domingo, 9 de agosto de 2009

José Serra aponta que “Estado foi privatizado por um partido”

Após críticas fortes, mas indiretas contra o que chamaram de “privatização nefasta do Estado” pelo PT, os pré-candidatos do PSDB à Presidência da República, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), elogiaram e deram tratamento de futuro aliado a uma eventual candidatura da senadora petista Marina Silva pelo PV. José Serra, sem citar diretamente o PT, fez duras críticas ao partido. “O Estado brasileiro está sendo privatizado. É uma privatização espúria, nefasta. Não tem muita diferença do patrimonialismo antigo, de se apropriar do Estado para corrupção de meia dúzia ou de se apropriar do Estado para se fortalecer e construir um partido. Precisamos estatizar o Estado brasileiro que hoje está privatizado por um partido”, afirmou Serra. Aécio acompanhou o colega: “Hoje há um aparelhamento do Estado aliado à ineficiência como poucas vezes vimos”. Eles foram aplaudidos pelos mais de 400 delegados presentes na abertura do 16º Congresso Nacional do PPS, no hotel Guanabara (RJ).

Pesquisa em São Paulo mostra Geraldo Alckmin disparado na frente

Uma pesquisa confirma o favoritismo do tucano Geraldo Alckmin em uma eventual campanha para governador de São Paulo em 2010. O levantamento feito pelo instituto Opinião, ligado ao PSDB, atribui a Alckmin de 53% a 63% das intenções de voto. A variação ocorre quando se muda a lista de candidatos. Depois de Alckmin, quem aparece melhor é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com 45% em alguns dos 30 cenários analisados. O coronel cearense Ciro Gomes só chega à liderança quando não é confrontado com Alckmin ou Kassab. As pontuações máximas dos petistas Marta Suplicy e Antonio Palocci são de 33% e 12%, respectivamente. O estudo ainda aferiu as preferências dos paulistas para presidente. O governador paulista, José Serra, tem 55% das intenções de voto, Ciro Gomes, 16% e a petista Dilma Rousseff, 12%.

José Dirceu diz que crise no Senado é tentativa da oposição de desestabilizar governo Lula

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, deputado federal petista cassado por corrupção, e um dos réus na ação penal do Mensalão, afirmou que a crise instalada no Senado Federal é uma tentativa da oposição de desestabilizar o governo Lula e causar o rompimento entre PT e PMDB. "Tenho procurado ajudar ao alertar desde o começo que há duas questões, a crise institucional no Senado e a tentativa de derrubar Sarney, desestabilizar o governo e a aliança PT e PMDB”. Ele fez estas declarações em Palmas (TO), onde deu palestra na Universidade Federal do Tocantins. Essa é outra demonstração do Estado do País: quando uma universidade convida um cassado por corrupção para palestrar para seus alunos, o que se pode pensar? José Dirceu disse que sua participação na tentativa de combater a crise é "simples" e que atua "quando demandado". Ele afirmou ainda que o encontro que teve com José Sarney (PMDB-AP) nesta semana, para um café da manhã, em Brasília, foi "de amigos". Está aí, eles se conhecem. E Sarney o recebeu para um café porque, quem dá as cartas no PT, ainda hoje, é José Dirceu.

Senadores do PT querem deixar Conselho de Ética

A divisão na bancada de senadores do PT tornou-se mais profunda em face da crise envolvendo o senador José Sarney (PMDB-AP). Os dois principais defensores do presidente do Senado no partido, a senadora Ideli Salvatti (SC) e o senador Delcídio Amaral (MS), tiveram uma tensa reunião com o líder da bancada, Aloizio Mercadante (SP), e pediram para não serem os titulares do partido no Conselho de Ética. Ideli e Delcídio, suplentes, estão incomodados com o fato de as duas vagas titulares do partido não terem sido preenchidas. Com isso, serão obrigados a votar e assumir a posição pró-Sarney, sofrendo desgaste junto à opinião pública. Ideli é candidata ao governo de Santa Catarina, e Delcídio Amaral à reeleição. Na reunião com Mercadante, ambos o acusaram de fazer um "jogo duplo": defende o afastamento de José Sarney mas mantém no conselho dois “sarneyzistas” e não se indispõe com o o presidente Lula, o principal defensor de Sarney.

Senadores do PT querem deixar Conselho de Ética

A divisão na bancada de senadores do PT tornou-se mais profunda em face da crise envolvendo o senador José Sarney (PMDB-AP). Os dois principais defensores do presidente do Senado no partido, a senadora Ideli Salvatti (SC) e o senador Delcídio Amaral (MS), tiveram uma tensa reunião com o líder da bancada, Aloizio Mercadante (SP), e pediram para não serem os titulares do partido no Conselho de Ética. Ideli e Delcídio, suplentes, estão incomodados com o fato de as duas vagas titulares do partido não terem sido preenchidas. Com isso, serão obrigados a votar e assumir a posição pró-Sarney, sofrendo desgaste junto à opinião pública. Ideli é candidata ao governo de Santa Catarina, e Delcídio Amaral à reeleição. Na reunião com Mercadante, ambos o acusaram de fazer um "jogo duplo": defende o afastamento de José Sarney mas mantém no conselho dois “sarneyzistas” e não se indispõe com o o presidente Lula, o principal defensor de Sarney.

Ex-secretária da Receita Federal denuncia que Dilma Rousseff tentou interferir em investigação em empresas dos Sarneys

A ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira diz que, em um encontro a sós no final do ano passado, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pediu a ela que a investigação realizada pelo órgão nas empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente. Diz Lina Maria Vieira: ““Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney”. A ex-secretária disse que entendeu como um recado “para encerrar” a investigação, o que se recusou a fazer: “Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney”. Segundo Lina Maria Vieira, o pedido de Dilma Rousseff ocorreu cerca de dois meses após o fisco ter recebido ordem judicial para devassar as empresas da família Sarney. Auditores da Receita dizem que uma fiscalização como essa pode levar anos. Encerrá-la abruptamente seria o mesmo que “aliviar” para os alvos da investigação. Além do sigilo fiscal, inerente a todas as ações da Receita, a auditoria sobre o clã Sarney estava sob segredo de Justiça. No final do ano, o Palácio do Planalto cuidava das articulações para a eleição à Presidência do Senado. Sarney enfrenta hoje uma série de acusações de quebra de decoro por ter usado a máquina do Congresso em favor de parentes e aliados. Continua no cargo com o apoio de Lula. Lina Vieira afirmou que procurou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, para dizer que não aceitava a forma como Aloizio Mercadante havia falado com ela sobre a Petrobras. Ela também conversou com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP): “No final de abril, fomos a uma reunião no Senado. Os senadores queriam entender por que a arrecadação vinha caindo. Mostramos que se devia à queda industrial e a algo que não acontecia, que eram muitas compensações tributárias. O senador Tasso Jereissati perguntou por que o repasse da Cide para os Estados estava tão pequeno. Um assessor meu disse: ‘Houve compensações na Cide de R$ 4 bilhões e não sei quanto”. Ela relata que o senador Tasso Jereissati perguntou: “De quem, foi a Petrobras?” Ela respondeu: “Eu disse que não podíamos falar o nome do contribuinte. Dias depois, o presidente da Petrobras foi lá e abriu, falou. Nós não falamos nada”.

Chávez quer inserir ”limite ético” à imprensa em declaração da Unasul

O presidente da Venezuela, o clown bolivariano Hugo Chávez, quer inserir na declaração final da 3ª Reunião de Cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que ocorre em Quito, no Equador, um parágrafo sobre a “responsabilidade ética” dos meios de comunicação. A linguagem parece inofensiva, mas vinda de um governo que fechou 34 rádios em julho e ameaçou adotar uma legislação que afeta a liberdade de imprensa, a proposta alarmou o Itamaraty. Caberá a Uruguai e Chile impedir o consenso necessário para a aprovação do texto. Segundo um diplomata brasileiro, a sugestão venezuelana causou surpresa, suspeitas e mal-estar nas negociações técnicas, especialmente porque seria impraticável chegar a uma definição de consenso sobre o que é “responsabilidade ética” em um debate sob a tutela do governo Chávez, um fascista populista que tem se aliado a terroristas e traficantes de cocaína. O temor é de que qualquer menção em aberto dê margem para que a Venezuela ou outro país da região possa se apoiar na declaração da Unasul para adotar medidas contrárias à liberdade de imprensa. “O Uruguai e o Chile se opuseram com tanta veemência que o Brasil nem precisou se manifestar”, afirmou o diplomata. A Venezuela montou ainda outro imbróglio para o encontro de cúpula ao propor a inclusão de um parágrafo sobre a “arquitetura financeira regional” no texto, que terá como tema a crise econômica global. A linguagem novamente esconde as intenções de Caracas: a adoção pela Unasul de todos os mecanismos monetários aceitos pela Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), como a futura criação de uma moeda comum e de um Fundo de Reservas Comum. Nesse caso, o Brasil tem mais interesse em manifestar sua contrariedade com o assunto. Se dependesse do clone de chanceler Marco Aurélio “Top Top” Garcia certamente esta barbaridade totalitarista passaria, porque ele considera a Venezuela um exemplo de liberdade de impresa.

Indígena é a quinta morte por gripe suína em Santa Maria

Um índio engrossa as estatísticas por morte pela gripe suína no Rio Grande do Sul. A morte do índio, em Santa Maria, foi confirmada no sábado pela Secretaria Estadual de Saúde. Com isso, chega a cinco o número de mortes pela gripe suína em Santa Maria. E, com esse óbito, chegam a 44 os casos fatais pela gripe suína no Rio Grande do Sul. O índio tinha 49 anos e morreu no dia 23 de julho, no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Conforme o infectologista do Husm, Fábio Lopes Pedro, o índio não tinha um pulmão, retirado anteriormente por complicações de uma tuberculose, fator que contribuíu para a evolução da doença. O indío era artesão e vivia em aldeias de Santa Maria e de Caçapava do Sul. As outras mortes divulgadas no sábado estão em: Alegrete (dona-de-casa, de 33 anos), São Borja (uma mulher), Passo Fundo (dona-de-casa, de 39 anos, e auxiliar de frigorífico, de 30 anos), Uruguaiana (homem, de 38 anos, e dona-de-casa, de 48 anos), Rio Grande (soldador de 24 anos), Alegrete (aposentado de 37 anos), Novo Hamburgo (menina de 9 anos) e Cruz Alta (dona-de-casa de 35 anos).

Advogado de Lair Ferst entrega à Justiça gravações de seu cliente com Marcelo Cavalcante

O advogado de Lair Ferst (réu na ação penal da Operação Rodin), Lúcio Santoro de Constantino, entregou à Justiça, na tarde da última sexta-feira, um CD com gravações de seu cliente e do ex-representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, que morreu em fevereiro de maneira misteriosa, afogado no lado de Brasília. O conteúdo do CD contém trechos de supostas conversas entre (de)Lair e e Marcelo Cavalcante, com oito conversas, totalizando cerca uma hora de gravação. O advogado Lucio de Constantino disse que tem outras gravações guardadas para revelar no momento oportuno. Segundo o advogado, o áudio vai demonstrar que Lair encaminhou as informações de problemas no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul antes da investigação da Polícia Federal na Operação Rodin. "A pretensão da defesa é demonstrar que Lair já havia tomado iniciativas concretas no sentido de alertar autoridade responsável, sobre os supostos problemas que existiam junto ao Detran", diz nota divulgada pelo advogado. Se Lair Ferst sair da ação penal que tramita na 3ª Vara Federal Criminal, em Santa Maria, sem qualquer condenação, ou com alguma condenação irrisória, então será comprovação absoluta de que ele realizou delação premiada para escapar da prisão. Lair Ferst é figura conhecida como lobista há pelo menos 25 anos na vida política gaúcha. Grande parte desse tempo ele atuou como membro do staff do falecido deputado federal Nelson Marchezan. Foi assim que Lair Ferst se tornou absolutamente assíduo na administração municipal de Canoas, onde participou, ao lado de Nelson Marchezan, da primeira eleição do prefeito Marcos Ronchetti (PSDB).

Radialista preso em flagrante por pedofilia em Dom Pedrito

Depois de dois meses de investigação, a Polícia Civil de Dom Pedrito (município gaúcho localizado na fronteira com o Uruguai) prendeu em flagrante, na sexta-feira, pela manhã, o radialista Paulo D’Ávila, que trabalha na Rádio Sulina, emissora conhecida na região e que integra a rede RBS de rádios. Ele foi acusado, nada menos, de pedofilia. Quando foi abordado nas instalações da rádio, Paulo D’Ávila entrou em luta corporal com os policiais e produziu a destruição de um CD, conforme a delegada Shana Luft. Após ser dominado na rádio, a polícia foi com Paulo D’Ávila até sua casa, onde foram apreendidos computador e CDs e DVDs. Depois da lavratura do flagrante, o radialista Paulo D’Ávila foi conduzido preso para o Presídio Estadual de Dom Pedrito. A Rádio Sulina é tradicional e pertence à família do médico e produtor rural Paschoal Brandi. A rádio é dirigida por Paschoal Brandi Filho. Paulo D’Ávila é pessoa conhecida na cidade, por seu envolvimento com jovens por meio da prática teatral e a sua prisão causou comoção. Ninguém suspeitava das suas atividades no ramo da pedofilia, tanto que a própria Rádio Sulina emprestava um galpão para os ensaios do grupo que ele organizava. Cada vez mais a pedofilia ganha as grandes rodas do poder no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre assombram as rodas políticas a informação sobre a atuação de uma quadrilha de prostituição em órgão público com a exploração de garotas e garotos, estagiários, e sobre envolvimento de figuras públicas com caso de pedofilia.

Senadora democrata usou cota aérea para turismo

Suplente do Conselho de Ética do Senado Federal, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) usou verba pública para pagar viagens de turismo para ela, marido, filhos, além de outros parentes, amigos, o advogado e a mulher do advogado, no País e no Exterior. Isso é o que se chama de total deslumbramento com o mandato. Ela custeou passagens e, em alguns casos, até estada em hotéis. Em seu primeiro mandato, ela bancou essas despesas com recursos de sua cota aérea, criada para permitir o deslocamento de congressistas no exercício da atividade parlamentar. O ato do Senado que regulamenta a concessão das passagens não prevê o uso da cota para pagamento de hotel. Os cartões de embarque e comprovantes de passagens e hospedagem descontadas da cota da senadora de maio de 2007 a fevereiro de 2008, somando cerca de R$ 160 mil, estão contidos em mais de 320 folhas. Foram mais de 240 viagens em menos de 300 dias, o que equivale a quase uma passagem por dia. Mais da metade dos bilhetes (124) foi emitida em nome de membros das famílias Ciarlini e Rosado (sobrenome de seu marido, Carlos Augusto). Rosalba é o primeiro caso detalhado no Senado de descontrole no uso da cota aérea na conta do contribuinte. A senadora financiou, por exemplo, a vinda de sua filha Karla, e do genro alemão Jan Nabendahl, de Frankfurt para Natal, em novembro de 2007, ao custo de R$ 5.813,00. Presenteou outro membro da família, Luana Rosado, e uma pessoa chamada Tricia Maia, com uma viagem para Lisboa, Barcelona e Paris, no valor de R$ 7.457,00.

Senadora Marina Silva está pensando se será candidata a presidente pelo PV

A senadora Marina Silva (PT-AC) foi a Rio Branco, no Acre, na sexta-feira, onde nasceu, com uma lista de nomes de amigos e companheiros que ela queria escutar para tomar a decisão mais importante de sua vida política: abandonar 30 anos de militância petista, se filiar ao PV, participar da “refundação programática do partido” e se tornar candidata a presidente da República. O marido dela, Fábio Vaz de Lima, um dos secretários mais influentes na gestão do governador do Acre, Binho Marques (PT), já se manifestou: “Sou contra a saída dela do PT e já expus todas as minhas razões. Mas, a maneira como tem se conduzido até aqui me dá a certeza de que a Marina já tomou uma decisão. É possível até que ofereçam para ela a presidência do PV. Sendo assim, vou acompanhá-la, pois sou capaz disso em quaisquer circunstâncias”. Marina Silva fez questão de ponderar que tem procurado “ser o máximo econômica possível” por conta do momento de uma decisão vital em sua trajetória, mas não economizou palavras para defender a necessidade de compromissos com a utopia na política: “Eu me mobilizo pelo avivamento da utopia para a economia do século XXI. É esse trânsito que precisa ser feito e que não existe em lugar nenhum, precisa ser criado para algo diferente. Não estou fazendo cálculos. Se eu ficasse fazendo cálculo de tempo em programa eleitoral, jamais teria sido candidata. Você sabe que já fui candidata com o tempo de um minuto, que tinha que ser dividido com o Chico Mendes. Trinta segundos para ele e trinta segundos para mim. Tínhamos que nos apresentar ao vivo. Isso não tem nada pragmático. Prefiro continuar acreditando que o sonho remove montanhas. Foi isso que fizemos em 30 anos. Removemos algumas montanhas, mas não removemos outras porque não nos expusemos com a radicalidade necessária”. E ela continuou de maneira incisiva: “Não vou me iludir achando que alguém que lida com temas considerados secundários ou de minorias possa colocar em risco uma candidatura que tem todo o peso e respaldo que tem a candidatura da ministra Dilma. Eu estaria sendo pretensiosa se embarcasse nessa avaliação. Todas as pessoas que estão sabendo disso e que me conhecem, sabem que não se trata de um processo fácil. Mas a história se faz por homens e mulheres que se dispõem a transformá-la. Essa transformação não prescinde a contribuição do sujeito. Neste momento estou vivendo uma dupla situação, a do sujeito que precisa se colocar e, ao mesmo tempo, do agente que sabe que as mudanças não acontecem única e exclusivamente pela ação dos indivíduos”. Ou seja, conversa de quem está disposta a enfrentar o desafio.

PMDB gaúcho na sinuca, com presidente de diretório da Capital denunciado na Operação Rodin

A bancada do PMDB na Assembléia Legislativa tomou a iniciativa de assinar o requerimento para a constituição da CPI petista para procurar incriminar o governo Yeda Crusius (PSDB). É um autêntico caso de tiroteio nos próprios pés. Primeiro, porque o PMDB é o principal partido da base de apoio do governo Yeda Crusius. Segundo, porque o PMDB do Rio Grande do Sul já larga com um dos seus nove deputados estaduais denunciados no inquérito civil que o Ministério Público Federal protocolou na 3ª Vara Federal Criminal de Santa Maria esta semana. Trata-se de Luiz Fernando Salvadori Zachia, líder da bancada. Mais ainda: esta CPI petista não deve durar menos de seis meses, o que é tempo mais do que suficiente para a eclosão das denúncias da Operação Solidária. E, nesta nova Operação conduzida pelo Ministério Público Federal devem cair mais dois deputados estaduais do PMDB: Alceu Moreira e Marco Alba (estes dois são braço direito e esquerdo do deputado federal Eliseu Padilha, também envolvido nas investigações da Operação Solidária). Ou seja, antes de chegar ao seu término, o PMDB gaúcho poderá ter quase a metade de sua bancada estadual sendo investigada pela própria CPI petista que ajudou a convocar. Poucas vezes tem se visto uma atuação política típica de suicida,ou de escorpião colocado em círculo de fogo. Mas, talvez não houvesse mesmo outra alternativa ao PMDB do Rio Grande do Sul, para tentar salvar o que ainda puder da sua mística de partido incorruptível. Nunca esquecer que o partido no Estado é presidido pelo senador Pedro Simon. Para completar: o deputado estadual Luiz Fernando Salvadori Zachia, líder da bancada do partido na Assembléia, está metido em uma enrascada sem fim. Ele precisará renunciar à condição de líder da bancada, porque será inconcebível o partido permanecer sendo dirigido na Assembléia Legislativa por quem é objeto de investigação na CPI petista, e também precisará se afastar da presidência do Diretório Municipal do PMDB em Porto Alegre. De quebra, sua candidatura a deputado federal, no próximo ano, fica totalmente minada, bem como a de sua principal dobradinha, o vereador Sebastião Melo, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre. Zachia tinha escapado miraculosamente de ser envolvido na primeira fase da Operação Rodin sobre a fraude no Detran gaúcho, na qual foram apurados desvios de mais de 44 milhões de reais de recursos públicos. Ficou incompreensível a sua incolumidade porque ele havia nomeado, para o estratégico cargo de diretor-administrativo e financeiro do Detran, durante os quatro anos do governo Rigotto (PMDB), o seu braço direito Hermínio Bittencourt, que o acompanhava desde quando ele era vereador na Câmara Municipal de Porto Alegre. Aliás, esta Operação Rodin causa uma grande estupefação, porque os fatos apurados por ela ocorreram, no mínimo em cerca de 80 por cento, durante o governo de Germano Rigotto (PMDB), e toda a trama se desenvolve como se a grande e única culpada fosse a governadora Yeda Crusius. O PMDB, que é o principal partido da base de sustentação do governo de Yeda Crusius, e por isso levou parcela dentro de sesmarias do governo, tais como o Banrisul, Corsan, e outras órgãos, deverá debater nos próximos dias qual a melhor data para desembarcar do governo Yeda Crusius. O astuto senador Pedro Simon acha que a melhor maneira de tirar o seu partido do foco da CPI petista que pretende apurar a corrupção é colocá-lo desde já em campanha eleitoral. O problema é que o candidato do partido poderá ter um das suas asas fulminadas em pleno vôo ainda durante a pré-campanha.

Polícia Federal termina investigação dos “sanguessugas”

Três anos e três meses após a descoberta da "máfia das ambulâncias", a Polícia Federal de Mato Grosso está terminando uma das mais amplas investigações já realizadas no País. Dos 136 inquéritos abertos pela superintendência da Polícia Federal no Estado, 128 já foram concluídos. Ao todo, 458 pessoas estão indiciadas, entre elas 33 ex-parlamentares e 71 ex-prefeitos. O escândalo das ambulâncias veio à tona no dia 4 de maio de 2006, quando a Polícia Federal desencadeou a Operação Sanguessuga, que inicialmente levou à prisão 48 pessoas, entre assessores parlamentares e empresários. O esquema era comandado pelos empresários Luiz Antônio Vedoin e Darci Vedoin, proprietários da empresa Planam. As investigações concluíram que, entre os anos de 2001 e 2006, o grupo vendeu mais de mil ambulâncias para prefeituras e entidades filantrópicas por meio de emendas parlamentares, totalizando R$ 110 milhões de movimentação. As licitações eram fraudadas e os veículos superfaturados. A Controladoria Geral da União calculou em R$ 15,5 milhões o montante que foi parar nos bolsos da quadrilha. A máfia das ambulâncias motivou a abertura da CPI dos Sanguessugas, que chegou a recomendar a abertura de processo de cassação contra 69 deputados federais e três senadores. Dois deputados renunciaram ao mandato, mas a maioria ficou impune na esfera política. Os empresários sanguessugas ainda se associaram a petistas para a produção de um dossiê fajuto com o objetivo de atacar os candidatos Geraldo Alckmin e José Serra e influir nas eleições presidencial e ao governo de São Paulo. Estavam envolvidos altos personagens da nomenklatura petista, desde o segurança de Lula, e funcionário do Palácio do Planalto, até diretor do Banco do Brasil e um assessor graduado do senador petista Aloizio Mercadante. Mas, sobre esta investigação da compra do dossiê, derivada a Operação Sanguessuga, a Polícia Federal, KGB petista, chefiada pelo comissário Tarso Genro, não dá nenhuma resposta.