sábado, 28 de julho de 2012

Relato da Polícia Federal diz que filho de ex-ministra petista Irenice Guerra cobrava por lobby

Relatório inédito da Polícia Federal mostra que Israel Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil, a petista Erenice Guerra, e Vinícius de Oliveira Castro, então assessor da pasta, operaram para ganhar dinheiro por meio de consultorias a empresários interessados em contratos com o governo. O relatório é baseado em investigação de quase dois anos. Por considerar que houve falta de provas de tráfico de influência, no entanto, o Ministério Público pediu, e a Justiça Federal mandou neste mês arquivar o inquérito. “Fica evidente que a conduta de Vinicius foi toda pautada no interesse em oferecer aos empresários o serviço da empresa que operava com o amigo Israel”, diz a Polícia Federal. Para chegar a essa conclusão, a polícia ouviu dezenas de depoimentos, analisou contratos entre diversas empresas e o governo e quebrou o sigilo telefônico, fiscal e bancário dos envolvidos. Erenice Guerra substituiu Dilma Rousseff na Casa Civil quando a hoje presidente deixou o cargo para concorrer nas eleições. Considerada braço direito de Dilma, ela caiu horas depois de o jornal Folha de S. Paulo revelar que seu filho Israel cobrou dinheiro do empresário Rubnei Quícoli para viabilizar empréstimo no BNDES. Uma reunião foi marcada, na Casa Civil, para Quícoli e Erenice tratarem de um projeto de energia solar com o governo. Erenice à época negou ter participado do encontro. Mas, para a Polícia Federal, ela admitiu. A investigação elenca 13 tópicos a serem apurados.

Coaf confirma irregularidades em transações da família Sarney

O Coaf, órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda, confirmou irregularidades em transações financeiras realizadas pela família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA), e aplicou multa a Teresa Murad Sarney, nora do senador. Teresa controlava a empresa São Luis Factoring, intermediária de operações financeiras da família. A multa, de R$ 70 mil, foi aplicada pela Secretaria Executiva do Coaf à nora e à empresa. Segundo o órgão, a empresa realizava as transações sem informar que havia dinheiro da família Sarney, que são as chamadas PEPs (pessoas expostas politicamente) e alvos dos órgãos de controle. Também escondia as próprias movimentações de recursos. Teresa é casada com Fernando, filho do peemedebista e principal responsável pelos negócios da família. Na época da abertura do inquérito da Polícia Federal, o Coaf informou ter encontrado R$ 2 milhões em operações “atípicas” atribuídas a Fernando e a Teresa. Foram as atividades da empresa de factoring que levaram a Polícia Federal a investigar Fernando na operação Boi Barrica (depois Faktor), realizada em 2007. Segundo a Polícia Federal, a empresa foi criada somente com o objetivo de prestar serviços ao grupo. No relatório da operação, a polícia cita que havia “inúmeros” depósitos em dinheiro na conta da factoring. A operação teve as provas anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça, em setembro de 2011. Segundo ministros do Superior Tribunal de Justiça, grampos que originaram as quebras de sigilo foram ilegais.

Homenagem a Marina Silva causa mal-estar entre ministros

A presença da ex-senadora Marina Silva na cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres, na sexta-feira, causou mal-estar entre os ministros do governo Dilma Rousseff. A participação pegou a todos de surpresa, inclusive a própria presidente. Marina entrou carregando a bandeira com os anéis olímpicos ao lado de outras sete personalidades que ali representavam a luta pela paz mundial, entre os quais o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o maestro argentino Daniel Barenboim. O convite partiu do Comitê Olímpico Internacional, sem o conhecimento do governo brasileiro, e foi mantido em sigilo. A ex-ministra tem o reconhecimento do onguismo ambientaleiro internacional. A situação criou constrangimento porque Marina não tem boas relações com Dilma e acabou encobrindo a presença da presidente do próximo país-sede da Olimpíada na cerimônia de abertura de Londres. "Marina sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a aristocracia européia", afirmou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, adversário político de Marina na polêmica do Código Florestal. "Não podemos determinar quem as casas reais escolhem, fazer o quê?", disse. O presidente da Câmara, Marco Maia, afirmou que a primeira reação foi de surpresa. Para ele, o COI deveria ter feito um melhor trabalho de comunicação com o governo brasileiro. "É óbvio que seria mais adequado por parte do COI e da organização do evento que houvesse um diálogo de forma mais concreta com o governo brasileiro para a escolha das pessoas", disse, sem deixar de reconhecer a importância do trabalho ambiental de Marina. Para outro membro da delegação, que pediu para não ser identificado, o que o COI fez foi o equivalente a convidar um membro da oposição britânica para um evento no Brasil que tenha o governo de Londres como convidado especial. Marina explicou que só recebeu o convite na última terça-feira. Sobre Dilma, insistiu em não criar polêmica, dizendo que "sentia orgulho" em ver a primeira presidente mulher do país na arquibancada do Estádio Olímpico. Durante a cerimônia, a presidente foi mostrada pelas câmeras oficiais por menos de cinco segundos, enquanto a entrada de Marina foi amplamente comentada, destacando sua luta pelo meio ambiente. O ministro do Turismo, Gastão Vieira, só ficou sabendo da presença de Marina já no Estádio Olímpico. "Foi surpresa", disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp. Os governos do Brasil e o Reino Unido vêm mantendo relação estreita e trabalho em diversas iniciativas de cooperação para a preparação dos Jogos. Mesmo assim, o relacionamento não impediu a situação de saia justa para a comitiva de Dilma em Londres.