segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Lucro da JBS cai 80% no primeiro balanço após delação do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista


No primeiro resultado após vir a público a delação do empresário Joesley Batista, a JBS anunciou uma queda de 80% no lucro líquido no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 309,8 milhões. No dia 17 de maio, vazou a informação de que Joesley admitia prática de corrupção e pagamento de propina a políticos. O caso gerou denúncia contra o presidente Michel Temer e provocou uma crise de imagem na empresa –suas ações caíram e ativos tiveram de ser vendidos. A receita líquida da JBS ficou em R$ 41,7 bilhões no período, quase 5% inferior ao registrado no mesmo semestre do ano passado.

Conforme a companhia anunciou na semana passada, por causa da apuração em andamento devido ao acordo de leniência firmado com o Ministério Público, ela divulgaria o resultado sem o relatório de revisão do auditor independente. De acordo com a empresa, a situação será regularizada após a homologação do acordo e o levantamento do sigilo. Em junho, a empresa anunciou um acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões firmado com o Ministério Público. 

Os escândalos de corrupção impactaram o negócios da empresa, mas ainda não é possível medir com precisão o tamanho do estrago. Quando a delação veio à tona, o semestre já passava da metade, ou seja, ela já tinha boa parte dos estoques e contratos definidos para o período. Mas precisou adaptar-se à nova realidade: a JBS mudou seu modelo de comercialização na compra de gado, restringindo os pagamentos à vista aos produtores. 

Por parte dos consumidores, houve campanhas de boicote nas redes sociais aos produtos da holding J&F, a controladora da JBS. A empresa suspendeu suas tradicionais propagandas com celebridades de altos cachês, como Tony Ramos e Fátima Bernardes, e passou a esconder o nome da Friboi em seus produtos. Também fez promoções agressivas para não perder vendas. Os resultados mostram queda de 7,5% no custo dos produtos vendidos. Em sua divulgação de resultados nesta segunda-feira, a empresa ressalta mudanças na presidência e no conselho, além de avanços em um programa de compliance.

Em maio, os irmãos Joesley e Wesley Batista renunciaram aos postos de presidente e vice do conselho da JBS, após formalização de acordos de delação premiada. A JBS também destaca o anúncio do plano de desinvestimentos, que deve gerar entrada de caixa de R$ 6 bilhões, segundo a empresa. Os ativos incluem a participação de 19,4% na Vigor, Moy Park e Five Rivers.

O desempenho do trimestre embute também os reflexos sentidos pelo setor como um todo após a deflagração da operação Carne Fraca pela Polícia Federal, em 17 de março, que influenciaram nos preços internos e também no volume exportado, com o fechamento de alguns mercado externos. A crise da pecuária acentuou um processo de perda de renda no setor que teve inicio no ano passado.

O valor bruto da produção da pecuária deve recuar cerca de 6% neste ano em relação a 2016, atingindo o menor patamar em cinco anos, segundo dados do Ministério da Agricultura que incluem os segmentos bovino, suíno, frango, leite e ovos. 

Também nesta segunda-feira, a Marfrig anunciou prejuízo líquido das operações continuadas de R$ 156,9 milhões, ante resultado também negativo de R$ 200,5 milhões em igual período de 2016. 

JBS /2° TRI 2017
Receita R$41,7 bilhões
Ebitda R$ 3,8 bilhões
Lucro líquido R$ 309,8 milhões,
Número de funcionários 133 mil

Baixo nível dos rios coloca 11 municípios do Amazonas em estado de atenção


A diminuição significativa do volume de chuvas e do nível dos rios levou a Defesa Civil do Amazonas a emitir hoje (14) um alerta de estado de atenção para 11 municípios das calhas do Juruá, Purus e Madeira. Dados do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) indicam que essas bacias enfrentam o trimestre mais seco do ano. Apesar de a baixa pluviosidade ser comum nesta época, as chuvas estão abaixo da média prevista. Segundo o secretário executivo do órgão, coronel Fernando Pires Júnior, o estado de atenção é considerado o primeiro estágio de um desastre ambiental e serve para alertar os municípios.

“A nossa região, principalmente, o sudoeste do Estado, encontra-se com baixa quantidade de precipitação e as calhas estão em níveis críticos por causa do verão amazônico. A Defesa Civil coloca esses municípios em situação de atenção para que nós possamos trabalhar antecipadamente em um plano, caso haja uma situação crítica de estiagem, e para que nós possamos atender as comunidades afetadas”, afirmou. O coronel explica que a estiagem atrapalha o dia a dia das comunidades ribeirinhas. “O volume de chuvas interfere diretamente na trafegabilidade, no reabastecimento e na logística de manutenção da vida social dessas comunidades localizadas nessas calhas de rios”, aponta.

Estão em estado de atenção os municípios de Guajará, Eirunepé, Itamarati, Ipixuna e Envira, na calha do Juruá; Boca do Acre, Canutama, Lábrea e Pauini, na calha do Purus; Humaitá e Manicoré, na calha do Madeira. No Juruá, de acordo com a Defesa Civil, a previsão de precipitação em julho era de 66 mm, mas só foram registrados 21 mm. Já no Purus, no mês passado, foi 0,9 milímetro de chuva e a estimativa era de 42 mm. Na bacia do rio Madeira, dos 45 mm previstos, foram registrados apenas 4 mm de chuva. 

União pagou R$ 221,6 milhões em dívidas de Estados e municípios em julho

A União pagou em julho R$ 221,6 milhões relativos a dívidas de Estados e municípios. Desse montante, R$ 208,7 milhões, ou 94%, foram para honrar pagamentos atrasados do Rio de Janeiro. Do valor restante, R$ 8,51 milhões foram para débitos do Estado de Roraima e R$ 4,38 milhões para dívidas da prefeitura de Natal, capital do Rio Grande Norte. Os dados estão no Relatório de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito, divulgado hoje (14) pelo Tesouro Nacional. As garantias são concedidas para serem usadas em caso de calote dos Estados e municípios. O Tesouro cobre a inadimplência dos entes, mas obtém de volta o dinheiro por meio da retenção de repasses federais (como os fundos de Participação dos Estados e Municípios e a devolução do Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI - sobre as exportações).

Segundo o relatório, do total pago em julho, o Tesouro recuperou R$ 7,97 milhões com a retenção dos fundos de participação, do IPI sobre as exportações e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Ainda de acordo com o Tesouro, atualmente restam a recuperar R$ 1,439 bilhão, relativos a garantias honradas de 2016 até hoje. Essa dívida é atualizada pela Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 9,25% ao ano.

O valor corresponde quase à totalidade da dívida dos entes federativos. Segundo o Tesouro, o motivo é que ações judiciais movidas pelo Rio de Janeiro impedem um resgate maior. Duas decisões em ações cíveis movidas pelo Estado, proferidas em janeiro e maio de 2017, impedem a União de reter as receitas previstas em contrato com o Rio de Janeiro. “Além das contragarantias bloqueadas do Estado do Rio de Janeiro, restam ainda R$ 4,93 milhões a recuperar referentes a parcelas do Estado de Roraima e da prefeitura de Natal, honradas em julho”, diz nota divulgada pelo Tesouro Nacional. 

Governo adia anúncio sobre revisão da meta fiscal

Ainda fazendo cálculos sobre o resultado de concessões, privatizações e impacto de propostas em tramitação no Congresso Nacional, o governo adiou para amanhã (15) o anúncio sobre o aumento da meta de déficit primário para este ano e para 2018. Além dos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, o presidente Michel Temer reuniu-se hoje (14) com os ministros de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça, além do líder do governo no Senado, Romero Jucá, e o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

Em meio à reunião com os ministros da área econômica, o presidente convocou o ministro de Minas e Energia para apresentar dados “realistas” sobre o potencial de arrecadação da União com rodadas de leilão da área de petróleo e gás. Já a ministra Grace Mendonça foi chamada para dar detalhes sobre as questões jurídicas relacionadas à licitação das usinas de Jaguará, Miranda e São Simão, que estavam concedidas à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

A intenção do governo é fazer um cálculo realista sobre o potencial de arrecadação e das despesas neste ano e para o ano que vem antes do anúncio do novo valor déficit fiscal para evitar desgaste com outra frustração de receitas. No meio da tarde, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, usou o Twitter para negar que a meta fiscal será de R$ 170 bilhões. “É especulação a notícia de meta fiscal para 2017 e 2018 de R$ 170 bilhões. Ninguém trouxe tal valor à discussão nas reuniões de governo”, disse o ministro na rede social.

Também na tarde de hoje a reunião entre Meirelles e Dyogo Oliveira terminou sem a definição das novas metas fiscais de 2017 e 2018. Os dois se encontraram por cerca de três horas e o encontro terminou pouco antes das 19 horas. Oliveira saiu do ministério sem falar com a imprensa. 

O déficit primário é o resultado negativo nas contas do governo, desconsiderando os juros da dívida pública. Originalmente, a meta de déficit estava fixada em R$ 139 bilhões para este ano e em R$ 129 bilhões para o próximo. No entanto, a arrecadação ainda em queda e uma série de frustrações de receitas dificultaram o cumprimento da meta original.

Primeiramente, o Tribunal de Contas da União mandou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) refazer o edital do leilão de renovação de concessão de usinas hidrelétricas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que renderia R$ 11 bilhões aos cofres federais este ano. A segunda versão do programa de regularização de ativos no Exterior, conhecida como repatriação, arrecadou apenas R$ 1,61 bilhão, contra R$ 13 bilhões inicialmente previstos. As alterações na medida provisória que criou a renegociação especial de dívidas com a União também podem diminuir a previsão de arrecadação, caso o governo não consiga reverter essas mudanças.

Por fim, o governo teve de recuar de duas medidas que elevariam as receitas. O aumento do Programa de Integração Social e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) sobre o etanol foi parcialmente revertido, reduzindo a previsão de arrecadação em R$ 501 milhões. A nova mudança das metas fiscais deste ano e do próximo certamente reforçará a tendência das empresas que operam risco e levará a um rebaixamento da nota de risco do País, Isso funcionará de maneira muito ruim para a economia. 

BNDES registra lucro de R$ 1,345 bilhões no primeiro semestre ante prejuízo em 2016

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 1,345 bilhão no primeiro semestre deste ano, segundo balanço publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 14. O resultado representa uma recuperação diante do prejuízo líquido de R$ 2,174 bilhões visto no mesmo período de 2016. Segundo o banco, a melhora decorre, sobretudo, da recuperação do resultado de participações societárias, que passou de um prejuízo de R$ 4,907 bilhões no primeiro semestre de 2016 para um lucro de R$ 1,421 bilhão no primeiro semestre de 2017, "impulsionado, principalmente, pela menor despesa com perdas de investimentos e do resultado com derivativos de renda variável, dividendos e equivalência patrimonial".

No primeiro semestre do ano, Tesouro Nacional e Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) permanecem como as principais fontes de recursos do Sistema BNDES, respondendo por 51,2% e 27,3% do passivo total, respectivamente. "No semestre não houve novas captações de recursos do Tesouro, entretanto foram captados R$ 3,777 bilhões do FAT, e, no mercado externo, foram captados R$ 3,185 bilhões por meio da primeira emissão green bonds do BNDES", cita o balanço.

Governo federal pretende limitar salários do funcionalismo de todos os poderes ao teto, penduricalhos proibidos

O governo federal deve propor que o salário dos servidores públicos não poderá ultrapassar o teto de R$ 33.763,00. A medida, que inclui todos os poderes — Executivo, Judiciário e Legislativo —, faz parte do pacote de medidas de redução de gastos que o governo Temer deve anunciar nesta semana. Será enviada uma proposta de emenda à Constituição (PEC) ao Congresso determinando o teto salarial, incluindo qualquer tipo de indenização, vantagens ou gratificações. Entre eles auxílio moradia, auxílio paletó, auxílio transporte e combustível. 

O presidente Michel Temer e os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, tiveram nesta segunda-feira (14) a reunião final para definir em quanto vai aumentar a meta de déficit primário para este ano e para 2018. Em nota conjunta enviada na última quinta-feira (10), as duas pastas informaram que qualquer decisão será anunciada imediatamente depois de tomada.

O déficit primário é o resultado negativo nas contas do governo, desconsiderando os juros da dívida pública. Originalmente, a meta de déficit estava fixada em R$ 139 bilhões para este ano e em R$ 129 bilhões para o próximo. No entanto, a arrecadação ainda em queda e uma série de frustrações de receitas dificultaram o cumprimento da meta original.

Procurador eminência parda da Lava Jato diz que ele e colegas recusaram encontro no Jaburu às vésperas da votação do impeachment

A força-tarefa da Operação Lava-Jato de Curitiba foi convidada "a comparecer no Palácio do Jaburu à noite" às vésperas da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, no ano passado. A informação do convite foi revelada nesta segunda-feira (14) pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa, que participa do Fórum de Compliance da Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo. Na ocasião, o Palácio do Jaburu era a residência oficial do vice-presidente Michel Temer. "Tenho para mim que encontros fora da agenda não são ideais para nenhuma situação de um funcionário público. Nós mesmos, às vésperas do dia da votação do impeachment, fomos convidados a comparecer no Palácio do Jaburu, à noite, e nos recusamos. Nós entendíamos que não tínhamos nada a falar com o eventual presidente do Brasil naquele momento", afirmou. "Só houve um convite e nós recusamos", enfatizou o procurador.

Carlos Fernando dos Santos Lima, que é o verdadeiro "Rasputin" da força tarefa da Operação Lava Jato, a eminência parda da força-tarefa da Operação Lava Jato (o procurador Deltan Dallagnon é apenas o boneco do ventríloquo), trouxe o fato à tona após ser questionado sobre sua opinião a respeito do encontro fora da agenda oficial que a futura procuradora-geral da república, Raquel Dodge, teve com o presidente Michel Temer na noite do último dia 8. Lima reforçou que "todo funcionário público é responsável pelos atos que têm". O que ele diz é uma bobagem, porque presidente da República é presidente em tempo integral, e se quer chamar alguém à sua residência oficial para conversar, tem toda a liberdade para isso. 

O "Rasputin" Carlos Fernando dos Santos Lima continuou: "Eu não sou o corregedor do Ministério Público. Eu posso dizer por nós. Nós estivemos em uma situação semelhante e nos recusamos a comparecer. Nós temos agora que avaliar as consequências dentro da política que o Ministério Público vai ter a partir da gestão dela". Ou seja, o sujeito já está se colocando contra a procuradora geral que foi indicada pelo Presidente da República. O que esses procuradores fundamentalistas querem é já bastante conhecido, o projeto estratégico deles é transformar o Ministério Público em um quarto poder formal do Estado nacional. Mas, não vão levar, nem que intimidem toda a classe política brasileira.