segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

PREFEITO DE SANTA MARIA, CEZAR SCHIRMER, ESTÁ ROMPENDO CONTRATO DO MUNICÍPIO COM A CORSAN

O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), está enviando sinais claros de que vai licitar os serviços de água e esgoto na cidade. Ele não aceitou renovar o contrato de concessão com a Corsan e também se negou a avalizar convênio de R$ 119,1 milhões com recursos do PAC. Poucas prefeituras gaúchas conseguiram sair das garras da Corsan, privatizando seus serviços. O caso mais conhecido é o de Uruguaiana, que entregou tudo para a Odebrecht, via sua controlada Foz Uruguaiana. Santa Maria fará uma licitação milionária, o que é sempre uma alegria para políticos.

ELISEU PADILHA AGORA FAZ SABUJICE EXPLÍCITA, AJUDA A VIABILIZAR O CAPRICHO DA PRIMEIRA DAMA PETISTA DO RIO GRANDE DO SUL, A MÉDICA RADIOLOGISTA APOSENTADA SANDRA GENRO, QUE SE ACHA FOTÓGRAFA

O deputado federal Eliseu Padilha, do PMDB do Rio Grande do Sul, que durante muitos anos foi chamado pelos petistas pelo apelido nada enobrecedor de "Eliseu Quadrilha", apagou tudo de sua memória e resolveu dar umas demonstrações explícitas de sabujice e de curvatura de espinha, destinando para o Palacinho, o xodó da mulher de Tarso Genro, um prédio ridículo, sem qualquer qualidade arquitetônica ou artística, localizado na avenida Cristóvão Colombo, esquina com rua Santo Antonio, onde ela pretende instalar uma fototeca, uma boa parte dos R$ 1,1 milhão que ele e mais três colegas subscreveram no bolo das chamadas emendas parlamentares. Quando os caras querem curvar a espinha eles são mestres, não há empregado de circa, especialista em contorcionismo, que seja melhor do que eles. A reforma do ridículo Palacinho prevista pela mimada Sandra Genro custará R$ 7,6 milhões. Depois de se aposentar como médica radiologista, Sandra Genro desembestou que é fotógrafa. Nunca antes na história deste Estado se viu coisa igual.... Julio de Castilhos deve dar umas tantas voltas no seu túmulo....

DIRETORIA DO PT NO TRENSURB CONTRATA CONSULTORIA DO EX-SECRETARIA DA PREFEITURA PETISTA DE NOVO HAMBURGO, QUE ESTÁ TODO ENCRENCADO

Foi assinado na tarde desta segunda-feira o contrato de prestação de serviços para a elaboração de diagnóstico ambiental e de plano de gerenciamento de resíduos sólidos (PGRS) do Trensurb, metrô de superfície de Porto Alegre.  A prestadora de serviços responsável pelos estudos será a Hack Soluções Ambientais e Projetos Afluentes Ltda., de Novo Hamburgo, e a validade do contrato é de 12 meses. O dono da consultoria é Ubiratan Hack, ex-secretário do Meio Ambiente de Novo Hamburgo, na administração do ex-prefeito petista Tarcisio Zimmermann. A Justiça de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, determinou o afastamento do secretário. Hack é alvo de ações judiciais movidas pelo Ministério Público a partir de investigações da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (Dema). Em um dos casos, envolvendo uma metalúrgica da cidade, o secretário teria atuado como responsável técnico antes de assumir o cargo na prefeitura. Depois de empossado, ele teria continuado prestando o serviço através de uma ex-funcionária da sua empresa de consultoria. A polícia apurou indícios de tráfico de influência do secretário, que teria favorecido essa empresa. Em outubro de 2010, fiscais da secretaria foram chamados por moradores que reclamavam que efluentes da metalúrgica estariam transbordando por um bueiro próximo da empresa. Os técnicos constataram irregularidades, mas o secretário teria orientado os servidores a não chamarem a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram).Além de tentar evitar que o caso chegasse à polícia, o secretário teria embaraçado o trabalho dos fiscais na autuação da empresa. A multa calculada por uma servidora chegou a ser reduzida em 60% por outro fiscal. A suspeita é de que tenha havido interferência do secretário. De acordo com a promotora de Justiça Cível de Novo Hamburgo, Camila Lummertz, o pedido de afastamento do secretário não foi baseado nas denúncias, mas na interferência de Hack no andamento dos processos.

GOVERNO DO PEREMPTÓRIO PETISTA GRILO FALANTE TARSO GENRO GASTOU R$ 110 MILHÕES EM PUBLICIDADE EM 2013

Do jornalista Políbio Braga - O governo Tarso Genro gastou no ano passado R$ 110 milhões em propaganda, R$ 66 milhões dos quais apenas pela administração direta. A diferença correu por conta basicamente por conta do Banrisul. Os R$ 66 milhões gastos pelo governo foram autorizados pelas seguintes agências, em milhões de reais: Escala – 31,6; Matriz – 17,5; Martins – 7,8; Centro – 3,1; Morya – 2,5; Dez – 2; Globalcom – 1,5. O grosso das autorizações foi para a RBS. O governo estadual não discrimina a publicidade na Internet, embora faça uma seleção sem base técnica alguma.

PREFEITURA DE PORTO ALEGRE GASTOU 24 MILHÕES DE REAIS COM PUBLICIDADE EM 2013

Do jornalista Políbio Braga - A prefeitura de Porto Alegre gastou R$ 24 milhões em propaganda no ano passado, englobando administração direta e indireta. O valor corresponde a 20% do que gastou o governo Tarso Genro no mesmo período. As verbas publicitárias da prefeitura são administradas pelas agências Centro e Matriz. O grosso das autorizações foi para a RBS, com ênfase para o programa de TV "Cidade Viva". A prefeitura discrimina a publicidade na Internet e quando autoriza valores do tipo "cala boca", não usa qualquer critério técnico.

TRE DO RIO GRANDE DO SUL CASSA MANDATOS DO PREFEITO E VICE PREFEITO DE SÃO JERÔNIMO

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul cassou nesta segunda-feira o mandato do prefeito Marcelo Schreiner, do PP, e do seu vice, Fabiano Rolim, do PT, mas eles prosseguirão nos cargos até o julgamento dos embargos de declaração, único recurso possível neste momento no próprio Tribunal Regional Eleitoral. "Isto deve ter desfecho em fevereiro", disse o advogado Décio Itiberê, que representa o PSDB. O resultado do julgamento foi obtido por 5 votos contra 1. Schreiner e Rolim foram condenados pelo uso de caixa 2 na campanha eleitoral. Como todos sabem, caixa 2 é uma alta especialidade do PT.

AGORA JOSÉ DIRCEU, O RICO, DELÚBIO E JOÃO PAULO TAMBÉM VÃO RECORRER À ESMOLA MILITANTE PARA PAGAR MULTAS

Comentei que a arrecadação de dinheiro pela Internet para pagar a multa aplicada pelo STF a José Genoino era uma questão política e nada tinha a ver com a sua condição financeira. A prova veio nesta segunda. Agora José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares também recorrerão ao expediente, anunciam os petistas. Que graça! Dirceu é um dos “consultores” mais bem-sucedidos do País. Tem dinheiro. Antes de ser preso, vivia andando de jatinho para lá e pra cá. Então ele não dispõe de R$ 697 mil? Quem acredita? A multa de Delúbio Soares é de R$ 325 mil, e João Paulo recebeu a mais baixa: R$ 250 mil. É claro que o PT tem como arcar com esse “custo”. Ocorre que recorrer à esmola militante — ainda que o próprio partido possa fazer boa parte da doação — é uma questão de afirmação política e uma forma de afrontar a Justiça. Por Reinaldo Azevedo

SÃO PAULO DARÁ BÔNUS A POLICIAIS POR CUMPRIMENTO DE METAS. É O CORRETO. PAÍS PRECISA DE MAIS MERITOCRACIA E MENOS CORPORATIVISMO


Alckmin: projeto concede bônus a policiais por cumprimento de metas
Alckmin: projeto concede bônus a policiais por cumprimento de metas
O governo de São Paulo decidiu implementar um sistema de cumprimento de metas para as polícias civil e militar. Se atingidas integralmente, cada policial poderá ganhar bônus de até R$ 2 mil por trimestre. O governador Geraldo Alckmin já enviou a proposta à Assembleia. Informa a Folha: “As metas serão estabelecidas trimestralmente, com base na comparação com o mesmo período do ano anterior, e valerão para três grupos de crimes: vítimas de mortes violentas (homicídios e latrocínios), número de roubos em geral e número de furtos e roubos de veículos”. No do caso dos homicídios, por exemplo, o objetivo é reduzir o número de ocorrências em 7% neste trimestre, no cotejo com os números de igual período de 2013. Em casos assim, o leitor tem o direito de perguntar: “Mas como é que o incentivo interfere na disposição de uma pessoa matar outra?”. Em princípio, parece-me que se trata de um incentivo — e de um bom incentivo — para que as polícias e os policiais trabalhem realmente em conjunto. Pode melhorar, por exemplo, o trabalho de policiamento preventivo. O Brasil é um país que ainda engatinha na meritocracia. A nossa cultura, infelizmente, é de outra cepa — no caso, de má cepa: é corporativista e coletivista no pior sentido da palavra. O resultado é sempre catastrófico — para quem depende do serviço público.
Tomem o exemplo da Educação. É um vexame continuado. Sindicatos de professores Brasil afora rejeitam como o diabo foge da cruz qualquer programa relacionado ao mérito e ao desempenho dos profissionais da educação. Tendem a recusar, o que é um escândalo, até  mesmo cursos de especialização e reciclagem profissional. Ficam naquela: “Ou dá aumento para todo mundo, e esses ganhos são incorporados ao salário, ou nada feito!”. Trata-se de um sindicalismo, em regra, atrasado e burro, que existe para alimentar a existência da própria máquina sindical. Os estudantes são os mais prejudicados; em seguida, os próprios professores.
Por que é assim? Porque boa parte dos nossos sindicalistas são, ora vejam!, “socialistas”, sabem? Eles se apoderam da máquina sindical não para melhorar as condições de vida e de trabalho dos seus associados, mas para, um dia, quem sabe, fazer a revolução. Bem, a revolução jamais chegará, e eles jamais abandonarão a boquinha sindical. Afinal, tomar conta daquela máquina corresponderá a ganhar salário sem trabalhar.
Mas volto ao ponto: São Paulo, segundo o Mapa da Violência e o Anuário de Segurança Pública (de onde colho os números seguintes), está entre os dois estados com a menor taxa de assassinatos (Crimes Violentos Letais Intencionais) do país: 12,4 por 100 mil. É menos da metade da taxa brasileira (25,8) e praticamente a metade da do Rio (24,5). Está abaixo de um terço da taxa da Bahia (40,7). Em 12 anos, essa taxa caiu mais de 70% no Estado.
Mas é óbvio que ela é ainda alta e mais precisa ser feito. O programa de metas é uma boa saída, e os benefícios são consideráveis. Por Reinaldo Azevedo

DELÚBIO SOARES, SORRIDENTE, VOLTA À CUT. SIM, FOI NA CENTRAL SINDICAL QUE ELE COMEÇOU A SER ..... ELE!


Primeiro dia: o presidiário chega à CUT com o status de chefe e especialista...
Primeiro dia: o presidiário chega à CUT com o status de chefe e especialista…
Vejam ali. É Delúbio Soares chegando à CUT do Distrito Federal para o seu primeiro dia de “trabalho”. Oficialmente ao menos, vai receber R$ 4,5 por mês para produzir “relatórios”. De quê? Não tenho a menor ideia. Na foto de André Coelho (O Globo), vê-se um homem sorridente, bem-disposto, só de bigode, sem a barba com a qual se tornou célebre.
Representantes da CUT foram buscá-lo no Centro de Progressão Penitenciária — coisa de reverência ao chefe mesmo. Ao chegar à central, também foi recebido pela direção. No ramo em que operam os cutistas, Delúbio é um especialista, entendem? Uma autoridade.
De volta à CUT? É onde tudo começou. Em 2005, em entrevista à Folha, Cesar Benjamin fez algumas revelações interessantes. Militante do PT de 1980 a 1995, o hoje em dia editor de livros situa no início dos anos 90, com a atuação de Delúbio no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o início da mudança que levou o partido ao escândalo do mensalão. De acordo com Benjamin, com repasses do FAT para sindicatos Delúbio Soares fortaleceu a tendência Articulação, do PT, da qual faziam parte Lula e José Dirceu. É a turma que comanda o partido ainda hoje, embora com outro nome. Leiam trecho daquela entrevista.
O senhor acha que as previsões que fez ao sair do o PT se cumpriram?
Vamos situar a saída. Na campanha de 1994, eu era da direção e da coordenação da campanha. E depois ficou claro que tinha havido uma série de financiamentos que desconhecíamos. De bancos e empreiteiras, para a campanha do Lula.
Eram financiamentos ilegais?
Do ponto de vista partidário não eram legais. Porque tanto a direção quanto a militância nunca souberam disso. Tentei discutir na direção nacional, não houve possibilidade, e resolvi levar ao Encontro Nacional do PT de 1995, que era o primeiro na seqüência da eleição. E aí ficou claro para mim que já estava havendo no PT o início do esquema que agora vem à luz, inclusive com os mesmos personagens. Eu tive a percepção de que isso continha um perigo extraordinário, que era a entrada no PT, pesadamente, de esquemas de financiamento que teriam um impacto grande na vida interna do partido. O Dirceu foi eleito para a presidência, esse grupo que agora está nas manchetes assume cargos-chave, e fica claro que o partido tinha tido uma inflexão para pior. Ser direção passava a ser gerenciar interesses. E saí, eu me lembro que no meu pronunciamento no Encontro Nacional disse que estávamos diante do ovo da serpente que ia nos devorar. Então, quando vejo essa situação atual, tenho consciência de que não começou agora e é a expressão de uma prática continuada e sistêmica, que foi introduzida através do Lula e do Zé Dirceu.
Pode-se dizer que o processo de corrupção começou em 1994?
Talvez tenha começado antes.
Quando?
Há notícias de processos semelhantes no Fundo de Amparo ao Trabalhador. Não por coincidência o representante da CUT no FAT chamava-se Delúbio Soares e se multiplicaram notícias de esquemas de financiamento heterodoxos.
O que houve?
Até essa época, a Articulação, que é o grupo do Lula e do Dirceu, ainda disputava a hegemonia no PT cabeça com cabeça. A minha interpretação é a de que esse grupo usou esquemas de financiamento heterodoxos para fortalecer a Articulação. Porque o FAT faz convênios com sindicatos. E assim fortaleceu as finanças da Articulação, que passa a manejar poder financeiro que é uma arma nova na luta. Passa a ter capacidade de financiar candidaturas, trazer pessoas, estabelecer pontes. Delúbio se tornou figura paradigmática. Foi tesoureiro da CUT, foi para o PT como tesoureiro. E esse grupo começa a ser conhecido como “os operadores”.
Quem eram Delúbio, Sílvio?
Silvio Pereira, depois Marcelo Sereno… Esse grupo estabelece influência crescente no PT e na CUT. Ser da Articulação significava fazer campanhas muito caras. E se combina com o esvaziamento da militância. Então esse grupo consolida a hegemonia. Passa a operar em vários esquemas. Santo André é um deles. Passa a procurar maneiras de levantar dinheiro. E com a chegada ao governo federal as práticas ganham escala e um potencial de crescimento e visibilidade muito maior.
E o presidente Lula nisso tudo?
O Lula garante que foi traído, que não sabia. Mas eu não acredito nisso. Foram práticas sistemáticas durante mais de dez anos, do grupo que era mais próximo do próprio Lula. Me parece completamente inverossímil que ele fosse o único a não saber. Todos sabíamos. Eu, que já estava fora do PT, sabia. Como o Lula poderia não saber?
(…) Por Reinaldo Azevedo

MERCADANTE VAI PARA A CASA CIVIL: PASTA SE TORNARÁ MAIS POLÍTICA. DECISÃO DE DILMA É EMBLEMA DE COMO SE FAZ POLÍTICA NO BRASIL


Mercadante em companhia de Lula e Mariza: com ex-presidente, ele nunca ficou em primeiro plano
Mercadante em companhia de Lula e Mariza: nas gestões do ex-presidente, ele nunca ficou em primeiro plano
A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), vai disputar o governo do Paraná. Esta deixando a pasta. Em seu lugar, entrará Aloizio Mercadante, que está na Educação. Segundo informa a  Folha, a transição começa já no próximo fim de semana, quando Gleisi retorna das férias. Vamos ver. Em princípio ao menos, também a ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, vai tentar, mais uma vez, o governo de Santa Catarina. Está meio enrolada com o uso heterodoxo de helicóptero oficial. Há ainda um papagaio de R$ 6 milhões da campanha anterior, que o PT de Santa Catarina não pagou. Mas dinheiro nunca chega a ser um problema para os petistas.
“Relações Institucionais” sempre foi uma pasta em busca de sentido. No governo Dilma, em tese ao menos, a coordenação política e a relação com o Congresso estavam sob a sua guarda. Nunca funcionou. Ideli jamais foi vista pelos políticos como uma interlocutora autorizada. O governo Dilma sempre foi meio bagunçado nessa área — apesar de contar, formalmente, com a maior bancada da história, superior à de Lula. Mesmo assim, sofreu reveses importantes. A ida de Mercadante para a Casa Civil dará à pasta mais peso na articulação política do que tem hoje. Sob Gleisi Hoffmann, a pasta ficou mais restrita à área técnica, de acompanhamento dos programas de governo, função dividida com Miriam Belchior, do Planejamento. A gestão Dilma padece desses bifrontismos. Sabem como é: cachorro com dois donos corre o risco de morrer de fome.
Mesmo na pasta da Educação, Aloizio Mercadante se transformou numa espécie de voz política de Dilma. Vai funcionar? Ninguém sabe. Em princípio, sua tarefa termina no dia 31 de dezembro. Se a presidente for reeleita, ele continua como homem forte do governo. Nunca foi conhecido por sua habilidade política. Tem uma certa e reconhecida vocação para ser professor de Deus. Sua gigantesca vaidade sempre o precede. Em política, costuma dar errado.
Observem que Lula jamais o levou para a Esplanada dos Ministérios. Em 2003, lembre-se sempre, com o governo enfrentando ainda uma crise de confiança e com Antonio Palocci sendo apresentado como a âncora da estabilidade, Mercadante enchia os ouvidos da imprensa com um certo “Plano B” para a economia. No passado mais remoto, foi o homem que convenceu Lula, em companhia de Maria da Conceição Tavares, de que o Plano Real seria um fracasso.
Com ele, dado o seu perfil, a Casa Civil se tornará mais política do que é hoje. E, podem apostar, caso Dilma se reeleja, sua sombra também se projetará sobre a economia, com ou sem — torça-se para que seja sem… — Guido Mantega. Tanto Dilma como seu futuro ministro da Casa Civil têm a ambição de entender de economia. A sua “tese” de doutorado foi uma espécie de chacrinha apresentada na Unicamp exaltando as glórias de Lula. A sua ascensão à Casa Civil não deixa de ser um emblema da política brasileira e explica muita coisa. Todos se lembram do escândalo dos aloprados em 2006 — aquela tramoia urdida por petistas para tentar atingir o então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. Quem carregava a mala com R$ 1,7 milhão — cujo dono nunca apareceu!!! — para pagar os bandidos que assumiriam o falso dossiê era Hamilton Lacerda. E Hamilton Lacerda era braço-direito de… Mercadante, então candidato ao governo de São Paulo. Se a safadeza tivesse sido bem-sucedida, o agora futuro chefe da Casa Civil teria sido o principal beneficiado. O STF, no entanto, não viu sinais de seu envolvimento com o rolo e rejeitou a abertura de processo. Em democracias respeitáveis, sua carreira política teria terminado ali. No Brasil, o homem vai assumir a condução política do governo e será, agora oficialmente, o homem forte de Dilma. Por Reinaldo Azevedo

SHOPPINGS QUEREM ATUAÇÃO FEDERAL CONTRA ROLEZINHOS. OU: SE DILMA NÃO MANDA SUA TURMA SE CALAR, QUE ENTÃO RESOLVA, ORA! OU AINDA: PT PERDE O PELO, MAS NÃO O VÍCIO


Lojistas de Shopping pedem a atuação da Dilma do "coraçãozinho". Seus ministros não param de falar bobagem
Lojistas de shopping pedem a atuação da Dilma do “coraçãozinho”. Seus ministros não param de falar bobagem
A associação que reúne os lojistas de todos os shoppings do país, a Alshop, decidiu cobrar ajuda federal para que os tais “rolezinhos” sejam coibidos. Não há exagero nenhum nisso.  Ao contrário: a Alshop está, sim, se dirigindo à pessoa certa. Até porque, em parceria com setores da imprensa, o PT é responsável pela politização do que não não passava de um “movimento em favor do beijo na boca”. Ocorre que em um dos shoppings, o evento chegou a reunir seis mil pessoas. Não é possível.
E por que a presidente Dilma é a pessoa certa? Ora, porque ela chegou a convocar uma reunião com ministros para tratar do assunto, emprestando ao caso uma gravidade que não tinha. A partir dali, passou a ser assunto federal.
Ministros seus, como Gilberto Carvalho, que é secretário-geral da Presidência, e Maria do Rosário, a equivocada permanente que comanda a Secretaria de Direitos Humanos, vieram a público para criticar, direta ou indiretamente, a polícia, os shoppings e a Justiça. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad, também petista, pediu a seu secretário da Igualdade Racial que iniciasse conversações com supostos líderes de rolezinhos. Ao fazê-lo, passou a emprestar à coisa um caráter que nunca teve: discriminação da cor da pele. Isso é uma fantasia.
As Polícias Militares estão, como vimos, mais ou menos de mãos atadas. Caso se mexam, lá vem pancadaria da imprensa. Vão intervir, sim, sempre que eventuais manifestações se transformarem em vandalismo e coisa e tal, mas já perceberam que a máquina das esquerdas para desqualificar a ordem e exaltar a bagunça opera com força total. O que restou aos lojistas?
Eu mesmo já sugeri aqui que Dilma deveria dar uma ordem a seus ministros: que calassem a boca a respeito do assunto. Como se percebe, ela não fez isso.
Neste fim de semana, militantes políticos — e não jovens da periferia — decidiram promover protestos, e não rolezinhos, em shoppings ditos de luxo de São Paulo, Rio e Porto Alegre. Esses eventos já não guardam nenhuma relação com as manifestações originais. São, reitero, promovidos por entidades de esquerda e extrema esquerda que confundem seu próprio rancor e, acima de tudo, a sua ignorância com a causa popular.
A coisa é tão patética que, no Shopping Leblon, no Rio, que estava fechado — enquanto alguns bananas promoviam gritaria do lado de fora —, um grupo de cinco moradores da Rocinha apareceu para fazer seu rolezinho — aquele outro, o passeio… Eram dois maiores e três menores. Ricardo Israel, de 22 anos, comentou, informa a Folha“Eu vim para dar um rolé com a minha gata no shopping, conhecer gente nova, mas pelo visto é manifestação. Vou dar rolé na praia de skate mesmo”. Ele se mandou, e os esquerdistas da Zona Sul que, em tese, falam em nome de Israel ficaram lá se esgoelando.
Olhem que o Brasil, em matéria de bobagem, parece ser um manancial inesgotável. Como essa, acho que nunca vi. E não estou me referindo aos rolezinhos originais, não, que tinham, sim, de ser coibidos porque põem em risco a segurança de milhares de pessoas — inclusive a dos próprios rolezeiros.
Eu me refiro é ao rolezinho ideológico de grupelhos de extrema esquerda, de subintelectuais do miolo mole, de setores da imprensa e, agora dos petistas, que resolveram adotar o movimento. Como alertei aqui, esses irresponsáveis acharam que a coisa ficaria restrita a São Paulo — e toda a bagunça que puderem fazer no estado lhes parece boa porque estão de olho nas urnas. Pois é… Nunca é assim! A petezada resolveu apoiar o quebra-quebra do Passe Livre, e a gente viu aonde a coisa foi dar. Mas não tem jeito. Como os lobos, os petistas podem até perder o pelo, mas não perdem o vício. Por Reinaldo Azevedo

JUÍZOS ATORDOADOS SOBRE ROLEZINHO, MANIFESTAÇÕES DE JUNHO, A SOCIEDADE DEMOCRÁTICA E O ESTADO DE DIREITO

Suzana Singer, ombudsman da Folha, escreveu neste domingo sobre a cobertura que o jornal dispensa aos rolezinhos, elogiando-o por ter condenado a ação da polícia e do Judiciário ao tentar coibir as manifestações. Não é, com sabem os leitores deste blog e da Folha, a minha opinião. Os centros comerciais têm compromissos legais firmados com os frequentadores e com os lojistas, e a atividade requer precondições para que possa ser exercida — a exemplo de qualquer outra, inclusive o jornalismo. Com rolezinhos, na forma como se deram, é impossível. Quando um grupo agrava direitos de terceiros, a Justiça tem de ser acionada. É assim que funciona nas democracias. Mas seu erro mais feio está relacionado às manifestações de junho, o que atordoa, embora menos, o seu entendimento dos eventos nos shoppings. Já chego lá. Antes, terei de fazer outras considerações, uma digressão apenas aparente, que nos aproximam da questão.

Começo da digressão
Nunca caí no “Conto de Kehl” de considerar que os rolezinhos são, na verdade, protestos que ainda não têm plena consciência de si mesmos. Isso é restolho dos escombros do marxismo aprendido de orelhada. O Shopping Campo Limpo é frequentado pelos moradores de… Campo Limpo e adjacências. Muita gente é pobre. Heliópolis, em São Paulo, está entre as dez maiores favelas do Brasil — hoje, os próprios moradores preferem chamá-la de bairro, mas, tecnicamente, é uma favela. Segundo o Censo de 2010, contava com 41.118 moradores. Creio que esteja hoje beirando os 45 mil. Eles frequentam em massa o Central Plaza Shopping, que fica bem perto.
Falo o que sei, falo o que conheço, falo o que vi. Já fui lá várias vezes — duvido que Maria Rita Kehl ou Suzana Singer tenham ideia de onde fica sem o auxílio do Google Maps. Pobres, pretos, mestiços — ou que outra categoria queiram criar para brandir a bandeira da discriminação — jamais foram discriminados por ali porque isso significaria, na prática, expulsar boa parte dos… consumidores. A praça de alimentação, nos fins de semana, recebe a população pobre ou remediada que quer “jantar fora”. Os bairros contíguos abrigam moradores de classe media e classe média baixa. Atenção! É um shopping gigantesco, vive apinhado, o ambiente é asseado, e os consumidores e visitantes não se comportam de modo distinto dos que frequentam o Iguatemi, o JK, o Villa-Lobos ou o Higienópolis.
Shoppings — assim como o metrô (já explico!) — são experiências que criam um padrão aceitável de civilização que acaba por mitigar particularismos de classe (e outros) em nome de alguns denominadores comuns de convivência. É assim que se constroem as sociedades. Os comportamentos que ficam à margem — ou porque muito requintados ou porque muito grosseiros — acabam não encontrando lugar para se expressar. Isso é um sinal de avanço das sociedades. Concorre para a elevação do padrão médio. O shopping center constrói um superego com muito mais eficiência do que um pai — se for um pai relapso, então, nem se fale… Sim, é preciso proibir que se toque e se dance funk nos corredores. Mas se deve vetar igualmente que alguém saque o seu aparelho de som para ouvir “A Flauta Mágica” no último volume. Posso achar o funk um lixo, e acho. Posso achar Mozart uma maravilha, e acho. Em locais públicos, o que conta é uma média dos “achares” e dos “quereres”. 
Explico a alusão ao metrô. Em 1980, para chegar à USP, eu recorria, nesta ordem, aos seguintes meios: ônibus-trem-metrô-ônibus. E depois havia os quatro para o caminho de volta. Saía às 5h45, voltava às 16h. Começava a dar aula às 19h e ia até as 23h05. Retornava do trabalho 23h45 — dez conduções por dia. Dormia um pouco e lá ia de volta… É, amigo!, a vida era dura. Aprendi a ler mesmo com solavancos, em pé, meio esmagado. Em vez de despertar a piedade da Maria Rita Kehl, preferi cuidar dos meus assuntos. Viver da boa vontade de estranhos nunca foi o meu forte, e, se fosse obrigado a escolher (nunca fui!) entre provocar piedade ou rancor, vocês já adivinharam a resposta. Mas prefiro, como toda gente, que me amem, hehe… Só não escreverei um maldito adjetivo para isso, entendem? Adiante. Em 1980, o único desses meios com padrão civilizado era o metrô — já frequentado por todas as classes (só havia as linhas azul e laranja). Percebi rapidamente por quê. Era um papel de bala cair no chão, e aparecia um funcionário para limpar. Os vagões e as estações estavam sempre impecáveis — ainda hoje é assim. Em Roma ou em Nova York, o metrô, com frequência, fede. Num dia de sorte, o cheiro de alguma coisa entre a creolina e a naftalina pode se sobrepor ao do xixi… Sigo.
Mantenha um ambiente de uso coletivo em ordem, pouco importa se público ou privado, e a esmagadora maioria dos frequentadores, independentemente da origem social, se esforçará para conservá-lo. A deterioração de espaços públicos decorre de falhas de zeladoria. Quando um prefeito deixa a cidade emporcalhada, por exemplo, como sabe Fernando Haddad, a tendência é que se a emporcalhe ainda mais. A sujeira torna sujos os limpos; a limpeza, limpos os sujos. Vale para o JK ou para o Central Plaza.
Assim, à diferença do que andou sugerindo a má consciência militante — dos petistas aos ditos movimentos negros que tentaram pegar carona no rolezinho da molecada que só queria, e quer, beijar na boca (viva o beijo na boca!) —, os tais eventos não nasceram da exclusão, do preconceito, do apartheid social, do arranca-rabo de classes, da frustração com isso ou com aquilo. Não! Eles eram apenas manifestações indesejáveis — porque perigosas — de jovens num espaço que, a rigor, já era deles, frequentado por suas famílias. Como demonstrei na coluna de sexta-f na Folha“jovens que aderem a eventos por intermédio do Facebook não são excluídos sociais, mas incluídos da cultura digital, que já é pós-shopping, pós-mercadoria física e pós-racial. O que mais se troca nas redes sociais são bens simbólicos, são valores, que definem tribos e grupos com pautas cada vez mais específicas”.
Fim da digressão. De volta a Suzana Singer
Suzana preferiu abrir seu texto com um clichezaço para comentar o que chamou de “cautela” da imprensa com os rolezinhos. Sem medo de ser feliz, mandou ver:“Gato escaldado tem medo de água fria”. Nota: todo gato tem medo de água — fria ou quente. Eis uma frase que, por ser clichê, não diz mais nada; se dissesse, informaria um erro. Depois de elogiar a crítica que a Folha fez à polícia e ao Judiciário no caso dos rolezinhos — com a qual não concordo —, Suzana escreveu: “É um tom completamente diferente do adotado no editorial ‘Retomar a Paulista’, de junho de 2013, quando os ativistas foram definidos como ‘jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária’”.
Obviamente, eu concordo com o editorial de junho — justamente aquele de que a ombudsman não gostou. E terei de recorrer à própria Folha para dizer por quê — já publiquei essas evidências em post de outubro do ano passado. Vejam. Volto em seguida.
No dia 6 de junho do ano passado, durante a baderna organizada pelo Movimento Passe Livre, não houve a chamada “violência policial”. Só os manifestantes botaram para, literalmente, quebrar e queimar. No dia 7, informava a Folha:
“Em protesto contra a elevação da tarifa de ônibus, metrô e trens em São Paulo, manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar, interditaram vias e provocaram cenas de vandalismo ontem à noite na região central. O ato levou à interdição de vias como 23 de Maio, Nove de Julho e Paulista na hora de pico. Estações de metrô foram depredadas e fecharam. No centro e na Paulista, quebraram placas, picharam muros e ônibus, atearam fogo, provocaram danos a um shopping e ao Masp. Os manifestantes são ligados ao Movimento Passe Livre, liderado por estudantes e alas radicais de partidos.”
Jornais 7 de junho
O Passe Livre não deu trégua. No dia 7, promoveu outro quebra-quebra, também notavelmente violento. Mais uma vez, a Polícia Militar evitou o confronto. Novas depredações, incêndios, quebra-quebras, aí com o fechamento das marginais, causando um colapso na cidade. Os mascarados já estavam lá, atuando junto com o Passe Livre. Os jornais do dia 8 de junho traziam o devido registro.
Jornais 8 de junho
Estava na cara que havia algo estranho no ar. Muito bem! No dia 9 de junho, o Estadão de domingo chega às bancas com uma estranha entrevista de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, tornada manchete. O alvo principal: o governador Geraldo Alckmin, em particular a política de segurança pública. Era um domingo.
Estadão 9 de junho
Na terça-feira, dia 11 de junho, o Passe Livre e os black blocs voltaram às ruas. A violência chegava ao paroxismo. Coquetéis Molotov foram lançados contra a polícia. Um policial foi linchado. Assim evidenciavam os jornais no dia 12.
Jornais do dia 12
policial ferido 2
Estão acompanhando?
Até aqui, três de seis dias dedicados à depredação e à violência, com a Polícia Militar fazendo um trabalho praticamente de contenção. Entre esses dias, uma entrevista do ministro da Justiça atacando o governador. Observem que estou documentando tudo.
Aí veio a tragédia do dia 13. O Passe Livre voltou às ruas ainda mais disposto ao confronto e à pauleira. Aqui e ali já se colhiam na imprensa sinais de simpatia pelos vândalos. Mas como endossar as práticas terroristas? Era preciso que um valor mais alto se alevantasse. Jornalistas, no geral, têm mais ódio da polícia do que de bandidos com uma “boa causa”. Sei que frases como essa não me rendem uma boa fama. Escrevo o que quero. Não devo satisfações a aiatolás do pensamento. Pois bem: nesse dia, a tropa de choque combinou com “os meninos” (como diria um repórter de TV…) que eles não romperiam o cordão de policiais rumo à Avenida Paulista. Não adiantou. Eles romperam. E o pau comeu. A Polícia Militar reagiu com bombas de gás e de efeito moral e balas de borracha. Jornalistas foram alvejados. Aí a coisa toda mudou de figura, como se via no dia 14.
jornais do dia 14
Uma imprensa que já estava doida para aderir encontrou ali o pretexto de que precisava. E que se note: não estou endossando a ação da PM naquele dia. Foi exagerada, atabalhoada, desorganizada. Mas não muda a moral da história.
A PM passava a ser a vilã. E os protagonistas da truculência dos dias 6, 7 e 11 eram tratados como heróis que estivessem lutando contra um estado autoritário. As TVs, em especial, passaram a dar aos trogloditas a grandeza de resistência civil. A GloboNews, por exemplo, entrou em rimo de AL Jazeera cobrindo a Primavera Árabe. A diferença nada ligeira é que o Brasil é um estado democrático.
CARDOZO DE NOVO!
Naquele mesmo dia 13, com a cidade tomada pelo caos — eu voltava de uma palestra no Rio e fiquei quase cinco horas preso no Aeroporto de Congonhas porque meu bairro estava sitiado por vândalos —, Cardozo concedeu uma entrevista aos portais oferecendo “ajuda” ao governador Geraldo Alckmin. Não telefonou, não conversou, não procurou nem foi procurado. Falava pela imprensa. Tirava uma casquinha. Fazia de conta que o problema era de São Paulo.
No dia 17, marca-se outra manifestação em São Paulo. A Polícia aceita as condições dos trogloditas que haviam vandalizado a cidade no dias 6, 7, 11 e 13: nada de tropa de choque, nada de bala de borracha, nada de bombas e nada de restrição a áreas de protesto. Qualquer lugar é lugar. Tudo pode e tudo vale. Os petistas aderiram ao protesto. Já não era mais pelos 20 centavos, dizia-se, mas por cidadania, sei lá o quê. Algo começava a sair do planejado: em São Paulo, a convocação reuniu 65 mil pessoas. A do Rio, que seria apenas em solidariedade, juntou mais de 100 mil… Epa!!!
No dia 18 de junho, aí era a Folha que trazia outra entrevista de José Eduardo Cardozo, também contra o governo de São Paulo, com ataques diretos à polícia.
Folha 18 de junho - cardozo
Concedida no dia 17, antes do término das manifestações, este gênio usou como exemplo bem-sucedidos as polícias do Rio e do Distrito Federal:
“O que vi em SP, e as câmeras mostraram, é de uma evidência solar que houve abuso. Vi o que aconteceu no Distrito Federal e no Rio. Padrões de comportamento bem diferentes”.
Patético! Naquele dia 17, não houve violência em São Paulo. Alguns bananas tentaram invadir os jardins do Palácio dos Bandeirantes, mas nada muito grave. No Rio, no entanto, um dos bons exemplos de Cardozo, assistiu-se ao caos, como isto aqui:  
Brasília
O ministro da Justiça que “ofereceu” ajuda a Alckmin no dia 13, que já o havia atacado no dia 9 e que censurou a polícia de São Paulo no dia 17, tinha tudo para organizar, então, com o seu aliado Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, uma ação preventiva exemplar quando o protesto chegou ao Distrito Federal, certo? Pois bem! No dia 20, o caos se instalou em Brasília. Meteram fogo no Itamaraty. E ninguém ouviu a voz de Cardozo, o chefe da Polícia Federal e o homem que pode acionar a Força Nacional de Segurança. Vejam. 
Setores importantes da imprensa, as esquerdas de modo geral e o governo federal promoveram a demonização da Polícia Militar de São Paulo, que logo virou a demonização de qualquer polícia. Também se inventou a mentira estúpida de que manifestantes eram uma coisa, e baderneiros, outra. Chegou a ser por um brevíssimo período. Logo, os chefes dos protestos deixaram claro que os mascarados eram a sua tropa de choque e que eles estavam juntos.
Retomo
Não havia, pois, nada de errado com aquele editorial da Folha sobre as manifestações de junho. Certo estavam o jornal e QUASE toda a imprensa até ali. Erraram depois, quando passaram a condescender com a agressão aos mais comezinhos fundamentos da democracia e do estado de direito.
Ao comentar os rolezinhos, Suzana, reconheça-se, põe em dúvida a sociologice oca que tenta atribuir caráter de contestação às manifestações ou relacioná-la à falta de espaços de lazer na periferia — afinal, ela é capaz de reconhecer que a garotada andou se reunindo em shoppings da periferia, justamente em seu espaço de lazer, e não numa galeria de arte dos Jardins ou num museu… Depois o texto segue com perguntas, dúvidas, sugestões, coisa e tal, mas insistindo no que seria o caráter enigmático dos rolezinhos… Onde está o enigma? A meninada já falou por que faz, o que quer, qual é o objetivo — e passa muito distante da apropriação vigarista que as esquerdas tentaram operar depois. Sobre isso, Suzana nada escreveu.
Notem, a propósito, que, nos descalabros de junho, uma figura sobressai: José Eduardo Cardozo. Enquanto o caos parecia restrito a São Paulo, ele ficou tirando suas casquinhas. Agora, no caso dos rolezinhos, os petistas, mais uma vez, foram os primeiros a tentar emprestar um “caráter” político à coisa — Fernando Haddad quer os rolezeiros até como  interlocutores…
Ou por outra: nas manifestações violentas de junho — que acabaram se voltando até contra o PT — ou nos rolezinhos de agora, há uma constante: a exploração política promovida por vigaristas, e o encantamento basbaque de supostos bem-pensantes que confundem depredação de ônibus com ímpeto revolucionário e rolezinho em shopping com a tomada do Palácio de Inverno. Por Reinaldo Azevedo

A MULTA DE JOSÉ GENOÍNO: SOBROU ATÉ UMA GRANINHA PARA O CHURRASCO....

José Genoino estrela do PT
Sobrou até um dinheiro para o churrasco, caso se queira. Ou para doar para as criancinhas pobres. O site criado pela família do petista  José Genoino conseguiu arrecadar o dinheiro necessário para pagar a multa aplicada pelo Supremo Tribunal Federal ao mensaleiro. Ele terá de pagar R$ 667,5 mil reais, e o tal site conseguiu amealhar mais de R$ 700 mil. Que coisa bonita a solidariedade, não é mesmo? Estava na cara que a iniciativa seria bem-sucedida — quando menos porque existem muitos petistas ricos. O próprio partido, diga-se, o maior do País, dispõe dos recursos para pagar a multa se quiser e não precisaria apelar ao Fundo Partidário para isso, o que seria ilegal. Mas sabem como é… Preferiu-se o caminho da demagogia. De fato, não consta que José Genoino tenha enriquecido no poder — coisa que não se pode falar de alguns de seus companheiros. A sua condição de homem humilde, que mora na mesma casa há décadas, vive sendo exaltada em prosa e verso. Mas quem é que disse que isso está em questão? Não está. José Genoino, como ficou comprovado nos autos do Mensalão do PT, integrou um grupo que promoveu o maior escândalo da história republicana. Não, leitor, não é o maior em volume de dinheiro — embora existam indícios de que a investigação não conseguiu ir muito além da superfície. Trata-se do maior escândalo no que concerne aos objetivos e à audácia criminosa. O Mensalão do PT não foi apenas uma maquinaria inventada para pagar, por fora, a conta de alguns parlamentares. O que se pretendeu, no caso, foi criar um verdadeiro Congresso paralelo. Foi, como deixaram claro alguns ministros do STF, uma tentativa de golpe nas instituições. E o que vemos? O esforço do petismo para transformar os condenados do partido em verdadeiros heróis. A criação do site em favor de José Genoino foi mais do que uma operação familiar. Trata-se de uma iniciativa de caráter político. Ao fazê-lo, os petistas deixam claro que não dão muita bola para as leis e os tribunais. Em vez de uma postura discreta, de reverência à Justiça, o que se vê é uma clara posição de desafio e até de confronto.
Os administradores do site publicaram a seguinte mensagem: “Essa é uma vitória não nossa, mas de todos aqueles que não querem se calar diante das injustiças; de todos os que sabem que a história de José Genoino sempre esteve relacionada apenas à luta por causas, sonhos e projetos coletivos”.
Entenderam? Quando um petista é condenado por ter cometido crimes, esses crimes se convertem em virtudes, e o Judiciário é que se transforma no vilão. É claro que se trata de uma postura vergonhosa — mas se deixar intimidar pela vergonha não é exatamente um hábito na vida pública brasileira. Por Reinaldo Azevedo

VAI TER COPA, SIM: NÃO VAI TER É AEROPORTO!

Por causa dos atrasos nas obras de ampliação do aeroporto de Fortaleza, o governo federal trabalha com a possibilidade de fazer um terminal provisório de passageiros para a Copa do Mundo no local. Com apenas 25,9% das obras concluídas até dezembro, o caso cearense é o mais grave para o governo. A Copa começa no dia 12 de junho. Salvador e Cuiabá também têm atrasos que estão preocupando Brasília. Segundo o ministro Moreira Franco, da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, o consórcio responsável pelas obras no aeroporto de Fortaleza “visivelmente não tem condições” de entregá-las no prazo": ”Constatei um atraso excessivo. A opção agora é construir alternativas". O status das obras, diz ele, é “crítico”. O plano B em estudo é erguer um terminal provisório, chamado pela Infraero de MOP (Módulo Operacional), estrutura pré-fabricada, com forro de lona e climatizado, para dar conta da demanda. Eles já foram construídos em Guarulhos (terminal 4) e Florianópolis, entre outros. As outras opções, consideradas menos prováveis pelo governo, são dar continuidade às obras com outra empresa ou pressionar o consórcio atual a cumprir os prazos. ”Se fico satisfeito? Claro que não”, disse Moreira Franco, sobre o constrangimento causado pelos atrasos às vésperas da Copa do Mundo.