terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Laudo de perícias feitas no sangue de vítimas do incêndio na assassina boate Kiss deverá ser divulgado na sexta-feira


O Instituto Geral de Perícias (IGP) deverá divulgar, na sexta-feira, o resultado das análises de presença de cianeto nas amostras de sangue das vítimas do incêndio na assassina boate Kiss. O dois técnicos do IGP, que viajaram à Argentina na semana passada para fazer as perícias, retornaram na tarde de segunda-feira a Porto Alegre. Nesta terça-feira, os peritos fazem exames complementares nas amostras. Nesta quarta-feira, os técnicos devem participar de uma reunião, na qual irão apresentar os resultados das perícias à direção do Departamento de Perícias Laboratoriais do IGP. O trabalho foi feito em parceria com o Laboratório Policial de Química Forense da Polícia da Província de Buenos Aires, em La Plata, a 50 quilômetros da capital argentina. Ao todo, 235 amostras foram encaminhadas para análise. O cianeto é um dos gases liberados na queima da espuma que usada no revestimento acústico da boate. O gás pode ter causado a morte por intoxicação das vítimas que estavam na assassina boate Kiss.

14 ANOS SEM MARCOS FAERMAN

Marcos Faerman, legenda do jornalismo

No dia 12 de fevereiro de 1999 caía uma chuvinha fina. Era uma sexta-feira, início de carnaval. E parecia que todos os brasileiros estavam seguindo para o litoral. Pelo fim da tarde saí de carro de Porto Alegre, com minhas filhas e minha neta. Nunca tinha visto tanto carro junto na estrada. Mas, estava feliz, no toca-fitas cantava Withney Houston. Quando cheguei a Capão da Canoa, cerca de 21 horas, chuviscava. Fui até a casa do meu pai para pegar a chave da minha casa. Quando desci do carro, ele veio ao meu encontro no gramado e me disse: "Tenho uma notícia ruim para ti". Eu fiquei paralisado. Minha cabeça funcionou como um turbilhão. E a primeira coisa que pensei, foi; "É o Marcão?" Ele me respondeu: "Sim, o Marcão faleceu ao fim da tarde em São Paulo". Marcos Faerman, um dos mais brilhantes jornalistas de toda a história da imprensa no Brasil, tinha falecido. Ele era meu cunhado, mas, mais do que isso, um irmão. Tive a tarefa de ligar e comunicar, em Porto Alegre, para seu irmão, o falecimento do Marcão. Também pedi que ele verificasse a disponibilidade de passagens em vôos para São Paulo, que ligaria pouco depois para saber. Liguei, e não havia lugar disponível em nenhum vôo para o sábado. Então tomei a decisão: voltaria de Capão da Canoa a Porto Alegre, para pegar meu cunhado, e seguiríamos de carro a São Paulo, para o funeral do Marcão. Fiz isso. Por volta de 1 hora da madrugada, do dia 13 de fevereiro de 1999, lá estávamos nós na estrada em direção a São Paulo. Foi uma viagem complicada. Até Florianópolis peguei um trânsito infernal. De Florianópolis a Curitiba, trânsito pesado em sentido oposto. Isso em uma BR 101 que estava toda ela em construção. Por volta das 16 horas começaram a ligar de São Paulo, porque a administração do Cemitério de Vila Alpina queria encerrar o velório e proceder à cremação do corpo. Eu insisti para que esperassem, que já estávamos chegando. Em um estrada já vazia, andei em alta velocidade. Ao entrar em São Paulo, cidade onde vivi 16 anos, na qual morei em um casa junto com meu cunhado no bairro de Vila Mariana, contratei um motorista de táxi junto à entrada do Minhocão, na Praça da Consolação, para me guiar até o cemitério de Vila Alpina. Foi o suficiente para chegar até lá, ouvir uma oração rezação pelo rabino Henri Sobel, e fim. Marcão tinha partido. Não há dúvida de que a eternidade existe. Se a gente, quase todos os dias, está pensando em alguém que se foi há 14 anos, em pequenos detalhes de uma vida convivida, nas reportagens e matérias que ele escreveu, nos livros que ele lia e recomendava, uma infinidade de coisas, então é porque ele continua vivo, de uma maneira diferente. Neste 12 de fevereiro de 1999, estou me lembrando de cenas de 1969, quando ele aceitou um convite de Ari Carvalho, então dono da Zero Hora, licenciou-se do Jornal da Tarde por três meses e conduziu a tarefa de formar uma equipe para produzir a edição dominical do jornal, em formato standard, colorida, para combater o Correio do Povo que era rei dos domingos. Marcão decretou: não queria ninguém viciado no seu projeto, queria trabalhar somente com gente que nunca tinha feito jornal antes. E foi aí que ele me chamou. E me mandou fazer a primeira matéria, uma entrevista com Breno, ex-jogador de futebol, que tinha brilhado no filme "Orfeu do Carnaval", e morava em Novo Hamburgo. Precisei reescrever cinco vezes aquele texto, até que a matéria ficou pronta. Quando entrei na redação pela primeira vez, uma sala vazia no prédio recém inaugurado da Zero Hora, na Avenida Ipiranga, envidraçada, da qual se via a grande máquina impressora rotativa lá no subsolo, mobiliada apenas com uma mesa e cadeiras de rodinhas, com as quais fazíamos corridas, Marcão me entregou uma gramática portuguesa e me disse: "Tens uma semana para estudar tudo. Jornalista não pode escrever mal". E também me colocou nas mãos dois livros de crônicas de Ernest Hermingway para que eu lesse e estudasse o que é o jornalismo, o jornalista em ação. Eu já lia muito, desde os 11 anos, mas as lições do Marcão foram fundamentais. Anos mais tarde, ele me repassou um livro básico, que havia acabado de ler, de Jorge Semprun, "A biografia de Federico Sanchez". E na nossa jovem redação lá estavam também os refugiados Zé Rodrix e sua namorada, Hildegard Angel. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, tinha pedido a Ari de Carvalho que acolhesse a filha, porque o filho, Stuart Angel, tinha sido morto sob tortura na base aérea do Galeão, amarrado junto ao cano de escapamento de um jipe e arrastado pela pista de concreto. Marcão foi sempre assim, absolutamente despojado e totalmente generoso. Clique aqui e leia a excelente biografia de Marcão Faerman escrita pela jornalista Isabel Vieira

RBS condenada a indenizar ex-funcionária por restringir uso do banheiro


Empresa que restringe o acesso aos banheiros durante a jornada de trabalho comete abuso passível de reparação moral. Afinal, esta conduta viola a dignidade do trabalhador. O entendimento foi firmado pela 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul ao reformar sentença que negou reparação a uma ex-funcionária do jornal Zero Hora, do Grupo RBS, impedida de usar livremente o banheiro. O acórdão é do dia 16 de janeiro. Além da restrição de acesso ao banheiro, a operadora de telemarketing se disse vítima de ‘‘terrorismo psicológico’’ na cobrança de metas de vendas, pela exposição ostensiva do relatório interno de produtividade individual e pela exposição dos resultados individuais em mural do setor. No bojo da reclamatória, o juiz da 16ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, Jefferson Luiz Gaya de Goes, indeferiu o pedido de indenização por não vislumbrar qualquer tipo de prejuízo de ordem moral praticada contra a autora da ação. Para o juiz, os depoimentos das testemunhas arroladas por empregado e empregador, praticamente, anulam-se mutuamente. ‘‘Assim, a prova produzida pela autora restou refutada por contraprova da mesma natureza, não havendo elementos suficientes para valorar algum dos depoimentos em detrimento do outro’’, concluiu. A desembargadora Maria Madalena Telesca, que relatou os recursos, afirmou, inicialmente, que os autos não trazem provas robustas de que a cobrança de metas extrapolasse o razoável – e o empregador tem o direito de cobrar. O mesmo não aconteceu, entretanto, na denúncia de restrição aos banheiros. A prova oral mostrou que os empregados do setor de telemarketing eram obrigados, por imposição de regra, a pedir autorização do fiscal para irem ao banheiro. A desembargadora-relatora apurou que a empresa limitou o uso do banheiro em cinco minutos durante a jornada. A empresa afirmava que o sistema de ligações, por ser ininterrupto, impedia que os funcionários se ausentassem. Também foi apurado que a autora foi cobrada pela chefia quando se ausentou para ir ao banheiro. ‘‘Os incisos V e X, do artigo 5º, da Constituição Federal, asseguram a todo e qualquer cidadão o direito à reparação dos danos morais porventura sofridos, assim entendidos aqueles respeitantes à esfera de personalidade do sujeito, mais especificamente os decorrentes de ofensa à sua honra, imagem e/ou intimidade’’, citou no acórdão. Assim, a relatora modificou a sentença para condenar o Grupo RBS em danos morais, em R$ 5 mil, concluindo que a empresa ‘‘não se preocupa em garantir um ambiente de trabalho sadio para os seus empregados, violando, inclusive, o direito à dignidade do trabalhador’’. O setor de telemarketing da RBS funciona no edifício do shopping Rua da Praia, no centro da cidade, e tem centenas de funcionários.