vítimas.  A polícia suspeita que os jovens provavelmente foram assassinados na mesma noite de seu desaparecimento quando os sequestradores consideraram que a ligação os teria delatado. Não se sabe se os palestinos pretendiam mesmo matar os jovens quando pararam o carro ou se só decidiram fazer isso após notarem que um dos jovens havia ligado o celular. Membros do Hamas já sequestraram israelenses para tentar trocá-los por prisioneiros israelenses, mas também mataram outros cidadãos após sequestrá-los. De qualquer forma, a ligação de Eyal foi desconsiderada pela equipe que estava de plantão e tratada como trote. O Exército israelense iniciou buscas só depois que o pai de uma das vítimas denunciou o desaparecimento do filho. Pelo menos cinco policiais, incluindo um comandante, foram afastados.

ISRAEL E OS TRÊS ADOLESCENTES MORTOS: JÁ HÁ CERTO ESFORÇO PARA CULPAR AS VÍTIMAS E ABSOLVER OS ASSASSINOS

Bandeira de Israel na multidão que acompanhou enterro dos três jovens judeus (Finbarr O'Reilly/Reuters)
Bandeira de Israel na multidão que acompanhou enterro dos três jovens judeus(Finbarr O’Reilly/Reuters)
Uma multidão como raramente se viu em Tel-Aviv, em Israel, acorreu para as cerimônias fúnebres dos jovens Naftali Fraenkel, Gil-Ad Shaer e Eyal Yifrah, assassinados a tiros pelo Hamas. Os corpos, depois, foram queimados. O governo israelense prometeu prender os assassinos. Só para deixar claro: os alvos atacados por forças israelenses na Faixa de Gaza nada têm a ver com essa tragédia. Trata-se de uma reação ao lançamento de mísseis. Ainda não está claro qual será a resposta do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Seja lá qual for, conta com a solidariedade de um país chocado e indignado.
O Hamas, com a canalhice moral peculiar a grupos terroristas, nem assumiu nem negou a autoria dos atentados — praticado, muito provavelmente, por uma milícia sua aliada, que atua na Cisjordânia. Mundo afora, e eu não esperava outra coisa nestes dias de moral torta, os apelos por uma resposta branda de Israel são bem superiores e mais eloquentes do que a condenação ao ataque brutal. E não me venham com a história de que o repúdio a ações dessa natureza são um pressuposto. Não são, não!
Eu não tenho especial simpatia pelo atual governo Israelense e muitas das correntes que o apoiam, mas acho realmente asqueroso que se tente inverter o peso das responsabilidades. Aqui e ali já li textos sugerindo — e um colunista chega a apelar a um blogueiro judeu (claro!) para não ter de assumir ele mesmo a tese — que, não houvesse os assentamentos judaicos na Cisjordânia, coisas assim não aconteceriam. É estupefaciente! Isso corresponde a responsabilizar a vítima e a absolver o algoz. Mais: trata-se de uma mentira rematada! Basta saber o que é e o que quer o Hamas. Basta ler seu estatuto, cuja íntegra já publiquei em meu blog. Que tal isto: “Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer todos aqueles que existiram anteriormente a ele”? Bastante eloquente, não é mesmo?
Israel saiu inteiramente de Gaza, pondo a polícia contra seus próprios cidadãos para desocupar assentamentos. Obra, ora vejam!, do “falcão” Ariel Sharon, que levou a tese adiante com a oposição de importantes setores da política israelense. E o que se viu na sequência? O Hamas deu um golpe e transformou a região numa espécie de campo de treinamento do terror. Os adversários internos do Fatah não foram tratados com muito mais gentileza do que tratariam aqueles a quem chamam “sionistas”. Sem a força militar israelense, a Faixa de Gaza se converteu numa base de lançamento de mísseis. E isso é apenas um fato. Como é um fato que o tal muro fez cair drasticamente o número de atentados terroristas.
Noto também certo esforço para tentar limpar a barra de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina e líder máximo do Fatah. Há até a conversa, veiculada pela CNN, segundo a qual um grupo chamado Ansar as-Dawla al-Islamiya, que se responsabilizou pelo ataque, teria ameaçado destruir a própria AP… Desculpem-me, mas já vivi demais para cair nessa conversa. Abbas celebrou em abril um entendimento com o Hamas. Quem se “entende” com o Hamas, sendo o grupo o que é, incorpora o terrorismo, o sequestro, as execuções sumárias — e aquele tal credo — como parte aceitável da “luta”.
É claro que os três jovens poderiam ter sido sequestrados e mortos ainda que não tivesse havido o acordo. Mas houve. “Abbas não pode ser responsabilizado por atos delinquentes isolados!”, diria alguém. Não se trata de ato isolado. O crime é parte do credo do Hamas e dos grupos sobre os quais exerce influência.
O ponto é rigorosamente este: dado o atual estágio da aproximação entre a Abbas e o Hamas, não há menor chance de avançar qualquer coisa parecida com, sei lá, prenúncios da paz. E um evento como o assassinato dos três rapazes só torna ainda mais difícil a pregação dos moderados. Eventos assim impõem que, antes de que se fale mda paz, se dê uma resposta a quem quer a guerra. e ela será dada. Por Reinaldo Azevedo

PETISTA CANDIDO VACAREZZA NEGA ENVOLVIMENTO COM ANDRÉ VARGAS E SEU PARCEIRO DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF PARA BENEFICIAR LABORATÓRIO FANTASMA

O deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP) disse nesta terça-feira, em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que conhece o deputado federal petista André Vargas (agora sem partido-PR) "há muito tempo",  mas negou que tenha tratado com ele sobre acordo com o laboratório Labogen. Vacarezza disse que também conhece o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, mas ressaltou que, ao contrário do que foi divulgado pela imprensa, nunca houve reunião entre os três para tratar de negócios com o Labogen ou de política. O deputado petista disse ainda que não sabia que Youssef era doleiro, “sabia apenas que era empresário”. O depoimento foi primeiro colhido pelo Conselho de Ética no processo de quebra de decoro contra o deputado federal petista André Vargas, ex-vice-presidente da Casa. O processo foi aberto depois que investigação da Operação Lava Jato apontaram ligações de André Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso Polícia Federal. Conversas obtidas pela Polícia Federal indicam que André Vargas intercedeu em favor de uma das empresas de Youssef, o laboratório Labogen, em contratos com o Ministério da Saúde. Além disso, a operação constatou que André Vargas usou um avião fretado por Youssef para fazer uma viagem a João Pessoa com a família, fato depois confirmado pelo deputado. No depoimento, Vacarezza disse que foi um “erro gravíssimo” do deputado André Vargas aceitar o empréstimo do avião, mas defendeu Vargas da acusação de lobby a favor da Labogen. A Operação Lava Jato, deflagrada no dia 17 de fevereiro pela Polícia Federal, cumpriu 24 mandados de prisão e 15 de condução coercitiva, além de 81 de busca e apreensão em 17 cidades. A princípio, Youssef, que está preso em Curitiba, seria ouvido por videoconferência nesta quarta-feira  pela comissão, porém a Justiça Federal no Paraná atendeu a pedido da defesa e cancelou a oitiva alegando “economia processual”. O relator do processo, deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG), disse que a comissão ainda vai tentar ouvir o doleiro e não descarta o envio de uma comitiva do colegiado a Curitiba. Segundo Delgado, estão mantidos para esta quarta-feira os depoimentos dos donos do laboratório Labogen, Leonardo Meireles e Esdras Ferreira, suspeitos de ter conseguido contrato com o Ministério da Saúde a partir de um pedido de Vargas. O prazo para o relator concluir o processo termina no dia 30 de julho, caso não haja recesso parlamentar.

TSE VOLTA ATRÁS E MANTÉM BANCADA FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL E MAIS SETE ESTADOS DO MESMO TAMANHO

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu nesta terça-feira que não haverá mudanças na composição das bancadas de 13 Estados para as eleições de outubro, entre eles o Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada horas após o Supremo Tribunal Federal ter mantido o entendimento de que é inconstitucional resolução do TSE que reduziu o número de deputadosem oito Estados e aumentou em cinco. Com a decisão, o Rio Grande do Sul segue com uma bancada de 31 deputados federais para o pleito deste ano, mesmo número de 2010.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASILEIRA CAI PARA SEU PIOR NÍVEL EM 33 MESES

A atividade industrial brasileira registrou contração pelo terceiro mês seguido em junho, com as condições de negócios se deteriorando e a produção tendo a maior queda em 33 meses, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgado nesta terça-feira. O PMI da indústria brasileira do Markit caiu a 48,7 pontos em junho ante 48,8 em maio, terceiro mês seguido abaixo da marca de 50 pontos que separa crescimento de contração, e o pior resultado desde julho do ano passado. A categoria de bens de investimento mais uma vez foi a que registrou o pior desempenho entre os três subsetores monitorados. O setor industrial brasileiro vem enfrentando perspectiva de contração da produção neste ano e de níveis muito baixos de confiança. A produção teve queda de 0,3% em abril e pesquisa Focus do Banco Central mostra que a expectativa de economistas é de recuo de 0,14% em 2014. Já o Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 3,9% em junho sobre o final de maio, na sexta queda consecutiva.

BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA FICA NEGATIVA EM US$ 2,49 BILHÕES NO PRIMEIRO SEMESTRE

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou nesta terça-feira saldo negativo de 2,49 bilhões de dólares na balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações) do primeiro semestre. Mesmo assim, o resultado de janeiro a junho é menor do que o visto no mesmo período de 2013, quando a balança ficou negativa em cerca de 3 bilhões de dólares. Em junho, o saldo comercial ficou positivo em 2,37 bilhões de dólares, a melhor performance do ano, influenciada pelas exportações de produtos básicos, com destaque para o petróleo. No mês passado, as exportações somaram 20,47 bilhões de dólares, com média diária 3,6% superior a maio, mas queda de 3,2% sobre junho do ano passado. Segundo o ministério, em junho as exportações de produtos básicos cresceram 9,5% sobre um ano antes, com as vendas de petróleo bruto praticamente dobrando, a 1,4 bilhão de dólares. Do outro lado, as importações somaram 18,1 bilhões de dólares em junho, queda de 3,8% na média diária sobre junho de 2013 e de 5,1% frente a maio. O destaque ficou para as compras de bens de capital e de consumo, que caíram 17,7% e 10,5%, respectivamente. No ano, as exportações somam 110,53 bilhões de dólares, enquanto as importações, 113,02 bilhões de dólares. A balança comercial brasileira tem sido afetada sobretudo pela conta petróleo. O mau desempenho da balança comercial brasileira afeta as contas externas do País. Entre janeiro e maio passados, último dado disponível, as transações correntes estavam negativas em 40,07 bilhões de dólares.

ABANDONADO ATÉ POR MALUF, PADILHA SUA CONDIÇÃO DE EX-COORDENADOR DE LULA E DIZ QUE NADA O SURPREENDE: SERÁ QUE É UMA CONFISSÃO SOBRE A ÉTICA DO LULO-PETISMO?

Padilha: ele confessa ter visto de tudo no governo Lula. Imaginem o que...
Padilha: ele confessa ter visto de tudo no governo Lula. Imaginem o que…
O petista Alexandre Padilha, que, até outro dia, anunciava que reuniria uma multidão de partidos, vai ter de se contentar com o apoio do PCdoB, que acabou ficando com o vice da chapa (ou também cairia fora), e do PR, uma decisão tomada pessoalmente pelo presidiário Valdemar Costa Neto. De lá, ele mandou uma espécie de “salve” para seus liderados do lado de fora, deixando claro que a turma mais compatível com a moral elevada do partido era mesmo a petista. Padilha está chateado, sim, mas não esconde, ao menos, a natureza do jogo. Prestem atenção ao que disse sobre o fato de o PP, de Paulo Maluf, tê-lo abandonado no último dia, bandeando-se para Paulo Skaf, do PMDB: “Faço política desde muito pequeno. Durante sete anos, fui da coordenação política do governo Lula, lidando diariamente com o Congresso Nacional. Então, digo que nada me surpreende na política”.
Xiii, que fala complicada, hein? “Nada”, afinal, quer dizer “nada”. Aplicado o sentido à frase em questão, quer dizer “tudo”. Se evoca a sua condição de ex-coordenador político do governo Lula para afirmar que nada o surpreende, isso quer dizer, então, que, naquele posto, “tudo” era possível. Nunca duvidei disso. Imaginem os bastidores, senhores e senhores!
E, com efeito, em matéria de petismo, as categorias absolutas “tudo” e “nada” se estreitam num abraço insano, como diria Castro Alves. Quando tudo é possível, nada fere a ética, certo? Ou Lula não foi ao Pará pedir para que o filho de Jader Barbalho se orgulhe da carreira político do pai? Em São Paulo, Padilha deve saber, e parece conformado com isto, que foi Lula quem cuidou da migração do PP, que estava com o PT, para as hostes do PMDB, de Skaf.
Afirmei que caberia a Padilha o papel de nanico nessa campanha. Antevi que a ele caberia chutar a canela dos tucanos, sobrando para Skaf o papel de apresentador de proposta. Trata-se de uma operação casada. E ex-ministro da Saúde, que já confessa que nada mais o surpreende depois de ter servido a Lula, confessa: “Nós vamos apresentar um projeto alternativo ao PSDB, que será nosso único adversário”.
Não que ele não tenha dado uma cutucadinha em Skaf. Afirmou: “Nesta eleição, houve três composições de força. A que está no comando do Estado há 20 anos; outra, dos ex-governadores, que comandaram o Estado nos 20 anos anteriores, e a nossa coligação, que representa a mudança”.
Vamos traduzir: ao falar sobre os últimos 20 anos, refere-se, claro!, aos tucanos; quando trata de governadores dos 20 anos anteriores, evoca Luiz Antonio Fleury Filho, coordenador da campanha de Skaf, e a Paulo Maluf. Entendi. Ocorre que, até literalmente anteontem, Maluf estava na sua coligação — e, não custa lembrar, foi nomeado pela ditadura. Fleury e o PMDB só não são seus aliados — como são do petismo federal — porque os peemedebistas fizeram questão de ter candidatura própria. Ou por outra: Padilha só não é companheiro do passado remoto, o que inclui a ditadura, porque os representantes desse período o rejeitaram. Por Reinaldo Azevedo

KASSAB DIZ QUE MANTÉM CANDIDATURA, ORA, E POR QUE NÃO MANTERIA? TESE DO "PADRINHO" E "AFILHADO" É RIDÍCULA E NÃO SE SUSTENTA NOS FATOS

Os sites noticiosos informam que o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) manterá a sua candidatura ao Senado. E se pretende emprestar a isso certo caráter de surpresa, uma vez que o tucano José Serra vai disputar a mesma vaga, mas pela coligação que apóia a candidatura de Geraldo Alckmin. Kassab, como é sabido, rompeu as conversações que mantinha com o PSDB e aderiu à candidatura do peemedebista Paulo Skaf — uma solução, convenham, mais coerente com a sua escolha nacional, já que é um aliado de primeira hora da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição.

Cada um escreva o que quiser, com mais apreço à realidade ou menos, a de agora e a do passado recente. Sempre que leio que Serra é o “padrinho político” de Kassab, lembro de convocar os fatos. Em 2008, quando o agora presidente do PSD disputou a Prefeitura de São Paulo — o que lhe valia legalmente como reeleição, já que ocupara o lugar de Serra em 2006, que se elegeu então governador —, contou com o apoio informal do tucano, que também deu suporte à candidatura de Geraldo Alckmin. Será que era possível fazer algo diferente? É evidente que não! Mas atenção! Quem elegeu Kassab foram os eleitores, não Serra. E eles o fizeram por uma expressiva maioria: 60,72% contra 39,28% para a petista Marta Suplicy.
Quando, na Prefeitura, Kassab começou a articular seu novo partido, os especuladores saíram a campo: Serra estaria por trás daquela movimentação. Não tardou, como ficou evidente, para que o PSD fosse atraído para a órbita do governo federal — na verdade, do PT. A aproximação resistiu mesmo à feroz campanha que o partido fez contra a gestão Kassab em 2012. Embora os ataques se concentrassem na figura de Serra, o trabalho que estava sob ataque era o do então prefeito. Nem bem as urnas haviam se fechado, ele posava para fotos ao lado de Fernando Haddad. E foi o primeiro partido a declarar lealdade a Dilma.
Serra é “padrinho político”? Será que os jornalistas leram o que pensa o tucano sobre o governo que Kassab quer ver reeleito? Acho que não! Será que atentaram para o massacre a que foi submetido o ex-governador em 2012 e, incrivelmente, nos dias subsequentes? Ainda hoje, é um dos alvos principais da Al Qaeda Eletrônica.
De novo, desta feita, quando Kassab rompeu as conversas com os tucanos e se mudou para a candidatura Skaf — em consonância, reitero, com a sua opção nacional —, surgiu a conversa de que ali estava “mais uma obra de Serra”, que teria decidido se candidatar ao Senado, recuado para, de novo, mudar de idéia. Bem, as coisas não aconteceram desse modo. Trata-se de mera versão sem fatos. Serra tinha, e com razão, uma precondição para se candidatar ao Senado: a unidade dos partidos que apóiam a candidatura Alckmin. Por exigência legal, a legenda que decidisse lançar seu próprio nome ao posto teria de sair também da coligação que disputa o governo. Acabou acontecendo, por exemplo, com o PTB: Campos Machado insiste em lançar a própria mulher e deixou a frente.
Ora, essa costura não tinha sido feita ainda. Satisfeita a condição necessária, o ex-governador atendeu à vontade de amplos setores do partido, de Aécio Neves e, por óbvio, de Alckmin e decidiu entrar na disputa. Por que o nome que surge como o favorito — não entre os tucanos, mas entre os postulantes de todas as legendas — ficaria fora da disputa?
Amizade pessoal não é relação de apadrinhamento político. Um padrinho endossa — ou tem poder de veto sobre — as escolhas de seu afilhado. Alguém realmente acha que Serra endossa o fato de o partido de Kassab estar na base de apoio da presidente Dilma e de ter sido o primeiro partido a anunciar essa escolha — antes mesmo de o PT fazê-lo? Um afilhado político, por seu turno, não tem existência própria sem as bênçãos do padrinho. E, tudo indica, Kassab conquistou o seu lugar, independentemente das escolhas de Serra — e isso ocorreu de modo claro em 2008, quando os eleitores lhe deram a cadeira de prefeito. Não foi Serra.
E, se evidência faltasse de que não há operação conjunta, ela surge agora. “Ah, talvez Kassab não tivesse se candidatado se soubesse que Serra disputaria". É, talvez. Mas se candidatou. Logo, não sabia. Logo, há de se concluir que esta seria uma estranha relação de padrinho e afilhado, não é mesmo? Aliás, ambos têm, agora, uma excelente oportunidade de demonstrar que as teorias conspiratórias não passavam de conspirações dos teóricos do nada. Por Reinaldo Azevedo

O PT AMAVA OS DEFEITOS DE JOAQUIM BARBOSA E ODIAVA AS QUALIDADES. OU: MINISTRO FEZ SEU TRABALHO COM DIGNIDADE. OU AINDA: ARROUBOS DE TEMPERAMENTO TÊM CURA: ROMBOS DE CARÁTER, NÃO!

Barbosa: o PT o queria como esbirro, e ele foi minitro
Barbosa: o PT o queria como esbirro, e ele foi minitro
Pronto! Joaquim Barbosa está fora do Supremo Tribunal Federal. Ainda que o tenha feito por vontade e determinação pessoal, muita gente suspira aliviada, nem tanto porque se sentisse ameaçada por ele — não havia como ameaçar ninguém —, mas porque se sentia traída. Assim: a gritaria contra Joaquim Barbosa — não a crítica justa, que pode ser feita — corresponde a uma algaravia de interesses contrariados e a ódios que traduzem nada mais do que má consciência. Então vamos ver.
O meu blog existe há oito anos. O arquivo está disponível a quem queira consultá-lo. Nunca fui e não sou um fã nem do estilo nem de algumas idéias de Joaquim Barbosa. Acho que seu temperamento um tanto irascível o atrapalhou — e à necessária harmonia dos trabalhos no Tribunal — mais de uma vez. Ele cultiva certa intolerância pessoal com a divergência, e já o vi repelir com acidez até argumentos que concorriam para a sua tese porque nem sempre é um ouvinte prudente. Não concordo também, e já evidenciei isso aqui, com algumas de suas teses sobre racismo — o que, e não me sinto obrigado a provar, nada tem a ver com a cor da sua pela e a da minha.
Mas esperem aí: a gritaria que se armou contra Joaquim Barbosa se deveu a seu temperamento? Ou ao eventual descumprimento de rituais processuais ou mesmo ao entendimento prejudicado desse ou daquele princípios? Uma ova! A máquina de desqualificação montada pelo petismo e por outros setores da esquerda o atacou em razão de suas virtudes, não de seus eventuais defeitos. É mentira que o julgamento do Mensalão tenha recorrido a instrumentos de exceção. É mentira que tenha sido ele — e nem poderia — a manipular tais instrumentos. É mentira que se tenha usado com petistas uma régua e uma conjunto de regras particulares. Isso tudo é obra da guerra política mais rasteira.
Se Lula, no passado, indicou ou não Joaquim Barbosa porque decidiu exercer a seu modo uma política de cotas, isso não é de responsabilidade do ministro. O fato é que os petistas tentaram — e um mensaleiro chegou a vocalizar isto — cobrar do então ministro uma espécie de dívida. Já que Lula teria levado o primeiro negro para o Supremo (é mentira: antes, houve Pedro Lessa e Hermenegildo de Barros), que este então lhe fosse grato, votando conforme as vontades e as necessidades do PT. E, como é sabido, Joaquim Barbosa não caiu no truque. O ex-deputado João Paulo Cunha, o mensaleiro condenado, não teve vergonha nenhuma de dizer publicamente: “Barbosa chegou ao Supremo porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.
Entenderam a alma profunda de um petista? Já que Lula levou um negro para o Supremo, a melhor maneira que esse negro tem de demonstrar que é livre é violando a sua própria consciência para ser grato a quem o indicou. É espantoso que algo assim tenha sido dito. E foi. Nos bastidores, então, o inconformismo dos companheiros com Joaquim Barbosa, cujo nome sempre vem associado a palavrões que não se dizem nem em estádios e a acusações de traição, chega a ser patológico. Não por acaso, ele se tornou o principal alvo do que chamo “Al Qaeda Eletrônica” — as milícias petistas que atuam nas redes sociais.
Curiosamente, quando os petistas cantavam as glórias de Joaquim Barbosa — consultem os arquivos; isso aconteceu —, eles o faziam porque tinham grande apreço por seus defeitos. Quando passaram a demonizá-lo, tinham ódio de suas virtudes.
Assim, tudo somado e subtraído, com agravantes e atenuantes (para fazer uma blague…), o saldo da passagem de Joaquim Barbosa pelo Supremo lhe é amplamente favorável e também ao País. Em um dado momento, uma poderosa coordenação de forças atuou de modo deliberado para desmoralizar o Supremo e o Judiciário como um todo, alvos permanentes de correntes autoritárias que estão no poder em vários países da América Latina.
Lula é hoje um desafeto pessoal de Joaquim Barbosa porque descobriu que este acabou se tornando o homem certo, no lugar certo e no momento certo — sempre levando em conta os interesses do País, não os do próprio Lula e do PT. O tempo dirá que não conseguiremos dizer o mesmo de muito engomadinho de fala mansa. Arroubos de temperamento podem ser controlados. Rombos de caráter não têm cura. Joaquim Barbosa fez o seu trabalho com dignidade. Por Reinaldo Azevedo

JOAQUIM BARBOSA DIZ QUE DEIXA O SUPREMO "COM A ALMA LEVE" E SEM INTERESSE NA POLÍTICA

Em sua última sessão no comando do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa afirmou, nesta terça-feira, que “comprou briga” por seu estilo duro e confrontador, mas que deixa a corte com “a alma leve” e “com sentimento de dever cumprido”. Há um mês, ele anunciou que anteciparia sua aposentadoria para o final do semestre – a aposentadoria compulsória ocorreria somente em outubro de 2024, quando completará 70 anos.

“Saio absolutamente tranquilo, com a alma leve e com aquilo que é fundamental para mim, o cumprimento do dever. É importante que o brasileiro se conscientize da importância, da fundamentalidade e da centralidade da obrigação de todos cumprirem as normas, a lei e a Constituição”, disse após deixar a sessão desta terça-feira.
Relator do processo do Mensalão do PT e presidente da corte durante o desfecho do maior julgamento criminal do Supremo, Joaquim Barbosa reconheceu que suas decisões provocaram conflitos. “Esse é o norte principal da minha atuação, pouca condescendência com desvios, com essa inclinação natural a contornar os ditames da lei e da Constituição. Eu comprei briga nessa linha sempre que achei que havia desvios, tentativas de desviar-se do caminho correto, que é aquele traçado pela Constituição. O resto não tem muita importância". 
Longe do Judiciário, Joaquim Barbosa disse que terá liberdade para “tomar posições” porque será “um cidadão como outro qualquer”, mas – mais uma vez –, negou ter pretensões políticas, apesar de seu nome ser citado com frequência em pesquisas de intenção de voto: “A política não tem na minha vida essa importância toda, a não ser como objeto de estudos e de reflexões. Não tenho esse apreço todo pela politiciènne, essa política do dia a dia. Isso não tem grande interesse para mim". 
Joaquim Barbosa conduziu parte da sessão do Supremo na manhã desta terça-feira. Ele também não fez o tradicional discurso de despedida, quando recebe os cumprimentos dos demais integrantes da corte e de advogados.
Na saída do plenário, afirmou: “Deixo bem, com sentimento de dever cumprido, a sensação é boa. Foi um período de privilégio imenso de poder tomar decisões importantes para o nosso País, um período em que, não em razão da minha atuação individual, mas coletivamente, o Supremo teve um papel extraordinário no aperfeiçoamento da nossa democracia. Isso é fundamental”.
Sucessão
Com a aposentadoria de Joaquim Barbosa, a presidente Dilma Rousseff vai indicar seu quinto ministro. Embora tenha feito a ressalva de que não daria nenhum tipo de conselho sobre a escolha do sucessor, Joaquim Barbosa disse que os ministros da mais alta corte do País devem se comportar como “estadistas”.
“Faço questão de dizer que não estou dando nenhum conselho à presidente da República, mas o que penso é que, em primeiro lugar, um membro do Supremo tem que ter como característica fundamental ser um estadista, ou ser um estadista em gestação que aos poucos vá se aprimorar aqui dentro. O caráter da pessoa escolhida é também muito importante. Esse tribunal toma decisões fundamentais que influenciam enormemente a vida cotidiana de todos os brasileiros”, disse. E concluiu: “Aqui não é lugar para pessoas que chegam com vínculos com determinados grupos de pressão, não é lugar para se privilegiar determinadas orientações. A pessoa tem que chegar com abertura de espírito para, eventualmente, ter até que mudar seus pontos de vista anteriores, tomar as medidas e adotar as orientações que sejam do interesse da nação”. Por Reinaldo Azevedo

A FALA ASQUEROSA DE LULA NO PARÁ; OU: OS MALES QUE CHEFÃO PETISTA FEZ À POLÍTICA COMO PERVERSO PROFESSOR DA DESEDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA

Lula recebe do Altíssimo os novos fundamentos da educação moral e cívica
Lula recebe do Altíssimo os novos fundamentos da educação moral 
É… O mal que Lula faz à decência política do País é algo que será, se for, mensurado a longo prazo. Espero que as futuras gerações um dia se debrucem sobre este período, em que o país viveu sob a égide dos valores lulistas. O resultado certamente será espantoso. Não, senhores! É evidente que o chefão petista não inventou a corrupção, tampouco é ela uma criação de seu partido. Mas não é menos evidente que só Lula e seu partido têm a ousadia — nesse caso, entendida como a cara de pau e a vigarice intelectual — de fazer a defesa pública de que a falha moral é uma questão menor quando está em disputa o poder. Alguém ainda poderia ponderar: “Ah, Reinaldo, assim é com todos os políticos”. Em primeiro lugar, não é verdade. Em segundo, mas não menos importante, é preciso considerar que a defesa pública da lambança corresponde a um mal adicional, além do malfeito original. O crime contra o dinheiro público é coisa de gente deseducada para a democracia. A defesa pública do crime deseduca as gerações futuras. O crime, em si, é coisa de ladrões; a defesa do crime cria novos ladrões. O crime, em si, é um mal temporário; a defesa do crime é um mal permanente; o crime, em si, pode desafiar uma cultura da correção; a defesa do crime cria a cultura da corrupção do caráter.
E é nesse preciso sentido que Lula é um professor perverso, que continuará a procriar, para lembrar Fernando Pessoa, muito além do seu e dos nossos respectivos cadáveres. Por que isso? Lula foi ao Pará lançar a candidatura de Helder Barbalho (PMDB) ao governo do Estado. O vice é Paulo Rocha, do PT. Então vamos ver. Helder é filho do notório senador Jader Barbalho (PMDB), que, em 2002, chegou a ser preso pela Polícia Federal, junto com outras dez pessoas, todas acusadas de envolvimento no escândalo da extinta Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia). No dia 4 de outubro do ano anterior, tinha renunciado ao mandato de senador, não resistindo a uma chuva de acusações, como desvio de recursos do Banpará e emissão fraudulenta de Títulos da Dívida Agrária. Há três semanas, Dilma chamou o senador de seu “querido”.
E Paulo Rocha? Também renunciou ao mandato de deputado federal em 2005 em razão do escândalo do Mensalão. Uma assessora sua sacou R$ 620 mil de uma das contas de Marcos Valério. Ele justificou que o objetivo era pagar dívidas do PT do Pará, arrancou um empate no julgamento do Supremo e acabou absolvido da acusação de lavagem de dinheiro. Mas o saque houve. Dada a moral típica do petismo, ele admitiu que tudo não passou de caixa dois, como se isso fosse legal. Agora voltemos a Lula.
O homem foi ao Pará lançar a dupla intrépida ao governo. Poderia ter se calado sobre o pai de Helder, por exemplo, seguindo a máxima de que as penas pelos crimes do pai não podem recair sobre o filho — é um princípio do direito romano. Isso na hipótese, claro!, de Helder não ser um herdeiro também não virtuoso de Jader. Mas aí Lula não seria Lula. Sabem o que ele disse? Isto: “Helder, você tem de dizer que é filho do Jader com muito orgulho; Paulo, você tem de ir para esta eleição com a cabeça erguida”.
Entenderam? Lula vive a demonizar País afora um político como Fernando Henrique Cardoso. Alguém se lembra de alguma acusação moral contra o ex-presidente? Em São Paulo, promove as alianças as mais exóticas e improváveis contra Geraldo Alckmin. Alguém se lembra de alguma acusação moral contra o governador? No Pará, no entanto, ele pede que Helder se orgulhe de o pai ter sido preso pela Polícia Federal e de ter renunciado ao mandato. E convida o petista Rocha a andar de cabeça erguida, apesar daqueles R$ 620 mil… Afinal, eram só caixa dois, certo? 
Sim, é claro que é legítimo que Lula se oponha a tucanos e a outros que disputam com ele o poder. Asqueroso é o convite que ele faz para que seus aliados defendam as lambanças como se fossem virtudes. Por Reinaldo Azevedo

SERRA, EM PRIMEIRO NAS PESQUISAS, SERÁ O CANDIDATO AO SENADO PELA FRENTE QUE APÓIA ALCKMIN; BOA NOTÍCIA PARA O PSDB, QUE VAI ENFRENTAR O PT, DESTA FEITA, NA PELE DE PAULO SKAF

“Tudo vai bem quando termina bem.” O PSDB chega à data-limite para a definição dos palanques com, até agora, uma unidade que não se via no partido desde 1998, quando Fernando Henrique Cardoso conquistou, no primeiro turno, o segundo mandato presidencial para o partido. Em 2002, 2006 e 2010, fatores vários levaram à derrota dos tucanos, mas uma coisa é certa: se a legenda dependesse da união para vencer, teria perdido. Parece que ao menos parte substancial da lição foi aprendida. Hoje, quem se digladia com estratégias distintas, nem sempre congruentes, é o PT. Em uma caminhada com menos tropeços do que se supunha e com mais conquistas, a esta altura, do que se imaginava, o PSDB assistiu a um princípio de crise em São Paulo — mas a tempo solucionada por ações sensatas de homens sensatos. E José Serra será o candidato ao Senado da coligação que apóia a reeleição de Geraldo Alckmin. Dadas as circunstâncias vigentes até domingo, ele estava relutante — e com razão. Mas aí o governador e o próprio presidenciável Aécio Neves atuaram para adaptar a realidade político-partidária à necessidade. José Serra vai disputar o Senado tendo o também tucano José Aníbal, hoje deputado federal, como suplente.

No breve período em que o PSB anunciou que teria candidatura própria em São Paulo, Gilberto Kassab, presidente do PSD e aliado incondicional de Dilma Rousseff na esfera federal, negociava o posto de vice na chapa de Alckmin — e a aliança chegou a ser dada como praticamente selada. O PSB voltou atrás, conquistou o lugar de vice, e Kassab passou a ser considerado candidato à vaga ao Senado na chapa encabeçada pelo tucano. Acontece que o PSDB tinha desde sempre o pré-candidato apontado nas pesquisas como o favorito: José Serra.
Sem a garantia da necessária unidade de todos os partidos da coligação em torno de seu nome, o ex-governador estava mesmo decidido a se lançar candidato à Câmara Federal. Kassab preferiu pôr um fim às negociações com o PSDB, migrou para a candidatura de Paulo Skaf ao governo (PMDB) e, em um lance ainda mais inesperado, decidiu se lançar ao Senado. Acontece que Serra seguia sendo o nome com mais densidade eleitoral no grupo que apoia Alckmin.  Foi sensível à argumentação da direção do partido, de Aécio Neves e, em particular, do governador, que costurou o apoio das legendas coligadas. A evidência de que se obteve o consenso interno é a indicação do também tucano José Aníbal para a suplência — ele próprio um dos pré-candidatos. 
Serra deixa, assim, um lugar que era considerado certo na Câmara dos Deputados para disputar uma vaga que, obviamente, comporta mais riscos. Em 2014, renova-se apenas um terço do Senado, e cada Estado elegerá apenas um representante. É uma disputa majoritária. As pesquisas de opinião o colocam com boa vantagem sobre o segundo colocado, Eduardo Suplicy, do PT, que concorrerá ao… quarto mandato!
Ter um nome forte disputando o Senado é importante tanto para Aécio Neves, que precisa ter votação expressiva em São Paulo — e o paulista Aloysio Nunes não é vice na sua chapa por acaso — como para Geraldo Alckmin, que sabe que enfrentará uma disputa difícil. Como vocês já sabem, com o seu PMDB e o apoio de PDT, PROS, PSD e PP, Skaf será o postulante com mais tempo no horário eleitoral gratuito. O tucano vem em segundo lugar, e, razoavelmente atrás, Alexandre Padilha, que vê sua candidatura ser desvitaminada pelo próprio PT. A esta altura, já escrevi aqui, está claro que o petista fará na disputa o papel daqueles nanicos que se dedicam só à campanha negativa. Ele tentará desconstruir o PSDB, enquanto Skaf se encarregará de fazer “propostas”. O estrategista é Lula.
Logo, não fazia sentido desperdiçar o capital de votos que, segundo as pesquisas, tem Serra. A máquina de desqualificação do petismo, que funcionou com eficiência em 2012, está bastante desmoralizada. Os apenas 17% de aprovação ao petista Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, deixa isso muito claro. A sorte está lançada. O adversário do PSDB no estado segue sendo o PT, desta feita na pele de Paulo Skaf.
PS — Ah, sim! Uma teoria conspiratória que estava em curso se desmoralizou: aquela segundo a qual Serra teria influenciado o apoio de Kassab a Skaf. Acho que não. Serra e Kassab, como se vê, disputam agora o mesmo cargo, não é? Convém não acreditar na versão daqueles a quem a inexistente conspiração interessaria se verdadeira fosse… Por Reinaldo Azevedo

POR QUE A PRESIDENTE DILMA, A FUNAI E OS MINISTROS CARDOZO E CARVALHO NÃO CRIAM LOGO O "SEM PARAR TUPINAMBÁ"?

Um leitor me mandou o vídeo abaixo. Confesso que não consegui saber que estrada é essa — se alguém souber, peço que me informe. Assistam. Volto em seguida.

Voltei
E aí? Bacana, né? Já sei… A estrada deve cortar alguma reserva ou passar perto de uma… Vejam ali o gorducho de camisa polo e cara pintada para a guerra — armado, naturalmente, de flecha… O negócio dele não é plantar arroz, feijão, mandioca, milho, criar gado, essas coisas. Nada disso. Sabe mal, ou finge saber mal, o português. Mas entende perfeitamente bem a língua dos cem reais…
Esses poéticos silvícolas ocupam 13,5% do território brasileiro — 800 mil se autodeclaram índios, e vive nas reservas algo em torno de 600 mil — para, depois, extorquir os “estrangeiros”, que somos nós. E notem que pedágio caro o do rapaz: R$ 100 na ida e R$ 100 na volta.
A Funai, que “cuida” das reservas, é subordinada ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O responsável pela interlocução com os nativos da floresta de camisa polo e cara pintada é Gilberto Carvalho, e a chefe dos dois é Dilma Rousseff.
Ocorre que garantir o lugar de e vir não é com essa turma. Eles gostam mesmo é de apoiar o que chamam o “direito à livre manifestação”, que é quando um índio acerta uma flechada na perna de um policial em plena Praça dos Três Poderes.
Como é mesmo a musiquinha que aprendi no primeiro ano primário, cantada sempre no 19 de abril? Lembrei:
Na tribo eles vivem comendo raiz
Caçando e pescando, guerreando feliz
A oca é a morada, cacique é o guerreiro
A taba é a aldeia; pajé, o feiticeiro
Deus é Tupã, a lua é Jaci
A língua que eles falam é tupi-guarani!
Mas custa R$ 100 para ir. E mais R$ 100 para voltar. Ô pedagiozinho caro do Anhangá!!! Por Reinaldo Azevedo

JOSÉ SERRA SERÁ O CANDIDATO AO SENADO FEDERAL DA COLIGAÇÃO QUE APÓIA A REELEIÇÃO DE ALCKMIN EM SÃO PAULO

José Serra, ex-governador de São Paulo, estava mesmo decidido a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. No começo da noite, no entanto, o governador Geraldo Alckmin o convidou para uma conversa e o convenceu a se candidatar ao Senado. Dos 16 partidos que apoiam a reeleição de Alckmin, só um decidiu por voo próprio: o PTB, de Campos Machado, que faz questão de lançar a própria mulher como candidata. Em razão da legislação eleitoral, o PTB tem de se retirar também da coligação que apoia Alckmin. O deputado federal José Aníbal (PSDB) será o suplente.