segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Receita quer reaver R$ 22,7 bilhões de 500 mil empresas do Simples


A Receita Federal informou nesta segunda-feira (11) que notificará 556,1 mil devedores optantes do Simples Nacional dos seus débitos previdenciários e não previdenciários com o Fisco. Quem não regularizar sua situação será excluído do programa a partir de janeiro de 2018. Os devedores que serão notificados respondem por dívidas que somam R$ 22,7 bilhões, de acordo com o Fisco. Segundo o órgão, os atos declaratórios com as notificações serão disponibilizados nesta terça-feira (12) no Domicílio Tributário Eletrônico do Simples Nacional (DTE-SN) - o prazo máximo para realizar essa consulta é 45 dias a partir de amanhã. A partir da data em que o contribuinte tomar ciência do ato declaratório executivo (ADE), terá 30 dias para regularizar sua situação. O ADE de exclusão pode ser acesso pelo portal do Simples Nacional na internet ou pelo Atendimento Virtual (e-CAC), no site da Receita Federal, mediante certificado digital ou código de acesso. "A pessoa jurídica que regularizar a totalidade dos débitos dentro desse prazo terá a sua exclusão do Simples Nacional automaticamente tornada sem efeito, ou seja, a pessoa jurídica continuará no Simples Nacional, não havendo necessidade de comparecer às unidades da RFB para adotar qualquer procedimento adicional", diz a Receita.

Subsidiária da JBS nos Estados Unidos compra a Moy Park por US$ 1 bilhão


A processadora de carne de frango americana Pilgrim's Pride, subsidiária da JBS, comunicou nesta segunda-feira (11) que adquiriu a britânica Moy Park por aproximadamente US$ 1 bilhão. Segundo o comunicado emitido pela empresa, a Moy Park é uma das dez maiores companhias alimentícias do Reino Unido, com capital avaliado em cerca de US$ 1,3 bilhão. Em 2009, a JBS tornou-se acionista majoritária da Pilgrim's Pride ao comprar uma parte controladora por US$ 2,8 bilhões. Já a Moy Park estava entre os ativos colocados à venda pela JBS para ajudar a J&F Investimentos, holding que controla a JBS, a pagar a multa que lhe foi imposta após a empresa se envolver em um esquema de corrupção. A Pilgrim's Pride informou, no entanto, que a operação foi aprovada unanimemente por um comitê especial "formado inteiramente por diretores independentes eleitos para o conselho em votação controlada por acionistas não filiados à JBS". O presidente-executivo da Pilgrim's Pride, Bill Lovette, afirmou que a compra está alinhada com os objetivos de expansão global da empresa. "A aquisição nos dá acesso aos atraentes mercados do Reino Unido e Europa, o que é um avanço em nossa estratégia de diversificação de portfólio”, disse.

Ibovespa atinge 74.319 pontos e registra novo recorde histórico


Com uma alta de 1,70% o Índice Bovespa atingiu nesta segunda-feira, 11, os 74.319,21 pontos e registrou um novo recorde histórico, superando o pico anterior, de 73.516 pontos, de 20 de maio de 2008. A alta expressiva do pregão desta segunda-feira desafiou diversas análises fundamentalistas que sugerem uma desaceleração do índice, dado o rali que se estende desde o mês de julho. Com o resultado do dia, o Ibovespa passa a contabilizar ganho nominal de 4,92% em setembro e de 23,40% em 2017. A valorização generalizada na bolsa brasileira foi atribuída a uma conjunção de fatores, internos e externos. Em Nova York, as bolsas tiveram ganhos expressivos, acima de 1%, refletindo fatores como a menor tensão geopolítica e o enfraquecimento do furacão Irma, cujos prejuízos devem ser menores que o inicialmente esperado.

Internamente, contribuem os sinais de recuperação econômica e a contínua melhora de percepção dos investidores em relação ao governo e ao cenário político. Os cenários mais benignos levaram a um aumento do apetite do investidor estrangeiro por ativos de risco, o que vem dando sustentação às ações, mesmo com o Ibovespa sendo considerado “esticado”, estando suscetível a uma correção. Gustavo Macêdo, sócio da Vokin Investimentos, não descarta uma correção nas ações, mas aposta na continuidade do movimento altista, baseado na melhora de indicadores conjunturais. “Embora seja racional dizer que a bolsa pode realizar lucros, também é racional dizer que ela pode continuar subindo. Isso porque temos hoje um País bem diferente do que tínhamos pouco tempo atrás”, disse ele. Macedo ressalta, por exemplo, que a taxa Selic caiu de 14% para 8,25% em um período de 11 meses. “Com a queda dos juros do rendimento da renda fixa, os investidores vão ter de correr riscos para obter ganhos maiores”, disse.

Na análise por ações, os destaques ficaram com Petrobras ON e PN, que avançaram 2,19% e 1,90%, respectivamente. Os preços do petróleo subiram na bolsa de Nova York, mas ficaram estáveis na de Londres. Vale ON avançou 1,77% e Itaú Unibanco PN ganhou 1,69%.

Nuno Cobra, ex-preparador físico de Ayrton Senna, é preso por assédio sexual


O preparador físico Nuno Cobra, famoso por ter trabalhado com Ayrton Senna, foi preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira (11) por nova denúncia de assédio sexual. Em agosto deste ano, Cobra atacou uma jornalista durante uma entrevista. Além disso, ele já havia sido acusado pela Procuradoria da República em São Paulo, de ter assediado uma outra mulher durante um vôo de Curitiba para Congonhas em 2015. A ordem de prisão foi expedida pela juíza Raecler Baldresca, da 3ª Vara Criminal de São Paulo. Segundo o relato da vítima e de testemunhas, o agressor se sentou ao lado da mulher no avião e começou a conversar com ela, dizendo que trabalhava com o corpo e manipulação de energias. De acordo com a investigação do Ministério Público, durante a decolagem, o agressor “passou a tocar os seios e pernas da mulher várias vezes”.

Pela acusação de 2015, o preparador físico havia sido denunciado no artigo 215 do Código Penal, que trata de violação à liberdade sexual cometida em transportes coletivos. Mas por conta da reincidência, a juíza condenou Nuno Cobra a três anos e nove meses de prisão por violação sexual mediante fraude e por meio que dificultou a livre manifestação da vítima.

Ministério Público Federal denuncia Lula, chefe da organização criminosa petista, por envolvimento na Operação Zelotes

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O chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula novamente vai enfrentar a Justiça. O Ministério Público Federal no Distrito Federal denunciou o petista, o ex-ministro e chefe de gabinete, o "seminarista" Gilberto Carvalho (muito conhecido desde sua atuação na prefeitura de Santo André, na gestão do assassinado petista Celso Daniel) e mais cinco pessoas , no âmbito da Operação Zelotes por corrupção ativa e passiva. Segundo o órgão, Lula teria cobrado R$ 6 milhões em propina para viabilizar a Medida Provisória 471/09 em 2009. A proposta prorrogou por cinco anos os benefícios fiscais às empresas do setor automobilístico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os empresários Carlos Alberto de Oliveira Andrade e Paulo Ferraz Arantes também são acusados de favorecimento. O valor recebido ajudou no financiamento de campanhas do PT.

Na denúncia enviada à 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, os procuradores Frederico Paiva e Hebert Mesquita sustentam que representantes das montadoras prometeram o pagamento de “vantagens indevidas” a intermediários do esquema e a agentes políticos, entre eles Lula e Carvalho. A Marcondes e Mautoni Empreendimentos – empresa do lobista Mauro Marcondes Machado, que representava a CAOA (Hyundai) e a MMC Automotores (Mitsubishi do Brasil) – teria ofertado R$ 6 milhões a Lula e Carvalho. “Diante de tal promessa, os agentes públicos, infringindo dever funcional, favoreceram às montadoras de veículo MMC e Caoa ao editarem, em celeridade e procedimento atípicos, a Medida Provisória n° 471, em 23/11/2009, exatamente nos termos encomendados”, revela trecho da denuncia.

Também estão entre os denunciados Mauro Marcondes, o lobista Alexandre Paes dos Santos, o ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), José Ricardo da Silva e os executivos de montadoras, Carlos Alberto de Oliveira Andrade e Paulo Arantes Ferraz. O Ministério Público Federal pede que os acusados paguem R$ 12 milhões a título de ressarcimento ao erário e multa por danos morais coletivos.

Além de garantir a edição e aprovação da MP no Congresso, os procuradores alegam que as propinas foram pagas também para comprar o cancelamento de um débito de R$ 265 milhões que era objeto de um recurso no Carf. Este caso, no entanto, é objeto de outra ação penal em tramitação na 10ª vara da Justiça Federal em Brasília. De acordo com o Ministério Público Federal, a investida do grupo junto ao governo começou em junho de 2009, quando José Ricardo Silva recebeu do diretor jurídico da Marcondes e Mautoni duas cartas endereçadas ao então presidente da República com os pedidos de alteração legislativa. Os documentos foram elaborados pelo diretor jurídico da empresa, Ricardo Rett, e chegaram a sugerir que a mudança fosse efetivada por meio de MP, o que acabou ocorrendo.

Os procuradores destacam uma mensagem em que Alexandre Paes dos Santos afirma que “colaboradores” de Mauro Marcondes teriam exigindo R$ 10 milhões e que o valor foi reduzido para R$ 6 milhões após “esforço de sensibilização de Mauro (Marcondes)”. Para o Ministério Público Federal, “colaboradores” seriam o ex-presidente Lula e de Gilberto Carvalho. Segundo o Ministério Público Federal, a mensagem endereçada aos responsáveis pela empresa SGR Assessoria, de propriedade de José Ricardo, foi elaborada após a empresa Caoa ter desistido de pagar a sua parte no combinado. A negociação inicial previa o pagamento de R$ 33 milhões. No entanto, recebeu só a metade, o que teria dificultado o pagamento das propinas.

Na denúncia, os procuradores enfatizam que documentos e depoimentos mostram que a Medida Provisória teve um andamento atípico, passando por três ministérios em um único dia: 19 de novembro, quatro antes da publicação da norma no Diário Oficial. As negociações para a MP teriam sido feitas diretamente entre o Ministério da Fazenda e a Presidência da República, tendo as demais pastas apenas referendado as tratativas. O Ministério Público Federal explica que, por falta de provas de que participaram das negociações e dos atos ilegais, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a empresária Cristina Mautoni, mulher de Mauro Marcondes, não foram denunciados.

Juiz Vallisney Oliveira suspende homologação do acordo de leniência da criminosa J&F


A Justiça Federal suspendeu a homologação do acordo de leniência da J&F, holding que controla a JBS, após a prisão temporária neste fim de semana dos açougueiros bucaneiros Joesley Batista e Ricardo Saud. O acordo com o Ministério Público Federal prevê o pagamento de uma multa de 10,3 bilhões de reais em 25 anos. Segundo o Ministério Público Federal, o pagamento da multa e os benefícios negociados na esfera cível estão mantidos, pois não são de competência da 10ª Vara da Justiça Federal – responsável pelos desdobramentos dos aspectos penais. 

Em sua decisão, o juiz da 10ª Vara da Justiça Federal, Vallisney de Souza Oliveira, afirma que o acordo de leniência perderia validade se a colaboração premiada fosse suspensa. Para o juiz, a prisão de Joesley e Saud sinalizam a possível anulação dos efeitos do acordo de delação premiada. “Considero que esses fatos supervenientes (a prisão) possuem repercussão imediata no presente acordo de leniência, em razão da insegurança jurídica que pode gerar caso inicie a produção de efeitos, em especial dos prazos estipulados, pelo fato de que, ao pedir medidas constritivas que atingem alguns dos principais colaboradores, o Ministério Público Federal sinaliza com a iminente ruptura, desestrutura ou invalidade (ainda que parcial) do acordo de colaboração premiada que sustenta o presente acordo de leniência”, escreveu ele. 

O Ministério Público Federal informa que o acordo de leniência continua válido. A decisão do juiz atinge possíveis repercussões penais que podem atingir pessoas ligadas ao grupo econômico que não integram a lista de colaboradores, incluídos no acordo de colaboração já homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Em nota, a J&F informa que a decisão do juiz não altera os termos do acordo de leniência já firmado com o Ministério Público Federal: “O despacho do juiz suspende apenas novas adesões ao acordo inicialmente celebrado". Segundo Igor Tamasaukas, um dos advogados do grupo, o acordo de leniência continua válido até uma manifestação final do STF sobre o processo de revisão dos acordos de delação premiada firmados pelos executivos da J&F.

A Procuradoria informa que o acordo de leniência abrange aspectos cíveis relacionados à pessoa jurídica, homologado pela pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, continua válido. Já a homologação do acordo na 10ª Vara Federal, em Brasília, “tem caráter complementar e envolve somente aspectos penais decorrentes da investigação”. Segundo o advogado, ainda estão mantidos os aspectos de improbidade do acordo – o grupo não pode ser alvo de ações de improbidade na leniência que foi homologada na sexta-feira pela Justiça Federal do Distrito Federal.

Advogado Pierpaolo Bottini, que defende o açougueiro bucaneiro Joesley batista, também atua pelo petista José Eduardo Cardozo


O advogado paulista Pierpaolo Bottini está no centro de um conflito de interesses. Isso porque ele faz a defesa do "porquinho" petista José Eduardo Cardozo, por suposta tentativa de obstrução da Justiça na Lava-Jato. Ocorre que Bottini também atua na defesa do açougueiro bucaneiro Joesley Batista, que grampeou José Eduardo Cardozo. Ou seja, ele terá de renunciar à defesa de um ou de outro. No último sábado, à tarde, ele se encontrou furtivamente, à tarde, em um boteco localizado dentro de uma distribuidora de bebidas, com o procurador geral da República, Rodrigo Janot, na zona do Lago Sul, em Brasília. 

Juiz federal Sérgio Moro adia mais uma vez o depoimento de compadre de Lula para dia 20 de setembro


O juiz federal Sergio Moro acatou o pedido da defesa do advogado Roberto Teixeira, compadre do chefão da organização criminosa petista, Lula, e adiou para as 13h30 do dia 20 de setembro o depoimento que ele deverá prestar no âmbito da Operação Lava Jato. Teixeira está repousando em sua casa após ter recebido alta do Hospital Sírio-Libanês, onde ficou internado por problemas cardíacos. Ele foi proibido pelos médicos de sair de São Paulo. Teixeira foi internado na véspera da primeira audiência marcada por Sérgio Moro, na quarta-feira, 6. Segundo o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, responsável pela defesa do advogado, os médicos disseram que a “gravidade dos sintomas recentes” exigem que ele permaneça em observação, em repouso e impossibilitado de deixar a cidade de São Paulo. Para embasar o pedido, a defesa anexou um relatório que detalha o quadro de saúde do advogado.

“O relatório médico em anexo dá notícia do seguinte diagnóstico: (1) insuficiência coronariana com infarto do miocárdio em 1981, revascularização cirúrgica do miocárdio em 2006 e angioplastia coronariana em 2016. A recente internação deve-se a quadro de angina instável; (2) insuficiência cardíaca secundária à miocardiopatia isquêmica; bem como (3) arritmia cardíaca controlada com uso de medicação”, diz o boletim médico.  O depoimento de Teixeira estava marcado para esta quarta-feira, 13, mesmo dia em que ocorrerá a audiência em que Lula reencontrará Sergio Moro. Eles serão ouvidos no processo em que a força-tarefa atribui ao petista os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

Teixeira e Lula são réus no mesmo processo. Segundo o Ministério Público Federal, propinas pagas pela Odebrecht chegaram a 75 milhões de reais em oito contratos com a estatal. Este montante, segundo os investigadores, inclui um terreno de 12,5 milhões de reais para comprar um imóvel que seria para o Instituto Lula – mas que nunca foi usado – e 504 mil reais para a aquisição do apartamento vizinho ao que o petista mora, em São Bernardo do Campo. Teixeira é acusado de lavagem de dinheiro por ter simulado um contrato de aluguel para o apartamento, que, de acordo com o Ministério Público Federal, teria sido dado ao ex-presidente, como fruto de propina em contratos da Odebrecht com a Petrobras. Teixeira é sogro de Cristiano Zanin Martins e pai de Valeska Teixeira Zanin Martins, advogados do petista no processo. 

Na última semana, o ex-ministro Antonio Palocci, que também é réu no processo, incriminou Lula ao prestar depoimento a Moro. Ele citou um “pacto de sangue” entre o empresário Emílio Odebrecht e Lula, que teria envolvido um “pacote de propinas” ao petista no final de seu segundo mandato no Palácio do Planalto, em 2010. O ex-ministro disse ao magistrado que a denúncia do Ministério Público Federal “procede” e que participou das tratativas sobre vantagens indevidas. Afirmou, ainda, que a relação entre os governos petistas e a empreiteira era “bastante intensa, movida a vantagens dirigidas à empresa e propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos”. 

Polícia Federal conclui inquérito que investiga o PMDB da Câmara dos Deputados


A Polícia Federal concluiu nesta segunda-feira o inquérito que investiga o chamado “PMDB da Câmara”, grupo de deputados e ex-deputados do partido. No relatório do inquérito 4327, remetido ao Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal afirma que os investigados, entre os quais os ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN), e o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, os três presos, cometeram o crime de organização criminosa. A conclusão da investigação deve ser um dos elementos que subsidiarão nova denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer (PMDB). 

Temer é apontado pelas investigações como integrante do grupo, que ainda teria participação dos ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso em Brasília desde a semana passada. A Polícia Federal encontrou 51 milhões de reais de Geddel em um apartamento em Salvador. Havia digitais do peemedebista baiano nas cédulas e uma nota fiscal emitida por uma empregada em nome de seu irmão, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). 

“Integrantes da cúpula do partido, supostamente, mantinham estrutura organizacional com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública direta e indireta”, afirma a Polícia Federal, por meio de nota. “O grupo agia através de infrações penais, tais como: corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, evasão de divisas, entre outros crimes cujas penas máximas são superiores a quatro anos”, completa. Além de Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Lucio Bolonha Funaro, são investigados no inquérito os deputados federais André Moura (PSC-SE), líder do governo no Congresso; Aníbal Gomes (PMDB-CE), Altineu Cortes (PMDB-RJ), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), e os ex-deputados federais Manoel Júnior (PMDB-PB), Solange Almeida (PMDB-RJ) e Nelson Bournier (PMDB-RJ). 

Operador de propinas do PMDB, Lúcio Funaro fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado na semana passada pelo relator da Operação Lava Jato no Supremo, ministro Edson Fachin. Em seus depoimentos à Procuradoria Geral da República, Funaro afirmou que Michel Temer não apenas sabia dos esquemas de corrupção do partido como participou deles, recebendo propinas ou intermediando dinheiro ilícito a campanhas de aliados. As revelações do doleiro também devem constar entre os elementos apresentados por Janot ao Supremo na nova acusação contra o presidente. 

Além de anexada ao inquérito 4483, que investiga Temer no Supremo, a conclusão da Polícia Federal pode basear mais uma denúncia de Janot por organização criminosa na Lava Jato. Nas duas últimas semanas o procurador-geral da República, que deixará o cargo no próximo dia 18, apresentou acusações formais ao Supremo contra políticos do PT, incluindo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PP e a cúpula do PMDB no Senado no esquema de corrupção da Petrobras.

Ministro Henrique Meirelles afirma que reforma da Previdência deve ser votada em outubro


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira, em sua conta no Twitter, que as discussões sobre a Reforma da Previdência foram retomadas. “A expectativa é que a reforma seja votada no Congresso em outubro”, escreveu o ministro. Na semana passada, o governo obteve duas importantes vitórias no Congresso Nacional com a aprovação das mudanças nas metas fiscais de 2017 e 2018 e da criação da nova taxa de juros dos financiamentos do BNDES, a Taxa de Longo Prazo (TLP). 

Esses resultados foram recebidos como um sinal de ambiente mais favorável ao governo para votar matérias de seu interesse – o que se soma à recente reviravolta no campo político, com a possibilidade de reversão de benefícios concedidos a executivos da JBS que implicaram o presidente Michel Temer em suas delações, mas teriam omitido outras informações. Meirelles também publicou no Twitter que, após a aprovação das mudanças nas regras previdenciárias, o governo vai trabalhar na formulação da reforma tributária, “com objetivo de simplificar o sistema”. Enquanto isso, já nas próximas semanas, o Congresso deve começar a debater a nova lei de recuperação judicial. Esse, segundo o ministro, é o próximo item da agenda de estímulo à produtividade do governo.

Ministro Gilmar Mendes diz estar "convencido" de que foi gravado pelo açougueiro bucaneiro Joesley Batista


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, diz estar “convencido” de que foi gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS. Gilmar recebeu o açougueiro bucaneiro em Brasília no último dia 1º de abril, um sábado, na sede do IDP, escola de direito da qual o ministro é sócio. O encontro, solicitado pela JBS, ocorreu três semanas após Joesley Batista ter gravado secretamente o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu. Àquela altura, o açougueiro bucaneiro Joesley já se preparava para acertar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Em uma gravação inédita, cujo teor veio a público na semana passada, o dono da JBS e Ricardo Saud, um de seus principais executivos, tratam da possibilidade de incluir na delação informações sobre ministros do STF – eles falam em “dissolver o Supremo”. 

Gilmar Mendes diz que, sabendo agora que os delatores pretendiam atingir o tribunal, acredita que o encontro, ocorrido em pleno processo de negociação da colaboração premiada, foi gravado por Joesley. “Hoje eu estou convencido de que sim. Eu acho que ele gravou a conversa. Porque a insistência para marcar o encontro foi tanta… Nessas conversas eles falam que queriam destruir o Supremo, né!?”, diz o ministro. “Mas a conversa correu normal. Foi uma conversa absolutamente normal. Eu não tenho a menor preocupação com isso”, emenda. 

O encontro foi agendado por meio de Dalide Corrêa, então braço-direito do ministro no IDP. Ela costumava negociar patrocínios – inclusive da JBS – a eventos da escola de Direito. Segundo o ministro Gilmar Mendes, na reunião, ele e Joesley se limitaram a discutir um processo de interesse do setor do agronegócio que seria julgado dias depois pelo plenário do STF – o ministro lembra que votou contra os interesses da empresa. 

Em conversa gravada, uma advogada da companhia diz ter sido acionada por Dalide Corrêa – já depois de a delação premiada vir a público – para convencer integrantes da cúpula da JBS a não revelar algo que seria comprometedor para ela própria e também para o ministro Gilmar Mendes. Dalide Corrêa estaria preocupada, em especial, porque o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis, havia reproduzido trechos de uma troca de mensagens mantida entre os dois por meio de um aplicativo de telefone celular. Francisco de Assis confirmou ter feito o print-screen de uma troca de mensagens de Dalide Corrêa, mas disse não se lembrar do teor das mensagens. 

Ele admitiu que o apelo da então assessora de Gilmar Mendes chegou à direção da empresa. Perguntado se Joesley gravou Gilmar Mendes, Francisco de Assis saiu pela tangente. “Eu não gravei”, limitou-se a dizer. “Não sei qual era a preocupação da Dalide. Se for preocupação com gravação, talvez seja uma preocupação normal dela. Acho que ela se sentiu culpada porque foi ela que propiciou o encontro”, disse o ministro Gilmar Mendes. Dalide Corrêa, àquela altura diretora do IDP, deixou o instituto oficialmente na semana passada. Ela e Gilmar Mendes dizem que o desligamento vinha sendo negociado havia algum tempo e não guarda relação com a crise envolvendo a JBS.

POR QUE PALOCCI ABRIU O BOCÃO E ENTREGOU LULA E O PT


Antonio Palocci estudou Medicina na USP, em Ribeirão Preto, e fez parte do grupelho trotskista Libelu (Liberdade e Luta), que teve influência nos meios estudantis na década de 70. Suas "festas do cabide" ficaram conhecidíssimas entre a esquerda. 

A Liberdade e Luta (Libelu) foi uma tendência do movimento estudantil brasileiro ligada ao trotskismo e ao jornal O Trabalho, que era editado, à época, pela Organização Socialista Internacionalista (OSI). 

A Libelu foi dissolvida na primeira metade da década de 1980, com a integração de alguns de seus quadros ao Partido dos Trabalhadores (PT). A corrente "O Trabalho" do PT, seção brasileira da IV Internacional (1993) liderada por Markus Sokol, representa a continuação da estrutura da OSI na atualidade. 

A Libelu teve centenas de militantes. Entre eles, estavam os políticos Luiz Gushiken, Markus Sokol, Tita Dias; o médico e deputado Antônio Palocci, os jornalistas Renata Rangel, Zé Américo, Cleusa Turra, Bernardo Ajzenberg, Paulo Moreira Leite, Caio Túlio Costa, Matinas Suzuki, Mário Sérgio Conti, Reinaldo Azevedo (ex-Convergência Socialista), Miriam Leitão, Laura Capriglione, Eugênio Bucci, Luis Favre,José Arbex Jr. Ricardo Melo e Josimar Melo; a arquiteta Clara Ant, os sociólogos Demétrio Magnoli, Glauco Arbix e Lúcia Pinheiro; o crítico de arte Rodrigo Naves. 

Essa gente se distingue do pessoal do antigo POC gaúcho. Os trotskistas paulistas sempre menosprezaram os trotskistas gaúchos, acusados de serem membros da dissidência do antigo Partido Comunista Brasileiro (PSB), o que efetivamente foram. Isso não impediu que o Foro de São Paulo fosse dirigido, tivesse como executivo principal, o trotskista gaúcho Marco Aurélio Garcia, o "Top Top". 

Os trotskistas, autênticos revolucionários comunistas, resolveram ao final da década de 70 pela sua inclusão dentro do projeto do PT. Ou seja, renunciaram ao projeto de institucionalização político-partidária, porque reconheceram que não tinham chance na campo da chamada política de massas, devido à predominância da figura de Lula.

Subordinaram-se, então, porque o PT, desde o começo, admitiu a existência de tendências em seu interior. Subordinaram-se mas, entre eles, jamais deixaram de considerar Lula apenas um pelegão sindical, um "contra revolucionário", em resumo, um corrupto, que somente se aproveitava da ascendência sobre a classe operária para seu benefício próprio. 

Os comunistas trotskistas continuaram se considerando, desde sempre, os únicos e autênticos representantes dos interesses do proletariado. A figura de Lula atrapalhou o ascenso dos comunistas. Agora, esses comunistas trotskistas vêem o momento de colocar a pá de cal no lulismo e no próprio PT. Portanto, não é de estranhar que isso ocorra por meio de Antonio Palocci, um de seus quadros. Ele enterra definitivamente as imagens públicas de Lula e do PT, do lulismo. 

Os comunistas trotskistas fazem isso imaginando que as esquerdas precisarão se recompor no pós-Lava Jato, reinventar seu discurso, reorganizar-se, e imaginam que o papel da liderança do movimento revolucionário desta vez ficará em seus braços. 

É isso que explica a dedada geral aplicada por Palocci em seu depoimento ao juiz federal Sérgio Moro. O qual, com absoluta certeza, não tem a menor idéia do que se passa debaixo de seu nariz, porque não conhece a história político-ideológica das esquerdas no Brasil. Também explica a manutenção do silêncio de parte de indivíduos como José Dirceu, porque este é de outra extração, é um comunista ortodoxo, formado e treinado pela inteligência e contra-informação de Cuba. 

Palocci, não, é um festeiro da Libelu. Certamente, um sujeito também sem a fibra revolucionária da ortodoxia de um José Dirceu. As esquerdas terão um feroz embate interno de novo no Brasil. Agora com um problema maior, porque todos os seus grandes quadros já ultrapassaram ou estão por ultrapassar a barreira dos 70 anos.