quarta-feira, 8 de abril de 2009

Denunciada como contratante de pistoleiro ameaça testemunhas e vítima em Estância Velha

O ex-vereador João Godoy (Duduzinho), do PMDB de Estância Velha (RS), a Santo André do Rio Grande do Sul, acaba de ser ameaçado em plena rua por uma das acusadas em inquérito polícial pela tentativa de assassinato do colunista Mauri Martinelli, ocorrida em 17 agosto de 2006. Duduzinho, que também deveria ter sido assassinado pelo pistoleiro contratado pela quadrilha petista, Alexandre Ribeiro, que está preso no Presídio Central de Porto Alegre, foi até a Secretaria Municipal de Assistência Social, na tarde desta quarta-feira, às 15 horas, para falar com a principal testemunha do caso, Vera Vanzan, a qual testemunhou a contratação do pistoleiro para matar Martinelli e ele próprio. Vera o chamou para relatar que constatou a movimentação de gente estranha em volta de sua casa nos últimos dias. Quando os dois estavam conversando em frente à Secretaria de Assistência Social, passou por eles uma das acusadas pelo atentado sofrido por Mauri Martinelli, Claci Campos, a qual voltou sobre seus passos e os fotografou ostensivamente. Ato contínuo ela seguiu em direção à Câmara Municipal da cidade. O promotor de Estância Velha, Marcelo Tubino, apresentou nesta terça-feira a denuncia dos quatro da gang petista de Estância Velha que contratou o pistoleiro Alexandre Ribeiro para matar Mauri Martinelli e Duduzinho, além do inspetor Omar, na época da Delegacia de Polícia Civil da cidade. Os quatro agora denunciados formalmente são: Jaime Schneider, dono de jornal local, ex-chefe de gabinete do prefeito petista Elivir Desiam, depois Secretário de Planejamento; Jauei de Matos Fernandes, "laranja" de Jaime Schneider na propriedade do jornal O Suplemente, enquanto este estava na prefeitura e assegurava gordissimas verbas publicitários para seu veículo; Claci Campos e Luis Carlos Santos, vulgo "Viramato", vereador petista na cidade, e presidente do PT em Estância Velha quando o pistoleiro foi contratado e realizou o atentado contra Mauri Martinelli. Jauri de Matos Fernandes, o "laranja" de Jaime Schneider no jornal O Suplemento, foi também o fiador para o aluguel da casa onde ficou morando o pistoleiro Alexandre Ribeiro. Claci Campos era gerente da boate que tinha como dona a amante do pistoleiro Alexandre Ribeiro. O pistoleiro Alexandre resolveu acrescentar por sua própria conta o nome do investigador Omar na lista daqueles que deveriam ser assassinados, porque se ligou com a sua amante. Os quatro participaram da reunião de contratação do pistoleiro, que foi feita na casa de Vera Lucia Vanzan, onde morava como pensionista a Claci Campos. Jaime Schneider é "amigo fraternal" do juiz e do promotor de Estância Velha, respectivamente, Nilton Elsenbruch Filomena e Paulo Vieira. Os dois atestaram isso em processo judicial. O juiz Nilton Elsenbruch Filomena, o ex-prefeito petista Elivir Desiam (o Toco), o delegado Luiz Fernando Nunes da Silva, da Policia Civil, todos faziam parte da mesma loja maçônica na cidade Estância Velha. Quanto Jaime Schneider ganhou o título de Cidadão Emérito de Estância Velha, concedido pela Câmara Municipal da cidade, o discurso de saudação em sua homenagem foi feito pelo promotor Paulo Vieira. Este promotor, que não morava na cidade, costumava almoçar quase todos os dias com Jaime Schneider, o agora denunciado como mandante da tentativa de assassinato de Mauri Martinelli, e muitas vezes ia tirar uma sesta na casa de seu "amigo fraternal".

Uma reflexão de Reinaldo Azevedo sobre as agressões à Constituição

O Estadão de hoje revela que a conta do celular da filha do senador Tião Viana (PT-AC) chegou a quase R$ 15 mil. Não tivesse vindo a bandalheira a público, o dinheiro sairia do nosso bolso. Informa a reportagem que há contas que passaram de R$ 100 mil. O Congresso brasileiro parece um saco sem fundo. Os digníssimos não estão se dando conta de que a reputação do Legislativo está indo para o brejo. Não se emendam nem se entendem. O ilegal, o ilegítimo e imoral se estreitam num abraço insano, como diria o poeta. Quando um é flagrado com a boca na botija, dá um jeito de provar que seu adversário é ainda pior. Mas, acreditem, ainda mais grave do que isso foi a quebra do seu sigilo telefônico. “Mais grave como? A quebra serviu para evitar que a gente pagasse a conta, Reinaldo”. Não, senhores! A quebra serviu para evidenciar que ninguém está a salvo da violação de seus direitos constitucionais. O Brasil está se tornando craque em igualar ricos e pobres, poderosos e humildes, segundo A FALTA DE DIREITOS, não segundo A GARANTIA DESSES MESMOS DIREITOS. Estamos tentando fazer a democracia pelo avesso: em vez de garantir o sigilo a qualquer um, também aos caseiros, estamos provando que não são apenas os caseiros que estão sujeitos à bisbilhotagem. Em vez de tratar caseiros como cidadãos, tratamos cidadãos como caseiros. A vigarice de espetar no bolso do distinto público ligações particulares tem de ser coibida, sim. Mais do que isso: tem de ser punida. Mas não estamos falando de uma irregularidade ou de um crime que deforma a instituições e compromete o futuro. A quebra do sigilo telefônico de um senador da República, sem qualquer cerimônia ou amparo legal, apenas nos diz que qualquer um de nós está sujeito a ter violado o seu direito. Reitero: por aqui, igualamos os poderosos aos humildes tornando humildes também os poderosos. Não sei se me fiz entender. Jogar uma conta privada de telefone nas nossas costas do povo fere o decoro. Quebrar o sigilo fere a Constituição. Será que estou solidário com o petista Tião Viana? Ele que se dane, agarrado à sua tentativa de fazer o público arcar com uma despesa familiar. Ele e outros tantos que fazem a mesma coisa! Deveria é se desculpar. MAS NÃO VOU CONDESCENDER COM O MÉTODO, NÃO! Quem quer que tenha quebrado seu sigilo cometeu um crime gravíssimo. Se é parlamentar, tem de ter o mandato cassado. Crimes cometidos contra a Constituição são crimes cometidos também contra o nosso futuro.