sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

HADDADOLÂNDIA: PREFEITO DE SÃO PAULO DIZ QUE SEGUIRÁ COM SEU PROGRAMA ALOPRADO NEM QUE SEJA "NA MARRA"; FAZ SENTIDO! NA ESSÊNCIA, ELE É ILEGAL

Bacana o estilo “faço e aconteço” do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Boa parte da população da cidade já percebeu qual é a dele. A avaliação de sua gestão é um bom espelho do seu desempenho até aqui. E olhem que conta com um apoio na imprensa como raramente vi. O programa do governo do estado que trata dependentes químicos é tratado a tapas e pontapés. O de Haddad, que dá dinheiro, moradia e comida para viciados, é considerado uma flor do humanismo. Boa parte dos jornalistas acha que as drogas têm de ser descriminadas porque seria uma questão “de direitos individuais”. Quando o sujeito se estrepa, esses mesmos consideram que o problema é do Estado. Sendo do Estado, vão mais longe: o dependente se submete a tratamento se quiser. Se não quiser, o Poder Público tem de financiar o seu vício e lhe oferecer condições de uma vida digna. No Brasil, ter tuberculose, uma doença da pobreza, é que é uma merda. Ninguém dá bola para um tuberculoso dos cafundós do Judas. Nem um cubano tem o que fazer com ele porque não é uma doença que se resolve, como disse Dilma, num rasgo poético, com “apalpadas”. Nesta sexta-feira, Haddad diz que o seu programa seguirá nem que seja “na marra”. Não sei por que tanta testosterona verbal. Quem está impedindo o alcaide de seguir com seu programa aloprado? Outro em seu lugar já estaria enfrentando o Ministério Público, que o chamaria às falas por ter decidido entregar um pedaço da cidade para uma comunidade com, digamos, hábitos muito particulares. É evidente que isso agride os direitos das pessoas que moram e trabalham na região e estão sitiadas. É evidente, é uma questão de funcionamento da economia, que, ao se perenizar na área um público com hábitos tão particulares, virá junto uma cadeia de “serviços” para atender às suas demandas. O resultado é degradação. Os pagadores de IPTU da região estarão dando uma parte dos seus rendimentos para financiar a degradação do seu patrimônio. Chego a ficar constrangido só de escrever a respeito. Nenhum dos bananas que apoiam esse programa gostaria de estar na pele dos moradores do Centro. É uma canalhice moral defender um troço como esse dando um “graças a Deus” por não estar lá.
Mas Haddad diz que vai nem que “seja na marra”. É mesmo? Entendi.
Os viciados terão de aceitar um salário nem que seja na marra.
Os viciados terão de morar de graça nem que seja na marra.
Os viciados terão comida de graça nem que seja na marra.
Os viciados não estão obrigado a contrapartidas nem que seja na marra.
A ousadia do prefeito e seus amigos chegou a tal ponto que eles querem agora impedir o trabalho da polícia. É muito impressionante que a imprensa não submeta a fala de Roberto Porto — secretário de Segurança da cidade e homem bom de embargos auriculares com alguns de seus amigos jornalistas — à lógica elementar. Leio a seguinte declaração sua: “A prisão de traficantes, ninguém pode ser contra e isso vem sendo feito. Nós temos em média três prisões por dia de traficantes no local, sem qualquer problema”. É mesmo? Ele repete, então, o que disse na quinta-feira a chefe do Denarc, Elaine Biasoli. Também a Polícia Civil faz prisões por ali. O que aconteceu de diferente ontem? Simples: os frequentadores da Cracolândia cercaram os policiais, agrediram-nos e depredaram viaturas. Porto queria o quê? A POLÍCIA FOI ATACADA, NÃO ATACOU. E isso aconteceu no dia em que capas-pretas do petismo passaram por lá: Alexandre Padilha, ainda ministro da Doença e futuro candidato ao governo de São Paulo; José de Fillipi Jr., secretário da Doença da cidade e autor intelectual do “Bolsa Crack”, além do próprio Porto, presente quando o confronto aconteceu. Estou sugerindo que os petistas insuflaram as agressões contra a polícia? Eu nunca sugiro nada. Ou digo ou não digo. E eu estou dizendo que os políticos, ao fazer proselitismo na Haddadolândia, reforçam a percepção dos frequentadores de que aquela é, de fato, uma área em que vale tudo — não submetida, portanto, às leis que vigoram no resto da cidade e do País. E a coisa vai piorar depois do escarcéu feito na quinta-feira. Os próprios policiais, civis e militares, tenderão a se perguntar: “Por que vou me meter nessa roubada? Para que a imprensa caia de pau? Para que a Corregedoria caia de pau? Para apanhar das autoridades da Prefeitura? Para ser visto como espancador de pobre?”. E se tem, então, a espiral de irresponsabilidades. É claro que a perspectiva será de crescimento da Cracolândia, que acabará atraindo viciados de outras cidades e de outros estados. O governador Geraldo Alckmin também falou sobre o episódio. Afirmou que é preciso parar com picuinhas políticas e que o Denarc estava lá para prender traficantes. Como os policiais foram agredidos, houve reação. E foi o que aconteceu. Nada além disso. O problema é enfrentar a máquina de produzir factoides. À Folha, Porto, o dos embargos auriculares, afirmou: “Nós tivemos pessoas atendidas no ‘Braços Abertos’ relatando que foram atingidas por balas de borracha. Eu pude presenciar, na ocasião, policiais civis com a arma disparadora da bala de borracha. Agora se era para somente intimidar ou não eu não posso dizer”. Este senhor é o secretário de Segurança do município. Ainda que os relatos tenham acontecido e ainda que ele tenha visto a tal arma, é visível que ele não a viu sendo disparada. Sem ter em mãos as evidências inquestionáveis, a única postura responsável, para alguém que ocupa o seu cargo, seria se calar a respeito até que surgisse a prova. A Polícia Civil pode, sim, usar balas de borracha. Mas, segundo o Denarc, não foram empregadas na quinta-feira. Ainda que tivessem ou tenham sido, se há uma turba que parte pra cima de policiais para impedi-los de fazer o seu trabalho, é preciso reagir — se for o caso, com balas de borracha. É, diga-se, o que fazem as polícias em estados governados pelo PT. E aí a Al Qaeda eletrônica se cala. Coragem, Haddad! Siga com o seu programa “na marra”, já que, segundo qualquer critério que se queira, ele está mesmo fora da lei. Por Reinaldo Azevedo

A HADDADOLÂNDIA E O BOLSA CRACK - SÃO PAULO, A CIDADE QUE ESTÁ SENDO FUMADA

O que aconteceu na quinta-feira no Centro de São Paulo, na Haddadolândia, ex-Cracolândia, é muito grave. E não me refiro, é evidente, à ação do Denarc, que prendeu um traficante. Refiro-me é à rapidez com que os petistas, setores da imprensa, ONGs e a Al Qaeda eletrônica petralha nas redes sociais se uniram para criar uma farsa, para inventar uma história que não existiu, a exemplo do que fizeram há dias com o jovem Kaíque, que, infelizmente, suicidou-se pulando de um viaduto. Tentaram criar uma vítima da homofobia. A ministra Maria do Rosário, com irresponsabilidade peculiar, emitiu uma nota acusando o crime que não aconteceu. E não se desculpou depois. No caso da Haddadolândia, como se sabe, os policiais foram atacados por dependentes — três se feriram. Veículos da polícia foram depredados. Foi chamado o reforço — e é o que tem de ser feito —, e houve confronto. Em nenhum momento, Fernando Haddad ou seu secretário de Segurança, um queridinho de setores da imprensa chamado Roberto Porto, lamentaram o ataque aos policiais. Ao contrário: a Polícia Civil foi tratada como uma força invasora; como se tivesse pisado território sagrado; como se tivesse cruzado a linha que separa o resto da cidade de uma zona livre para o consumo e o tráfico de drogas. De maneira ridícula, patética, assombrosa, Haddad reclamou que a prefeitura não fora previamente avisada da operação, reclamação que Roberto Porto repetiu em entrevista ao Jornal da Globo. E por que ele deveria? Que se saiba, a repressão ao tráfico não é tarefa do município. Na prática, a atual gestão faz exatamente o contrário: põe mais dinheiro nas mãos de dependentes. Em vez de a petezada se mobilizar para vir aqui me ofender, deveria tentar provar que falo mentira; deveria tentar demonstrar que distorço os fatos quando digo que Haddad está dando aos consumidores — que são os clientes dos traficantes — mais dinheiro do que tinham antes. O Denarc, já deixei claro, não tem de avisar a prefeitura de coisa nenhuma. A ex-Cracolândia, atual Haddadolândia, não é um país independente; não é uma região autônoma, embora Haddad queira fazer parecer que sim. A versão só prosperou porque, quando o assunto é descriminação das drogas e congêneres — e a Haddadolância é hoje uma cidade em que as drogas foram descriminadas, e os viciados, estatizados — não há objetividade possível em amplos setores da imprensa. Aí vários comandos de redação —  incluindo TVs — permitem a mais desabrida militância. Já está evidente, leiam os posts abaixo, que o Denarc nada mais fez do que cumprir a sua função. Reportagem da Folha informa que há a suspeita de que policiais do órgão estariam ligados ao tráfico na região. É? Que a polícia se mobilize para prendê-los. Não há evidência de que a operação de quinta-feira tenha relação com isso. Já vivi o bastante para desconfiar de algumas coincidências. Como deixou claro a delegada Elaine Biasoli, a prisão de traficantes na região é frequente — e nem poderia ser diferente: ali estão os consumidores e o dinheiro. Segundo ela, houve 65 detenções por ali de novembro até 20 de janeiro. Na quinta-feira, no entanto, haviam passado por lá três capas-pretas do PT: o ministro Alexandre Padilha e os secretários municipais José de Fillipi Jr. (Saúde) e o já citado Roberto Porto. Não pensem que os dependentes estão desconectados do mundo a ponto de não saber o que se passa. É claro que eles já perceberam que podem contar, sim, com a prefeitura — e da pior maneira possível. Haddad resolveu lhes conceder aquele pedaço da cidade. Ele está pouco se lixando para quem mora ou trabalha por ali. Nesta sexta-feira, a Juventude do PT (petista e jovem ao mesmo tempo??? Que coisa velha!!!) decidiu fazer uma manifestação na Haddadolândia contra a ação da polícia. Ora, vocês já sabem qual é o desdobramento prático disso: os traficantes, que são, de fato, os que mandam no pedaço, vão se sentir ainda mais livres para enfrentar a polícia. Haddad, ele sim, está criando um gueto; Haddad, ele sim, está criando uma política de apartheid. Ridiculamente, setores da imprensa endossam a conversa mole de que a ação do Denarc atrapalha o programa De Braços Abertos (o tal que dá salário, comida e casa). Atrapalha em quê? Os traficantes, então, devem ficar soltos? Haddad, já firmei aqui, está querendo encontrar uma desculpa para o que é um fracasso por definição. Estamos diante de um caso escancarado de degradação do estado de direito. É claro que se decidiu, ainda que informalmente, que a Haddadolândica fica num outro país — num outro mundo, quem sabe… Fico cá a imaginar o que sentirão os proprietários de imóveis da região quando receberem o carnê de IPTU, por exemplo. Estarão pagando um imposto à prefeitura para viver em meio ao lixo, enquanto o seu patrimônio vai sendo fumado pelos intocáveis de Fernando Haddad. Não é só isso: o prefeito está destruindo um patrimônio material e cultural que é de todos os paulistanos. Na região e seu entorno — que também vai se degradando —, está a melhor infraestrutura da cidade. Também ela está virando fumaça, junto com um pedaço da história da cidade. É preciso que se tenha muito claro que, enquanto durar essa política, não há recuperação possível para aquela área da cidade. Ainda que Haddad perca a eleição em 2016 — como está longe! —, seu sucessor ou sucessora terá dificuldades imensas para pôr fim a esse programa irresponsável, pautado pela má consciência dos oportunistas e pela boa consciência dos ingênuos. Por que Haddad não se muda para a Cracolândia? Se acha que pais e mães, que moram no Centro da cidade, devem submeter seus filhos àquela rotina, por que não dá ele próprio o exemplo e leva pra lá a sua família? Demagogia? Ora, ele já não andou até de ônibus? Mas atenção! Tem de ficar lá sem escolta armada, como acontece com os demais moradores. Não deixa de ser eloquente que, na quinta-feira, o primeiro figurão petista a visitar a Haddadolândia tenha sido justamente Alexandre Padilha, que é o novo Haddad que Lula tirou do bolso do colete, agora para concorrer ao governo de São Paulo. Quem sabe venha por aí uma Haddadolândia de dimensões estaduais, não é? Por Reinaldo Azevedo

UM ENCONTRO COM O PRESIDENTE DA OAB-RS E UM PEDIDO EM NOME DOS JORNALISTAS PROCESSADOS PARA QUE CALEM A BOCA

Estive ao final da tarde desta sexta-feira com o presidente da OAB-RS, advogado criminalista Marcelo Bertoluci, para entrevistá-lo sobre a lista sextupla da entidade, enviada ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, para a formação da lista tripla que será enviada ao governador do Estado, o peremptório petista "grilo falante" Tarso Genro, de onde deverá sair o representante do 5º Constitucional para ocupar uma vaga de desembargador. Aproveitei a oportunidade para sugerir se ocupe de examinar uma preocupante situação: durante este regime petralha que assola o País, mais de 7.000 jornalistas no País inteiro estão sofrendo ações judiciais. Isto acaba sendo o exercício de uma censura muito pior do que aquela exercida pela ditadura militar. Eu trabalhei na redação de O Estado de S. Paulo com oficiais do Exército promoviam a censura de matérias em plena redação, usando lápis de cera vermelho. Como é que se exerce a censura atualmente? Como a promoção de ações cíveis indenizatórias contra os jornalistas, por supostas injúria, calúnia ou difamação. Os autores das ações aprenderam que é muito difícil prosperar uma ação criminal contra jornalista. A lei é clara: para haver o crime, é preciso haver a intenção dolosa, e isto quase nunca se prova. Os processos criminais caem quase todos. Mas, então, no Judiciário brasileiro, passaram a prosperar as ações cíveis contra jornalistas, e quase todas com condenações a pagamento de altas somas de indenização. Alguém conhece algum jornalista milionário? Pois os juízes e desembargadores acham que todos os jornalistas são ricos. O jornalista pode ser absolvido na ação criminal, mas é condenado na ação cível. É uma coisa curiosa: não há o crime, decidido pela própria Justiça, mas o jornalista é condenado por esse crime na área cível. Advogados, que já tiveram grande compromisso com as liberdades durante a ditadura militar, atualmente não vacilar em tocar ações indenizatórias contra os jornalistas, como se estes não fossem guardiões da democracia como eles. Vejam bem: são mais de 7.000 jornalistas processados. Há completo dossiê sobre essa situação na Associação Nacional dos Jornais. Ora, a OAB, que no passado apoiou causas importantes ao lado da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), inclusive no famoso requerimento de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, e que hoje destaca comitês inteiros de advogados para que acompanhem passeatas e promovam a imediata liberação de black-blocs e outros arruaceiros nas delegacias de polícia, também deveria se preocupar com esta preocupante questão: 7.000 jornalistas processados no País.. ... Algo de muito errado deve estar acontecendo..... Nada espero e nada quero de sindicatos e federações de jornalistas. Jamais fui sindicalizado e jamais serei, usufruindo na totalidade o meu direito constitucional de não ser compungido a me filiar a uma dessas entidades. Jamais me filiarei a entidades que são meras correntes de transmissão do petismo, a mola mestra do autoritarismo que toma conta do País. Fui, sou e continuarei sendo contrário à exigência do diploma para o exercício do jornalismo. Saudei e continuo saudando a decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a exigência dos diplomas para o exercício da profissão de jornalista. E sou contra, por óbvio, à instalação dessa barbárie totalitária que seria a criação do Conselho Federal de Jornalismo. Não pode haver regulação pública, estatal, sobre a liberdade de pensamento, sobre a liberdade de transmissão da informação. Isso é uma excrescência. Naturalmente, não sou contra as escolas de jornalismo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Regulação é tão somente reserva de mercado, corporativismo, e as liberdades de pensamento e de informação não podem estar submetidas por corporativismo. Marcelo Bertoluci, presidente da OAB RS, colocou-se à disposição para receber representante da ANJ para tratar desta preocupante questão que assola a liberdade de imprensa no Brasil.

FINANCIAL TIMES DIZ QUE BRASIL PERDEU CERCA DE US$ 284 BILHÕES EM INVESTIMENTOS EM TRÊS ANOS

O jornal britânico Financial Times publicou reportagem nesta quinta-feira mostrando que o Brasil perdeu cerca de 284 bilhões de dólares em investimentos nos últimos três anos. O veículo toma como base números do Banco Central brasileiro. A matéria do Financial Times mostra que o fluxo de investimentos estrangeiros - somando investimento direto e em carteira de ativos financeiros - no Brasil superou 260 bilhões de dólares entre janeiro de 2011 e novembro do ano passado. Apesar dessa entrada de capital, nesse mesmo intervalo, o valor desses ativos detidos por estrangeiros caiu de 1,351 bilhões de dólares para 1,327 bilhões de dólares, uma perda de mais de 284 bilhões de dólares. O jornal britânico diz que a perda nesses três anos é de uma destruição "de escala colossal". Contudo, o Financial Times pondera que isso não quer dizer que os investidores deixaram de ganhar dinheiro no País. "O Brasil rendeu enormes retornos. Ao longo de 2009, de acordo com o Banco Central, o valor das ações detidas por estrangeiros aumentou de 150 bilhões de dólares para 376 bilhões de dólares, alta de quase 227 bilhões de dólares em um ano em que houve entrada de apenas 37 bilhões de dólares, o que quer dizer um rendimento de 190 bilhões de dólares em ações apenas esse ano", comenta o jornal. O Financial Times não vê um cenário promissor para os investimentos no Brasil, a menos que a conjuntura internacional mude ou o País altere sua política econômica. Apesar de reconhecer que a crise mundial afetou o crescimento econômico do País, o jornal britânico lembra que os críticos dizem que o mau desempenho é consequência do aumento de uma marca local do "capitalismo de Estado" brasileiro.

ROMEU TUMA JR. VEM A PORTO ALEGRE NO DIA 30 PARA DEPOR A FAVOR DE JOÃO LUIZ VARGAS NO PROCESSO QUE LHE MOVE O GOVERNADOR PETISTA "GRILO FALANTE" TARSO GENRO

O advogado criminalista Eduardo Schmidt Jobim, que defende João Luiz Vargas (ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembléia Legislativa; ex-conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul) no processo crime movido pelo peremptório petista "grilo falante" Tarso Genro, informou a Videversus, nesta quinta-feira, que o delegado Romeu Tuma Jr virá à capital gaúcha no dia 30 de janeiro para depor a favor do político gaúcho contra o governador do PT. Romeu Tuma Jr foi secretário nacional de Justiça, quando Tarso Genro era ministro da Justiça. Ele é autor do demolidor livro "Assassinato de reputações", em que não poupa críticas a Tarso Genro, que ele acusa de ter montado um aparelho político-policial no Ministério da Justiça e na Polícia Federal, para investigar inimigos políticos a partir de dossiês apócrifos montados pelo PT e pelos petistas. Ele colocou o apelido de "grilo falante" em Tarso Genro, porque disse que o então ministro da Justiça vivia em seus ouvidos cobrando que ele determinasse à Polícia Federal a abertura de investigações a partir dos tais dossiês apócrifos. João Luiz Vargas está sendo processado por Tarso Genro por causa da distribuição de um panfleto em função do lançamento de seu livro, no ano passado, com o título "Conspiração Rodin". Nesse panfleto, João Luiz Vargas comparou o peremptório petista "grilo falante" Tarso Genro com o general franquista José Millán-Astray y Terreros. Astray ficou famoso por causa de seu horroroso discurso de elogio à morte ("Viva la muerte") pronunciado na Universidade de Salamanca, e que foi vivamente retrucado pelo reitor Miguel de de Unamuno. No panfleto, João Luiz Vargas dizia que o peremptório petista "grilo falante" Tarso era responsável pelo clima de morte que se abateu em Santa Maria com a construção político-policial da Operação Rodin, a partir de denúncias "anônimas", o que resultou em perdas de mais de 2 bilhões de reais em empregos em projetos de pesquisa conduzidos pelas fundações locais de apoio à Universidade Federal de Santa Maria (FATEC e Fundae) e pelas 242 mortes registradas na boate assassina Kiss, onde morreram 242 jovens. A boate tinha recebido autorização para operar, ilegalmente, do Corpo de Bombeiros, da Brigada Militar, que tem Tarso Genro como seu comandante maior. Clique no link e leia a matéria que Videversus publicou sobre o caso no dia 12 de agosto do ano passado http://poncheverde.blogspot.com.br/2013/08/o-peremptorio-petista-tarso-genro.html

MOVIMENTO DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS RESPONSABILIZA O GOVERNO PELO CAOS PRISIONAL NO RIO GRANDE DO SUL

Enquanto os deputados da Assembléia Legislativa ingressam no quarto ano da atual legislatura sem mover um só músculo para impor medidas de contenção aos desmandos do governador Tarso Genro na área carcerária, forçando-o a melhorar imediatamente o atual cenário de degradação e desumanidade, as organizações ligadas ao judiciário, profissionais do direito e da engenharia, resolveram pegar o peão na unha a pressionar. A eles somou-se desde o início o Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Nesta quinta-feira, o MJDH tirou dura nota sobre o caso, exigindo imediatas providências do governo do PT.  A nota comete apenas um deslize, porque responsabiliza os chamados "Poderes constituídos" pelo caos prisional, quando o assunto é de responsabilidade exclusiva do governador Tarso Genro, já que Judiciário e Legislativo não possuem funções executivas na área e o assunto nem é de sua responsabilidade constitucional. Leia:
Nota oficial do MJDH sobre o caos prisional do RS - II
Em 25 de novembro de 2013, considerando a gravidade das notícias divulgadas pelos meios de comunicação, o MJDH manifestou novamente a sua preocupação com o descaso dos Poderes constituídos referentemente a situação do sistema prisional no RS. Tal fato deve sempre afligir a qualquer sociedade que se pretenda civilizada e, bem assim, assinala as consequências jurídicas e sociais daí advindas. Em janeiro de 2014, representantes do Poder Judiciário noticiam uma conjuntura ainda mais grave e alarmante, resultando em um debate com o Poder Executivo. Assim, como não se vislumbra iniciativa ou ação realmente eficaz para transformar a referida situação, registra-se que o MJDH, como a sociedade gaúcha, espera a adoção urgente das medidas necessárias requeridas pelo sistema penitenciário/RS, objetivando tanto os apenados, quanto os funcionários. É de se mencionar que a continuidade do descumprimento da legislação específica aplicável, determina a responsabilização imediata da respectiva autoridade. Continuamos a necessitar de prisões nas quais, com dignidade, os condenados cumpram suas penas e servidores públicos trabalhem com dignidade. O respeito pelos direito de todos os gaúchos, tenham ou não cometidos crimes, deve ser regra no Estado do Rio Grande do Sul. (Políbio Braga)

CEEE DE TARSO GENRO CASTIGA OS CONSUMIDORES, MAS POUPA INDÚSTRIAS E COMÉRCIO

Da mesma forma que a CEEE, controlada pelo governo estadual, promove cortes seletivos, o que ocorre para não submeter a Grande Porto Alegre e a Metade Sul a um apagão de verdade, portanto com resultados econômica e politicamente que seriam desastrosos para o governador Tarso Genro e o PT, também os cortes não são aplicados sobre as indústrias e o comércio. As razões são idênticas, mas no caso do comércio e indústria, os apagões seletivos interromperiam a produção e as vendas, inclusive dos shopping centers, gerando desconfiança em relação aos investidores e tornando insuportáveis as pressões políticas exercidas pela Fiergs e Federasul. Até mesmo empresas jornalísticas do porte de Zero Hora, Correio do Povo e Jornal do Comércio, reagiriam de modo escandaloso, o que não fazem porque não sofrem o que sofrem milhares de portoalegrenses e gaúchos servidos pela CEEE. (Políbio Braga)

FAVORITO PARA ASSUMIR A SAÚDE TRANSFERE EMPRESA DE CONSULTORIA PARA MULHER

Favorito para assumir o Ministério da Saúde, Ademar Arthur Chioro dos Reis, atual secretário de Saúde em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, afirmou que transferiu para a mulher, Roseli Regis dos Reis, sua cota majoritária na empresa Consaúde Consultoria, Auditoria e Planejamento LTDA, da qual é sócio-diretor desde 1997. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, Chioro afirmou que sua mulher ficará com 99% das cotas da empresa – desde 2012, ela é minoritária no negócio, segundo a Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Filiado ao PT, o secretário é alvo de um inquérito civil no Ministério Público Estadual que apura uma “possível violação ao princípio da administração pública” por causa do acúmulo do cargo de secretário municipal com o de sócio majoritário da empresa de consultoria. O processo foi aberto pela promotora Taciana Trevisoli Panagio em setembro de 2013.
Diante da repercussão negativa da denúncia de improbidade nesta semana, o secretário afirmou que acionou a Junta Comercial para se desligar formalmente da Consaúde. Segundo ele, a mudança foi para evitar “dor de cabeça” e “aborrecimento”. A legislação federal proíbe que servidores participem da “gerência ou administração de sociedade privada”.
Ele disse ainda que, desde 2009, quando foi empossado secretário na prefeitura de São Bernardo, não desempenha nenhuma atividade na Consaúde por “falta de tempo” e que a empresa nunca prestou serviço para a cidade do ABC paulista. “No entendimento do município, não há nenhuma irregularidade em ser secretário de saúde e sócio de uma empresa que presta consultoria na área da saúde”, disse. No entanto, ele confirmou que continuou recebendo os vencimentos da firma como sócio majoritário mesmo afastado do cargo de consultor.
Segundo a Lei Orgânica de São Bernardo do Campo, o acúmulo de funções também é proibido. No artigo 28, consta que “vereadores não poderão ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoas de direito público ou nela exercer função renumerada”. No artigo 84, a restrição é estendida para “os auxiliares diretos do prefeito”.
O ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) foi demitido do cargo após se envolver em escândalo referente à evolução patrimonial de consultoria de sua propriedade. O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) foi investigado pela Comissão de Ética Pública da presidência pelo mesmo motivo.
Chioro não confirmou o convite da presidente Dilma Rousseff para assumir a pasta, mas sua nomeação é dada como certa em Brasília.“Qualquer tema relacionado à conversa compete à presidente da República”, desconversou. Na última terça-feira, ele se encontrou com a presidente e o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que deixará o cargo para concorrer ao governo de São Paulo.
Empresa
No último ano, a Consaúde prestou um serviço no valor de 8.000 reais para a cidade de Ubatuba, comandada por Maurício Moromizato (PT). Reis, no entanto, disse que a empresa não tem “predileção partidária”, listando prefeituras geridas por outros partidos com quem a firma já fechou negócios, como Pindamonhangaba (SP), São Luis do Paraitinga (SP) e Volta Redonda (RJ).
Há 17 anos em atividade, a empresa firmou contrato com o governo federal, em 2000, na gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Também já prestou consultoria para o governo de Angola e para os Estados da Bahia e de Pernambuco. O secretário disse que, no momento, a empresa não tem nenhum cliente e que o contrato com Ubatuba foi encerrado no fim do ano passado.
Junto com outros sócios, Reis fundou a Consaúde em 1997. Em março de 2003, se afastou da sociedade para assumir posto no Ministério da Saúde, no governo Lula. Em 2005, pediu exoneração do cargo e voltou à sociedade em 2006. Seis anos depois, tornou-se sócio majoritário da firma com 36.900 reais. Em 2009, ele foi nomeado secretário municipal da Saúde pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT).

HADDAD TENTA JUSTIFICAR O FRACASSO JÁ EVIDENTE DO BOLSA CRACK. OU: INFORMAÇÃO E MANIPULAÇÃO NUM DIA QUE OS CHEFÕES PETISTAS FORAM À HADDADOLÂNDIA

Há muitos anos não via um fato submetido ao filtro da distorção militante como faz o Estadão num vídeo, todo editorializado, que está no ar sobre a ação do Denarc na Cracolândia. É espantoso! O vídeo, na íntegra, está aqui.

Para começo de conversa, sugiro que vocês façam um exercício, a que professores de cinema recorrem em certas aulas. Primeiro assistam ao vídeo sem som. Acompanhem apenas a mímica dos policiais e tentem procurar algum excesso. Em seguida, assistam ao vídeo com som. Aí as sirenes, motores, correria e gritaria criam a impressão de agressões inaceitáveis. Cadê? No vídeo, não há. E, como não há, o Estadão decidiu editar as imagens, dar uma pilhada no material, acrescentando um texto que não coincide com as imagens. Vejam. Comento cada quadro.
Cracolândia Estadão 1
Comento – O Denarc não está obrigado a comunicar previamente coisa nenhuma a ninguém. Desde quando é preciso pedir autorização para prender traficante?
Cracolândia Estadão 2
Comento – O Denarc não cercou ninguém. Ao prender traficantes, os policiais foram cercados e agredidos. Três carros de polícia foram depredados. E chegaram os reforços. O que há de errado nisso?
Cracolândia Estadão 3
Comento – É o contrário. O texto traz uma inversão detestável. A polícia é que, atacada com paus e pedras, revidou. Quando às balas de borracha, até agora não apareceu imagem nenhuma.
Cracolândia Estadão 4
Comento – Deixem-me ver se entendi. Quando o Denarc tiver de prender traficantes, terá de comunicar previamente:a: os agentes de saúde e assistência social da Prefeitura;b: o secretário de segurança do município;c: o prefeito Fernando Haddad.
Cracolândia Estadão 5
Comento – Nos velhos tempos, um veículo de comunicação recorria à fórmula “a reportagem apurou” para dar uma informação que NÃO ERA DO INTERESSE OFICIAL. Agora, a coisa mudou. Haddad já se deu conta do fracasso de seu absurdo programa e tenta transferir responsabilidades. O Estadão está colaborando.
O jornal e o prefeito poderiam explicar por que a ação do Denarc prejudica o programa; ação essa que não atingiu os beneficiários.
Qual é o nexo lógico? Qual é a relação de causa e efeito?
Olhem aqui: o Estadão pode apoiar o programa o quanto quiser. Mas acredito que é possível fazê-lo ancorando-se nos fatos.
Ângulo das fotos
Vi há pouco o Jornal Nacional. A reportagem apresenta fotos da ação policial. Vejam algumas. Reparem nos créditos e no ângulo. Volto depois.
Cracolândia JN 1
 Cacolândia JN 2
Cracolândia JN 3
No crédito, lê-se: “Imagens cedidas pela Prefeitura”. Como se pode constatar, alguém, do alto de um prédio, a serviço da Prefeitura, estava registrando tudo. Isso no dia em que haviam passado por lá os petistas Alexandre Padilha, José de Fillipi Jr. e Roberto Porto.
Segundo a delegada Elaine Biasoli, chefe do Denarc, a prisão de traficantes na região é corriqueira, frequente: 65 pessoas de novembro ao dia 20 deste mês. Só nesta quinta, com a Haddadolândia coalhada de petistas, é que houve reação. Um deles ao menos, tudo indica, tinha a tarefa de fazer as fotos. Por Reinaldo Azevedo

HADDAD, PT E IMPRENSA CRIAM O "2ª CASO CAÍQUE", AGORA NA HADDADOLÂNDIA. CHEFE DO DENARC PÕE FIM À FARSA COM FIRMEZA E CLAREZA: NÃO FOI OPERAÇÃO-SURPRESA! OU AINDA: CHEFÕES NO PT NA HADDADOLÂNDIA


Elaine Biasoli: chefe do Denarc não tem medo de cumprir sua função e não tem de se submeter às loucuras de Haddad sobre o crack
Elaine Biasoli: chefe do Denarc não tem medo de cumprir sua função e não tem de se submeter às loucuras de Haddad sobre o crack
Estranhei a informação, que estava em toda parte — e me refiro a ela no post que já escrevi — de que policiais civis teriam usado “balas de borracha” na Cracolândia. A operação na região foi conduzida pelo Denarc, chefiado hoje pela delegada Elaine Maria Biasoli. Nada sei contra essa mulher. Ao contrário: o que sei é a favor. Entre outras coisas, tem coragem de enfrentar as milícias da mentira e da distorção.
A informação do uso de balas de borracha está em toda parte e mobiliza a Al Qaeda eletrônica petista na Internet. A Rádio Estadão entrevistou a delegada. Para ouvir, clique aqui. Ninguém lhe perguntou nada a respeito.
Mentira! A operação não foi “surpresa”. Trata-se de uma farsa alimentada pelo prefeito Fernando Haddad, por seus auxiliares, por petistas no geral e pelos setores da imprensa que aceitam ser porta-vozes dessas gente.
Uma das tarefas do Denarc é prender traficantes. Ninguém precisa ser previamente avisado disso. Elaine Maria, na conversa com o Estadão, se ofereceu para fornecer os dados pormenorizados: desde que ela assumiu o departamento, em novembro, até o dia 20 deste mês, 65 traficantes foram presos na região.
Segundo caso Caíque
Estamos diante de um “segundo caso Caíque”, uma referência aquele pobre rapaz que se suicidou e que os petistas e militantes tentaram transformar numa vítima da homofobia, com acusações veladas à polícia, que só cumpria o seu dever.
O programa “Braços Abertos” da Prefeitura, como já afirmei aqui, criou a zona livre do tráfico e do consumo de drogas. O que esperam? Que o Denarc deixe os traficantes circulando livremente, é isso? O prefeito que venha a público defender a legalização das drogas. Se a sociedade aceitar, tudo bem… Elaine Maria deixa claro: o Denarc tem obrigações, sim, firmadas moral e legalmente também com quem trabalha e mora na região. O Denarc não prendeu consumidores, mas traficantes, numa ação rotineira. E por que a confusão nesta quinta-feira?
Petistas na área
Curiosamente, esta quinta foi um dia de romaria de figurões petistas à Cracolândia. Sabem quem estava lá de manhã? Ninguém menos do que o ministro-candidato Alexandre Padilha. Estava acompanhado do secretário de Saúde da cidade, José de Fillipi Jr.
À tarde, durante as prisões efetuadas pelo Denarc e que resultaram em confrontos, quem estava presente à região era o secretário municipal de Segurança, Roberto Porto. Ele foi um dos que se disseram surpresos.
Surpreso com o quê? Desde quando o Denarc tem de avisar ao sr. Porto que vai efetuar uma prisão? Aliás, o departamento não tem de pedir autorização para ninguém porque tem autonomia funcional para isso: nem para Porto, para Haddad, para a Polícia Militar ou mesmo para a Secretaria de Segurança de São Paulo.
Essa história da operação-surpresa é uma farsa asquerosa. E, tudo indica, a das balas de borracha também, artefato que não é de uso regular da Polícia Civil. Mas não tenho receio de dizer tudo: se policiais estão sendo atacados por uma turba, por que não? Mas parece que tudo não passa mesmo de uma farsa.
Braços Abertos
A Al Qaeda eletrônica atua a todo vapor, como fez no caso Caíque. Haddad deu uma de Maria do Rosário e, claro!, saiu atacando a polícia. Os delinquentes morais dizem, referindo-se ao Programa Braços Abertos, a Bolsa Crack de Haddad: “A Prefeitura abraça, e o Estado mata”. A Prefeitura, de fato, está, na prática, queira ou não, abraçando traficantes. Mas o estado não matou ninguém.
Parabéns à delegada Elaine Maria Biasoli. Não tem medo de enfrentar os fatos. O tráfico de drogas é ilegal em São Paulo, dentro ou fora da Haddadolândia.
O programa de Haddad, apesar do apoio da imprensa, obviamente, já naufragou. E por quê? Para ser sucesso, ele tem de incluir cada vez mais viciados. Dadas as suas características, quanto mais incluir, mais viciados vão aparecer. É um caso em que o sucesso é igual ao fracasso.
Para encerrar
- com ou sem bala de borracha, a operação do Denarc é legítima;
- ainda que tivesse sido surpresa, não há ilegalidade nenhuma;
- tudo indica, estou apurando, que havia, sim, mandado de prisão;
- por definição, não é?, a polícia não precisa de mandado para prisões em flagrante.
Por Reinaldo Azevedo

PSDB DECIDE RECORRER AO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL CONTRA SKAF POR PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA COM RECURSOS DA FIESP E DO SESI

O PSDB paulistano decidiu que recorrer ao Ministério Público Eleitoral contra Paulo Skaf, presidente da Fiesp e futuro candidato do PMDB ao governo de São Paulo, informa Daniela Lima, na Folha. O partido acusa Skaf de usar a estrutura a Fiesp e do Sesi para fazer propaganda eleitoral antecipada. Faz sentido? Faz. Raramente se viu coisa tão escancarada. Skaf, vamos dizer assim, “privatizou” a federação e, o que é pior, o Sesi, que lida também com recursos públicos.

Em julho do ano passado, a Folha divulgou números impressionantes. Skaff havia aparecido em inserções comerciais nada menos de 1.151 vezes no primeiro semestre, mais do que uma celebridade como o ator e apresentador Rodrigo Faro, conhecido por fazer muitos comerciais. Em todas essas inserções, Skaf tenta imprimir as suas digitais em ações que são das entidades que preside ou ligadas à federação.
Entre as inserções comerciais que os tucanos consideram campanha, está aquela em que Skaff comemora a suspensão do reajuste do IPTU em São Paulo. Sim, a Fiesp recorreu contra o reajuste, mas o PSDB também, e as duas foram fundidas numa só. Agora o presidente da Fiesp pretende recorrer contra o reajuste de IPTU em outras cidades — de preferência em municípios administrados por partidos de futuros adversários eleitorais.
Olhem aqui, leitores! Algumas teses de Skaf — como o combate ao aumento do IPTU e à alta carga tributária — são simpáticas e, se querem saber, têm um saudável apelo conservador, coisa que faz falta na política nacional. E, não por acaso, essas teses, somadas à sua onipresença na TV, lhe estão rendendo dividendos eleitorais. Ele aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, com até 19%das intenções de voto.
Mas cumpre não ser inocente. Skaf é PMDB, e o grande aliado do PMDB, em escala nacional, é o PT. Ainda que Skaf tenha incomodado o prefeito Fernando Haddad, o PT não reclama. Considera que ele é fundamental no esforço para derrotar Alckmin em São Paulo. Assim, o suposto conservadorismo do presidente da Fiesp, no limite, interessa mesmo é ao PT.
Mas essas são firulas políticas. O que me parece inaceitável, independentemente da qualidade das teses de Skaf, é o uso desassombrado da máquina da Fiesp e do Sesi. Ele vai ser candidato. Ele atua como candidato. Ele tem conversa de candidato. Ele circula como candidato. E está fazendo propaganda de si mesmo com recurso da federação que preside e do Sesi. Por Reinaldo Azevedo

XIII...... POLICIAIS CIVIS ENTRARAM SEM PASSAPORTE NUM MUNDO ESTRANGEIRO CHAMADA "HADDADOLÂNDIA"

Xiii… A Polícia Civil pisou no Território Sagrado da Cracolândia, transformada pelo prefeito Fernando Haddad, na prática, em área livre para o consumo da droga e o tráfico. É a consequência óbvia do tal programa “Braços Abertos”, que dá salário, casa e comida para os viciados, sem lhes pedir nada em troca: nem que se tratem do vício nem que se comprometam com o trabalho. Se não aparecerem para as quatro horas obrigatórias, deixam de ganhar R$ 15. E só. Não é proibido nem mesmo consumir a pedra com o uniforme da Prefeitura. O que aconteceu?

Policiais civis prenderam um rapaz. Parece que não estavam identificados como membros da Polícia Civil. É preciso ver as circunstâncias, mas isso não é necessário. Frequentadores da Cracolândia atacaram os policiais com paus e pedras e quebraram o vido do carro. Aí, sabem como é…. Outras viaturas da Polícia Civil chegaram, e o confronto aconteceu, com bombas de gás e balas de borracha. Três pessoas teriam sido feridas, inclusive uma criança. Quatro foram detidas.
Eis aí uma outra ação da Prefeitura de São Paulo que está a pedir uma boa pesquisa de opinião, com perguntas bem-feitas, objetivas, para que os paulistanos deem a sua opinião sobre o programa.
É preciso apurar melhor o que aconteceu; sim, sempre existe o risco de a polícia ter errado e coisa e tal. Mas esse é um daqueles casos que boa parte da imprensa transforma na luta do bem contra o mal. E, por incrível que pareça, o mal será sempre a polícia, esteja certa ou errada; e o bem será sempre aquele ligado à droga, esteja certo ou errado.
Conheço poucas perversidades morais tão agudas como o programa “Braços Abertos”. De fato, ele condena o dependente ao vício. Dá-se de barato que tentar o contrário é inútil. Pior: ao lhe conceder uma área da cidade, cria um gueto, um Vale dos Caídos, em que vigoram leis muito particulares.
Para arremate dos males, a área da cidade mais bem dotada de infraestrutura é esterilizada, privatizada por dependentes e traficantes. Os moradores do Centro que não são dependentes estão condenados ou a viver segundo as regras impostas pelas drogas ou a cair fora, mudar-se dali — vendo, adicionalmente, se esfarelar seu patrimônio.
Reitero que é preciso ver direito o que aconteceu, mas noto que, em nenhuma democracia do mundo, policiais são recebidos com paus e pedras sem que haja reação muito dura. Não é preciso explicar por quê.
Mais um pouco, será preciso ter um passaporte para entrar na Cracolândia, que deixará de ser um gueto para se transformar numa espécie não de país, mas de mundo estrangeiro.
É o fim da picada! Sugiro, diga-se, a mudança do nome da região: agora é a Haddadolândia. Por Reinaldo Azevedo

FERNANDO HADDAD VIRA LÍDER DOS ROLEZINHOS EM SÃO PAULO


Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo
Haddad: agora é ele o líder dos rolezinhos em São Paulo
Ai, ai… A pesquisa Datafolha já revelou o que os paulistanos pensam dos rolezinhos, e os mais críticos são justamente os mais pobres. Nem a hipótese do racismo, na qual o PT investiu, se confirmou. Assim como essa coisa toda começou, iria esmorecer.
Mas aí apareceu o prefeito Fernando Haddad no meio do caminho. Escolheu o pagodeiro Netinho de Paula, seu secretário da Igualdade Racial, para negociar com “rolezeiros”, como se fosse possível estabelecer uma representação formal em casos assim.
Depois de uma reunião com a molecada e com representantes de shoppings, ficou acordado que os rolezinhos poderão ser feitos nos… estacionamentos. É mesmo, é? Em quais? Haverá carros no local? Os rolezeiros se espalharão entre os automóveis? Mais: isso vale também para as garagens subterrâneas, sem janelas nem outra área de escape para as ruas?
Assim, a Prefeitura de São Paulo decidiu dar sobrevida a uma prática que estava em declínio e que conta com a antipatia da esmagadora maioria dos paulistanos. Tudo porque o prefeito Haddad não resistiu à tentação de se comportar como um populista vulgar. Aliás, mais de uma vez eu já apontei as características que fazem dele um Jânio Quadros de esquerda. E, como de costume, Haddad tenta ser popular enfurecendo o povo. Um gênio!
Quanto tempo vai durar essa solução que não resolve nada? Se o estacionamento de um determinado shopping passar a ser palco de rolezinhos permanentes, das duas uma: ou se impede a entrada dos carros — e, pois, se espantam clientes — ou se expõem os donos dos automóveis ao risco do prejuízo. E eles desaparecerão do mesmo jeito. Em qualquer dos casos, lojistas e consumidores estarão sendo punidos.
É nisso que dá emprestar uma visão política, ideológica, ao que não passava de uma manifestação mais ou menos irresponsável de quem só queria se divertir, optando por uma prática obviamente incompatível com o lugar escolhido.
O prefeito Fernando Haddad está fazendo um esforço danado para que os rolezinhos sejam mais uma das heranças malditas que ele pretende deixar em São Paulo. O pagodeiro Netinho já conversou com supostos líderes de rolezeiros da Zona Norte. Nesta sexta, é o dia dos da Zona Sul.
Depois virão os da Zona Leste, que concentra as regiões mais pobres da cidade. É lá que os rolezinhos têm o menor apoio da população: apenas 8% segundo o Datafolha. Por Reinaldo Azevedo

DILMA, ATRASADA, DIZ NA FIFA QUE ESTÁ "É O MAIS SIMPLES"

A presidente Dilma Rousseff garantiu nesta quinta-feira, em Zurique, na Suíça, durante encontro na sede da Fifa com o presidente da entidade, Joseph Blatter, que as cinco arenas ainda não entregues pelo país-sede estarão prontas para a Copa do Mundo – segundo ela, fazer estádio “é o mais simples” em meio a todos os preparativos para o torneio. Antes e depois da reunião, que durou cerca de uma hora e 40 minutos, Dilma e Blatter tentaram mostrar que o governo e a entidade estão unidos e que há otimismo na contagem regressiva para o evento. Foi a primeira visita de Dilma Rousseff à sede da Fifa – e a presidente, que discutiria, entre outras coisas, o descumprimento dos prazos assumidos pelos brasileiros, chegou atrasada para o compromisso.

A presidente recorreu a um termo que tem adotado com cada vez mais frequência para promover o evento, dizendo que ele será a “Copa das Copas”. Também reiterou que os torcedores estrangeiros não terão problemas no país. “Podem vir ao Brasil. Vocês serão recebidos de braços abertos”, disse. Ela não quis, porém, responder às perguntas dos jornalistas sobre a situação do estádio de Curitiba, que está ameaçado de ser retirado do torneio em razão dos atrasos nas obras. Nem ela nem Blatter aceitaram responder aos questionamentos dos jornalistas. Em uma iniciativa coreografada, Dilma e Blatter deram as mãos, sorriram e trocaram elogios mútuos.
“Essa será uma grande Copa”, afirmou Blatter, que apenas há duas semanas havia dito que nunca havia visto um país-sede tão atrasado na preparação para o torneio. Nesta quinta-feira, no entanto, as críticas foram deixadas de lado pelo presidente da Fifa. “Não haverá problemas. No final tudo se resolve, principalmente no Brasil”, disse Blatter, que agora afirma estar acostumado ao “jeitinho brasileiro”. Dilma também deu suas garantias de que o Mundial será um sucesso. “Estamos preparados”, insistiu. Um dos objetivos da reunião foi o de mostrar que o Brasil estará totalmente comprometido com a Copa. O encontro, no entanto, acabou sendo adiado porque Dilma se atrasou, fazendo o cartola esperar.

ORÇAMENTO DA OLIMPÍADA SOBRE A R$ 7 BILHÕES, DIZ COMITÊ RIO 2016

O orçamento da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, foi reajustado em 1,4 bilhão de reais. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, o Comitê Organizador Rio 2016 declarou que a previsão de despesas subiu para 7 bilhões de reais – quando a candidatura foi lançada, em 2008, a estimativa inicial era de 5,6 bilhões de reais. Segundo Sidney Levy, diretor-geral do Rio 2016, o valor aumentou por causa da evolução dos salários acima da inflação e por despesas maiores do que o esperado com tecnologia e segurança. Ele também mencionou a inclusão de quatro novos esportes: golfe e rugby nos Jogos Olimpícos, paracanoagem e paratriatlo nos Paraolímpicos.

Além dessa despesa, que garante os gastos diretos do Comitê Organizador, há ainda o orçamento não olímpico, com obras de infraestrutura bancadas pelo poder público. Na época da candidatura, há seis anos, esse valor foi calculado em 22,6 bilhões de reais. Uma previsão mais atualizada deve ser divulgada na próxima semana. ”Em comum acordo com o governo, não vamos receber aporte dos cofres públicos. Todas as despesas que o governo for executar estarão incluídas na matriz das responsabilidades”, afirmou Levy.

ALCKMIN SANCIONA LEI QUE VETA ANIMAIS EM PESQUISAS PARA COSMÉTICOS. OU: A DEMOCRACIA E A VONTADE DAS MINORIAS

O governador Geraldo Alckmin sancionou a lei que proíbe em São Paulo o emprego de animais na chamada indústria de cosméticos, de perfumes e higiene íntima. Já escrevi a respeito anteontem. Estava na cara que seria essa a decisão do governador — ou o furor militante de meia dúzia de lunáticos o aguardava, com ampla repercussão na imprensa, onde os bichos, ultimamente, gozam de um status ligeiramente superior ao dos humanos.

A medida, tudo indica, é inócua. Que eu saiba, não há laboratórios em São Paulo que façam testes de cosméticos em animais. O Instituto Royal, por exemplo, não fazia. Assim, ao sancionar tal lei, talvez não se colha nenhum efeito prático. Havendo empresa assim, migrará para outro estado.
O ponto é outro. A aprovação da lei na Assembleia de São Paulo e sua sanção acabam, de algum modo, endossando a ação daqueles trogloditas que depredaram o Royal. Esse é seu aspecto negativo. Mais: uma lei como essa tem de ser federal, ora.
Fiquemos atentos ao espírito do tempo. Ultimamente, os que gritam mais e são mais organizados, mesmo que minoria, tendem a querer que as leis passem a abrigar seus conceitos e preconceitos. Um dos pilares da democracia é a proteção às minorias; mas não se conhece regime democrático governado por elas. Por Reinaldo Azevedo

DE NOVO, PORTA DOS FUNDOS - UM VERMELHO-E-AZUL COM UM LEITOR QUE DISCORDA DE MIM E ACUSA O "FASCISMO ENVERGONHA DOS OFENDIDOS"

Um leitor chamado Guto Luz me manda um texto gigantesco contestando o que escrevi sobre o Porta dos Fundos e o direito que têm os cristãos de recorrer à Justiça. Argumenta bem e perigosamente. Atenção: eu escrevi “bem” E“perigosamente”. São advérbios coordenados. Eu NÃO disse que argumenta “perigosamente” PORQUE “bem”. Segue o que ele escreve em vermelho. Respondo em azul.

*
Reinaldo, neste artigo, diferentemente de quase tudo o que v. escreve, v. me pareceu desprovido de paixão, quase envergonhado. Pareceu-me, por um lado, preso ao imperativo de ter que defender a imprescindível e inegociável liberdade de expressão, por outro tateando nas entrelinhas para passar uma mensagem que flerta com o lado oposto. Daí, a coisa toda ficou parecendo contorcionismo na corda bamba!
Bem, acho que você falhou na investigação da minha psique, mas não tenho como demovê-lo. O meu texto é claro como a luz do dia:
a: o Porta dos Fundos faça o que quiser;
b: os cristãos têm o direito de protestar e de recorrer à Justiça;
c: eu critiquei aqueles que estavam pondo em questão esse direito, protegido pela Constituição. O resto, com todo o respeito, é psicologização barata.
Dá pra perceber que você faz um esforço danado para não dar a entender que não respeita o princípio da liberdade de expressão, mas ao mesmo tempo que está buscando achar um jeito de tentar justificar essa coisa absurda e perigosa (e que é de fato uma posição essencialmente política) de que religião é uma coisa que tem (ou merece ter) esse status de coisa “sagrada”, incriticável.
Devagar com as palavras! A religião é um fenômeno social que lida com o sagrado. O “sagrado” é um domínio da vida em sociedade que pode ser compreendido também pelos não crentes. Sim, é uma realidade igualmente política, que assume a dimensão de resistência em muitos lugares. O cristianismo, aliás, tem uma bela história no capítulo das resistências — ainda que os detratores pretendam o contrário. Aí é preciso estudar um pouco.
Ocorre que você lê coisas que não estão no texto, mas apenas em seus preconceitos. Aponte uma única linha que sugira que a religião não pode ser submetida ao humor, ao debate, o que seja. Eu apenas lembrei que existem medidas — porque há medida em tudo. Quem as ultrapassa submete-se às reações dos ofendidos. É simples.
O que você pretende? Gostaria de ver aprovada uma lei que impedisse os cristãos de reagir DENTRO DAS NORMAS DA DEMOCRACIA? “De hoje em diante, os crentes ficam proibidos de tentar processar os humoristas…” Ora, Guto, tenha paciência! Eu sou cristão, e nada daquilo me ofendeu. Quando comecei a achar o troço burro, sem graça, feito só para “causar”, parei de visitar o site. Mas eu não me coloco como exemplo de nada.
Ora, as religiões sempre tiveram muito mais respeito do que fizeram por merecer. São as únicas ideologias do planeta que ainda insistem em usar a carta marcada do “estamos ofendidos” para tentar calar as vozes críticas. Isso quando não recorrem a métodos mais explícitos e brutais de supressão da opinião divergente.
Releia a sua primeira fase desse parágrafo. É só juízo de valor, sem história. Os cristãos de Darfur merecem ainda menos respeito do que lhes dispensam as milícias muçulmanas? Como? Só as religiões dizem “estamos ofendidos”??? Você só pode estar brincando. Supostas minorias organizadas, hoje, na Internet, policiam tudo. E recorrem à Justiça. Eu mesmo sou crítico desses movimentos, mas você nunca me viu aqui a dizer que eles não têm o direito de protestar. Direito tem; se a Justiça vai ceder, aí é outra coisa. No Brasil, a que outros “métodos mais explícitos e brutais de supressão da opinião divergente” recorrem os cristãos? Não conheço nenhum. Você poderia apontar, por favor? Mas eu posso lhe dizer os métodos a que recorrem, por exemplo, os muçulmanos para matar 100 mil cristãos por ano.
Sugiro a você alguns experimentos mentais: (a) Imagine um defensor do livre mercado dizendo em público: ‘o ideário socialista é imbecil, assassino’. Isso pode ser considerado desrespeito aos socialistas ou é a livre exposição de ideias?
Não com essas palavras, mas com este conteúdo, eu já escrevi muitas vezes que o ideário socialista é imbecil e assassino. Se algum socialista quiser me processar por isso, que fique à vontade. Jamais vou questionar o seu direito de fazê-lo.
(b) “Num debate acadêmico, o proponente do modelo A diz para o defensor do modelo B: ‘sua teoria é ridícula’”. Algum professor ofendido?
Certamente haverá algum professor ofendido. Direito de entrar a Justiça, ele tem. Não recomendo, no entanto, que o faça.
(c)“Na TV, o proponente do “novo paradigma na psicologia” afirma que os ‘psicanalistas são parasitas de seus pacientes’”. Um psicanalista pode tomar isso como ofensa pessoal? Se em todos os casos acima, cada uma das partes tem o direito de expressar suas ideias livremente e não imagino ninguém querendo processar ninguém por causa disso, por que os casos envolvendo religião deveriam ser tratados de forma diferente?
No campo da psicologia, isso acontece, mas, digamos, “do outro lado”. Nunca existiu, por exemplo, um projeto de cura gay no Brasil. Isso é uma fraude escandalosa. Todo o debate se deu em razão de um trecho de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que patrulha o trabalho do psicólogo no consultório e pode cassar o seu registro se achar que ele não age conforme. Não existe nada igual em nenhum lugar do mundo. Mas tenho a impressão de que você concorda com aquele texto…
Por que podemos aceitar tranquilamente que alguém possa dizer que socialismo – por exemplo – é uma ideologia para “idiotas” e “canalhas”, mas ninguém pode dizer o mesmo sobre o Cristianismo?
Quem disse que não pode? Pode.
Para mim, seu texto falha principalmente quando pretende desviar a atenção do leitor para espantalhos, no caso, toda essa discussão sobre a suposta falta de coragem para criticar o Islã ou a postura do NY Times nesse ou naquele caso. Cortina de fumaça. Se o Cristianismo É a ideologia predominante por aqui, qual seria o sentido de fazer humor sobre o Islã no Brasil? Nada mais inócuo. Rir da burca, pra nós, não tem qualquer implicação política ou social. Portanto, que o Porta dos Fundos não se ocupe disso não é questão de covardia, mas de contexto.
Em primeiro lugar, no trecho em questão, eu comentava o conteúdo de uma entrevista concedida por um dos membros do Porta dos Fundos — e citei posturas semelhantes da BBC e do NYT. A questão ilustrava um debate de fundo: “Qual é o limite do humor?”. A gente entende daquela fala que o limite é a preservação da segurança física do humorista. Bem, reservo-me o direito de não concordar com isso. Em segundo lugar, “cristianismo” não é ideologia — embora tenha viés ideológico. No Brasil e no mundo, cristianismo, em si, não é projeto de poder. Nem o Feliciano, para citar este que foi transformado em espantalho, defende uma sociedade teocrática. Como? “Rir da burca, para nós, não tem qualquer implicação etc?” Deixe-me ver se entendi: nos países islâmicos, jamais haverá humor com a religião — ou debate de qualquer outra natureza. Não pode. Fora de lá, não faz sentido o questionamento porque, afinal, não existem as tais implicações. Logo, o Islã brilha acima de qualquer questionamento. Já o cristianismo oferece a carne barata às milícias islâmicas da África e do Oriente Médio e fica submetido, no Ocidente — já que seus partidários são pacíficos —, a ataques bucéfalos, ignorantes, dos ateus que são muito corajosos para pregar a morte de Deus onde isso é permitido. Ora… MAS ATENÇÃO! QUE CONTINUEM A FAZÊ-LO. Só não venham você e qualquer outro defender que o simples ato de recorrer à Justiça ou ao Ministério Público caracteriza fascismo. De resto, não sei se entendi direito, mas me pareceu que você considera que só valores dominantes podem ser submetidos ao humor, é isso?
Em segundo lugar, religião é hoje 100% política.
Preconceito e juízo de valor. Mas ainda que fosse… E daí?
Ou alguém por aqui vai ter a hipocrisia de dizer que a “bancada evangélica” não é uma força política ou que nunca ouviu falar da “cura gay”?
E daí? Em certa medida aristotélica, tudo é política. Acho que já falei sobre a “cura gay”, o projeto que nunca existiu.
Grande parte da canalhice deste planeta hoje, se esconde atrás de alguma religião, o último tabu.
Quanta bobagem, Guto! Aí não tenho como evitar: vá se instruir a respeito. O comunismo matou uns 150 milhões no século passado. Religião? O nazi-fascismo, guerras à parte, aos menos uns 10 milhões. Religião? Dois anos de Terror, na Revolução Francesa, mataram mais do que quatro séculos de Santa Inquisição. Religião? As mortes decorrentes de credo religioso, hoje em dia — é fato, não especulação — estão relacionadas ao Islã: muçulmanos contra cristãos e muçulmanos contra muçulmanos. É aquela religião que, segundo as suas escolhas, fica livre de qualquer abordagem crítica.
Estou enganado?
Está enganado.
Diga o contrário, me chame de imbecil se quiser, mas não dá pra tentar justificar o fascismo envergonhado dos “ofendidos”. Eles têm direito ao sentimento e o direito de manifestar suas discordâncias da forma que bem entenderem. Mas, definitivamente não têm o direito de calar quem pensa diferente.
Não o chamo de imbecil. Só de autoritário. “Fascismo envergonhado dos ofendidos”? Eis uma frase que ficaria bem na boca do Stálin, quando ele mandou passar fogo nos camponeses da URSS… Ou na boca de Mao Tsé-tung ao matar 70 milhões. Como se sabe, Deus estava morto nesses regimes. Ademais, quem está advogando o direito dos cristãos de “calar quem pensa diferente”? Você é que está chamando de fascista quem decide recorrer a prerrogativas democráticas.
Quem apoia a censura à liberdade de expressão em nome da religião, compartilha a visão de mundo dos déspotas que estão no poder na Arábia Saudita, no Irã, na Coreia do Norte.
A Coreia do Norte é um regime ateu. Mas fiquei curioso: apoiar a censura em nome de uma religião é feio, certo. E eu concordo. E em nome de algum outro valor como, digamos, a “justiça social”? Aí dirá alguém, não o Guto, um rapaz esperto: “Ah, mas quem vai ser contra a justiça social?”. É verdade! Mas espere: quem define o conteúdo do que seja “justiça social”? Uma ONG? Um partido? O governo? Mais uma, Guto: o que você acha da censura em nome dos direitos humanos? Aí dirá alguém, não o Guto, um rapaz esperto: “Ah, mas quem vai ser contra os direitos humanos?”. Mas espere: quem define o conteúdo do que seja “direitos humanos”? Uma ONG? Um partido? O governo petista tentou, no tal Plano Nacional de Direitos Humanos, censurar a imprensa em nome desses nobres valores. Sim, estamos de acordo: tentar a censura em nome da religião é condenável — e eu condeno também. E em nome de valores ditos laicos, progressistas?
E quem se sente envergonhado de se ver do lado do Feliciano, deveria pensar melhor e decidir de que lado do muro se deseja ficar.
Formulação fascistoide: “Ou está comigo ou está contra mim. Ou sai por aí tentando linchar o Feliciano, como nós fazemos, ou, então, ficará ao lado dele”. Uma ova, meu rapaz! Uma ova! Foi assim que o Robespierre impôs o terror na França. Foi assim que o Mao Tsé-tung fez a sua “revolução cultural”. Eu nunca concordei com o Feliciano em absolutamente nada. Tenho dezenas de textos a respeito. Mas chamei de autoritária a gritaria para tentar arrancá-lo de uma comissão, aonde chegou segundo as regras da democracia. Tem mais, Guto: você jamais vai me ver a endossar uma bobagem porque dita por uma sumidade ou a censurar uma coisa certa porque dita por alguém de quem discordo.
A propósito, dar a esse artigo 208 do Código Penal a interpretação pretendida pelo Sr. Marcos Feliciano seria de um absurdo sem precedentes numa democracia moderna e num estado laico.
Ao artigo 208, então:
“Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.”
Argumente mais.
Uma coisa é invadir um local de culto, zombar de um indivíduo em particular em circunstâncias em que sua privacidade precisa ser defendida. Outra completamente diferente é dizer que um grupo de humoristas não pode, num canal privado disponível para o público (e que, portanto, assiste quem quer), satirizar ou criticar abertamente a religião dominante no país. De fato, citando Walter Williams novamente para que não reste dúvidas, “a liberdade de expressão só é realmente posta à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas”.
Perdão! Esse argumento é meu. Num texto em que digo que não processaria ninguém. Mais: quem leu direito percebeu que entendo que existem mecanismos bem mais efetivos para que os cristãos se façam ouvir. Há muitas diferenças entre nós, Guto, mas, no caso em espécie, a fundamental é a seguinte: você acha que a religião se situa em algum lugar entre a bobagem, a manipulação e a estupidez; e eu acho que não. Porque acha que os religiosos são tolos, manipuladores e estúpidos, chama de fascistas os que recorrem a leis democráticas para se fazer ouvir; eu, obviamente, discordo. E, creio, mas não posso asseverar, você acredita que, a depender do valor que se tente preservar, a censura é até aceitável. E eu penso que ela é inaceitável em qualquer caso, desde que se assegure àqueles que se sentiram ofendidos o direito de reagir — nos limites da democracia.
É o que estão fazendo alguns cristãos. Por que a gritaria? É, Guto… Eu entendo que a minha opinião deixe muita gente irritada. Seria mais fácil me apontar: “Lá vai aquele troglodita que quer a censura”. Não! Eu não quero! O máximo que dá para dizer é: “Lá vai aquele cara que sustenta que, na democracia, existe o direito de fazer rir, de rir e de ficar zangado. Mais: ele disse também que a democracia oferece canais de expressão para todos eles”.
Ademais, para encerrar, meu caro Guto, o humor, como a religião, também é política, não? Qual é o seu problema com os embates políticos? Eles só existem com vozes ativas. Ou se deve calar um dos lados — porque “fascista”, segundo você — para que o outro exiba a sua superioridade democrática e tolerante? 
Ora…Por Reinaldo Azevedo