domingo, 8 de dezembro de 2013

DEM VAI CONVOCAR TUMA JR. PARA DEPOR NO CONGRESSO; DEPUTADO RONALDO CAIADO QUER IR ÀS ILHAS CAYMAN PARA INVESTIGAR CONTA ABERTA E OPERADA POR JOSÉ DIRCEU PARA O MENSALÃO DO PT

O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), quer que o delegado Romeu Tuma Júnior, ex-secretário nacional de Justiça, fale à Câmara sobre as revelações feitas por ele em livro que chega às livrarias nesta semana e publicadas em primeira mão pela edição de VEJA que está nas bancas. Tuma Júnior afirma ter descoberto a existência de uma conta, nas Ilhas Cayman, utilizada para movimentar recursos do Mensalão do PT. Ele também dá detalhes do caso Celso Daniel e do uso da máquina do governo para a montagem de dossiês contra adversários durante o governo Lula. Nesta segunda-feira, Ronaldo Caiado vai apresentar um requerimento convidando Tuma Júnior a comparecer à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para levar os documentos que possui. O deputado também afirma que uma alternativa seria cobrar informações diretamente das autoridades envolvidas nos episódios. No caso das Ilhas Cayman, Caiado estuda propor a criação de uma comissão para visitar o paraíso fiscal e obter informações sobre a conta revelada pelo ex-secretário. Mas o líder do DEM reconhece que o depoimento de Tuma Júnior seria essencial: "Esse é o principal, porque ele mostraria o caminho das pedras".

ESTUDO APONTA QUE DISLEXIA É CAUSADA POR RUÍDO NA CONECTIVIDADE CEREBRAL

A dislexia, uma dificuldade para ler e compreender, seria resultado de uma má conectividade entre duas regiões do cérebro, revelou na quinta-feira uma pesquisa que lança nova luz à origem deste transtorno neurológico que afeta 10% da população mundial. Durante várias décadas, neurologistas e psicólogos atribuíram este problema de aprendizagem a uma representação mental defeituosa das palavras, inclusive fonemas, elementos sonoros característicos da língua, segundo Bart Boets, autor principal do estudo publicado na revista americana Science. Para confirmar esta hipótese, os cientistas examinaram com uma ressonância magnética (RM) 45 estudantes de 19 a 32 anos, 23 dos quais eram severamente disléxicos, para obter imagens tridimensionais do seu cérebro quando escutavam diferentes séries de sons. "Assim foi possível obter um bom registro neuronal de representações fonéticas dos sons escutados", explicou Boets, psicólogo da Universidade Católia de Lovaine, na Bélgica. Os participantes escutaram uma série de sons diferentes como "ba-ba-ba-ba" e deviam identificar o que era diferente, um exercício que, segundo os cientistas, requer uma boa representação mental dos diferentes fonemas. Os cientistas descobriram que as respostas do grupo de disléxicos e a intensidade de suas reações neuronais foram similares aos do grupo de controle. "Suas representações fonéticas mentais estavam perfeitamente intactas", disse Boets. Mas os participantes disléxicos foram aproximadamente 50% mais lentos para responder, segundo os cientistas. Quando analisaram a atividade geral do cérebro, os autores do estudo descobriram que os disléxicos tinham uma coordenação menor entre treze regiões do cérebro que têm a ver com os sons básicos e a área de broca, uma das principais responsáveis ao processamento da linguagem. Outras análises revelaram que quanto mais frágil a coordenação entre estas duas regiões cerebrais, mais lenta a resposta dos participantes. Isso demonstra que a causa da dislexia não é uma má representação mental dos fonemas, mas um acesso defeituoso destes sons na região do cérebro que processa o som, concluíram os autores.

POLICIAIS EM GREVE CERCARAM A SEDE DO GOVERNO DE PROVÍNCIA NA ARGENTINA

Policiais em greve cercaram na sexta-feira a sede do governo na província de Catamarca, no nordeste da Argentina, em meio aos protestos por aumento de salários que atingem ainda as províncias de Neuquén e Rio Negro, no sul do país. "Os grevistas cercaram e sitiaram a Casa de Governo de Catamarca, onde a governadora Lucía Corpacci negocia com os representantes da força policial a questão dos salários", informou o canal de notícias TN. Segundo a jornalista Yemina Castellino, os agentes em greve "estão armados" e a polícia militar" entrou na Casa de Governo para proteger as autoridades, entre elas a governadora, uma aliada da presidente Cristina Kirchner". Os policiais grevistas exigem um salário de 13 mil pesos (US$ 2 mil), enquanto as autoridades oferecem 7,9 mil pesos (US$ 1.210,00), proposta que é rejeitada. Para ter acesso à sede do governo, os policiais militares utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, informou Castellino. Em Neuquén (1,1 mil quilômetros ao sul de Buenos Aires), centenas de policiais, incluindo aposentados, estão reunidos em torno da sede da polícia para exigir o reajuste salarial. Na província de Rio Negro, policiais e familiares saíram às ruas, enquanto seus líderes negociam com os representantes do governo.

PETISTA GILBERTO CARVALHO DIZ QUE NÃO HÁ ANTECIPAÇÃO DE CAMPANHA ELEITORAL NA INTENSIFICAÇÃO DAS VIAGENS DE DILMA ROUSSEFF

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, o petista Gilberto Carvalho, disse na sexta-feira que não acredita que a presidente Dilma Rousseff esteja antecipando a campanha eleitoral de 2014, mesmo tendo reforçado a agenda de viagens Brasil afora. O ministro afirmou que não há "nenhuma antecipação por parte da presidenta Dilma", e que ela não pode ficar na "redoma de vidro" do Palácio do Planalto, sem manter contato direto com as pessoas. "Ninguém pode ficar nessa redoma de vidro apenas recebendo informações intermediárias. É muito importante o contato com as pessoas. Ouvir as pessoas, ouvir os protestos, dialogar, faz parte constitutiva da democracia, do nosso estilo popular de governar. O que a presidenta Dilma fez foi exatamente dar continuidade a essa prática de governar perto das pessoas, não ter medo das pessoas", afirmou o ministro.

PLANTIO DE SOJA ATINGE 93% DA ÁREA PREVISTA NO BRASIL

O plantio da soja na temporada 2013/14 no Brasil se aproxima do encerramento, disse na sexta-feira a consultoria Safras & Mercado. Levantamento feito pela empresa aponta que 93% da área projetada estavam semeados até 6 de dezembro. Na semana anterior, o índice era de 88%. No mesmo período do ano passado, os produtores já haviam plantado 94% das lavouras, disse a Safras. Os trabalhos estão encerrados em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. No Paraná, o plantio atinge 99% e, no Rio Grande do Sul, 80 por cento.

AGRICULTORES DO MATO GROSSO AVALIAM PLANTAR SAFRINHA DE SOJA

Produtores de Mato Grosso, Estado onde mais se colhe grãos no País, planejam plantar uma segunda safra de soja nesta temporada, em substituição à chamada safrinha de milho, em uma tentativa de evitar os baixos preços sinalizados para o cereal. "Não sei ainda a área, mas a soja segunda safra é uma realidade", disse o agricultor Laércio Lenz, presidente do Sindicato Rural de Sorriso, importante município produtor na região norte de Mato Grosso. O plantio de uma segunda safra sempre foi um diferencial competitivo de regiões como o Centro-Oeste brasileiro e o Paraná. O clima e as tecnologias existentes permitem que uma mesma área seja cultivada duas vezes na mesma temporada. Usualmente em Mato Grosso, a chamada "safrinha" tem sido dominada pelo milho, o que ajudou o Brasil a praticamente duplicar a produção do cereal nos últimos dez anos. Desde julho deste ano, no entanto, as cotações do milho despencaram 40% no mercado internacional, pressionadas por grandes safras nos Estados Unidos e no Brasil. Os preços ficam ainda mais depreciados em regiões como o norte de Mato Grosso, distante dos portos e com logística deficitária. A soja, ao contrário, não caiu tanto e continua rentável.

JUSTIÇA SUSPENDE DECISÃO DE PROCESSO CONJUNTO DE OSX E OGX, DIZ ACCIONA

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a suspensão da decisão que permitia o julgamento conjunto dos planos de recuperação judicial da OGX e OSX, informou a Acciona, uma das principais credoras da empresa de construção naval de Eike Batista. O desembargador Gilberto Guarino, encarregado das apelações envolvendo os processos de recuperação judicial de OGX e OSX, considerou que tratam-se de conglomerados distintos, com quadros societários e atividades empresariais independentes, citou a companhia espanhola, responsável pela construção do estaleiro no Porto do Açu. O desembargador deu parecer favorável à Acciona, mas ainda não julgou definitivamente o pedido da credora. O desembargador aguarda parecer da Procuradoria de Justiça para julgar o caso, acrescentou o Tribunal de Justiça, dizendo que uma decisão contrária à do parecer não pode ser descartada. "A Acciona, uma das maiores empresas de infraestrutura do mundo, busca que sejam respeitados os contratos e o direito dos credores, o que ficaria bastante prejudicado com eventual confusão patrimonial do Grupo X", afirmou a companhia, em nota à imprensa.

TRIUNFO QUER ANTECIPAR SEGUNDA PISTA DE VIRACOPOS

A Triunfo quer antecipar a conclusão da segunda pista do aeroporto de Viracopos, afirmou o presidente da Aeroportos Brasil Viracopos, Luiz Alberto Kuster, em encontro com investidores na sexta-feira. "Precisaremos da segunda pista em 2018 ou 2019, mas estamos estudando seriamente antecipar por questão estratégica", disse ele, acrescentando que a empresa avalia desenvolver o conceito de "aerotrópolis" em Viracopos, podendo chegar a quatro pistas. "Temos 1.000 alqueires de terra para chegarmos a 4 pistas e tudo o que envolva o conceito, como hotéis", disse. Segundo o executivo, o objetivo da companhia é tornar o aeroporto no interior de São Paulo um dos 10 melhores da América Latina entre 2015 e 2016. Para isso, está ampliando espaços para manobras de aeronaves, passando de 30 para 70 posições em 2014. A companhia está construindo um novo terminal no aeroporto e avalia transformar o terminal antigo em hangar para aviação geral internacional, de olho em demanda de vôos charter, enquanto espera se beneficiar do plano do governo federal para impulsionar a aviação regional no País, o que pode posicionar o aeroporto em hub para vôos internacionais. Segundo Kuster, o crescimento da demanda brasileira deve implicar que a empresa não vai tirar companhias aéreas do aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Porém a concessionária de Viracopos está buscando atrair linhas aéreas internacionais para o aeroporto de Campinas. Caso o governo venha a fazer novas concessões de aeroportos, a Triunfo focará atenção sobre Manaus, o que daria à empresa acesso às cargas da Zona Franca, disse o presidente-executivo da companhia, Carlo Alberto Bottarelli. Ele acrescentou que um hub internacional no Nordeste também interessa à empresa. Sobre as perspectivas para a economia brasileira, ele afirmou que espera um 2015 "muito ruim" diante da provável necessidade de ajuste nas contas públicas após as eleições de 2014. Porém, ele avaliou que a maioria dos negócios da Triunfo estão protegidos contra uma desaceleração econômica: "Estamos protegidos contra inflação e tráfego vai continuar existindo". Em rodovias, o foco da Triunfo são as estradas federais. Depois de vencer o leilão de mais de 1 mil quilômetros das BRs 060/153/262, a companhia avalia parcerias em consórcios para as próximas concessões, disse Bottarelli. Os próximos leilões incluem a BR-163 (MS), em 17 de dezembro, e a BR-040, em Minas Gerais, marcado para 27 de dezembro. "Queremos conquistar Minas Gerais", reafirmou o executivo, citando o Estado como terceira maior economia do Brasil. Já sobre a BR-163 (MS), ele estimou que a Odebrecht Transport pode ser agressiva, depois de ter vencido o trecho no Mato Grosso da mesma rodovia no final de novembro: "Está na cara que eles vão fazer uma oferta forte. Mas vamos participar, sim, não faremos um lance figurativo".

JOÃO GOULART ENTERRADO COM HONRAS DE CHEFE DE ESTADO

Morto em 6 de dezembro de 1976, o ex-presidente João Goulart foi enterrado pela segunda vez na sexta-feira, em São Borja, na fronteira com a argentina, exatos 37 anos após sua morte. Desta vez, a cerimônia foi organizada com as honras de um chefe de Estado que o primeiro funeral não teve. As homenagens reuniram a família Goulart e contaram com a participação de políticos como o senador Pedro Simon (PMDB), o ex-deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB), a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT), o deputado federal Vieira da Cunha (PDT) e o governador em exercício Pedro Westphalen (PP), além de alguns amigos ainda vivos do ex-presidente, admiradores e militantes trabalhistas. Centenas de pessoas foram ao aeroporto esperar pelo caixão e uma multidão acompanhou o velório na catedral São Francisco de Borja. Cerca de mil acompanharam o enterro. O corpo chegou a São Borja por volta das 13 horas. Depois do desembarque, passou diante de 150 soldados do Exército, que dispararam três tiros de fuzil e executaram a marcha fúnebre. Em seguida foi colocado sobre um caminhão do Corpo de Bombeiros e levado em cortejo guardado por cavaleiros da Brigada Militar até a igreja. No trajeto, o corpo foi saudado por pessoas nas janelas das casas, decoradas com bandeiras do Brasil. Por onde o caixão passou foi aplaudido e saudado com gritos "Jango, Jango, Jango".

MICROSOFT DESLIGA A MAIOR REDE MUNDIAL DE PCs INFECTADOS

A Microsoft disse na quinta-feira que havia desativado a maior rede de computadores pessoais infectados do mundo, envolvendo cerca de 2 milhões de máquinas, desde que intensificou sua luta contra o crime organizado online três anos atrás. A gigante de softwares entrou com um processo no Texas e ganhou a sentença de um juiz ordenando provedores de Internet a bloquear todo o tráfego para 18 endereços na Internet, que eram usados para direcionar atividades fraudulentas às máquinas infectadas. Autoridades em muitos países europeus cumpriram mandados ao mesmo tempo, apreendendo servidores que pudessem fornecer mais evidências sobre os líderes da organização criminosa ZeroAccess, que se devotava à "fraude dos clicks". Organizações deste tipo usam redes de máquinas cativas, conhecidas como botnets, em esquemas complexos que obrigam as máquinas a clicarem em propagandas sem o conhecimento do proprietário do computador. Os esquemas trapaceiam anunciantes em sites de busca como o Bing, da Microsoft, ao fazer com que paguem por interações que não têm chance de terminar em vendas. Pelo menos por enquanto, a fraude promovida por esta rede foi encerrada, disse Richard Boscovich, conselheiro geral assistente da Microsoft. Acredita-se que os operadores da botnet estejam baseados na Rússia, enquanto o autor do software malicioso pode estar baseado em outro lugar, completou Boscovich. A Microsoft revelou que o esquema tinha um impacto estimado em 2,7 milhões de dólares por mês aos anunciantes no Bing, no Google e no Yahoo.

FRANCISCO DAS CHAGAS ASSUMIRÁ VAGA DE VALDEMAR COSTA NETO

O vice-prefeito de Mauá, Hélcio Antônio da Silva (PT), abrirá mão do mandato no município do ABC paulista para assumir nos próximos dias uma vaga de suplente na Câmara dos Deputados após a renúncia de Valdemar Costa Neto (PR). O PT, que já tem a maior bancada da Casa, passará a ter 89 parlamentares. A vaga de titular que pertencia a Valdemar Costa Neto ficará com o deputado Francisco das Chagas, que ocupava o posto de suplente. Hélcio aguarda apenas a convocação da Secretaria-Geral da Mesa Diretora para deixar o posto de secretário de Habitação do município e renunciar ao mandato. A convocação formal acontecerá na próxima semana, assim que for formalizada a efetivação de Chagas como titular.

ESTADOS UNIDOS DECIDE SE PATENTE VALE PARA SOFTWARE

A Suprema Corte americana concordou em decidir finalmente sobre a possibilidade de patentear softwares (programas de computador). O tema chegou à instituição por meio de disputas entre as empresas Alice Corporation e a CLS Bank International sobre a propriedade de um software de transações financeiras; e outra entre WildTangent e Ultramercial, de anúncios em vídeos. No Brasil, a patente de softwares é proibida e está especificada na Lei de Propriedade Industrial (nº 9279/96). Empresas como Google, HP, Facebook e Netflix cobram a análise dos casos pelo Judiciário. Hoje, nos Estados Unidos, as decisões sobre casos de propriedade sobre softwares variam muito de Estado para Estado. Mark Lemley, um especialista de patentes da Faculdade de Direito de Stanford disse que a ausência de jurisprudência torna a lei “desesperadamente confusas”. O tribunal superior fará audiências previstas para começarem em março e encerrarem em junho de 2014. No Brasil, apesar de a disputa estar pacificada em razão da lei, o tema voltou a ser debate no País desde o ano passado quando o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) colocou em consulta pública uma proposta sobre a aplicação de patentes a softwares, tendo posteriormente justificado não estar querendo mudar a lei, mas patentear equipamentos com softwares embarcados e não os softwares “em si” (como está na lei). A Europa passou por essa mesma discussão no início dos anos 2000. “Em 2005, o Parlamento Europeu derrubou a proposta dizendo que seria uma atraso e retardaria o desenvolvimento de pequenas, médias e grandes empresas.

GAROTINHO DENUNCIA NEGÓCIOS DA FAMILIA PAES NO PARANÁ

A revelação de que a família do prefeito Eduardo Paes (PMDB) é dona de duas empresas no Panamá que têm, juntas, capital de US$ 8 milhões (R$ 19 milhões) abriu uma guerra entre o peemedebista e o ex-governador e deputado Anthony Garotinho (PR-RJ). Pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Garotinho reproduziu em seu blog reportagem sobre as empresas Conval Corporation e Vitznau International Corporation, criadas, respectivamente, nos dias 12 e 19 de junho de 2008, com sede no Panamá, e que pertenceriam ao pai, à mãe e à irmã do prefeito, Valmar Souza Paes, Consuelo Costa Paes e Letícia Costa Paes. Garotinho acusa a família de Paes de ter criado "empresas laranjas" e "fantasmas". Segundo documentos divulgados por Garotinho, a Conval e a Vitznau foram constituídas e têm como sócio o panamenho Jose Eugenio Silva Ritter, presidente da empresa Truston International Inc., sócia majoritária e administradora do Hotel St. Peter, em Brasília. Reportagem do "Jornal Nacional" da TV Globo, revelou, na última terça-feira, que Jose Eugenio Ritter mora em um bairro pobre da Cidade do Panamá e seria "laranja" da Truston. O St. Peter ganhou notoriedade na semana passada, quando o ex-ministro José Dirceu pediu à Justiça autorização para trabalhar como gerente geral do hotel, o que garantiria o regime semiaberto ao petista, condenado no processo do mensalão e preso na Penitenciária da Papuda.

FGV DIZ QUE BRASIL SUBIRIA OITO POSIÇÕES NO PISA SE TIVESSE ALUNOS NA SÉRIE CORRETA

A evolução do Brasil nos últimos anos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) se deve em grande parte à correção da distorção idade/série. A avaliação é do coordenador do Centro de Microeconomia Aplicada da FGV, André Portela, que defende melhoria nas condições de ensino para continuidade da evolução. De acordo com ele, caso não houvesse mais alunos fora da série correta, o Brasil poderia estar hoje com pontuação 439 em Matemática, na 51ª posição entre os 65 países avaliados. A análise leva em conta somente a pontuação dos alunos brasileiros do 2º do Ensino Médio, que estão na série correta para a idade e obtiveram a melhor pontuação entre os avaliados. Considerando todos os estudantes, a pontuação do Brasil em Matemática é de 391, na 59ª posição. Hoje, 37,1% dos estudantes que participaram do exame afirmaram ter repetido uma ou mais vezes. Em 2009, o índice chegava a 40,1%. A diminuição de alunos fora da série correta, de acordo com Portela, se deve a políticas públicas que inclui a entrada no ensino com 6 anos no 1º ano do Ensino Fundamental. “Aumentou o número de estudantes que começam na idade correta e isso tem a ver com o aumento de alunos na educação infantil, que hoje chega a 30%”, disse o coordenador. Portela ressalta, no entanto, que a evolução causada pela redução da distorção idade/série tem limite. “Agora, o País precisa melhorar sala de aula, produtividade e eficiência do que é aprendido e ensinado para continuar avançando significativamente”, considera. Para ele, outra parte representativa do aumento do aumento da nota se deve às melhorias das condições socioeconômicas e culturais das famílias dos estudantes. Outro fator que influencia no desempenho dos alunos é a escolaridade dos pais.

OPAC INFORMA QUE MUNIÇÃO PARA ARMAS QUÍMICAS SÍRIAS FOI DESTRUÍDA

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) anunciou na sexta-feira que verificou a destruição de todas as munições não preenchidas da Síria, mais um marco no processo de erradicação do arsenal químico de Bashar Assad, que deve ser concluído até meados de 2014. A Opaq disse em comunicado que seus especialistas na Síria também verificaram a destruição de parte dos prédios de instalações de produção desse tipo de armamento. O grupo formado por especialistas da ONU e da Opaq tem como objetivo remover os agentes químicos mais tóxicos da Síria até o final do ano, para que sejam destruídos no mar. Todo o arsenal deve esta aniquilado até meados de 2014. Os Estados Unidos devem ter um papel importante na destruição dos agentes químicos mais tóxicos do arsenal sírio. Washington se ofereceu para fornecer uma embarcação com um artefato móvel no qual os químicos podem ser neutralizados. Nenhum agente químico ou resíduo será jogado no mar de acordo com o projeto da Opaq. Mais de trinta empresas privadas também se ofereceram para destruir menos de 800 toneladas de materiais menos tóxicos que a Síria declarou à organização, sediada em Haia.

IÊMEN ANUNCIA RETOMADA DO CONTROLE DE COMPLEXO MINISTERIAL

O Iêmen afirmou na sexta-feira que recuperou o controle total do seu complexo do Ministério da Defesa, em Sanaa, um dia depois que um ataque reivindicado por um grupo ligado à Al Qaeda matou 56 pessoas, incluindo pessoal médico estrangeiro. O chefe do Estado-Maior do Exército iemenita disse em um relatório preliminar apresentado ao presidente, Abd-Rabbu Mansour Hadi, na sexta-feira, que cerca de 12 agressores, em sua maioria sauditas, participaram do ataque e foram todos mortos. O relatório afirmou que homens armados vestidos com uniformes do Exército abriram fogo contra soldados que guardavam um dos hospitais dentro do complexo militar. Uma caminhonete carregada de explosivos foi então detonada. "Os terroristas foram estimados em 12 e a maioria deles era de cidadãos sauditas. Entre os mortos estavam médicos de Alemanha, Vietnã, Índia e Filipinas, e outras 215 pessoas ficaram feridas, de acordo com os últimos dados do governo. Foi o pior ataque do tipo em 18 meses, aumentando as preocupações internacionais sobre as ameaças que emanam de um Estado que partilha uma longa fronteira com a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, e que está próximo de rotas marítimas internacionais.

MULHER DE DELÚBIO SOARES INTEGRARÁ NOVA EXECUTIVA DO PT

A psicóloga Mônica Valente, mulher do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, integrará a nova Executiva Nacional do partido. Mônica foi escolhida pela corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no PT. A tendência Mensagem ao Partido, do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, perderá a secretaria-geral da legenda, que pode ir para o deputado Geraldo Magela, hoje no comando de Assuntos Institucionais. Mônica já integrava o Diretório Nacional do PT há tempos, mas agora será puxada para a Executiva, que tomará posse nos próximos dias. Das 21 cadeiras da cúpula petista, dez ficarão com a chapa que apoiou o deputado Rui Falcão, reeleito presidente do PT. A mulher de Delúbio, que foi condenado no processo do mensalão e está preso no Complexo da Papuda, é cotada para ocupar a Secretaria de Relações Internacionais ou Institucionais do partido. O deputado José Guimarães (CE), líder do PT na Câmara, também comporá a nova Executiva. Guimarães é irmão do ex-presidente do PT, José Genoino, que cumpre regime de prisão domiciliar temporária e renunciou ao mandato de deputado para não ser cassado. Na nova composição da Executiva petista, 50% dos cargos devem ser preenchidos meio a meio entre homens e mulheres. Além disso, o PT aprovou mudança no estatuto pela qual deve cumprir critérios de cota racial na divisão das cadeiras e destinar vagas aos jovens na direção do partido.

RELATÓRIO SOBRE TRÁFEGO AÉREO CAÓTICO NA COPA DO MUNDO CONTRADIZ GOVERNO

O Brasil insiste que seus aeroportos estarão prontos para receber até 600 mil visitantes estrangeiros durante a Copa do Mundo do ano que vem, mas um relatório interno diz que provavelmente haverá grave superlotação e longos atrasos nos vôos, com o tráfego de passageiros excedendo a capacidade em até 50%, mesmo que amplas reformas sejam concluídas no prazo. O relatório, preparado pelo Ministério do Esporte com a ajuda de consultorias externas, é datado de março de 2011. "A situação nos aeroportos é crítica, considerando a atual saturação vista no setor", constava do relatório: "Alguns aeroportos estão precisando de soluções urgentes". Autoridades do alto escalão do governo da presidente Dilma Rousseff dizem que os prognósticos contidos no relatório de 2011 estão agora superados, graças em parte a grandes reformas em andamento em aeroportos em todas as 12 cidades-sedes da Copa do Mundo. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, rebateu as previsões sombrias, dizendo que os aeroportos terão capacidade "mais do que suficiente" para conduzir a Copa do Mundo, que começa em 12 de junho com o jogo Brasil x Croácia, em São Paulo. No entanto, três fontes a par da metodologia e das implicações do estudo de 2011 dizem que os prognósticos ainda são válidos, mesmo com as melhorias planejadas. Se elas estiverem corretas, milhares de fãs de futebol em visita ao País poderão enfrentar atrasos nos vôos, de horas de duração - um grande constrangimento para Dilma num momento em que se prepara para disputar a reeleição, em outubro. Se as reformas não forem concluídas no prazo - uma possibilidade realista, segundo vêm dizendo alguns especialistas -, então os prognósticos começam a ser muito piores. Nesse cenário, aeroportos enfrentariam provavelmente vários problemas operacionais, diz o relatório. Rebelo disse que o governo vai modificar cronogramas para evitar grupos de vôos relacionados à Copa do Mundo chegando ou partindo ao mesmo tempo. Ele também chamou a atenção para o fato de que muitos estrangeiros vão recorrer a vôos fretados, que são mais flexíveis.

DILMA IRÁ À ÁFRICA DO SUL PARA HOMENAGEM A MANDELA

A presidente Dilma Rousseff decidiu cancelar três eventos previstos para os proximos dias e viaja nesta segunda-feira à África do Sul, onde vai acompanhar missa com chefes de Estado de todo o mundo em homenagem ao líder sul-africano Nelson Mandela. Dilma também decretou sete dias de luto pela morte de Mandela, conforme decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União de sexta-feira. A missa fúnebre está prevista para ocorrer às 14h (10h de Brasília) da terça-feira em Johannesburgo no Estádio FNB, palco da abertura e do encerramento da Copa do Mundo de 2010. A viagem à África do Sul derrubou as agendas de Dilma previstas em Belo Horizonte, Porto Velho e Ji-Paraná (RO). A presidente, no entanto, manteve a participação em evento promovido na segunda-feira pela Bill Clinton Global Initiative, no Rio de Janeiro. De lá, embarca para Johannesburgo.

PETISTA ALEXANDRE PADILHA PEDE APOIO DE VEREADORES PAULISTAS

O ministro da Saúde e futuro candidato do PT à eleição no Estado de São Paulo, Alexandre Padilha, pediu na noite de sexta-feira o apoio dos vereadores paulistas do partido durante a campanha eleitoral de 2014. "A gente espera e acredita que cada um de vocês vai ser um presidente Lula em cada cidade do Estado de São Paulo", disse Padilha, depois de afirmar que o ex-presidente está animado com a campanha e deve ser um exemplo de disposição, contando que Lula faz duas horas diárias de atividades físicas e "se bobear entra em campo na Copa". A chance de o PT passar a governar o Estado, afirmou Padilha, é aproveitar "a característica de cada região desse Estado" para o desenvolvimento econômico. "Nós temos a responsabilidade de por um lado ter a competência e a capacidade de fazer com que esse Estado cresça cada vez mais, mas de não esconder", afirmou. "Tem gente que tenta esconder que tem pobreza no Estado de São Paulo, que tem desigualdade social no Estado", afirmou. Padilha disse ainda que, quando os tucanos governaram o País, a desigualdade social cresceu e, no Estado de São Paulo, cresceu mais ainda. Ele afirmou que com a gestão petista, a desigualdade no País diminuiu. "Mas os tucanos continuaram governando o Estado de São Paulo e não mudou praticamente a desigualdade do Estado de São Paulo", disse. "É hora de o PT governar o Estado mais rico desse País", cravou Padilha. O petista ressaltou e pediu que o partido em 2014 faça duas coisas inéditas: "reeleger uma mulher e segundo fazer com que o próximo governador do Estado de São Paulo esteja em sintonia junto com a presidenta Dilma".

PETROBRAS PREVÊ REABERTURA DE REFINARIA NO PARANÁ NO PRÓXIMO DIA 17

O acidente deverá aumentar a pressão financeira sobre a Petrobras, uma vez que a demanda doméstica por combustíveis ultrapassa a capacidade de suas 13 refinarias no País e as políticas de preços de combustível do governo forçam a companhia a vendê-los internamente com prejuízo. A política de preços é em grande parte responsável por perdas de cerca de 30 bilhões de reais nas divisões de refino e abastecimento da Petrobras desde o início de 2012. As importações da Petrobras também têm contribuído fortemente para o fraco desempenho da balança comercial brasileira este ano. A pressão sobre a Petrobras coincide com seu plano para investimentos de 237 bilhões de reais em cinco anos, o maior programa de gastos corporativos do mundo. Com o caixa curto, a dívida da Petrobras disparou. Em nota, a Petrobras confirmou que a refinaria "encontra-se parada, e os reparos à Unidade de Destilação estão em andamento". Segundo a Petrobras, apenas 10% da área da Unidade de Destilação encontra-se interditada pelo Ministério Público do Trabalho. "A ocorrência não impacta o atendimento ao mercado, que está sendo suprido pela Petrobras. A Petrobras vem realizando reuniões de acompanhamento com os distribuidores", acrescentou a companhia. A Petrobras abriu na sexta-feira licitação para compra de 350 mil a 450 mil barris de diesel de ultra baixo teor de enxofre (ULSD) para entrega em um terminal em Saint Eustatius, ilha holandesa no Caribe. A Petrobras adquire combustíveis frequentemente para armazenar no Caribe como uma reserva estratégica. A Petrobras está buscando permissão para transportar diesel da costa marítima para a refinaria usando um duto que normalmente abastece a REPAR com petróleo bruto, de acordo com uma fonte do setor. Se a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovar o pedido da estatal, a Petrobras poderá usar o duto que sai de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, para a REPAR, em Araucária, no Paraná. O acidente que fechou a REPAR foi causado por um vazamento de tubulação perto do forno na unidade de destilação. A planta também é conhecida como Refinaria Getúlio Vargas. A REPAR é a quinta maior refinaria da Petrobras no Brasil. O incêndio, na noite de 28 de novembro, que levou uma hora e meia para ser controlado pelos bombeiros, gerou calor de até 1.600 graus Celsius torcendo metal e fundações de concreto reforçado com aço na unidade. A estrutura de concreto da unidade foi abalada e terá que ser refeita. Os inspetores do Ministério Público do Trabalho querem que a integridade da fundações de aço e de concreto reforçado com aço e a superestruturas da unidade de destilação danificada sejam avaliadas antes da retomada da operação.

MARCOS VALÉRIO E DELÚBIO SOARES INTERROGADOS NA PAPUDA

A Polícia Federal tomou o depoimento do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e do empresário Marcos Valério, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, no inquérito que trata de desdobramentos do Mensalão. São investigações abertas a partir do depoimento que Marcos Valério prestou no final do ano passado, quando já estava condenado. Dois policiais da delegacia de inquéritos especiais foram ao presídio para ouvi-los no dia 29 de novembro. Uma das investigações em curso é sobre a suspeita de tráfico de influência na liquidação do Banco Mercantil de Pernambuco. O ex-ministro Antonio Palocci também foi ouvido no mesmo inquérito, mas em outubro. Ao todo, cerca de 20 pessoas prestaram depoimento. Na época da liquidação do banco, em 2005, Palocci era ministro da Fazenda do governo Lula e Delúbio era o tesoureiro do PT. Em 24 de setembro de 2012, Marcos Valério fez acusações a procuradores da República que não eram alvo do processo do Mensalão. Entre essas acusações estava a de que o dinheiro do mensalão serviu para pagar despesas pessoais de Lula. Sobre o Mercantil, Marcos Valério disse que Armando Monteiro, então dono do banco, discutiu com Lula numa viagem a Cuba sua liquidação. Nesse processo de liquidação, o Banco Rural, envolvido com o mensalão, teria sido beneficiado. O caso do Mercantil também incrimina Marcos Valério. O empresário esteve 17 vezes no Banco Central entre 2003 e 2005, oito delas sobre o levantamento da liquidação do Mercantil, nas quais se apresentava como representante do Rural. Ao justificar a autorização para que o depoimento de Delúbio fosse dado na Papuda e não na delegacia, o juiz da vara Angelo Oliveira afirmou que isso "minimizaria a exposição e a exploração da imagem do sentenciado". Na autorização para o depoimento de Valério, o juiz alega apenas preocupação com a "exposição do próprio sistema prisional". Preso há 23 dias para cumprir uma pena de 8 anos e 11 meses de prisão em regime fechado (inicialmente cumprida no semiaberto até a decisão sobre recurso apresentado por sua defesa), Delúbio se recusou a responder as perguntas da Polícia Federal, lê-las ou mesmo manusear trechos do inquérito. A todo tempo ele respondia que não iria se manifestar porque estava seguindo orientação dos seus advogados e não tinha conhecimento da investigação. Segundo os investigadores, contudo, os autos foram encaminhados para conhecimento da defesa em julho. A não colaboração é respeitada na instituição como um direito constitucional, mas pode prejudicar ainda mais o petista. Não está descartado o indiciamento dele. Segundo os investigadores, todos os ouvidos colaboraram com a investigação, com exceção de Delúbio. O inquérito deverá ser concluído em dez dias. Advogado de Marcos Valério, o criminalista Marcelo Leonardo afirmou que orientou seu cliente a não responder as perguntas da Polícia Federal: "A orientação para ele, qualquer que seja o caso, é exercitar o direito ao silêncio". Marcos Valério foi ouvido por um delegado diferente do que tomou o depoimento de Delúbio. O criminalista José Roberto Batochio, que defende Palocci, afirmou que a Polícia Federal indagou ao seu cliente se Marcos Valério ou o Banco Rural o procuraram para tratar do Mercantil. Palocci disse, segundo o advogado, que desconhecia a operação, nunca foi procurado e que o Banco Central tinha autonomia para tomar uma eventual decisão sobre o negócio. Além dos seis inquéritos "filhotes" do mensalão abertos a partir do depoimento de Marcos Valério, a Polícia Federal também investiga outro fato relacionado ao esquema que envolve o ex-gerente executivo do Banco do Brasil, Claudio de Castro Vasconcelos. Ele era da equipe que aprovou o direcionamento antecipado de R$ 73 milhões do fundo Visanet para a DNA Propaganda de Marcos Valério.

POLÍCIA FEDERAL PEDE QUE INQUÉRITO DO CARTEL DO METRÔ VÁ PARA BRASÍLIA

A Polícia Federal em São Paulo pediu o deslocamento para Brasília do inquérito sobre o cartel de trens suspeito de operar entre 1998 e 2008 em licitações milionárias dos sistemas de trens e metrô do governo paulista e no governo do Distrito Federal. O argumento central é que a investigação traz menção a autoridades com prerrogativa de foro perante tribunais superiores. Em um dos despachos que constam do inquérito, o delegado responsável pelo caso cita "provas" de pagamento de propina a "políticos vinculados ao governo do Estado de São Paulo". O pedido foi feito quinta-feira e está sob análise da Procuradoria da República em São Paulo. A manifestação será submetida à Justiça Federal, a quem caberá decidir se caso vai para Brasília. A Justiça pode negar o pedido da Polícia Federal e manter o caso em São Paulo caso entenda que a mera citação aos políticos não justifica submeter o caso a tribunais superiores. Um inquérito que tramita na primeira instância pode ser remetido ao Superior Tribunal de Justiça ou ao Supremo Tribunal Federal se surgir a necessidade de se investigar agente público com foro privilegiado. Em maio, a multinacional alemã Siemens fez acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por meio do qual apontou a existência do cartel. O inquérito dos trens é presidido pelo delegado Milton Fornazari Junior, da Delegacia de Combate a Ilícitos Financeiros (Delefin).

LEIA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA DA REVISTA VEJA E A ENTREVISTA COM O DELEGADO ROMEU TUMA, QUE CHAMA LULA DE DELATOR DE COMPANHEIROS NA DITADURA MILITAR, DIZ QUE JOSÉ DIRCEU TINHA CONTA DO MENSALÃO NAS ILHAS CAYMAN, E CHAMA GOVERNO PETISTA DE FÁBRICA DE DOSSIÊS PARA ASSASSINAR REPUTAÇÕES DE ADVERSÁRIOS POLÍTICOS

A Secretaria Nacional de Justiça é um posto estratégico no organograma de poder de Brasília. Os arquivos do órgão guardam informações confidenciais de outros países, listas de contas bancárias de investigados e documentos protegidos por rigorosos acordos internacionais. Cercado por poderosos interesses, esse universo de informações confere ao seu controlador acesso aos restritos gabinetes de ministros e a responsabilidade sobre assuntos caros ao próprio presidente da República. Durante três anos, o delegado de polícia Romeu Tuma Junior conviveu diariamente com as pressões de comandar essa estrutura, cuja mais delicada tarefa era coordenar equipes para rastrear e recuperar no exterior dinheiro desviado por políticos e empresários corruptos. Pela natureza de suas atividades, Tuma ouviu confidências e teve contato com alguns dos segredos mais bem guardados do país, mas também experimentou o outro lado do poder – um lado sem escrúpulos, sem lei, no qual o governo é usado para proteger os amigos e triturar aqueles que são considerados inimigos. Entre 2007 e 2010, período em que comandou a secretaria, o delegado testemunhou o funcionamento desse aparelho clandestino que usava as engrenagens do Estado para fustigar os adversários. As revelações de Tuma sobre esse lado escuro do governo estão reunidas no livro Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado, chega às livrarias nesta semana. Lançado no momento em que o ministro de Justiça, José Cardozo, enfrenta acusações de ter usado a estrutura da pasta para vazar detalhes de uma investigação que comprometia líderes da oposição, o livro mostra que esse procedimento, mais que uma coincidência, é um método dos petistas para perseguir e difamar desafetos do governo. Segundo o ex-secretário, a máquina de moer reputações seguia um padrão. O Ministério da Justiça recebia um documento apócrifo, um dossiê ou um informe qualquer sobre a existência de conta secreta no exterior em nome do inimigo a ser destruído. A ordem era abrir imediatamente uma investigação oficial. Depois, alguém dava uma dica sobre o caso a um jornalista. A divulgação se encarregava de cumprir o resto da missão. Instado a se explicar, o ministério confirmava que, de fato, a investigação existia, mas dizia que ela era sigilosa e ele não poderia fornecer os detalhes. O “investigado”, é claro, negava tudo. Em situações assim, culpados e inocentes sempre agem da mesma forma. O estrago, porém, já estará feito. No livro, o autor apresenta documentos inéditos de alguns casos emblemáticos desse modus operandi que ele reuniu para comprovar a existência de uma “fábrica de dossiês” no coração do Ministério da Justiça. Uma das primeiras vítimas dessa engrenagem foi o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Senador à época dos fatos, Perillo entrou na mira do petismo quando revelou à imprensa que tinha avisado Lula da existência do mensalão. O autor conta que em 2010 o então ministro Luiz Paulo Barreto entregou em suas mãos um dossiê apócrifo sobre contas no exterior do tucano. As ordens eram expressas: Tuma deveria abrir uma investigação formal. O trabalho contra Perillo, revela o autor, havia sido encomendado por Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete do presidente Lula. Contrariado, Tuma Junior refutou a “missão” e ainda denunciou o caso ao Senado. Esse ato, diz o livro, foi o primeiro passo do autor para cadafalso no governo, mas não impediu novas investidas. A fábrica de dossiês voltou então a sua artilharia contra o então Tasso Jereissati (PSDB), severo opositor de Lula no Congresso. A fórmula era a mesma. Tuma Junior relata que foi chamado ao Congresso para uma conversa com o então senador Aloizio Mercadante (PT). No encontro, recebeu dele um pen drive e um pedido para que investigasse Jereissati. O autor abriu o dispositivo e constatou que se tratava de outro dossiê apócrifo. O livro conta que até o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), também chefiado por Tuma Junior, chegou a ser usado clandestinamente na tentativa de obter informações desabonadoras sobre despesas sigilosas da ex Ruth Cardoso. Assassinato de Reputações é um livro cujas revelações não podem simplesmente ser varridas para debaixo do tapete. Seu autor afirma relatar apenas fatos e situações vividas por ele próprio. E é rigoroso. Não se vale de depoimentos de terceiros nem passa adiante boatos ou insinuações. “Eu conto aquilo que vi”, disse Tuma Junior a VEJA. Ele viu muita coisa. Seu livro traz documentos que deixam o governo Lula em péssima luz. Alguns deles mostram que o governo agiu para engavetar uma investigação que identificar uma suposta conta do mensalão no exterior. O ex-secretário revela que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal foram grampeados ilegalmente pela Policia Federal e pela Abin em 2007. Um dos capítulos é dedicado ao ainda misterioso assassinato do prefeito Celso Daniel, em 2002. Tuma Junior reproduz um dialogo entre ele e Gilberto de Carvalho no qual o ministro confessa que entregava o dinheiro desviado da prefeitura de Santo André nas mãos do mensaleiro José Dirceu. O autor se convenceu que Celso Daniel foi morto em uma operação de queima de arquivo. Idealizado inicialmente para desconstruir a campanha de difamação de que o autor foi vítima (Tuma foi demitido do governo sob a acusação de manter relações com contrabandistas), o livro, escrito em parceria com o jornalista Claudio Tognoli, professor de duas universidades de São Paulo, pescou mais fundo das memórias do autor: “Entrevistei Tuma Junior seis dias por semana durante dois anos. Ele queria uma obra baseada na revelação de fatos, queria que a publicação do livro o levasse ao Congresso para depor nas comissões, onde ele poderia mostrar documentos que não tiveram lugar no livro na sua inteireza”. Fica a sugestão.

Por que Assassinato de Reputações?
Durante todo tempo que estive na Secretaria Nacional de Justiça, recebi ordens para produzir e esquentar dossiês contra uma lista inteira de adversários do governo. O PT do lula age assim. Persegue seus inimigos da maneira mais sórdida. Mas sempre me recusei. Tentaram me usar para esquentar um dossiê contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, só porque ele avisou Lula da existência do mensalão. Depois, quiseram incriminar o ex-senador Tasso Jereissati servindo-se do meu departamento para forjar uma investigação sobre contas no exterior. Havia uma fabrica de dossiês no governo. Sempre refutei essa prática e mandei apurar a origem de todos dossiês fajutos que chegaram até mim. Por causa disso, virei vítima dessa maquina de difamação. Assassinaram minha reputação. Mas eu sempre digo: não se vira uma página em branco na vida. Meu bem mais valioso é a  minha honra.

De onde vinham as ordens para atacar os adversários do PT?
Do Palácio do Planalto, da Casa Civil, do próprio Ministério da Justiça... No livro, conto tudo isso em detalhes, com nomes, datas e documentos. Recebi dossiês de parlamentares, de ministros e assessores petistas que hoje são figuras importantes no atual governo. Conto isso para revelar o motivo de terem me tirado da função, por meio de ataque cerrado à minha reputação, o que foi feito de forma sórdida. Tudo apenas porque não concordei com o modus operandi petista e mandei apurar o que de irregular e ilegal encontrei.

O senhor queria denunciar a fábrica de dossiês do PT ou atingir o próprio partido quando escreveu o livro?
Tem muita gente no PT que eu respeito. Não escrevi este livro para atacar o PT. O maior problema do PT está nas facções do partido. Muitas vezes por disputas internas é que surgem os dossiês. As disputas são legitimas, mas fazer dossiê é incompatível com qualquer pratica republicana. Levantar falso testemunho contra alguém é uma pratica violenta que enoja. O pior é que as coisas continuam exatamente iguais. Se você trocar o personagem do livro, vai ver que os fatos continuam ocorrendo da mesma forma. É só olhar o que esta acontecendo no Cade nesse escândalo do metrô de São Paulo.

O Cade era um dos instrumentos da fábrica de dossiês?
Conto isso no livro em detalhes. Desde 2008, o PT queria que eu vazasse os documentos enviados pela Suíça para atingir os tucanos na eleição municipal. O ministro da Justiça, Tarso Genro, me pressionava pessoalmente para deixar isso vazar para imprensa. Deputados petistas também queriam ver os dados na mídia. Não dei os nomes no livro porque quero ver se eles vão ter coragem de negar.

O senhor é afirmativo quando fala do caso Celso Daniel. Diz que militantes do partido estão envolvidos no crime.

Aquilo foi um crime de encomenda. Não tenho nenhuma dúvida. Os empresários que pagavam propina para o PT em Santo André não queriam matar, mas assumiram claramente esse risco. Era para ser um sequestro, mas virou um homicídio.

Por que o senhor sabe tanto sobre a morte de Celso Daniel?

Eu era o delegado da área onde o crime aconteceu. Fui o primeiro a chegar ao local onde o corpo foi encontrado. Tanto que fui eu que reconheci oficialmente que era o Celso Daniel e mandei abrir a investigação para apurar a morte. Só que, naquela época, nem o PSDB nem o PT quiseram prolongar o caso por causa das eleições. Fui afastado das investigações, mas apurei tudo. Eu encontrei o carro e fotografei os cabelos que, depois, os peritos disseram que eram pelos de cachorro. Mas eu sei que não eram. Só que nunca quiseram apurar a fundo. Ponho no livro o que descobri e não foi considerado.

O ministro Gilberto Carvalho disse ao senhor que havia um esquema de cobrança de propina na prefeitura?

Foi num momento de emoção, quando eu estava sob fogo cruzado na imprensa e fui falar com o Gilberto Carvalho. Desabafei, chorei e ele começou a chorar comigo. Aí ele falou: “Veja, Tuma, quanto fui injustiçado no caso Celso Daniel. Quando saiu aquela história de que havia desvios na prefeitura, eu, na maior boa-fé, procurei a família dele para levar um conforto. Fui dizer que o Celso nunca desviou um centavo para o bolso dele, e que todo recurso que arrecadávamos eu levava para o Zé Dirceu, pois era para ajudar o partido nas eleições”. Fiquei paralisado quando isso aconteceu. Pensei comigo: estou ouvindo uma confissão mesmo?

Com que convicção o senhor afirma que todos os ministros do STF foram grampeados?

Minha convicção está em tudo o que vivi e descobri conversando com alguns personagens. Eu não tenho dúvida de que os ministros foram grampeados. Se isso for investigado a fundo, com seriedade, será provado facilmente.

O senhor também diz no livro que descobriu a conta do mensalão no exterior?

Eu descobri a conta do mensalão nas Ilhas Cayman, mas o governo e a Polícia Federal não quiseram investigar. Quando no DRCI, encontrei engavetado um pedido de cooperação internacional do governo brasileiro às Ilhas Cayman para apurar a existência de uma conta do José Dirceu no Caribe. Nesse pedido, o governo solicitava informações sobre a conta não para investigar o mensalão, mas para provar que o Dirceu tinha sido vítima de calúnia, porque a Veja tinha publicado uma lista do Daniel Dantas com contas dos petistas no exterior. O que o governo não esperava é que Cayman respondesse confirmando a possibilidade de existência da conta. Quer dizer: a autoridade de Cayman fala que está disposta a cooperar e aí o governo brasileiro recua? É um absurdo.

Quem engavetou a investigação?

Eu levei o processo para o Tarso Genro e disse: olha, tem de apurar isso. Mas, quando veio essa resposta de Cayman, os caras pararam tudo. Isso foi para a gaveta da Polícia Federal e do ministro Tarso Genro. Estou esperando até hoje o retorno. Eu tenho certeza de que era a conta do mensalão. Eu publico no livro o documento para dizer isto: o governo não deixou investigar isso em 2007.

No livro, o senhor escreve que um dos réus confirmou que essa era a conta do mensalão.

Não posso revelar o nome, mas, quando ele soube, disse-me: “Você matou na mosca. Ainda bem que você não estava investigando isso”. Seis meses depois da minha demissão, esse personagem me disse que eu tinha caído por mandar investigar a conta do mensalão, e conta que pagava as viagens para Portugal. Eu falei para ele: os caras vão mandar me matar.

Como surgiu a idéia de fazer o livro?

Quando a imprensa publicou todos aqueles fatos inverídicos sobre o meu envolvimento com uma suposta máfia chinesa, busquei todas as instâncias para me defender, mas não consegui contar a minha versão. Fui defenestrado do governo por fatos baseados numa investigação arquivada na qual eu não tinha sido denunciado nem processado. Quando aconteceu tudo aquilo comigo na Secretaria Nacional de Justiça, percebi que não tinha espaço para me defender em nenhuma instância, muito menos no governo ou na própria Justiça. Conversando com dois jornalistas, meus conhecidos e amigos, resolvi escrever o livro para contar a minha história sobre os fatos que vi em três anos de governo, para explicar por que isso aconteceu comigo, por que tentaram me defenestrar, por que acabaram tentando assassinar a minha reputação.

É uma espécie de vingança pessoal?

De forma alguma. Quem ler o livro vai perceber que o que escrevo são fatos. Eu precisava explicar por que cheguei ao governo, por que havia a confiança do presidente Lula em mim. Só dá para fazer isso contando as histórias que vivi com as pessoas, os fatos, e como a minha reputação foi construída para depois ser destruída. O livro é uma prestação de contas às pessoas que me querem bem, que sempre me honraram com sua confiança. É a forma que encontrei de tornar pública a minha historia para aqueles que têm o interesse de conhecer esse retrato da minha vida profissional. Para que eles possam compreender o motivo pelo qual virei alvo do governo do PT.

As pessoas podem interpretar como vingança ou ressentimento, não?

É lógico que tem a mágoa. Eu vi meu pai, o senador Romeu Tuma, morrer por causa do que fizeram comigo no governo. Mas isso é diferente de vingança. Eu descrevo fatos no livro, conto a minha história, exponho a minha vida e até corro riscos. Vingança não se faz assim. Eu não seria burro de praticar uma vingança dessa forma. As colocações podem ser fortes, mas é o meu jeito. Não tem nada ali que seja leviandade. São fatos verdadeiros.

Por que o senhor decidiu fazer essas revelações só agora?

De tudo que vivi em três anos de governo, não há nada relatado no livro que eu não tenha denunciado imediatamente aos órgãos adequados. O livro só vai ser publicado agora porque demorei a escrever e porque precisei me aposentar da carreira de Estado para ter liberdade de tornar públicos os fatos sem ser acusado de oportunismo político ou eleitoral. Eu sei que neste momento vão querer me atacar, dizer que estou a serviço de interesses escusos. Mas não sou de me prestar a servir ninguém. Quem me conhece sabe que falo o que penso e presto conta do que faço.

O senhor afirma no livro que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. É uma acusação muito grave. 

Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivenciamos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. Conto esses faltos agora até para demonstrar que a confiança que o presidente tinha em mim no governo, quando me nomeou secretário nacional de Justiça, não vinha do nada. Era de muito tempo. O Lula era informante do meu pai no Dops.

O senhor tem provas disso?

Não excluo a possibilidade de algum relatório do Dops da época registrar informações atribuídas a um certo informante de codinome Barba. Era esse o codinome dele. Os relatos de Lula motivaram inúmeras operações e fundamentaram vários relatórios de inteligência para evitar confusões maiores com os movimentos na época. Ademais, o livro por si só é uma prova. Existe na área policial prova documental e prova testemunhal. Eu sou uma testemunha viva. Não tem nada contado no livro que eu não tenha vivido. Ninguém me contou aquilo. Eu vivi e agora estou relatando. E digo mais: como informante do meu pai no Dops, o Lula prestou um grande serviço naquele momento. Eu quero deixar isso muito claro. Graças às informações que o Lula prestava ao meu pai, muitos relatórios foram produzidos, muitas operações foram realizadas.

Uma afirmação dessas certamente vai gerar protestos e processos.

É uma forma de interpretação, mas eu não acho. Acho que o Lula prestou um grande serviço ao País. Por se portar dessa forma, ele chegou aonde chegou. Sabe essa violência nas manifestações de hoje com black blocs? Se fosse no tempo do Dops com o Lula, não se criava. O Lula combinava tudo com o Tumão (Romeu Tuma, ex-chefe do Dops e ex-senador). Quando fazia as manifestações dos metalúrgicos, era tudo tranquilo. O Lula conseguia manter a manifestação sob o controle dele.

Além do senhor e do próprio Lula, quem mais sabe dessa história?

Meu pai está morto. Então, só eu e ele. Talvez alguma pessoa próxima a ele saiba. Digo e repito isso em público, pessoalmente e até no Estádio do Pacaembu. Quero que o Lula se sente na minha frente e diga que é mentira. Tenho fotos com ele desde a época do Dops. Ele e meu pai tinham uma relação muito sigilosa. Se isso vazasse, os dois estariam mortos.

EXCLUSIVO - EM PRIMEIRA MÃO - MÉDICOS DO INCA AUTORIZAM NO LAUDO PERICIAL QUE MINISTRO JOAQUIM BARBOSA MANDE RECOLHER ROBERTO JEFFERSON PRESO NA PAPUDA

Os médicos Carlos José Coelho de Andrade, Rafael Oliveira Albagli e Cristiano Guedes Duque, todos do Inca (Instituto Nacional do Câncer, do Rio de Janeiro), assinaram e enviaram para o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, relator do processo do Mensalão do PT, o laudo pericial do exame de Roberto Jefferson Monteiro Francisco, condenado na Ação Penal nº 470. Diz o laudo, que está nas páginas 67.164 e 67.165 do volume 298 do processo do Mensalão do PT (na ordem para a elaboração do laudo pericial, que está na página 66.470 do processo, no terceiro parágrafo, o ministro Joaquim Barbosa foi bem preciso ao dizer que os médicos deveriam apontar se era "imprescindível" para o tratamento de saúde de Roberto Jefferson que ele permancesse em casa, e os médicos atenderam rigorosamente a essa determinação):
"Metodologia aplica: - Anamnese, realização de exame clínico, avaliação dos exames complementares apresentados (patologia clínica, anátomo-patologia e exames de imagem) e elaboração do laudo técnico.
Constatações: O Sr. Roberto Jefferson Monteiro Francisco compareceu nesta junta médica, lúcido, orientado, sendo avaliado através da metodologia aplicada acima. O mesmo recebeu diagnóstico de tumor em cabeça de pâncreas, que foi tratado com cirurgia (gastroduonenopancreatectomia) em julho de 2012, seguido de quimioterapia adjuvante. O laudo anátomo-patológico revelou neoplasia intraductal papilífera mucionosa com focos de adenocarcinoma colóide. De acordo com o exame clínico realizado, com os exames de patologia clínica, anátomo-patologia e de imagem avalianos, o Sr. Roberto Jefferson Monteiro Francisco não apresenta qualquer evidência de doença neoplásica em atividade, no momento.
Em relação ao seu quadro clínico atual, o mesmo relatar cursar com febre de origem não definida. Como comorbidades possui os diagnósticos de diabetes tipo II, anemia leve e diarréia, sendo esta a sua queixa principal, relatada na anamnese.
Diante do quadro apresentado e de acordo com a avaliação desta junta médica, recomenda-se que o paciente continue com o uso regular de seus medicamentos e da dieta prescrita por sua nutróloga. Além disso, deve prosseguir com seu acompanhamento periódico (consulta clínica e exames de imagem) para controle oncológico.
Conclusão: Do ponto de vista oncológico, esta junta médica não identifica como imprescindível, para o tratamento do Sr. Roberto Jefferson Monteiro Francisco, que o mesmo permaneça em sua residência ou internado em unidade hospitalar".
Ou seja, os médicos que compuseram a junta para elaboração do laudo pericial autorizaram que o ministro Joaquim Barbosa mande recolher Roberto Jefferson para início do cumprimento da pena na Penitenciária da Papuda, ou em estabelecimento penitenciário no Rio de Janeiro.