segunda-feira, 7 de abril de 2014

O PETISTA ANDRÉ VARGAS NÃO TEM ESCAPATÓRIA, DIZ PRESIDENTE DO CONSELHO DE ÉTICA DA CÂMARA

Com a situação cada vez mais grave, o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), tentou protelar a abertura de um processo por quebra do decoro parlamentar no Conselho de Ética. Horas antes de anunciar seu afastamento da Câmara por 60 dias, o petista telefonou para o deputado Ricardo Izar (PSD-SP), que preside o colegiado, pedindo que só iniciasse os procedimentos regimentais depois de uma conversa entre os dois. Na tarde desta segunda-feira, três partidos de oposição – PSDB, DEM e PPS – ingressaram com uma representação no Conselho pedindo investigação sobre a estreita relação, revelada por VEJA, de André Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal em uma operação de combate à lavagem de dinheiro. Pelo telefone, o petista fez um apelo a Izar: “Queria conversar com você. Você sabe que eu estou em um momento difícil. Dá para não aceitar o protocolo, e à tarde a gente conversa?”.

 A estratégia proposta pelo petista André Vargas, no entanto, nem sequer depende do presidente do Conselho de Ética. Cabe à Mesa Diretora da Câmara, da qual o próprio faz parte, encaminhar o processo ao colegiado. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a remeter o caso nesta terça-feira. “Eu respondi a Vargas que não tenho como segurar o recebimento. A gente vai ter de abrir o processo normalmente, esse é um rito que tem de ser seguido”, disse Izar.
Além de Vargas, a assessoria do deputado procurou o Conselho de Ética em busca de informações sobre os prazos regimentais para a análise do caso, algo que não deveria ser novidade para ele: foi Vargas quem comandou as manobras para atrasar o processo de cassação contra o ex-deputado José Genoino (PT-SP).
“Não tenho dúvidas de que vão usar todos os artifícios para protelar a ação. Mas o André Vargas não tem escapatória. São denúncias gravíssimas”, disse o presidente do Conselho de Ética. O petista pode sofrer desde uma advertência até enfrentar a abertura de um processo de perda de mandato. “Não dá para aliviar. Eu acho que esse é um caso para cassação. Mas depende da análise de todo o processo e da votação do colegiado.” Izar continuou: “É muita malandragem que está sendo descoberta, e o caso está sendo cada vez mais divulgado. As pessoas não têm mais medo. Será que as coisas não servem de exemplo, como o caso do mensalão? Mas, mesmo assim, os fatos não mudam". Por Reinaldo Azevedo

VEJAM COMO A INICIATIVA PRIVADA NO BRASIL FAZ CENSURA A FAVOR DO PETISMO - HOTEL DALL'ONDER BLOQUEIA SITES E DIZ AO SEU HÓSPEDE O QUE PODE E O QUE NÃO PODE ACESSAR; O DALL'ONDE FICAR NA CORÉIA DO NORTE?!!!!

Leiam o artigo a seguir, postado nesta segunda-feira pelo jornalista Políbio Braga, e entendam como é que funcionar o "bolivarianismo", em que empresários se colocam a serviço do PT e do petismo. Vejam a matéria:
Hotel Dall'Onder desbloqueia acesso ao site www.polibiobraga.com.br e diz que não faz censura
Caros Sr. Geraldo Kuhn Gruenwaldt e Sr. Políbio Braga, boa tarde. Entro em contato por motivo dos e-mails trocados abaixo. O bloqueio no servidor de alguns sites através da rede de nossos hotéis é realizado para segurança dos hóspedes e da própria rede interna. Estou solicitando neste e-mail para o Eng. Rodrigo Tregnago da ART Informática para que efetue o desbloqueio do site http://polibiobraga.blogspot.com.br/  em nossa rede (nos lê em cópia). Aproveito o e-mail para afirmar em nome da Direção da Rede Dall’Onder de Hotéis que não possuímos nenhum tipo de censura e não participamos de nenhum partido político preferencial (como instituição e como pessoa física) e que este bloqueio não foi feito intencionalmente de nossa parte. Caso o Senhor queira nos prestigiar no período da Páscoa (e em quaisquer outros períodos) será muito bem-vindo e poderás acessar o Blog acima sem problemas.
M.Sc. Eng. Marcelo Dall'Onder Michelon
Diretor de Patrimônio
Rede Dall'Onder de Hotéis
+55 (54) 3455-3588
marcelo@dallonder.com.br
COMENTO - Na noite em que o Grêmio foi Campeão Mundial, em Tóquio, eu estava hospedado no Hotel Dall'Onder, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Sempre o achei um dos grandes hotéis gaúchos. Achava..... porque não acho mais, e recomendo que os turistas gaúchos, brasileiros e estrangeiros, não mais se hospedem nesse hotel. Era só o que faltava, hospedar-me em um hotel onde venham a me dizer o que eu posso e o que eu não ver, ler, acessar. O nomes disso é censura. Não adianta diretor do hotel dizer que a empresa não tem culpa, que isso é coisa da empresa contratada para cuidar do seu sistema de comunicação. Tem culpa, sim, é responsável pelo que faz a empresa contratada. É indesculpável o Hotel Dall'Onder. Isso é patrulhismo ideológico. E devo desconfiar que também Videversus está com acesso bloqueado aos hóspedes do hotel.

SBM OFFSHORE DESMENTE PETROBRAS E DIZ TER PAGO US$ 139 MILHÕES A "AGENTE" NO BRASIL

A empresa holandesa SBM Offshore reconheceu que fez pagamentos a um "agente" no Brasil. Segundo comunicado divulgado pela área de relações com investidores, a empresa pagou aproximadamente US$ 200 milhões em comissões a agentes entre 2007 e 2011 em vários países. Desse montante, a maior parte foi destinada ao Brasil, onde foram pagos US$ 139,1 milhões. A SBM Offshore mantém contratos com a Petrobrás no Brasil. Nessa semana, a estatal informou que a sindicância interna, aberta para apurar denúncias de suborno a funcionários da companhia, não encontrou fatos ou documentos que evidenciassem o pagamento de propinas. O comunicado divulgado pela empresa holandesa diz ainda que o restante do valor pago a agentes foi destinado aos Estados Unidos, Guiné Equatorial e Angola. O dinheiro foi obtido após investigação interna da companhia.

JUIZ MANDA CASO DO PETISTA ANDRÉ VARGAS, O CADÁVER ADIADO, PARA O STF. PARA O BEM DO BRASIL, O AINDA DEPUTADO VAI MAL

Para o bem do Brasil, o deputado petista André Vargas (PR), vice-presidente da Câmara e do Congresso, vai mal. A esta altura, é difícil acreditar que consiga manter o mandato. Hoje, ele humilha o Parlamento brasileiro. Não vai demorar muito, e Vargas passará a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal. Não há escapatória, a menos que ele renuncie. Como é deputado, tem direito a foro especial por prerrogativa de função Por isso o juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, enviou ao STF a investigação. Explicou assim: “Revendo os autos, constato que, entre os diversos fatos investigados, foram colhidos, em verdadeiro encontro fortuito de provas, elementos probatórios que apontam para relação entre Alberto Youssef e André Vargas, deputado federal”.

E põe relação nisso! Reportagem publicada pela VEJA neste fim de semana é devastadora para o deputado. Ao se referir a um lobby que Vargas havia feito em seu favor no Ministério da Saúde, o doleiro diz ao petista: “Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro!”. Youssef estava falando de uma parceria do laboratório Labogen — uma empresa de fachada que, segundo a PF, serve para lavar dinheiro — com a gigante EMS. Todo o negócio poderia chegar a R$ 150 milhões. Já havia um contrato assinado de R$ 31 milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o remédio que é o princípio ativo do Viagra, mas que serve também para tratar de hipertensão pulmonar. NOTA: Alexandre Padilha, então ministro da Saúde e futuro candidato do PT ao governo de São Paulo, assinou o contrato. Alguém aí acredita que ninguém se lembrou de ver a ficha cadastral da Lobogen? Ora… Quer dizer que o Ministério da Saúde não tem estrutura para não ser vítima de picaretas? 
Numa outra conversa, o doleiro diz ao deputado: “Estou no limite. Preciso captar”. Ao que responde Vargas: “Vou atuar”. Como sabem, a parceria rendeu tanto que Youssef fretou um jatinho para o deputado e a sua família viajarem em férias para a Paraíba. Valor do mimo: R$ 100 mil.
A intimidade era tal que Vargas manda mensagens a Youssef por celular cobrando o pagamento a pessoas ligadas ao esquema. Numa delas, eles tem o seguinte diálogo:VARGAS – [Você] sabe por que não pagam o Milton?YOUSSEF – Calma! Vai ser pago. Falei pra você que iria cuidar disso.VARGAS – [Há] Consultores que trabalham com ele há meses e não receberam.YOUSSEF – Deixa, que vão receber.
Não dá mais! A Polícia Federal está convicta de que Vargas e Youssef atuam em sociedade. Pior: emissários do deputado fizeram chegar ao doleiro, que está preso, que a crise pode arrastar gente graúda. O que se quer dizer com isso? Vai saber!
O petista resolveu tirar uma licença de 60 dias para cuidar de assuntos privados. Huuummm… Ué! Não era isso o que ele fazia como um dos braços de Youssef? Mas manteve (vejam post na home) o cargo de vice-presidente da Câmara e do Congresso, o que é um acinte, é um deboche. Mesmo com o afastamento, três partidos de oposição — PSDB, DEM e PPS – ingressaram nesta segunda-feira com uma representação contra ele no Conselho de Ética. O PSOL, por sua vez, pediu à Mesa Diretora que a Corregedoria da Casa apure o caso.
Politicamente, André Vargas já está morto. Agora, é só um cadáver adiado que deve assustar muita gente, que aposta no seu silêncio. O que todos temem é um certo Leonardo Meirelles, que figurava como sócio da Lobogen e decidiu colaborar com a Polícia Federal. Por Reinaldo Azevedo

OPOSIÇÃO PROTOCOLA PEDIDO DE INVESTIGAÇÃO O PETISTA ANDRÉ VARGAS

O afastamento por sessenta dias do vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), não foi suficiente para evitar que a oposição pedisse a investigação sobre o envolvimento dele com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal em uma operação de combate à lavagem de dinheiro. Três partidos – PSDB, DEM e PPS – ingressaram nesta segunda-feira com uma representação no Conselho de Ética, enquanto o PSOL fez novo pedido à Mesa Diretora para que a Corregedoria da Casa apure o caso. O pedido de licença não impede que o petista enfrente um processo de cassação por quebra de decoro parlamentar.

A situação de Vargas se agravou após reportagem de VEJA desta semana revelar novos detalhes de sua estreita ligação com o doleiro. Youssef, a quem Vargas chamava de “irmão”, pagou um jato para o petista viajar nas férias. E os laços não param por aí: VEJA mostrou que o deputado petista e o doleiro trabalhavam para enriquecer juntos graças à influência de Vargas no governo federal. Em contrapartida, mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal mostram que o petista exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef.
“Verifica-se, pelo teor das conversas, que a relação mantida não é a da alegada amizade de 20 anos, mas sim envolvem negociatas e possíveis fraudes em processos administrativos, com a utilização da influência do deputado André Vargas”, alegou o PSOL no pedido de investigação.
“Pelo exposto, pode observar-se que a cada reportagem publicada novas luzes vão sendo lançadas sobre o caso e a relação entre o deputado e Alberto Youssef vai ganhando contornos cada vez menos republicanos”, diz a representação protocolada no Conselho de Ética. Os deputados ainda solicitam a oitiva de testemunhas e de pessoas citadas no caso, entre elas o próprio Youssef, e as provas coletadas pela Polícia Federal nas quais Vargas esteja envolvido.
As investigações da Polícia Federal mostram que Vargas articulava para ajudar o doleiro a obter um contrato com o Ministério da Saúde. Em mensagens trocadas em setembro do ano passado e interceptadas pela Polícia Federal, Youssef fez um apelo a Vargas: “Tô no limite. Preciso captar”. O vice-presidente da Câmara prontamente respondeu: “Vou atuar”. No mesmo dia, técnicos do Ministério da Saúde, então comandados por Alexandre Padilha, hoje candidato ao governo de São Paulo, foram destacados para certificar o laboratório farmacêutico Labogen Química Fina e Biotecnologia, de propriedade do doleiro. A ajuda foi materializada em um contrato inicial de 30 milhões de reais firmado com a pasta. 

NO BRASIL ESTATISTA DOS COMPANHEIROS, ATÉ O SANTINHO É DO PAU OCO!

Que coisa, né? Estou aqui estarrecido. Até os santinhos, coitados!, quando próximos da Petrobras, acabam ficando com o pau oco. Nada escapa da sanha companheira, nem o território do sagrado. Segundo informa Aguirre Talento, na Folha Online, uma verba doada pela Petrobras para a restauração de uma igreja, na Bahia — terra natal do então presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli —, resultou em um dano de R$ 4,2 milhões aos cofres da estatal. Pior ainda: a restauração não terminou, ficou pelo caminho.

É isto mesmo: a estatal liberou a bolada de R$ 7,6 milhões para que a ONG Grupo Ecológico Humanista Papamel restaurasse a igreja Santo Antônio de Cairu, na cidade de Cairu, que fica a 294 km de Salvador. A tal entidade foi escolhida a dedo, sem nenhum processo de seleção. Como se sabe, a Petrobras não se preocupa com essas bobagens. Entre 2011 e 2013, a maior empresa brasileira executou obras no valor de R$ 90 bilhões sem fazer licitação.
Qual a experiência do tal “Papamel” em restauração? Nenhuma! Nunca chegou a colar a cabeça ao corpo de um santinho de barro nem com Super Bonder. Trata-se de um grupo de militância… ambiental, entendem? Por isso, a ONG subcontratou uma empresa chamada Patrimoni para realizar a tarefa. Aí pensará o leitor: “Essa, sim, sabia tudo de restauração, né?”. Engano! Também não sabia nada. Embora nos relatórios da Petrobras haja a informação de que 100% da obra foi concluída, isso é… mentira!
A grana foi repassada à tal Papamel entre 2005 e 2009. Segundo a Controladoria-Geral da União, além de ter havido direcionamento na escolha da ONG, houve um prejuízo de R$ 1,7 milhão em decorrência de serviços previstos e não prestados, e há nada menos de R$ 2,5 milhões de gastos sem origem conhecida — não se sabe em que o dinheiro foi empregado: nada menos de 33% do total de recursos.
Segundo o relatório da CGU, um certo Manuel Telles, engenheiro, que responde pela Patrimoni, teria tido acesso a informações privilegiadas dentro da Petrobras. Pois é… Telles e o então responsável pela Papamel na época, José Renato Santana Souza, dizem que a obra ficou inacabada porque imprevistos aumentaram o orçamento inicial e que seriam necessários aditivos. Claro, claro! O “aditivo” num contrato em razão de “imprevistos”, como sabemos, é o sal da terra para essa gente.
E pensar que estamos há quase 12 anos submetidos à ditadura vagabunda dos valores estatistas. Venham cá: vocês acham que uma empresa privada faria certas coisas que faz a Petrobras? Vocês acham que uma empresa privada doaria quase R$ 8 milhões para uma ONG restaurar uma igreja sem que ela fosse especializada no assunto? Vocês acham que uma empresa privada pagaria US$ 1,3 bilhão por uma refinaria que custara US$ 42,5 milhões dois anos antes? Vocês acham que uma empresa seguraria a onda de um diretor que, num processo de aquisição, omitisse informações essenciais ao Conselho de Administração?
Sempre que alguém começar a defender as glórias do estado empresário na sua frente, leitor, das duas uma: ou é um bobalhão desinformado, com os platinados já colados pela ideologia estatista, ou é um potencial ladrão de dinheiro público. No Brasil dos companheiros, todo santinho é do pau oco. Por Reinaldo Azevedo

É UM DEBOCHE O PETISTA ANDRÉ VARGAS NÃO RENUNCIAR AO MENOS AO CARO NA MESA DIRETORA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

 André Vargas, ainda deputado federal (que desassombro, né?), pediu licença do mandato por dois meses para cuidar de interesses particulares. É mesmo? Por quê? Ele já não cuidava antes? Que eu saiba, quando se meteu a fazer lobby em favor da empresa do doleiro, o dinheiro era público, mas os benefícios eram privados, não? Ou, quando Alberto Youssef diz que André Vargas faria a sua “independência financeira”, o doleiro se referia, sei lá, aos destinos da pátria? 

Então Vargas não teve o bom senso nem mesmo de renunciar ao cargo de vice-presidente da Câmara e do Congresso. Pede um afastamento para não ficar, assim, tão vexaminoso para o PT, mas a instituição que se dane; ele não está nem aí. Como é sabido, trata-se apenas de uma tática, né? Quem sabe o assunto esfrie um pouquinho, as coisas voltem ao leito, esse negócio passe… Vargas não será mais presidente da Câmara (caso se reeleja), mas já está de bom tamanho. No PT, a gente sabe que ele manterá a influência porque esse tipo de comportamento costuma render estrelas no peito, certo? Afinal, toda a antiga cúpula do partido está na cadeia. Não é assim porque eles sejam exímios violinistas, certo?

Enquanto isso, quem sangra é o Poder Legislativo. O PT não dá bola pra isso. Quanto mais perto do lixo estiver o Congresso, melhor para a turma. Por Reinaldo Azevedo

PRESSIONADO, O PETISTA ANDRÉ VARGAS TIRA LICENÇA, MAS MANTÉM CARGO NA MESA DIRETORA DA CÂMARA

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), encaminhou pedido de licença por 60 dias à direção da Casa na tarde desta segunda-feira. Nesse período, ele não receberá o salário de 26.700 reais, mas manterá o cargo na Mesa Diretora. Em carta, o petista alegou que se afasta do posto para cuidar de “interesses particulares”.

A situação de Vargas se agravou após reportagem de VEJA desta semana revelar novos detalhes de sua estreita ligação com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal por comandar um esquema de lavagem de dinheiro. Youssef, a quem Vargas chamava de “irmão”, pagou um jato para o petista viajar nas férias. E os laços não param por aí: VEJA mostrou que o deputado petista e o doleiro trabalhavam para enriquecer juntos fraudando contratos com o governo federal. Mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal mostram que Vargas exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef.
As investigações da Polícia Federal mostram que Vargas articulava para ajudar o doleiro a obter um contrato com o Ministério da Saúde. Em mensagens trocadas em setembro do ano passado e interceptadas pela PF, Youssef fez um apelo a Vargas: “Tô no limite. Preciso captar”. O vice-presidente da Câmara prontamente respondeu: “Vou atuar”. No mesmo dia, técnicos do Ministério da Saúde, então comandados por Alexandre Padilha, hoje candidato ao governo de São Paulo, foram destacados para certificar o laboratório farmacêutico Labogen Química Fina e Biotecnologia, de propriedade do doleiro. A ajuda foi materializada em um contrato inicial de 30 milhões de reais firmado com a pasta.
Após as revelações, partidos de oposição anunciaram que levariam as denúncias contra o petista para o Conselho de Ética da Câmara, o que pode resultar em um processo de cassação de mandato. Politicamente, Vargas foi isolado, inclusive pela bancada do PT. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), aconselhou o petista a se afastar para minimizar o desgaste à imagem da Casa.
No PT, aliados recomendaram que ele se licenciasse do cargo numa tentativa de “sair dos holofotes”. Os colegas de partido também recomendaram que Vargas avalie renunciar ao mandato para escapar da cassação, o que ele resiste. A direção do partido também teme que as denúncias atrapalhem a campanha da senadora Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná, para a qual Vargas era cotado para ser um dos coordenadores.
Um dos fatores que irritou a cúpula da Câmara foi a sucessão de mentiras que o petista disse. Na última quarta-feira, ele negou ter negócios com o doleiro. Antes, deu três versões sobre o uso do jatinho pago por Youssef: inicialmente, acusou seu adversário político, o também deputado Fernando Francischini, de “plantar” a notícia. Depois, admitiu que pediu o avião porque os vôos comerciais estavam muito caros no período. E, quando percebeu que estava a cada dia mais enrolado, disse que havia cometido “um equívoco” e que fora “imprudente”. Os detalhes de sua relação com o doleiro mostram que ele foi mais do que isso. Por Reinaldo Azevedo

PETROBRAS CONTRATA R$ 90 BILHÕES SEM LICITAÇÃO EM 3 ANOS; 78% DOS BRASILEIROS DIZER HAVER CORRUPÇÃO NA EMPRESA

Que gente pitoresca! Reportagem de Dimmi Amora e Fernanda Odilla, na Folha desta segunda-feira, revela que, nos últimos três anos, a Petrobras fechou nada menos de R$ 90 bilhões em contratos sem fazer licitação. Isso corresponde a mais de 28% do que a gigante gastou entre 2011 e 2013: R$ 316 bilhões. Segundo o jornal, as “modalidades normalmente adotadas pela administração pública, como concorrência e tomada de preços, representam menos de 1% dos contratos da Petrobras. Em 71% dos casos, a forma de controle é mais branda, como carta-convite".

Alguém aí estranha que assim seja? Eu não! Ora, ouvintes amigos, como esquecer que, para realizar obras da Copa do Mundo — que começaram tarde, foram mal planejadas e sairão a um preço acima do estimado —, o governo justamente jogou fora a Lei de Licitações, a 8.666, e, em seu lugar, com a conivência do Congresso, instituiu um tal RDC — Regime Diferenciado de Contratação? À época, a então chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), hoje no Senado, saiu-se com uma boa. Afirmou: “O RDC pretende ser uma alternativa à (lei) 8.666, que não tem dado resposta rápida e eficaz. Não há nele qualquer inconstitucionalidade. Acredito que a sua prática poderá contribuir muito mais nesse processo”.
Imagino os correspondentes estrangeiros no Brasil, coitados!, ainda tentando entender direito o português, ao ouvir uma conversa como essa. Devem ficar verdadeiramente espantados: “Que curiosos esses brasileiros! Quer dizer que eles têm a lei e uma lei alternativa, é isso? Se não cumprem uma, podem alegar que estão cumprindo a outra? Que exótico!!!”.. É! Muito exótico.
Por que a Petrobras, que há muito tempo se comporta como se fosse um País independente, faria o contrário? Lembram-se do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o tal Comperj, que foi orçado em US$ 6,5 bilhões e que, hoje, já passa de US$ 13,5 bilhões? Então… Só ali, uma obra avaliada em R$ 3,9 bilhões e outra em R$ 1,9 bilhão não tiveram concorrência. A Petrobras a dispensa até para contratar empresas que fornecem mão de obra terceirizada.
Qual é a justificativa da empresa? Diz que uma lei de 1998 lhe permite tal expediente, coisa de que o Tribunal de Contas da União discorda. Ambos travam uma disputa da Justiça. O TCU diz que a estatal precisa de uma lei que regule esse tipo de prática, mas a Petrobras obteve uma liminar no Supremo, que ainda não teve o mérito julgado. Enquanto isso, vai contratando conforme lhe dá na telha. Considerando as notícias mais recentes que vêm da empresa, os brasileiros não têm nada a temer, a não ser os cofres públicos.
Pois é… Pesquisa Datafolha informa que nada menos de 78% dos brasileiros dizem haver corrupção na Petrobras. Desses, 29% afirmam acreditar que a corrupção nessa estatal é maior do que nas outras empresas brasileiras.
Dadas as notícias recentes, como supor o contrário? Se, com todas as travas contra a corrupção que existem na Lei de Licitações, já há quem se especialize em fraudá-la, imaginem a festa que é quando se pode contratar livremente. Aí alguém dirá: “Calma! A direção da Petrobras está lá para evitar isso!”. Se não me engano, um dos mais poderosos ex-diretores da estatal está preso. E outro é acusado até por Dilma de ter omitido cláusulas na compra de uma refinaria que provocaram prejuízo bilionário à empresa.
O PT fez três campanha eleitorais vigaristas acusando os tucanos de tentar privatizar a Petrobras — em 2002, 2006 e 2010. Bem, informalmente privatizada, ela já está, não é mesmo? Se o PT perder a eleição, talvez ela possa sair da mão dos companheiros e voltar às mãos dos brasileiros. Por Reinaldo Azevedo

E RUI FALCÃO, PRESIDENTE DO PT, VOLTA A AMEAÇAR DILMA

E o presidente do PT voltou a ameaçar a presidente Dilma Rousseff. Ele é insaciável. Cumpre lembrar que, na sexta-feira, ele já havia afirmado, quando indagado se o PT poderia substituir a presidente por Lula na chapa petista, que “irrevogável e irreversível” só mesmo a morte. Convenham: isso não é exatamente a fala de alguém que está animado com a candidatura.

Nesta segunda-feira, a Folha traz uma entrevista com Falcão. Mais uma vez, ele não se fez de rogado e estabeleceu as condições para que ela continue candidata. Cito uma das suas falas: “Mas a candidata continua liderando, continua ganhando no primeiro turno, por que você vai mudar? Existe o coro do volta, Lula, as pessoas falam, o Lula é uma pessoa muito querida, mas a Dilma também é. Ambos são”.
Para quem sabe ler, não é preciso cortar o “t”. Falcão está sendo claro: se, em algum momento, a candidata deixar de liderar, ela cai fora. Ele foi ainda mais restritivo nas condições: “Se o Aécio e o Eduardo Campos estivessem grudando nela, tivessem crescido, e ela, caído, você poderia até achar que existe algum risco da volta de Lula. Mas isso não ocorreu”.
Mais uma vez, o presidente do PT está dizendo a Dilma que, irrevogável, só a morte, não a sua candidatura. Se surgir no horizonte a possibilidade de ela perder a reeleição, Falcão manda bala: sua posição não está garantida. Ele não parece muito seguro.
Falcão chega a ser engraçado. Refere-se a um tal “noticiário negativo” que se difundiu. Afirmou: “O rebaixamento da nota de classificação de risco do Brasil é uma notícia negativa. A divulgação das expectativas de inflação pelo boletim Focus e pelos analistas econômicos, de que a inflação pode crescer até setembro, para depois começar a declinar. Você pega os episódios da Petrobras, apesar de ser uma campanha contra a empresa. E, por último, essas denúncias, não comprovadas, envolvendo um deputado do PT [André Vargas] em particular. Houve um verdadeiro tsunami contra o governo”.
O presidente do PT fala como se fosse evidência de má vontade da imprensa. Não! A nota do Brasil foi rebaixada, a inflação mostra tendência de alta, as lambanças na Petrobras são impressionantes, e o deputado André Vargas mal está com nariz fora d’água. Essas coisas todas são apenas fatos!
Aliás, as evidências contra Vargas, colhidas pela Polícia Federal, à diferença do que afirma Falcão, são escandalosas. Depois de ele combinar com o doleiro Alberto Youssef o lobby no Ministério da Saúde, Youssef, que está preso, diz que o chefão petista fará sua “independência financeira”.
De resto, chamar os óbvios desmandos na Petrobras de “campanha contra a empresa” é mais uma tentativa canhestra do PT de varrer tudo para debaixo do tapete. Campanha contra a empresa fazem aqueles que a assaltam, senhor deputado. Por Reinaldo Azevedo

AINDA O DATAFOLHA - NÚMEROS DE 2006 A 2010 AJUDAM A ENTENDER O MEDO NAS HOSTES PETISTAS E A URUCUBACA QUE RUI FALCÃO JOGOU EM DILMA

Surge mais um pesquisa com números aparentemente bons para a presidente Dilma Rousseff, e o que se vê no petismo é nervosismo. Por quê? Porque eles não são tão bons como parecem. E eu vou lembrar aqui alguns dados de levantamentos anteriores para evidenciar a razão da tensão.  Segundo o Datafolha, se a eleição fosse hoje, e ela não é, no cenário mais provável, Dilma teria 38% das intenções de votos. Perdeu seis pontos em relação a fevereiro. O tucano Aécio Neves segue com 16%, mesmo índice da pesquisa anterior, e Eduardo Campos, do PSB oscilou de 9% para 10%. Se isso se repetisse em outubro, Dilma seria eleita no primeiro turno. Mas duvido que vá acontecer. Não acontecendo, o risco de derrota cresce bastante. Por quê?

Hoje, 36% acham o governo Dilma ótimo ou bom. O número caiu. Em fevereiro, eram 41%. Consideram-no regular 39% dos entrevistados, e os que o veem como péssimo subiram de 21% para 25%. Então vamos comparar. Essa avaliação da gestão Dilma é muito parecida com a do governo Lula em abril de 2006: 37% diziam que era ótimo ou bom; 38%, que era regular, e 23%, ruim ou péssimo. Também os índices eleitorais são semelhantes: em abril de 2006, Lula tinha 40% das intenções de voto; o tucano Geraldo Alckmin aparecia com 20%.
E Lula não conseguiu se reeleger no primeiro turno. Ficou com 48,61% dos votos. Os 20% de Alckmin se transformaram em 41,64% nas urnas, no dia 1º de outubro de 2006. A diferença, que, em abril, se mostravam gigantesca, foi de apenas 6,97 pontos percentuais.
A eleição de 2010 assusta os petistas um pouquinho mais, nem tanto pelo resultado final: no segundo turno, Dilma obteve 56,05% dos votos válidos, e o tucano José Serra, 43,95%. O susto está em outro lugar. Atenção! Em abril de 2010, Serra ainda estava na frente de Dilma no Datafolha: 38% a 28% para o tucano. A candidata desconhecida, o “poste de Lula”, como era chamada então, já tinha começado a sua ascensão. Chega a ser espantoso que tenha havido segundo turno em 2010. E, no entanto, houve. E por que digo que foi espantoso? Vamos à avaliação de governo: em abril de 2010, achavam-no ótimo ou bom 73% dois entrevistados. É mais do que o dobro do que se tem hoje: 36%. Consideravam-no só regular 22%, 17 pontos percentuais a menos do que agora: 39%. Viam-no como ruim ou péssimo apenas 5% dos entrevistados: um quinto apenas do que se tem na gestão Dilma: 25%. Com uma avaliação como aquela, era praticamente impossível o governo não vencer a eleição — e venceu, como se sabe. Mas não no primeiro turno.
Notem: em 2010, a maioria deixava claro que não queria mudar quase nada no País. Mesmo assim, Serra chegou ao segundo turno. Em 2014, já registrou o Ibope, 64% dizem esperar um governo completamente diferente; 63% desses 64% — ou 40,32% — querem mudar de rumo e de presidente. No Datafolha, são 72% os que querem mudança, um número muito superior à soma dos votos de Aécio e Campos: 26%. É que muita gente, 39%, ainda aposta que Lula poderia corrigir os rumos do país — mas ele não será candidato — ou que a própria Dilma poderia operá-la: 16%.
Assim, noto que, com o governo do PT muito mais bem avaliado do que hoje — mais do que o dobro de aprovação —, houve segundo turno em 2010. Por que não haveria agora? Mais: há quatro anos, a esmagadora maioria queria conservar a administração; hoje, quer mudá-la. Falta agora que Aécio Neves e Eduardo Campos se identifiquem com a transformação. Eles têm a seu favor o fato de que 57% dizem conhecer Dilma muito bem — apenas 17% afirmam o mesmo de Aécio e 8% de Campos. Nunca ouviram falar de Dilma apenas 1% dos entrevistados; número que chega a 25% com Aécio e 42% com Campos. Mesmo assim, a rejeição aos três é a mesma: 33% no Datafolha. Conclusão: muita gente rejeita Dilma porque a conhece, e muitos rejeitam Aécio e Campos porque não os conhecem.
Os número autorizam a dizer que haverá, sim, segundo turno, que a disputa não será fácil para a presidente e que o risco de derrota do petismo é o maior de 2002 para cá. Isso tudo ajuda a entender a urucubaca de Rui Falcão sobre Dilma. No fim da semana passada, com a elegância costumeira, indagado se a candidatura dela era irreversível, mandou ver: “Irreversível, só a morte!”. Vá se benzer, presidente! Por Reinaldo Azevedo

ERA UMA CRECHE MUITO ENGRAÇADA, NÃO TINHA TETO, NÃO TINHA NADA! E FICA NA RUA DOS BOBOS, Nº ZERO

realizações de Dilma
Por Gabriel Castro, na VEJA.com: Uma das propostas mais marcantes de Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2010 foi a de construir 6.000 creches pelo Brasil até o fim do seu mandato, em 2014. Mas o compromisso, reforçado após a vitória nas urnas, dificilmente será cumprido. Quando iniciou seu quarto ano de mandato, em janeiro, Dilma havia inaugurado apenas 223 creches – 3,7% do total prometido. O total de obras listadas, mesmo as que ainda não saíram do papel, também estava abaixo do previsto: 5.257.
Os dados integram o amplo levatamento feito pelo site de VEJA e pela ONG Contas Abertas nos balanços oficiais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 disponibilizados pelo governo federal. Levando em conta o prazo de conclusão das obras (pelo menos um ano a partir do início da licitação), é certo que a construção das 6.000 creches serão mais uma meta não cumprida pela presidente. A construção das unidades é feita em parceria com as prefeituras: o governo federal repassa os recursos mas é o gestor municipal quem fica responsável por escolher o local da obra e realizar o empreendimento. A demanda por creches é real no país. Mas, por causa da burocracia ou por falta de interesse, os prefeitos parecem não ter ficado impressionados com o plano de Dilma.
Em 2013, já ciente de que a procura era menor do que a prevista, o governo flexibilizou as regras para a adesão ao programa e passou a oferecer um projeto-padrão de engenharia, para agilizar os trabalhos. Na ocasião, Dilma fingiu que os trabalhos estavam prosseguindo no ritmo ideal: “O nosso compromisso era 6.000, mas é muito possível que seja um número maior que nós vamos entregar de creches”, disse ela.
O Ministério da Educação afirma que parte dos atrasos se devem às prefeituras, e diz que o governo trabalha para contratar 6.000 obras de creches até o fim do ano. Aquelas que não estiverem prontas estarão em fase avançada de construção. Mesmo sendo verdadeiras a alegações, a justificativa não é suficiente para eximir o governo de cumprir a promessa feita na campanha. Em 2010, Dilma não se preocupou em explicar ao eleitor que, na verdade, os prazos não dependiam apenas da União.
Quadras
Na campanha e 2010, Dilma também havia prometido construir ou reformar 10.000 quadras esportivas de escolas públicas. Em maio de 2011, a presidente foi além: “Nós vamos construir dentro do PAC 2 em torno de 12 mil quadras cobertas”, disse ela, em um discurso no Palácio do Planalto. Mais uma vez, o resultado foi decepcionante: 481 obras concluídas, de um total de 9.158 contratadas, segundo os dados do próprio governo.
Situação ainda pior é a do Centro de Artes e Esportes Unificados: a lista do governo tem 357 empreendimentos, mas apenas 22 estavam prontos quando foi feito o último balanço. Se mantivesse o ritmo de inauguração de obras, nem a reeleição não seria suficiente para Dilma cumprir as promessas que fez para os seus quatro anos de governo. 

ERA UMA ESTRADA MUITO ENGRAÇADA, NÃO TINHA ASFALTO, NÃO TINHA NADA..... E FICA NA RUA DOS BOBOS, Nº ZERO

Por Gabriel Castro, na VEJA.com: Uma das cenas mais repetidas pela presidente Dilma Rousseff nos últimos três anos é o anúncio de duplicação de rodovias pelo país. Nem sempre as promessas se concretizam – em alguns casos, o tempo passou e ela acabou lançando a mesma obra mais de uma vez. Levantamento feito pelo site de VEJA e pela ONG Contas Abertas mostra que o governo federal concluiu menos de 30% das obras rodoviárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 até agora.

Dados do próprio governo apontam que foram 421 empreendimentos prometidos e 126 entregues. Maior ainda é o número de obras que ainda estão em “ação preparatória” ou em fase de licitação: 133, o equivalente a 31,6% do total, continuam apenas no papel. A conclusão contraria o que diz o próprio governo, que normalmente enfatiza os dados financeiros para apresentar um balanço positivo do Programa de Aceleração do Crescimento. Ao todo, apenas 12% das quase 50.000 obras do PAC foram entregues.
Em um País onde cerca de 60% das cargas são transportadas em caminhões, grande parte das regiões produtoras sofrem com a precariedade das estradas. Muitos trechos, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, simplesmente não possuem asfalto. Assim como em outras áreas, a lentidão e a má qualidade do serviço são os maiores adversários da eficiência. O resultado prático da lentidão nas obras é fácil de se medir. E, por vezes, a conclusão das obras não significa o fim dos problemas. O senador Sérgio Petecão (PSD-AC), vice-presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, cita um exemplo que conheceu de perto: o da BR-364, em seu Estado.
O trecho entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco foi reinaugurado no ano passado. Mas não durou muito até que as chuvas transformassem vários pontos da rodovia em um atoleiro. Enquanto novos trechos eram construídos, partes recém-inauguradas de asfalto começavam a se desintegrar. “Lá aconteceram as duas coisas: má execução de obra e má qualidade do material. Quando termina um trecho, outro já está intrafegável”, diz o senador.
O cenário econômico incerto, o risco de descontrole nas contas públicas e a legislação eleitoral não devem permitir ao governo multiplicar os gastos com as obras do PAC em 2014, para corrigir a defasagem dos primeiros três anos de governo. De acordo com dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em janeiro e fevereiro o governo não aplicou um real sequer do valor previsto para o transporte rodoviário no Orçamento da União. O 1,5 bilhão de reais que saiu dos cofres públicos sob esta rubrica foi integralmente fruto dos chamados restos a pagar – débitos assumidos em anos anteriores.  A má gestão e a falta de controle sobre as obras não são os únicos problemas: especialmente na construção de rodovias, a corrupção é uma praga contra a qual o governo não parece ter as armas necessárias.
Logo no primeiro ano do governo Dilma, VEJA revelou como o Ministério dos Transportes – em especial o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – havia se transformado em uma máquina de fazer dinheiro para o caixa do PR, partido que comandava a pasta graças ao loteamento político promovido por Dilma. A revelação das irregularidades, que envolviam superfaturamento de obras e fraudes em licitações, forçou o governo a promover um expurgo que, como efeito colateral, paralisou temporariamente obras em todo o país. Nem mesmo a “faxina” durou muito: dois anos depois, Dilma devolveu o comando do ministério ao PR e escolheu César Borges para comandar a pasta.
Resposta
De acordo com o Ministério dos Transportes, há muitos trechos de rodovias que já estão liberados para o tráfego mas não aparecem como “concluídos” na lista do governo porque restam “pequenos subtrechos” em obras. O PAC 2, diz a assessoria de imprensa, entregou 3.080 quilômetros de rodovias até agora. A pasta reconhece que, devido ao “porte, extensão e complexidade” das obras, pode haver alterações nos cronogramas.

MENSAGENS REVELAM COBRANÇA DO PETISTA ANDRÉ VARGAS A DOLEIRO PRESO PELA POLÍCIA FEDERAL

Por Robson Bonin, na VEJA.com: Exemplo de entrosamento e cumplicidade, a parceria nascida da amizade de vinte anos entre o vice-presidente da Câmara, André Vargas, e o doleiro paranaense Alberto Youssef era marcada por muitos momentos felizes. Como revela reportagem de VEJA desta semana, para além das viagens de jatinho nas férias, a dupla tinha planos bem ambiciosos. O deputado petista e o doleiro trabalhavam para enriquecer juntos e conquistar a ‘independência financeira’ a partir de contratos fraudulentos com o governo federal. Mas, como acontece nas relações em que há muito dinheiro envolvido, desentendimentos e cobranças também eram comuns. Um novo conjunto de mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato mostra que André Vargas não passava apenas informações do governo ao doleiro. Ele também exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef.

No dia 19 de setembro de 2013, o vice-presidente da Câmara reclama com o doleiro por causa da falta de pagamentos a certos ‘consultores’. ‘Sabe por que não pagam o Milton?’, questiona André Vargas. Yossef tenta tranquilizar o parceiro: ‘Calma, vai ser pago. Falei para você que iria cuidar disso.’ Mas o vice-presidente da Câmara está impaciente. ‘Consultores que trabalham com ele há meses e não receberam’, diz Vargas. ‘Deixa que já vai receber’, garante Youssef. O hábito da dupla de trocar mensagens de celular cifradas não permite que seja identificada a origem desses ‘consultores’ defendidos por Vargas. Mas a conversa é mais um poderoso indício colhido pela Polícia Federal para reforçar a existência de uma sociedade secreta entre o doleiro e vice-presidente da Câmara.
Segundo VEJA revelou na semana passada, a PF já descobriu que Vargas usava sua influência no governo em benefício do parceiro. Nas primeiras mensagens obtidas pela polícia, Vargas e Youssef tratavam de interesses do laboratório Labogen Química Fina e Biotecnologia no Ministério da Saúde. A Labogen é uma das empresas do esquema do doleiro. De acordo com as investigações da PF, a empresa, que está no nome de um laranja de Youssef – e é tudo menos um laboratório farmacêutico -, já havia conseguido fechar uma parceria com o Ministério da Saúde pela qual poderia receber até 150 milhões de reais em vendas de medicamentos.
Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo revelou que o deputado petista voou de férias com a família em um jato particular pago pelo doleiro. O presente custou 100.000 reais. Por causa dessa revelação, André Vargas usou a tribuna da Câmara para pedir desculpas aos colegas e à família. Ele também negou qualquer envolvimento na operação do Ministério da Saúde, mas foi prontamente desmentido pelo ex-ministro Alexandre Padilha, que admitiu ter sido procurado por Vargas para tratar dos interesses do laboratório do doleiro. Diante das novas revelações feitas por VEJA, os partidos de oposição na Câmara já anunciaram que irão pedir a abertura de processo contra André Vargas.
‘Agora não basta mais discurso, tem que ter um gesto. E esse gesto principal é de se licenciar do cargo para dar condições plenas de a Mesa Diretora avaliar com isenção essas denúncias que o colocam em uma situação muito difícil’, afirmou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), referindo-se ao fato de que Vargas, por ser o vice-presidente da Câmara, integra a diretoria da Casa. ‘É óbvia essa relação promíscua e que o doleiro é operador de um dinheiro público desviado para o partido e para o deputado. O André Vargas é de confiança de Dilma e de Lula. Tomara que ele não siga essa cartilha do PT de dizer que não sabe de nada e que não cometeu nenhum crime. A primeira atitude que ele tem de tomar é se afastar da vice-presidência. Depois, renunciar’, completa o vice-líder do PSDB, deputado Nilson Leitão (MT).
Com as novas denúncias contra o petista, a oposição vai ampliar os argumentos para solicitar que a Câmara o investigue. Embora a Secretaria-Geral tenha rejeitado o pedido do PSOL para que a Corregedoria avaliasse o caso do jatinho, o partido planeja incluir as novas revelações no parecer para insistir no pedido de investigação. ‘Quero uma posição definitiva da Mesa. Justamente porque ele é vice-presidente a diretoria tem de se pronunciar formalmente. É um constrangimento, neste momento, dizer que não há nada’, afirmou o líder Ivan Valente (PSOL-SP). Em uma segunda investida para que o caso seja apurado, o DEM e o PSDB vão acionar o Conselho de Ética no início da próxima semana. ‘Nós já tínhamos indicações claras de quebra de decoro com a viagem no jatinho. Agora, a situação assume uma nova dimensão e a gravidade das ocorrências vai ser incluída na representação’, disse o líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA). ‘As versão foram sendo mudadas no curso das notícias e o deputado está em uma situação cada vez mais complicada’, continuou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).