sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ex-diretor da Sadia diz que empresa “sabia de tudo” sobre perdas bilionárias

Os acionistas da Sadia decidiram, nesta semana, processar o ex-diretor financeiro Adriano Ferreira pelas perdas da fabricante de alimentos no ano passado. A Sadia teve prejuízo de R$ 2,5 bilhões em 2008, causado basicamente por operações de derivativos cambiais tóxicos. Esse tipo de instrumento financeiro tem perdas ilimitadas no caso de alta do dólar, como aconteceu após setembro. AdrianoFerreira, 39 anos, diz que, maior do que qualquer prejuízo material, o dano moral causado pela Sadia a ele foi gigantesco. Ele afirma que a empresa sabia, em várias instâncias, de todas as operações e que houve anos nos quais o lucro só foi garantido por operações financeiras. Para ele, a decisão de processá-lo foi tomada para isentar outros gestores da companhia. Adriano Ferreira diz que, provavelmente, processará a Sadia por danos morais. Disse ele: “A Sadia tem um ‘modus operandi’ financeiro muito diferente de uma empresa não financeira. Ela sempre teve vocação financeira, até porque tem uma corretora de valores e uma tesouraria típica. Eu as melhorei e implementei controles, como a área de gestão de riscos. Ao longo dos seis anos nos quais estive lá, todas as operações financeiras, como as de derivativos, eram comuns”. Ele garante que também as operações de derivativos tóxicos também eram comuns: “As operações dois para um começaram em meados de 2007. A empresa ficou mais de um ano fazendo essas operações, que tiveram várias auditorias. Quando se fechava uma operação desse tipo, a boleta ia para nossos operadores, para a contabilidade e à controladoria da companhia, que era separada da área financeira. Ia também para a auditoria interna e para o conselho de administração. Pela atipicidade da cultura financeira da empresa, a auditoria independente, a KPMG, tinha uma equipe financeira destacada para auditar a área financeira da Sadia. Havia uma auditoria principal para a área de alimentos, que buscava apoio numa equipe de auditores de bancos, corretoras e instituições financeiras, porque a Sadia tinha uma cultura financeira forte, operava todos os instrumentos disponíveis no mercado. As operações, sejam derivativos ou não, sempre foram contabilizadas, auditadas e aprovadas em várias instâncias. Havia alçadas rigorosamente atendidas e relatórios mensais”. Adriano Ferreira disse que não havia detalhamento dessas operações: “Não havia o nível de detalhamento de todas as operações porque não fazia parte da cultura da companhia. Você apresentava os resultados que as operações deram, a exposição dessas operações, simultaneamente com apresentações da área de risco. Em 2003, determinou-se que o limite de risco do câmbio era de 20% sobre o patrimônio, equivalente a R$ 600 milhões ou R$ 700 milhões de perda assumida. Só que havia 95% de confiança nessas operações e 5% de risco. Esse ‘modus operandi’ era o dia a dia da companhia. Como é que agora, de um dia para outro, eles querem dizer que não sabiam dessas operações? Como não sabiam? Tinha diversas auditorias e formas de controle que eram apresentados todo mês”. Ele também garantiu que, expressamente, o conselho de administração e presidência executiva do grupo sabiam das operações: “As operações eram apresentadas a eles. Todas foram registradas, auditadas e aprovadas. Quando aconteceu uma crise desse tamanho, não só a Sadia, mas centenas de empresas no Brasil, no México e na Ásia, principalmente, tiveram os mesmos problemas. Quando eram realizadas essas operações, usava-se como base cenários e probabilidades que, quando colocados nos modelos econométricos, era difícil de a perda não compensar seu uso. Tanto é que centenas de empresas os utilizavam”. Para completar, Adriano Ferreira disse que a área financeira era a grande responsável pela rentabilidade da empresa: “Nos seis anos em que estive lá, 60% dos resultados da companhia eram de operações financeiras. Se olhar para trás, o percentual era maior. A empresa só teve lucro em alguns anos por causa da área financeira. Até o primeiro semestre de 2008, 80% dos lucros vieram dessas operações específicas. A estrutura de governança da companhia espelhava uma cultura financeira, de uma empresa que tinha uma corretora, que tinha uma tesouraria ativa, que tinha um projeto de criar um banco, o que aconteceu. A companhia sempre teve um risco financeiro. A estrutura, quando o presidente-executivo assumiu, em 2004, tinha forma do reporte da diretoria financeira para o conselho por causa dessa cultura”. Adriano Ferreira está convencido de que a decisão de processá-lo está ligada à intenção de eximir o restante da diretoria de responsabilidade nas gigantescas perdas financeiras do grupo Sadia: “O objetivo é isentar outros administradores do processo”. Adriano Ferreira também disse que está tentando usar um seguro de responsabilidade de administração: “A Sadia tinha um seguro desse tipo e estou tentando usar. A apólice das seguradoras Chubb e Bradesco cobre custos com advogados e, numa eventualidade de eu ser condenado, paga o prejuízo até determinado teto, acho que de US$ 10 milhões. Mas há muitas exclusões na apólice e não está claro que eu vá ter cobertura. Estou muito preocupado. O prejuízo material pode ser grande, mas o moral já me foi causado de forma agressiva”. Adriano Ferreira se declara chocado: “Estão falando que vão me processar em US$ 2,5 bilhões! Essa é uma ação muito inócua. O maior prejuízo que aconteceu foi para mim. A minha imagem hoje é zero. Meu índice de empregabilidade está zero. Comecei a refazer contatos, falei com headhunters e é unânime que minha recolocação é muito difícil. Eu era a estrela em ascensão da Sadia, entrei como gerente e, no fim de 2007, além de diretor financeiro, eu recebi a diretoria de desenvolvimento corporativo, criada para cuidar de planejamento estratégico, fusões e aquisições. Também era diretor da holding financeira e cuidava do projeto do banco. Em 2006 e 2007, ganhei prêmios como melhor gestor financeiro do ano. De uma hora para outra, minha imagem vai para o buraco. Isso sim é prejuízo. Tenho 39 anos, um filho de quatro anos e gêmeas que nasceram prematuras, no olho do furacão. Estamos estudando processar a Sadia. É tão desproporcional e descomunal a diferença de peso das coisas! Parece um tsnunami em cima de mim! Fui eu que avisei o presidente do conselho de administração das perdas na carteira de câmbio, por conta das operações alavancadas. Na véspera de divulgarem o fato relevante, trabalhei até as 2 horas, concluindo uma operação de captação de recursos de quase R$ 800 milhões. Fui demitido pelo jornal no dia seguinte. É triste”.

Lula vai viajar pelo País para acompanhar obras do PAC

O presidente Lula afirmou na quinta-feira que vai começar uma peregrinação pelo País para acompanhar de perto a execução das obras do PAC. O anúncio foi feito aos ministros da área econômica, de infraestrutura e dirigentes de estatais que participaram de uma reunião para avaliar o andamento das obras do programa. Lula disse que após as visitas estaduais vai discutir com áreas específicas soluções para os problemas que forem identificados. Segundo relato de ministros que participam da reunião, o presidente cobrou mais agilidade na execução das obras e menos burocracia no andamento das ações do programa. "O presidente deixou bastante claro seu envolvimento pessoal no acompanhamento das obras que estão ocorrendo no País, cobrando cronogramas, celeridade, insistindo na tese que temos que criar condições", afirmou o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Geddel afirmou que o presidente demonstrou preocupação com o ritmo das obras e voltou a insistir para que as empresas que sejam contratadas pelo PAC adotem o sistema de terceiro turno para a geração de mais emprego. Essa recomendação já tinha sido repassada aos empresários, mas de acordo com levantamento do governo, poucas empresas implementaram o terceiro turno. "O presidente insistiu que as obras sejam tratadas com mais um turno para gerar empregos. O PAC pode ter característica de estimular a geração de empregos diretos e aquecer economia", disse. No encontro, o presidente e os ministros discutiram os maiores entraves para o andamento do PAC. Entre os pontos foram listados estão questões ambientais e as auditorias do Tribunal de Contas da União. As avaliações recentes do Tribunal de Contas da União sobre o PAC preocupam a cúpula do governo. O tribunal identificou que a Casa Civil avalia para cima o desempenho do programa. O Tribunal de Contas da União aponta que, dos R$ 15,8 bilhões reservados no Orçamento de 2008, só foram executados até novembro R$ 2,5 bilhões, cerca de 15%. Levando em consideração o comprometimento dos "restos a pagar" de anos anteriores, os gastos disponíveis subiriam para R$ 8,6 bilhões (33%). O governo, por outro lado, sustenta que em 2008 foram gastos R$ 3,76 bilhões do Orçamento do PAC, além de R$ 7,56 bilhões de restos a pagar. Ao todo, a Casa Civil indica que foram empregados R$ 11,32 bilhões (43%). No relatório anterior a este, o Tribunal de Contas mostrou que dos 84 empreendimentos acompanhados neste ano pelo órgão, 38 (45%) estavam com atraso maior do que o governo divulga.

Indio cocaleiro trotskista Evo Morales faz greve de fome por lei que pode garantir reeleição

O presidente da Bolívia, o índio cocaleiro trotskista Evo Morales, anunciou na quinta-feira uma greve de fome para pressionar o Congresso a aprovar uma polêmica lei de transição constitucional, o que representaria um passo rumo a sua reeleição no pleito nacional previsto para dezembro. O índio cocaleiro trotskista Evo Morales começou o jejum às 9h50 (10h50 no horário de Brasília) no palácio presidencial, acompanhado de uma dezena de dirigentes de organizações esquerdistas, entre eles Pedro Montes, secretário-executivo da Central de Trabalhadores Boliviana. O secretário disse que o protesto foi decidido "frente à negligência de alguns parlamentares neoliberais para defender o voto e o mandato do povo", já que o Congresso não chegou a um acordo sobre a lei de transição determinada pela nova Constituição. "Diante da negligência de um grupo de parlamentares, fomos obrigados a adotar esta medida de jejum voluntário", disse Morales, em discurso pronunciado no palácio de governo de La Paz. A greve de fome foi anunciada em meio ao debate, no Congresso, da nova lei eleitoral, diante de fortes disputas entre governismo e oposição. O Congresso ignorou o prazo estipulado (meia-noite de quarta-feira) e continuou o debate sobre a lei eleitoral, medida necessária para convocação das eleições presidenciais de 6 de dezembro. A sessão transcorreu sob a ameaça dos legisladores do governista Movimento ao Socialismo (MAS, partido de Evo Morales, organização trotskista, diretamente originária do antigo ERP argentino – Exército Revolucionário Popular, no qual militou e participou de ações armadas o trotskista gaúcho Flavio Koutzii, petista, ex-deputado estadual, ex-assessor da presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e atual assessor da presidência da Assembléia Legislativa gaúcha). Esses parlamentares do MAS trotskista ameaçavam renunciar a suas cadeiras caso não se chegasse a um acordo com a oposição, o que poderia representar a inabilitação ou até o fechamento do Congresso. O prazo existe porque a nova Constituição da Bolívia, promulgada em 7 de fevereiro passado, estabelece um período de dois meses, que se completados na quarta-feira, para que o Congresso aprove o regime eleitoral que permita convocar eleições gerais. Atualmente, o partido do índio cocaleiro trotskista Evo Morales conta com maioria suficiente na Câmara dos Deputados, mas não no Senado, que é controlado pela oposição.

Comissão do Senado proíbe novas concessões de TV para parlamentares

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou na última terça-feira um parecer do senador Pedro Simon contrário a que deputados federais e senadores tenham emissoras de rádio e de televisão. O parecer também recomenda a rejeição da renovação das concessões já existentes. A aprovação do parecer, em uma reunião com apenas quatro senadores, provocou discussão na Comissão de Constituição e Justiça. Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), acionista da TV Bahia, afiliada da Rede Globo no Estado, reclamou com o presidente da Comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o fato de o parecer ter sido votado em uma sessão esvaziada. Um total de 17 senadores têm emissoras, como Tasso Jereissati (PSDB-CE), proprietário da rádio e da TV Jangadeiro, em Fortaleza; Roseana Sarney (PMDB-MA), acionista da TV Mirante, afiliada Globo, e de três rádios no Maranhão; Fernando Collor de Mello (PTB-AL), acionista da TV Gazeta, em Maceió, afiliada da Globo; e José Agripino, líder do DEM no Senado e proprietário de uma emissora de rádio no Rio Grande do Norte. O parecer agora irá a votação pelo plenário do Senado Federal.

Petrobras questionou decisão de diretor investigado da ANP

Por recomendação do diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Victor Martins, a diretoria da agência voltou atrás, em 2007, de uma decisão que havia tomado um ano antes e obrigou a Petrobras a arcar com um pagamento adicional de royalties de R$ 1,3 bilhão. Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins, é investigado pela Polícia Federal por favorecimento a prefeituras que pretendiam ampliar a arrecadação com royalties. Após a mudança de posição da agência, a Petrobras decidiu ir à Justiça pedir a revogação da decisão. Segundo a ANP, a estatal perdeu nas duas primeiras instâncias e o caso está agora em uma câmara de conciliação de entes públicos da Advocacia Geral da União. Em 2006, a agência decidiu alterar os critérios de cobrança dos royalties do campo de Marlim, na bacia de Campos. A ANP concluiu que a Petrobras realizou deduções indevidas com gastos em investimentos no cálculo de seu lucro auferido com a produção de petróleo, o que teria reduzido as contribuições devidas a União, Estados e municípios. A estatal acatou a decisão e pagou, à época, R$ 399 milhões adicionais referentes ao período de 2002 a 2005. Passado um ano, a ANP, por recomendação de Martins, determinou que os pagamentos retroagissem a 1998, o que gerou a exigência do repasse extra de R$ 1,3 bilhão. A ANP afirma que é "impossível que um diretor da agência possa direcionar decisões para alterar valores de participações governamentais (royalties) pagas a municípios", pois as decisões dependem de, no mínimo, três votos convergentes.

Governo Lula anuncia pacote de socorro a municípios na segunda-feira

O governo federal anuncia na próxima segunda-feira o pacote de socorro aos municípios que sofreram perdas na arrecadação e nos repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que a ajuda do governo Lula será apresentada ao Congresso por meio de uma medida provisória e um projeto de lei orçamentária. Ele disse que não haverá a criação de nenhum fundo. "Não precisaremos fazer fundo porque a parcela que tiver que passar para os municípios vai ser objeto de projeto de lei orçamentária e provavelmente de MP para autorizar. Vai ser muito menos burocratizado e o dinheiro sairá do Tesouro. Não tem outro lugar para tirar", afirmou ele. Os municípios menores que dependem diretamente dos recursos do FPM terão prioridade para receber o auxílio. Segundo dados do governo, pelos menos 3.000 municípios se encontram nesta situação.

Câmara promete novas regras para contratação de funcionários após caso das domésticas

A cúpula da Câmara dos Deputados promete criar normas mais claras para proibir que a Casa empregue funcionários que exerçam trabalhos pessoais dos congressistas. Apesar disso, o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) não vai receber nenhum tipo de punição por pagar o salário de sua empregada doméstica, Maria Helena de Jesus, com verba do gabinete. A justificativa é que o ato da Mesa da Câmara que trata da contratação dos funcionários é amplo, falando apenas que eles devem exercer "funções relacionadas ao exercício do mandato parlamentar". Jardim poderia argumentar, por exemplo, que não precisaria da doméstica se não morasse em Brasília para exercer o mandato.

Reforma de imigração nos Estados Unidos pode legalizar 12 milhões

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve iniciar ainda este ano as discussões sobre a reforma do sistema de imigração do país, podendo abrir caminho para a legalização de cerca de 12 milhões imigrantes ilegais, segundo uma reportagem publicada na edição desta quinta-feira no jornal americano "The New York Times". Segundo informações fornecidas ao jornal por Cecilia Muñoz, vice-assistente de Obama e diretora de assuntos intergovernamentais da Casa Branca, o presidente deverá falar publicamente sobre o assunto em maio e, durante o verão americano, serão estabelecidos grupos de trabalho, compostos por legisladores dos partidos Democrata e Republicano, para discutir um esboço de legislação até o fim deste ano. Segundo o "NYT", durante a campanha para a Presidência, Obama prometeu a milhões de imigrantes de origem hispânica, que votaram em massa no então candidato democrata, que a reforma das atuais regras de imigração seria uma das prioridades de seu primeiro ano de governo.

Ministro Guido Mantega vai pressionar as operadoras de cartão

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai chamar as operadoras de cartão de crédito para pedir explicações sobre reajustes de até 3,6% na taxa de administração cobrada sobre as transações do varejo. As operadoras negam esses reajustes, mas representantes dos comerciantes de material de construção confirmam o aumento das taxas de administração. Mantega também deve discutir o assunto com o novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Ele é presidente da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), que representa as operadoras. Anteriormente, o executivo ocupava a vice-presidência de Cartões e Novos Negócios de Varejo do Banco do Brasil.

Emprego na indústria cai 1,3% em fevereiro e a retração em relação a 2008 é recorde

O nível de emprego na indústria brasileira caiu pelo quinto mês consecutivo, com retração de 1,3% na comparação com janeiro, informou nesta quinta-feira o IBGE. Em relação a igual período do ano passado, houve queda de 4,2%, a maior de toda a série histórica iniciada em 2001. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta é de 1%, mas o índice segue em queda desde setembro de 2008. No acumulado de janeiro e fevereiro, houve queda de 3,4%. O valor da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria recuperou-se, após quatro meses em queda. O IBGE aponta crescimento de 1,9% em relação a fevereiro. Durante os quatro meses em queda, a folha de pagamento caiu 4,9%. Em relação a fevereiro de 2008, o valor real da folha de pagamento cresceu 1,9%. No acumulado do primeiro bimestre, a elevação ficou em 1,2%. No acumulado nos últimos doze meses, o crescimento é de 5,3%. O IBGE indicou que, na comparação com fevereiro de 2008, houve diminuição dos postos de trabalho em 13 dos 18 setores pesquisados.

Paulinho da Força Sindical defende que Protógenes entre na política por “partido robusto”

O grupo de apoio do deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, reuniu-se com o delegado federal Protógenes Queiroz na última terça-feira. O encontro aconteceu na véspera do depoimento de Protógenes para a CPI dos Grampos. Paulinho defende que Protógenes seja candidato a deputado federal por um partido “mais robusto”, como o PDT. Desde que foi afastado da Operação Satiagraha, o delegado federal fundamentalista Protógenes Queiroz tem sido exibido como troféu pelo PSOL. Protógenes Queiroz, que parece conhecer o mundo da política como poucos, contratou o advogado Fernando Quércia para fazer parte de sua equipe de defesa. O advogado é filho, naturalmente, de Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo e dono do PMDB paulista.

Abóbada de basílica de Áquila cai sobre túmulo do papa Celestino 5º

A abóbada românica da Basílica de Santa Maria di Collemaggio em Áquila, caiu sobre o local onde se encontra o túmulo do papa Celestino 5º, em consequência do devastador terremoto que atingiu a região na segunda-feira passada e suas réplicas (tremores secundários de intensidade menor que ocorrem depois de terremotos). As relíquias do papa, que renunciou ao posto, haviam sobrevivido ao grande terremoto de 1703 que destruiu a cidade, mas não o teto da basílica, construído em 1287. Contudo, o terremoto do começo da semana e as mais de 400 réplicas que o seguiram, algumas de forte magnitude, causaram o desabamento da abóbada da igreja românica. A basílica se transformou em um importante centro de peregrinação religiosa em 1294, quando Pietro del Morrone foi nomeado papa com o nome de Celestino 5º, fundador da ordem dos Celestinos e canonizado em 1303. Segundo o Ministério de Cultura, ao menos quatro igrejas da Renascença e um castelo do século 16, que abrigava o Museu Nacional, foram parcialmente destruídos pelo tremor. Ao norte da cidade, a torre do sino da Basílica de San Bernardino desmoronou. Em Roma, o tremor chegou mais fraco, porém foi o suficiente para causar danos nas Termas de Caracalla, um dos monumentos mais importantes da capital italiana. Construídas no século 3, elas ficam a poucos metros do Coliseu.

Julgamento do piloto Hélio Castro Neves chega à fase final após 37 dias

Depois de 37 dias de depoimentos, os advogados de defesa e acusação deram início nesta quinta-feira às deliberações finais no julgamento do piloto Hélio Castro Neves. Este é o último passo antes que os 12 jurados do caso se reúnam para dar o veredicto no caso do piloto brasileiro acusado de evasão fiscal nos Estados Unidos. Estima-se que este processo termine nesta sexta-feira. Depois disso, o júri só irá se pronunciar quando chegar a uma decisão unânime. Depois desta definição, caso Castro Neves seja considerado culpado, o juiz Donald Graham vai então marcar uma data para pronunciar a sua sentença. Além do piloto, estão sendo julgados também sua irmã, Katiucia, e seu ex-advogado, Alan Miller, acusados de cúmplices. Morador de Miami desde 1997, Castro Neves, que possui residência norte-americana, é acusado de fraudar o governo dos Estados Unidos em US$ 5,5 milhões em impostos, além de outros seis crimes de evasão fiscal entre os anos de 1999 e 2004. De acordo com o IRS (Internal Revenue Service, o equivalente à Receita Federal no Brasil), o bicampeão das 500 Milhas de Indianápolis deve mais de US$ 2,3 milhões em impostos referentes a este período. Os advogados de defesa alegam que Castro Neves não cometeu nenhum crime e que ele pagará os impostos em maio. Se for considerado culpado em todas as acusações, o piloto pode ser condenado a até 35 anos de detenção, cinco pela tentativa de fraude e cinco para cada ano de evasão fiscal. Como está sendo julgado, Castro Neves está afastado das pistas temporariamente. No domingo, ele não participou da etapa de abertura da Indy, em St. Petersburg, na Flórida.

Senadores gastam média de R$ 6.000,00 mensais em celular

O Senado Federal gastou R$ 8,6 milhões com pagamento de contas de telefones celulares no ano passado. Em média, o gasto por parlamentar foi de ao menos R$ 6.126,00 mensais. O Senado tem 232 aparelhos. Desse total, 110 estão com os senadores e 122 com servidores em cargo de chefia. O responsável pela distribuição é o diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo. Os senadores não têm limite de gasto com a conta de celular. Já os servidores com função comissionada número 9, a mais alta, podem gastar até R$ 300,00 por mês. Para servidores com funções comissionadas números 7 e 8, os gastos estão limitados a R$ 200,00 e R$ 250,00 respectivamente.

Banco da Inglaterra mantém juros em 0,5% ao ano

O Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra decidiu nesta quinta-feira manter a taxa básica de juros no Reino Unido em 0,5% anuais. Esta foi a primeira parada nos cortes desde meados do ano passado. Desde então, a autoridade monetária britânica realizou seis cortes seguidos, fazendo com que a taxa de juros do país chegasse a seu mínimo histórico. A manutenção ficou em linha com a previsão dos analistas de mercado. A decisão do banco central britânico é explicada pela pouca margem de manobra que resta para combater a recessão através da redução de juros.

Governador diz que Caracas vai perder 90% do Orçamento

Criado na terça-feira passada pela Assembléia Nacional da Venezuela, de maioria governista, o cargo de chefe de governo biônico de Caracas reduzirá o Orçamento anual da governadoria distrital de Caracas, sob comando da oposição, de R$ 2,8 bilhões para apenas R$ 280 milhões, e arrebatará 40 mil de seus 43 mil funcionários. A estimativa é do governador distrital, o oposicionista Antonio Ledezma, que ainda perderá formalmente o controle do Palácio do Governo, já tomado por militantes chavistas desde janeiro. Atualmente, ele despacha de um escritório improvisado no centro de Caracas. De acordo com Ledezma, seu governo perderá 90% dos atuais recursos, já que a verba federal destinada à sua administração passará a ser destinada ao chefe de governo biônico, que deve ser nomeado pelo presidente, o tiranete Hugo Chávez nos próximos dias. O governador distrital ressalvou que ainda não está claro como ficará o seu governo, já que, nos próximos 30 dias, a Assembléia deverá aprovar a regulamentação que transferirá os recursos e bens para o cargo recém-criado. "Ficarei com o valor moral que tem a minha designação como governador", disse Ledezma, eleito de forma surpreendente em novembro passado, com pouco mais de 800 mil votos (52% do total). "Cada vez que eu for à rua, verão um governador vítima de uma perseguição política e que representa a resistência cívica de um povo”, agregou ele. O novo cargo foi apenas o mais recente e duro revés contra Ledezma, que já havia perdido o controle sobre as escolas, os hospitais, a TV Ávila e os cartórios públicos da capital, todos transferidos por decreto ao governo federal logo após a sua vitória. Filiado ao Aliança Bravo Povo, Ledezma diz que a medida é inconstitucional, entre outros motivos, porque o seu cargo está previsto na atual Constituição. Ledezma disse que, em breve, levará o seu caso à OEA (Organização dos Estados Americanos) e ao Mercosul, bloco no qual a Venezuela pretende entrar, mas ainda depende da aprovação dos Congressos brasileiro e paraguaio.

Comissão Pastoral da Terra diz que acusado de morte de Dorothy Stang pressiona ex-assentados

Durante os 11 meses em que esteve em liberdade, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de mandar matar a missionária Dorothy Stang, voltou à região de Anapu (oeste do Pará), onde negociou a compra de lotes de terra de ex-assentados da reforma agrária, segundo a Comissão Pastoral da Terra e o Ministério Público Federal. Na última terça-feira, o Tribunal de Justiça paraense anulou o júri que o havia absolvido em maio do ano passado, mandou prendê-lo e marcar um novo julgamento. Para José Amaro --antigo aliado de Stang, padre de Anapu e representante da Comissão Pastoral da Terra na cidade, a atuação de Bida configura "pressão" sobre pequenos proprietários rurais. “Apesar de não serem ilegais, uma vez que os donos das terras já tinham os documentos delas, as negociações são uma demonstração de poder e um indicativo de que a violência pode recrudescer na área”, disse Amaro. Ele afirmou ter sido informado por moradores da região sobre a compra feita por Bida de três terrenos, todos entre Anapu e Altamira (PA). Segundo o padre, ao fazer essas aquisições, Bida estava acompanhado de um homem chamado de Dezinho, conhecido como pistoleiro, e de Délio Fernandes (PRP), que foi eleito no ano passado vice-prefeito de Anapu e que chegou a ser citado pela Polícia Federal como cúmplice do assassinato, mas nunca foi formalmente acusado. "Só a volta de Bida à área já nos deixa muito tensos, gera uma preocupação muito grande", disse Felício Pontes, procurador da República que atua no caso de Stang, morta com seis tiros, em 2005, em uma estrada de Anapu. "É como dizer que vale a pena sair matando todo mundo", afirmou ele. Para Pontes, é possível que Bida esteja servindo nessas negociações como "testa-de-ferro" de Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, outro acusado de mandar matar a missionária norte-americana naturalizada brasileira, e que deve ser julgado ainda neste semestre.

Governo de São Paulo anuncia Twitter oficial e vídeos no YouTube

O governo do Estado de São Paulo anunciou na última quarta-feira o lançamento oficial do seu perfil no Twitter, serviço de microblogs com cerca de seis milhões de usuários no mundo. O endereço da página do Twitter é twitter.com/governosp. Todos que se cadastrarem receberão avisos sobre abertura de concursos públicos, eventos gratuitos, agenda cultural, além de receber divulgação do governo José Serra, como avisos sobre investimentos em saúde e educação. A partir de agora, vídeos oficiais do governo do Estado também estarão disponíveis no YouTube. "Todos os vídeos produzidos pelo governo seguirão para o YouTube", informa a Secretaria de Comunicação. No mês passado, a a Presidência da República também ganhou um perfil (falso) no Twitter.

TCU veta que Petrobras pague a mais por obra em refinaria

O Tribunal de Contas da União proibiu a Petrobras de elevar em R$ 63,5 milhões o pagamento de um serviço na obra da refinaria Abreu e Lima, na região metropolitana de Recife (PE), citada na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investiga a construtora Camargo Corrêa. O serviço se refere ao transporte de materiais escavados até depósitos. Segundo o tribunal, não há "justificativa adequada" para aumentar o pagamento. Além disso, o Tribunal de Contas da União disse que o superfaturamento já apontado em toda a obra passou de R$ 59 milhões para R$ 94 milhões. A Camargo Correa faz parte do Consórcio Terraplanagem, que venceu a licitação da obra, mas não o lidera. O comando é da Norberto Odebrecht. Ao dar seu voto, o relator do processo no Tribunal de Contas da União, ministro Valmir Campelo, afirmou que a obra "ganhou relevo" após a operação da Polícia Federal. "Nesse contexto, entendo que devem ser ampliados os devidos cuidados para garantia do rigor técnico e da transparência com que esta corte sempre procede em matérias da espécie", afirmou Campelo. Campelo é pai de Luiz Henrique Maia Bezerra, citado na Castelo de Areia. Representante da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em Brasília, Bezerra é apontado pela Polícia Federal como responsável por coordenar a distribuição de doações da Camargo Correa a partidos e políticos. A fiscalização do Tribunal de Contas da União foi realizada na primeira fase da obra que deve consumir R$ 429 milhões do custo total de R$ 10 bilhões. Em uma primeira determinação no ano passado, o TCU havia apontado superfaturamento de R$ 59 milhões. A fiscalização havia ocorrido em abril de 2008 e a obra continuou a ser executada pelos mesmos preços, até a decisão do TCU no fim do ano passado. Com isso, conforme o tribunal, o superfaturamento passou a R$ 94 milhões. Devido à determinação do TCU no fim de 2008, a Petrobras já reteve mais de R$ 15 milhões em pagamentos que seriam feitos ao consórcio executor da obra, formado pelas empresas Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

Produção da Alemanha registrou queda de 2,9% em fevereiro

A produção na Alemanha recuou 2,9% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo dados provisórios publicados nesta quinta-feira pelo Ministério da Economia. Em janeiro já havia sido registrada uma queda de 6,1% frente ao mês anterior. Segundo o Ministério alemão, enquanto no setor da construção houve um aumento de 1,9%, no industrial houve recuo de 3,3% e, no energético, de 2,6%. Outro país a divulgar números da produção industrial foi a Itália. Segundo o Istat (instituto de estatística oficial italiano), houve uma queda de 3,5% em fevereiro, também em comparação com janeiro. Já foi registrada na Itália uma redução de 20,7% em respeito a fevereiro de 2008 no índice de produção com correção sazonal.

Juiz do Maranhão solta presos para reduzir lotação em celas

Um juiz do Maranhão resolveu soltar na última terça-feira cinco presos para diminuir a superlotação das celas da delegacia de Bacabal, cidade localizada a 255 quilômetros de São Luís. Os presos, acusados de homicídio e assalto, assinaram um termo que exige não sair de casa até o julgamento. Se forem vistos na rua, voltam para a delegacia. As más condições de alojamento dos presos embasaram a decisão do juiz Carlos de Oliveira Paula. Antes dos cinco serem soltos, 30 presos dividiam duas celas, que têm capacidade para apenas duas pessoas cada uma. Três dos cinco homens que deixaram a prisão são acusados de homicídio e os outros dois, de assalto. Quatro deles têm problemas de saúde. Um deles, com cerca de 60 anos, sofre de diabetes. Todos estão com o processo criminal em fase avançada e devem ser julgados em breve, segundo a delegada Clenir Reis.