terça-feira, 20 de junho de 2017

Empresário bucaneiro caipira Joesley Batista diz à Polícia Federal que Temer "pressionou" BNDES para favorecer a JBS


Em depoimento à Polícia Federal na última sexta-feira (16), Joesley Batista, delator e um dos donos da JBS, afirmou que soube por Geddel Vieira Lima que o presidente Michel Temer "pressionou" a ex-presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, para favorecer o frigorífico. De acordo com o empresário, o presidente teria chamado Maria Silvia em seu gabinete para pedir que ela não vetasse uma reestruturação societária da JBS no Exterior.

A data do encontro não foi informada no depoimento prestado à Polícia Federal. Joesley também não informa qual foi o final da história, se a empresa teve, afinal, o pleito atendido pelo BNDES. O teor do depoimento foi divulgado nesta terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal. O BNDES barrou a reestruturação – ou seja, a então presidente do banco não teria atendido o desejo da empresa do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista. Maria Silvia Bastos Marques em função disso pediu demissão do comando do BNDES no dia 26 de maio, menos de dez dias depois de a delação dos executivos da JBS se tornar conhecida.

"O depoente Joesley se recorda que estava com uma demanda junto ao BNDES para não vetar a reestruturação societária da JBS SA no Exterior. Que Geddel Vieira Lima disse que precisaria contar com o apoio de Eliseu Padilha, razão pela qual o depoente organizou um jantar em sua casa para tratar do assunto", diz trecho da transcrição do depoimento de Joesley Batista feita pela Polícia Federal.

"Que o depoente (Joesley) soube, por Geddel que o Presidente Michel Temer teria chamado a presidente do BNDES Maria Silvia Bastos Marques em seu gabinete em Brasília para pressioná-la no sentido de atender ao pleito do depoente. Que esse assunto foi inclusive narrado no dia 7 de março e consta nos autos em que o presidente confirma que viajou ao Rio de Janeiro para tentar interceder em favor do declarante", afirma o relato do delator da JBS. O dia 7 de março, mencionado no depoimento, foi quando Joesley Batista foi no Palácio do Jaburu e gravou o presidente Temer sem que ele soubesse.

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