quinta-feira, 26 de julho de 2012

OGX, de Eike Batista, entrega segunda carga de petróleo encomendada pela Shell

A OGX, braço de petróleo do grupo EBX, do empresário Eike Batista, informou nesta quinta-feira que concluiu a entrega da segunda carga de petróleo à Shell. Foram embarcados 800 mil barris de petróleo do campo de Waimea, na bacia de Campos, que deverá ser exportado para a Europa pela Shell, segundo a OGX. O carregamento completa um contrato de 1,2 milhão de de barris contratados pela Shell em outubro de 2011. Após a OGX rever sua meta de produção, de 15 a 20 mil barris diários para 5 mil barris diários, o que provocou a queda expressiva das ações do grupo EBX na Bovespa, alguns analistas chegaram a especular se a empresa conseguiria entregar o segundo carregamento da Shell no prazo estipulado.

Petrolíferas inglesas cobram de Dilma leilão para o pré-sal

A presidente Dilma Rousseff foi questionada por presidentes-executivos de grandes empresas inglesas sobre a realização do primeiro leilão de áreas do pré-sal nesta quinta-feira. No encontro realizado no hotel no qual a presidente se hospeda, em Londres, os executivos manifestaram interesse em investir na nova fronteira exploratória brasileira. O governo definiu as regras para a exploração do pré-sal há cerca de dois anos, mas até hoje o novo modelo não foi utilizado. Dilma explicou que pretende realizar o leilão, mas precisa da aprovação da redivisão dos royalties do petróleo, que segue em discussão no Congresso e é alvo de disputa entre Estados e municípios. A reunião contou com a presença dos chefes da BP (British Petroleum), da Shell, e da BG (British Gas). Dirigentes da Arcellor Mittal, Glaxo e do Lloyds também compareceram. A demora para a realização do novo leilão incomoda as empresas da área. Os executivos se queixam da falta de novas áreas para manter suas equipes no país. O último leilão foi realizado em 2008. A presidente da Petrobras, Graça Foster, já disse considerar improvável a realização de um leilão para concessão de áreas de exploração de petróleo no Brasil em 2012. A previsão incial era realizar o primeiro leilão do pré-sal em 2010. Dilma está em Londres desde quarta-feira. Ela vai assistir hoje à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Venezuela vai sair de grupo de Direitos Humanos da OEA

A Venezuela apresentará "nas próximas horas" a sua saída da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a quem acusa de tomar decisões "aberrantes" contra o país sul-americano, informou nesta quinta-feira o chanceler do país, Nicolás Maduro. "Nas próximas horas será entregue em Washington, no escritório da Secretaria Geral (da Organização de Estados Americanos) o documento oficial de denúncia da Convenção Interamericana", disse Maduro se referindo ao acordo que gere a CIDH e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. A denúncia do tratado que criou a comissão é a forma usada pelos países para anunciar sua retirada. A decisão é esperada desde abril, quando o governo do presidente Hugo Chávez ameaçou sua saída do sistema interamericano de Direitos Humanos, que inclui a CIDH e a Corte Interamericana. "É lamentável ter que dar esse passo, mas a Venezuela foi obrigada, dadas as decisões aberrantes e abusivas que foram tomadas contra nosso país durante 10 anos pelo organismo regional", acrescentou o ministro. Na terça-feira, Chávez retomou a denúncia, dias depois de a Corte acusar a Venezuela de maus-tratos a um acusado de terrorismo durante sua prisão em Caracas. "Nenhum país da Europa nem os Estados Unidos aceitaria que a CIDH protegesse um terrorista", afirmou Maduro. O governo venezuelano também acusa a Comissão de ter reconhecido o governo golpista que o tirou brevemente do poder na Venezuela em 2002. "A comissão reconheceu os golpistas e negou o apoio ao presidente Hugo Chávez, a partir daí começou uma série de ações que transformaram a Comissão e a Corte em instrumentos de desestabilização", disse o chanceler.

Expansão de Viracopos obtém aval municipal e deve começar até setembro

As obras de ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, devem começar entre agosto e setembro deste ano, segundo a concessionária Aeroportos do Brasil Viracopos. Ao menos 45 exigências ambientais terão que ser cumpridas para compensar os efeitos da expansão. A prefeitura de Campinas assinou nesta quinta-feira parecer favorável à primeira fase da ampliação, em que o aeroporto deve elevar sua capacidade dos atuais 6,8 milhões de passageiros por ano para 14 milhões de passageiros. As posições de aeronaves terão aumento de 67%, chegando a 35. O documento da prefeitura é resultado de estudos de técnicos das secretarias de Planejamento e Meio Ambiente. Conclui que, efetuadas as medidas compensatórias exigidas, os projetos listados pela empreendedora "não representam comprometimento ambiental ao município". Entre as compensações estão a criação ou fomento de novas unidades de conservação no município (como recursos para o parque municipal do Campo Grande, que sofre carência de áreas verdes) e a elaboração de um programa de qualidade de ar e combate à poluição sonora. De acordo com o parecer, como ocorrerá aumento no fluxo de veículos terrestres e aéreos, o consórcio deve implantar uma estação de monitoramento da qualidade do ar e do nível de ruídos, para garantir que seja possível determinar possíveis impactos decorrentes da ampliação e planejar medidas de compensação. Com o aval municipal, o consórcio pode agora enviar o parecer à Cetesb (agência ambiental estadual) para eventual emissão da licença de instalação, que permite iniciar os trabalhos no local. "Nossa intenção é começar em agosto ou setembro para aproveitar o período sem chuvas", disse o diretor-presidente da Aeroportos Brasil Viracopos, Luiz Alberto Küster. A entrega das obras deve ocorrer em maio de 2014. Até lá, será investido R$ 1,4 bilhão no aeroporto. O total previsto de investimentos durante os 30 anos de contrato de concessão é de R$ 8,4 bilhões. A intenção é que no local seja construída uma espécie de cidade aeroportuária, com hotéis, centro de convenções e shopping center.

Promotores ajuizaram 1.243 ações de impugnação no Estado

Conforme levantamento final do Gabinete de Assessoramento Eleitoral do Ministério Público do RS, foram ajuizadas 1.243 ações de impugnação de candidaturas nestas eleições municipais. As informações são de 143 Promotorias em todo o Estado. Ao todo, 1.108 ações foram protocoladas em função de falta de documentos, ausência de filiação partidária, entre outros motivos. Com base na Lei da Ficha Limpa, 135 pedidos de impugnação foram ajuizados na Justiça Eleitoral pelos Promotores. De acordo com o balanço do Ministério Público, 1.121 das ações são contra candidatos a vereador, enquanto que 122 delas foram contra prefeitos ou vice-prefeitos.

Advogado de Delúbio Soares diz que ele só fazia o que o PT mandava

Advogado principal da banca que defende Delúbio Soares no processo do Mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal, Arnaldo Malheiros Filho rejeita a tese de que a culpa de todos os malfeitos é do ex-tesoureiro da legenda na época do escândalo. Malheiros diz que seu cliente era apenas um executor de decisões colegiadas da Executiva do PT, rebatendo a tese de defesa de José Genoino, presidente à época do partido. Os advogados de Genoino sustentam que ele só cuidava das questões políticas e Delúbio das questões financeiras, como os empréstimos de R$ 55 milhões contraídos por Marcos Valério em nome do PT. É a mesma linha da defesa de José Dirceu, que alega não ter tratado de dinheiro do partido quando ocupava a Casa Civil no primeiro mandato do governo Lula.

Gasolina no Brasil tem defasagem de 15,6% em comparação com mercado dos Estados Unidos

Os preços da gasolina no mercado brasileiro estão com defasagem de 15,6% frente aos valores praticados nos Estados Unidos, segundo cálculos feitos nesta quinta-feira pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O diesel está 19,7% mais barato no mercado brasileiro em relação ao dos Estados Unidos, mesmo após dois reajustes realizados pela Petrobras nas refinarias neste ano, de 3,9% e 6%, nos dias 25 de junho e 16 de julho, respectivamente. A gasolina teve os seus preços reajustados apenas uma vez, em 7,83% nas refinarias, em 25 de junho. O CBIE calcula semanalmente as diferenças entre os preços praticados no mercado doméstico e no internacional, levando em consideração os valores dos combustíveis nas refinarias do Golfo do México, utilizados como referência, e o câmbio. Os preços dos combustíveis no mercado americano, por sua vez, flutuam de acordo com as cotações do petróleo. Um novo reajuste dos combustíveis não foi descartado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, mesmo após os dois aumentos praticados pela Petrobras em menos de um mês. A estatal informou no fim de junho que buscaria paridade de preços dos combustíveis entre o mercado doméstico e o internacional nos próximos anos para reforçar seu caixa e impulsionar seus investimentos. Segundo Lobão, a Petrobras "continua insistindo na necessidade de reajuste" dos preços da gasolina. Mas, segundo o ministro, não há previsão sobre quando um novo aumento seria aplicado. O ministro disse recentemente que os últimos aumentos no combustível, calibrados de modo que pudessem ser compensados pela Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), acabaram ficando aquém do que a Petrobras precisava. Um novo aumento da gasolina será, então, repassado ao consumidor, como aconteceu com o óleo diesel, com repasse estimado pela Petrobras de cerca de 4%, após um segundo aumento.

Empresas brasileiras captam R$ 110,8 bilhões no semestre

As captações das empresas brasileiras nos mercados doméstico e externo somaram 110,8 bilhões de reais no primeiro semestre deste ano, informou a Anbima nesta quinta-feira. O valor é 0,7 superior ao registrado ante o mesmo período do ano passado. A queda de 15,6% das captações no mercado doméstico foi compensada pela alta de 11% do crescimento das captações internacionais. Desta forma, as operações realizadas no Brasil alcançaram 56,5 bilhões de reais, sendo 47,9 bilhões de reais em renda fixa e 8,6 bilhões de reais em renda variável. Na renda fixa, as emissões de debêntures responderam por 56,9% das ofertas, com 32 bilhões de reais e crescimento de 8,65 na comparação com o mesmo período do ano passado. Já na renda variável, o volume de ações emitidas somou 8,6 bilhões de reais, queda de 455 ante os 15,6 bilhões no ano anterior. As captações no Exterior chegaram a 30,2 bilhões de dólares, dominadas pela renda fixa.

Justiça de Jersey mantém processo contra Maluf

A Justiça da Ilha de Jersey rechaçou as principais teses da defesa do deputado Paulo Maluf (PP) na ação de repatriação de dinheiro supostamente desviado da Prefeitura de São Paulo durante a sua gestão (1993-1996). A decisão, do juiz Howard Page da Corte Real de Jersey, foi tornada pública nesta quinta-feira. Dessa maneira, argumentos como a falta de competência da prefeitura para entrar com a ação e uma suposta prescrição dos atos não foram considerados válidos pela Justiça da ilha britânica. A decisão ainda não é final. Ou seja, ainda não houve condenação ou confirmação dos supostos desvios. Mas, para a prefeitura paulistana, foi a maior vitória jurídica nesse caso até então. A defesa das empresas offshore Durant International Corporation e Kildare Finance Limited, suspeitas de serem ligadas a Maluf e a seu filho Flávio, tentava a anulação do processo pelos motivos mencionados. Em relação à competência, a defesa das companhias afirmou que apenas a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), órgão municipal que realizou os pagamentos supostamente fraudulentos, teria legitimidade para propor a ação. Os advogados também usaram a jurisprudência da Corte de Jersey para afirmar que os prazos processuais estariam inadequados. Ambos os argumentos não foram aceitos pelo juiz, que determinou o prosseguimento do julgamento. A defesa do deputado ainda não comentou a decisão da Justiça de Jersey. Para os advogados da prefeitura, esse foi “o passo mais importante” no caminho da busca pela devolução de 10,5 milhões de dólares aos cofres municipais.

Ditador Raúl Castro diz que Cuba está pronta para conversar com os Estados Unidos

O ditador de Cuba, Raúl Castro, acusou os Estados Unidos nesta quinta-feira de buscar a derrubada do governo cubano de forma similar ao que ocorreu com os países da Primavera Árabe, ao mesmo tempo em que reiterou a disposição de seu governo em negociar com o inimigo de décadas. "O dia em que eles quiserem conversar, a mesa está posta", disse Raúl em um discurso transmitido em rede nacional de televisão em um dos principais dias do calendário político de Cuba. "Eu já os informei por meio dos canais diplomáticos. Se quiserem conversar, conversaremos...mas como iguais...Conversaremos sobre os mesmos temas, democracia e direitos humanos nos Estados Unidos", afirmou ele. A ilha governada pelos comunistas comemorou o aniversário do ataque de 1953 liderado por Fidel Castro aos quartéis do Exército de Moncada na cidade de Santiago de Cuba, que deu início à Revolução Cubana. Vestido em uniforme militar, Raúl falou na província de Guantánamo, no leste do país, depois de concluída uma celebração oficial para marcar a data. Raúl, que assumiu o poder das mãos de seu irmão Fidel em 2008 após servir como ministro da Defesa por décadas, acusou os opositores do governo na ilha, apoiados pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais, de "criar as condições e aspirar um dia que aconteça aqui o que ocorreu na Líbia e o que querem que aconteça na Síria".

Roubado, corpo de Evita enfrentou odisséia até ser enterrado 20 anos depois

Uma história do barbarismo argentino. Três anos após a morte de Eva Perón tinha início um capítulo macabro envolvendo o destino do corpo embalsamado do maior mito político da Argentina. Na noite de 22 de novembro de 1955, os restos mortais de Evita desapareceram, meses após o levante militar que derrubou o governo de seu marido, o general Juan Domingo Perón. O corpo foi levado no meio da noite da sede em Buenos Aires da CGT, o maior sindicato peronista da Argentina, onde estava desde que o processo de embalsamamento havia sido concluído. Para os partidários de Perón, a remoção do corpo de Eva era uma tentativa de apagar o peronismo e seu símbolo mais forte na Argentina. Quando viva, Evita acumulou uma enorme popularidade, sobretudo por causa de seu trabalho junto às classes trabalhadoras. Investigações indicaram, depois, que o corpo foi mantido em um veículo estacionado nas ruas de Buenos Aires e chegou a ser guardado dentro do sistema de abastecimento de água da cidade. Por um tempo, o cadáver ficou escondido atrás de uma tela de cinema. Acredita-se, também, que corpo passou um tempo dentro dos escritórios da Agência Secreta Militar. Mas, para onde quer que o corpo fosse levado, flores e velas apareciam e, por isso, era necessária uma solução de longo prazo. Em 1957, com a ajuda secreta do Vaticano, os restos de Eva Perón foram levados para a Itália e sepultados em um cemitério de Milão, com um nome falso. Assim que correu a notícia do desaparecimento do corpo, começaram a aparecer pichadas nos muros de Buenos Aires a frase: "Onde está o corpo de Eva Perón?". O corpo, então uma lembrança incômoda do regime peronista, transformou-se em um símbolo de resistência ao novo regime militar que comandava o país. Em 1970, os Montoneros, grupo guerrilheiro peronista, sequestraram e mataram o ex-presidente Pedro Eugenio Aramburu. Uma das razões foi o fato de o general Aramburu ter coordenado o roubo do corpo. Em 1971, em um país marcado pela crise econômica, houve uma tentativa de "normalização" da política. O Partido Justicialista (Peronista) foi legalizado, o corpo de Evita foi desenterrado e transferido da Itália à Espanha, onde Perón vivia no exílio com a terceira mulher, Isabelita. Uma das testemunhas da transferência do corpo foi o empresário argentino Carlos Spadone, amigo de confiança de Perón. Ele foi um dos primeiros a ver o corpo de Evita. "O general Perón, o jardineiro e eu tiramos o corpo de dentro do caixão. Colocamos em uma mesa com tampo de mármore. Nossas mãos ficaram sujas de terra, o corpo tinha que ser limpo", contou. "Isabelita fez isso cuidadosamente, com algodão e água. Ela penteou o cabelo, limpou, e então usou com secador. Levou vários dias". Um dos dedos da mão estava faltando. Acredita-se que os militares o tenham removido depois do golpe de 1955 para verificar se era mesmo de Evita. Spadone também relata, ainda, outros danos no corpo: havia um afundamento no nariz, sinais de golpes no rosto e no peito, marcas nas costas e uma marca maior no joelho. "Mas não acredito que ela foi pendurada ou chicoteada como alguns falam", disse. Em 1973, Perón e Isabelita voltaram para a Argentina. Perón foi eleito presidente e Isabelita, vice. Um ano depois, Perón morreu e deixou na Presidência sua então esposa, que supervisionou a volta do corpo de Evita de Madri para Buenos Aires. Domingo Tellechea, especialista em restauração, foi encarregado de tornar o corpo apresentável para o público. O trabalho começou na cripta da residência presidencial Los Olivos. "Os pés estavam ruins, pois o corpo foi escondido na posição vertical. Ela tinha uma ferida. Mas eu não saberia dizer se foi feita com uma arma ou não", conta. Tellechea acredita que os restos foram forçados para caber dentro de um caixão pequeno demais para o corpo. Apesar das marcas externas, ele disse que o embalsamento original resistiu bem ao tempo e que o corpo estava bem conservado. Durante a restauração do corpo, Isabelita começou a planejar um monumento grandioso para abrigar os restos de Evita e Perón. Mas o plano nunca foi executado. Quando a restauração estava completa, o cadáver foi novamente mostrado ao público, ao lado do caixão de Perón. Fotos da época mostram a fila do lado de fora de Los Olivos, mas nada foi igual às duas milhões de pessoas que acompanharam o funeral, em 1952. Em 1976, outro levante militar sacudia a Argentina. O governo de Isabelita Perón foi deposto e o país mergulhou em uma nova era de violência, com a morte e o desaparecimento de milhares de opositores. Isabelita partiu para o exílio em Madri, onde vive até hoje. Já o corpo de Evita foi levado, em outubro de 1976, de Los Olivos para o mausoléu de sua família no cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, em uma operação supervisionada pelos militares. O corpo foi colocado em uma cripta a cinco metros de profundidade, semelhante a um abrigo nuclear, para que ninguém voltasse a perturbar os restos da mais célebre personalidade argentina.

Roberto Jefferson espera absolvição no processo do Mensalão do PT e diz, "não sou Demóstenes Torres"

Denunciante do esquema do Mensalão do PT, o ex-deputado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse acreditar na sua inocência e absolvição no julgamento. Ele é um dos réus do caso que será julgado pelo Supremo, a partir do dia 2 de agosto. Jefferson também disse que acredita na inocência do ex-presidente Lula. Mas, na última sexta-feira, ele havia dito: "Se politizarem o julgamento, Lula pagará a conta". Na véspera de uma cirurgia grave, ele declarou se sentir um pouco cansado: "A rotina de exames é pesada. Emocionalmente, muito bem, pronto para a luta. Hoje vivo perseguido pelas mulheres. Nunca corri de mulher, agora estou correndo. Tenho pesadelo, a mulher da foice, com aquele capuz, e a mulher da venda nos olhos e a espada. Corro para um lado e a mulher da foice vem atrás de mim. Corro para o outro, vem a mulher da espada". E acrescentou: "Não é possível me envolverem no mensalão. Meu nome não é Demóstenes Torres, não tenho duas caras. Eu não poderia avisar ao governo 'esse pessoal tá pagando voto' e fazer igual. Mensalão é o pagamento em plenário. Acordo de eleição é outra conversa. O PTB recebeu dinheiro do PT por um acordo. Não lavei dinheiro. Não fiz fortuna, sou classe média alta. Revistaram a minha vida. Tenho R$ 30 mil de renda por mês, vivo com dignidade".

Crime organizado ameaça cerca de 400 magistrados no Brasil, estima AMB

A Lei 12.694, publicada na quarta-feira, pela presidente Dilma Rousseff, pode coibir ameaças como a que ocorreu com o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, responsável pelo caso Cachoeira. Segundo a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), há estimativas de que, atualmente, 400 juízes são, ou se sentem, ameaçados pelo crime organizado no Brasil. Dados levantados pelo Conselho Nacional de Justiça apontam que existem pouco menos de 200 casos registrados. Para o vice-presidente interino da AMB, o desembargador Raduan Miguel Filho, a lei é ótima e veio de encontro aos anseios da magistratura brasileira, mas não resolve o problema por completo. Quando se trata de crimes praticados por organizações criminosas, ela é uma forma de organização do Estado no combate a essas práticas, porém, é preciso aprimorar as técnicas e deixar os mecanismos mais eficientes. "Os criminosos estão super organizados e se utilizam de mecanismos outrora inimagináveis como rede bancária, internet, contato dentro de fórum, de tribunais, dentro da advocacia", pontua o desembargador. O magistrado estima que o número de ameaças pode ser ainda maior, já que muitas vezes ela não é registrada: "Muitos não levam ao conhecimento do tribunal e resolvem eles próprios com o Ministério Público ou com a Polícia Federal". Ele pontua ainda que as ameaças veladas são mais difíceis de se registrar porque, muitas vezes, o juiz não foi intimidado, mas se sente assim. "Não é comum levar fechada de trânsito todo dia ou, pelo menos, duas fechadas em um dia só tendo o juiz um processo volumoso e delicado sobre o crime organizado na mesa dele", diz Raduan. Segundo o desembargador, existe uma secretaria criada pela AMB responsável por levantar e dar apoio a casos de problemas com magistrados e que atua em conjunto com a lei. "O objetivo é buscar estudos e mecanismos juntos aos tribunais, ao CNJ e aos órgãos públicos, mecanismos tais como os expostos na lei", diz ele.

Governo de São Paulo diz que ação do Ministério Público contra polícia militar tem motivação eleitoral

Em nota à imprensa, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo diz repudiar e lamentar a posição do representante do Ministério Público Federal, Matheus Baraldi, de pedir o afastamento do comando da Polícia Militar, assim como o acompanhamento da criminalidade no Estado pelos próximos 12 meses. Diz a nota do governo paulista: "A Secretaria da Segurança Pública repudia e lamenta a posição do representante do Ministério Público Federal. A idéia propalada pelo procurador da República, de que a Polícia Militar estaria descontrolada e teria que ter o comando substituído, é absurda e capciosa. A Polícia Militar é uma instituição preparada e serve de referência a outras polícias do País. É evidente que, numa corporação com mais de 90 mil homens, erros acontecem. Quando eles ocorrem - como nos dois casos registrados na semana passada - os policiais são presos e, após procedimento disciplinar, expulsos. Explorar dois casos isolados para tentar distorcer a percepção da opinião pública é a última coisa que o procurador deveria fazer. Por conta disso, o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, vai representar contra o procurador da República na Corregedoria do Ministério Público Federal. Estranhamente, o posicionamento do procurador coincide com um momento pré-eleitoral. Espera-se que o Ministério Público Federal aja com eficiência contra duas das causas principais da criminalidade nos Estados - notadamente o contrabando de armas e drogas que entram pelas mal-patrulhadas fronteiras do País".

Roberto Jefferson é internado para exames antes de operar tumor

O denunciante do processo do Mensalão do PT, o presidente nacional do PTB e ex-deputado federal Roberto Jefferson, de 59 anos, foi internado nessa quinta-feira em um hospital particular no Rio de Janeiro para realizar exames preparatórios para uma cirurgia para a retirada de um tumor no pâncreas marcada para este sábado. A intervenção será realizada pelo cirurgião geral José de Ribamar Saboia Azevedo. Segundo boletim médico divulgado pelo Hospital Samaritano, o ex-deputado está internado para a realização de exames pré-operatórios. Após a cirurgia, um novo boletim será divulgado. Por ora, ainda não há previsão de alta.

Líder do Hamas faz visita histórica ao presidente do Egito

O líder do grupo terrorista islâmico Hamas, Ismail Haniyeh, se reuniu nesta quinta-feira no Cairo com o presidente do Egito, Mohamed Mursi, em uma visita que ilustra uma grande mudança de posição do país desde a eleição de um chefe de Estado membro da Irmandade Muçulmana. Um funcionário palestino disse que o chefe da inteligência egípcia prometeu medidas para aumentar o envio de combustível que é entregue pelo Catar à Faixa de Gaza passando pelo território egípcio, e que é necessário para aliviar a aguda escassez energética no pequeno território litorâneo palestino. Mas não houve nenhum sinal imediato de que o Egito aceitaria abrir sua fronteira com Gaza da forma solicitada pelo Hamas, algo que analistas atribuem em parte à influência ainda exercida por remanescentes da era Mubarak nos serviços de segurança egípcios. Hosni Mubarak, aliado de Israel e dos Estados Unidos, foi deposto no ano passado por causa de uma rebelião popular. Os generais que o substituíram já transferiram o poder aos civis, mas continuam tendo considerável influência. "O coração de Mursi está com o Hamas, mas sua cabeça está em outro lugar", disse o comentarista político palestino Hany al-Masri: "Ele lhes dará o máximo que puder, mas não vai poder lhes dar muito, porque seus poderes são restritos". A vitória de Mursi na eleição presidencial egípcia foi saudada em Gaza como um divisor de águas para um território cuja economia está sufocada pelo bloqueio imposto por Israel, do qual o Egito participa ao praticamente vedar sua fronteira com o território, permitindo apenas a passagem de um número limitado de pessoas.

Advogado de Marcos Valério inclui decisão do TCU na defesa do publicitário

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, começou a analisar, na quarta-feira, um pedido do advogado do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, para que a Corte leve em consideração quatro recentes relatórios do Tribunal de Contas da União que concluíram pela regularidade de contratos entre bancos e agências de publicidade. A partir do próximo dia 2 o Supremo julgará o processo do Mensalão do PT, no qual Marcos Valério é um dos 38 réus. Na petição protocolada no Supremo, o advogado Marcelo Leonardo sustenta que o Tribunal de Contas da União reconheceu a legalidade de procedimentos de agências de publicidade, entre as quais a DNA, de Marcos Valério, de não fazer repasse de bonificação ou bônus de volume para seus clientes públicos. Esse deverá ser um dos aspectos analisados pelo Supremo durante o julgamento do Mensalão o PT. O advogado Marcelo Leonardo pede que os documentos relativos à decisão do Tribunal de Contas da União sejam juntados ao processo do Mensalão do PT, digitalizados e disponibilizados para consulta pelas partes e advogados no site do Supremo. Ele também quer que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seja informado sobre essa nova documentação. No início de julho, o Tribunal de Contas da União considerou regular o contrato milionário entre a DNA e o Banco do Brasil. De acordo com o próprio tribunal, em decisão anterior, agora reconsiderada, os desvios haviam sido de R$ 4,4 milhões, sendo R$ 2,92 milhões desviados por Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil. Esse contrato é uma das bases da acusação de Gurgel no processo do Mensalão do PT. Conforme o Ministério Público, contratos das empresas de publicidade com órgãos públicos e estatais serviram de garantia e fonte de recursos para financiar o pagamento de mesadas, o Mensalão do PT, a políticos aliados do governo do ex-presidente Lula. No TCU, a ministra Ana Arraes sustentou que uma lei de 2010 estabeleceu novas regras para contratação de agências de publicidade pelos órgãos públicos, acabando com as irregularidades detectadas anteriormente pelo próprio tribunal.

Governo do peremptório petista Tarso Genro agora dá calote no pagamento de precatórios de pequeno valor

As dificuldades financeiras do governo estadual gaúcho, conduzido pelo peremptório petista Tarso Genro, ficam evidentes também nos atrasos dos pagamentos dos precatórios de pequeno valor. Ou seja, não há apenas sonegação de informações sobre as dificuldades fiscais e atrasos nos pagamentos e paralisações de obras em todo o Estado do Rio Grande do Sul. Agora a OAB gaúcha denuncia o descumprimento das RPVs, que são ordens judiciais para que o governo pague de imediato os precatórios de pequeno valor. A própria secretaria da Fazenda reconheceu que os pagamentos de RPVs estão atrasados três meses. O secretário da Fazenda, Odir Tonnolier, poderá ter a sua prisão decretada por descumprimento da ordem, bastando que o prejudicado faça o pedido ao juiz do caso. Durante o governo do "Exterminador do Futuro", Olivio Dutra, o então presidente do IPE, Eliezer Pacheco, marido da deputada federal Maria do Rosário, vivia fugindo da Polícia e dos milhares de ordens de prisão que foram emitidas contra ele, por não pagamento de salários para pensionistas.

Springer Carrier também pensa em sair do Rio Grande do Sul

Depois do anúncio feito pela Comil, que levará metade do seu complexo fabril de ônibus para Lorena (SP), outra indústria gaúcha que também poderá levantar acampamento será a Springer Carrier, de Canoas. Esse assunto corre de boca em boca no Estado. A empresa, a prefeitura e o governo estadual nada dizem, nada ouvem e nada enxergam. Líder de sistemas de condicionamento de ar, a Springer, mais tarde adquirida pela americana Carrier, foi criada em Porto Alegre há 40 anos pelo engenheiro Paulo Vellinho.

Germano Rigotto e Yeda Crusius assinam contrato com a Rede Bandeirantes no Rio Grande do Sul

Depois de experiências bem sucedidas na Rádio ABC, de Novo Hamburgo, os ex-governadores Yeda Crusius (PSDB) e Germano Rigotto (PMDB) acabam de assinar contrato com a Rede Bandeirantes do Rio Grande do Sul. Rigotto falará às terças e Yeda às quintas-feiras, durante toda a programação de duas horas do Jornal Gente, o mais importante da rádio Band AM, de Porto Alegre. Os dois principais âncoras do Jornal Gente são os jornalistas Affonso Ritter e Fernando Albrecht.

Joseph Blatter reclama para Dilma que algumas cidades a Copa estão no "vermelho"

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse nesta quinta-feira, após reunião com a presidente Dilma Rousseff, em Londres, que há cidades-sede da Copa de 2014 em situações preocupantes. Segundo ele, esses locais estão marcados com sinal "vermelho" pela entidade. Blatter reuniu-se por cerca de meia hora com Dilma no Hotel Ritz, onde ela está hospedada desde quarta-feira. Segundo ele, ambos trataram dos problemas enfrentados na organização da Copa. "Nós falamos dos atrasos", afirmou. De acordo com o dirigente da Fifa, há cidades que ainda precisam sair do vermelho, passar para o amarelo e, por último, chegar ao verde. "Há muito o que fazer", disse. Blatter, porém, não quis mencionar quais sedes de 2014 preocupam a Fifa. Ele disse, entretanto, que confia que tudo dará certo e ficará pronto para a Copa de 2014.