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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Empresas estrangeiras cooperavam com repressão líbia, diz jornal


Empresas estrangeiras ocidentais cooperavam com o regime do ditador líbio, Muammar Gaddafi, em operações de espionagem e repressão da população e de opositores, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal americano Wall Street Journal. Repórteres do veículo tiveram acesso a um prédio onde agentes de Gaddafi trabalhavam espiando mensagens de e-mail e bate-papos on-line com ajuda de tecnologia adquirida com companhias ocidentais. "A sala recentemente abandonada está forrada de cartazes e manuais de treinamento em inglês estampados com o nome Amesys, uma unidade francesa de tecnologia da companhia Bull SA, que instalou o centro de monitoramento", afirma reportagem do jornal. Um aviso próximo à porta avisava ainda que os funcionários não deveriam discutir informações internas fora do escritório. "Ajude a manter nossos assuntos confidenciais em segredo", dizia. Segundo o veículo, a Amesys havia equipado o centro de vigilância líbio no fim de 2009 com um sistema de análise de tráfico por internet. Isso permitiria controlar mensagem circulando para filtrá-las ou censurar pacotes de dados. Foram encontrados documento mais recentes, referentes a 2011. Um deles, datado em 26 de fevereiro, incluía uma conversa de 16 minutos no chat do Yahoo entre um casal, cujo homem se preocupava por ser opositor a Gaddafi. O "WSJ" diz que tal tipo de espionagem se tornou prioridade na Líbia quando a Primavera Árabe iniciou uma série de revoltas contra líderes há décadas no poder na região. Nesse período, autoridades líbias se reuniram com a Amesys novamente para aumentar a capacidade de filtrar mensagens e com outras empresas, como uma filial da americana Boeing chamada Narus, especializada em programas de segurança de computadores. O regime líbio queria meios para controlar conversas no Skype e censurar vídeos no YouTube, por exemplo. A Narus enviou um documento em resposta à reportagem, afirmando que não comenta sobre negócios em potencial da companhia. "Não houve vendas ou implantações de tecnologias da Narus na Líbia". Procurada, a Bull se recusou a comentar o caso. A chinesa das telecomunicações ZTE também vendeu tecnologia ao regime líbio, de acordo com o WSJ, para operações de vigilância. A companhia se negou a se pronunciar sobre o assunto.

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