sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mais dois aviões da FAB partem com hospital de campanha e equipe ao Haiti

Outros dois aviões da FAB decolaram na madrugada desta sexta-feira da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, com um hospital de campanha e equipe médica para auxiliar as vítimas do terremoto de 7 graus de magnitude que devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, na terça-feira, e deixou dezenas de milhares de mortos, incluindo 17 brasileiros. Os aviões levaram o Hospital de Campanha (HCAMP) da FAB, 50 militares da área de saúde, entre médicos e enfermeiros, além de equipamentos para centro cirúrgico, unidade de terapia intensiva (UTI), raio-X, laboratório e módulos para atendimento ambulatorial. O HCAMP é um hospital móvel, utilizado para curto período de internação e destinado a atender feridos em combate. Ele é composto de barracas climatizadas e que podem ser montadas em diversas configurações, dependendo da necessidade. No Haiti, a unidade estará em sua configuração completa, com módulos adicionais para internações de curto período, além dos que servem ao atendimento ambulatorial. O HCAMP atenderá assim urgências e emergências, incluindo cirurgias e atendimento a pacientes graves.

Governador do Distrito Federal omite do STJ pagamento de R$ 24 milhões

A subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirma que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, omitiu do Superior Tribunal de Justiça um pagamento de R$ 24, 2 milhões na área de informática. Na investigação do esquema de corrupção de Brasília, o Superior Tribunal de Justiça mandou o governo Arruda informar todos os pagamentos de serviços de informática, área que pagaria propina ao governador e a seus aliados em troca de contratos. O relatório foi analisado de forma preliminar pela procuradora, mas ela relatou ao Superior Tribunal de Justiça a falta de exatidão nos dados informados e destacou que não constava o pagamento à Fundação Gonçalves Lêdo, entidade sem fins lucrativos contratada para tocar o programa de inclusão digital do governo.

Banco Mundial projeta que planeta viverá com efeitos da crise por muitos anos

O mundo continuará vivendo com os efeitos negativos da crise financeira por anos, disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, nesta sexta-feira. Zoellick acrescentou que o setor privado precisa desempenhar um papel maior em um momento em que o efeito dos pacotes dos governos de combate à crise diminui. Na quinta-feira, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, alertou para a fragilidade da recuperação da economia global e pediu a governos do mundo todo que dediquem mais recursos para combater a "grande crise do emprego".

França diz que conferência de ajuda ao Haiti poderá ser em março

A conferência internacional de ajuda ao Haiti, proposta nesta quinta-feira pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pelo norte-americano, Barack Hussein, poderia acontecer em março, segundo o ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner. A reunião discutirá formas de ajudar o Haiti a se recuperar após o terremoto de 7 graus que devastou a capital Porto Príncipe na terça-feira e deixou dezenas de milhares de mortos. O chefe da diplomacia francesa afirmou que março pode ser o mês escolhido para a reunião, mas não precisou o país onde será realizada. "Para devolver a esperança aos haitianos, é preciso mostrar que não os abandonaremos, que pensamos em construir suas casas de outro modo, com outras normas", disse Kouchner. Na quinta-feira à noite, em conversa por telefone, Sarkozy e Barack Hussein decidiram "trabalhar em conjunto e sem demora" com o Brasil e o Canadá, entre outros países, para a "reconstrução e o desenvolvimento do Haiti".

Pastoral da Criança já salvou ao menos 200 mil bebês no Exterior

O soro caseiro e as farinhas da multimistura que a Pastoral da Criança ajudou a difundir pelo Brasil, salvando milhões de crianças, atravessaram fronteiras e oceanos e já livraram da morte por desnutrição e diarréia pelo menos 200 mil bebês em três continentes. Liderada por Zilda Arns, a Pastoral da Criança Internacional foi lançada oficialmente no Paraguai, em 1996. Desde 1989, entretanto, recebia no Brasil a visita de organizações interessadas em difundir o método de baixo custo em outras partes do mundo. Hoje, equipes da pastoral estão em 19 países, além do Brasil. Em todos eles, o trabalho começa com uma articulação, que até terça-feira era feita pessoalmente por Zilda, para engajar lideranças religiosas, governos e organizações locais. Em seguida, um grupo inicial de voluntários, selecionados pelas dioceses, é treinado por equipes brasileiras. Com uma cartilha simplificada, eles se tornam "multiplicadores", passando a capacitar outras pessoas das comunidades que recebem acompanhamento. O guia ensina atitudes básicas necessárias para a saúde da gestante e da criança até os seis anos de idade, adaptado à cultura e hábitos locais. Em Angola e Moçambique, por exemplo, inclui cuidados para evitar malária, doença que mata mais de 1 milhão de pessoas ao ano. Mas outro segredo da pastoral é a forma como as famílias recebem atenção, com visitas frequentes e muita conversa.

Reservas de divisas da China crescem 23% em 2009 e chegam a US$ 2,39 trilhões

As reservas de divisas acumuladas pela China cresceram 23,3% durante o ano passado, alcançando US$ 2,399 trilhões, no final de 2009, conforme o Banco do Povo da China (banco central do país). Segundo a autoridade monetária chinesa, as reservas aumentaram em US$ 453 bilhões durante os últimos 12 meses. Com estes dados, a China supera com ampla margem o Japão, seu "concorrente" mais imediato em quantidade de reservas de divisas e que supera em pouco US$ 1 trilhão. Uma grande parte das reservas (US$ 800,5 bilhões, segundo dado de agosto do Fed) procede da compra de dólares e o país asiático teme que uma desvalorização da divisa faça esse montante perder valor.

Rio São Francisco pode ter duas usinas nucleares

As duas próximas usinas nucleares a serem construídas no Brasil ficarão localizadas às margens do rio São Francisco, que corta parte da região Nordeste, indicam estudos técnicos que serão levados à decisão política do presidente Lula e dos ministros responsáveis pelo programa nuclear brasileiro. O programa nuclear prevê a construção de mais quatro usinas de 1.000 MW até 2030, duas no Nordeste e duas no Sudeste, para as quais os estudos estão mais atrasados. No Nordeste, a estatal Eletronuclear analisou a possibilidade de construção em 20 locais de quatro Estados: Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Mas áreas próximas ao litoral foram descartadas por causa da existência de grandes reservatórios subterrâneos de água.

Mães atendidas por projeto experimental da pastoral são voluntárias no Paraná

Mães que tiveram seus filhos salvos pela Pastoral da Criança na cidade de Florestópolis são hoje voluntárias no trabalho de assistência a crianças carentes. Foi no pequeno município no norte do Paraná que teve início, como experiência-piloto, o projeto idealizado por Zilda Arns, hoje presente em 20 países. A cidade foi escolhida porque, no início dos anos 1980, tinha uma taxa de 127 mortes para cada mil nascidos. O então arcebispo de Londrina, Geraldo Majella Agnelo, propôs em 1983 a criação de uma pastoral. Foi ele quem apresentou às voluntárias católicas do município a médica Zilda Arns. Dois anos após o início do projeto, o índice de mortalidade no município recuou para 28 mortes a cada mil nascimentos. E a CNBB pediu a Zilda Arnes um projeto nacional de Pastoral da Criança. A localidade, a 480 quilômetros de Curitiba, fechou 2009 com 4,8 mortes por mil nascimentos. A experiência fez a médica Zilda Arns ser reverenciada na cidade. Com a morte dela, a prefeitura decretou luto oficial. Religiosos e voluntários da pastoral fazem vigília e cantam o hino da entidade quase como uma oração. Entre as 45 líderes da pastoral, que atendem 600 crianças no município, muitas foram beneficiadas pela organização no passado. A auxiliar de enfermagem Noceli Marcelino dos Santos, de 42 anos, é uma delas. Ela diz dever a vida da filha "à doutora Zilda e sua pastoral''. Em 1987, Laise dos Santos Silva, hoje com 23 anos, nasceu prematura. "Era raquítica, desnutrida e poucos acreditavam que sobreviveria", conta Noceli. Com a orientação recebida, a desnutrição foi vencida. Hoje, mãe de Larissa, de 4 anos, Laise afirma que sua filha não precisou ser assistida: "A gente, graças ao trabalho da pastoral, tem mais esclarecimentos sobre como cuidar dos filhos". Noceli está há 13 anos como voluntária na pastoral: ''Passei de assistida a assistente. E, toda vez que a doutora Zilda vinha a Florestópolis, era mais um incentivo para nosso trabalho, que agora terá que continuar em sua homenagem".

Lula faz tudo pelo Haiti para tentar conquistar um lugar no Conselho de Segurança da ONU

Com o desastre que abateu o Haiti, a diplomacia brasileira para o país caribenho deverá entrar em uma nova fase, na avaliação do Itamaraty petista. A expectativa é de que o governo brasileiro seja "mais exigido", mas em contrapartida poderá consolidar seu papel de liderança no processo de paz haitiano. Na avaliação de diplomatas com viés petista, o trabalho de recuperação política do Haiti, que já era considerado "complexo", vai exigir um compromisso ainda maior do governo brasileiro. A expectativa é de que, depois da fase emergencial de socorro às vítimas, os países que integram as forças de paz, juntamente com as Nações Unidas, "reavaliem as prioridades" da operação. Como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil "tem a chance de fazer valer suas perspectivas e visões" em relação ao Haiti, diz um representante petista da diplomacia brasileira. "Quem decide é a ONU, mas o Brasil sempre defendeu uma política mais de longo prazo no Haiti, que vá além da segurança", diz o diplomata. Uma das possibilidades é de que o efetivo da missão de estabilização da ONU no Haiti, a Minustah, seja ampliado. De acordo com essa mesma fonte do Itamaraty, "não necessariamente" o adicional de tropas precisa sair do Brasil. "Um dos desafios é justamente o de convencer outros países de que eles também precisam contribuir mais", diz o diplomata. Além de reforçar sua "influência" na América Latina, a experiência militar brasileira no Haiti é vista no governo como mais um ponto favorável à campanha do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O general Carlos Alberto Santos Cruz, que comandou a Minustah de 2007 a 2009, diz que o governo brasileiro tem oferecido apoio financeiro e treinamento à operação e que esse "esforço deu um maior conceito ao Brasil". "Não é a toa que a missão de paz, que na verdade é da ONU, muitas vezes é confundida com uma missão brasileira", diz. De acordo com a ONG Contas Abertas, o governo brasileiro já gastou mais de R$ 700 milhões com a operação desde o início da missão. Por isso é que muitos gaúchos estão solicitando a seus vereadores que promovam a apresentação de projetos para que suas cidades passem a ser chamadas de Haiti do Sul, para ver se recebem melhor tratamento do governo Lula.

Ex-presidente exilado quer retornar ao Haiti para ajudar na reconstrução

O ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, exilado na África do Sul, disse nesta sexta-feira que está disposto a voltar ao Haiti para ajudar a reconstruir o país, devastado por um terremoto de 7 graus na terça-feira. Aristide foi obrigado a abandonar a Presidência do Haiti em 29 de fevereiro de 2004, em consequência de uma insurreição militar e da pressão internacional. Neste mesmo ano, a ONU levou ao país a Minustah, sua missão de paz, composta de 9.000 militares, incluindo cerca de 1.200 do Brasil, que chefia a missão, para tentar reverter o cenário de violência. "Estamos dispostos a voltar hoje, amanhã, a qualquer momento, para estar junto ao povo do Haiti, compartilhar o sofrimento e ajudar a reconstruir o país", declarou Aristide em Johannesburgo. O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) afirmou na quinta-feira que um primeiro reconhecimento aéreo realizado no Haiti revela áreas "com 50% de destruição" ou graves danos causados pelo terremoto de terça-feira. Este é o primeiro dado sobre a extensão dos danos causados pelo tremor, que danificou até mesmo o Palácio Presidencial e as sedes da ONU na capital Porto Príncipe. Segundo o Ocha, os danos se estenderam além de Porto Príncipe, para os centros urbanos de Jacmel e Carrefour. No total, 3,5 milhões pessoas viviam nas áreas devastadas pelo terremoto.