quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Aliados destacam importância de mobilização e liderança de Aécio Neves

Na primeira reunião das forças de oposição após as eleições presidenciais deste ano, promovida pelo PSDB nesta quarta-feira (5), representantes de partidos que integraram a Coligação Muda Brasil e outros líderes políticos que apoiaram a candidatura do senador Aécio Neves no segundo turno ressaltaram o fortalecimento garantido pelas urnas ao movimento em favor de mudanças. Sob o comando do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, que obteve 51 milhões de votos no segundo turno da disputa presidencial, o evento realizado no auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados ficou lotado. Aécio Neves fez questão de dividir a cena com seus aliados de oposição, dando a palavra a pelo menos um representante de cada um dos partidos presentes. O líder do Democratas na Câmara, deputado federal Mendonça Filho (PE), disse que “a oposição deve intensificar sua mobilização”, seguindo o recado dado pelas urnas. Para o democrata, a somatória entre uma atuação forte da oposição no Congresso – como exemplo, ele citou a derrubada do Decreto 8.243 que regulamentava a criação de conselhos populares proposto pela presidente Dilma – e a
participação efetiva de líderes oposicionistas nas manifestações populares é a chave para que o ambiente de forte politização seja mantido. Para o líder do DEM, “2018 começa agora”. E acrescentou: “É consenso que Aécio saiu das eleições maior do que entrou. Ele empenhou bandeiras muito boas”, disse. Já a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), que disputou o governo do Rio Grande do Sul e apoiou desde o primeiro turno a candidatura de Aécio Neves, o presidente do PSDB é um político que reúne características de líder e de estadista. “Aécio é um jovem que conquistou 51 milhões de brasileiros. Ele faz política com o coração e com a razão, o que mostra que ele consegue ser, ao mesmo tempo, um líder e um estadista. Ele carrega a emoção de todos os que estão ao seu lado”, declarou. O presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SP), lembrou um episódio da campanha presidencial que, segundo ele, retrata a diferença que há entre o apoio popular autêntico recebido pelas candidaturas de Aécio Neves e da petista Dilma Rousseff. “Nosso primeiro ato de campanha foi em uma fábrica na cidade de São Paulo. Lá, o Aécio Neves foi carregado nos braços pelos trabalhadores, tamanha a aceitação às suas propostas. No começo da campanha nós tínhamos que correr atrás dos trabalhadores; depois, eles que nos procuravam para saber o que tínhamos a dizer. O PT, por sua vez, fez discursos esvaziados nas portas de fábricas, já que as pessoas não queriam ouvir os líderes deles”, disse. Segundo Paulinho, Aécio Neves trouxe de volta esperança aos brasileiros. O deputado acrescentou que, entre os objetivos das oposições, está o de cobrar que Dilma Rousseff cumpra suas promessas de campanha: “Vamos ver se ela consegue fazer a economia crescer e se apresenta uma proposta concreta para o fator previdenciário”. O vice-governador eleito de Pernambuco, Raul Henry (PMDB), elogiou a postura de Aécio Neves durante a campanha presidencial e destacou que o tucano defendeu o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que governou o Brasil entre 1995 e 2002 e foi o responsável pela criação de bases que ajudaram na modernização do País. “Nós temos o privilégio de termos você para liderar um grupo de pessoas que quer mudança no País”, declarou. Na avaliação do presidente nacional do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP), a união das oposições que se vê atualmente no Brasil é um momento histórico. “Nós demos voz à indignação das ruas. Somos uma oposição democrática que surge de uma eleição renhida, e que emerge com força e com perspectivas históricas duradouras. Vamos derrotar o PT na luta democrática”, disse. A defesa da democracia também foi apontada como prioridade pelo candidato do PSC à Presidência da República, Pastor Everaldo, identificado por Aécio Neves como “alguém que sensibilizou e que falou a todo o Brasil sobre a necessidade de mudança”. “Nós acreditamos na força do povo brasileiro e na capacidade de construirmos um país melhor do que o que está aqui. Vamos, sempre dentro da democracia”, ressaltou.

Aécio Neves diz no Plenário do Senado Federal: "Assistimos ao despertar de um novo País, crítico, sem medo e mobilizado"

O primeiro discurso do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), no plenário do Senado após as eleições de 2014, nesta quarta-feira (5/11), foi marcado pelo agradecimento aos 51 milhões de brasileiros que confiaram em sua candidatura à Presidência da República. Aécio afirmou que o Brasil assistiu ao despertar de um novo país nas urnas – crítico, sem medo e mobilizado, com voz e convicções. “Esse é o fato mais marcante, extraordinário e maravilhoso dessas eleições, que a história haverá de registrar: nós assistimos ao despertar de um novo país. Um país sem medo. Um país crítico. Um país mobilizado. Um país com voz e convicções. Um país que não aceita mais o discurso e a propaganda que tenta sempre justificar o injustificável. Que tenta esconder a realidade. O Brasil que saiu das urnas é um novo Brasil, onde os brasileiros descobriram que podem eles próprios ser protagonistas do seu próprio destino”, avaliou. Aécio Neves destacou que viveu uma das jornadas mais importantes de toda a sua trajetória política, “a mais difícil e desafiadora que um homem com responsabilidade pública pode protagonizar”. “Estou agradecido e honrado pela manifestação de mais de 51 milhões de brasileiros de todas as nossas regiões, de todos os municípios, de todas as idades e classes sociais, que viram na nossa candidatura a possibilidade de construir um caminho melhor, para mudar de verdade o Brasil”, disse. Aplaudido pelos parlamentares presentes, o discurso teve vários apartes, entre eles dos senadores Pedro Taques (PDT-MT), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Cyro Miranda (PSDB-GO), Ana Amélia Lemos (PP-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF), Magno Malta (PR-ES), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Sérgio Petecão (PSD-AC). Ao final do pronunciamento, Aécio Neves foi saudado pelo deputado federal Beto Albuquerque (PSB-PE), vice-candidato à Presidência da República na chapa de Marina Silva.  Aécio Neves destacou que, durante sua campanha, se colocou como alternativa na defesa de um Estado mais eficaz, valorizando a transparência e a meritocracia no serviço público, a retomada de reformas para a modernização da economia, uma agenda de desenvolvimento sustentável, a maior participação do investimento privado na infraestrutura, a manutenção e o avanço dos programas sociais. “Também me posicionei na firme defesa de valores que foram aviltados dia após dia. Na busca da recuperação da ética atropelada pelo vale-tudo político, na preservação do interesse público, tão vilipendiado por interesses privados e partidários, e no combate sem tréguas à corrupção, que atinge níveis como nunca antes se viu no País”, ressaltou. Para Aécio Neves, a disputa presidencial com a atual presidente da República, Dilma Rousseff, foi desigual, “em que os detentores do poder usaram despudoradamente o aparato estatal para se perpetuarem, por mais quatro anos, no comando do País”. “Esta é a verdade. Adotou-se um vale-tudo nunca antes visto na nossa história. Nossos adversários cumpriram o aviso dado ao país, de que nas eleições se pode “fazer o diabo”. E fizeram. Mostraram que não enxergam limites na luta para se manter no poder”, salientou. “No geral, o que se assistiu foi uma campanha baseada no estímulo ao ódio – um projeto amesquinhado e subordinado ao marketing do medo e da ameaça. Tentaram, a todo custo, dividir o país ao meio, entre pobres e ricos, entre Nordeste e Sudeste, como se não fôssemos um só povo, um só país, uma só esperança de tempos melhores”, lamentou. O senador acrescentou que a principal arma dos adversários na disputa eleitoral foi a mentira. “Mentiram sobre o passado para desviar a atenção do presente. Mentiram para esconder o que iriam fazer tão logo passasse as eleições. Fomos acusados de propostas que nunca fizemos. Assistimos a reiteradas tentativas de reescrever a história, sempre nos reservando o papel de vilões que jamais fomos, e não somos. No entanto, não demorou muito para que a máscara começasse a cair”, disse.
Aécio Neves lembrou que as insistentes negativas da presidente Dilma Rousseff quanto à alta dos preços e os riscos do crescimento inflacionário caíram por terra quando o Banco Central, apenas três dias após as eleições, elevou os juros para tentar conter o avanço da inflação. “Para a presidente, em sua campanha, elevar os juros era retirar comida do prato dos mais pobres. Pois bem. Se isso era verdade, foi o que ela fez logo que ganhou as eleições: prejudicando os brasileiros mais carentes. E sabia que iria fazer isso”, exemplificou. Em seu discurso, Aécio Neves afirmou que três compromissos fundamentais vão orientar a nova oposição que se estrutura: o compromisso com a liberdade, com a transparência e com a democracia. “Este talvez seja o grande desafio do Brasil do nosso tempo: ser uma nação que garanta direitos dignos dos cidadãos. O Brasil real exige providências efetivas que resgatem os direitos das pessoas à vida, à dignidade. Basta de tanta omissão. Chega de terceirizar responsabilidades e penalizar Estados endividados e municípios à beira do colapso financeiro”.  O senador acrescentou ainda que a oposição irá retomar o seu trabalho a partir de já com o ânimo redobrado. “Nossa travessia não terminou. Nós não vamos nos dispersar. Faremos uma oposição incansável, inquebrantável, intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, acompanhar, cobrar e denunciar. Vamos combater sem tréguas a corrupção que se instalou no governo brasileiro. E, mesmo sendo minoria no Congresso, vamos lutar para que o país possa avançar nas reformas e nas conquistas que precisamos alcançar”, disse. E completou: “É hora de olhar para frente. De cuidar do presente, para prover o futuro que o Brasil e os brasileiros merecem ter. A cada brasileiro e a cada brasileira que foi às ruas. Que vestiu as cores da nossa bandeira. Que enfrentou as calúnias e constrangimentos de um exército pago nas redes sociais. Que com alegria e esperança defendeu a mudança, a ética, e a união dos brasileiros. A cada um de vocês, digo em nome dos companheiros da oposição, agora e a cada dia dos próximos anos, estaremos presentes. Vamos em frente, juntos sempre, por um Brasil melhor que o Brasil atual”.

Transposição do Paraíba do Sul é, sim, possível, diz ANA, conforme afirmava Alckmin

Ô, bem-vindo, Vicente Andreu, às hostes do bom senso. Até outro dia, a ANA, Agência Nacional de Águas, que ele preside, se calava sobre a pretensão de São Paulo de interligar a represa Jaguari, da bacia do Paraíba do Sul, com Atibainha, do Sistema Cantareira. O Rio de Janeiro recusa a proposta porque o Paraíba é o principal manancial do Estado. Técnicos do governo de São Paulo sustentam que é possível conciliar os interesses dos dois Estados. Pois é… Nesta quarta-feira, na CPI da Sabesp, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, Andreu afirmou que a ligação é, sim, tecnicamente viável — e isso quer dizer que, segundo a ANA, que é um órgão federal, isso, de fato, não prejudicaria o Estado do Rio de Janeiro. Ainda bem que Andreu, que é oriundo da CUT, resolveu se comportar como chefe de uma agência reguladora, que não deve ter partido. Durante a eleição, ele foi protagonista de uma cena lamentável. Convidado pela bancada do PT a dar um depoimento na Assembleia Legislativa, Andreu chegou a dizer que São Paulo corria o risco de ter de tirar água do lodo, acusando o governo do Estado de estar usando a “poupança” de água. Hoje, falou com seriedade. Por Reinaldo Azevedo

Não existe acordo entre governo e oposição na CPI para preservar políticos

Olhem aqui: é importante não confundir alhos com bugalhos. Vocês vão ler em toda parte que governistas e oposicionistas fizeram um acordo na CPI Mista da Petrobras para não convocar políticos, restringindo os requerimentos a pessoas ligadas à Petrobras e ao doleiro Alberto Youssef. Aqui e ali, já li até que um pizzão estaria em curso. Bem, de vez em quando, a gente consegue dar uma boa notícia. Não é nada disso. De fato, entre possíveis convocados, que ficaram fora da lista, estão medalhões como a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Havia também a possibilidade de se convocar Leonardo Meirelles, ex-operador de Youssef, segundo quem Sérgio Guerra, já morto, ex-presidente do PSDB, também teria recebido propina. Os parlamentares entenderam que esses nomes, se aprovados — e, claro!, seria preciso passar pela sólida maioria governista — iriam monopolizar as atenções da comissão, e todo o resto pareceria irrelevante. Acho o argumento procedente. Até porque, convenham, os nomes dos políticos, para valer, devem sair da delação premiada. Não creio que verdades bombásticas venham à tona no âmbito na comissão. Nesse caso, mais importante é entender, se possível, a mecânica da quadrilha. Ou alguém acredita que Gleisi ou Vaccari possam dar alguma contribuição relevante? A comissão tem até 22 de dezembro para votar o relatório. Nada impede — e as oposições já estão comprometidas com isto — que se instaure outra CPI na nova Legislatura. Aliás, isso parece fatal. Na segunda é que se vai ver se a base governista continua a sabotar a CPI: serão votados os requerimentos para ouvir Sérgio Machado, presidente licenciado da BR Distribuidora, e Renato Duque, o petista que comandava a diretoria de Serviços. Segundo Paulo Roberto Costa e Youssef, era ele quem cuidava da propina para os petistas, em parceria com Vaccari. Por Reinaldo Azevedo

Quando a imprensa nega o fato escandalosamente óbvio e publica a versão falsa

É, os dias não andam nada fáceis. Na terça-feira, às 21h28, num furo nacional, publiquei em meu blog que o TSE havia autorizado, por unanimidade, a auditoria nas eleições. Sim, fui o primeiro. Passados alguns minutos, para meu espanto, eu lia em todos os grandes portais de notícias: “TSE libera dados da eleição, mas nega auditoria”. Como? Era uma notícia absurda, mentirosa, fruto da ignorância ou da má-fé! O tribunal deixava claro que todos os dados do pleito estariam à disposição do PSDB, que vai indicar um grupo de peritos para fazer a auditoria — o partido convidou, aliás, representantes de outras legendas para integrar a equipe. Eu afirmava uma coisa, e o resto da imprensa, sem exceção, outra. Ou eu estava errado ou o resto da imprensa. E, devo deixar claro, eu estava certo. Na raiz da confusão, havia apenas uma questão: os tucanos haviam pedido que os dados fossem tornados disponíveis para uma comissão formada por todos os partidos. O TSE recusou apenas isso porque entendeu, na prática, que o PSDB não poderia fazer uma solicitação em nome das outras legendas. No mais, todos os pedidos do partido foram aceitos, e todas as hipóteses que apontam para insegurança do sistema serão testadas. É uma auditoria, sim. Infelizmente, a imprensa só se deu por vencida quando o site do próprio TSE publicou um texto com o seguinte título: “TSE aprova auditoria do PSDB sobre sistemas eleitorais de 2014”. E lá se lia o seguinte conteúdo: “Por unanimidade de votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu, na sessão desta terça-feira (4), pedido do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para que a sigla tenha pleno acesso aos sistemas de votação, apuração e totalização dos votos das eleições de 2014 para que o partido possa, se desejar, realizar uma auditoria própria". Todos os ministros, sem exceção, notaram que é vital dar credibilidade ao sistema. Para tanto, salientaram que a sociedade merece, sim, uma resposta. Foi uma vitória importante dos cidadãos decentes, daqueles que não subordinam sua vontade e sua inteligência a aparelhos oficiais. É lamentável que a imprensa como um todo tenha demorado até dar a notícia certa. Isso deve nos levar à reflexão. Por que é assim? Às vezes, a gente tem a impressão de que uma notícia, antes de chegar ao público, passa por uma espécie de comitê de censura… espiritual! Erraram todos aqueles que satanizaram o povo na rua. Os grandes derrotados da terça-feira foram o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que fez a respeito um dos pareceres mais absurdos da história do Ministério Público, e o corregedor do TSE, João Otávio de Noronha, que decidiu falar fora dos autos. E se comporta de modo lamentável aquela parte da imprensa que trata cidadãos justamente indignados como se fossem golpistas. Eu espero que a auditoria prove a segurança das urnas. É melhor para o Brasil que assim seja. Mas é vital para o país que os eleitores confiem no sistema. É o que pede a democracia. Por Reinaldo Azevedo

Doleiro confirma delação de Paulo Roberto Costa: senadora petista recebeu R$ 1 milhão do esquema do Petrolão

 
O doleiro Alberto Youssef afirmou em sua delação premiada que deu R$ 1 milhão para a campanha de 2010 da ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi eleita senadora naquele ano. Alvo central da Operação Lava Jato, o doleiro disse que o valor foi entregue a um empresário, dono de shopping em Curitiba (PR), em quatro parcelas: três no centro de compras e outra na casa dele, em um condomínio de alto padrão da capital paranaense. A afirmação de Youssef confirma o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, também em delação premiada, de que em 2010 recebeu pedido “para ajudar a campanha” de Gleisi, conforme revelou o Estado. Segundo ele, foi o marido da senadora, o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, quem fez a solicitação. Youssef confirmou esse pedido e disse ter viabilizado a entrega do valor. O ex-diretor e o doleiro são réus do processo que apura superfaturamento, desvios, lavagem de dinheiro, corrupção e propina na Petrobrás. O esquema, sob comando de PT, PMDB e PP, abasteceu outros partidos, como PSDB e PSB, segundo os delatores – ambos buscam redução de pena em troca das confissões e da colaboração com fatos novos nos processos. Gleisi e Bernardo negam o pedido e o recebimento dos valores. A ex-ministra sustenta não conhecer o doleiro nem nunca ter tido contato com ele ou com o esquema sob investigação da Justiça Federal.Depois de eleita em 2010, Gleisi se licenciou do Senado no começo de 2011 para assumir o cargo de ministra chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff – cargo que ocupou até o começo do ano, quando saiu para disputar o governo do Paraná. A petista ficou em terceiro lugar na disputa, com 14,9% dos votos. Naquela época, Bernardo era titular de Planejamento, Orçamento e Gestão do governo do ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações"). Em sua delação, Paulo Roberto Costa lembrou o fato de Bernardo, em 2010, ser ainda ministro do Planejamento. Com o início do governo Dilma, em 2011, o petista foi transferido para a pasta das Comunicações. O ex-diretor da Petrobrás disse que o repasse de R$ 1 milhão para a campanha da senadora “se comprova” na inscrição que ele próprio lançou em sua agenda pessoal, apreendida pela Polícia Federal no dia 20 de março, três dias depois da deflagração da Lava Jato. Numa página do caderno de Costa consta, entre outras, a seguinte anotação: “PB 0,1”. Segundo o delator da Lava Jato, o registro significa “Paulo Bernardo, R$ 1 milhão”. Youssef, por sua vez, afirmou que os valores foram entregues ao empresário indicado por Bernardo por um emissário seu, que não teve o nome revelado. Os investigadores da Lava Jato acreditam que a quantia de R$ 1 milhão supostamente destinada à campanha de Gleisi em 2010 foi entregue em espécie. Eles procuram o emissário de Youssef, responsável pela entrega do dinheiro, para confirmar os pagamentos. Paulo Roberto Costa já concluiu o processo de delação, após sucessivos depoimentos a um grupo de procuradores da República. Youssef decidiu seguir o mesmo caminho e ainda está fazendo declarações. Em seu relato, o ex-diretor da Petrobrás disse que o dinheiro para a campanha de Gleisi saiu de uma cota equivalente a 1% sobre o valor de contratos superfaturados da Petrobrás. Esse valor, afirmou Paulo Roberto Costa, era da “propina do PP”, partido da base aliada ao governo Dilma que foi presidido pelo deputado José Janene (PR), morto em 2010. Ele foi líder do PP na Câmara e réu do mensalão no Supremo Tribunal Federal. Youssef contou em seu depoimento à Justiça Federal que Paulo Roberto Costa, apesar de cuidar do 1% destinado ao PP na diretoria de Abastecimento, “muitas vezes tinha que atender a pedidos do PMDB e do PT”.

Texto no site do TSE confirma: É, SIM, AUDITORIA, COMO EU HAVIA INFORMADO

Ontem, fui o primeiro a publicar neste blog que o TSE tinha autorizado uma auditoria. Depois começou o show de desinformação em portais, sites, blogs etc. Reafirmei que se tratava de um auditoria. Uns idiotas resolveram me acusar de querer negar os fatos. É mesmo? Então que se leia o texto publicado no próprio TSE, cujo título é este: “TSE aprova auditoria do PSDB sobre sistemas eleitorais de 2014”

Vale dizer. É uma auditoria. E fim de conversa. Só não se formou a “comissão de partidos” porque se considerou que não poderia ser o partido a pedi-la. Leiam trechos. Volto em seguida.
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Por unanimidade de votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu, na sessão desta terça-feira (4), pedido do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para que a sigla tenha pleno acesso aos sistemas de votação, apuração e totalização dos votos das eleições de 2014 para que o partido possa, se desejar, realizar uma auditoria própria. Os ministros entenderam, no entanto, que a solicitação da sigla para que fosse formada uma comissão pluripartidária para a análise comum dos dados não pode ser atendida, pois o PSDB não tem legitimidade jurídica para atuar em nome de outros partidos.
Ao apresentar voto pela aprovação dos itens solicitados pelo partido no pedido, o presidente do Tribunal, ministro Dias Toffoli, salientou que a legislação eleitoral e as resoluções do TSE 23.397 e 23.399, ambas de 2013, que tratam, respectivamente, da cerimônia de assinatura digital e dos atos preparatórios das eleições, entre outras questões, já davam total acesso aos partidos políticos, coligações, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aos dados requisitados.
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Votos dos ministros
Ao votar, a ministra Rosa Weber afirmou que a transparência deve nortear toda a atuação do Poder Judiciário, “o que está retratado na ampla normatividade deste TSE e nas cautelas adotadas no que diz respeito a sistemas informatizados de votação e apuração de votos”. A ministra Maria Thereza Assis Moura também acompanhou integralmente o voto do ministro Dias Toffoli, parabenizando-o.
Também o ministro Napoleão Nunes Maia Filho acentuou que “a transparência deve estar presente em todos os procedimentos do Judiciário e em particular da Justiça Eleitoral, especialmente em uma situação como esta, em que as coisas evoluem no rumo de gerar incertezas e dúvidas”.
Ao votar, o ministro Henrique Neves salientou que todo o processo de votação eletrônica foi editado, elaborado, preparado pelo TSE há mais de seis meses. Sustentou que “se o sistema eleitoral permite, de um lado, toda essa fiscalização, ele não é imune a boatos”. Disse que os votos são gravados na urna sem a identificação do eleitor nem do horário. “Todo esse cuidado é feito pela Secretaria de Tecnologia da Informação que desenvolve esses programas durante seis meses perante todos os fiscais dos partidos políticos”.
A ministra Luciana Lóssio afirmou que “um dos pilares da Justiça Eleitoral brasileira é a transparência. É importante que não só nós, da Justiça Eleitoral, mas também todos os cidadãos tenham a real dimensão da importância que isso é”.
O ministro Gilmar Mendes disse que a decisão tomada nesta noite “não trata de valorar o que está na internet, mas se levar em conta o que está na internet sobre a credibilidade do sistema. Lendas urbanas passam a prosperar como objeto de campanha. Não se trata de emprestar credibilidade a essas lendas urbanas, mas desmistificá-las”.
Em seu voto, o ministro Dias Toffoli fez um histórico da implantação da urna eletrônica no país, iniciada nas eleições municipais de 1996. Destacou ainda que, no período de 180 dias antes do primeiro turno das eleições, os partidos políticos, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público puderam acompanhar todas as fases de especificação e de desenvolvimento dos sistemas no TSE. Em caso de dúvidas e questionamentos técnicos durante o processo, tiveram inclusive a oportunidade de solicitar análises e respostas à Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do Tribunal.
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Retomo
E por que se procurou negar o óbvio? Bem, isso tem de ser indagado àqueles que procuraram desinformar os leitores. Uma coisa é certa: a imprensa estava pautada contra a pretensão do PSDB. Até uma associação que se diz de jornalistas investigativos tratou com agressividade os que cobram nas ruas transparência do sistema, imputando-lhe a pecha de pessoas inconformadas com o resultado das urnas. Quando jornalistas investigativos preferem sentenciar em vez de investigar, há algo de errado, não é mesmo? Por Reinaldo Azevedo

Dilma se reúne com Lula para discutir ministérios

A presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta terça-feira com o ex-presidente e alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações") na Granja do Torto, em Brasília, para montar o quebra cabeça de seu novo ministério. Com dificuldade para definir o sucessor de Guido Mantega na Fazenda, Dilma pode ser obrigada a adiar a escolha para quando voltar da viagem a Brisbane, na Austrália, onde participará da reunião do G-20 entre os próximos dias 15 e 16. Lula apresentou a Dilma uma lista de indicações para vários cargos. Na sua avaliação, a presidente deve emitir rapidamente sinais para acalmar o mercado financeiro, assustado com as incertezas na economia. O governo também está preocupado com as pressões do PMDB, que deve lançar o deputado Eduardo Cunha (RJ), desafeto de Dilma, à presidência da Câmara. No diagnóstico dos petistas, o vice-presidente Michel Temer - que se reuniu nesta terça-feira com deputados e senadores do PMDB - não consegue enquadrar as duas alas do partido. Lula recomendou à sua afilhada mais diálogo com os aliados e recomendou a ela cuidado com as rebeliões no Congresso. Na opinião de Lula, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem perfil ideal para ocupar o Ministério da Fazenda. O economista Nelson Barbosa, que foi secretário executivo da Fazenda e é outro nome cotado, só aceitaria o cargo se o secretário do Tesouro, Arno Augustin, ficasse fora da equipe. Nelson e Arno tiveram vários atritos quando trabalharam juntos. Dilma, porém, já deu sinais de que pretende manter o mandrake trotskista gaúcho Arno Augustin no governo, embora em outro posto, podendo até mesmo puxá-lo para o Planalto. O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, por sua vez, recusou o convite para substituir Mantega, de acordo com relatos obtidos pelo Estado. No xadrez que vem sendo montado por Dilma, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), está cotado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD) - que vai se reunir com a presidente nesta quarta-feira - pode ocupar o Ministério das Cidades. Lula, no entanto, gostaria de ver em Cidades o petista José Di Filippi Júnior, hoje secretário municipal da Saúde em São Paulo. O governador do Ceará (PROS), Cid Gomes, conversou nesta terça-feira com Dilma, no Palácio do Planalto, e tem o nome citado para o Ministério da Educação. Pobre educação brasileira.... O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto (PT), só não será transferido para a Secretaria Geral da Presidência se não quiser. Dilma vai se reunir com dirigentes de todos os partidos da base aliada, nos próximos dias. Nesta quinta-feira, ela receberá as bancadas do PT na Câmara e no Senado e os governadores eleitos do partido, no Palácio da Alvorada.

Dilma avalia indicações e PMDB cobra espaço no governo

Enquanto a presidente Dilma Rousseff discute com os assessores mais próximos e com o antecessor, o alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, no seu livro "Assassinato de Reputações"), a composição do ministério no segundo mandato, dirigentes do PMDB exigem tratamento igual ao dado ao PT na divisão de pastas a partir de janeiro. Ao mesmo tempo, a ala do partido do vice-presidente Michel Temer refratária ao governo articula na Câmara a eleição do líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ), para a presidência da Casa a partir de fevereiro. O PMDB alega ser mais que um aliado e, por isso, considera ter direito a ministérios de “porta fechada” – isto é, domínio total da pasta, sem que o titular seja de um partido e o secretário executivo, primeiro cargo abaixo do ministro, de outro. “Não somos aliados como o governador Cid (Gomes, do PROS). Somos governo. O governo elegeu o presidente e o vice-presidente. Nós somos governo”, afirmou Temer, horas depois de o cearense ser recebido por Dilma no Palácio do Planalto e dizer aos jornalistas que sugeriu a criação de uma frente de esquerda, com pelo menos 50 deputados, para “ajudar na governabilidade e reduzir o espaço da pressão que muitas vezes beira até a chantagem”. O plano de Cid, avalizado pelo Planalto, tem como objetivo reduzir a dependência do governo em relação às bancadas do PMDB no Congresso – em especial da Câmara, onde estão a maioria dos insatisfeitos do partido. Consequência disso é a articulação do líder da legenda para viabilizar sua candidatura à presidência da Casa. Nesta terça-feira, Eduardo Cunha obteve adesão de quatro partidos – PR, PTB, Solidariedade (SD) e PSC – para sua pretensão. As siglas elegeram 152 dos 513 deputados da próxima legislatura e acertaram a manutenção do “blocão” que, desde 2013, tem dificultado a vida do governo na Casa. “Se a gente não pode divergir, não temos uma democracia”, disse Eduardo Cunha, ao explicar que a conversa girou em torno de uma proposta de “autonomia” para a Câmara. No Senado, os peemedebistas também se reuniram e acertaram a tática de atuação em conjunto. O presidente da Casa e candidato à reeleição, Renan Calheiros (AL), esteve com colegas de bancada como Valdir Raupp (RO), Lobão Filho (MA), Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE), respectivamente líder do governo e do PMDB no Senado. À noite, dirigentes do partido jantaram com Michel Temer. Nesta quarta-feira, o conselho político da sigla vai reunir governadores, deputados e senadores atuais e eleitos, a fim de unificarem o discurso em torno da reforma política. O PMDB rejeita a tese de plebiscito defendida por Dilma. A presidente, por sua vez, ainda tenta fechar o quebra-cabeças da equipe do segundo mandato. Reunida com Lula e o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) na Granja do Torto, nesta terça-feira, recebeu do antecessor indicações para vários cargos e o conselho de que é preciso dar sinais o quanto antes para acalmar o mercado, ansioso em saber quem será o ministro da Fazenda.

Aécio Neves: "O governo da presidente Dilma venceu as eleições perdendo e eu e a Marina Silva perdemos vencendo"

Derrotado na eleição presidencial de outubro, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) voltou ao Senado na tarde desta terça-feira acompanhado por cerca de 600 militantes tucanos. Logo na entrada, Aécio afirmou que a derrota para a presidente Dilma Rousseff fortalece na oposição e se declarou "revigorado" com o retorno após uma semana de folga: "O governo da presidente Dilma venceu as eleições perdendo e eu e a Marina Silva (PSB) perdemos vencendo". Na rápida entrevista que deu no corredor de acesso ao plenário da Casa, Aécio Neves criticou a forma como o governo Dilma atuou durante a campanha eleitoral. Segundo ele, os ataques do PT inviabilizam um diálogo produtivo entre a base aliada e a oposição. "Esse governo, pela forma como agiu na campanha eleitoral, de uma forma absolutamente desrespeitosa e absolutamente temerária em relação aos beneficiários de programas sociais, que estiveram permanentemente ameaçados de perder os benefícios se nós vencêssemos as eleições, não os legitimam para uma proposta de diálogo sem que o conteúdo das propostas seja conhecido", disse o senador. Por diversas vezes, o tucano aproveitou para cutucar a petista: "A presidente Dilma deve tomar muito cuidado, senão seu governo chega no dia primeiro de janeiro com cheiro de fim de festa". Aécio Neves sinalizou que uma das bandeiras que pretende carregar na volta ao Senado passa pela "transparência na economia", o combate à corrupção e a cobrança de melhoria dos indicadores sociais. "Seremos intérpretes da pauta da sociedade brasileira. O Brasil discutiu uma agenda, que passa pela transparência na economia, a melhoria dos nossos indicadores sociais, por uma investigação profunda e dura de todas as denúncias que aí estão a pulular todos os dias. Essa é a agenda da sociedade brasileira, nós vamos estar prontos para defendê-la", destacou. O tucano fez questão de exaltar a liberdade de imprensa como uma das suas principais linhas de atuação no Parlamento. Ele também ressaltou que é um defensor "intransigente" da democracia. "A nossa posição será sempre em defesa intransigente da democracia, das liberdades, contra qualquer tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa e de quaisquer outras liberdades, sejam coletivas ou individuais", disse. Ao final da entrevista, Aécio Neves disse que não faria um pronunciamento na tribuna do Senado nessa terça-feira. Ele subiu para seu gabinete, que fica no Anexo I da Casa. Logo depois, ele se reuniu com aliados em seu gabinete, para discutir como será a atuação do PSDB no Congresso após as eleições. Um dos temas em pauta é a eleição para a presidência da Câmara e do Senado no ano que vem. A avaliação dos presentes, entre eles o líder do PSDB na Câmara, deputado federal Antônio Imbassahy (BA), é que a oposição saiu fortalecida das urnas e voltará ao Congresso com mais poder do que durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). Em uma avaliação de como o partido precisa se organizar para chegar fortalecido em 2018, Aécio Neves disse que será preciso manter a mobilização vista durante a eleição, principalmente entre os mais jovens. Segundo o senador, o PSDB tem de incentivar a juventude tucana a disputar os diretórios acadêmicos para fazerem o debate político dentro das universidades. "Não podemos deixar isso desidratar", afirmou.

PETIÇÃO QUER INVESTIGAÇÃO DO PETROLÃO PELO FBI

Nova petição no site da Casa Branca cobra investigação nos Estados Unidos sobre o escândalo do Petrolão devido às perdas causadas pelo esquema de corrupção na estatal brasileira a investidores estrangeiros. Ações da Petrobras são negociadas na Bolsa de Nova York e a denúncia de desvios bilionários, nos governos Lula e Dilma, também afetou a reputação da empresa no mercado de capitais americano. Acionistas da Petrobras podem cobrar prejuízos na Justiça dos Estados Unidos se for confirmado o envolvimento de dirigentes da estatal no Petrolão. A iniciativa pede que o FBI, a Polícia Federal dos Estados Unidos, e a SEC, a Comissão de Valores Mobiliários de lá, façam “rigorosa investigação”. Caso atinja a marca de 100 mil assinaturas até o dia 30 de novembro, a petição passará por análise da Casa Branca e terá resposta oficial. Outra iniciativa pede um posicionamento sobre o avanço bolivariano no Brasil e deve ter resposta oficial, pois já superou 133 mil assinaturas.

Sem clima, a petista Marta Suplicy deve deixar o Ministério da Cultura

A ministra da Cultura, a socialite petista Marta Suplicy, confirmou que irá deixar o cargo e reassumirá o mandato de senadora. Marta foi duramente criticada pelo PT por fazer corpo-mole durante a campanha do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Apesar de a notícia ter se espalhado, a assessoria do ministério disse “desconhecer essa situação” e completava informando que estava mantida na agenda desta quarta-feira a cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural com a presença da socialite Marta Suplicy.

Vence a voz dos decentes, e TSE autoriza auditoria, mas prefere chamar o procedimento de “rosa”. Ou: GOLPISTA UMA OVA!

Milhares pedem nas ruas decência, não golpe (Foto: Gabriela Biló/Etadão)
Milhares pedem nas ruas decência, não golpe (Foto: Gabriela Biló/Estadão)
É claro que o TSE cedeu à reivindicação do PSDB e autorizou uma auditoria nas eleições. A voz das pessoas decentes, que foram às ruas, venceu. O tribunal nega que seja uma auditoria porque precisa, digamos assim, preservar a pose do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e do corregedor do tribunal, João Otávio de Noronha, que haviam emitido opiniões absurdas a respeito. O segundo falou fora dos autos. O outro misturou alhos com bugalhos e especulou até sobre preconceito regional, num parecer meio aloprado. Conhecem a piada? Se o bicho tem focinho de gato, se mia como gato, se tem patas de gato, se tem rabo de gato, é bem provável que seja um gato — é só naquele desenho animado que um gambá pode ser confundido com um bichano. Atenção! O TSE cedeu a rigorosamente todos os pedidos do PSDB, com exceção de um, e é isso que está gerando a confusão meramente semântica. O partido havia pedido que os dados da eleição fossem tornados disponíveis a uma comissão formada por partidos políticos. Não haverá essa comissão. Mas o PSDB indicará um grupo de peritos que terão acesso a todas as informações — até onde se sabe, rigorosamente todas. As dúvidas suscitadas e as múltiplas denúncias de irregularidades poderão ser confrontadas com o sistema, para saber se ele é seguro. É o que as ruas estavam pedindo. Sabem o nome disso? Auditoria! Ou seja: gato. Mas o TSE quer que se chame de outra coisa. Como já citei aqui, certa estava, neste particular ao menos, Julieta, a adolescente maluquete de Shakespeare: se a rosa tivesse outro nome, ainda assim, teria igual perfume. O TSE não quer chamar a auditoria de “auditoria”. Pois que a chame “rosa”. E, no entanto, será uma auditoria. Não se trata, é bom que fique claro, de uma recontagem de votos — até porque, no sistema eletrônico, o procedimento nem seria exatamente esse. Trata-se de averiguar se as muitas denúncias de irregularidades procedem ou não; se o sistema está ou não sujeito a intercorrências externas. Ninguém quer derrubar a presidente Dilma Rousseff por isso. Não é e nunca foi esse o intento. A menos, claro, que se chegue a uma fraude. O ponto é e sempre foi outro. É mentira que as pessoas que estão protestando nas ruas, cobrando a auditoria, integrem, como chegou a afirmar, lamentavelmente, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), “grupos insatisfeitos com o resultado das eleições presidenciais”. De saída, lembro que, nas democracias, “grupos insatisfeitos com o resultado das eleições” podem, sim, se manifestar, desde que o façam dentro dos limites legais. Mas não! Não era e não é o caso! Os cidadãos querem saber mais sobre o sistema das urnas eletrônicas — um direito legítimo — e pedem o impeachment de Dilma na hipótese, e só nesta hipótese, de que ela soubesse dos desmandos na Petrobras. Ela não sabia? Então fica. Ela sabia? Então sai. Leis existem e têm de ser cumpridas. Não é uma operação tão complexa. Também é mentira que os que pedem intervenção militar dêem a direção do protesto. Essa é uma distorção lançada no mercado de idéias pelo jornalismo “parapetista”, cuja militância é mais pernóstica porque não é clara. Afirma-se como dado de realidade o que é só uma distorção ideológica deliberada. João Otávio de Noronha, corregedor do TSE, estava errado — aliás, é o primeiro a reconhecê-lo. Afinal, votou a favor da auditoria, que pretende seja chamada de outro nome. Rodrigo Janot, procurador-geral da República estava errado. A auditoria não enfraquece a democracia nem põe sob suspeição o resultado das eleições. Na verdade, ela vai fortalecer a confiança das pessoas nas urnas eletrônicas caso não se encontrem falhas. Os que tentaram colar no povo a pecha de golpistas foram derrotados pelos fatos e pela mobilização nas ruas e nas redes sociais. É esse o caminho. Por Reinaldo Azevedo

Aneel reduz em 25% projeção de ganho de energia para 2014

Hidrelétrica de Jirau encerrará o ano com 18 turbinas ligadas, menos da metade da previsão inicial

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi obrigada a reduzir em quase 25% o volume de energia que deveria ser adicionado ao parque elétrico nacional neste ano por causa de atrasos em grandes obras de geração de energia. Em janeiro, a Aneel havia projetado acrescentar um total de 10.126 megawatts (MW) de potência à matriz elétrica do País, atualmente em 132 mil MW. No fechamento de outubro, porém, a agência revisou sua previsão e reduziu a 7.641 MW o volume para todo o ano de 2014. A perda de 2.485 MW deve pressionar ainda mais as usinas térmicas, que desde o ano passado operam a plena carga para tentar aliviar o estado crítico dos níveis de água nos reservatórios das hidrelétricas. A redução no volume de energia previsto pela Aneel foi puxada, principalmente, pelo atraso nas operações da hidrelétrica de Jirau, em construção no Rio Madeira, em Porto Velho (RO). A usina, cujo projeto prevê a operação de 50 turbinas quando estiver concluída, fechará 2014 com 18 turbinas ligadas, quando seu cronograma previa que 40 turbinas estivessem em operação até o fim deste ano. No cronograma de operações de Jirau, afirma a Aneel, os atrasos chegam a 24 meses. "Dos 2.482,81 MW de diferença, um montante de 900 MW pode ser explicado por alteração na previsão das UGs (unidades de geração) da hidrelétrica Jirau", afirma a Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração da Aneel, em seu primeiro boletim do ano. O consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), proprietário da usina de Jirau, informou que, na semana passada, colocou a sua 16ª turbina em operação comercial e que, dessa forma, teria "zerado o atraso em relação ao cronograma inicial de leilão do projeto". Um processo da ESBR, em andamento na Aneel, pede à agência a reconsideração do cronograma original da usina por causa de paralisações ocorridas durante a construção da hidrelétrica. Outro projeto atrasado destacado pela órgão de fiscalização é a termelétrica Maranhão III, usina que tem capacidade total de 518 MW. O projeto, que pertencia ao empresário Eike Batista, atualmente é controlado pela empresa Eneva. A térmica a gás instalada no Maranhão está com suas obras concluídas e já recebeu autorização da Aneel para iniciar os testes de geração em suas três turbinas. O problema é que as obras de acesso ao campo de gás que vai alimentar suas máquinas não foram concluídas a tempo. Por meio de nota, a Eneva informou que tem trabalhado com a empresa PGN, responsável pelas obras de acesso ao combustível, "a fim de otimizar a produção de gás natural, considerando o cenário atual de alto despacho termelétrico no Brasil". As negociações, segundo a empresa, incluem medidas como gestão dos poços existentes e perfuração de outros. O Ministério de Minas Energia minimizou, porém, as preocupações com a revisão de aumento de energia previsto pela agência. Em nota, o ministério fez uma distinção entre o acompanhamento feito pela Aneel e pelo ministério. "É necessário que fique claro que o trabalho da Aneel é fiscalizar os empreendimentos e o do ministério é estabelecer a melhor data para considerar os empreendimentos no planejamento da operação, bem como realizar ações com o objetivo de garantir essas datas e reduzir os atrasos das obras", informou o ministério. "A estimativa do ministério para expansão da geração para o ano de 2014 definida no mês de dezembro de 2013 foi de 6 mil MW, valor que já foi alcançado no mês de outubro de 2014, quando atingimos 6.003,84 MW".

Cid Gomes defende frente de esquerda contra o PMDB

 Governador do Ceará, Cid Gomes

Provável integrante da equipe ministerial de Dilma Rousseff no segundo mandato, o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), esteve com a petista nesta terça-feira no Palácio do Planalto e defendeu a formação de um bloco de esquerda para fazer frente à ala rebelde do PMDB. De acordo com o governador, sua eventual nomeação não foi discutida no encontro. Acompanhado do governador eleito do Ceará, Camilo Santana, Cid afirmou que sua disposição é passar uma temporada nos Estados Unidos, como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento. "Eu disse para ela que a minha disposição pessoal é passar uma temporada fora, mas que quero nesses dois meses ajudá-la a superar talvez o que eu considere o maior desafio de governo dela", afirmou, referindo-se à articulação de partidos para enfrentar o PT no Congresso: "Acho que nesses dois meses Dilma vai passar grandes dificuldades por conta de sentimentos raivosos, que atribuem a ela insucessos eleitorais", afirmou. Por isso, disse o governador do Ceará, seria importante ter uma frente ou um novo partido de esquerda que reduzisse a influência do PMDB: "Acho que essa articulação para reduzir um pouco a estratégia dos que querem prejudicá-la, prejudicar o país, prejudicar o governo, é importante. Eu quero ajudá-la nisso", declarou. O governador acredita que pode atrair parlamentares de siglas como o PDT, o PCdoB, o PSB e o PSOL. "O ideal para mim seria a gente compor inicialmente uma frente que possa depois evoluir para um partido", disse ele. A iniciativa do governador cearense é paralela à estratégia do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) de refundar o PL, também para fortalecer a base de apoio ao governo Dilma. É impressionante a pretensão desse aspirante caricato a coronelzinho nordestino.

José Dirceu passa a cumprir pena em casa

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, na chegada à Vara de Execuções Penais em Brasília, para audiência com o juiz que irá liberá-lo para cumprir o restante de sua pena em casa, em regime aberto - 04/11/2014

Condenado a sete anos e onze meses no julgamento do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil e bandido petista mensaleiro José Dirceu vai agora cumprir o restante da pena em casa. Ele assinou na tarde desta terça-feira um termo na Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que o libera para a prisão em regime domiciliar, já autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. O ex-ministro passou onze meses e vinte dias atrás das grades. Relator do processo do mensalão, o ministro Luís Roberto Barroso autorizou na semana passada o benefício ao mensaleiro. José Dirceu trabalhou e estudou na cadeia, o que resultou no abatimento de parte dos dias da sentença – o ex-ministro só teria direito a progredir para o regime aberto em março de 2015. Outros condenados do “núcleo político” do esquema, o ex-tesoureiro do extinto PL, Jacinto Lamas, e o ex-deputado federal Bispo Rodrigues, também já cumprem a pena em casa. Somente o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto aguarda autorização do ministro Barroso para ter o mesmo benefício. Para cumprir a pena em casa, o condenado deve, via de regra, assumir o compromisso de morar no endereço declarado e avisar qualquer mudança, permanecer recolhido das 21 horas até as 5 horas da manhã e ficar recluso nos domingos e feriados por período integral nos primeiros meses da pena. Em maio, durante mais uma tentativa de desqualificar as condenações proferidas pelo STF no julgamento do mensalão, a defesa do ex-ministro da Casa Civil chegou a apresentar recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o Estado brasileiro de violação de direitos.

Preço do petróleo tem a maior queda em três anos

Com excesso de oferta, OPEP ainda não chegou a um consenso sobre como sustentar preços do petróleo

Os contratos futuros de petróleo alcançaram o menor preço em três anos nesta terça-feira, após a Arábia Saudita surpreender os mercados no começo da semana ao cortar o preço de seu petróleo bruto vendido nos Estados Unidos. Os contratos futuros encerraram a sessão com queda de 2,16%, para 82,95 dólares por barril, depois de recuarem 3,7%, para 75,84 dólares por barril, o menor nível desde 4 de outubro de 2011. "Aparentemente, a Arábia Saudita está agora se concentrando mais em defender sua participação no mercado dos Estados Unidos", disseram analistas do Commerzbank em nota. Eles ressaltaram a decisão pode representar um problema para o Canadá, México e Venezuela, que são outros dos principais fornecedores de petróleo para os Estados Unidos, e para produtores de petróleo de xisto. Os analistas acrescentaram que é provável que a Venezuela, em particular, entenda a queda do preço do petróleo como uma afronta: "O país abastece principalmente o mercado norte-americano e foi um dos poucos membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a exigir que sejam tomadas medidas para escorar os preços de petróleo". A OPEP muitas vezes ajusta os níveis de produção para sustentar os preços. Mas, diante de um excesso global de petróleo, o bloco não chegou a um consenso sobre o corte na produção mesmo com a queda dos preços. De acordo com David Hufton, da PVM, a OPEP deve permitir que os preços "caiam para o nível que vai estimular a demanda e desencorajar nova oferta".

Conselho de Ética da Câmara abre processo contra três petistas

Rui Costa (PT), eleito governador do estado da Bahia

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou nesta terça-feira processo por quebra de decoro contra três deputados do PT baiano: Afonso Florence, Nelson Pellegrino e Rui Costa, que no mês passado foi eleito governador da Bahia. A decisão foi motivada pela reportagem de VEJA que revelou a existência de um esquema de desvio de recursos públicos para beneficiar petistas no Estado. Os relatores de cada caso serão decididos nos próximos dias. As chances de os processos terem algum desfecho até o fim do ano são próximas de zero. “Se a defesa usar todo o prazo a que tem direito, ultrapassará o prazo regimental para que esses casos sejam concluídos ainda nessa legislatura”, afirmou o presidente do colegiado, Ricardo Izar (PSD-SP). Dos três parlamentares baianos, Florence é o único que foi eleito para um novo mandato na Câmara. Pellegrino será suplente. VEJA mostrou a confissão de Dalva Sele Paiva, que coordenava a ONG Instituto Brasil e operou o esquema de desvios por meio de um convênio com o governo baiano. Os recursos usados para abastecer os caixas e os bolsos do PT somaram 17,9 milhões de reais. O dinheiro pertencia ao Fundo de Combate à Pobreza e deveriam ser destinados à construção de casas populares. O Conselho de Ética também adiou a análise do pedido de abertura do processo contra o deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). Por falta de quórum, o caso não foi analisado.O site de VEJA mostrou como o peemedebista admitiu, em gravações, receber 100.000 reais mensais desviados de um convênio com a ONG Casa Espírita Tesloo, que administrava o sistema de cartão único da assistência social no município. As investigações do caso também mostraram que Bethlem possui uma conta na Suíça. O relatório do deputado Paulo Freire (PR-SP) pede a cassação do peemedebista. Mas a legislatura pode se encerrar sem que o caso tenha um desfecho.

Ministério Público denuncia Adriano por tráfico de drogas

Adriano, em uma de suas fotos mais recentes, nas redes sociais

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro denunciou, na tarde desta terça-feira, o atacante Adriano, o Imperador, pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Em julho de 2008, logo após voltar ao Brasil para defender o São Paulo, o craque deu de presente uma moto para o chefão do Morro da Chatuba, no Complexo da Penha, Paulo Rogério de Souza Paz, conhecido como Mica. Agora, o juiz da 29ª Vara Criminal é quem vai decidir se aceita a denúncia. Se isso acontecer, Adriano poderá ser condenado a até 15 anos de prisão. A moto, modelo Hornet 600, foi comprada em uma loja no bairro de Vicente de Carvalho, na Zona Norte, por 35 000 reais. Na verdade, o jogador adquiriu duas: uma ficou com ele em São Paulo, e a outra foi colocada em nome de Marlene Pereira de Souza, uma senhora analfabeta, que jamais teve carteira de motorista, mas que era mãe do traficante. Além de Adriano foram denunciados o próprio Mica e um amigo do jogador, Marcos José Oliveira. De acordo com a denúncia do promotor Alexandre Murilo Graça, foi Marcos que, "sob as ordens e de posse dos documentos pessoais e de um cartão de crédito do primeiro denunciado (Adriano Leite Ribeiro) foi até a empresa Motocar – Moto Carioca Ltda, localizada na Rua Intendente Magalhães, nº 739, em Vicente de Carvalho, local onde adquiriu duas motocicletas Honda, modelo CB600 (uma na cor preta e outra na cor vermelha, numa clara alusão ao clube de preferência do 1º denunciado)", descreve. O uso frequente de motos por parte de criminosos é base para a denúncia feita pelo Ministério Público. "​Os traficantes necessitavam de veículos velozes, em especial motocicletas, pela agilidade no tráfego, que fossem legalizados e não levantassem suspeitas quando transitassem fora das comunidades dominadas pela organização criminosa. Nesse contexto, os denunciados e Paulo Rogério entabularam a aquisição das motocicletas CB 600, sendo que estas não poderiam ser apreendidas, uma vez que proveniente de valores em tese recebidos de forma lícita pelo primeiro denunciado e com a documentação formalmente regular", descreve o promotor. Na denúncia, a promotoria diz ainda que o jogador e seu amigo "se associaram aos traficantes em atividade na Vila Cruzeiro, com a finalidade de facilitar o tráfico ilícito de drogas e as atividades afins". Os envolvidos também responderão por falsificação de documentos.