segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Dilma negocia apoio do PMDB e diz que entrará na campanha


A presidente Dilma Rousseff reuniu-se na manhã desta segunda-feira com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e com o vice-presidente da República, Michel Temer, para traçar um balanço do resultado das urnas e bater o martelo sobre o apoio do PMDB de Gabriel Chalita à candidatura de Fernando "Kit Gay" Haddad em São Paulo. Além do arranjo político, Dilma pretende se envolver mais em algumas campanhas no segundo turno, especialmente na capital paulista. Em Salvador, o democrata ACM Neto e o petista Nelson Pelegrino também disputam o apoio dos peemedebistas.

Para Financial Times, Graça Foster tem desafio na gestão da Petrobras


Uma semana depois de publicar reportagem com a presidente Dilma Rousseff, o jornal britânico Financial Times traz nesta segunda-feira um perfil da atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. A narrativa remonta aos tempos de infância de Graça, quando ela vivia no Morro do Adeus, uma favela do Rio de Janeiro. A matéria vai além da descrição da trajetória da executiva para discutir o cenário atual em que a Petrobras está inserida. Em agosto, a estatal revelou seu primeiro prejuízo em 13 anos: uma perda de 1,35 bilhão de reais no segundo trimestre de 2012. Ao lembrar o resultado, a reportagem lamenta que não há muito o que a CEO possa fazer para solucionar os problemas da companhia no curto e médio prazo. O texto cita, por exemplo, o expressivo aumento do endividamento em dólar da estatal, o qual foi provocado pelo próprio cenário de desvalorização do real ante a moeda americana, uma política imposta pelo Palácio do Planalto como medida para proteger a indústria doméstica da concorrência externa. A reportagem frisa também que, para muitos investidores, o grande peso para a produção de óleo e gás no País vem "daquela que está sorrindo em uma moldura oficial pendurada atrás de Graça". É uma referência explícita ao quadro de Dilma Rousseff com a faixa presidencial, que fica bem à direita da mesa da CEO. Na seqüência, o jornal ressalta que a estatal perdeu atratividade aos olhos dos investidores graças à forma como o governo definiu a distribuição dos lucros futuros da exploração de petróleo no País,em especial a do pré-sal, e que  "duras restrições sobre contratação de empresas estrangeiras", as tais regras de conteúdo nacional, foram culpadas por aumentar os custos da empresa. Outro ponto apontado pela reportagem como uma dificuldade de Graça é a política do governo Dilma de segurar o repasse dos custos da gasolina ao consumidor final.

Andaluzia pede ajuda de 4,9 bilhões de euros


A região autônoma espanhola de Andaluzia formalizou nesta segunda-feira seu pedido de ajuda no valor de 4,9 bilhões de euros (cerca de 6,35 bilhões de dólares) ao governo central para sobreviver à crise financeira. A mais povoada das regiões autônomas da Espanha, a Andaluzia, já tinha indicado em setembro que precisaria de ajuda por causa das dívidas contraídas e por uma taxa de desemprego que já alcança 33,9%. "O Conselho enviou esta tarde uma carta ao Ministério da Fazenda. Solicitamos oficialmente", disse a porta-voz do Conselho da Fazenda de Andaluzia, Antonia Peinado. "Pedimos 4,906 bilhões de euros", acrescentou. As regiões autônomas espanholas, que controlam seus orçamentos de educação e saúde, são o principal foco de preocupação no país para estabilizar as finanças públicas, em um cenário de medo generalizado de que o próprio Estado espanhol tenha que pedir ajuda. Outras cinco regiões já anunciaram que precisam de fundos de ajuda financeira: Valência, Múrcia, Castela-Mancha, Ilhas Canárias e a região da Catalunha.

BNDES precisa de nova parcela de aporte do Tesouro


O BNDES precisará de mais uma parcela do aporte em empréstimos do Tesouro Nacional neste ano, afirmou nesta segunda-feira o presidente da instituição, Luciano Coutinho. O Tesouro Nacional autorizou o repasse de 45 bilhões de reais em abril. Desse valor, 10 bilhões de reais já foram repassados em junho. "Precisamos de algum complemento para fechar o ano, mas ainda estamos vendo a necessidade", afirmou após participar de cerimônia em memória dos 20 anos da morte do deputado Ulysses Guimarães. "Não há nenhuma urgência urgentíssima", completou. Coutinho não fixou prazo mais preciso para uma nova parcela ser liberada, nem informou quanto seria necessário ainda neste ano. Semana passada, jornalistas apuraram que as negociações entre o BNDES e o Tesouro poderiam terminar nesta semana e que o mais provável é a nova parcela ser de 20 bilhões de reais.

Israel ataca alvos em Gaza após lançamento de foguetes palestinos


Israel afirmou que atingiu alvos na Faixa de Gaza nesta segunda-feira depois que terroristas palestinos dispararam foguetes contra o sul de Israel. O governo israelense disse que seu ataque aéreo era direcionado para Mohammed Makawi, de 25 anos, que está ligado a um grupo terrorista envolvido em um recente ataque à fronteira do Sinai, em que um israelense foi morto. Fontes hospitalares em Gaza disseram que Makawi morreu devido aos ferimentos sofridos no ataque. O braço armado do Hamas, grupo terrorista islâmico que controla a Faixa de Gaza, disse que havia participado do ataque com foguetes desta segunda-feira junto com o grupo menor Jihad Islâmica. Gaza está sob o controle do Hamas desde 2007.

UnitedHealth compra Amil em acordo de R$10 bilhões


Após três anos de negociações, a norte-americana UnitedHealth selou sua entrada no Brasil ao fechar a compra da Amil Participações, atribuindo um valor de cerca de 11 bilhões de reais à maior empresa de medicina de grupo do País e mirando o potencial de crescimento do fragmentado mercado brasileiro de saúde suplementar. "Para nós, o potencial parece ser o mesmo que o mercado dos Estados Unidos tinha 20 anos atrás ou mais", afirmou nesta segunda-feira em teleconferência o presidente da UnitedHealth, Stephen J. Hemsley, mencionando a ascensão da classe média e políticas de estímulo ao setor de saúde no Brasil. A aposta da UnitedHealth tem como base o fato de atualmente os planos de saúde atenderem apenas 25% da população brasileira (48 milhões de beneficiários), comparado a cerca de 80% nos Estados Unidos. A maior companhia de planos de saúde dos Estados Unidos vai pagar 30,75 reais por ação da Amil, um prêmio de 21,5% sobre o preço de fechamento do papel na Bovespa na última sexta-feira e de 32% se considerada a média de valores nos últimos 30 dias. A UnitedHealth desembolsará 6,5 bilhões de reais por quase 60% da Amil nas mãos dos controladores e até 3,4 bilhões de reais por outros 30% da companhia que estão com acionistas minoritários na Bovespa. A Amil também tem como meta ampliar sua fatia de mercado, atualmente em 9%, "para o máximo possível".

Serra diz que PT quer usar eleição para abafar Mensalão


O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou na tarde desta segunda-feira que o PT quer usar as eleições municipais para "abafar" a repercussão do julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal. "O PT vai querer usar essa eleição para abafar a questão do Mensalão. Isso é muito claro", afirmou o tucano, que disputa o segundo turno das eleições municipais paulistanas com o petista Fernando "Kit Gay" Haddad. O candidato do PSDB disse ainda que o tema do mensalão deve fazer parte do segundo turno da campanha. "O mensalão está presente nos noticiários, no rádio, na televisão, no dia a dia e nos debates. Por que haveria de estar fora de uma campanha?", questionou. "De forma nenhuma", concluiu.

CPI investiga dono de cheque de R$ 1,9 milhão de Cachoeira


Documentos recebidos pela CPI do Cachoeira, decorrentes da quebra de sigilos bancários, revelam um novo personagem ligado à organização criminosa do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos. Trata-se do fiscal aposentado Eurípedes Nunes da Costa, da Receita Federal, responsável pela movimentação de valores milionários da quadrilha. Ele seria o portador de um cheque de quase R$ 2 milhões, que num dos diálogos interceptados pela Polícia Federal, Cachoeira tenta reaver. Em uma conversa flagrada em 24 de fevereiro de 2010, Cachoeira pede a Adriano Aprígio, seu ex-cunhado e um dos principais braços do esquema, que recupere o cheque que havia sido repassado a Eurípedes. “O cara pediu um prazo no cheque. Recolhe lá com ‘Seu’ Eurípedes”, ordena Cachoeira. “Vou falar com ele. Aí mudou o plano, né, Carlinho. Já pedi pra segurar, vou falar lá agora”, responde Adriano. A suspeita da CPI é de que se trata de um cheque do Banco do Brasil, no valor de R$ 1,957 milhão, assinado por Cachoeira, e pré-datado para 16 de fevereiro. O documento foi apreendido na casa de Adriano Aprígio, durante busca e apreensão efetuada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Monte Carlo.

Apesar de derrota, oposição a Chávez ganha terreno na Venezuela


Na noite de domingo havia decepção, frustração e choro no comando da campanha do candidato da oposição à presidência da Venezuela, Henrique Capriles Radonsky. Pela quarta vez em quase 14 anos os opositores do ditador Hugo Chávez fracassaram em sua tentativa de tirá-lo do poder pela via eleitoral. No entanto, mesmo na derrota, a oposição venezuelana deveria ter razões para sentir-se satisfeita do que foi seu melhor desempenho desde o início da era Chávez, em 1998, e orgulhar-se de ter conquistado seu melhor resultado, reduzindo à metade, em termos percentuais, a diferença de votos do presidente, em comparação com 2006. Além disso, os contrários à chamada Revolução Bolivarana parecem sair deste processo eleitoral com algo que não tinham até pouco tempo: um líder jovem, carismático e com um apelo popular que poderia servir de condutor para convertê-los em uma oposição de poder frente ao "chavismo". No discurso de reconhecimento da derrota, Capriles, vestindo uma jaqueta com as cores da bandeira venezuelana, pareceu fazer uma promessa de futuro a seus seguidores, que conseguiu levantar o ânimo tão abatido após a divulgação do primeiro boletim do Conselho Nacional Eleitoral. "Por aí segue o caminho", disse o candidato, jogando com as palavras de "Há um caminho", que foi o lema de sua campanha eleitoral e, para muitos analistas, equiparando-se com o famoso "por agora" que Chávez pronunciou em fevereiro de 1992, quando fracassou a tentativa de golpe de Estado. Ao assegurar a seus seguidores que não os deixaria "sós", Capriles arrancou entusiasmo daqueles que poucos minutos antes não encontravam consolo, de uma maneira que não se havia visto na última década entre os opositores venezuelanos.

Presidente do PT diz contar com PSB em aliança por Dilma em 2014


O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse nesta segunda-feira, ao comemorar o desempenho da legenda no primeiro turno da eleição municipal de domingo, que o partido espera contar com o PSB para a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Tradicionais aliados dos petistas, os socialistas registraram sólido crescimento em termos de número de prefeituras no primeiro turno da eleição municipal e elegeram, já nesta primeira rodada, candidatos em capitais importantes, como Recife e Belo Horizonte, onde romperam alianças que tinham com o PT. Falcão lembrou que somente PT e PSB cresceram em número de prefeituras na eleição de domingo e, apesar de ter afirmado no passado que os petistas teriam de se preparar para um vôo solo dos socialistas no futuro, procurou adotar tom conciliatório com o aliado histórico: "Nos últimos tempos, tanto o governador Eduardo Campos (Pernambuco) quanto o governador Cid Gomes (Ceará) têm dito que vão apoiar a presidenta Dilma em 2014".

Ex-cortador de cana é o primeiro prefeito eleito pelo PSOL


Ex-cortador de cana e presidente há 18 anos do Sindicato dos Servidores Públicos de Itaocara, Gelsimar Gonzaga é o primeiro prefeito eleito pelo PSOL no País. O sindicalista derrotou a hegemonia do PMDB no município de 23 mil habitantes no noroeste do Estado do Rio de Janeiro com uma campanha feita em um fusca amarelo 73 e marcada pela promessa de um governo "ético, honesto e transparente". Gonzaga, de 48 anos, recebeu 6.796 votos sem coligação com outro partido e foi eleito com 44,26% dos votos válidos, superando candidatos do PMDB (31,94%), do PR (11,53%), do PP (9,82%) e do PT (2,45%). Nem a direção nacional do PSOL acreditava em uma vitória na pequena cidade do interior. O primeiro tesoureiro do partido, Francisvaldo de Souza, reconheceu que o resultado foi "uma surpresa": "Agora vamos acompanhar de perto para que seja feita uma boa administração sob a ótica do trabalhador. Senão, pode acabar manchando a história do partido". O prefeito eleito disse que o apoio é bem-vindo: "Eu agradeço, quero que venha mesmo, para me ajudar a fazer o melhor. Nenhum centavo pode ser desviado". Gonzaga prometeu participação popular, por meio de conselhos.

Suplente de Marta Suplicy toma posse no Senado


Tomou posse nesta segunda-feira o suplente da senadora Marta Suplicy (PT-SP), Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP). A socialite Marta Suplicy se licenciou há menos de um mês para assumir o comando do Ministério da Cultura. Ela deixou o Senado em 13 de setembro para ocupar a vaga que até então era de Ana de Hollanda. Rodrigues participou da campanha em São Paulo e  foi reeleito vereador na capital paulista, com 67.161 votos. Rodrigues já realizou nesta segunda-feira um discurso no plenário do Senado, no qual destacou que respeitará todos os compromissos assumidos entre o PR e o PT. Agora a bancada do PR conta com sete representantes no Senado: Alfredo Nascimento (AM), Antonio Carlos Rodrigues (SP), Antonio Russo (MS), Cidinho Santos (MT), João Ribeiro (TO), Magno Malta (ES) e Vicentinho Alves (TO). A Câmara Municipal de São Paulo informa que até o final deste ano a vaga de Rodrigues será ocupada por José Carlos Oliveira (PSD). A partir de 1º de janeiro de 2013, quando começa a nova legislatura referente à eleição de 7 de outubro, o substituto será o Coronel Camilo (PSD).

Lula comemora "melhor resultado da história do PT"


Em nota divulgada em sua página do Facebook, o ex-presidente Lula comemorou o crescimento do PT nas eleições municipais e disse que o resultado das urnas "é o melhor resultado da história do PT". Com a eleição de 624 prefeitos no primeiro turno em todo o País, um aumento de 12% em comparação com o resultado de 2008, e a ida de 22 candidatos petistas para o segundo turno, Lula disse que o resultado "mostra a força da nossa militância, dos nossos projetos e da nossa vontade de continuar melhorando a vida do povo brasileiro". Lula também comentou a ida do petista Fernando "Kit Gay" Haddad para o segundo turno da eleição em São Paulo e admitiu a dificuldade do PT na capital paulista.

Gilberto Carvalho admite que Mensalão tirou votos do PT


Um dos amigos mais próximos do ex-presidente Lula, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, admitiu nesta segunda-feira que o julgamento do Mensalão pode ter tirado votos do PT em campanhas como a de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Para o ministro, o candidato tucano José Serra fez uso "massacrante" do tema na campanha. "É provável que tenhamos perdido ali (na disputa da cidade de São Paulo) votos, mas que não foram suficientes para tirar por outro lado aquilo que nós agregamos com a forte presença do Lula e da presidente Dilma", disse Gilberto Carvalho: "Em São Paulo, (o mensalão) teve esse peso, é difícil quantificar. Foi uma saraivada". O ministro considerou "pesadas" e "massacrantes" as inserções da campanha de Serra, que procuraram associar Haddad aos principais personagens do escândalo, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

BBC noticia que Massa deve permanecer na Ferrari em 2013


Apesar do mau desempenho na temporada 2012, Felipe Massa deve permanecer na Ferrari em 2013, informa o site da rede inglesa BBC. A boa corrida de Massa no GP do Japão, quando conquistou seu único pódio na temporada ao ficar na segunda colocação, teria sido decisiva para que a escuderia italiana decidisse por sua permanência. Ainda segundo a BBC, a Ferrari pode anunciar a renovação de contrato de Massa antes ainda do GP da Coréia do Sul, no próximo final de semana. No Japão, Massa largou na 10ª colocação e fez uma corrida de recuperação. A reportagem cita o resultado como importante para o posicionamento da Ferrari no Mundial de Construtores, no qual a equipe está em terceiro lugar.

Exportações de frango em setembro igualam volume de 2011


As exportações brasileiras de carne de frango permaneceram estáveis no mês de setembro em relação ao mesmo período de 2011. Dados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef) com base em números do Ministério do Desenvolvimento indicam que o volume cresceu apenas 0,4% chegando a 305,7 mil toneladas. Em relação à receita, o mês passado fechou com US$ 632,7 milhões, queda de 3,4% no comparativo com setembro de 2012. No acumulado do ano, o volume cresceu 0,9%, chegando a 2,92 milhões de toneladas. No entanto a receita caiu 6,9% no período calculado de janeiro a setembro. No acumulado do ano o valor é de US$ 5,61 bilhões. Segundo o presidente da Ubabef, Francisco Turra, a manutenção dos embarques tem sido fundamental para conter a crise de produção da avicultura brasileira, considerada pelo setor uma das piores da história da atividade no País. "Tivemos que reduzir em 10% a nossa produção nacional devido as altas nos custos de insumos para a ração animal. As empresas não tinham mais como bancar esta alta", ressalta.

Atividade industrial gaúcha cresce 0,2%


O índice de desempenho industrial (IDI-RS) no Rio Grande do Sul cresceu pífio 0,2% em agosto, na comparação com julho, de acordo com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). O resultado positivo foi puxado por duas variáveis associadas à produção, de acordo com a entidade. O crescimento de 1,4% da utilização da capacidade e o aumento de 1,2% nas horas trabalhadas. As compras registraram queda de -1,1%, a massa salarial, de -0,8%, o faturamento de -0,3% e do emprego, que deve redução de -0,1%. Na comparação com o agosto do ano passado, a atividade cresceu 1,7%.

Goleiro Bruno e outros quatro acusados vão à júri popular em novembro


O julgamento do goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, preso em 2010 sob a acusação de matar a ex-amante Eliza Samúdio, foi marcado para o dia 19 de novembro, no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O atleta e mais quatro acusados de envolvimento no desaparecimento de Eliza irão à júri popular nesta data, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Além de Bruno, serão julgados no mês que vem Luiz Henrique Romão, o Macarrão (amigo e secretário de Bruno); Marcos Aparecido dos Santos, o Bola (ex-PM); Dayanne Souza (ex-mulher do goleiro) e Fernanda Castro (ex-namorada do goleiro). Bruno e Macarrão são acusados de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver; Bola, de homicídio e ocultação de cadáver; Dayanne e Fernanda, de sequestro e cárcere privado. Outros dois réus, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza, desmembrados do processo principal, irão a júri em outra data, ainda não marcada. Bruno está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG).

FMI reduz projeção de PIB brasileiro para 1,5% em 2012


O FMI fez uma sensível redução da estimativa de crescimento do Brasil em 2012. A projeção passou de uma alta de 2,5%, feita em julho, para uma elevação de 1,5%, um pouco inferior à previsão do Banco Central, que há quase duas semanas passou para 1,6% sua estimativa. Tal desaceleração expressiva do País não foi sentida apenas na economia local, mas provocou impactos expressivos na América Latina, pois, conforme o FMI, foi responsável em grande medida pela perda de vigor da região, que registrou uma velocidade do PIB ao redor de 3% na primeira metade de 2012. A revisão do crescimento brasileiro foi a segunda maior feita pelo FMI entre países avançados e emergentes, ficando atrás apenas da Índia, cujos números diminuíram de um incremento de 6,2% para 4,9% em 2012. De acordo com o relatório Perspectiva da Economia Mundial, divulgado nesta segunda-feira, o FMI também reviu para baixo a projeção do PIB do Brasil de 2013, de uma alta de 4,6% para uma elevação de 4,0%. Para a instituição, não foi somente o contágio da crise internacional, sobretudo a recessão na zona do euro, que fez com que o País desacelerasse tanto em tão pouco tempo. "A retomada do crescimento foi abaixo do esperado no Brasil, uma importante causa do desempenho regional mais fraco, devido a condições externas precárias e à transmissão mais lenta da distensão da política monetária desde agosto de 2011 como resultado do aumento da inadimplência, depois de muitos anos de rápida expansão do crédito", apontou o FMI.

Câmara Municipal de Porto Alegre terá renovação de 47% dos vereadores


Em Porto Alegre, a renovação da Câmara Municipal nas eleições deste domingo alcançou 47%. Dos 36 vereadores que compõem Legislativo local, 19 foram reeleitos para um novo mandato e 17 vão ocupar a cadeira pela primeira vez. O vereador mais votado foi o veterano Pedro Ruas (PSOL), que teve 14.610 votos. Ele vai assumir o quinto mandato na Câmara de Vereadores. Uma das novidades no Legislativo será o bicampeão mundial de judô João Derly (PCdoB), que foi o segundo colocado, com 14.038 votos. Dos 1.076.263 eleitores de Porto Alegre, 81,45% compareceram às urnas neste domingo. Além disso, 9,2% votaram em branco e 4,8% anularam seu voto.

PMDB terá maior número de prefeitos entre as cidades mais pobres e mais ricas do País


O PMDB é o partido que elegeu maior número de prefeitos tanto em municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) quanto nos de melhor avalição da qualidade de vida dos moradores. Do total de 908 municípios com IDH até 0,601, índice considerado baixo, o partido terá o comando de 150, o equivalente a 16,5%. Nos 562 municípios com os índices mais altos (acima de 0,601), o PMDB estará em 127 prefeituras, 22,6%. O IDH varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhores são condições de vida nos municípios. Até 0,5, o IDH é considerado baixo; entre 0,5 e 0,6, médio-baixo. Acima de 0,6, o IDH pode ser médio (de 0,6 a 0,7), médio-alto (entre 0,7 e 0,8) ou alto (acima de 0,8). O IDH é um índice usado para avaliar a qualidade de vida de um local. O índice pode se referir a países, estados, regiões ou municípios. O cálculo é feito por uma fórmula composta pela expectativa de vida, pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita e pelo índice de escolaridade da população. O objetivo é levantar as condições de saúde, renda e educação. Nos municípios com índices mais baixos, o PMBD lidera em 150, seguido pelo PSB com 112 das 908 prefeituras (12,39%). O PSD administrará 104 (11,45%); PT, 82 (9%) e PSDB 70 (7,7%). As prefeituras dos municípios com IDH mais alto (excluídas as que terão segundo turno) serão ocupadas na maioria pelo PMDB (127), seguido pelo PT, com 81 (14,4%) das 562 prefeituras; pelo PP, 80 (14,2%); pelo PSDB 75 (13,3%) e pelo PSD 38, o que representa 6,7% do total.

Médicos suspendem atendimento a planos de saúde por até 15 dias


Médicos em todo o País vão suspender o atendimento a pacientes de planos de saúde por um período de até 15 dias. O protesto, na maioria dos Estados, está previsto para começar nesta quarta-feira. Esta é a quarta paralisação anunciada pela categoria em dois anos. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, serão suspensas apenas consultas e cirurgias eletivas. Sete unidades federativas anunciaram a suspensão do atendimento a todas as empresas de saúde suplementar do País. Em oito Estados, o protesto vai atingir apenas operadoras de planos locais. Há ainda sete Estados que irão realizar assembléias para definir os planos a serem atingidos. Além do reajuste de honorários de consultas e outros procedimentos, a pauta de reivindicações inclui a inserção, em contrato, dos critérios de reajuste, com índices definidos e periodicidade e o fim da intervenção dos planos na relação médico-paciente.

PMDB, PT e PSDB mantêm domínio político em municípios de pequeno e médio porte


Nas pequenas cidades, em que o número de eleitores varia entre 10 mil e 50 mil, o domínio político do PMDB, PT e PSDB é evidente: todos com mais de 10% das prefeituras sob controle. O PMDB foi o mais votado e elegeu 320 (15,1%) prefeitos de pequenos municípios, seguido pelo PT, com 274 (12,9%), e o PSDB, com 238 (11,2%). O quarto e o quinto partidos que mais elegeram prefeitos neste tipo de cidade foram o PSD e o PSB. O PSD administrará 200 (9,4%) pequenos municípios e o PSB, 190 (9%). Segundo os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, quando os dados refletem a realidade eleitoral dos médios municípios, de 50 mil a 199 mil votantes, a novidade é a inclusão do PDT entre os cinco mais votados. Nestes municípios, o PMDB, o PT e o PSDB foram também os mais votados e fizeram maior número de prefeituras, cada um com percentuais acima de 10%. O PMDB mantém a liderança, com 64 prefeitos já eleitos, o que representa o controle de 18,2% das cidades de médio porte. O PT saiu das urnas com 57 (16,2%) prefeituras neste tipo de município e o PSDB, com 54 (15,3%). A quarta posição é do PDT, com 25 eleitos (7,1%). O PSD venceu em 23 municípios e o PSB, também em 23 (6,5%).

Michel Temer diz que primeiro turno fortaleceu parceria entre PT e PMDB


O vice-presidente Michel Temer avaliou nesta segunda-feira que a parceria entre PT e PMDB saiu fortalecida do primeiro turno das eleições municipais. Segundo ele, a intenção é garantir coligação entre os dois partidos no segundo turno nos locais onde houver essa possibilidade. Temer se reuniu com a presidenta Dilma Rousseff para fazer um balanço dos resultados das urnas. “Fizemos uma análise geral das eleições e concluímos o que é óbvio, que os dois maiores partidos são PMDB e PT. Isso vai ser muito bom para 2014. E vamos tentar, onde há segundo turno, onde houver a possibilidade de coligação PMDB e PT, vamos tentar fazer isso", contou. Questionado se é natural o apoio do PMDB ao candidato petista Fernando Haddad, no segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo, Temer respondeu que irá se reunir nesta terça-feira com os diretórios estadual e municipal de São Paulo para ouvir o partido sobre o assunto.

Em nova gestão, Fortunati planeja obras e avanços na saúde e na segurança em Porto Alegre


Depois de conquistar o maior percentual de votação entre os prefeitos eleitos das capitais do País no primeiro turno das eleições municipais (65,2%), o prefeito reeleito de Porto Alegre, José Fortunati, não descansou. No primeiro dia depois do pleito, ele reuniu os principais secretários para discutir mudanças na administração da prefeitura. Fortunati quer reorganizar as secretarias e criar novos órgãos para agilizar o andamento de projetos e a regularização fundiária na cidade. Outras mudanças serão a criação de um instituto de planejamento e a transformação da Secretaria de Inovação em agência de desenvolvimento. “A votação expressiva que tivemos aumenta a nossa responsabilidade, mas eu tenho a consciência de que temos que avançar cada vez mais, em todas as áreas”, disse Fortunati. Um dos principais desafios de Fortunati será preparar Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014. Entre todas as obras previstas para a cidade, ele destaca a duplicação dos 5 quilômetros da Avenida Tronco, na zona sul, que terá corredor de ônibus e ciclovia. Mas, para isso, será preciso remover 1,4 mil famílias do local, que poderão optar pela compra de uma casa em outro lugar ou pela realocação em novas casas que serão construídas a 2 quilômetros de distância: “Essa é a principal obra da Copa, porque tem uma característica social muito grande.” Os recursos para as obras da Copa estão sendo financiados pela Caixa Econômica Federal. O metrô da capital, que terá 14,8 quilômetros e 13 estações, não ficará pronto para o evento: a construção começa em 2013 e a obra será concluída somente em 2017. Na área da saúde, o prefeito quer construir três unidades de Pronto-Atendimento, além das cinco já existentes. A prefeitura também quer informatizar a rede de atendimento, com a marcação de consultas e prontuários dos pacientes, que deve começar a funcionar no final do próximo ano. “Também temos uma meta de ultrapassar os mil leitos de hospitais até 2014”, prevê o prefeito. A partir de novembro, as 200 câmeras de monitoramento espalhadas pelas ruas da cidade serão comandadas por um centro integrado, que vai reunir 18 secretarias. A meta da prefeitura é instalar mais 100 câmeras na cidade, o que vai incluir o monitoramento eletrônico dos principais parques e de todas as escolas públicas do município.

Haddad diz estar preparado para discutir processo do mensalão no segundo turno


O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando "Kit Gay" Haddad, disse nesta segunda-feira que está preparado para debater qualquer tema no segundo turno das eleições municipais. “Estamos preparados para qualquer discussão que seja proposta ou a questão ética”, disse o candidato, por meio de nota à imprensa. Entre os temas que podem ser discutidos no segundo turno das eleições municipais, destacou Haddad, está o processo do Mensalão do PT. Hoje, o candidato voltou a falar sobre as alianças eleitorais para o segundo turno e acenou que o partido vai buscar apoio dos candidatos derrotados Gabriel Chalita (PMDB) e Celso Russomano (PRB). “Acreditamos que todos aqueles que desejam a mudança em São Paulo poderão estar conosco. Neste segundo turno temos um cenário muito claro, é o candidato José Serra, da continuidade de uma gestão reprovada, e nossa candidatura, com propostas de mudança para a cidade”, disse ele.

Brasil libera importações de frutas argentinas para garantir exportações de carne suína para o país vizinho


Como parte do acordo para restabelecer as exportações de diversos cortes de carne suína brasileira para a Argentina, o Ministério da Agricultura publicou nesta segunda-feira a Instrução Normativa nº 22, dispensando a necessidade de autorização prévia do ministério para a importação de maçã, pera e marmelo argentinos. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, que continua internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, anunciou na semana passada que tinha acertado com o colega argentino, Luis Maria Kreckler, a retomada das exportações da carne suína brasileira para o país vizinho e que o processo de liberação para importações de frutas fosse agilizado. A Argentina suspendeu a concessão de licenças de importações de cortes de carne suína brasileira no mês passado. Há cerca de três meses, as vendas brasileiras tinham sido regularizadas após várias negociações entre representantes dos governos dos dois países para resolver a restrição aplicada pelo governo argentino ao produto.

Gilberto Carvalho diz que Dilma e PT estão satisfeitos com resultados do primeiro turno


O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta segunda-feira que a presidenta Dilma Rousseff está satisfeita com o desempenho do PT nas eleições municipais e que a avaliação do partido sobre o resultado é positiva, apesar de derrotas em cidades importantes e dos impactos do julgamento do processo do Mensalão do PT. “O balanço geral é muito positivo, levando em conta que estamos sob uma saraivada, uma pressão muito forte”, disse o ministro. Para Gilberto Carvalho, o PT teve conquistas muito simbólicas, como a chegada ao segundo turno em Campinas, com o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmamn, e, principalmente, na capital paulista, onde o ex-ministro Fernando Haddad segue na disputa pela prefeitura com o tucano José Serra: “Em São Paulo a gente dizia que não ia ser fácil e que na reta final a militância poderia fazer a diferença, e fez". O ministro destacou a participação do ex-presidente Lula na campanha de Haddad e disse que a chegada ao segundo turno mostra a importância do ex-presidente como articulador político.

AGU economiza R$ 23 milhões fazendo conciliações com servidores públicos


Conciliações em processos envolvendo a Advocacia-Geral da União e servidores públicos trouxeram economia de R$ 23,66 milhões aos cofres públicos. Essas conciliações foram feitas no Projeto Mutirão de Conciliações, realizado no mês de junho. Na ocasião foram efetuadas 1.392 conciliações em processos judiciais relativos ao pagamento de verbas salariais. Dentro do montante economizado estão previstos os custos que a Justiça Federal e o Poder Executivo têm com a manutenção dos processos ativos,  no valor de R$ 12.763.002,36. Também somam-se à esse total, os valores estimados com a condenação em honorários advocatícios decorrentes de recursos para as Turmas Recursais dos Juizados Especiais Federais, no valor de R$ 2.884.331,69. De acordo com o relatório divulgado pela Procuradoria-Geral da União, a economia obtida é bastante expressiva se comparada com o total de recursos a serem depositados pela União para quitação das verbas salariais devidas, estimadas em R$ 28.843.376,98.

Ibope errou até boca de urna. É o maior fiasco das pesquisas eleitorais na história deste país.


Vejam, abaixo, o que o Ibope deu como resultados e o que saiu das urnas, nas principais capitais brasileiras...


Curitiba 
Resultado da votação (100% dos votos apurados):Ratinho Júnior (PSC) – 34,08%
Gustavo Fruet (PDT) – 27,23% – acima da margem de erro (mais de 3 pontos)
Luciano Ducci (PSB) – 26,76% – abaixo da margem de erro (quase 3 pontos a menos)
Boca de urna Ibope:Ratinho Júnior (PSC) – 34%
Luciano Ducci (PSB) – 29%
Gustavo Fruet (PDT) – 24%

FortalezaResultado da votação (100% dos votos apurados):Elmano (PT) – 25,44% – abaixo da margem de erro (quase 3 pontos)
Roberto Cláudio (PSB) –23,32%
Boca de urna Ibope:Elmano (PT) – 28%
Roberto Cláudio (PSB) – 24%

GoiâniaResultado da votação (99,85% dos votos apurados)::Paulo Garcia (PT) – 57,68%
Jovair Arantes (PTB) – 14,26% – abaixo da margem de erro (quase 4 pontos)
Boca de urna Ibope:Paulo Garcia (PT) – 56%
Jovair Arantes (PTB) – 18%
Elias Júnior (PMN) – 11%

Manaus
Resultado da votação (100% dos votos apurados):
Arthur Virgílio (PSDB) – 40,56% – acima da margem de erro (quase 3 pontos)
Vanessa Grazziotin (PCdoB) – 19,94% – abaixo da margem de erro(menos 8 pontos)
Boca de urna Ibope:Arthur Virgílio (PSDB) – 38%
Vanessa Grazziotin (PCdoB) – 27%

Porto Alegre
Resultado da votação (100% dos votos apurados)::
José Fortunati (PDT) – 65,22% – acima da margem de erro (mais de 3 pontos)
Manuela D’Ávila (PCdoB) – 17,76% – abaixo da margem de erro(menos 5 pontos)
Boca de urna Ibope:José Fortunati (PDT) – 62%
Manuela D’Ávila (PCdoB) – 23%

Recife
Resultado da votação (100% dos votos apurados)::
Geraldo Júlio (PSB) – 51,15%
Daniel Coelho (PSB) – 27,65% – acima da margem de erro (quase 3 pontos)
Humberto Costa (PT) – 17,43% – abaixo da margem de erro (quase 3 pontos)
Boca de urna Ibope:Geraldo Júlio (PSB) – 51%
Daniel Coelho (PSDB) – 25%
Humberto Costa (PT) – 20%

Rio de Janeiro 
Resultado da votação (100% dos votos apurados):Eduardo Paes (PSDB) – 64,6% – abaixo da margem de erro (quase 5 pontos)
Marcelo Freixo (Psol) – 28,16%
Boca de urna Ibope:Eduardo Paes (PSDB) – 69%
Marcelo Freixo (Psol) – 26%

Salvador 
Resultado da votação (98,56% dos votos apurados):ACM Neto (DEM) – 40,26% – acima da margem de erro ( 4 pontos)
Nelson Pelegrino (PT) – 39,64% – abaixo da margem de erro (4 pontos)
Boca de urna Ibope:Nelson Pelegrino (PT) – 43%
ACM Neto (DEM) – 36%

Personagens da Rede de Escândalo fracassam na eleição


Do jornalista Reinaldo Azevedo - Os personagens da Rede de Escândalos que concorreram às eleições 2012 não têm o que comemorar. Com exceção do petista Carlos Alberto Grana, que disputa o segundo turno da eleição em Santo André, na Grande São Paulo, nenhum dos demais nomes listados na ferramenta do site de VEJA avançou no pleito realizado neste domingo em todo o Brasil. Carlos Alberto Grana, deputado estadual, integrou o grupo que, durante a campanha eleitoral de 2002, montou um QG nos Jardins, em São Paulo, com a missão de desencavar denúncias e montar dossiês contra adversários do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva. Integrado por antigos amigos de Lula e sindicalistas da CUT, o chamado bunker petista foi revelado por VEJA em 2003. Então secretário-geral da CUT, Grana encarregou-se da logística do escritório e era o responsável por providenciar carros, celulares, passagens e dinheiro. Disputa o segundo turno da eleição na cidade do ABC Paulista com Dr. Aidan Ravin, do PTB. Na primeira etapa, Grana obteve 155.606 votos – e encerrou a contagem em primeiro lugar. Já em São Paulo, Paulinho da Força, do PDT, amargou um sétimo lugar na corrida pela prefeitura, com 38.750 votos – 0,63% do total. Na Rede de Escândalos, Paulinho é personagem central do caso que envolve a Operação Santa Teresa, da Polícia Federal. Investigação de 2008 da PF revelou que Paulinho participou do esquema de desvio de recursos do BNDES que abasteceu os cofres clandestinos da Força Sindical e do PDT. O caso custou-lhe a presidência do partido – e o tornou alvo de inquérito no Supremo. No mesmo ano, apesar do parecer do relator recomendando a cassação do mandato, dez dos catorze parlamentares que integram a Corregedoria da Câmara não encontraram nada que desabonasse a conduta de Paulinho. O senador Humberto Costa, do PT, ocupou apenas o terceiro lugar na contagem de votos da eleição municipal em Recife, vencida no primeiro turno por Geraldo Julio, do PSB. Implicado do escândalo dos sanguessugas, o ex-ministro da Saúde obteve apenas 154.460 votos. Vale esclarecer que a CPI que investigou o esquema à época não citou Costa em seu relatório final – e o Ministério Público também não ofereceu denúncia contra ele. Outro político listado no caso, Cabo Júlio, disputou a reeleição à Câmara Municipal de Belo Horizonte – e não se elegeu. Júlio é acusado de receber 190 000 reais do esquema dos sanguessugas e responde a processo criminal na Justiça Federal do Mato Grosso. Outros que tentaram, sem sucesso, uma vaga no legislativo municipal são Orlando Silva, do PCdoB – defenestrado do comando do Ministério do Esporte na esteira do escândalo de corrupção revelado por VEJA em 2011 -; Vicente Viscome, que passou seis anos na prisão por envolvimento com a Máfia dos Fiscais; Chicão Brígido, acusado de vender seu voto em favor da emenda constitucional que autorizava a reeleição, em 1997; Hamilton Lacerda, envolvido no escândalo dos aloprados, e Marcelo Sereno, personagem do primeiro grande escândalo de corrupção do governo Lula: o caso Waldomiro Diniz. Agarrados às desculpas mais esfarrapadas, muitos personagens de escândalos de corrupção contam com a falta de memória do eleitor para se manterem ativos na política nacional. Daí a importância de revisitar, um a um, os casos que indignaram o país. O compromisso da Rede de Escândalos não é apenas o de revisitar o passado, ressaltando as lições que o país aprendeu (ou desperdiçou) em cada episódio. É também o de manter o leitor informado sobre o desenrolar de investigações e julgamentos – e sobre o destino daqueles que em algum momento, ou repetidamente, atentaram contra o bem público.

Noticiário parcial II – O caso Folha-UOL e o “pior desempenho”…


Do jornalista Reinaldo Azevedo - Se vocês recorreram aos arquivos dos dois grandes jornais paulistanos, Folha e Estadão, encontrarão pencas de “análises” sugerindo que o tucano José Serra não chegaria ao segundo turno das eleições. Afinal, era o que indicavam as ditas “pesquisas”, com seus analistas sempre muito percucientes e profundos, que agora deram para culpar os eleitores. Estes seriam inconstantes demais… Bem, se é assim, pesquisa pra quê? Todo resultado já nasceria velho, não é mesmo? Alguma coisa está fora da ordem com as pesquisas eleitorais, mas os “especialistas” preferem mesmo culpar os votantes. É mais ou menos como o médico que se irrita com o paciente porque não consegue diagnosticar o seu mal… Muito bem! Serra chegou em primeiro lugar, o que surpreendeu os gênios da análise. Não a mim. Em todas as eleições que disputou, teve mais votos do que lhe atribuíram os levantamentos. Mas sigamos.  Não se pense que ganhou uma folguinha do “jornalismo isento” por isso! De jeito nenhum! O UOL e a Folha não hesitaram: resolveram tisnar o que não deixou de ser uma conquista — afinal, dizia-se que estaria fora da disputa final — com um fato negativo: teve a mais baixa votação percentual das últimas quatro eleições. É mesmo? E o PT? Em 2004, Marta Suplicy obteve 35,82% dos votos válidos no primeiro turno; em 2006, para o governo de São Paulo, Mercadante ficou com 31,68%; em 2008, Marta Suplicy (de novo!) ficou com 32,79% para a prefeitura. Em 2010, na cidade, Dilma Rousseff arrebanhou 38,14%. Agora, em 2012, Fernando Haddad obteve 28,98%. Ou seja: o mais baixo percentual na cidade em cinco eleições. Mas, é certo, isso não será notícia.
O caso de 2006
A Folha é o veículo que mais explorou como coisa negativa o fato de Serra ter renunciado em 2006 à prefeitura para concorrer ao governo de São Paulo. Aliás, o tal papel assinado é coisa de um dos seus: Gilberto Dimenstein, que decidiu criminalizar o que é procedimento normal da política. Pois bem: Folha e UOL deram destaque agora a essa história de “o mais baixo desempenho”. Mas nunca fizeram o contrário quando os fatos apontavam… o contrário! A melhor marca de Serra na cidade foi obtida justamente em 2006: elegeu-se governador, no primeiro turno, com 53,1% dos votos válidos na cidade de que havia sido prefeito. Vale dizer: a melhor marca de Serra se deu justamente no ano em que ele tomou a decisão que é demonizada pelo jornal e por alguns de seus colunistas. Sim, eu digo em quem vou votar. Quero que o leitor saiba! Mas não distorço os fatos nem recorro a cortes de dados malandros. Fazê-lo para disfarçar a adesão a uma candidatura é trapaça. Finalmente, poder-se-ia defender aquela abordagem afirmando que decidiram comparar Serra com Serra, à diferença do que faço, comparando PT com PT. Pois é… O meu critério é melhor porque o que é permanente é o fato de os PARTIDOS disputarem eleições. De outro modo, um candidato teria de ser sempre novato para não ser comparado consigo mesmo. A justificativa, se dada, seria tosca. É evidente que o objetivo foi carimbar no candidato que não é da estima a pecha de “decadente”. A Folha, sempre tão atenta ao combate ao preconceito, há muito decidiu tratar Serra como ultrapassado, velho etc. Dia desses, uma senhora do jornal decidiu ironizá-lo porque não teria sabido se comportar adequadamente quando uma eleitora resolveu lhe beijar a boca meio de supetão. A sugestão que ficou é a de que, fosse ele mais jovem, teria se comportado como um daqueles seres líricos das músicas de Wando… Reitero: defendo que jornalistas e veículos possam fazer declaração de voto. O que não é aceitável é que o jornalismo faça coisas que não diz e diga coisas que não faz.

Marco Alba mostra que o "Mito do Vale" tinha pés de barro e se firma como líder estadual do PMDB


A disputa eleitoral em Gravataí, no Rio Grande do Sul,  foi a mais emblemática da eleição deste 7 de outubro no Estado e terá conseqüências políticas. Ali foi onde o PT mais xiita e o PMDB mais combativo enfrentaram-se ferozmente nas urnas. O deputado Marco Alba, PMDB, não apenas acabou com o mito da invencibilidade do líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Daniel Bordignon, que dizia eleger até poste na cidade, como não transigiu com a implacável, irriquieta, irascível e truculenta campanha do adversário. O Mito do Vale (Vale do Gravataí), como se autointula o deputado do PT em Gravataí, tinha pés de barro, agora se tornou em "Mitomania do Vale". O PT dominava a política local desde a inauguração da GM, em 1998. Este ano, sua prefeita, Rita Sanco, foi destronada via desonroso processo de impeachment, um aviso do que viria a seguir nas eleições. Como o deputado petista Daniel Bordignon, ficha suja, foi derrotado nas urnas, mesmo que vença recurso que ajuizou no Tribunal Superior Eleitoral para derrubar sua cassação, ele nada lucrará. E tem mais: ele também não poderá concorrer em 2014. Vai ficar fora da política.

PT amarga vexame histórico em Recife


O vexame do PT em Recife se confirmou. E por pouco não se tem por lá uma surpresa e tanto. Geraldo Júlio, do PSB, candidato ungido pelo governador, elegeu-se no primeiro turno, com 51,15% dos votos válidos. Daniel Coelho, do PSDB, ficou com 27,65% dos votos.  O petista Humberto Costa amargou o terceiro lugar, com 17,43%. Essa é, sem dúvida, a maior derrota de Lula na disputa. O resultado é bem diferente da última pesquisa Datafolha, que atribuía 46% a Júlio, 26% a Coelho e 21% a Costa. Não custa lembrar que o atual prefeito, João da Costa, que é petista, venceu a convenção para disputar a reeleição, mas foi descartado pelo comando partidário, que impôs, com as bênçãos de Lula, a candidatura de Costa. O resultado é o que se vê.

Em São Paulo, Ibope e Datafolha erram feio


Em São Paulo, o tucano José Serra chegou em primeiro lugar, com 30,75% dos votos válidos. Em segundo lugar, ficou o petista Fernando Haddad, com 28,99%. Celso Russomanno, que, segundo as pesquisas de opinião, liderava a corrida havia várias semanas, obteve apenas 21,69%. Em quarto, ficou Gabriel Chalita, com 13,59%. O Ibope poderia comemorar: “Acertamos a boca de urna!” Pois é… Mas que vexame a pesquisa publicada um dia antes da eleição, não é mesmo? O Instituto viu um triplo empate. Todos estariam com 22% – ou 26% dos votos validos. Vale dizer: atribuiu a Serra quase cinco pontos a menos do que ele, de fato, obteve; 4,31 pontos a mais para Russomanno e 2,99 a menos para Haddad. “Ah, a culpa é do eleitor!”, dirão muitos. Sim, claro que sim! Mas os institutos não existem justamente para tentar fazer uma amostragem que aproxime o seu levantamento da verdade? Afinal, já operam com margem de erro – quase sempre de 2 ou 3 pontos para mais ou para menos, o que significa uma folga de quatro a seis pontos. Fora desse intervalo, é preciso chamar as coisas pelo nome que têm: erro. O Datafolha também errou. E feio. Viu Serra com 28%  – 2,71 pontos a menos do que ele obteve (está fora da margem de erro); apontou Russomanno com 27%,  mas ele ficou com modestos 21,5% (5,5 pontos a menos) e previu 24% para Haddad, que ficou, no entanto, com 28,99. Em São Paulo, os dois institutos protagonizaram, não tem jeito, um vexame considerável.

Uma síntese do que conquistou cada partido nas capitais

Eleição decidida no 1º turno
PSB (2) – Belo Horizonte e Recife
PSDB (1) – Maceió PT (1) – Goiânia PMDB (2) – Rio e Boa Vista
PDT (1) – Porto Alegre
DEM (1) – Aracaju
PP (1) – Palmas
Eleição a ser decidida no 2º Turno
PSDB (8) - São Paulo, Vitória, São Luís, Teresina, João Pessoa, Manaus, Belém e Rio Branco
PT (6) – São Paulo, Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Rio Branco e Cuiabá
PMDB (3) – Natal, Florianópolis e Campo Grande
PDT (3) – Natal, Macapá e Curitiba
PSB (3) – Fortaleza, Cuiabá e Porto Velho
DEM (1) – Salvador
PSOL (2) – Belém e Macapá
PP (1) – Campo Grande
PPS (1) – Vitória PSC (1) – Curitiba
PSD (1) – Florianópolis
PTC (1) – São Luís
PV (1) – Porto Velho
PCdoB (1) – Manaus
PTB (1) – Teresina

O erro escandaloso do Ibope em Manaus. Ou: um “empate” com quase 21 pontos de diferença

O vexame dos institutos de pesquisa nesta eleição não foi pequeno — e São Paulo nem é o caso mais escandaloso. Um deles certamente vai entrar para a história. No dia 20 de setembro, o Ibope anunciou o empate entre Arthur Virgílio, candidato do PSDB à prefeitura de Manaus, e Vanessa Grazziotin, do PCdoB. Ambos estariam com 29% das intenções de voto. A partir de então, ainda que institutos locais apontassem Arthur Virgílio na frente, com vantagem folgada, deu-se de barato que o empate era um fato. E até se apontavam as razões para tanto: Lula foi a Manaus e participou de um comício em favor de Vanessa. Atacou Arthur Virgílio com gosto. Lula é uma pessoa rancorosa, que odeia seus supostos inimigos, e não perdoa Arthur Virgilio por ter desenvolvido seu papel de líder da oposição no Senado Federal, durante seus dois mandatos. A comunista disputava a prefeitura com o apoio ainda de Dilma, do governador Omar Aziz (PSD) e do líder do governo no Senado e ex-governador, Eduardo Braga (PMDB). Pois bem: computadas as urnas, o tucano Arthur Virgílio obteve 40,55% dos votos válidos; aquela que estaria empatada com ele ficou com 19,95%. Um empate com quase 21 pontos de diferença! Haverá segundo turno porque Manaus teve oito candidatura. A soma dos sete que perderam para Arthur Virgilio ultrapassa o número total de seus votos. O resultado foi o seguinte: 1º) ARTUR NETO, 40,55% dos votos, PSDB - 385.855 votos; 2º) VANESSA GRAZZIOTIN - 19,95% dos votos, PCdoB - 189.861 votos; 3º) HENRIQUE OLIVEIRA, 16,46% dos votos, PR - 156.648 votos; 4º) SERAFIM, 11,64% dos votos, PSB - 110.794 votos; 5º) SABINO CASTELO BRANCO, 7,30% dos votos, PTB - 69.499 votos; 6º) PAUDERNEY, 2,81% dos votos, DEM - 26.731 votos; 7º) JERONIMO MARANHAO, 0,64% dos votos, PMN - 20.652 votos; 8º) LUIZ NAVARRO, 0,42% dos votos, PCB - 2.039 votos; 9º) HERBERT AMAZONAS, 0,22% dos votos, PSTU - 2.076 votos.

José Dirceu volta a falar em mobilizar as massas contra a sua prisão

Sob risco de condenação pelo Supremo Tribunal Federal, já nesta terça-feira, o ex-ministro José Dirceu avisou a colaboradores que se manifestará, na quarta-feira, à cúpula do PT sobre o julgamento do Mensalão do PT. Sua intenção é fomentar um movimento político contra sua prisão para cumprir pena. O discurso acontecerá um dia depois da sessão do Supremo que selará o futuro de José Dirceu. Será sua primeira declaração após o julgamento. Até agora, quatro dos dez ministros que participam do julgamento votaram sobre seu caso: três pela condenação e um pela absolvição. Em recente reunião com aliados e assessores, José Dirceu disse que não cairá calado. Antes dedicado a discussões macroeconômicas, o blog do ex-ministro será um instrumento de ação política. A cargo de sua assessoria política, a mobilização de José Dirceu preocupa o comitê eleitoral de Fernando Haddad. O comando da campanha teme que essa articulação afete Haddad na corrida pela prefeitura de São Paulo, já que o escândalo do Mensalão do PT foi explorado pelo adversário tucano, José Serra, no primeiro turno. Apesar de disposto a falar ao Diretório Nacional do partido, convocado para discutir a sucessão municipal, o ex-ministro evitou contato com o eleitor no domingo na hora do voto. Para driblar o assédio, José Dirceu, que até 2010 votava em um colégio no bairro de Moema, reduto de classe média, pediu transferência de seu domicílio eleitoral para o distrito de Cursino, região periférica da cidade. O mensaleiro já está se escondendo.

Serra ironiza marketing de Haddad e diz que novo, no Brasil, é mandar corrupto para a cadeia

No primeiro dia de campanha do segundo turno da eleição municipal de São Paulo, o candidato do PSDB, José Serra, manteve seu foco sobre o julgamento do Mensalão do PT e tentou derrubar o slogan de seu adversário na disputa, Fernando Haddad (PT). Em referência indireta ao mote do “novo” adotado pela campanha petista, Serra disse que a “grande novidade” do País é a punição aos políticos acusados de corrupção. “Fala-se muito de novidade no Brasil. A grande inovação hoje em dia é a corrupção levando gente à cadeia, é a impunidade que começa a acabar. Não tem novidade maior pra quem está atrás de novidade na vida pública brasileira”, disse o tucano: “É evidente que na questão nacional há um mal que não pode ser ignorado, que é a questão da ética, da verdade, da corrupção… É tratar governo como se fosse propriedade privada". Na disputa entre PSDB e PT no segundo turno, Serra vai adotar um discurso baseado na ética, com o objetivo de ligar os petistas a casos de corrupção. “Quem fala do mensalão é a imprensa, é a opinião pública, são as pessoas que eu encontro na rua. A campanha não é realizada fora do planeta Terra e fora do nosso País, então é um assunto que naturalmente aparece”, afirmou.

O segundo turno em São Paulo - basta que o político mande para que o eleitor obedeça?

Do jornalista Reinaldo Azevedo - Só São Paulo importa para a Lula. E agora? Tanto o PRB, de Celso Russomanno (21,6%), como o PMDB, de Gabriel Chalita (13,6%), são partidos alinhados com o governo federal. Mas quem não é? Só mesmo o PSDB, o PPS e o DEM — e, ainda assim, Brasil afora, essas três legendas se uniram com partidos da chamada “base aliada”. O DEM, por exemplo, está na coligação vitoriosa de Luiz Marinho (PT), em São Bernardo. Na pura aritmética, PRB e PMDB selariam um acordo com o petista Fernando Haddad, e a fatura estaria liquidada. As coisas, no entanto, não são assim tão simples. Chalita, certo como a luz do dia, vai fechar com Haddad (28,98%) e se oferecerá para exercitar seu esporte predileto, depois de escrever livros como quem respira: atacar o tucano José Serra (30,75%). Tenta negociar algum cargo federal ou ter algum reconhecimento público do Planalto. Já o eventual apoio pessoal de Russomanno parece um pouco mais delicado: foi o PT que deu início à desconstrução de seu nome, especialmente para os eleitores da periferia. Setores da imprensa paulistana, alinhados escancaradamente com Haddad, atuaram com o petismo numa espécie de frente. O candidato do PRB acusou o petista, entre outras coisas, de mentir. Este, por sua vez, afirmou que as propostas daquele puniam os mais pobres. Terão ambos cara para pedir ao eleitor que compreenda agora uma eventual aliança? Vamos ver. Quem é esse eleitor que resistiu e ficou com Russomanno, apesar da saraivada de balas? Estamos falando de 1.324.021 pessoas. É um mar de gente. Isso faz dele, só para que vocês tenham uma ideia, uma das pessoas mais votadas do Brasil. Só perde, claro!, para Serra e Haddad e para o campeão em número absoluto de votos: Eduardo Paes (PMDB), do Rio, que obteve 2.097.733. Esse eleitor de Russomanno, cuja campanha tinha um inequívoco sotaque conservador — embora um conservadorismo meio tosco —, migraria facilmente para a candidatura Haddad só porque, afinal, os partidos pertencem à mesma base aliada do governo Dilma? Pode até acontecer, mas não por isso. O que estou dizendo, em suma, é que é bobagem esse negócio de alinhamento automático. É inegável, por exemplo, que a candidatura de Russomanno mobilizou setores consideráveis da população evangélica, que não tem lá muitos motivos para se deixar encantar pelo petista. O mesmo vale para aqueles que escolheram Gabriel Chalita. Não tenho os dados, mas intuo que estamos falando de outro corte de renda. Embora o candidato, especialmente nos debates, tenha sido notavelmente agressivo com Serra, parece evidente que seu discurso não apela à mística petista. Chalita tem, sabidamente, uma penetração importante em fatias do eleitorado católico não exatamente próximos da dita “Igreja Progressista” (seja lá o que isso signifique). Também nesse caso, não basta que ele diga que vai com Haddad para que os seus eleitores o sigam. Resultado incerto O PT precisará ainda inventar para Haddad um discurso que funcione, o que, prestem bem atenção!, até agora, não aconteceu. Enquanto a campanha do candidato insistia no “promessódromo” e na história do “maior ministro de Educação de todos os tempos”, que “tem o apoio de Lula e Dilma”, a candidatura patinou na casa dos 15%, um pouco mais, um pouco menos. Ele começou a se mover quando o PT aderiu, sem medo de ser feliz, à campanha negativa, desconstruindo Russomanno. O Haddad afirmativo convenceu pouca gente; o Haddad que partiu para o ataque conseguiu surrupiar parte dos votos do outro. A campanha de Serra começou com a exposição de suas realizações, um pouco desatenta, de início, à formidável anticampanha de desconstrução de sua imagem que estava em curso — unindo petistas e setores influentes da imprensa. Percebeu a tempo que o eleitorado parecia ter poucas dúvidas sobre a sua biografia administrativa ou sua capacidade para gerenciar a cidade. Quando o tucano enfrentou a questão “Será que ele vai ficar se for eleito?”, a candidatura se estabilizou. E, como todos viram, o PSDB se encarregou de lembrar que, afinal, existe, sim, o julgamento do mensalão. A cúpula do petismo, diga-se, que está sendo julgada pertence ao PT de São Paulo — mais especificamente, ao paulistano. Abstenções, brancos e nulos Há uma massa considerável de eleitores que preferiu não escolher candidato nenhum, alcançando índices inéditos. Deixaram de comparecer às urnas 18,49% dos aptos a votar. É o maior desde 1996, incluindo aquele ano: 17,20%. Vejam os demais: 14,20% (2000), 14,95% (2004), 15,63% (2008). Anularam o voto 7,35% dos que compareceram — nos demais anos: 5,40% (1996), 5,7% (2000), 4,39% (2004), 3,86% (2008). Votaram em branco desta vez 5,42%, contra 1,6% (1996), 4,1% (2000), 2,29% (2004), 2,81% (2008). Isso quer dizer que quase 30% (28,9%) do eleitorado, de 8,6 milhões de pessoas, não escolheu… NINGUÉM! Como todos sabem, mesmo quem se absteve no primeiro turno pode decidir votar no segundo. Tanto Serra como Haddad estarão falando também a uma massa enorme de eleitores um tanto descrentes. É com promessas que se conquistam eleitores que parecem um tanto ressabiados? Tendo a acreditar que não! Sem prejuízo, é evidente, de tratar TAMBÉM de questões concretas, que digam respeito ao dia a dia da cidade, parece-me que é o confronto de valores que pode fazer a diferença. É possível que um novo país — e uma nova cidade, porque é nas cidades que moram as pessoas — esteja fazendo esforço para nascer. É aquele país que está aprendendo a admirar a Justiça e que se regozija com o fim da impunidade. É aquele país que exige, de fato e de verdade, ética na política, não apenas no discurso.