segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Denúncias contra Transpetro serão julgadas no Rio de Janeiro

As denúncias do Ministério Público Federal de Araçatuba, de fraude na licitação de 80 barcaças e 20 empurradores, serão julgadas pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, a pedido da Transpetro. Inicialmente, o processo havia sido enviado pelo Ministério Público Federal à Justiça de São Paulo. Mas a subsidiária alegou que a sua sede está localizada no Rio de Janeiro. Depois de 30 dias de avaliação pela Justiça de São Paulo, a juíza Rosa Maria Pedrassi de Souza decidiu acatar o pedido da Transpetro, por considerar que, caso seja culpada, caberá à empresa a "reparação dos danos eventualmente causados ao patrimônio". O contrato para a construção dos comboios custou R$ 432 milhões à Transpetro, mas o Ministério Público Federal identifica que R$ 70 milhões devem ser ressarcidos ao erário. O valor equivale a duas vezes o prejuízo estimado com a fraude na licitação, de R$ 21,9 milhões, mais multas contratuais. Para garantir a recuperação do dinheiro do Tesouro, o Ministério Público Federal pediu liminar que garanta a indisponibilidade dos bens de todos os citados no processo, como o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, membros de sua equipe envolvidos na licitação, executivos do consórcio vencedor da concorrência, além de representantes da Cooperhidro, que arrendou área para a construção dos comboios, e da Prefeitura de Araçatuba (SP), onde estão sendo construídas as embarcações. Ao todo, são citados 18 réus e dez empresas no processo.

Cúpula do PR articula para se afastar de Eduardo Cunha

Em troca da participação no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), a cúpula do PR desencadeou uma articulação para realinhar a bancada do partido na Câmara ao Palácio do Planalto e distanciar os deputados do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). Liderados pelo deputado Bernardo Vasconcellos (MG), os deputados atuaram neste ano ao lado de Eduardo Cunha e votaram em diversas ocasiões com o "blocão" montado pelo peemedebista, que é desafeto do Planalto desde que impôs duras derrotas ao governo. Vasconcellos trabalha para que os deputados do PR apoiem Eduardo Cunha na eleição para a Mesa Diretora no ano que vem. Vasconcellos, no entanto, não disputou a reeleição neste ano e os dirigentes nacionais do PR querem substituí-lo por um nome mais afinado com o Planalto. Nesta terça-feira, em jantar com os atuais parlamentares e os candidatos eleitos, a cúpula do PR vai iniciar as conversas para reposicionar a bancada da Câmara. "Percebo que a presidente pretende ajudar e quer melhorar o diálogo", afirma o deputado Lincoln Portela (MG), um dos cotados para assumir a liderança da bancada no ano que vem. Em troca do desembarque do projeto de Eduardo Cunha, o PR pressiona para manter o espaço que detém atualmente na Esplanada dos Ministérios, principalmente o ministério dos Transportes. O mais cotado para assumir o posto é o secretário-geral do partido, o senador Antonio Carlos Rodrigues (SP). Um dirigente avaliou que o clima na Câmara tende a ser pacificado se o PR confirmar seu espaço na administração federal. "Quando anunciar os ministérios acaba tudo. Alguém que tem posição vai querer nadar contra?", resume. Além da participação no Executivo, outro fator abre brecha para o afastamento de Eduardo Cunha. Com seis deputados eleitos, o PR do Rio de Janeiro é controlado pelo ex-governador Anthony Garotinho, inimigo declarado do peemedebista. Embora tenha perdido a disputa pelo Palácio Guanabara, ele ajudou a eleger sua filha, Clarissa, para a Câmara Federal.

Ex-ministro Mendes Ribeiro Filho segue em coma induzido

O ex-deputado federal e ex-ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, continua internado na unidade de neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre em coma induzido, sem apresentar melhora. De acordo com o último boletim médico divulgado, o estado do político gaúcho permanece grave. Ele luta contra um câncer no cérebro desde 2007 e foi levado ao hospital no início do mês, após sofrer crises convulsivas. A assessoria de Mendes Ribeiro informou que ele se recuperou de uma pequena infecção respiratória, mas não houve alterações significativas no quadro de saúde. "A gente fica na expectativa de que ele melhore. Mas sabemos que a situação é muito séria, é uma luta pela vida. Ele é muito forte, já superou outros momentos difíceis na doença", falou um dos assessores. Em março do ano passado, com o agravamento de sua condição clínica, Mendes Ribeiro deixou o Ministério da Agricultura para se tratar.

Professor no Rio de Janeiro é acusado de drogar alunos e estuprar uma menina

O professor de história Gustavo Montalvão Freixo, de 31 anos, foi denunciado à Justiça por estupro de vulnerável, indução ao uso de drogas e tráfico. Ele é acusado de ter fornecido LSD para sete alunos, com idades entre 13 e 15 anos, e de ter feito sexo com uma das meninas, de 14. Afastado da escola particular em que dava aulas havia sete anos, o professor recusou-se a prestar depoimento no inquérito policial, dizendo que só falará à Justiça sobre as acusações. O caso aconteceu em 9 de outubro. O delegado Paulo Henrique Silva Pinto, da 38ª Delegacia de Polícia (DP), em Brás de Pina (zona norte do Rio de Janeiro ), contou que, inicialmente, os jovens narraram aos parentes que havia ocorrido uma festa na casa de um dos adolescentes. Sob pressão das famílias, segundo o delegado, disseram que o professor havia fornecido quatro lâminas de LSD para o grupo - somente um dos meninos não teria experimentado a droga, por ser evangélico. O delegado disse que os alunos contaram que o professor vinha conversando com eles sobre os efeitos da droga e marcou para encontrá-los na casa de um estudante, que costuma ficar sozinho à tarde. Ele teria levado uma luz estroboscópica, como as de boate. Eram cinco meninas e dois meninos. O professor cobrou R$ 25,00 de cada um, afirmou o policial. Os adolescentes contaram em depoimento que alguns deles sofreram efeitos mais fortes do que os outros. Disseram ainda que o professor beijou duas alunas e foi com outra para o quarto, onde tiveram relações sexuais. Depois que o professor saiu, os alunos foram para a casa de outra colega. Um deles ainda estaria sofrendo alucinações. "É bárbaro porque você tem duas referências nessa fase da vida - os pais e a escola. Você deposita muita confiança no professor. Ele é um formador de opinião. Denunciei como estupro porque não se pode considerar consensual o sexo com uma adolescente de 14 anos que está sob efeito de droga. Ela tinha capacidade de discernimento? Ao meu ver, não", disse o delegado. Na denúncia do Ministério Público Estadual, o promotor Alexandre Themístocles relata que o professor confirmou à direção da escola a ida à casa do estudante para dar "aula extra", procedimento proibido por lei, mas negou ter levado a droga. O pai de uma estudante decidiu tornar pública a história depois que os jovens passaram a ser perseguidos por colegas e deixaram de ir às aulas. "Ele é um professor muito querido na escola. Os outros estudantes passaram a perseguir os alunos envolvidos, eles foram chamados de drogados nas redes sociais, passaram a sofrer bullying. Os colegas não acreditavam no que contavam os alunos aliciados pelo professor", contou o delegado. Os jovens passaram por exames de corpo de delito e de urina, para detectar a presença da droga no organismo. Os laudos serão anexados ao processo.

Cinco engenheiros nucleares, um deles iraniano, são mortos na Síria

Homens armados mataram cinco engenheiros nucleares, quatro deles sírios e um iraniano, nos arredores de Damasco no domingo, informou um grupo de monitoramento nesta segunda-feira.
Ninguém assumiu a responsabilidade, e as mídias estatais síria e iraniana não mencionaram o ataque, ocorrido em uma área controlada por forças leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad. Não ficou claro com que incumbência o engenheiro nuclear iraniano estava na Síria, caso sua presença seja confirmada. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos declarou que os engenheiros foram mortos a tiros enquanto viajavam em um pequeno comboio para um centro de pesquisa perto do distrito de Barzeh, no nordeste do país. O Irã vem apoiando Assad na guerra civil síria, que já dura mais de três anos, e conselheiros militares iranianos estão trabalhando com as forças sírias em todo o país, que está parcialmente sob controle dos insurgentes. Tanto o Irã quanto a Síria estão sendo investigados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organismo da Organização das Nações Unidas (ONU), e ambos vêm repetindo não ter qualquer ambição nuclear. No ano passado, a AIEA afirmou que a Síria admitiu ter “uma pequena quantidade de material nuclear” em um Reator Miniatura de Fonte de Nêutrons (MSNR), um tipo de reator de pesquisa normalmente abastecido por urânio enriquecido, perto da capital Damasco.

Investigadores afirmam que Paulo Roberto Costa recebeu propina de R$ 3,8 milhões pela operação da Refinaria de Pasadena

O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, recebeu propina equivalente a R$ 3,8 milhões para aprovar a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). De acordo com investigadores da Operação Lava Jato, o valor recebido pelo executivo para que "não atrapalhasse" o negócio foi de US$ 1,5 milhão (um milhão e meio de dólares), e não de reais, como foi divulgado até agora. Em depoimento ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, após firmar acordo de delação premiada em busca de reduzir sua pena, o ex-diretor confessou ter recebido dinheiro para que não fosse contra a compra da refinaria, ocorrida em duas etapas, entre 2006 e 2012. Os investigadores tentam descobrir agora se outros dirigentes da estatal receberam suborno. Em 2006, a Petrobrás pagou à empresa belga Astra Oil US$ 360 milhões para ficar com 50% de Pasadena. No ano anterior, 100% da refinaria americana haviam sido vendidos à Astra por US$ 42 milhões. O negócio foi aprovado pelo Conselho de Administração da estatal, com voto favorável da presidente Dilma Rousseff, que na época presidia o colegiado e era chefe da Casa Civil do governo Lula.


Questionada, Dilma disse em nota que, para tomar a decisão, se baseou num parecer técnico e juridicamente "falho", elaborado pelo ex-diretor Internacional da Petrobrás Néstor Cerveró. Com apenas duas páginas e meia, o documento omitia cláusulas importantes do contrato. Dilma e os demais conselheiros, no entanto, tinham acesso irrestrito ao processo de compra, com todos os detalhes. Após se associar à Astra, a Petrobrás se desentendeu com a sócia sobre investimentos na refinaria. O caso foi levado à Justiça americana e a companhia brasileira teve de pagar mais US$ 820 milhões em 2012 para ficar com o restante da refinaria. Ao investigar o caso, o Tribunal de Contas da União concluiu que houve prejuízo de US$ 792 milhões na compra e bloqueou os bens de 11 executivos da Petrobrás que participaram do negócio. Inicialmente, a corte excluiu os conselheiros de administração, incluindo Dilma, do rol de responsáveis pela compra. Mas ressalvou que, a surgirem novos elementos, eles podem ser implicados. As defesas de alguns executivos, a serem apresentadas até o mês que vem, devem pedir que os ministros mudem seu entendimento, argumentando que, segundo o estatuto da Petrobrás, é dos conselheiros a última palavra sobre a aquisição de refinarias. "Compra e venda de ativos é responsabilidade exclusiva do Conselho de Administração. A decisão final sempre é do conselho", afirma o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro.

Grupo terrorista do Egito jura lealdade a Estado Islâmico

O grupo terrorista mais ativo do Egito, o Ansar Bayt al-Maqdis, jurou lealdade ao Estado Islâmico, a ramificação da Al Qaeda que tomou partes dos territórios de Síria e Iraque, de acordo com um clipe de áudio publicado na sua conta no Twitter. Se verdadeira, a declaração de lealdade seria um estímulo ao Estado Islâmico, que tem mostrado sua ampla influência na região na medida em que faz avanços territoriais no Iraque e na Síria. O grupo terrorista baseado no Sinai publicou o clipe, de 9 minutos e 26 segundos, em uma conta que se autodenomina porta-voz oficial do Ansar. O clipe foi então publicado em um site usado por militantes. No clipe, um homem se identifica apenas como parte do "departamento de informação" do grupo. Ele diz que os militantes prometeram lealdade a Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, que agora enfrenta ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos. A conta no Twitter publicou outras declarações em nome do grupo nos últimos meses. Muitas vezes, a conta é suspensa e reaberta; uma dessas suspensões rápidas ocorreu horas antes de a declaração ser publicada no Twitter.

Senador Aloysio Nunes Ferreira acusa Dilma de estelionato e a petista Gleisi defende presidente

Os senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) discutiram nesta segunda-feira, no Senado. Em discurso na tribuna, Aloysio, que foi vice na chapa do tucano Aécio Neves, acusou a presidente Dilma Rousseff (PT) de cometer "estelionato" durante a campanha. Ex-ministra da Casa Civil, a "Barbie" petista Gleisi Hoffman, citada pelos delatores premiados do Petrolão como beneficiária do esquema corrupto que assaltou a Petrobras, saiu em defesa da petista. O senador argumentou que Dilma mentiu sobre a situação econômica do País para conseguir ser reeleita. Aloysio criticou, por exemplo, o recente ajuste no preço dos combustíveis e o aumento na taxa de juros, medidas que foram colocadas em prática somente após o segundo turno. "O que é o estelionato? O estelionato é um crime que consiste em obter para si ou para outrem vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro mediante artifício ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Não foi isso, exatamente, no sentido rigoroso, político, que fez a presidente. Mas no sentido político, no sentido moral, foi isso, sim", disse. Em seguida, Gleisi pediu a palavra e subiu à tribuna para defender a presidente: "Temos que respeitar a chefe da nação. As medidas tomadas por Dilma em nenhum momento contradizem suas ações de campanha. Não vejo base para Vossa Excelência vir aqui dizer que a presidenta é uma mentirosa ou uma estelionatária". Ao pedir um aparte, Aloysio disse que a presidente cometeu estelionato eleitoral, mas "não no sentido literal da palavra": "Durante a campanha, ela escondeu a situação real do Brasil, nada do que ela disse fazia supor que ela tomaria essas medidas após eleição". Gleisi afirmou que o aumento no preço da gasolina é algo que acontece todos os anos e que o governo não vai colocar em prática um tarifaço, como sugeriu o tucano. "O senhor não vai ver arrocho", disse. A petista também aproveitou a discussão para alfinetar o tucano e dizer que estava na hora de ele reconhecer a derrota nas urnas e descer do palanque. "Eu já desci do palanque, estou no Senado. A minha função é ficar aqui e, com a força do meu mandato, fiscalizar o governo", rebateu Aloysio. No meio da discussão, a crise no abastecimento de água no Estado de São Paulo, governado pelo tucano Geraldo Alckmin, entrou em pauta. "Com todo o respeito, de nada adianta a gente ficar com ataques, estamos no momento de unir esforços. Temos que garantir o fim da seca em São Paulo", disse a "Barbie" petista Gleisi. Aloysio, por sua vez, argumentou que esse problema não afeta somente São Paulo: "Essa é mais uma mentira, mais uma das enganações da presidente da República". Nunes afirmou nesta segunda-feira também que a oposição vai ser contra a intenção do governo federal de reduzir, agora, a meta de superávit primário de 2014. O Executivo deve enviar esta semana ao Congresso um projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano para revisar a meta: "Consertar a LDO no final do ano é uma piada de mau gosto. É cobrir a nudez com folha de parreira". A meta fiscal está prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, que prevê uma espécie de "piso" de R$ 49 bilhões para o superávit, considerando a previsão de desconto dessa meta das despesas com investimentos e as desonerações tributárias. Mas, mesmo esse piso, que considera abatimentos de R$ 67 bilhões, não poderá ser cumprido diante da forte deterioração das contas públicas, sobretudo no período eleitoral. Esses números consideram meta de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O governo terá de reajustar para baixo esse porcentual.

Ayres Britto se diz favorável ao mandato temporário para ministros do Supremo Tribunal Federal

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ex-ministro Ayres Britto, evitou comentar a recente declaração do ministro Gilmar Mendes de que o tribunal corre o risco de se converter em uma "corte bolivariana". Ele afirmou, contudo, ser favorável a uma discussão sobre adoção de mandatos temporários para os ministros da Corte. Britto defendeu que é "chegada a hora de discutir com mais foco" a idade da aposentadoria compulsória, atualmente em 70 anos, "não apenas para o STF, mas para todo o funcionalismo público". Atualmente, tramita no Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 457/05, que prorroga para 75 anos a idade para aposentadoria compulsória de ministros do Supremo Tribunal Federal. A matéria foi aprovada em 2005 pelo Senado e aguarda votação da Câmara. Questionado se concorda com essa ampliação, Ayres Britto se disse "mais favorável" a uma discussão sobre a adoção de mandatos para os ministros do Supremo, do que em relação à idade para a compulsória. "Temos que discutir se é um mandato vitalício ou temporário e, entre os dois, me posiciono favorável ao temporário", afirmou, defendendo que os integrantes da Corte deveriam ter mandato entre nove e 12 anos, como, segundo ele, ocorre em outros países. Aposentado compulsoriamente desde novembro de 2012 após nove anos como integrante do Supremo, o ex-ministro afirmou ainda que, na época em que estava na Corte, não moveu "uma palha" no sentido de tentar ampliar a idade para aposentadoria compulsória. "Se entrei só por uma vaga de alguém que se aposentou, como na minha vez vou me pronunciar sobre isso?", questionou Britto, para cuja vaga a presidente Dilma indicou o atual ministro Luís Roberto Barroso.

Escala de navios aponta exportações menores de milho do Brasil no fim de ano

A escala de navios nos portos brasileiros para exportação de milho até o fim do ano está 10% menor do que em novembro de 2013, em um momento de maior competição do cereal nacional com o dos Estados Unidos, indicando que Brasil não conseguirá repetir o bom desempenho dos embarques da temporada passada. O line-up inclui atualmente 3,11 milhões de toneladas para embarque em todo o mês de novembro, além de navios para dezembro e com data a confirmar. Um ano atrás, a fila previa embarques de 3,47 milhões de toneladas, segundo dados da agência marítima Williams. Os últimos meses do ano são tradicionalmente os de maior movimentação de milho nos portos brasileiros, após o envio da maior parte da safra de soja e com a grande oferta da colheita de milho de inverno do País. As exportações do Brasil no ano comercial entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014 foram recordes, em 26,26 milhões de toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Nos últimos meses do ano passado, o mundo ainda sentia falta da oferta milho dos Estados Unidos, maior fornecedor global do grão, após uma grande quebra de produtividade provocada por seca. O milho da safra 13/14 só chegaria ao mercado no fim de 2013 e início de 2014, dando ao Brasil uma janela de oportunidade incomum para embarcar sua produção recorde. Expecionalmente, o Brasil terminou a temporada 2012/13 como o maior exportador mundial de milho, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Para a atual temporada, a oferta norte-americana já está normalizada. Os Estados Unidos colhem, neste momento, uma safra recorde do cereal. "Estamos exportando menos milho porque os Estados Unidos estão com uma supersafra à disposição", destacou o analista Steve Cachia, da corretora Cerealpar. O volume exportado pelo Brasil entre fevereiro e outubro deste ano reforça a menor presença do milho nacional no mercado externo. Nos primeiros nove meses da temporada, o País embarcou 11,33 milhões de toneladas do produto, 31% menos que no mesmo período de 2013. Na primeira semana de novembro, as exportações do Brasil foram de 139,3 mil toneladas por dia, contra 195,6 mil toneladas diárias da média de novembro de 2013, segundo dados da Secex divulgados nesta segunda-feira. Ao longo do ano, o governo brasileiro foi ajustando suas próprias expectativas para as exportações de milho na temporada. Até setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previa volume total embarcado de 21 milhões de toneladas para o atual ano comercial. No relatório de outubro, a projeção foi rebaixada para 19,5 milhões de toneladas, com um aumento proporcional dos estoques esperados ao final da temporada. A Conab divulga atualização de suas projeções de safra e oferta e demanda de grãos na manhã de terça-feira. O USDA revisou nesta segunda-feira sua projeção para exportações de milho do Brasil nesta temporada para 19,5 milhões de toneladas, ante 20 milhões no relatório de outubro. Por outro lado, a forte desvalorização do real ante o dólar, que torna mais rentáveis as exportações brasileiras, pode ajudar a mudar um pouco o quadro. Os preços pagos no porto de Paranaguá (PR) e Santos (SP) subiram 1,4% e 3,2% respectivamente na semana até o dia 6 de novembro, segundo o Cepea. "A forte valorização do dólar no período, de 5,7% deve contribuir para o aquecimento das exportações nas próximas semanas", disse o centro de pesquisas, ligado à Universidade de São Paulo.

USDA reduz estimativa de safra recorde de milho nos Estados Unidos e eleva a de soja

A safra de milho dos Estados Unidos, embora ainda em patamar recorde, será ligeiramente menor que a expectativa do mercado, segundo dados do Departamento de Agricultura (USDA) divulgados nesta segunda-feira, potencialmente dando um impulso para os combalidos preços do cereal. O USDA estimou a safra de milho do país em 14,407 bilhões de bushels, ante 14,475 bilhões do relatório de outubro. Operadores esperavam estimativa mais elevada, de 14,551 bilhões de bushels. O departamento projetou uma safra norte-americana de soja de 3,958 bilhões de bushels, alta de pouco menos de 1% ante previsão de outubro, e ligeiramente abaixo da projeção do mercado, de 3,967 bilhões. Em relação à safra brasileira de soja em 2014/15, o USDA manteve sua projeção de 94 milhões de toneladas.

São Paulo reduz projeções para safras de laranja e cana; eleva estimativa de café

O Estado de São Paulo, maior produtor brasileiro de laranja e cana-de-açúcar, reduziu ligeiramente as suas previsões de colheita deste ano para esses produtos agrícolas, na comparação com o levantamento anterior, enquanto elevou a expectativa de colheita de café, segundo nota divulgada nesta segunda-feira pela Secretaria Estadual de Agricultura. Entre as grandes safras paulistas, as de café e cana foram especialmente prejudicadas pela seca histórica registrada no último verão, que foi seguida por meses de precipitações mensais mais baixas que a média. A colheita de café apenas não cairá na comparação anual porque 2013 foi um ano de baixa no ciclo bianual de produtividade das plantações de arábica. Já a safra de laranja contou com uma grande florada ao final do ano passado, permitindo um pequeno crescimento da produção em 2014. No caso da cana, as perdas foram expressivas. São Paulo, que responde tradicionalmente por mais de 70% da safra de cana do centro-sul, deverá colher 402,6 milhões de toneladas este ano, segundo levantamento feito em setembro, redução de 1,6% na comparação com a estimativa de junho, e uma queda de 9,4% em relação a 2013. A secretaria explicou que a queda de safra considera perdas de produtividade devido à estiagem e uma área plantada que parou de crescer, como acontecia anteriormente, por conta das "condições econômicas adversas que atravessa o setor nos últimos anos". A "anomalia climática desfavorável que atingiu a lavoura no período de desenvolvimento" reduziu a produtividade em 10,2%, segundo apuraram os especialistas do governo. A safra de café do terceiro Estado produtor da commodity no Brasil fechou este ano em 4,6 milhões de sacas, incremento de cerca de 4% ante a projeção de junho, segundo o levantamento da secretaria. O governo alertou que em anos de alta do ciclo bianual do arábica, como foi 2014, os paulistas colheriam mais de 5 milhões de sacas. Mas a seca evitou um resultado melhor. Na temporada de 2013, ano de baixa do ciclo bianual do arábica, a colheita de café de São Paulo somou 4,42 milhões de sacas da temporada anterior. São Paulo é o terceiro Estado produtor de café do Brasil (maior produtor global), atrás de Minas Gerais e Espírito Santo, cuja safra em sua maioria é da variedade robusta. Considerando apenas a produção de arábica, os paulistas estão na segunda posição entre os principais produtores do país. "Para a cultura do café, a anomalia climática incidente no primeiro trimestre do ano impôs prejuízos à formação e enchimento dos frutos, ocasionando diminuição da peneira, má formação e chochamento das sementes", disse a secretaria em nota. A secretaria disse ainda que as perdas somente não foram maiores nos cinturões produtivos de Franca e Ourinhos por terem sido beneficiados por chuvas irregulares no primeiro trimestre, enquanto aqueles situados em condição de montanha (São João da Boa Vista, Bragança e Campinas) foram menos afetados pela seca. A safra de laranja prevista para este ano em São Paulo, Estado que responde por quase todos embarques de suco do Brasil, o maior exportador mundial, aponta para um volume total de 292,9 milhões de caixas de 40,8 kg, leve baixa de 0,75% na comparação com o levantamento de junho, mas ainda 2,3% acima do obtido na temporada passada, "visto que a florada (para 2014) foi abundante no final de 2013". Os números incluem tanto a safra comercial - com processamento pela indústria e que já está na fase final de colheita - quanto os frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente, bem como as perdas relativas ao processo produtivo e as de colheita. Espera-se uma produtividade agrícola de 26.475 kg/ha, superior àquela obtida na estimativa final da safra anterior em 5,2% (equivalente a 1,8 cx./pé). Porém, em algumas regiões sem irrigação, a produtividade está prevista em 1,5 cx./pé. A seca, entretanto, favoreceu o rendimento industrial da laranja colhida, disse o diretor-executivo da CitrusBR, associação que representa a indústria, Ibiapaba Netto, explicando que os frutos vieram com mais suco do que água este ano. "Vai ser um dos melhores rendimentos industriais, a laranja está pequena, cheia de suco, precisa de menos caixas (de laranja) para fazer uma tonelada (de suco)", afirmou Ibiapaba Neto, comentando que o processamento da safra deverá ser encerrado ao final de dezembro, diferentemente de outras que se estendem até janeiro. Ele acrescentou que a seca, contudo, traz dúvidas para a florada que vai gerar a safra do ano que vem. A CitrusBR diz que só será possível quantificar isso em fevereiro.

Procuradoria pede prisão preventiva do bandido petista mensaleiro Pizzolato na Itália

O Ministério Público Federal em Lages (SC) denunciou o ex-diretor do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato, à Justiça Federal na semana passada por falsidade ideológica ao ter ter fraudado o documento de seu irmão, falecido em 1978. No documento, encaminhado à Justiça Federal na última quinta-feira, 6, o Ministério Público Federal pede imediatamente a prisão preventiva de Pizzolato na Itália por meio do tratado de cooperação judiciária que o Brasil mantém com o país. Na denúncia feita pelo procurador Nazareno Jorgealém Wolff é descrito como Pizzolato começou o processo de falsificação dos documentos de seu parente já em 2007, quando a denúncia do Mensalão do PT foi aceita no Supremo.
PIZZOLATO

“Assim, durante a instrução do processo criminal a que respondia, e já prevendo o risco de ser condenado à perda da liberdade, ele praticou, premeditada e artificiosamente, uma série de atos ilícitos com o objetivo de, no caso de condenação e inclusão de seu nome em listas de procurados, evadir-se do País e furtar-se à aplicação da lei penal”, afirma o procurador na denúncia, na qual são descritos os locais, as datas e o modo como o ex-diretor conseguiu recriar os documentos de seu falecido irmão. Em uma das ocasiões descritas no documento, ao solicitar seu passaporte, Pizzolato teria informado que trabalhava na construção civil. O ex-diretor, contudo, foi funcionário de carreira do Banco do Brasil e sindicalista e atualmente está aposentado. Com os documentos falsos, Pizzolato obteve o passaporte italiano que lhe permitiu fugir do Brasil e ingressar na Itália após sua condenação no Mensalão do PT. O ex-diretor é acusado de ter praticado o crime sete vezes e ainda ter utilizado estes documentos ao menos doze vezes nos Estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. O procurador pede a imediata decretação da prisão do bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato, amparado no artigo 312 do Código de Processo Penal, para “garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria”. Nazareno Jorgealém invoca o escândalo do Mensalão do PT. Ele destaca a “evidente e extrema capacidade ardilosa do acusado (Pizzolato) em traçar e executar planos de dissimulação e fuga, eis que, dentre todos os condenados no rumoroso caso do Mensalão do PT, ele é o único a que o sistema de persecução brasileiro não consegue alcançar, estando hoje em plena liberdade em território italiano onde somente conseguiu chegar graças a série de delitos que são objeto desta acusação, sob o nome de ‘Celso Pizzolato’”. O procurador considera que “caso sua (de Pizzolato) extradição seja deferida por aquele país (Itália), ou caso ele deixe voluntariamente a República Italiana em razão dos processos que lá também responde, certo é que empreenderá outros esforços para furtar-se a responder ao feito, em pleno desprezo para com o Brasil, suas leis e seu Poder Judiciário”. O Ministério Público Federal pede que o nome do condenado do Mensalão do PT seja mantido na difusão vermelha da Interpol, a Polícia Internacional. “Por tais razões, tem de ser mantida ativa a disposição em fazê-lo responder, sendo necessária portanto a decretação da prisão preventiva e a expedição de mandado para que seu nome seja mantido nas listas de procurados na esfera internacional. Do contrário, tendem esses crimes todos a restarem impunes e as instituições públicas brasileiras, pelas quais manifesta desprezo, a atuarem inocuamente". A denúncia será apreciada pela juíza federal em Lages, Giovana Cortez.

Etanol sobe 5% na esteira do reajuste da gasolina

Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado teve média de 1,1853 real/litro na semana passada

O preço do etanol hidratado subiu quase 5% nas usinas do Estado de São Paulo na semana passada, uma alta ainda maior do que a implementada para a gasolina na sexta-feira passada nas refinarias da Petrobras, de 3%."Depois de apresentar variações negativas, ainda que ligeiras, por duas semanas seguidas, o preço do etanol hidratado subiu com força entre 3 e 7 de novembro, no mercado paulista, impulsionado, em parte, pelo anúncio do reajuste da gasolina", afirmou nesta segunda o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No final da semana passada, Petrobras anunciou um reajuste de médio de 3% nos preços da gasolina, combustível concorrente do etanol hidratado no mercado brasileiro, por conta dos carros flex. A estatal também reajustou o diesel em 5% nas refinarias. O Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado teve média de 1,1853 real/litro (sem impostos) na semana passada, alta de 4,8% em relação à anterior. Na mesma base de comparação, o preço do etanol anidro (misturado à gasolina) permaneceu praticamente estável, a 1,2856 real/litro. Distribuidoras elevaram as compras no mercado à vista, principalmente de hidratado, na expectativa de melhora nas vendas do biocombustível com o reajuste da gasolina, disse o Cepea. Do lado das usinas, o volume ofertado se manteve restrito, o que contribuiu para as altas de preços. Nos postos, a relação entre o etanol e a gasolina segue favorável ao biocombustível nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso e no Paraná, disse o Cepea citando informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o órgão regulador do setor de combustíveis no Brasil. Para motoristas de carros flex, não compensa abastecer com o etanol se o biocombustível custar na bomba mais de 70% do valor da gasolina.

Há 12 anos o PT conta com a imprensa para ajudar a desmoralizar o PMDB, seu principal aliado

Há 12 anos o PT governa com o PMDB. A parceria pode chegar a 16. Pois bem: há 12 anos os petistas pautam a imprensa contra os peemedebistas. E também há 12 anos o jornalismo acaba sendo inocente útil do partido oficial. Vamos rasgar o verbo, não é? Noventa por cento das fontes que jogam peemedebistas na fogueira são, obviamente, petistas. Sim, sim! Se eu souber de alguma safadeza comprovada cometida por alguém do PMDB, noticio, ainda que ela me tenha sido soprada por petistas. E qualquer jornalista tem de fazer o mesmo. Mas isso não pode nos impedir de denunciar a natureza do jogo. Adiante. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) certamente já se preparou para a chuva de canivetes. E também deve saber quem responde pelo adensamento das nuvens. Vem coisa feia pro lado dele. Ousou desafiar a máquina. Que se noticie tudo o que for procedente, é claro! Mas cabe uma pergunta: é em nome da moral, dos bons costumes e da alta política que os petistas tentam evitar a todo custo que Eduardo Cunha se torne presidente da Câmara? Ora, não me façam gargalhar! Quem mesmo os petistas indicaram para vice-presidente da Câmara na legislatura em curso? Lembro: André Vargas, o patriota que atuava como um dos braços do doleiro Alberto Youssef. Era figura em ascensão no PT. Foi seu secretário nacional de Comunicação. Era dado como certo, vejam que coisa!, para a presidência da Casa no biênio 2015-2016. Não fosse aquela viagenzinha de avião financiada pelo doleiro — e a operação desencadeada pela Polícia Federal —, talvez não se falasse agora de Eduardo Cunha, e o País tivesse como terceiro homem na hierarquia da nação um tipo como André Vargas, que continua a ser protegido pelo PT. Então vamos chamar as coisas pelo seu devido nome e dizer com clareza a natureza das coisas. Os petistas não querem Eduardo Cunha por quê? É em nome da moral e dos bons costumes? Ou será que o deputado atrapalha suas pretensões hegemônicas? Olhem aqui: uma coisa é o jornalismo noticiar o que sabe. É um dever. Outra, diferente, é servir de esbirro do projeto petista. Por Reinaldo Azevedo

Uso regular de maconha diminui o tamanho do cérebro

Os pesquisadores verificaram que, quanto mais cedo se começa o consumo regular de maconha, maior é a sua interferência na estrutura e no funcionamento do cérebro

Fumar maconha por mais de seis anos pode causar anormalidades no funcionamento e na estrutura do cérebro. O efeito, porém, depende da idade em que a pessoa começou a fumar a droga. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada nesta segunda-feira no periódicoProceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). “Desde 2007 há um crescimento no número de usuários de maconha. Apesar das mudanças na legislação de alguns estados dos Estados Unidos sobre a droga, ainda são escassas as pesquisas sobre seus efeitos a longo prazo”, diz Francesca Filbey, coautora do estudo e professora da Faculdade de Comportamento e Ciências do Cérebro da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Participaram da pesquisa 48 usuários adultos e 62 não usuários, separados conforme sexo, idade e etnia. Todos foram submetidos exames de ressonância magnética e a testes cognitivos. Tabagismo e consumo de álcool foram levados em consideração para a análise dos resultados. Os pesquisadores concluíram que os usuários de maconha têm um menor volume cerebral numa parte do cérebro associada ao vício, o córtex orbitofrontal, mas maior conectividade cerebral do que as pessoas que não fumam a droga. Nos testes cognitivos, os usuários de maconha demonstraram menor QI. Os estudiosos, entretanto, não associaram esse resultado ao menor volume cerebral. Foi verificado também que, quanto mais cedo começa o consumo regular de maconha, maior é a sua interferência na estrutura e no funcionamento do cérebro. “Esse efeito começa depois de seis a oito anos de uso contínuo. Porém, usuários de maconha continuam a exibir conectividade cerebral mais intensa do que os não usuários”, diz Francesca. De acordo com os autores, o consumo crônico da erva faz com que os neurônios dos usuários se adaptem à diminuição do volume cerebral. Eles alertam, no entanto, que são precisos outros estudos para determinar se essa mudança é reversível e se ela acontece, também, em usuários ocasionais da droga.

Alckmin apresenta à petista Dilma projeto de R$ 3,5 bilhões contra crise de água

Em reunião com a presidente petista Dilma Rousseff nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apresentou uma lista de oito propostas para combater a crise hídrica que assola o Estado. Juntas, as obras totalizam 3,5 bilhões de reais e têm prazo variável de conclusão das construções – a primeira prevista para sair do papel deve ser finalizada em agosto de 2015. À presidente, o governador apresentou as seguintes sugestões: uma adutora para reforçar a captação do Rio Campinas, com prazo de nove meses; construção de Estação de Produção de Água de Reuso (Epar) para reforço do Sistema Guarapiranga, com previsão de um ano; interligação do rio Jaguari ao Atibainha, com prazo de 14 meses; construção de Epar para reforço do sistema Baixo Cotia, com prazo de 18 meses; sistema de adutor regional para PCJ, com prazo de 18 meses; interligação do rio Pequeno com o reservatório Rio Grande, com prazo de dois anos; 24 poços na região do aquífero Guarani, com prazo de dois anos; e a construção de dois reservatórios em Campinas, com prazo de 30 meses. Um grupo de trabalho formado por ministros e secretários do governo paulista vai se reunir na próxima segunda-feira para discutir a viabilidade das obras. “Apresentamos um conjunto de obras que já vêm sendo trabalhadas pelo governo do Estado, algumas já com licenciamento ambiental, e tivemos uma boa conversa sobre a possibilidade de recursos do Tesouro ou por meio de financiamento. Esse grupo foi estabelecido para a gente avançar nesse tema”, disse Alckmin após o encontro. O governador reafirmou que “não há risco de racionamento” e ressaltou que as obras são a curto e médio prazo. “Não são obras para amanhã. As obras para amanhã já estão sendo feitas. Nós vamos entregar neste mês mais um metro cúbico por segundo do Guarapiranga. As obras já estão sendo realizadas”, disse Alckmin. De acordo com a ministra do Planejamento, a petista Miriam Belchior, a presidente Dilma "recebeu com bons olhos” a lista apresentada por Alckmin, mas ainda aguarda reunião do grupo de trabalho para definir o tamanho da ajuda que o governo federal concederá ao Estado. “O governo está disposto a contribuir com as soluções para o problema que São Paulo vive hoje. A situação é grave o suficiente para que esse assunto seja tratado”, afirmou a ministra. Belchior ressaltou que durante o encontro não foi discutida a fonte que liberaria os recursos e nem a possibilidade de desoneração do PIS-Cofins para as empresas de saneamento. Mas, segundo ela, o governo federal está discutindo modificações no tributo e que, caso seja aprovada, a desoneração terá abrangência nacional e não será uma medida específica para o Estado de São Paulo. Como se vê, não se trata de uma benemerência do governo federal petista para com São Paulo. Dilma apenas liberaria os financiamentos, os paulistas pagariam por esses financiamentos. Nada é de graça, nada é benefício do governo petista para São Paulo.

Livro afirma que Jesus teria se casado com Maria Madalena

Pintura de Jesus Cristo, de Rembrandt

Jesus teria se casado com Maria Madalena e tido dois filhos com ela. Essa teoria será defendida por um livro que será lançado ainda neste mês, baseado em um manuscrito encontrado na Biblioteca Britânica, afirma o jornal The Sunday Times. A obra — que lembra trabalhos de ficção como O Código da Vinci, do escritor americano Dan Brown, e A Última Tentação de Cristo, do grego Nikos Kazantzakis — tem como autores Simcha Jacobovici, escritor e cineasta especializado em história antiga e investigações arqueológicas, e Barrie Wilson, professor de estudos da religião da Universidade York, no Canadá. De acordo com o The Sunday Times, o livro The Lost Gospel (O Evangelho Perdido, em tradução livre) trará detalhes até então desconhecidos da vida de Jesus quando ele tinha vinte anos. Também serão abordadas supostas ligações de Jesus com figuras políticas importantes do Império Romano, como o imperador Tibério. O livro se baseia em um manuscrito conhecido como A História Eclesiástica de Zacharias Rhetor (de Mitilene), que esteve no Museu Britânico desde 1847, até ser transferido para a Biblioteca Britânica há cerca de duas décadas. A sinopse fornecida pela editora descreve a obra como uma "história de detetive histórica", uma ficção que traz a primeira tradução para o inglês do manuscrito redescoberto na Biblioteca Britânica. De acordo com Barrie Wilson em seu site, o texto está escrito em siríaco — um dialeto do aramaico — e "data do século VI, mas foi traduzido de um manuscrito grego muito mais antigo". “Os estudiosos têm conhecimento disso há quase 200 anos, mas ainda não sabem o que fazer com ele”, afirma Wilson. As teorias que defendem o casamento de Maria Madalena com Jesus têm origem em uma passagem do Evangelho de Felipe, um dos livros apócrifos (que foram deixados de lado pela tradição católica), no qual os dois personagens aparecem se beijando. Em 2012, a descoberta de um papiro que mencionava a “esposa de Jesus” reascendeu a discussão. Embora o documento tenha sido considerado falso pelo jornal L'Osservatore Romano, publicação oficial do Vaticano, cientistas da Universidade Columbia, da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) publicaram neste ano um estudo que descarta a possibilidade de falsificação. Não há no papiro nenhuma indicação do nome da "esposa de Jesus".

Grupo Safra compra edifício emblemático de Londres por R$ 3 bilhões

Edifício 'The Gherkin' tem 180 metros de altura e 41 andares

O grupo Safra, controlado pela família do banqueiro brasileiro Joseph Safra, anunciou nesta segunda-feira a compra do edifício The Gherkin, um dos mais emblemáticos do bairro financeiro da City de Londres, também conhecido por "Torre do Pepino". O imóvel, de escritórios em forma de ogiva, foi posto à venda em julho por cerca de 650 milhões de libras (2,62 bilhões de reais). Os termos do acordo entre o Safra e a empresa imobiliária Deloitte Real Estate não foram divulgados. No entanto, segundo o jornal britânico Financial Times, a compra superou a marca de 726 milhões de libras (3 bilhões de reais). O arranha-céu, projetado pelo arquiteto britânico Norman Foster, foi inaugurado em 2004, possui 180 metros de altura, 41 andares e 47.000 m² de escritórios. É considerado um dos ícones da arquitetura contemporânea. "Em apenas dez anos, este edifício tornou-se um marco de Londres e se distingue de outros no mercado com excelente potencial de crescimento", afirmou o Safra em comunicado. "A aquisição de 30 St Mary Axe (nome oficial) reforça nossa estratégia de investir em propriedades imobiliárias que são fortemente especiais - com as melhores localizações dentro de grandes cidades", acrescentou. No mês passado, o Grupo Safra e a empresa de laranja Cutrale acertaram a compra da Chiquita Brands, produtora de bananas com sede nos Estados Unidos, por 1,3 bilhão de dólares.

Petrobras anuncia descoberta de óleo em campo do Ceará

Campo terrestre de Fazenda Belém, na Bacia Potiguar, foi arrematada pela Petrobras em 1998

A Petrobras fez nova descoberta de óleo no campo terrestre de Fazenda Belém, na Bacia Potiguar, no Ceará. A descoberta foi comunicada à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na última sexta-feira. Este é o segundo comunicado de descoberta na área em menos de um mês - no final de outubro, a estatal já havia indicado à agência reguladora ter encontrado mais indícios de óleo na região. A descoberta foi feita no poço nominado tecnicamente de 3BRSA1277CE, onde também foram registrados os indícios em outubro. Este é o terceiro poço perfurado na região. A área foi arrematada pela Petrobras em 1998. Após descobertas de óleo em 2013 nos campos terrestres da Fazenda Belém, a estatal prevê em seu plano estratégico reforçar investimentos na região.

Na campanha, a candidata Dilma mentiu sobre redução de desmatamento

Twitter Dilma

A campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) foi pontuada por uma intensa maquiagem de dados. Pós-urnas, já com a vitória assegurada, alguns deles começaram a aparecer, como o aumento nos índices de miséria no Brasil depois de dez anos. Agora, um dado mais estarrecedor veio à tona: segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, a então candidata Dilma Rousseff mentiu sobre dados de desmatamento no país. No dia 19 de outubro, a petista escreveu em sua conta no Twitter: "Com relação aos dados sobre desmatamento, divulgaremos os mesmos em novembro e antecipo que houve uma queda". Porém, segundo os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),foram desmatados 1.626 quilômetros quadrados na Amazônia em agosto e setembro, o que representa aumento de 122% sobre o mesmo período de 2013.

Supremo Tribunal Federal autoriza o bandido mensaleiro Valdemar Costa Neto a cumprir pena em casa

Valdemar Costa Neto, condenado pelo STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, atendeu nesta segunda-feira o pedido da defesa do ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e autorizou que o bandido mensaleiro cumpra em casa o restante da pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele está preso em regime semiaberto desde dezembro de 2013 no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) do Distrito Federal. Com a decisão do ministro, o ex-parlamentar passará a cumprir o restante da pena de sete anos e dez meses em regime aberto, no qual o preso deve passar as noites em uma Casa de Albergado. Como não há nenhum estabelecimento desse tipo em Brasília, ele cumprirá pena em sua residência. A progressão de regime é concendida a presos com bom comportamento, que já cumpriram um sexto da pena. O ex-deputado bandido mensaleiro cumpriu dez meses e 18 dias e teve 155 dias de pena descontados porque trabalhou e estudou durante o tempo de prisão. "Diante do exposto, defiro a progressão para o regime aberto ao condenado Valdemar Costa Neto, condicionada à observância das condições a serem impostas pelo Juízo competente para a execução, considerado o procedimento geral utilizado para os demais condenados que cumprem pena no Distrito Federal", afirmou o ministro. Antes de deixar a cadeia, Costa Neto deverá receber instruções sobre o regime aberto em uma audiência na Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas (Vepema), em Brasília. Entre outros regras, ele deve permanecer em casa das 21 horas às 5 horas e não frequentar bares. Os bandidos petistas mensaleiros José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, e ainda Jacinto Lamas, já cumprem pena em regime aberto.

PIB MIXURUCA – Mercado antevê crescimento de apenas 0,2% neste ano e de 0,8% em 2015

Os economistas ouvidos pelo Banco Central para o relatório Focus desta semana reduziram as estimativas de crescimento econômico deste ano e de 2015. Para 2014, a média das projeções passou de 0,24% para 0,2%, enquanto para o ano que vem a expectativa agora é de expansão de apenas 0,8% – ante 1% esperada na semana passada. Nesta semana, os analistas mudaram a estimativa para a taxa básica de juros ao fim do ano, de 11% para 11,5%, depois de o Banco Central elevar os juros para 11,25% ao ano na última reunião. Para 2015, a expectativa se mantém em 12%. Com isso, a inflação esperada para este ano caiu, já que o aumento da Selic é uma das ferramentas para conter o avanço dos preços ao consumidor. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está agora em 6,39% para este ano – ante 6,45% na semana anterior. Mesmo assim, ela continua muito próxima do limite da meta, de 6,5%. Contudo, para 2015 o mercado aumentou a perspectiva com relação aos preços, com inflação esperada de 6,4%, acima dos 6,32% apontados no Focus anterior. A projeção do mercado para o dólar também subiu, passando de 2,45 reais para 2,50 reais no fim deste ano e de 2,55 reais para 2,60 reais em 2015.

Libanês é apontado pelos Estados Unidos como coordenador do Hezbollah no Brasil

O comerciante Farouk Abdul Hay Omairi anda pelas ruas de Foz do Iguaçu (PR) sem ser notado. Parece ser apenas mais um morador de origem árabe. Seguidor de costumes muçulmanos, sua mulher usa véu. Os filhos estão sempre por perto. E quase todos tentam ajudar o pai a remontar seu negócio, uma agência de viagens. A empresa ia bem até junho de 2006. Foi quando veio a público comunicado do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos sobre a rede de financiamento da organização terrorista islâmica Hezbollah na Tríplice Fronteira. Nove nomes foram listados. Farouk Omairi estava entre eles. Segundo o texto, o libanês, que tinha 61 anos e vivia no Brasil, era ligado ao tráfico internacional de drogas. Farouk seria ainda mais perigoso: foi apontado como o principal membro da organização terrorista islâmica Hezbollah na região. Uma espécie de coordenador da comunidade. Farouk era a “figura-chave” para obtenção de documentos falsos, tanto no Brasil como no Paraguai, que eram usados nas requisições de naturalização nos dois países. Naquele mesmo ano de 2006, a Polícia Federal abriu inquérito no Brasil. Mas o caso era apenas envolvimento com narcotráfico. No ano seguinte, o libanês, que fala francês e árabe fluentemente, foi preso por ordem judicial. Era a Operação Camelo, da Polícoa Federal. O filho Kaled Omairi também foi detido. Outro filho, Ahmad, menor de 21 anos, fugiu. Os três da família Omairi foram condenados por associação para o tráfico internacional. Farouk pegou 12 anos de prisão, e foi parar, ao lado de Kaled, no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande. Na época, estava no mesmo presídio o traficante Fernandinho Beira-Mar. O envolvimento de Farouk com o financiamento do terrorismo chegou a ser citado no processo, mas não se transformou em uma acusação formal. Mesmo assim, o setor de inteligência da Polícia Federal tratou de monitorar a vida do libanês. Os policiais se mantinham informados sobre quem visitava Farouk na cadeia federal, quando e quantas vezes. Relatório de inteligência lista encontros dele com advogados e parentes em Campo Grande. Hora e duração das conversas foram registradas e repassadas para a área de inteligência da Polícia Federal. Oficialmente tratado apenas como um traficante que cumpria pena, Farouk teve direito a passar para o regime semiaberto e, em 2012, ganhou as ruas no regime aberto, sendo obrigado a se apresentar regularmente à Justiça. Recentemente, seus advogados pediram autorização para que ele possa cruzar a Ponte da Amizade e ir ao Paraguai. A alegação é que Farouk precisa tocar os negócios de turismo, o que não poderia ser feito sem idas ao país vizinho. O advogado Oswaldo Loureiro de Mello Júnior diz que Farouk prefere não falar sobre as acusações. "Isso é propaganda negativa para ele. Seria levantar a poeira que está assentando, e ele quer recuperar a empresa”, diz o advogado: “Aquela história foi um inferno na vida dele”. Mello Júnior sustenta que o cliente sempre negou qualquer ligação com a organização terrorista islâmica Hezbollah, nem teve coragem de se aproximar de outros presos na cadeia: “Ele pode até ser um criminoso (por conta da condenação por tráfico), mas não é um vagabundo. Usa camisa Lacoste, frequenta restaurantes, fala outras línguas, é um homem comum que não ia se meter com preso de facção". O advogado ainda alega que Farouk só foi denunciado porque uma mulher com quem manteve relacionamento o delatou às autoridades. A agência de viagens do libanês foi usada para emitir passagens internacionais para pessoas que, mais tarde, foram presas por envolvimento com narcotráfico. No processo, ele é citado como sendo responsável pela montagem de esquema de envio de “mulas”, pessoas contratadas para levar drogas à Europa e à Jordânia. Mello Júnior sustenta que o cliente emitiu passagens, mas sempre negou ter ligação com remessa de cocaína ao Exterior. O filho Ahmad Omairi até hoje é considerado foragido da Justiça, e a defesa ainda conta que o crime dele pode prescrever porque, na época dos crimes, tinha menos de 21 anos.

José Eduardo Cardozo não pode ser ministro por falta de biografia e de bibliografia; acusar o PMDB é só tramoia intelectual de seus amiguinhos

Tento aqui conter lágrimas de emoção, mas não consigo. Ocorre sempre que me deparo com uma flagrante injustiça. Antes que eu me prepare para a batalha, vem a comoção. E qual é o motivo da hora? Os amigos de José Eduardo Cardozo agora espalham na imprensa que é a banda de malvados do PMDB que tenta inviabilizar a sua indicação para o Supremo Tribunal Federal. Sim, Dilma quer nomear o seu ministro da Justiça para a vaga de Joaquim Barbosa. Prudentemente, perguntou a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, se o seu “Porquinho”, como ela o chamou certa feita, seria aprovado. Ele mandou dizer que não. A resistência partiria de setores insatisfeitos do PMDB com a atuação da Polícia Federal e com a suposta falta de atenção do Planalto aos pleitos dos peemedebistas nos palanques regionais. Assim, os lobistas voluntários e involuntários de Cardozo espalham a patacoada de que a resistência a seu nome se deveria à sua impecável atuação à frente do Ministério da Justiça. Só pode ser comédia. É coisa de chanchada. Não sei quais seriam os senadores do PMDB que hoje resistiram a Cardozo. Não me interessam os seus motivos privados ou mesmo partidários. Sei, e isto me basta com folga, que este senhor não tem nem biografia nem bibliografia para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Já há outros por lá que também não têm nem uma coisa nem outra? Há, sim. Então cabe a pergunta: por que havemos de ter mais? Chega a ser escandaloso que a presidente pense em indicar para o posto o homem que foi um de seus coordenadores de campanha eleitoral há meros quatro anos, ocasião, então, em que ela o apelidou de um de seus “Três Porquinhos” — os outros dois eram Antonio Palocci e José Eduardo Dutra. Posso imaginar na eventual cerimônia de posse — que, espero, não aconteça — a chefe do Executivo a cumprimentar um dos 11 membros do tribunal maior brasileiro: “Parabéns, meu Porquinho”. Ele responde o quê? (?) “Oinc, oinc?”. “Est modus in rebus”, como diria o poeta. As coisas têm de ter uma medida. Estão escrevendo muita besteira por aí sobre a bolivarizanização do Brasil, recorrendo ao estranho método de negar identidades a partir das diferenças. Aí fica fácil, não é? Como também é fácil afirmar identidades a partir de semelhanças. Pelo primeiro critério, dá para provar que o nazismo e o fascismo não se confundiam; pelo segundo, a gente consegue provar que não há diferenças entre um homem e um porco. Quem compara tem de buscar identidades nas diferenças e diferenças nas identidades. Controlar a corte suprema do País é pressuposto dos regimes autoritários da moderna América Latina. Há o País em que essa corrente atingiu o seu estado de arte — e de desastre: a Venezuela —, e há os países em que essa mesma tendência se pronuncia de maneira menos intensa. A corte suprema do país não pode servir de esbirro de um partido político. Precisa contar com o concurso de juristas independentes, que tenham sua trajetória marcada pelo apuro intelectual na área e que não se prestem ao proselitismo vulgar. Mais: em seu campo de atuação, as pessoas indicadas têm de ter dado provas de competência. A gestão de Cardozo no Ministério da Justiça é desastrosa, para usar um adjetivo modesto. As mais recentes evidências apontam, por exemplo, que o movimento terrorista Hezbollah atua em parceria com o PCC. Tudo sob as barbas e a pança deste senhor, que assistiu, inerme, à explosão do número de homicídios no País. Que resposta ele ofereceu? Tentar fazê-lo, agora, vítima dos malvados do PMDB é uma piada de quinta categoria. Cardozo não pode ser ministro porque não tem biografia e bibliografia para isso. Chego a ter fundados receios de que ele não conhece direito nem mesmo a Constituição. Os motivos íntimos do PMDB e dos peemedebistas não me interessam. Cardozo não pode ser ministro é por sua própria falta de méritos. Por Reinaldo Azevedo

Petrolão – Dez pessoas, que eram apenas subordinadas, podem devolver até R$ 500 milhões aos cofres públicos. Imaginem quanto dinheiro não foi parar nos cores do PT, do PMDB e do PP, partidos para os quais trabalhavam

Quinhentos milhões de reais! Sim, R$ 500 milhões. Esse é o montante que 10 pessoas que negociam acordos de delação premiada, no curso da investigação do petrolão, podem devolver aos cofres públicos. Três pessoas respondem por R$ 165 milhões desse montante. O engenheiro Paulo Roberto Costa se comprometeu a devolver R$ 70 milhões, que correspondem aos US$ 25,8 milhões que ele tem depositados no exterior. O doleiro Alberto Yousseff aceita ressarcir os cofres públicos em R$ 55 milhões. Outros R$ 40 milhões virão das contas de Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal. Sete outras pessoas que estão colaborando com a investigação responderiam pelo resto. É assombroso! Atenção, meus caros! Nenhuma dessas 10 pessoas era chefe do esquema. Até agora, não se sabe quem estava na ponta do petrolão. Eram todos operadores que trabalhavam para partidos políticos. Três dessas legendas monopolizavam o dinheiro da propina: PT, PMDB e PP. Segundo Paulo Roberto, a maior parte da grana era enviada mesmo ao Partidos dos Trabalhadores. Esses prováveis R$ 500 milhões nada têm a ver com o dinheiro dos políticos. Essa grana toda foi desviada, reitere-se, por simples operadores, por peixes de tamanho médio. Se esses dez, que trabalhavam para outros e eram apenas subordinados, conseguiram amealhar R$ 500 milhões, imaginem quanto não foi roubado pelos chefes. Ou melhor: não dá nem para imaginar. Mas a gente tem algumas pistas. Tudo indica que a obra que mais serviu a roubalheira foi a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Só para lembrar: ela estava orçada em US$ 2,5 bilhões e já custou mais de US$ 20 bilhões. Chega a ser um milagre que o Brasil ainda não tenha sucumbido. Não! Essa dinheirama toda não inclui os políticos envolvidos no esquema. Como eles têm direito a foro especial por prerrogativa de função, seus respectivos nomes foram enviados ao Supremo Tribunal Federal. O relator do caso é o ministro Teori Zavascki. Consta que o papelório chegou a seu gabinete e por lá foi ficando, sem consequências até agora. Vamos ver. Vai ser difícil tentar assar alguma pizza no Supremo — embora, a depender das personagens por ali, a gente possa esperar sempre o pior. Será difícil porque os 10 que ou já fizeram acordo de delação ou estão em vias de fazê-lo trabalhavam para alguém: no caso, trabalhavam para políticos e para partidos. Não roubaram apenas para si mesmos. Ao contrário: roubavam para o esquema criminoso e pegavam uma parcela a título, digamos, de corretagem. Nunca houve nada parecido no país, seja em organização, seja em volume de roubalheira. Em entrevista recente, o ainda ministro Gilberto Carvalho saiu a choramingar, afirmando que há uma campanha de ódio contra o seu partido, que, segundo ele, é tratado por setores da imprensa como se tivesse inventado a corrupção. É claro que não! O PT não seria tão criativo. Não inventou, não! Mas, sob os seus auspícios, a roubalheira se profissionalizou. Virou método. Virou sistema. Virou até coisa de, como é mesmo?, “heróis do povo brasileiro”. Cumpre lembrar uma vez mais: enquanto se desenvolvia a investigação do mensalão, enquanto corria o julgamento e eram declaradas as condenações, o petrolão funcionava a todo vapor. Impressionante, não é mesmo? Acabou, sim, havendo punições no mensalão petista, mas não deixa de ser uma piada que todos os políticos envolvidos na sujeira já estejam em prisão domiciliar ou perto de consegui-la, e os não-políticos do chamado núcleo financeiro estejam na cadeia. Será que a banqueira Katia Rabelo e o publicitário Marcos Valério teriam conseguido operar o mensalão sozinhos? Afinal, não eram os políticos que trabalhavam para eles, mas eles é que trabalhavam para os políticos. No meu conjunto de valores, os homens públicos deveriam ser punidos como mais rigor porque fraudaram, além de tudo, a boa-fé de quem depositou neles a sua confiança. Vamos ver o que vai acontecer desta vez. A propósito: e aí, ministro Zavascki? Esse negócio anda, ou vai ficar criando bolor aí no seu gabinete? Celeridade, homem! Ou os EUA, que também investigam a Petrobras, acabam concluindo o seu trabalho primeiro. Por lá se tem respeito com o dinheiro do contribuinte. E isso vai ser um vexame adicional. Por Reinaldo Azevedo

Mais uma conquista do PT: Petrobras é alvo de uma dupla investigação nos EUA — uma delas é do Departamento de Justiça. Suspeita: corrupção!

Ai, ai… Vamos lá. Sérgio Machado só se licenciou — e consta que não volta ao cargo — da presidência da Transpetro, uma subsidiária da Petrobras, porque a Price ameaçou deixar de auditar o balanço da empresa. A decisão seria informada à SEC (Securities Exchange Commission), que é órgão regulador do mercado de capitais nos EUA. Seria o que mesmo que banir a empresa do mercado americano. Pois é… Quem diria? As leis em vigor nos EUA, um país onde não há estatais, podem servir para coibir a sem-vergonhice no Brasil — ainda que isso signifique um vexame para o nosso país e seu povo. A coisa agora subiu de patamar. O Departamento de Justiça dos EUA e a própria SEC estão investigando é a Petrobras mesmo, a empresa-mãe. As autoridades daquele país querem saber se a estatal brasileira ou algum de seus representantes, empregados, intermediários ou afins violaram a FCPA (Foreign Corrupt Practices Act). O que vem a ser esse FCPA? Trata-se de um conjunto de regras de combate à corrupção que têm de ser seguidas por empresas americanas ou que negociam suas ações em bolsas americanas. A Petrobras, como é sabido, atua na Bolsa de Nova York. A notícia foi publicada pelo Financial Times. Os advogados ouvidos pelo jornal afirmam que a FCPA deve investigar a contabilidade da empresa e seus controles internos. Caso se constatem irregularidades, pode haver responsabilização civil e criminal. No momento em que duas comissões de inquérito no Congresso podem resultar em nada, o Brasil passa pela humilhação de ver a sua principal empresa investigada por dois órgãos americanos. E não porque os EUA estejam se imiscuindo em assuntos internos. Nada disso! Acontece que uma gigante como a Petrobras precisa estar no mercado americano, e isso supõe a obediência a algumas regras. Nunca antes na história deste País, como diria aquele notório senhor, uma empresa pública brasileira mereceu tamanha distinção: ser investigada tanto pelo órgão que regula o mercado de ações nos EUA como pelo Departamento de Justiça daquele país. Lula e os petistas sempre prometeram levar o Brasil a patamares inéditos, não é mesmo? Não se pode dizer que não estejam cumprindo a sua promessa. A Petrobras atravessa, sem dúvida, um dos momentos mais delicados de sua história. Como todos já sabemos, foi assaltada por uma verdadeira quadrilha. Durante a campanha eleitoral, a candidata Dilma Rousseff, ora presidente reeleita, chegou a sugerir que os que apontavam lambanças na empresa estariam empenhados em privatizá-la. Infelizmente, era só mais uma mentira de campanha. Por Reinaldo Azevedo