terça-feira, 17 de junho de 2014

PETRÓLEO SALTA DE 3% PARA 13% DO PIB BRASILEIRO EM 14 ANOS

A Petrobras informou que a participação do setor de petróleo e gás natural no Produto Interno Bruto (PIB) saltou de 3% em 2000 para 13% hoje, principalmente, por causa dos investimentos realizados pela própria petroleira. A afirmação fez parte da palestra do diretor de Gás e Energia da estatal, José Alcides Santoro, em evento do setor que ocorre de 15 a 19 de junho, na Rússia. Mesmo a política de conteúdo nacional sendo um obstáculo para a Petrobras, o diretor da estatal atribuiu a ela o crescimento no PIB. A lei exige a aquisição de um porcentual mínimo de bens e serviços no próprio mercado brasileiro. Segundo Santoro, até 2020 a estatal irá contratar 28 sondas de perfuração, 32 plataformas de produção, 154 navios de apoio de grande porte e 81 navios-tanque, todos construídos no Brasil. O plano de investimento da Petrobras é de 220,6 bilhões de dólares entre 2014 e 2018.

LUIS ROBERTO BARROSO, O NOVO RELATOR DO PROCESSO DO MENSALÃO DO PT, JÁ CRITICOU PENAS E DISSE QUE O JULGAMENTO FOI "PONTO FORA DA CURVA"

Escolhido por sorteio o novo relator do Mensalão do PT e o responsável por acompanhar a execução das penas dos condenados, o ministro Luís Roberto Barroso já criticou publicamente as sentenças do julgamento e acusou os ministros da corte de ampliar as punições para impedir a prescrição do caso. Em junho do ano passado, quando foi sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o então advogado e procurador do Estado do Rio de Janeiro afirmou que o Mensalão do PT havia sido um “ponto fora da curva”. Indicado pela presidente Dilma Rousseff, Barroso estreou no Supremo minimizando a dimensão da trama criminosa do Mensalão do PT. Na época, afirmou que o escândalo de corrupção foi, “sem margem de erro, o mais investigado de todos”, e não um “evento isolado na vida nacional”. “É impossível exagerar a gravidade e o caráter pernicioso de tudo que aconteceu, porém, a bem da verdade, é no mínimo questionável a afirmação de se tratar do maior escândalo político da história do País”, disse na época. Barroso foi um dos responsáveis, ao lado do ministro Teori Zavascki – à época, os dois novatos da corte –, por rever a condenação pelo crime de formação de quadrilha de alguns presos, entre eles os bandidos petistas José Dirceu e José Genoino. “Considero que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas no crime de quadrilha, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. A causa da discrepância foi o impulso de superar a prescrição do crime de quadrilha”, disse. Como novo relator do Mensalão do PT, Barroso poderá decidir se revê ou não a decisão de Joaquim Barbosa, que revogou a autorização para o trabalho externo dos mensaleiros antes do cumprimento de um sexto das penas. Ele também poderá dar a palavra final sobre o pedido de prisão domiciliar em favor do ex-presidente do PT, o bandido José Genoino. Embora tenha rejeitado embargos em benefício do petista, Luís Roberto Barroso disse, em plenário, “lamentar” manter parte das condenações de José Genoino, um político, segundo ele, “que participou da resistência à ditadura no Brasil em um tempo em que isso exigia abnegação e envolvia muitos riscos”. “Lamento condenar alguém que participou da reconstrução democrática do País. Lamento, sobretudo, condenar um homem que, segundo todas as fontes confiáveis, leva uma vida modesta e jamais lucrou financeiramente com a política", afirmou em um de seus votos.  Porta-voz de uma das principais bandeiras petistas no Congresso Nacional, a reforma política, o novo relator do Mensalão do PT também já utilizou seus votos na corte para criticar os altos custos das campanhas políticas. No STF, chegou a afirmar que o julgamento do Mensalão do PT e a condenação de empresários e políticos podem ter sido inúteis se não houver nova legislação que impeça desvios dos cofres públicos.

REFEIÇÃO EM BARES E RESTAURANTES FICA MAIS CARA NO MÊS DA COPA DO MUNDO

Nas últimas duas semanas, a inflação em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre tem sido puxada, entre outros itens, pela variação dos preços em bares e restaurantes. Com a Copa do Mundo e a maior movimentação de pessoas assistindo aos jogos fora de casa, os preços podem avançar ainda mais. Em São Paulo, a inflação de bares e restaurantes foi de 1,02% na pesquisa da primeira semana de junho e 0,90% na pesquisa da segunda semana, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A variação apurada se refere ao aumento de preços registrado nas últimas quatro semanas anteriores à divulgação, tecnicamente chamada de inflação quadrissemanal. No caso do Rio de Janeiro, os preços subiram 0,68% na primeira semana e 0,59% na segunda semana. As refeições em bares e restaurantes de Porto Alegre registraram inflação de 0,28% na primeira semana e 0,83% na segunda semana. À primeira vista, o número pode parecer baixo, mas, segundo a FGV, o item aparece entre os principais que contribuíram para a inflação no período. O índice oficial de inflação (Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA) de junho ainda não foi divulgado, mas até maio acumula alta de 3,33%. As refeições fora de casa registraram aumento de preços de 4,33%, um ponto porcentual acima do IPCA. A alimentação fora de domicílio, que também inclui o consumo de bebidas, doces e outros, subiu 4,46% no ano.

SANTA CATARINA DECRETA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA EM 41 MUNICÍPIOS

O governo de Santa Catarina reconheceu 41 municípios em situação de emergência por causa dos temporais que atingiram o Estado. As cidades de Guaramirim e Rio Negrinho decretaram estado de calamidade pública. Segundo a Defesa Civil Estadual, 42 cidades foram atingidas e 406 mil pessoas foram afetadas com as chuvas. São mais de 7,5 mil desabrigados e mais de 52,8 mil desalojados. A Defesa Civil registrou 28 feridos e duas mortes, em Guaramirim e Mafra. O governo estadual informa que enviou para as prefeituras quase 48 mil itens de assistência humanitária: colchões, kits de acomodações, água mineral, produtos de limpeza e higiene e cestas básicas. Na segunda- feira, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional, liberou R$ 417.860,00 para assistência às vítimas. O dinheiro será disponibilizado por meio do cartão de pagamento da Defesa Civil, instrumento usado pelo governo federal que transfere recursos para regiões em situação de emergência.

ESTADOS UNIDOS CAPTURAM ACUSADO DE ATAQUE TERRORISTA DE 2012 CONTRA O CONSULADO DE BENGASI, NA LÍBIA

O exército dos Estados Unidos capturou um suspeito ligado ao ataque terrorista de 2012 contra o consulado americano em Bengasi, em uma operação secreta na Líbia durante o fim de semana, informou nesta terça-feira o jornal The New York Times, citando informações do Pentágono. "Posso confirmar que no domingo, em 15 de junho, o exército americano capturou Ahmed Abu Khatallah, uma figura-chave nos ataques contra instalações dos Estados Unidos em Bengasi, na Líbia, em setembro de 2012", declarou o porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby. O ataque de terroristas fortemente armados contra o consulado dos Estados Unidos em Bengasi matou quatro americanos, incluindo o embaixador Christopher Stevens. Momentos depois da comunicação do Pentágono, o presidente Barack Obama divulgou uma nota oficial sobre a prisão de Khatallah. "Após os ataques mortais em nossas instalações em Bengasi, era uma prioridade encontrar e trazer à Justiça os responsáveis ​​pelas mortes de quatro bravos americanos", diz o texto. Para o presidente, a prisão do suspeito representa “um testemunho dos esforços diligentes dos militares, policiais e pessoal de inteligência". Falando em condição de anonimato, um oficial militar americano disse que Khattala foi capturado nos arredores de Bengasi. Não foram disparados tiros, nenhum civil foi ferido e ninguém, além do suspeito, foi levado em custódia, disse o funcionário. "Foi muito limpo, entramos e saímos sem ninguém ferido", disse. Perguntado se Khatalla estava sendo transferido para os Estados Unidos, o oficial respondeu: "Ele não está aqui. Ainda". De acordo com o jornal, segundo o histórico de operações similares feitas pelos americanos, os militares costumam deixar os suspeitos a bordo de navios antes de enviá-los para os Estados Unidos, onde enfrentam acusações judiciais. Um diplomata americano familiarizado com a operação rejeitou qualquer suspeita de que a ação tinha sido organizada pelo governo Obama para desviar a atenção pública da ofensiva jihadista sunita no Iraque. "Não há conexão com o Iraque", disse o diplomata, que também não teve seu nome mencionado pelo jornal. A fonte diplomática também confirmou que Khatalla estava sob vigilância mantida por oficiais da inteligência americana há meses. “Nenhuma destas ações são executadas casualmente. Houve um grau significativo de planejamento", explicou. Questionado sobre o impacto da detenção de Khattala para o extremismo na Líbia, o diplomata respondeu: "Ele claramente era um fator negativo em Bengasi, e agora há um fator negativo a menos".

COLEGUINHAS NÃO PRECISAM SE ESCONDE DEBAIXO DA CAMA; O PT SABE RECONHECER UM CRÍTICO ÚTIL

O PT elabora uma lista negra de jornalistas, publica em seu site, dando uma espécie de sinal verde para seus militantes partirem para a ação direta, e é claro que não haverá nenhuma entidade da “catchiguria” que vai reclamar. Ao contrário: se for o caso, elas vão lá e se oferecem para executar a pena. Vejam a armação de que foi vítima a jornalista Rachel Sheherazade, do SBT. Até gente que considero amiga, que não está conscientemente (ao menos) rendida à “nova ordem”, tentou ponderar comigo: “Ah, também ela exagerou…” E poucos se deram conta de que sua fala foi escandalosamente distorcida. 

O post em que trato da lista negra do PT já abriga quase 2.300 comentários — sem contar outro tanto que não foi publicado, ou porque há exageros que só ajudam a má causa dos fascistas, ou porque, claro!, a malta resolveu entrar no blog para aplaudir a decisão. Mas estes, os petralhas, apenas fazem o seu trabalho.
Muito mais asquerosas são aquelas pessoas que resolveram vir me dar “conselhos”: “Pô, Reinaldo, se você pegasse um pouco mais leve…” É mesmo? Será que é disso que se trata? Vocês viram a lista do sr. Cantalice? Posso entender por que o fascismo petista quer a minha cabeça e a de Augusto Nunes, ainda que não pensemos as mesmas coisas. Mas Demetrio Magnoli, por exemplo, opera em outro registro, bem distinto do meu — mais acadêmico, sem ser chato, já que escreve muito bem. Danilo Gentili comanda um talk show na TV — o programa tem sotaque jornalístico também, mas é evidente que o acento está no entretenimento — e atua como ator e humorista.
Arnaldo Jabor, que não deve concordar comigo em quase nada, dispõe, sei lá, de um ou dois minutos no “Jornal da Globo” umas duas ou três vezes por semana, não sei ao certo. É um crítico, sim, da extrema-esquerda, mas já deve ter batido mais na “direita”. Guilherme Fiuza, um articulista de primeira, não reza segundo a cartilha petista, é claro!, mas busca menos as asperezas do PT do que eu, por exemplo — e considero isso uma virtude, não um defeito. O cantor e compositor Lobão os irrita muito especialmente porque pertence a um mundo em que assumir posições de esquerda parece tão natural como dizer que hoje é terça-feira. Diogo Mainardi, por ora ao menos, está um tanto afastado das questões, vamos dizer, mundanas — e suas intervenções sobre assuntos mais urgentes estão restritas, por absoluta escolha sua, ao programa Manhattan Connection. Marcelo Madureira discorre com muita propriedade, sim, sobre política, mas também a sua pegada principal é o humor.
E por que, tão distintos entre si, entraram no radar do petismo? Em primeiro lugar, é evidente, porque a crítica que fazem incomoda. E olhem que somos todos umas normalistas se tomarmos como padrão, por exemplo, a acidez da imprensa americana, tenha lá o analista o viés que for. Em segundo lugar, porque, é fato, o petismo vem domesticando e colonizando o jornalismo brasileiro. E não é de hoje. O partido percebeu que os coleguinhas podem aceitar qualquer desaforo, qualquer mesmo — inclusive tabefes de manifestantes; só não aceitam ser chamados de “direitistas”, de “conservadores”. Ah, isso não! Aí eles piram! Assim, o partido ameaça permanentemente os profissionais com um carimbo: “Se você não se comportar, ficará marcado”.
Ora, vejo a lista negra do sr. Cantalice e fico cá a imaginar o suspiro de alívio de muita gente: “Ainda bem que não estou nela!” E, é óbvio, o passo seguinte será modular a ação para nunca entrar. E assim se vai formando uma geração e uma casta de covardes. Daí que eu não estranhe que muita gente — também na “catchiguria” — ache que, de algum modo, só estou no paredão petista porque mereci. E devem pensar o mesmo sobre os outros, ainda que façam trabalhos tão distintos entre si.
Para mim, é uma honra estar na lista negra do PT. É possível que, inconscientemente, desde que os rejeitei, ainda na juventude, eu ambicionasse essa condição. Há suas vantagens:
- não tenho de defender hóspedes da Papuda;
- não tenho de defender o desvio virtuoso de dinheiro público;
- não tenho de defender aliança com José Sarney;
- não tenho de chamar Maluf de “Doutor Paulo”;
- não tenho de dar dinheiro para o comitê do Luiz Moura.
Não tenho, em suma, de ser um militante da união da escória do passado com a do presente.
Quanto aos “coleguinhas” que já se esconderam debaixo da cama, com medo de entrar na lista dos malditos, uma palavra de ânimo: fiquem tranquilos! Como se diz por aí, “boi preto conhece boi preto”. Os petistas sabem reconhecer quem fala mal deles tentando lhes puxar o saco e exaltando suas qualidades morais. Dou a dica aos leitores.
Quantas vezes, meus caros, vocês já ouviram alguns e algumas valentes a dizer que o erro do PT foi, no poder, ter se comportado como os demais partidos? Infinitas vezes! Os petistas adoram ouvir esse tipo de crítica porque isso lhes dá a desculpa moral de que precisam para o mensalão, o dossiê dos aloprados, as relações especiais com Alberto Youssef, entre outras lambanças. Na sequência, eles explicam que só são obrigados a aderir a certos métodos por uma questão de realismo. E o tal crítico, claro!, concorda e escreve em seguida que, em política, ninguém presta mesmo! O PT respeita esse tipo de gente.
A cada vez que vejo a reação escandalizada de um analista político com o casamento entre Maluf e o PT, eu fico a me perguntar a razão do espanto. Afinal, acho que os petistas não têm nada a aprender com Maluf. Mas eles podem, sim, nunca é tarde, ajudar Maluf, que está na lista da Interpol, a ser um verdadeiro profissional. Por Reinaldo Azevedo

S&P REBAIXA RATING DA ARGENTINA APÓS DERROTA NA CORTE JUDICIAL DOS ESTADOS UNIDOS

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota da Argentina para CCC-, ante CCC+, citando maior risco de calote na dívida em moeda estrangeira do país, devido à derrota judicial do governo argentino ante credores de títulos da dívida do país nos Estados Unidos. Na segunda-feira, a Suprema Corte americana se recusou a ouvir o recurso da Argentina sobre sua tentativa de evitar o pagamento de 1,33 bilhão de dólares aos credores (fundos de hedge que adquiriam papéis da dívida no início dos anos 2000, também chamados de fundos abutres). "O governo da Argentina tem capacidade limitada de pagar os credores que entraram com a ação e, ao mesmo tempo, o serviço da dívida", afirmou a S&P. A agência manteve a nota de curto prazo em moeda estrangeira em C, afirmando que uma interrupção de pagamentos devido a determinações da Justiça não devem afetar a capacidade do governo de honrar a dívida emitida em moeda local. O rating da dívida de longo prazo em moeda local foi mantido inalterado em CCC+, com perspectiva negativa, e o da dívida de curto prazo em moeda local foi mantido em C. Ainda que a presidente peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner tenha afirmado em discurso na noite de segunda-feira que o país não dará o calote, a S&P avalia que a decisão da Corte dos Estados "eleva o risco de interrupção dos pagamentos da dívida". Cristina Kirchner negou rumores de default da dívida e afirmou que os 900 milhões de dólares que vencem em 30 de junho serão pagos. "Já autorizei o ministro da Fazenda para que disponha de todos os instrumentos para que recebam os dólares", afirmou. Se a Argentina continuar a postergar o pagamento da dívida, autoridades dos Estados Unidos podem impedir o pagamento integral aos credores titulares de títulos reestruturados, mesmo que o país seja capaz de honrá-los. Isso poderia resultar em default. A Argentina está tentando evitar o pagamento integral a credores liderados pelos fundos de hedge Aurelius Capital Management e NML Capital Ltd, unidade do Elliott Management Corp, do bilionário Paul Singer.

RGE ANUNCIA AUMENTO DE 23,08% NA ENERGIA ELÉTRICA NO RIO GRANDE DO SUL

Será de 23,08% o reajuste das tarifas da RGE, uma das três distribuidoras gaúchas de energia. O aumento valerá a partir desta quinta-feira para os 1,3 milhão de unidades consumidoras que a empresa mantém em 262 municípios do Rio Grande do Sul. O reajuste é superior a mais de três vezes a inflação calculada para este ano.

JOAQUIM BARBOSA DEIXA A RELATORIA DO MENSALÃO: BARROSO ASSUME

Prestes a se aposentar, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, anunciou nesta terça-feira que não será mais o responsável pela relatoria dos processos de execução penal dos condenados no mensalão. A decisão do magistrado ocorre após ele ter sido alvo do que classifica como “manifestos” e “insultos pessoais” por parte de advogados dos mensaleiros. Com a saída de Barbosa, o processo já foi redistribuído e passa agora a ser de responsabilidade do novo relator, o ministro Luís Roberto Barroso.

Caberá a Barroso decidir questões como a possibilidade ou não do ex-presidente do PT José Genoino ser beneficiado com prisão domiciliar, além de analisar recursos contra o impedimento, definido por Barbosa, de os mensaleiros trabalharem fora do presídio onde cumprem pena. A escolha, por sorteio, de Barroso tende a ser benéfica para os condenados no maior julgamento político realizado pelo STF desde a redemocratização. Na análise dos embargos infringentes, por exemplo, o ministro livrou oito mensaleiros condenados por formação de quadrilha, entre eles ex-ministro José Dirceu, os petistas Delúbio Soares e José Genoino e o próprio operador da trama criminosa, Marcos Valério.
Em seu voto, Barroso chegou a acusar a Corte de ter definido altas penas para os quadrilheiros apenas para evitar a prescrição do crime e garantir maior tempo dos culpados atrás das grades. “Considero que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas no crime de quadrilha, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. A causa da discrepância foi o impulso de superar a prescrição do crime de quadrilha”, disse na ocasião.
Bate-boca – Ao anunciar que deixava a relatoria do mensalão e o acompanhamento da execução das penas dos condenados, o ministro Joaquim Barbosa criticou a conduta dos advogados dos mensaleiros. Na última semana, Luiz Fernando Pacheco, defensor de José Genoino, foi retirado do STF por seguranças após exigir que um processo relacionado ao petista fosse pautado pela Corte. Para Barbosa, vários advogados que atuam no mensalão “deixaram de se valer de argumentos jurídicos destinados a produzir efeitos nos autos e passaram a atuar politicamente na esfera pública através de manifestos e até mesmo partindo para os insultos pessoais”.
Nesta segunda-feira, Joaquim Barbosa protocolou representação na Procuradoria da República do Distrito Federal contra o advogado Luiz Fernando Pacheco. O presidente do STF acusa o defensor de ter praticado os crimes de desacato, calúnia, difamação e injúria.

PRONTO! AGORA BARROSO PODE SE ENTREGAR COM MAIS DESASSOMBRO AO EXERCÍCIO DO DIREITO CRIATIVO

O ministro Joaquim Barbosa está de saída do Supremo Tribunal Federal. Poderia ter esperado mais alguns dias para renunciar à relatoria do mensalão. Decidiu fazê-lo agora. Deixou claro que está sendo alvo de pressões. E está mesmo. “A Máquina de Difamação” em que se transformou o PT não poupa ninguém: partidos de oposição, a imprensa como um todo, jornalistas tomados individualmente, personalidades da TV, juízes… E, percebe-se, as coisa pioram muito quando os companheiros se veem ameaçados.

Ao deixar o caso, Barbosa afirmou que vários advogados que atuam nas execuções penais do mensalão deixaram de se valer de argumentos jurídicos e partiram para a ação política, “através de manifestos e até mesmo partindo para insultos pessoais, via imprensa, contra este relator”. Ele está, obviamente, falando a verdade. Todos assistimos ao espetáculo deprimente protagonizado por Luiz Fernando Pacheco, advogado de José Genoino — contra quem Barbosa recorreu à Justiça, diga-se, no que fez muito bem.
Pacheco tem o direito de se dirigir à Corte? Claro que sim! E nunca se disse o contrário. Pode fazê-lo do modo como o fez? É evidente que não! Ouvido pela Folha nesta terça, afirmou: “Por enquanto, permaneço com a tranquilidade de quem sabe que cumpriu seu dever ao não se acovardar perante grandes tiranias”. Muita gente relevou o seu chilique porque considerou que ele não estava no seu juízo normal. Pelo visto, não se arrepende e ainda aproveita para se dizer um oponente da tirania, atacando o chefe do Poder Judiciário, a serviço do PT. É um modo de ver o mundo.
Cumprindo as regras, Barbosa enviou processo ao vice-presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que o transferiu para a Luiz Roberto Barroso, depois de sorteio. Dadas as intervenções do mais recente ministro do Supremo no processo do mensalão, os mensaleiros têm motivos para estar em festa. Afinal, fica para a história a intervenção que resume a atuação de Barroso na Ação Penal 470: “Considero que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas no crime de quadrilha, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. A causa da discrepância foi o impulso de superar a prescrição do crime de quadrilha”.
Com essa fala, o senhor Barroso transformou os condenados do mensalão em vítimas, e os ministros do Supremo que os condenaram em réus. Agora poderá se entregar ao exercício do direito criativo com ainda mais desassombro. Por Reinaldo Azevedo

ENEM 2014 TEM 8,7 MILHÕES INSCRITOS PARA FAZER A PROVA

O Ministério da Educação informou nesta segunda-feira que 8.721.946 de pessoas estão aptas a fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014. O número é 21,6% superior ao registrado em 2013. Para o levantamento, o MEC considera apenas os participantes que confirmaram a inscrição — pagando a respectiva taxa ou pedido isenção do pagamento. Participaram da primeira fase de inscrição, encerrada no dia 23 de maio, 9,51 milhões de pessoas. O exame será realizado nos dias 8 e 9 de novembro. Segundo o MEC, 57% dos cadastrados (ou 4.990.025) concluíram essa etapa de ensino e apenas 20% (1.748.588) são alunos do último ano do ensino médio. Onze por cento, ou 997.131 inscritos vão fazer a prova para obter o certificado de *conclusão do ensino básico. O restante, também cerca de 11%, é formado por treineiros (estudantes que não chegaram ao 3º ano do ensino médio) e outros que não se enquadram nos grupos anteriores. Entre os inscritos, apenas 26,48% pagaram a taxa de 35 reais cobrada para a realização da prova. Os demais são candidatos que estão no terceiro ano do ensino médio em escolas públicas (16,33%) ou que comprovaram carência para obter isenção de taxa (57,17%). As cifras totalizam 99,98% das inscrições, mas o documento do MEC não explica a formação dos restantes 0,02%. Do total de inscritos, quase 4 milhões têm mais de 20 anos, sendo que 1,35 milhão está acima dos 30 anos. Neste ano, pelo menos três universidades federais que ainda não tinham aderido ao Enem já confirmaram que vão usar o exame para seleção de alunos: as federais de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e Pernambuco. Para o MEC, o aumento no número de instituições pode ter atraído mais inscritos. Em Pernambuco, as inscrições cresceram 22%. No Rio Grande do Sul, 15%. Já no Distrito Federal, onde a Universidade de Brasília começou a usar a avaliação neste ano, o aumento foi de 29%. A maior parte dos inscritos, 57,9%, se identificou como negra. Neste ano, 25% das vagas serão reservadas a alunos de baixa renda e oriundos de escola pública, com um percentual reservado aos negros de acordo com sua representação na população do Estado.