terça-feira, 6 de agosto de 2013

O PETISTA EUGÊNIO BUCCI, DE COLARINHO FECHADO, DE COLARINHO FECHADO, EXIBE A CUECA METAFÓRICA DA IRRESPONSABILIDADE, JUSTIFICA O VANDALISMO E TENTA CONFUNDIR O PÚBLICO CRITICANDO ALGUMAS CORRENTES DE ESQUERDA. MAS NÃO CONFUNDE ESTE BLOG! PIOR: NÃO CENSURA A VIOLÊNCIA DE QUE JORNALISTAS SÃO VÍTIMAS E AINDA TENTA TIRAR UM SARRINHO DA GLOBO

Eugênio Bucci, professor do Departamento de Jornalismo da ECA (USP), é um velho conhecido deste blog. Já escrevi sobre o seu especioso pensamento. Ex-presidente da Radiobrás (primeira gestão de Lula), trata-se, faço-lhe justiça, de um homem bastante injustiçado por certas correntes do petismo, que o criticam. Por quê? Porque esses críticos ignoram que ele é tão autoritário quanto eles próprios, ou mais, só que de uma variante mais sofisticada. Trata-se de um autoritarismo sutil, quase sempre gentil, que se faz passar por apreço à pluralidade. Dou um exemplo: Bucci se alinha com aqueles que repudiam o controle social da mídia feito pelo estado, como querem as hostes de José Dirceu, por exemplo. Mas atenção! Não é por amor à democracia, não! Ocorre que ele é inteligente o bastante para saber que a censura, da forma como pretendem os brucutus, dificilmente se realizará. O seu jogo é mais sutil. Ele era um dos entrevistadores da dupla da Mídia Ninja no Roda Viva de segunda-feira. Envergava o seu modelito habitual: colarinho fechado, sem gravata, que herdou lá dos tempos do grupamento trotskista “Liberdade e Luta” (a Libelu). Também cheguei a fazer essa figura. Depois, aconteceu de um ficar mais maduro e passou ou a usar a gravata ou a abrir o colarinho. Bucci continua fiel a uma estética, eventualmente a uma ética também… Como dizem as minhas filhas, esse negócio de “causar” fica bem até certa idade… Sim, o colarinho estava fechado, mas Bucci não resistiu à tentação, metaforicamente falando, de exibir o elástico da cueca, demonstrando ser um “tio” moderno, compreendem?, que entende a lógica dos jovens — já meio velhuscos — que ele entrevistava. Aliás, antes que prossiga, estendo-me um tantinho só neste parêntese. Certos setores da imprensa tratam a Mídia Ninja como coisa da “molecada”. Calma lá! Pablo Capilé, o Schopenhauer deles, tem 32 anos. Bruno Torturra anda por aí. A tal Mídia Ninja não é coisa de adolescentes criativos, mas de gente adulta, que escolheu uma forma de intervenção política. Fecho o parêntese. Volto a Eugênio Bucci. Vandalismo Já chamei a atenção para o fato de que Torturra se negou a condenar o vandalismo. Mais do que isso: ele o justificou. Aí chegou a vez de Bucci falar. A sua intervenção saiu um pouco troncha, com alguns anacolutos, mas o sentido foi de uma clareza espantosa. Transcrevo a sua fala a partir de 1h05min31s. Desta feita, eu a interromperei com comentários porque é uma fala longa. Bucci vai em vermelho. Eu, em azul.Eu vejo uma coisa de notável até mesmo nessa indefinição [ideológica] que vocês estão conseguindo trazer ou que vocês estão conseguindo transformar em tema. Eu acho muito impressionante quando uma imagem do Mídia Ninja precisa ir para o Jornal Nacional. Precisa ir para o Jornal Nacional! Precisa completar aquela informação e entra no Jornal Nacional. Indefinição uma ova! São variantes dentro da esquerda. Capilé, fica evidente, gosta da companhia de petistas muito especialmente. Torturra, como ele mesmo disse, é um dos fundadores da Rede, de Marina Silva. Mas também esteve ligado ao “coletivo” (argh!!!) “Existe Amor em SP”, que fez campanha para Fernando Haddad e integra o seu governo. Bucci sabe disso porque foi um dos mais ativos militantes da candidatura do petista, para quem faz campanha já há muito tempo. Chegou a defender em artigo que fosse o seu amigão o candidato do PT ao governo de São Paulo em 2010. É o fim da picada que exalte a suposta indefinição da turma quando ele, Torturra e Capilé estiveram juntos na campanha eleitoral do ano passado. Verdade ou mentira? É espantoso e intelectual e profissionalmente doloso que um professor de jornalismo não diga, no ar, que o Jornal Nacional recorre a imagens da Mídia Ninja PORQUE SEUS PROFISSIONAIS, A EXEMPLO DOS DE OUTRAS EMISSORAS, ESTÃO IMPEDIDOS DE TRABALHAR LIVREMENTE DURANTE AS MANIFESTAÇÕES. Jornalistas estão sendo hostilizados; alguns chegaram a apanhar, a levar chutes. Carros de emissoras foram queimados. Os tais ninjas acabam, assim, se tornando monopolistas de imagens porque não se distinguem já dos black blocs. Lamento, aliás, o fato que isso não tenha sido dito com a devida clareza no programa de ontem por ninguém — nem pelos jornalistas presentes. Ao contrário até: Torturra disse que os black blocs se negam a falar com a imprensa “tradicional”, e ficou tudo por isso mesmo. Negar-se a falar é o de menos. Eles perseguem pessoas que estão lá para fazer o seu trabalho. Assim, uma imagem eventualmente registrada pela Mídia Ninja “precisa” ir para o Jornal Nacional não porque o grupo esteja exercendo algum trabalho de vanguarda ou pautado por especial talento ou coragem, mas porque se transformou num aliado político de fascistoides que perseguem jornalistas. A afirmação de Bucci, assim, é de uma covardia asquerosa. E é populista também. Está certamente pensando na sua reputação em sala de aula. Vai que não o achem moderno o bastante. Lembro que este senhor, durante uma greve (que não houve) autoritária na universidade, imposta por brucutus do PSOL, do PSTU, do PCO e de correntes ainda mais minoritárias, resolveu dar uma aula pública, no campus, condescendendo, então, com a violência. Mas gosta de fazer ares de bom moço, de moderno, de não se confundir com a esquerda brucutu. Sigamos com ele. Eu não sei se posso concordar com o entrevistado. Porque aqui a gente procura, pelo método da contradição, fazer com que as coisas aflorem. O ponto que eu queria concordar e deixar uma pergunta é o seguinte: eu acho, Bruno, que você tem razão quando cê fala que o negócio do vandalismo é mais complexo. E um dos problemas da cobertura é assim: manifestação ordeira e pacífica versus vandalismo. O vandalismo, ele também se subdivide em várias coisas. E, rigorosamente, falando, seria uma tergiversação… A Polícia Militar, quando atirou nos manifestantes, praticou vandalismo. Vandalismo fardado, o que é pior. É difícil. Aí, dentro dos, entre aspas, “vândalos”, nós temos pessoas mais à direita, pessoas mais à esquerda… Fica difícil classificar. E fica mais difícil ainda classificar quando vemos que eles são acolhidos pela manifestação, às vezes, de forma tensa, às vezes, de forma ativa mesmo, como se representassem um sentimento que as pessoas mão têm coragem de levar a termo, mas se sentem contempladas com aquilo. Então, é mais difícil de entender. A simples colocação aí “é mais difícil de entender” é uma informação, porque leva a uma reflexão que é papel do jornalismo, sim; o papel que o jornalismo convencional não está conseguindo fazer. Mas, aí, a pergunta que eu queria fazer é a seguinte: Interrompo aqui. Depois retorno com “a” questão deste notável pensador. Observem que, até agora, ele não perguntou nada. Bucci percebeu que Torturra, seu antigo companheiro de campanha pró-Haddad, não tinha sido lá muito hábil em justificar a violência. Então resolveu ele mesmo emprestar a sua lente à tese. Digamos, para efeitos de pensamento, que seja verdadeira a afirmação de Bucci de que a PM, ao “atirar contra manifestantes” — balas de borracha —, praticou “vandalismo”. Cabe a pergunta: é esse o objetivo da PM? Ela vai para a rua com o propósito de vandalizar, ou, ao contrário, essa é uma atitude reprovável, que deve ser combatida? Continuo ainda a pensar por hipótese: uma PM, então, fora do controle ou mal controlada vandaliza. Postos os devidos freios, passa a atuar segundo os limites aceitáveis, certo? Pergunto ao senhor Bucci: existe um Black Block que não vandalize? Existe um Black Bloc light? Existe um Black Block que rejeite a violência? Segundo seus próprios integrantes, a resposta é “não”. Observem, leitores, que não há diferença entre a lógica de Torturra e a de Bucci. Ambas são justificadores da violência e têm uma origem: a justificação do terror. Sem tirar nem pôr. O notável professor poderia dizer: “Os EUA praticaram terrorismo de estado no Iraque e no Afeganistão” — logo, as ações da Al Qaeda estariam explicadas. Mais: o fato de as ações violentas serem acolhidas pela manifestação muda a sua natureza, sr. Bucci? Quando as ruas árabes, mundo afora, comemoraram os atentados do 11 de Setembro, isso os tornou, de algum modo, diferentes? Um ato violento é mais justificável ou menos, mais aceitável ou menos, a depender de quantos o apoiem? Quem disse que o “jornalismo convencional” não está refletindo a respeito? Ocorre que Bucci tem o mau hábito — afinal, um esquerdista — de considerar que refletir é sinônimo de concordar com ele. A propósito: por que ele fez aquele morfético movimento com os dedinhos para indicar as “aspas” quando falou em “vândalos”? Os que destroem agências bancárias, farmácias, estações de metrô são vândalos com aspas por quê, senhor Bucci? O que eles precisam fazer para que lhes tiremos as aspas? Atacar a sede do Instituto Lula? Agora vamos à sua pergunta, que reproduz a melhor arte de Bucci. Sigo com ele. Tem uma discussão que ganhou corpo dizendo que as manifestações são perigosas, porque elas podem ser uma manifestação de direita, que podem desestabilizar um regime de esquerda — não sei onde está esse regime de esquerda, mas tem gente que fala que tem. E que essas manifestações foram insufladas pela, aspas, “mídia burguesa”, mídia que quer dar golpe. Então eu pergunto: então a Mídia Ninja é um agente dessa mídia burguesa, que não conseguiu insuflar diretamente as manifestações contra o governo, e vocês estão insuflando? O que você acha dessa formulação, dessa história de golpismo da mídia? O que é que cê acha disso? Que as manifestações são de direita? A resposta de Bruno Torturra está a partir de 1min8s, vejam lá se quiserem. O que me interessa neste post é a fala de Bucci. Aí está o seu melhor talento: disfarçar suas teses de ultraesquerda com críticas irrelevantes à própria esquerda. Reitero: há pouco, como viram, ele não só justificou o vandalismo como tentou até criar uma teoria a respeito. Bucci não é bobo! Sabe que as manifestações não são de direita. Sabe que nem mesmo existe direita organizada o bastante no Brasil para organizar coisas do gênero. Mais do que isso: tem clareza absoluta, e é fato, de que a acusação é de um ridículo atroz. Não por acaso, ele está no Roda Viva entrevistando dois inequívocos esquerdistas. Bucci viveu e leu o suficiente para constatar o óbvio: o movimento que está nas ruas submete o processo político a uma torção à esquerda — ainda que a popularidade de Dilma tenha despencado. Não que ele não dê pistas do que realmente pensa. Notem lá no trecho que pus em destaque. Bucci acha que o governo petista não é suficientemente de esquerda. E é evidente que ele o faz num tom de lamento. Mais: o professor de jornalismo que, em nenhum momento, censurou a violência contra o jornalismo recorre a uma das táticas mais autoritárias de debate e de desqualificação da crítica, que é reduzi-la a uma caricatura. Por que ele não diz quais setores relevantes da sociedade estão a dizer que os protestos decorrem de ações da direita? Posso achar, e acho, asqueroso o que pensam Torturra e Capilé. Em meio a suas formulações meio broncas, de uma arrogante ignorância, percebem-se as referências obviamente autoritárias. Mas, vá lá, eles são os militantes; não têm a obrigação do pensamento e da reflexão. Já um professor universitário, especialmente se pago com dinheiro público, como é o caso, tem o dever de pensar. Bucci cobrou um comportamento ético de um policial fardado, não é? Ou decreta: “é vandalismo de estado”. E eu cobro um comportamento ético do professor pago por esse mesmo estado — ou, então, eu o acuso de produzir vandalismo intelectual. “Ah, falou o Reinaldo da direita raivosa…” Direita raivosa? Fascistas da esquerda raivosa, ainda que disfarçados de garçons de convento, são aqueles que buscam justificar a violência e que silenciam diante do óbvio constrangimento do trabalho da imprensa, flertando com delinquentes que se apresentam como porta-vozes de táticas terroristas, mas falando em nome da democracia. No meu mundo, ninguém apanha por pensar o que pensa; no deles, sim. No meu mundo, as divergências mais azedas preservam o patrimônio público e o privado porque garantidos pela Constituição democrática; no deles, não. Isso, parece-me, ajuda a distinguir os raivosos dos mansos de espírito. Por Reinaldo Azevedo

REPRESENTANTES DA “MÍDIA NINJA", QUE RECEBE DINHEIRO PÚBICO, SE NEGAM A CONDENAR A VIOLÊNCIA E O VANDALISMO NO RODA VIVA; PIOR: ELES OS JUSTIFICARAM COM A MESMA LÓGICA QUE BUSCA EXPLICAR O TERRORISMO

O Roda Viva entrevistou ontem, já me referi ao fato aqui, dois representantes da tal “Mídia Ninja”: Pablo Capilé e Bruno Torturra. As vinculações dessa gente com o PT e outros grupamentos de esquerda já estão bastante claras. Também não e difícil mapear a existência de dinheiro público em sua atividade. Transcrevo um trecho da entrevista em que Torturra fala sobre os vândalos do Black Bloc, aquela turma mascarada, que se veste de negro, e que vai às manifestações com o propósito de depredar o patrimônio público e o privado. O trecho de que trato está entre os 51min43s e 55min3s. Seguem o vídeo e a transcrição. Retomo em seguida.

A transcrição
Bruno Torturra – A manifestação, ultimamente, tem encarado a Mídia Ninja quase como um serviço de utilidade púbica, tipo assim: “Filma isso, filma isso”. Porque, de fato, protege manifestante. Mas daí é importante dizer que, antes de ser um manifestante, ele é um cidadão, que está sendo atacado de maneira muito violenta pelo Estado por estar exercendo seu direito à manifestação. A gente tá protegendo a democracia quando toma lado numa manifestação porque a gente não tá defendendo o argumento do manifestante necessariamente, mas o direito de ele estar lá fazendo o que ele faz.
Mário Sérgio Conti – Mas aí vocês vão se confrontar com o Black Bloc, que vai lá e vai depredar a concessionária…
Suzana Singer – O que vocês acham dos atos de vandalismo?
Bruno Torturra – Olha, eu estive presente em (sic) vários deles, a gente transmitiu ao vivo, a gente foi muito bem-recebido pelo próprio Black Bloc, que não achou nada ruim que a gente transmitisse ao vivo tudo o que eles estavam fazendo…
Wilson Moherdaui – Vocês acham isso bom?
Bruno Torturra – Não é uma questão de achar bom ou de achar ruim. A minha motivação, quando estou na rua, não é a mesma do Black Bloc. Eu não me identifico com a destruição de vidraças…
Suzana Singer – Mas você condena esse tipo de ação?
Bruno Torturra – Eu acho que a discussão é um pouco mais complicada do que isso. Para a gente dizer se dá para condenar ou não uma ação do Black Bloc, a gente tem de discutir, antes, a prioridade, inclusive midiática, e o escândalo que a sociedade sente quando um vidro é quebrado, quando o patrimônio de um banco é quebrado, e a gente não tem a mesma reação, e a gente não encara da maneira escandalizada, quando o cidadão é agredido. A gente tem confundido muito. Tem gente achando que é muita violência…
Suzana Singer – Você tem de discutir a cobertura da mídia antes de discutir se e válido ou não [depredar]?
Bruno Torturra – Não, não é a cobertura da mídia; é a própria visão da sociedade em relação ao que o Black Bloc faz. O que a gente tem de entender é que são jovens que sofrem violência há muito tempo. A maioria deles não confia no estado…
Mário Sérgio Conti – Isso é apuração ou suposição sua…
Burno Torturra – Isso é apuração…
Mário Sérgio Conti – Eu não vi entrevista deles falando isso nas coisas que vocês mostraram.
Bruno Torturra – A gente transmitiu ao vivo várias delas. Por exemplo, tem um jargão do Black Bloc que deixa muito claro… Que eles falam, por exemplo, que “vândalo é o estado”. Não é o que eu necessariamente concordo (sic). Mas eu consigo entender de onde esse pensamento vem. Consigo entender que o jovem que apanha da Polícia ou que respira gás lacrimogênio, que é uma substância altamente tóxica…
Suzana Singer – E o que saqueia loja?
Bruno Torturra – O que saqueia loja, eu acho que é uma outra coisa também… Eu acho que o Black Bloc, mais do que ser um movimento, ele é uma estética, ele é uma tática internacional, que tenta quebra símbolos do capital. Eu, particularmente, não me identifico com isso. Eu vou com a minha cara, eu tenho métodos totalmente pacíficos numa manifestação, mas eu… A gente poderia até discutir o valor, se é justo ou se não é justo. Mas eu acho que se dá muito pouco espaço para a gente discutir o que levou o Black Bloc a fazer isso. E, a partir disso, a gente consegue dizer se é justou ou não. Eu, particularmente, não me identifico com quebrar banco.
Comento
Se vocês assistirem à entrevista, verão que Torturra é, vamos dizer, o lado suave do Mídia Ninja, o que dialoga, o diplomático. O tal Capilé já se apresenta como uma espécie de guardião dos valores ideológicos. É o homem da cara amarrada, que não sorri para a “mídia burguesa” ou tradicional, que, não obstante, o trata com mimos e delicadezas. Torturra, à diferença de seu parceiro, evita enfiar o dedo na cara da imprensa. Sim, o que vai acima, meus caros, é a fala do… moderado! Notem que, em nenhum momento, ele censura a violência. O máximo que consegue é dizer que essa não é a sua prática. Não é idiota. Sabe que, se confessasse a participação em atos de vandalismo ou mesmo se os defendesse, estaria incorrendo num crime. As palavras, no entanto, fazem sentido. É evidente que o senhor Torturra, embora negue, está justificando a violência dos black blocs, que estariam, segundo a sua consideração, apenas reagindo a uma violência maior, que ele chama de “vandalismo do estado”. Num texto que escrevi ontem, notei ser essa também a justificativa de um acadêmico. Queiram ou não os tais “ninjas”, o fato é que eles acabam se apresentando como porta-vozes dos vândalos — quando menos, transformam-se em sua agência de notícias, não é? Como ele confessa, são sempre muito bem-recebidos pelos bandidos, que, ora vejam, não se importam com o fato se os ninjas documentarem as suas ações. E por que se importariam? Estão mascarados, não serão reconhecidos e ainda têm divulgado o seu, por assim dizer, ideário. A lógica a que recorre Torturra é a mesma que justifica as ações terroristas. Quando palestinos explodem crianças em ônibus em Israel ou quando o Hamas joga mísseis contra o país, a explicação está na ponta da língua: estamos respondendo à violência. O mesmo fazem os partidários da Al Qaeda, não é? Os atentados do 11 de Setembro de 2001 tinham uma suposta motivação justa: tratava-se de uma resposta à política americana para a Oriente Médio.
Autoritarismo
Torturra diz estar protegendo a democracia. Errado! Ou ele não sabe o que é isso. Que fique claro: ele não é obrigado a ser um democrata. Mas é escandaloso que chame a sua ação de proteção ao regime democrático. Ao contrário: o que ele deseja mesmo é uma ditadura da minoria que seria dotada de uma suposta superioridade moral para impor a sua vontade. Leiam ali o que diz: ele tem noção de que a “sociedade” rejeita o vandalismo. Ocorre que ele considera que essa sociedade está errada porque ignoraria as agressões ao corpo dos manifestantes. Huuummm… Vocês já viram manifestação realmente pacífica ser reprimida? Mais: as ações dos black blocs dependem, por acaso, do comportamento da Polícia Militar? Ainda que ela não reprima ninguém, como vem acontecendo Brasil afora, eles deixarão de praticar depredação? Torturra vem com essa conversa mole de que o Black Bloc é formado por jovens que sofreram violência. Faço a ele o mesmo desafio que já fiz ao tal acadêmico: prove! Ele não vai porque se trata de uma mentira grotesca. Os pobres estão trabalhando, não depredando bancos. A gente até pode achar que isso é um absurdo, mas não muda o fato. Chamar o que essa gente faz de jornalismo é uma estupidez. Mas a “mídia tradicional”, que eles desprezam, lhes é reverente. Capilé acusou ontem a Folha de ser parcial, de fazer mau jornalismo. O jornal, nesta terça, publica um texto sobre a entrevista que beira o puxa-saquismo. Preferiu dar destaque, contra todas as evidências, à negativa da dupla de que tenha vinculações partidárias. Ignora, por exemplo, a clara e óbvia justificação da violência. Com se vê, no momento em que Torturra se nega a condenar o vandalismo, quem participa do diálogo é Suzana Singer, ombudsman do jornal. Mas a coisa pode ser pior. Um dos entrevistadores do Roda Viva flertou abertamente com a justificação da violência. Fica para a próximo post. Começo a encerrar este aqui afirmando que essa gente só não é perigosa — ou, vá lá, mais perigosa — porque, à diferença do que afirma o texto da Folha sobre a entrevista, é mentira que o Mídia Ninja seja “uma febre”. Febre, deixem-me ver, talvez seja o portal “Porta dos Fundos”, a Anita, o Félix… O Mídia Ninja está em debate é na imprensa e nos setores mais engajados do leitorado, incluindo os leitores deste blog. O grande público não tem a menor noção de quem é essa gente. Se tivesse, certamente o condenaria severamente. Se, no entanto, essas concepções delinquentes de democracia ganhassem realmente corpo, aí a coisa seria perigosa. Esses caras odeiam o regime de liberdades públicas em que vivemos. Querem outra coisa. Torturra e Capilé nunca leram um só teórico do regime democrático — se leram, não concordaram. Torturra e Capilé não têm a menor noção do que é estado de direito. Mas sabem, sim, estou absolutamente certo disto, o que pensa, por exemplo, o teórico neocomunista Slavoj Zizeck, um defensor escancarado das ações terroristas. O que lamento, já disse aqui, é que essa irrelevância delinquente esteja, de algum modo, contaminando o que esses caras chamam de “mídia tradicional”, que se acovarda diante de formulações boçais como as que se leem acima e, infelizmente, se deixa contaminar por sua estética e até por sua (a)ética. Esses dois só podem sair por aí a dizer essas barbaridades porque sabem que o regime que eles afrontam com sua apologia da delinquência lhes assegura, ora vejam, até mesmo o direito de atentar contra os fundamentos dessa mesma ordem. Imaginem, agora, o mundo organizado segundo os valores do sr. Torturra e do sr. Capilé. Quanto tempo demoraria para que uma guerra de facções resultasse em cabeças cortadas? De resto, ou esses “alternativos” renunciam a qualquer financiamento público ou, como diria Millôr, seguirão tão independentes quanto um táxi. Por Reinaldo Azevedo

EMPRESAS ASSINAM 24 PRIMEIROS CONTRATOS DE CONCESSÃO DA 11ª RODADA DE LICITAÇÕES DO PETRÓLEO

Parte das empresas que obtiveram as concessões para produção de petróleo e gás natural assinaram nesta terça-feira os contratos da 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Do lado de fora da Escola Naval de Guerra, onde foi realizada a cerimônia, petroleiros protestaram pedindo a anulação do leilão e a exploração exclusiva por estatais. Dos 142 blocos, 24 tiveram contratos assinados por seis empresas, que cumpriram todas as exigências burocráticas da agência a tempo. Entre as empresas que não oficializaram a contratação está a OGX, petrolífera do grupo EBX. Segundo o diretor da ANP, Hélder Queiroz, a companhia não havia sinalizado até a noite de segunda-feira a possibilidade de assinar os blocos que arrematou. As empresas têm até o dia 31 para assinar os contratos e as que anteciparam o procedimento atenderam a um pedido da ANP, que comemorou hoje 15 anos de existência. A Petrobras assinou 13 contratos nesta terça-feira e já pagou R$ 537 milhões por um total de 34 contratos nesta rodada, incluindo aqueles que serão assinados até o dia 31. Segundo o diretor de Exploração e Produção, José Luiz Formigli, essa é a maior participação que a empresa já teve em uma rodada de licitações.

O PETISTA GABRIELLI DIZ QUE COMPRA DE REFINARIA NO TEXAS OBEDECEU ÀS CONDIÇÕES DE MERCADO NA ÉPOCA

O ex-presidente da Petrobras, o petista José Sergio Gabrielli, disse nesta terça-feira que, para o Brasil, foi conveniente a compra da refinaria de Pasadena, no estado americano do Texas, pela Petrobras, durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado. Em 2006, enquanto Gabrielli ocupava a presidência da Petrobras, a empresa comprou a refinaria. Segundo ele, a aquisição foi feita de acordo com a estratégia da empresa à época de expandir a capacidade de refino no Exterior, sem que haja necessariamente crescimento de capacidade de refino no Brasil. Com a descoberta do petróleo na camada pré-sal e as mudanças no cenário econômico internacional devido à crise financeira de 2008, houve posteriormente alteração na estratégia da empresa e a Petrobras decidiu aumentar o refino no Brasil. “No mundo pré-2008 foi um negócio adequado à realidade daquele mercado”, disse. “ Essa mudança do mundo em 2008 modificou as margens de lucratividade da refinaria. Ocorreram também mudanças importantes no Brasil: a continuidade de crescimento do mercado interno e a descoberta do pré-sal. Portanto, mudaram as estratégicas da Petrobras, em 2007, depois da aquisição da refinaria”, explicou. O ex-presidente da Petrobras avaliou que a realidade do mercado atual é completamente diferente com redução do consumo nos Estados Unidos e crescimento do consumo interno no Brasil. Ele diz, no entanto, que hoje a refinaria é lucrativa por circunstâncias específicas do Texas: há condições de compra de petróleo leve e barato na região. O requerimento para que o ex-presidente da Petrobras explicasse o negócio em audiência pública foi proposto pelo senador Ivo Cassol (PP-RO). No pedido, Cassol citou informações publicadas pela revista Veja, segundo as quais a Petrobras teria comprado 50% da refinaria em 2006 e os demais 50% alguns anos depois, tendo gastado no total US$ 1,8 bilhão. Esse valor, segundo Veja, seria dez vezes superior à oferta de compra recebida pela refinaria em dezembro do ano passado Em declaração sobre o assunto há cerca de dois meses, a atual presidenta da Petrobras, Graça Foster, disse que a aquisição da refinaria de Pasadena seguiu orientações positivas do mercado em 2006, e que as perdas produzidas com o negócio foram provocadas, principalmente, pela crise financeira mundial. Ela admitiu que no atual cenário, a empresa não repetiria a operação.

CHANCELER BOLIVIANO CONSIDERA DIFÍCIL ENCERRAR CRISE DIPLOMÁTICA COM A EUROPA

O chanceler da Bolívia, David Choquehuanca, disse que, para o seu país, será difícil encerrar a crise diplomática com a Europa ocasionada pelo incidente com o avião do presidente Evo Morales, no início de julho, apesar do pedido de desculpas feito pelos governos da França, de Portugal, da Itália e da Espanha. Imagina o perigo para a Europa!!!! “É difícil darmos por encerrada essa agressão que sofreu nosso presidente na Europa. Aceitamos o pedido de desculpas, mas isso não basta”, disse Choquehuanca, em Nova York, onde participou na segunda-feira de uma reunião dos chanceleres do Mercosul com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. “Os países europeus deram o primeiro passo, ofereceram desculpas que nós aceitamos. Mas seria bom que os fatos fossem esclarecidos. Queremos saber por que essa atitude”, disse o chanceler. Choquehuanca reiterou que os governos europeus violaram “não somente os direitos humanos”, mas também “a norma internacional”, pondo “em risco a vida do presidente”. Por isso, enfatizou ele, esse incidente “não pode ficar assim”. O chanceler lembrou que o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o esquerdóide José Miguel Insulza,  disse que “para fechar essa ferida, necessariamente tem que se conhecer os responsáveis e castigá-los exemplarmente para que esses atos não voltem a acontecer no futuro com mais ninguém". Choquehuanca  acrescentou que diferentes órgãos internacionais qualificaram o ato como “uma agressão, um ato humilhante, ofensivo”. Ele também destacou que muitos países, especialmente os do Mercosul, expressaram sua solidariedade, chamando para consulta seus embaixadores dos quatro países europeus como sinal de protesto. O chanceler lembrou que o incidente “está ligado à espionagem pelos Estados Unidos e ao cidadão norte-americano Edward Snowden”. Choquehuanca refere-se à ordem dos países europeus de impedir o trânsito do avião presidencial boliviano em seus espaços aéreos no último dia 2 de julho. O indio cocaleiro Evo Morales se viu obrigado a fazer um pouso de emergência em Viena, permanecendo ali por mais de 13 horas. De acordo com o governo boliviano, a decisão da França, de Portugal, da Itália e da Espanha se deu pela suspeita de que a bordo do avião estava o ex-consultor de informática norte-americano Edward Snowden.

CONGRESSO PROMULGA AUTONOMIA DE DEFENSORIAS PÚBLICAS DA UNIÃO

A Emenda Constitucional 74/2013 que garante autonomia administrativa e funcional às defensorias públicas da União e do Distrito Federal foi promulgada nesta terça-feira em sessão solene do Congresso Nacional. A proposta altera o Artigo 134 da Constituição e corrige uma distorção que existia desde a reforma do Judiciário, em 2004. À época, a Emenda 45 concedeu autonomia administrativa, financeira e funcional às defensorias públicas estaduais, mas não deu o mesmo poder às defensorias da União e do Distrito Federal. A partir de agora, essas defensorias também poderão ter a iniciativa de realizar sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Para o defensor público-geral federal, Haman Códova, a iniciativa muda a percepção da Defensoria Pública em âmbito nacional e dá ao órgão a possibilidade de melhorar o atendimento à população carente de Norte a Sul do País. “É claro que, da noite para o dia, não vai haver um aumento absurdo e desproporcional de atendimentos, mas agora teremos um crescimento sustentável que estava limitado por falta dessa autonomia”, garantiu. Ainda segundo Haman, 78% dos municípios-sede de vara federal não têm defensor da União. “Isso é negar o acesso à Justiça a pessoas carentes”, criticou. A DPU tem hoje 480 defensores, mas com a aprovação, este ano, da Lei 12.763/2012, que cria 789 cargos a mais na carreira, a expectativa é de que, em até cinco anos, sejam 1,2 mil profissionais em atividade de Norte a Sul do País em todos os municípios-sede de Justiça Federal. No passado, a DPU fez 1,250 milhão de atendimentos. Esse ano, o número deve crescer 17%. As causas mais comuns são as previdenciárias e as ligadas à Caixa Econômica Federal. “A defensoria publica não é uma máquina desgovernada de ajuizamento de ações. Como sabemos das dificuldades do Poder Judiciário, nós temos a preocupação de resolver administrativamente o conflito, antes de levar à Justiça”, explicou Haman. Para facilitar essa negociação, neste ano a DPU assinou termos de cooperação com o Instituto Nacional do Seguro Social e com a Caixa Econômica Federal.

GESTÃO DE ASSESSOR ESPECIAL DA SOBERANA BOLIVARIANA PETISTA DILMA ROUSSEFF É QUESTIONADA PELO TCU

Contratos firmados pela agência de promoção de exportações do governo na gestão do assessor especial da Presidência da República Alessandro Teixeira foram questionados pelo Tribunal de Contas da União. Os auditores do órgão encontraram irregularidades como ausência de concorrência, de cotação de preço e de fiscalização dos gastos. Teixeira comandou a agência – a Apex-Brasil – por quatro anos. Por indicação da soberana bolivariana petista Dilma, ele trocou o cargo em 2011 pela secretaria-executiva do Ministério do Desenvolvimento. Antes, fez seu sucessor, o diretor de negócios da agência, Maurício Borges.

APÓS MENSALÃO DO PT, PETISTAS LIGADOS AO QUADRILHEIRO E CORRUPTO JOSÉ DIRCEU QUEREM "INVESTIGAR" O SUPREMO

Um deputado petista ligado ao ex-ministro petista José Dirceu, quadrilheiro e corrupto, e um parlamentar com o discurso afiado para negar a existência do Mensalão do PT deram início a uma ofensiva contra os ministros do Supremo Tribunal Federal exatamente no momento em que o tribunal se preparava para julgar os recursos do processo. Os deputados federais Edson Santos (PT-RJ) e Sibá Machado (PT-AC), respectivamente titular e suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, apresentaram requerimento de informações sobre gastos com passagens aéreas e diárias por parte dos ministros, o que já foi respondido pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. Os parlamentares também solicitaram ao Tribunal de Contas da União que abra processo e auditoria para verificar supostas irregularidades nos gastos. O processo foi aberto e as primeiras providências da fiscalização estão em curso.

ESTES CINCO VEREADORES DO PSOL E DO PT CASSARAM OS MANDATOS DE SEUS COLEGAS DE PORTO ALEGRE


Ao lado, o Quinteto Renegado, apelido que os colegas cassados aplicaram ao grupo. São todos do PSOL e do PT. Os 10 dias que abalaram a Câmara de Vereadores de Porto Alegre, estão registrados em vídeo, fotos, testemunhos e áudios. A direção da Câmara já possui provas abundantes de que  dois vereadora do PSOL, Fernanda Melchionna e Pedro Ruras, e três do PT,  Alberto Kopittke, Marcelo Sgarbossa e Sofia Cavedon, violaram o Código de Ética e o Regimento Interno, porque ofereceram cobertura logística e política aos bandoleiros do Bloco dos Pelados, autores da cassação dos mandatos dos 33 vereadores durante 10 dias.

. Os bandoleiros políticos repetiram os generais da ditadura, que no entanto jamais chegaram a fechar o Legislativo. Os generais, no entanto, nunca foram dados a orgias sexuais, consumo excessivo de álcool, voyeurismo e rodadas de consumo de drogas, como ocorreu durante os 10 dias de ocupação. 
Os vereadores foram impedidos pela força de trabalhar, o plenário foi ocupado e vandalizado, símbolos republicanos e religiosos resultaram pichados, instalações foram depredadas e servidores resultaram coagidos e até espancados, como foi o caso do fotógrafo e do presidente da Casa, dr. Thiago. A foto ao lado, inédita, exclusiva, colhida durante a ocupação, retrata o cartaz com a seguinte informação: "LACRADO". Nem os generais atreveram-se a enfiar suas digitais deste modo fascista na porta de entrada dos plenários de Legislativos. Basta ampliar a foto para ler melhor.
 Além das provas de vídeo e fotos, também são estarrecedoras as denúncias em áudio produzidas por seis guardas municipais, conforme cópia que você pode ouvir novamente no link a seguir. Clicando aqui, você pode examinar as placas indicativas dos gabinetes de alguns vereadores, todas elas conspurcadas por pichações de baixíssimo nível político, ofensivas;  mas as placas dos gabinetes dos vereadores amigos, como a da vereadora Fernanda Melchionna, PSOL, aparecem imaculadamente limpas. Os vereadores do PSOL e do PT foram citados pelos seis guardas em seus depoimentos. Eles ofereceram cobertura logística e política, portanto ajudaram a impedir que seus colegas vereadores dos demais Partidos pudessem exercer seus mandatos durante dez dias, até porque o próprio plenário foi ocupado e vandalizado. 
- É irrenunciável o dever dos demais vereadores de cumprir o que manda a lei, portanto enviando todos eles à Comissão de Ética, e denunciando-os também ao Ministério Público para as devidas ações cíveis e penais.  Abrir mão do dever legal é manter a porta aberta para novas invasões e ocupações. (Políbio Braga)

A POLÍCIA FEDERAL E ANDREA MATARAZZO: AÇÃO TÍPICA DE UM ESTADO POLICIAL

O PT, o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista) e agora a tal Mídia Ninja — na prática, é uma espécie de braço político dos ditos Black Blocs (volto ao assunto daqui a pouco) — vivem acusando de parcialidade o que a esquerda de antigamente chamava de “imprensa burguesa”. Na boca dos delinquentes de hoje, a tal “imprensa burguesa” é chamada de “mídia tradicional”… E como a dita-cuja reage? Patrulhada, tenta provar a sua imparcialidade, ainda que à custa da reputação alheia; ainda que dando curso aos mais espantosos absurdos. A Folha de hoje publica reportagem espantosa, assinada por Flávio Ferreira. Título: “Polícia diz que vereador do PSDB recebeu propina da Alstom em 98”. Transcrevo um trecho (em vermelho). Leiam com muita atenção, especialmente ao que vai em destaque. A Polícia Federal indiciou o vereador de São Paulo Andrea Matarazzo (PSDB) por considerar que ele recebeu propina do grupo francês Alstom quando foi secretário estadual de Energia, em 1998. A PF investigou negócios da Alstom com o governo de São Paulo entre 1995 e 2003, período em que o Estado foi governado por sucessivas administrações do PSDB. O trabalho da polícia se baseou em informações obtidas pelo Ministério Público da Suíça. O inquérito foi concluído em agosto de 2012 e está desde então sob análise do Ministério Público Federal. No relatório final do inquérito, o delegado Milton Fornazari Junior cita como evidência para indiciar Matarazzo uma troca de mensagens de 1997 em que executivos da Alstom discutiriam o pagamento de vantagens para o PSDB, a Secretaria de Energia e o Tribunal de Contas. Embora seu nome não seja citado como destinatário de pagamentos, a PF concluiu que Matarazzo foi um dos beneficiados porque ele foi secretário por oito meses em 1998, quando um dos contratos da Alstom foi assinado. (…)

Voltei
Notaram alguma coisa estranha, que, entendo, deveria, ela sim, ser objeto de reportagem? A tal troca de mensagens em que se ancora o indiciamento de Matarazzo é de… 1997! Ocorre que ele só se tornou secretário da Energia do Estado — e por meros oito meses — no fim de janeiro de 1998. É um troço espantoso. O caso que serviu para a PF indiciar Matarazzo diz respeito a um contrato de R$ 72 milhões para o fornecimento de equipamentos para uma empresa chamada EPTE. Por determinação legal — e não mais do que isso —, o secretário acumula o cargo de presidente do Conselho das empresas de energia: além da EPTE, também a Cesp, Tietê, Cetep, Eletropaulo, Comgas, Emae, Bandeirantes e Paranapanema. MAS ATENÇÃO! O CONSELHO NÃO INTERFERE NEM TOMA DECISÕES SOBRE ADITIVOS DE CONTRATO. Por que, afinal de contas, Matarazzo está sendo indiciado, num processo que, como informa a reportagem, nem chega a citar o seu nome? Resposta: porque era secretário de energia e presidia o conselho. Isso em direito tem um nome: chama-se “responsabilidade objetiva”, uma prática que vigora só em ditaduras, em regimes totalitários. A suposição é a seguinte: “Se estava lá, deve ser culpado”. Isso é coisa muito distinta da “Teoria do Domínio do Fato”. A rigor, é o oposto. No caso em questão, não havia como Matarazzo ter o chamado “domínio do fato”. O que que quer que se tenha feito independia de suas escolhas, de sua intervenção, de sua atuação. O escândalo do indiciamento fala por si mesmo: como uma mensagem de 1997 pode servir para incriminar alguém que só passou a ser secretário no ano seguinte? Ainda que a eventual irregularidade tivesse sido cometida em 1998, estaria fora de sua alçada.
Absurdo emblemático
Agora volto à questão da imprensa. Vejam lá um trecho da reportagem: “O trabalho da polícia se baseou em informações obtidas pelo Ministério Público da Suíça.” Muitos leitores pensarão: “Ah, se veio informação a Suíça, deve ser coisa séria…” Não estou pedindo que a imprensa se comporte como juíza, não. Se o indiciamento existe, tem de ser noticiado. Mas é preciso que o jornalismo tome cuidado para não atuar como linchador de reputação em casos em que o escândalo está no próprio processo. Como não lembrar o que fez a imprensa com Eduardo Jorge Caldas Pereira, que era secretário-geral da Presidência de FHC? Teve a sua reputação destroçada por um conluio — não cabe outra palavra — entre Ministério Público (Luiz Francisco à frente) e imprensa. Ocorre que Eduardo Jorge era inocente. Teve de recorrer à Justiça, acreditem!, para provar essa inocência. “Ah, quando é tucano, logo vem com essa conversa…” Uma ova! Não contem comigo para depredar a reputação de uma pessoa inocente (tucana, petista, palmeirense ou corintiana) — evidência ditada pelo fatos — só para que os petralhas me considerem uma pessoa “isenta”. Matarazzo foi indicado pela Policia Federal 
a) em razão de uma decisão que não era de sua alçada;
b) com base em uma mensagem trocada antes ainda de ele ser secretário.
“Ah, mas a Folha informa Isso no ‘Outro Lado’”. É verdade! Ocorre que, em certas circunstâncias, o tal “outro lado” fica parecendo apenas o “jus sperniandi” de quem é flagrado num delito. De resto, o que vai acima não é um de outros lados possíveis; trata-se de matéria de fato. Que fique claro! Ações dessa natureza não pertencem à tradição do estado democrático e de direito. Isso é coisa de estado policial. Por Reinaldo Azevedo

REGISTRO PROVISÓRIO DA REDE SUSTENTABILIDADE NO TRE DO RIO GRANDE DO SUL

Nesta segunda-feira, às 17 horas, dirigentes provisórios da Rede Sustentabilidade, o novo partido em formação, liderado por Gisele Uequed, de Canoas, no Rio Grande do Sul, protocolou o pedido de seu registro provisório no Tribunal Regional do Estado, dando um passo a mais para o registro definitivo e reconhecimento legal do partido no Brasil e no Estadol. Assim, o Diretório Estadual do Rio Grande do Sul e os Diretórios Municipais de Porto Alegre e Canoas, todos ainda constituídos provisoriamente, segundo determinação legal, em breve passarão a existir e atuar formalmente. O registro contou com as assinaturas de mais de 40 mil eleitores gaúchos.

O MAL AJAMBRADO JOSÉ MUJICA QUER TRANSFORMAR O URUGUAI NO PRIMEIRO NARCOESTADO OFICIAL DO MUNDO; MAIORIA DA POPULAÇÃO É CONTRA


A banalidade num velho, disse o poeta Antero de Quental, é tão constrangedora quanto a gravidade numa criança. É o que me ocorre dizer quando penso na cara, nas roupas e, sobretudo, nas ideias mal ajambradas deste patético José Mujica (foto), presidente do Uruguai, que propôs — e conseguiu, já que dispõe de folgada maioria na Câmara — a aprovação de um projeto que vai muito além de legalizar a maconha: o texto estatiza a droga. Assim que for aprovado no Senado — também controlado pelos governistas —, o Uruguai será, atenção!, o primeiro país do mundo a transformar o estado no monopolista oficial de uma substância psicotrópica. Sim, sim, haverá lá um sistema para cadastrar os usuários, que terão direito a uma quantidade limitada da substância e coisa e tal. Pergunta óbvia: o que impedirá um não-viciado (ou “não-usuário”, na linguagem politicamente correta) de se cadastrar, receber a substância e vender a um outro que quer queimar muito mais mato do que a cota legalmente oferecida? É um absoluto despropósito. Não, no entanto, se lermos boa parte do que publica a imprensa brasileira, majoritariamente favorável à descriminação das drogas. Um desses textos que provocam engulhos, tal a estupidez militante, afirmava o caráter “vanguardista” do país que já aprovou o casamento gay e descriminou o aborto e que, agora, quer legalizar — o certo, reitero, é “estatizar” — a maconha! Matar fetos e queimar mato, pelo visto, são elementos de um mesmo paradigma… Santo Deus! Mujica, o mal ajambrado do paletó às ideias, argumenta, a exemplo de todos aqueles favoráveis ao liberou-geral, que a medida contribuirá para diminuir o poder do narcotráfico. E as outras drogas? Ele pretende estatizar a cocaína e o crack também? Ainda que a maioria dos parlamentares seja favorável à medida, a maioria dos uruguaios é contra. Pesquisas indicam que 63% se opõem à estatização da droga. Mujica já tem uma explicação: diz que isso se deve ao fato de haver muitos velhos no país, que não entenderiam a cabeça dos jovens…Durante um bom tempo, leis bancárias muito particulares fizeram do Uruguai uma espécie de paraíso fiscal da América Latina. Muitos salafrários do continente enviavam para lá o dinheiro que roubavam em seus respectivos países. Agora, Mujica quer que o Uruguai se transforme, sob o pretexto de ter uma legislação moderna e avançada, no primeiro narcoestado oficializado. Dada a resistência da população e com a popularidade em queda, o presidente fala agora em fazer um referendo. Segundo diz, a maioria dos uruguaios só se opõe à proposta porque não está bem informada a respeito. Se tal lei for aprovada, imaginem o tipo de turista que o país passará a atrair… A consequência óbvia de uma lei assim será o aumento da demanda por outras drogas, o que fortalecerá o narcotráfico e o ciclo da violência — que está em alta no país, especialmente em Punta Del Este, o paraíso turístico. Que se note, para encerrar: o consumo da maconha já é amplamente tolerado no Uruguai — a exemplo, diga-se, do que ocorre no Brasil. É mentira que maconheiro vá para a cadeia lá ou aqui. A conversa sobre a descriminação (aqui) e sobre a estatização (lá) é só um passo a mais que a cultura da legalização plena das drogas pretende dar. Aliás, esse é o mal disfarçado e óbvio intento dessa gente. Afinal, se o proclamado objetivo é pôr fim ao poder do narcotráfico, é evidente que isso só se realiza com a legalização de todas as drogas, não só da maconha. Ainda não decidi o que é maior nessa gente: a má-fé ou a estupidez. Quanto a Mujica… Ele acha que a maioria dos uruguaios é contra porque haveria velhos demais no país. Este patético senhor está com 78 anos. No seu caso, como se vê, o mal não está em pensar como um velho, mas em pensar como um idiota. Por Reinaldo Azevedo