quarta-feira, 3 de julho de 2013

EVO MORALES, OS PAÍSES EUROPEUS E A NOTA RIDÍCULA DO GOVERNO BRASILEIRO

Ai, que preguiça! O Brasil resolveu entrar na chacrinha de outros países sul-americanos e condenar com veemência os governos da França, Portugal, Espanha e Itália por terem impedido, na terça-feira, que o avião que conduzia o presidente da Bolívia, Evo Morales, sobrevoasse seus respectivos espaços aéreos. A aeronave teve de fazer um pouso em Viena, na Áustria. A suspeita era a de que Evo Morales estivesse conduzindo Edward Snowden, aquele pilantra americano que revelou ao mundo o esquema de monitoramento telefônico e on-line feito pelos Estados Unidos (escreverei um post só sobre este rapaz para explicar o meu posto de vista; gente como ele e o tal Julian Assange, cada um no seu ramo, forma a escória dos nossos dias; mas fica pra depois). A interdição já foi suspensa, tanto é que a Espanha permitiu que a aeronave fizesse uma escala técnica nas Ilhas Canárias. Há coisa de duas horas, fez nova parada em Fortaleza. Logo Evo Morales estará na Bolívia. O que eu acho disso? Já digo. Antes, leiam a nota condoreira do governo brasileiro, cheia daquela arrogância orgulhosa das minoridades. O texto assinado por Dilma Rousseff não se limita a protestar, o que seria, vá lá, aceitável. Não! Ela, que mal está conseguindo dar conta dos problemas internos, resolveu dar pito nos governos europeus e dizer, adicionalmente, inconveniências sobre os Estados Unidos. Leiam. Volto em seguida. "O governo brasileiro expressa sua indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo, depois de haver autorizado seu trânsito. O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável — a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente —, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores. Causa surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo momento em que alguns desses mesmos governos denunciavam a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos, chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Européia. O constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação. O governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso continente, para que situações como essa nunca mais se repitam.
Dilma Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil". Voltei - Começo pela nota para, depois, entrar no mérito da decisão dos países europeus. Em nome da solidariedade a um país do continente, Dilma até poderia ter protestado. Nos termos em que o fez, o texto é inaceitável de vários modos. Para começo de conversa, esse negócio de “risco de vida” é um óbvio exagero. Dilma poderia ter protestado sem se meter nas razões dos países. Quem é ela para sustentar que suas respetivas decisões são contraditórias, uma vez que eles próprios estariam sendo espionados pelos EUA? Imaginem, agora, se o conservador Mariano Rajoy, primeiro-ministro da Espanha, e François Hollande, o socialista que preside a França, decidirem responder mais ou menos assim: “Causa-nos espanto que a presidente Dilma, cujo país teve uma unidade da Petrobras roubada pelo governo boliviano, que mantém presos brasileiros inocentes, se solidarize com Evo Morales…” Terceiros países não se metem em questões que dizem respeito a relações bilaterais. A nota, nesses termos, é um despropósito e só dá conta do primarismo da política externa. A Unasul decidiu marcar uma “reunião de alto nível pra esta quinta-feira”. Marco Aurélio "Top Top" Garcia representará Banânia. Reunião de “alto nível” da Unasul, com a presença de Garcia!? Não dá! A contradição está nos próprios termos. Morales saiu por aí a defender Snowden, tratando-o como herói, e a sugerir que o mundo deve abrigar o rapaz, chamando para si as atenções. Não sei o quê, mas alguma coisa que ignoramos se deu nos bastidores. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e desses países registraram algum movimento estranho. Snowden não estava no avião. A questão é saber se houve ou não uma tentativa. Gente como Evo Morales pode fazer isso? Pode! Lembrem-se que Chávez tentou invadir a Nicarágua com avião para levar Manuel Zelaya de volta ao país. Lamento! Se havia uma suspeita de que o avião do índio de araque carregasse o espião mequetrefe, os quatro países europeus fizeram a coisa certa. Se Morales não fosse um contumaz chicaneiro, isso não tercia acontecido. Ora, ora, de quem, afinal de contas, estamos falando? O Brasil conhece muito bem o amor que este senhor tem pelas leis. Tomou, com armas na mão, do Brasil, uma refinaria da Petrobras. Mundo afora, faz um esforço para que a folha de coca seja reconhecida como produto de “consumo tradicional”, o que é um estímulo e tanto ao narcotráfico. Recebeu uma dinheirama do BNDES para financiar uma estrada. Em troca, o cara batuta resolveu criar novos campos de cultivo de folha de coca na fronteira com o Brasil. Importou cocaleros de outras regiões do país para cuidar do empreendimento. Seu governo mantém presos brasileiros sabidamente inocentes. Não faz tempo, decidiu, vejam que mimo!, legalizar carros sabidamente roubados no Brasil e no Chile que circulam em seu país. Morales se nega ainda a conceder um salvo-conduto para o senador de oposição Roger Pinto, que está asilado na embaixada brasileira em La Paz há um ano. O Brasil e o mundo conhecem, pois, o amor de Evo Morales às leis!!! Como? Dilma diz que o episódio ameaça “o diálogo e as negociações” entre a Europa (toda a Europa!!!) e a América do Sul? Huuummm… Bem, talvez seja o caso de romper relações, não é? Sabem como é… Sem Banânia, o mundo vai à breca!!! Aquela porcaria de Mercosul faz com que o Brasil mantenha hoje apenas três acordos comerciais bilaterais: com Israel, com a Palestina (???) e com o Egito (!!!). Só o acordo com Israel existe. Talvez seja o caso de romper relações com os europeus também. E já que a origem da crise é o picareta do Snowden, dá-se um pé no traseiro dos Estados Unidos também. Quem precisa dessa gente, né? Nós vamos nos virando com tipos como Evo Morales, Rafael Correa, Nicolás Maduro e o próprio Evo… Manda brasa, Soberana! Por Reinaldo Azevedo

O EIKE PIROTÉCNICO É COISA DE REVISTA DE CELEBRIDADES. NÃO ME INTERESSA! QUERO SABER QUANTO DINHEIRO OFICIAL O LULO-PETISMO PÔS O LULO-PETISMO NOS SEUS NEGÓCIOS. E UMA PERGUNTA DE DIOGO MAINARDI EM MARÇO DE 2011

O governo agora diz, segundo informa a VEJA.com, que não vai mais injetar dinheiro nos negócios de Eike Batista. Entendo. Tenho algumas considerações a fazer. Aqui e ali noto certo risinho de satisfação com a derrocada do empresário. Não é o meu caso. Quando cai um grande, sempre acho que a grandeza é que pode estar ameaçada e que o mundo pode vir a ser governado apenas por minoridades organizadas em bandos. Seria o fascismo. É um raciocínio, quem sabe?, um pouco apocalíptico, mas o fato é que acho o ressentimento o pior de todos os sentimentos. Ele é mesquinho sempre e não se conforma com o fato de que outros não sejam.  Assim, há um mau jeito de olhar a queda do mitológico — em boa parte, “automitologia” — Eike Batista. E há o modo realista. Eu, cá comigo, nunca vibrei com a figura e sempre achei, com base apenas na lógica, que havia nesse pastel mais vento do que carne, mais promessas do que azeitonas. Ficava muito impressionado com as formidáveis apostas que faziam nas suas, digamos, projeções. Embora sempre tenha tomado cuidado para não deixar a minha falta de Ferrari contaminar meu juízo, aquele negócio de carrão de bilionário exposto na sala de estar, as pirotecnias exibicionistas… Mas querem saber? Nada disso me diz respeito. Se “usmercadozzzzz” gostam, para mim, tudo bem. Não tenho grana pra me meter nessas coisas. O meu ponto é outro. O que interessa hoje ao Brasil é outra coisa. E acho que as oposições deveriam se ocupar do assunto, se é que se sentem à vontade para tanto; se é que também não estão presas, vamos dizer, por laços sentimentais com Eike Batista. O que interessa é isto: QUANTO DINHEIRO, ATÉ AGORA, O ESTADO BRASILEIRO METEU NOS NEGÓCIOS DO EMPRESÁRIO? De quanto foi a ajuda? Que ele seja um elemento, como se diz hoje em dia nas reportagens de cultura, icônico da era lulo-petista, não tenho a menor dúvida. De certa maneira, ele é uma metáfora — ou uma metonímia — desse tempo. Ou também o castelo lulo-petista não está a mostrar os seus pés de barro? Ou também na política a propaganda não está se chocando com a realidade? Não me divirto, reitero, com o fato de o império de Eike Batista estar derretendo. Por mim, o Brasil teria uns 50 Eikes, mas os de verdade!!! Eles constituem a força da economia americana, por exemplo. Mas, lá nos Estados Unidos, dispensam a ajuda do estado e não se confundem com o próprio governo.
Diogo Mainardi
O Brasil precisa saber quanto o governo investiu nas empresas de Eike Batista e quais são as chances de retorno. Abaixo, segue um vídeo com parte da entrevista que Eike concedeu ao programa Manhattan Connection. Diogo Mainardi lhe dirige, então, uma pergunta. À época, alguns bananas demonizaram Diogo por sua suposta agressividade, porque não entenderia nada do mundo dos negócios etc. Vale a pena rever. Volto depois.

Encerro
A entrevista é de março de 2011. A canalha petralha caiu de porrete em Diogo. Não suportava o fato de que estivesse fazendo, afinal de contas, jornalismo. Há pelo menos 11 anos o puxa-saquismo e a sabujice viraram uma forma superior de pensamento. Por Reinaldo Azevedo

FIM DO VOTO SECRETO PARA QUALQUER VOTAÇÃO NO CONGRESSO É UM ABSURDO E ATUA CONTRA OS INTERESSES DA POPULAÇÃO

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o voto secreto em votações no Congresso. É uma decisão estúpida! Caso prospere, tornará o Congresso mero instrumento do Executivo, que tem a máquina na mão. É uma aberração! Uma coisa é proibir o expediente em caso de cassação de mandatos; outra, diferente, é expor os parlamentares à sanha vingativa do governo federal. Tinha de ser mesmo proposta de um petista — no caso, o senador Paulo Paim (RS). Não há idéia ruim que ele não proponha ou abrace. Se isso prospera, não se derruba mais veto presidencial, por exemplo. O mandatário de turno ficará com a listinha na mão: “Ah, Vossa Excelência ajudou a derrubar um veto meu, né?, e agora quer dinheiro para fazer aquela ponte lá no seu Estado?… Prefiro dar o dinheiro para quem votou comigo”. O voto secreto, em muitos aspectos, é um instrumento que a minoria — a oposição — tem para resistir à maioria: o governo. É a coisas como essa que chamo “espírito destrambelhado das ruas”. Os tontos que odeiam a política — EM VEZ DE ODIAR OS MAUS POLÍTICOS — não percebem quando estão jogando fora a criancinha junto com a água suja. Espero que essa porcaria acabe sendo, ao fim e ao cabo, derrotada. Fim do voto secreto? SIM! MAS APENAS PARA OS CASOS DE CASSAÇÃO DE MANDATO. A proposta de Paim não ajuda a política, não moraliza o Congresso, não colabora com o País. A proposta de Paim corta uma prerrogativa do Poder Legislativo e serve apenas para enganar os idiotas. Se isso passar, nunca mais um senador votará contra a indicação de um ministro para cortes superiores. A eleição das respectivas presidências de Câmara e Senado também se daria às claras. Não se falaria mais em candidaturas alternativas. É preciso tomar cuidado com esse negócio de “espírito das ruas”. Se ele sempre estivesse certo, a humanidade não teria chegado à democracia representativa, e este não seria o regime que assistiu aos maiores progressos da civilização. Com democracia direta, os feiticeiros é que seriam os cientistas, e os cientistas seriam queimados, acusados de feitiçaria.
Por Reinaldo Azevedo

EU BEM QUE DEI UM CONSELHO A DILMA, NÉ? ELA PREFERIU OUVIR O MERCADANTE....

Eu quero o PT fora do poder. Não porque eu tenha partido — os tucanos, por exemplo, sabem muito bem que não sou da turma. Quero os petistas fora do poder porque eles não gostam de democracia. Já escrevi milhares, literalmente, de textos demonstrando isso. Mas eu os quero fora do poder SEGUNDO AS REGRAS DO JOGO — ainda que eles vivam tentando burlá-las. Ocorre que o fato de eles fazerem isso não me dá o direito de fazer o mesmo. Não são os petistas a decidir o que acho bom ou ruim. Eu decido. Nas minhas escolhas morais e éticas, faço de conta que eles não existem. Assim, vocês sabem, o baguncismo em curso no país nunca me encantou. “E se contribuir para o PT ser defenestrado…” Nem assim endosso os métodos. Escrevi um textinho no dia 21 de junho recomendando que Dilma falasse à Nação. Mesmo deplorando seu governo, seu partido e o que pensa essa gente, sugeri a ela um caminho — o da institucionalidade. Mas ela preferiu um outro. Vale a pena reler. Volto em seguida.
"O Brasil vive, por enquanto ao menos, uma democracia política plena. A única ditadura que ronda as consciências é a patrulha do politicamente correto, das ditas “minorias”, dos autodeclarados movimentos sociais. Existe plena liberdade de manifestação e de opinião. A praça está livre para o povo ocupá-la e dizer o que bem entende. Atenção para este parágrafo: quando, no dia 13, a Polícia Militar de São Paulo decidiu cumprir a sua função e impor a ordem nas ruas — já que manifestantes tentavam, mais uma vez, impedir o direito de ir e vir, foi demonizada pela imprensa, pelos petistas e, de forma indireta, até pela presidente. Dilma está diante de um de dois caminhos: 1) fazer um pronunciamento meramente retórico em defesa da paz, perdendo-se, mais uma vez, na propaganda dos feitos de seu partido; 2) deixar claro que os abusos não serão tolerados e que o governo federal dará todo o apoio material e político para que os governadores garantam a tranquilidade e a ordem. Por mais que setores da imprensa insistam em dizer o contrário, é mentira que as manifestações ocorrem num clima de paz e tranquilidade. É evidente que não temos uma maioria de depredadores na rua. Fosse assim, ou seria revolução ou o retorno ao estado da natureza. O fato e que existe um clima favorável à bagunça, à depredação e aos saques. Existe lei federal — a de Segurança Nacional, sim! — para conter esses bandidos. Mas a coisa não pode parar por aí. Todos têm o direito de se manifestar publicamente. Há liberdade de reunião e de associação no país, mas é mentira que exista o direito assegurado de paralisar as cidades. O governo federal tem de se reunir com os governadores e lhes dar o devido suporte para que sejam definidas as áreas que podem abrigar as manifestações. As interrupções do trânsito e a ocupação tresloucada de ruas, avenidas e rodovias têm de ser contidas pelas Polícias Militares, e os que insistirem na prática têm de ser punidos. Mas, para isso, é preciso que haja uma solução de compromisso. Para isso, é preciso que os ministros de Dilma se comportem como homens de estado, não como chicaneiros. E é preciso que o partido de Dilma abra mão do oportunismo asqueroso que o fez redigir uma nota que, na prática, estimula a bagunça. Ou a presidente faz isso, ou pode começar a se despedir não da reeleição, mas da própria candidatura. É bom que ela não se esqueça de que a maior concentração por metro quadrado de pessoas que torcem para que ela quebre a cara é o PT. O partido quer Lula de volta".
Volto
Em política, forma é conteúdo. A maneira escolhida para reivindicar isso ou aquilo expressa um entendimento do tipo de sociedade que queremos. Dilma fez um pronunciamento assustadiço, de quem estava acuada no Palácio, sem entender direito o que estava em curso. Se os descontentamentos são de agora, recentes, ou fruto do acúmulo de anos de desmandos na República, pouco importa: o fato é que temos o instrumento adequado em mãos. O nome dele é estado democrático e de direito. Em tempos de redes sociais, de “cada um vá para a rua e exija o cumprimento de seu sonho”, a desordem acaba se confundindo com a poesia. Manifestações estupidamente violentas eram transmitidas ao vivo, com comentadores destacando a, como é mesmo?, “maioria pacífica”. Ora, o mesmo critério da “maioria pacífica” que impedia as cidades de levar uma vida normal está em curso nas estradas. Que eu saiba, a maioria dos caminhoneiros não está botando fogo em pneus. Ou está? “Ah, mas eles impedem o direito de ir e vir…” Não me digam! Os que passaram a dar plantão na Paulista não faziam o mesmo? Digam-me aqui: se a Mayara Vivian e os Rimbauds das catracas podem posar de pensadores no Jornal Nacional e no Fantástico, por que não Nélio Botelho? “Ah, esse cara é muito suspeito…” Eu também acho. Mas os outros eram, por acaso, uma mistura de Madre Teresa de Calcutá com Voltaire? Agora a coisa começa a ficar feia, não é? Agora se começa a mexer com coisa séria. Há gente no Brasil que achou que dava para tirar a pasta de dentes do tubo e depois devolvê-la. Não dá, não! Por que o “occupy a Paulista” é mais legítimo do que o “occupy a Dutra”? Se alguém tiver alguma resposta que não seja só ideologia, pode enviar para cá. Os petistas resolveram, num primeiro momento, flertar com a desordem, achando que iriam liquidar com o PSDB em São Paulo e, depois, se viram acuados com os monstros que ajudaram a tirar da caixa. Com o problemão nas mãos, em vez de deixar claros os limites que teriam de ser respeitados, resolveram ser reverentes com expressões claras de ilegalidade. Eu, que quero Dilma fora do poder, acabei por lhe dar um bom conselho. Ela preferiu ouvir o Mercadante. O resultado é esse aí. Por Reinaldo Azevedo

POLÍCIA FEDERAL VAI ABRIR INQUÉRITO PARA APURAR BLOQUEIOS NAS ESTRADAS

O Ministério da Justiça determinou nesta quarta-feira que a Polícia Federal abra inquérito para investigar se os bloqueios de caminhoneiros nas rodovias do País são orquestrados por empresários do setor de transportes. Até o momento, onze pessoas foram presas pela prática de crimes variados. Em ofício encaminhado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na manhã desta quarta-feira, o titular dos Transportes, César Borges, disse ter obtido informações de que Nélio Botelho, representante do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), “possui contratos de transporte rodoviário com a Petrobras e estaria atuando, como empresário do setor, nas paralisações, o que poderia configurar ‘lockout’”. O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, afirmou que o representante do MUBC atualmente tem 39 contratos com a Petrobras, com valor mensal de 4 milhões de reais. Adams determinou que os contratos sejam averiguados. A Polícia Rodoviária Federal foi orientada a aplicar multas para quem descumprir a lei. Na terça-feira, a Justiça Federal determinou o bloqueio dos bens de Nélio Botelho. Nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo não vai tolerar o bloqueio de rodovias por caminhoneiros. O Executivo, disse ela, “não ficará quieto” diante da situação. Pelo terceiro dia consecutivo, os caminhoneiros voltaram a realizar uma série de interdições em seis Estados. O ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, ressaltou que o bloqueio das rodovias pode ser tipificado como atentado contra a liberdade de trabalho, crime com punição de três meses a um ano de prisão, além de multa. “O governo não vai tolerar a prática de crimes ou de abusos por quem quer que seja. A Polícia Federal vai apurar com rapidez todos os fatos que foram narrados e os envolvidos sofrerão as sanções cabíveis. A sociedade brasileira não tolera o descumprimento da lei e por isso o governo vai agir, com o máximo de rigor”, disse o "porquinho" petista José Eduardo Cardozo. Já César Borges afirmou que “há interesses específicos” por trás das mobilizações e voltou a dizer que as reivindicações dos caminhoneiros não serão atendidas: “Há na pauta demandas como o não pagamento do pedágio e o subsídio ao óleo diesel, que é um combustível já subsidiado para baratear o transporte das cargas. Não há como fazer um outro subsídio uma vez que o óleo diesel serve a vários setores". Por Reinaldo Azevedo

EGITO, HOJE - MURSI JÁ ERA!

Mohamed Mursi, presidente do Egito, já era. O Exército agora dá as cartas. E com o apoio de parte considerável da população. Há, sim, risco de a coisa degenerar. O Exército egípcio, no entanto, não é e nunca foi como o sírio ou o líbio — uma espécie de gangue armada a serviço de plutocratas. Para o bem e para o mal, é uma força onipresente na sociedade e tem o respeito de boa parte da população. Não há solução possível com o Mursi no poder. O certo é que os planos de islamização da sociedade da Irmandade Muçulmana deram com os burros n’água. Consta que os militares preferem que ele caia fora mesmo. Um governo interino assumiria por um prazo de nove meses a um ano, chefiado pelo presidente do tribunal constitucional do país. Nesse tempo, far-se-ia uma nova Constituição, que garantiria a pluralidade política, submetida depois a referendo. Sob a égide da nova Carta, realizar-se-iam então novas eleições gerais. Pluralidade garantida com tanques? Pois é… Coisa bem própria desses tempos em que a Irmandade Muçulmana é tratada pela imprensa ocidental como força democrática… Leiam a notícia de Veja:
"Pressionado pelos militares e por manifestações que pedem sua renúncia, o presidente egípcio, Mohamed Mursi, sugeriu, nesta quarta-feira, a criação de um governo de coalizão para solucionar a crise política no país. A proposta foi feita por meio de um comunicado divulgado pelo Facebook e o Twitter pouco depois de esgotado o prazo de 48 horas imposto pelo Exército para que Mursi chegasse a um acordo com os manifestantes. O prazo expirou às 16h30 (11h30 de Brasília). Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de pessoas estão reunidas neste momento na Praça Tahrir, em volta dos dois palácios presidenciais no Cairo, aguardando a saída de Mursi. Em seu comunicado, Mursi pede diálogo nacional e aposta na criação de um governo de transição até que sejam realizadas eleições parlamentares. No entanto, o presidente voltou a dizer que não renunciará e pediu aos egípcios que apoiem seu plano de união nacional. A presença militar e de veículos blindados do Exército na capital egípcia aumenta o clima de tensão. Testemunhas disseram que há centenas de soldados egípcios com tanques na principal avenida próxima aos palácios presidenciais. Em sua conta no Twitter, o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Gehad Al Haddad, disse que um golpe militar está em andamento no Egito – o Exército havia ameaçado uma intervenção militar caso Mursi não chegasse a um acordo com a oposição para partilhar poderes. “Tanques começaram a se mover nas ruas”, escreveu al Haddad. Na terça-feira, o Exército anunciou que tinha planos de suspender a Constituição do país, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições presidenciais. Os militares também declararam, em comunicado, que estavam prontos para “derramar o próprio sangue” para defender o país de “terroristas, extremistas ou ignorantes”. Era uma resposta ao discurso de Mursi, que rejeitou renunciar e disse que protegerá seu mandato com a própria vida. Desde a última semana, às vésperas do aniversário de um ano da posse do presidente, milhares de pessoas foram às ruas para pedir sua renúncia. Também há registros de protestos pró-Mursi, como o desta madrugada, nos arredores da Universidade do Cairo, em que pelo menos dezesseis pessoas morreram durante uma manifestação de partidários do presidente egípcio. Mais cedo, outras sete pessoas haviam morrido em confrontos durante os protestos no país. As manifestações atingiram o mais alto nível de participação no último domingo, quando Mursi completou um ano no poder e milhões foram às ruas para pedir sua renúncia. Há um ano, o membro da Irmandade Muçulmana assumiu o poder, que estava nas mãos de uma Junta Militar desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2001. No período em que os militares estavam no comando do país, os manifestantes os acusavam de minar os esforços para a construção da democracia. Mas, antes mesmo de largar o poder, a junta negociava para manter alguma relevância dentro do novo governo. Mursi assumiu a Presidência, mandou para a reserva os generais mais influentes e substituiu-os por outros simpáticos à Irmandade. Quem esperava ver no poder um defensor da democracia, dos direitos humanos e das liberdades universais, acabou se deparando com um novo ditador. E, como ocorreu nos dias que antecederam a derrubada de Mubarak, o papel das Forças Armadas será determinante para traçar o futuro do país. Para muitos cidadãos, os militares podem trazer a ordem que o país não encontrou ao longo de um ano marcado pela crise política e por uma cada vez mais aguda crise econômica. Não deixa de ser uma opção desoladora. Por Reinaldo Azevedo

OS BOURBONS CAIPIRAS – PRESIDENTE DA CÂMARA DIZ QUE VAI PAGAR POR VÔO DA ALEGRIA DA FAB QUE LEVOU SUA NAMORADA E A PARENTADA PARA ASSISTIR À FINAL DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES

O deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) gosta de pegar carona no calor das ruas, no alarido. Se houver gente gritando em favor disso ou daquilo, ele quer estar junto. Lembro, por exemplo, que tentou, contra a lei e o Regimento Interno da Câmara, depor o deputado federal Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Sim, leitor, você pode não gostar de Feliciano, um monte de gente pode pensar o mesmo. Mas ele só pode ser retirado de lá na forma da lei. Henrique Eduardo Alves estava tomado de espírito cívico…  Queria ceder à gritaria para ficar bem na fita; para ganhar a simpatia da imprensa militante. Vejam bem como andam as coisas e o que as pessoas pedem por aí… Aquele palácio onde Alves despacha já foi quase tomado de assalto, não? Sapatearam no teto. Com o País pegando fogo, às vezes literalmente, o presidente da Câmara — segundo na linha sucessória, Dilma à parte — não viu mal nenhum em pedir que um avião da FAB fosse buscar no Rio Grande do Norte a sua namorada mais alguns parentes dela e dele para… assistir à final da Copa das Confederações no Rio de Janeiro. Ele tem uma explicação: é que tinha um almoço com o prefeito Eduardo Paes para… discutir a crise do País. E aí o clã só pegou uma carona… Entendo! Henrique Eduardo Alves é uma alma sensível, dá-se a rasgos poéticos. Para ele, como para Fernando Pessoa, o rio mais bonito é mesmo o da sua aldeia. Tanto é assim que, se necessário, ele usa um avião oficial para transportar o seu riacho sentimental para o Rio turístico. Em tempos de redes sociais, os nababos de Alves ainda publicam fotos no Facebook, cheios de alegria. Ele diz agora que vai pagar tudo. Esta é outra prática que está se generalizando entre os bacanas: se não forem pegos, tudo bem; se flagrados, eles pagam. É uma gente que é tomada de um espírito de Suprema honestidade quando pega com a boca na botija. O jornal Folha de S. Paulo publicou: "O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse nesta quarta-feira (3) que errou ao permitir que sete parentes pegassem carona em um avião da Força Aérea Brasileira para assistir ao jogo da seleção no Maracanã, no fim de semana. Eduardo Alves disse que determinou que sua assessoria avalie o mais rápido possível o valor das passagens do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro para reembolsar à União. A Folha revelou que pegaram carona com o deputado sete pessoas: sua noiva, Laurita Arruda, dois filhos e um irmão dela, o publicitário Arturo Arruda, com a mulher Larissa, além de um filho do presidente da Câmara. Um amigo de Arturo entrou no voo de volta. “Meu erro, e aqui eu reconheço, foi ter permitido que pessoas me acompanhassem pegando carona nesse voo para o Rio de Janeiro. Por esse erro, estou aqui reconhecendo e já mandei ressarcir o valor de cada passagem correspondente”, disse ao chegar na Câmara. Alves negou que estivesse em uma agenda de turismo no Rio. Segundo o deputado, ele foi recebido pelo prefeito da cidade, Eduardo Paes, na residência oficial, na Gávea Pequena, para discutir o cenário político do país. A reunião, no entanto, não foi divulgada na agenda oficial dos dois políticos. “Houve uma agenda previamente divulgada com o prefeito Eduardo Paes, que me recebeu para um almoço na Gávea Pequena, onde conversamos sábado pela manha”, disse". Não adianta. Também os Bourbons caipiras não aprendem nada nem esquecem nada.

PRESIDENTE DA CÂMARA USOU JATINHO DA FAB PARA BUSCAR PARENTADA E NOIVINHA PARA JOGO DA SELEÇÃO; FLAGRADO, AGORA ELE DIZ QUE VAI PAGAR O GASTO

Laurita, a noivinha do "botocado" presidente da Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), informou nesta quarta-feira que vai pagar à União os custos da viagem de sete pessoas que usaram um jatinho da FAB (Força Aérea Brasileira), a mando dele, para assistir ao jogo da seleção no Maracanã no domingo. Segundo a assessoria, Eduardo Alves encomendou ao seu gabinete um levantamento de quanto custariam às passagens de Natal para o Rio de Janeiro para poder pagar a viagem aos cofres públicos. O jornal Folha de S. Paulo mostrou nesta quarta-feira que um jato C-99 da FAB foi buscar a turma em Natal, terra do deputado. Decolou às 19h30 de sexta-feira rumo ao Rio de Janeiro e retornou no domingo, às 23 horas, após o jogo. Pegaram carona com o deputado sete pessoas: sua noivinha, Laurita Arruda, dois filhos e um irmão dela, o publicitário Arturo Arruda, acompanhado de sua mulher Larissa, além de um filho do presidente da Câmara. Um amigo de Arturo entrou no vôo de volta. Se tivessem que pagar pela viagem de Natal ao Rio de Janeiro, ida e volta, cada passageiro gastaria pelo menos R$ 1,5 mil. Todos aproveitaram para passear no Rio de Janeiro no sábado e, no dia seguinte, foram à final da Copa das Confederações, vencida pelo Brasil. O deputado e seus convidados usaram cadeiras destinadas a torcedores, e não às autoridades. De acordo com assessores, Eduardo Alves tinha uma agenda com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Mas, o encontro não estava previsto na agenda oficial dos dois. Isso significa que esses políticos vagabundos não aprenderam nenhuma lição com as manifestações de rua até agora, e continuam achando que podem usar os recursos públicos como se fossem privados.

A humilhante resposta do TSE aos feiticeiros do PT. Ou: Dá pra tirar Mercadante de perto da Dilma?

A resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o endosso de todos os Tribunais Regionais, ao Palácio do Planalto sobre a viabilidade do plebiscito deveria provocar uma enorme vergonha na turma, especialmente na presidente Dilma Rousseff e no seu agora fiel escudeiro, Aloizio Mercadante — a propósito: quem está a cuidar da Educação? Foi preciso lembrar que o país vive sob um ordenamento jurídico e tem uma Constituição. Foi preciso dar lição de moral aos destrambelhados. Até o poeta Carlos Drummond de Andrade foi evocado pela mineira Carmen Lúcia, que preside o TSE. Sobrou também para Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que chegou a opinar que a legislação eleitoral poderia, sim, mudar a menos de um ano da eleição desde que essa fosse a vontade do povo. Sugeriu que essa fosse uma das perguntas do plebiscito, o que é um escárnio. Expliquei a ele aqui por que não. Ontem, foi a vez de o TSE lembrar:

Assim, elimina-se uma dúvida que já não havia. Nem o povo é soberano para mudar cláusula pétrea da Constituição. Chega a ser ridículo que isso tenha de ser reafirmado, mas fazer o quê?
O TSE precisou lembrar aos valentes qual é o sentido de um plebiscito e em que circunstâncias ele tem de se dar. Leiam este outro trecho.
Há ali um alerta importante: que sentido faz submeter a população a uma consulta que se lhe afigurará uma charada grega? Não porque seja congenitamente incapacitado para responder, mas porque não haverá tempo para os devidos esclarecimentos. O brasileiro já deu mostras de verdadeiros prodígios. Lembremo-nos de que, durante a implementação do Plano Real, tivemos de conviver com duas moedas. Houve quem previsse o caos. Não aconteceu nada. Ao contrário: deu para perceber, muito depressa, que parecia ser um bom caminho para conter a sandice inflacionária. Mas as coisas não se fizeram na base da correria e da porra-louquice, comportamento próprio de um governo que está doido para driblar os problemas reais e se entregar a diversionismos.
Prestem agora atenção a este outro trecho.
Se o processo tivesse sido deslanchado anteontem, diz o tribunal, poder-se-ia realizar o plebiscito em 8 de setembro, ainda dentro do prazo para que eventuais mudanças vigorassem já em 2014. Mas se está muito longe disso. Nem sequer se tomaram as providências para o necessário Decreto Legislativo, que depois tem de ser aprovado nas duas Casas. De resto, far-se-ia o decreto com que conteúdo? Deputados e senadores nem mesmo terão tempo de debater que reforma querem? E, então, foi preciso citar Drummond para cobrar, ainda que de modo lhano, uma pouco mais de responsabilidade (esses rabiscos são pedaços da rubrica dos juízes do TRE.
O fim do texto não poderia ser mais edificante. A Justiça Eleitoral lembra que está a serviço dos eleitores, não dos poderosos de turno.
Primeiro faltou sabedoria a Dilma para entender as ruas. Depois faltou prudência para entender o ordenamento constitucional.Alguém faça o favor ao Brasil de tirar Mercadante de perto dela? Por Reinaldo Azevedo

O EGITO E AS FLORES DO MAL: QUANDO MILHÕES VÃO ÀS RUAS PARA PEDIR QUE O EXÉRCITO DE UM GOLPE PARA IMPEDIR A DITADURA ISLÂMICA

Milhares de egípcios estão de volta à praça Tahrir. Só nesta terça-feira, houve 16 mortos. O Exército deu um ultimato ao presidente Mohamed Mursi: ou busca o diálogo e pacifica o país ou… Bem, fala-se abertamente numa intervenção. Na segunda-feira, o mundo assistiu ao, até então, inimaginável: helicópteros do Exército sobrevoavam a praça carregando bandeiras do Egito. Estavam ameaçando o povo da praça? Ao contrário: ofereciam-lhe proteção. A massa delirava e aplaudia, pedindo abertamente a intervenção dos militares. Que estranha história é essa? Nada de novo sob o sol. Vamos ver. Uma das belezas da Internet é a disponibilidade de arquivo. Assim, vocês poderão, se tiverem um tempinho, recorrer à área de busca para saber o que andei escrevendo, ao longo do tempo, sobre “Primavera Árabe”. Deixei aqui registrado umas duzentas vezes que se tratava de uma invenção do jornalismo ocidental. Tentou-se emprestar àqueles levantes ares de revolta democrática. Pois é… Recentemente, apanhei bastante porque escrevi aqui que a Turquia, que não é árabe, era “a prova dos noves de que é impossível haver, a um só tempo, um regime islâmico e democrático”, a nãos ser que inventem feitiçarias como “democracia iliberal”, na formulação de alguns intelectuais do miolo mole. A “democracia iliberal” deve ser a irmã gêmea da “ditadura suave”… A Turquia evidencia, assim, que o problema, obviamente, não é étnico. Não existe incompatibilidade sanguínea de árabes com o regime democrático. A questão é o Islã. Ou um estado é teocrático — ainda que exerça uma forma velada e branda da teocracia — ou é democrático. País em que o estado — e, por consequência, os cidadãos — obedecem a comandos dos que se apresentam como intérpretes da ordem divina não têm como atender às demandas plurais da sociedade nem como abrigar a divergência. Afinal, que sentido faz brigar com Deus, não é mesmo? Tanto pior se as correntes hoje influentes dessa religião convivem mal com a diferença e com a pluralidade. A crise estava contratada. Recomendo um excelente artigo sobre a crise publicado em seu blog por Adam Garfinkle, que edita The American Interest. Ele lembra que o Exército é a única força realmente organizada do país e a mais afinada com o mundo moderno. E é assim há mais de 60 anos — ao menos desde 1952. Ora, como vamos nos esquecer — e chamei tantas vezes a atenção para isso aqui — que Hosni Mubarak foi deposto por aquilo que se poderia chamar, tecnicamente, de golpe de estado? Depois de alguns confrontos de rua (e não foram tantos assim para os padrões de uma ditadura; compare-se com a Síria…), os militares deram um chega pra lá em Mubarak e assumiram o comando, preparando, então, o terreno para as eleições. Mursi, da Irmandade Muçulmana, foi eleito, e o Exército tentou se apresentar como o condestável também do novo regime. O presidente fez de conta que aceitou, mas não demorou a destituir a cúpula da Força e a promover uma grande troca de oficiais do comando por outros simpáticos à Irmandade. E deu início — e era fatal que o fizesse porque é quem é — à chamada islamização do país. O Egito é um país esmagadoramente muçulmano, sim, mas a ditadura Mubarak era laica. Garfinkle lembra que o país entrou em colapso porque a turma recrutada por Mursi não tem a menor ideia do que seja governar. Bagunça semelhante está em curso na Líbia, só que este país tem pouco mais de 6 milhões de habitantes; no Egito, eles passam dos 80 milhões. Citando um outro autor, Garfinkle observa que a “Síndrome IBM” marca a cultura política no Egito e no mundo árabe. Ele explica. O “I” designa a palavra “inshallah”, o tomara-Deus — uma espécie de fatalismo passivo. O “B” remete a “bokr”, que quer dizer “amanhã de manhã”, ou só “amanhã”. Trata-se, diz o autor, de uma noção pré-moderna do tempo. Há uma obsessão em empurrar tudo com a barriga. O “M” remete a “Malesh”, algo como “deixa pra lá”., “ninguém se importa”, “tanto faz”… Some-se a isso um estado inteiramente aparelhado pela Irmandade Muçulmana, e está dada a receita do caos. O Exército, diz Garfinkle, é a única instituição profissionalizada do país, que não sofre da “Síndrome IBM”. O prazo dado pelos militares a Mursi termina nesta quarta-feira. O presidente foi à televisão, disse que não renuncia, e isso correspondeu a um convite para que seus aliados, que também são muitos milhões, saiam às ruas. Muitos entenderam o chamamento como um convite à guerra civil caso as Forças Armadas, agora com o apoio dos setores laicos, deem um chega pra lá no presidente. Golpe? Pode-se dizer que sim, a exemplo daquele dado para derrubar Mubarak. “Ah, mas, agora, estariam depondo um presidente eleito". Chegamos ao “x” da questão. Eleição é condição necessária para que um regime seja democrático, mas não condição suficiente, como evidencia o Irã — que é uma ditadura teocrática. Mursi foi eleito com o compromisso de fazer um governo laico, respeitando as minorias. Não está cumprindo a palavra. Tentou alijar os militares do poder e acabou flertando com a bagunça. O site do jornal Al-Ahram, que é ligado ao governo, afirma que os militares pretendem suspender a atual Constituição, montar um conselho presidencial composto por três pessoas, liderado pelo presidente da Suprema Corte, e convocar um grupo de especialistas para redigir uma nova Carta, que seria submetida a referendo. Essa nova Constituição levaria em conta “as necessidades dos diferentes componentes do povo”. O Exército, claro!, seria a garantia do cumprimento desses passos — na prática, seria o poder. Ao fim de um período de nove meses a um ano, marcar-se-iam, então, eleições gerais. E, saibam, o plano conta com o apoio dos movimentos que estão nas ruas contra Mursi. Pois é… Que dispositivo haveria na nova Constituição que pudesse impedir a Irmandade Muçulmana de vencer de novo as eleições e reiniciar os esforços de islamização do país? Não sei! O que sei é que a “Primavera Árabe” resultou no inverno de Mohamed Mursi, que, tudo o mais constante, vai rivalizar com Mubarak em número de mortos. O que sei que o Exército volta a ser o protagonista da cena, agora com o apoio de milhões de civis que rejeitam uma ditadura islâmica, ainda que nascida das urnas. Por Reinaldo Azevedo

BRIGADIANOS VÃO FAZER PASSEATA NESTA QUINTA-FEIRA EM PORTO ALEGRE

Os soldados, praças e baixa oficialidade da Brigada Militar farão uma passeata de protesto contra o governo do peremptório governador petista Tarso Genro nesta quinta-feira, em Porto Alegre. A pauta de reivindicações é grande, e o grosso da tropa está revoltado. A principal reivindicação é pelo plano de carreira. Pelo projeto em tramitação na Assembléia Legislativa, o ingresso na carreira será único, pelo posto de soldado, até o último nível, o posto de coronel. E todos os pretendentes à carreira na Brigada Militar deverão ter formação universitária. É isto que faz com que a alta oficialidade, que entrar na carreira no posto de tenente, após cursar a Academia Militar, esteja contra o novo plano de carreira. Cerca de 10 Estados brasileiros já adotam um plano de carreira similar. Nesta terça-feira transcorreu o Dia do Bombeiro. Como já era esperado, o peremptório governador petista Tarso Genro não compareceu, ao contrário do ano passado, quando encheu os bombeiros de promessas, até hoje não cumpridas. Mandou em seu lugar o comandante geral da Brigada Militar, para a solenidade de formatura no quartel central dos bombeiros. Ao final da cerimônia, ele quis conversar com as lideranças das entidades de militares, incluindo os bombeiros. Nenhum dirigente aceitou conversar com ele ali. Foi convidado a comparecer na sede da Abamf, na Avenida Aparício Borges. O coronel araponga Fábio Fernandes, notório petista, membro da DS (Democracia Socialista), foi até a sede da associação dos brigadianos, porque tinha uma missão dada a ele pelo peremptório governador petista Tarso Genro, a de tentar esvaziar a manifestação dos brigadianos nesta quinta-feira. Ele ouviu as reivindicações e críticas, afirmou que era uma pauta muito grande, e que os militares deveriam se centrar em uma delas, que ele se disporia a servir de canal de comunicação. Em resumo, não assegurou nada para os brigadianos. Os militares estão determinados a comparecer ao ato desta quinta-feira, já sabendo que o governador petista, peremptório petista Tarso Genro, e seu comandante da Brigada Militar, o araponga petista Fábio Fernandes, farão de tudo para esvaziar o ato. Por exemplo, o coronel araponga Fábio Fernandes ordenará a realização de solenidades de formatura em vários quartéis, e tomara outras medidas para impedir que os militares saiam do serviço. Se isso tudo acontecer, e se a passeata for reprimida pelos "gorilas" do Batalhão de Choque (a expressão é usada pelos próprios militares), então a massa militar já decidiu que irá aderir em massa às manifestações marcadas para o próximo dia 11, entregando as ruas das cidades do Rio Grande do Sul diretamente para os manifestantes.

RESPOSTA DO TSE PARA DILMA DESMORALIZA PROPOSTA DE PLEBISCITO DA FORMA COMO FOI APRESENTADA

A resposta do TSE à consulta feita pela presidente Dilma Rousseff desmoralizou a proposta de plebiscito, ao menos na forma como foi apresentada. O Tribunal Superior Eleitoral Informou nesta terça-feira que precisa de um prazo mínimo de 70 dias para organizar um plebiscito sobre a reforma política. Segundo o TSE, o prazo começa a contar a partir do início imediato das providências necessárias para fazer a consulta – ou seja, apenas depois que o Congresso aprovar a realização do plebiscito. Assim, caso o Legislativo seja rápido e decida logo fazer a consulta popular, o plebiscito só poderá ser realizado a partir da segunda semana de setembro. A Constituição determina que qualquer alteração na legislação eleitoral precisa ser aprovada com pelo menos um ano de antecedência para valer no próximo pleito. Como a eleição de 2014 vai ser realizada em 5 de outubro, há um prazo de três meses para que mudanças sejam feitas. Isso significa que, caso o plebiscito seja feito em setembro, o Congresso terá menos de um mês para votar as propostas. Do contrário, as alterações passariam a valer apenas na eleição municipal de 2016. A nota do TSE lembra que a “Constituição do Brasil não pode ser modificada em seu núcleo de identidade”, ou seja, as chamadas cláusulas pétreas. Dentre elas, diz o texto, está a do “período de mudança válida para pleito eleitoral, que haverá de ocorrer no mínimo um ano antes de cada eleição”. Também destaca que mais de 500 mil urnas eletrônicas são utilizadas no processo e devem ser distribuídas nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros: “Isso demanda tempo, logística precisa e gastos de mora”. Por outro lado, o texto diz que não há como estimar, por agora, os custos do plebiscito. “Os ingentes esforços dos servidores da Justiça Eleitoral e os insuperáveis gastos de dinheiro público a serem feitos para o exercício da democracia direta (direito de os cidadãos serem ouvidos) têm como base única a escolha que venha a ser feita pelos Poderes competentes e que, repita-se, não está a cargo do Poder Judiciário”, diz o documento. O texto também chama a atenção para o risco de um plebiscito que não tenha validade na eleição seguinte, o que poderia levar à sua própria deslegitimação. “A Justiça Eleitoral não está autorizada constitucional e legalmente a submeter ao eleitorado consulta sobre cujo tema ele não possa responder ou sobre o qual não esteja prévia e suficientemente esclarecido, ou que da resposta formalmente apurada não haverá efeitos, no pleito eleitoral subsequente, o que pode ser fator de deslegitimação da chamada popular”, diz o texto.