terça-feira, 4 de julho de 2017

Aécio Neves volta ao Senado, discursa e diz que viveu dias tormentosos e insiste que não cometeu crime


O senador playboy Aécio Neves (PSDB-MG) disse na tarde desta terça-feira, no primeiro discurso na tribuna do Senado após reassumir o seu mandato, que viveu “dias tormentosos”, mas que nunca perdeu a serenidade e o equilíbrio e reafirmou que não cometeu “crime algum” – ele é investigado em dois inquéritos pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e obstrução de Justiça em razão das delações da empresa bucaneira caipira JBS.

“Nesses dias tormentosos, em nenhum instante, absolutamente em nenhum instante, perdi a serenidade e o equilíbrio próprio daqueles que sabem exatamente a condução de seus atos”, afirmou. “Não me furtarei de reiterar aqui aquilo que venho afirmando ao longo dessas últimas semanas: não cometi crime algum, não aceitei recursos de origem ilícita, não ofereci ou prometi vantagem indevida a quem quer que fosse, tampouco atuei para a obstrução de Justiça como afirmaram”, disse. 

Aécio Neves foi flagrado pela Polícia Federal em conversa telefônica com várias pessoas, entre elas o empresário bucaneiro caipira Joesley Batista, dono da corrupta JBS, a quem pediu R$ 2 milhões. Ele voltou a dizer que o dinheiro era referente à venda de um apartamento no Rio de Janeiro e acrescentou que esse mesmo imóvel foi oferecido a outros quatro empresários.

“Fui vítima de armação. Procurei, sim, esse cidadão (Joesley), cuja face delinquente o Brasil não conhecia (…)”, disse, para em seguida voltar a atacar os termos da delação fechada com o Ministério Público Federal pelo empresário, “cujos benefícios assombram e enchem de indignação a maior parte dos brasileiros”. Ele voltou a dizer que precisou vender o apartamento para pagar a sua defesa nos inquéritos de que é alvo na Operação Lava Jato. “Isso porque não obtive jamais, em tempo algum, vantagem financeira em razão da política”, disse. Acredite quem quiser!!!!

Aécio Neves negou que o caso fosse de corrupção. “Como alguém (Joesley) pode ter pago propina se não recebeu qualquer benefício ou teve a expectativa de recebê-lo? Mas isso passou a ser irrelevante”, disse. “Não houve envolvimento de dinheiro público e qualquer outra contrapartida, o que ficará cabalmente comprovado perante a Justiça”, afirmou.

Aécio Neves se candidata a receber o título de "Crédulo do Ano" ao dizer que não sabia da fama do empresário bucaneiro caipira e açougueiro bilionário Joesley Batista. Ele pensa que os brasileiros são idiota e que podem ser enganados por qualquer lorota que ele contar. A partir de agora, o playboy mineiro Aécio Neves é um zumbi político. 

Ele também questionou a suspeita de obstrução de justiça investigada em inquérito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Citou três pontos levantados na investigação: sua atuação pela aprovação da lei de abuso de autoridade, seu apoio ao fim da criminalização do caixa dois e as críticas que fez a determinadas áreas do governo – não citou, mas se referia à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.

“Esse conjunto de manifestações foi interpretado como tentativa de obstrução da Justiça. Nada mais distante da realidade”, disse, para ressaltar que sempre defendeu a Lava Jato, “apesar de reparos a serem feitos à atuação de alguns de seus membros”. Em nenhum momento Aécio Neves citou Rodrigo Janot, que chegou a pedir a sua prisão. Ele também lembrou do artigo 53 da Constituição, que “assegura imunidade por palavras, opiniões e votos”. 

Antes de entrar na defesa dos pontos centrais da acusação, Aécio Neves disse que iria “se deixar embalar por uma certa nostalgia” e listou o que considera alguns pontos altos de sua carreira política, como a participação, ainda jovem, na campanha das Diretas Já, sua atuação na Constituinte de 1988 e sua gestão à frente da presidência da Câmara. Tudo jogado ao longo do tempo na cesta do lixo da história por alguém que foi profundamente descuidado com sua própria história pessoal.

Ex-procurador, Miller tinha que ter cumprido quarentena


Desde que Marcelo Miller saiu diretamente do MPF para o escritório que iniciou a negociação do acordo de leniência do grupo J&F, uma discussão tomou conta da esfera pública: afinal, o ex-procurador precisava ou não ter se submetido à quarentena antes de assumir um cargo na Trench, Rossi Advogados?

Sim, baseado na Emenda Constitucional Nº 45, de 2004, que estendeu aos membros do Ministério Público a proibição do exercício da “advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.”

Ou seja, tanto ex-magistrados como ex-procuradores estão obrigados a cumprir, por exigência constitucional, uma quarentena de três anos, contados da data da aposentadoria ou exoneração. Em discurso, Temer tinha se confundido quanto ao tempo que Miller tinha que ficar na “geladeira”: três meses.

O ex-procurador enquadra-se, portanto, nesta exigência. Ele está sendo investigado na PGR/DF e pelo Tribunal de Ética e Disciplina da OAB.

Brasil deve chegar ao fim do ano com 1 GW de energia solar


O Brasil deve chegar em janeiro como integrante de um grupo de 30 países com capacidade instalada de 1GW de energia solar, crescendo mais de 10 vezes em 2017. A projeção é da Associação Brasileira do setor, a ABSOLAR, feita a partir do balanço de projetos a serem entregues nos próximos meses, e será anunciada amanhã pelo presidente da entidade, Rodrigo Sauaia, durante o Brazil Solar Power, evento que reunirá lideranças nacionais e internacionais da área, no Rio de Janeiro.

Investimento-anjo no Brasil avança 9% em 2016, mas ritmo de crescimento diminui


O investimento-anjo feito no Brasil cresceu 9% no ano passado e chegou a um total de R$ 851 milhões. Apesar do avanço, houve uma desaceleração no nível de crescimento dessa modalidade de investimento, feito por pessoas físicas em companhias inovadoras em estágio inicial. Em 2015, o crescimento havia sido de 14%. Os dados são de levantamento da Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que busca o fomento desse tipo de investimento.

Cassio Spina, presidente da organização, avalia o número como bom. Apesar de ver sinais de alerta em sua avaliação, o investimento-anjo segue crescendo mesmo na crise por depender mais de cenários de longo prazo do que do desempenho atual da economia. “Investimos em inovação, que cria novos mercados e não depende da conjuntura econômica”, diz. Por outro lado, a perda de vigor no crescimento é avaliada por Spina como reflexo de uma taxa de juros alta durante o ano de 2016 (no qual a Selic esteve em 14,25% ao ano), o que torna aplicações conservadoras em renda fixa mais atraentes a potenciais investidores-anjo do que a aposta arriscada em start-ups.

Além disso, a crise econômica reduz o patrimônio disponível de muitos que poderiam investir, avalia Spina. Isso porque parte dos investidores são empresários, que precisaram dedicar mais recursos aos seus negócios principais, e parte executivos, que tendem a estar mais receosos de perder suas posições no mercado. De 2015 para 2016, houve queda no número de investidores-anjo que colocaram recursos em start-ups. Foram 7.070 no ano passado e 2260 em 2015.


Segundo Spina, ainda há muito espaço para crescimento do investimento anjo no País. Ele compara o valor que é investido no Brasil com o dos Estados Unidos, de US$ 21 bilhões (cerca de R$ 69 bilhões), e diz que o Brasil deveria chegar a ao menos 10% desse montante. Como alternativa para fomentar o mercado, ele defende isenções de imposto de renda para os ganhos do investidor no momento em que a companhia é vendida e possibilidade de desconto no imposto de renda de parte do valor aplicado em start-ups.

“A idéia não é que o investidor invista só metade e fique com o resto do dinheiro, mas que ele invista o dobro, em vez de deixar o capital aplicado na renda fixa". afirma ele. Em 2016, o setor comemorou nova legislação para o investimento-anjo, que diminuiu as chances de quem investe ser responsabilizado por passivos de start-ups caso o projeto escolhido não dê certo.

Justiça multa o bilionário piramista de papel Eike Batista em R$ 181 milhões


A 8ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio multou Eike Batista em R$ 181 milhões de Reais. Segundo procuradores envolvidos no caso, chamado de “Operação X”, a medida é indispensável para garantir o pagamento de impostos. Os investigadores afirmam que, com o endurecimento da Lava-Jato, Eike Batista realizou a transferência de patrimônio para familiares, assim como fez remessas de dinheiro para o Exterior. Os procuradores afirmam que foram identificadas doações para o pai de Eike, Eliezer, os filhos Thor e Olin, e a mulher, Flávia. Trata-se de mais um duro golpe ao ex-bilionário piramista de papel. Em maio, a Justiça já havia bloqueado R$ 900 milhões em bens do empresário.

Vaccari Neto quer que TRF4 mande Moro libertá-lo


Os advogados do ex-tesoureiro do PT, Vaccari Neto, querem que o TRF4, Porto Alegre, mande Moro soltá-lo imediatamente. O pedido foi protocolado na semana passada. Ao dar baixa no primeiro mandado de prisão de Vaccari, recolhido no Complexo Médico-Penal de Pinhais, região metropolitana de Curitiba, o juiz Moro fez um alerta. "Observação: O acusado cumpre o mandado de prisão n.º 700002932303, expedido no bojo da Ação Penal n.º 5013405-59.2016.4.04.7000, motivo pelo qual não deve ser colocado em liberdade", afirmou: "Evidentemente, se for o caso, caberá ao TRF4 estender ou não os efeitos da revogação da preventiva ao outro processo".

Programa de repatriação e Lava-Jato retiraram US$ 1,5 bilhão de bancos suíços

O programa de repatriação de recursos do governo federal e o impacto da Operação Lava-Jato afetaram o fluxo de ativos de clientes brasileiros nos bancos suíços. Dados oficiais divulgados na semana passada pelo Banco Nacional da Suíça (o banco central) apontaram que havia US$ 2,4 bilhões em nome de brasileiros depositados oficialmente nos bancos do país até o fim de 2016. O volume é o mais baixo desde 1998. Em 2007, por exemplo, o volume chegava a US$ 4,6 bilhões. Em anos como 2000, o total chegou a US$ 6 bilhões. Em comparação a 2015, a redução foi de mais de US$ 1,5 bilhão. 

O valor se refere ao dinheiro de correntistas que tenham declarado a origem e se apresentaram como brasileiros. A estimativa de pessoas ligadas ao mercado financeiro suíço é de que a fortuna real dos brasileiros em bancos do país europeu atinge valores bem superiores. Mas estão em nome de empresas offshore. Ainda assim, os dados do Banco Central suíço servem como um termômetro.

Segundo a Receita Federal, por conta do programa de repatriação, foram regularizados até abril R$ 152,7 bilhões depositados no Exterior. Mas permanecem fora do Brasil R$ 126,1 bilhões. O Banco Central registrou a entrada no país de R$ 26,6 bilhões. Desses, R$ 3,5 bilhões estavam na Suíça.

O programa de repatriação de recursos, realizado no ano passado, foi assunto dos bancos suíços nos últimos meses. O Credit Suisse, um dos maiores bancos do mundo, admitiu em seu informe anual que programas de regularização promovidos na América Latina em 2016 contribuíram para uma fuga de capital do banco. A fuga teria chegado a US$ 1,5 bilhão apenas de clientes latino-americanos. Em seu informe, o banco não cita o nome de países. Mas, em 2016, Brasil e México foram os principais mercados onde se promoveu uma anistia fiscal na América Latina.

O Credit Suisse, que insiste em ter apenas clientes com recursos regularizados, é a segunda instituição financeira suíça a apontar para o mesmo fenômeno. O Julius Baer indicou que também registrou queda de ativos de clientes das Américas. Entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016, cerca de US$ 227 milhões de clientes do continente americano deixaram o banco. "As incertezas políticas em diversos países na região, assim como programas voluntários de repatriação, continuam a pesar, em especial no fluxo de ativos."

Outro fator que pesou para os números de 2016 foi o impacto da Operação Lava Jato. Fontes do sistema financeiro suíço indicaram à reportagem que muitos bancos passaram a ter "cautela" ao aceitar a abertura de novas contas de brasileiros, enquanto mais de mil contas foram bloqueadas pelo Ministério Público da Suíça relativas à corrupção no Brasil. No total, US$ 1,1 bilhão está congelado e, desse montante, US$ 190 milhões já foram devolvidos ao Estado brasileiro.

Pais de vítimas da Kiss pedem saída de promotores que atuam no processo criminal


Os quatro pais de vítimas da tragédia da Boate Kiss, que haviam sido processados por promotores e ex-promotores de Santa Maria, anunciaram, em entrevista coletiva na sexta-feira (30), em Santa Maria, novas ações que pretendem colocar em prática. A principal delas é pedir a retirada dos dois promotores que atuam também no processo criminal da tragédia, Joel Dutra e Maurício Trevisan. Ambos moveram ação contra os pais e também foram os responsáveis pela acusação dos quatro réus no processo criminal que apura a responsabilidade pelo incêndio ocorrido em janeiro de 2013. Sérgio da Silva, presidente da Associação de Vítimas da Tragédia, disse que a medida busca dar transparência para o caso: "Se estamos lutando contra eles, como é que nós vamos nos unir a eles para acusar alguém? Qual a moralidade que tem nisso? Então, queremos moralidade nesse processo".

Os pais também disseram, por meio de uma nota de repúdio, que não concordam com o pedido de absolvição feito pelo Ministério Público porque consideram que são inocentes e não cometeram calúnia contra os promotores. Nesta semana, o Ministério Público protocolou o pedido de absolvição dos pais Paulo Tadeu Nunes de Carvalho, Sérgio da Silva e Flávio da Silva que foram processados pelos promotores de Justiça Ricardo Lozza, Joel Oliveira Dutra e Maurício Trevisan.

Conforme o Ministério Público, o pedido de absolvição foi feito porque os promotores estão satisfeitos com o resultado dos processos, antes mesmo da conclusão, pois conforme o órgão, as ofensas dos pais aos promotores cessaram. O Ministério Público alega ainda que, no momento em que o recurso dos pais foi negado pelo Tribunal de Justiça, no início da semana, ficou claro que os promotores agiram corretamente durante todo o processo.

Uma mãe de vítima da tragédia, Irá Beuren, também é processada, mas, pelo promotor aposentado João Marcos Adede y Castro e o filho dele, Ricardo Luís Schultz Adede y Castro. Irá é processada por injúria, difamação e falsidade ideológica. Como são processos diferentes, os pais querem que os autores desse caso retirem o processo contra a mãe, pois também consideram que ela não cometeu crime. A defesa de Irá disse que vai aguardar a sentença, já que o processo está em fase mais adiantada.

Ex-banqueira Kátia Rabello, condenada no Mensalão, é libertada pela Justiça


Condenada a 14 anos e 5 meses de prisão no julgamento do Mensalão do PT, a ex-banqueira Kátia Rabello conseguiu liberdade condicional na sexta-feira. A decisão foi do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. A ex-presidente do Banco Rural, instituição usada como balcão dos negócios espúrios dos mensaleiros petista, cumpriu 3 anos, 6 meses e 30 dias de pena.

Israel anuncia ter bombardeado posição do exército sírio

A aviação israelense bombardeou na sexta-feira uma posição do exército sírio poucas horas depois de um foguete lançado a partir da Síria cair nas Colinas de Golã ocupadas por Israel, anunciou o exército. "Em resposta ao projétil lançado mais cedo contra Israel a partir da Síria, um avião do exército israelense atacou uma posição do exército sírio que disparou o foguete", declarou o exército de Israel em um comunicado. O exército havia anunciado que um foguete, "consequência do conflito interno na Síria", foi "lançado contra uma zona desabitada no norte das Colinas de Golã". O lançamento de foguetes e projéteis a partir da Síria geralmente ocorrem nesta região, devido aos combates entre as forças de Bashar al-Assad e grupos rebeldes. Em um discurso na quarta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, advertiu que Israel não toleraria qualquer tiro contra seu território e que responderia nesse caso. "Esta é a nossa política e vamos continuar com ela", disse ele.

População desempregada soma 13,771 milhões de pessoas no trimestre até maio

A população deempregada somou 13,771 milhões de pessoas, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados na sexta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alta de 20,4% em relação a igual período de 2016. Com isso, a taxa de desocupação ficou em 13,3%. A população fora da força de trabalho somou 64,412 milhões de pessoas, alta de 0,9% em relação ao trimestre entre março e maio de 2016. A população ocupada somou 89,687 milhões de pessoas, alta de 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas uma queda de 1,3%, com 1,161 milhão de pessoas a menos na comparação com igual período de 2016. O nível da ocupação ficou em 53,4% no trimestre até maio, enquanto a taxa de participação registrou 61,6% no período. Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, pediu cautela, por causa do aumento dos postos de trabalho sem carteira. "É importante não conjecturar. Vamos aguardar novas divulgações", afirmou o pesquisador.

Morre Simone Veil, sobrevivente do Holocausto e incansável militante da Europa


A primeira mulher eleita presidente do Parlamento Europeu, em 1979, Simone Veil, promotora da lei que descriminalizou o aborto na França em 1974 e uma das figuras públicas mais queridas do país, morreu aos 89 anos, na sexta-feira (30), anunciou seu filho Jean Veil. "Minha mãe morreu esta manhã em casa. Teria completado 90 anos em 13 de julho", declarou o advogado. Simone passou a ser considerada símbolo da luta pelos direitos das mulheres após legalizar o aborto na França em 1974, quando era ministra da Saúde. Grande figura da vida política francesa, ela sobreviveu ao campo de extermínio de Auschwitz, para onde foi deportada aos 16 anos. Para os franceses, ela representava a memória do Holocausto.

A Europa foi uma das principais causas da vida política de Simone Veil, uma combatente pela paz no continente alimentada por seu trabalho pela memória do Holocausto. Em 1946, quando conheceu o marido, Antoine Veil, Simone Jacob acabava de voltar da deportação. No campo de concentração perdeu o pai, a mãe e o irmão. Essa tragédia e sua determinação em superá-la fizeram que Simone, mais de 30 anos depois, reforçasse seu compromisso europeu e aceitasse a proposta do presidente Valéry Giscard d'Estaing de liderar a lista da Union pour la Démocratie Française (UDF, formada por liberais e centristas) para as primeiras eleições com sufrágio universal do Parlamento Europeu. 

"Como todos os meus colegas, considero um dever explicar às jovens gerações, à opinião pública e às autoridades políticas como seis milhões de mulheres e homens, incluindo um milhão e meio de crianças, morreram apenas porque nasceram judeus", declarou na Assembleia Geral da ONU em 2007. Presa pela Gestapo em Nice, em 30 de março de 1944, pouco depois de ter terminado o Ensino Médio, foi deportada com sua irmã Milou (Madeleine) e sua mãe, Yvonne Jacob, primeiro para Drancy e, depois, para Auschwitz. Ela soube depois que sua outra irmã, Denise, havia sido deportada como resistente para Ravensbrück. Seu pai e seu irmão Jean desapareceram em meio à tormenta na Lituânia, em circunstâncias nunca esclarecidas.

Jovens e robustas, Simone Veil e sua irmã Milou devem sua sobrevivência ao fato de terem sido usadas na fábrica da Siemens em Bobrek, um subcampo do complexo de Auschwitz-Birkenau, como trabalhadoras escravas. Diante do avanço das tropas soviéticas em janeiro de 1945, foram transferidas para Bergen-Belsen. Foi nesse local que Yvonne Jacob, exausta e sofrendo de tifo, morreu em 15 de março, um mês antes da libertação do campo pelos ingleses. Conhecida por sua força, Simone vinha com a saúde fragilizada há vários anos. Em meados de 2016, foi internada por problemas respiratórios.

Pelo Twitter, o presidente francês, Emmanuel Macron, enviou de imediato uma mensagem de pêsames para a família: "Que seu exemplo possa inspirar nossos compatriotas, que encontrarão nele o melhor exemplo da França". Em nota, o agora ex-presidente François Hollande também homenageou uma mulher que "encarnou a dignidade, o valor e a integridade". "A França perde uma mulher excepcional, uma grande testemunha e uma militante da memória da Shoa", afirmou o presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif), Francis Kalifat. Simone, que foi membro do Conselho Constitucional de 1998 a 2007, entrou na política em 1974, momento em que ganhou notoriedade ao promover a lei sobre a interrupção voluntária da gravidez, aprovada nesse mesmo ano e que levaria seu nome.

De 1993 a 1995, Veil foi ministra de Estado, dos Assuntos Sociais, da Saúde e da Cidade, no governo de direita de Edouard Balladur, sob a presidência de François Mitterrand. O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, disse que a mensagem de Simone Veil "permanece viva no que diz respeito ao direito e ao papel das mulheres na Europa e, igualmente, ao antissemitismo. Sua vida é um exemplo a ser seguido. Após o chanceler alemão Helmut Kohl (morto em 16 de junho), perdemos mais uma grande figura europeia". "Ela viveu na pele as tragédias da Europa e soube, por meio de seu engajamento político, contribuir para a construção de uma paz durável na Europa", afirmou, por sua vez, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em carta a Emmanuel Macron.

Aneel autoriza operação comercial de quatro usinas solares da Enel

A Enel Green Power, braço de energias renováveis do grupo italiano Enel, recebeu autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para iniciar a operação comercial de quatro usinas solares na Bahia. As usinas Lapa 2, Lapa 3, Bom Jesus da Lapa I e Bom Jesus da Lapa II possuem 30 megawatts (MW) de potência cada, totalizando 120 MW de capacidade instalada. Em nota, a agência reguladora destacou que estas são as primeiras usinas fotovoltaicas com outorgas do País a entrar em operação comercial.

As operações iniciam cerca de um mês antes do previsto. A energia desses empreendimentos foi comercializada no 7º Leilão de Energia de Reserva, realizado em 2015, e a data de início de fornecimento estava programada para agosto. As usinas fazem parte de um complexo solar da Enel que soma com capacidade instalada total de 158 MW e no qual foram investidos cerca de US$ 175 milhões

A Aneel salientou que outros 500 MW provenientes de usinas fotovoltaicas estão previstos para entrarem em operação comercial ainda este ano. A própria Enel possui outras usinas que pretende concluir em 2017. Os projetos Horizonte, de 103 MW, e Ituverava (254 MW), ambos na Bahia, e Nova Olinda, de 292 MW, no Piauí, estão em diferentes estágios de construção. "A expectativa é que todas entrem em operação neste ano", disse o presidente da Enel no Brasil, Carlo Zorzoli, no início deste mês.

Temer estava na planilha da propina do Porto de Santos em 2001


O procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, prepara uma nova ofensiva contra o presidente Michel Temer relacionada ao Porto de Santos, a mais tradicional área de influência do peemedebista na máquina pública. Janot já pediu a abertura de um inquérito para apurar se Temer beneficiou indevidamente a empresa Rodrimar, que atua no porto, ao editar um decreto. Agora, o procurador quer reabrir uma investigação que poderá comprovar que os laços entre Temer e a Rodrimar são bem mais antigos e foram estreitados, ao longo dos anos, por meio do pagamento de propinas.

O primeiro passo nesse sentido foi dado na terça-feira passada, quando Janot pediu vista dos autos de um antigo inquérito, de número 3.105, que apurava a suspeita de que a Rodrimar pagou, no início da década passada, propina ao então deputado Michel Temer. Este caso foi divulgado por VEJA em 2001 e acabou arquivado, a pedido da própria PGR, dez anos depois. Diante da suspeita de que Temer beneficiou a Rodrimar também no exercício da Presidência, Janot decidiu reexaminar a antiga denúncia.


As primeira pistas sobre as relações umbilicais entre Temer e a Rodrimar chegaram à Justiça, no início dos anos 2000, no bojo de um processo de separação litigiosa entre Marcelo de Azeredo, que presidiu a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), por indicação de Temer, e Erika Santos. Numa tentativa de conseguir um valor maior na partilha de bens, Erika entregou planilhas nas quais relatava um esquema de corrupção no Porto de Santos.

Segundo as planilhas apresentadas por Erika, pelo menos seis contratos renderam dinheiro sujo a Temer, Azeredo e “um tal de Lima”, que, suspeita-se, seja o coronel João Baptista Lima, acusado pela JBS de receber dinheiro sujo em nome do presidente da República. Os papéis entregues por Erika mostram que a Rodrimar desembolsou 600.000 reais para o esquema. Metade do valor teria sido destinado a Temer. O restante, dividido em parte iguais entre Azeredo e o tal Lima. O rateio do butim sempre respeitaria esse percentual. Os documentos mostravam que o grupo Libra, gigante do setor de portos, pagou propina.

Na campanha presidencial de 2014, dois acionistas da Libra doaram 1 milhão de reais a Temer, então candidato à reeleição. Em relatório divulgado no início deste ano, a Polícia Federal diz que o dinheiro pode ter sido repassado como contrapartida pela aprovação da MP dos Portos, cujo relator na Câmara, o então deputado Eduardo Cunha, hoje preso e cassado, fazia as vezes de caixa informal do presidente da República. A denúncia de pagamento de propina da Rodrimar ao então deputado Temer foi arquivada em 2011 pelo ministro Marco Aurélio Mello. Relator do caso, Marco Aurélio decidiu que vai reabrir o inquérito se houver pedido de Janot nesse sentido.

Quinze anos após matar os pais, Suzane Richthofen pede para deixar a prisão


Condenada a 39 anos de prisão pela morte dos pais em 2002, Suzane von Ricthoffen, que está presa há 15 anos, pediu à Justiça para migrar do regime semiaberto para o aberto. Na nova fase, ela poderá dormir fora da cadeia, desde que arrume emprego fixo. No pedido, que tramita sob sigilo, os defensores públicos que advogam para a presidiária argumentaram até que ela foi pedida em casamento, além de enumerar outras qualidades, como bom comportamentoe pontualidade no trabalho de corte e costura que executa dentro do presídio de Tremembé. Em um documento anexado ao pedido, a diretora do presídio, Eliana Maria de Freitas, a quem Suzane chama de “mãe”, declara que a sua “filha” é uma presa de comportamento exemplar.

O pedido para Suzane ganhar a liberdade do regime aberto está no Ministério Público, em Taubaté, na mesa do promotor Paulo José de Palma, que atua junto à 2ª Vara de Execuções Penais de Taubaté. Considerado rigoroso em seus pareceres, ele já havia negado um pedido de progressão de regime a Suzane em 2009 porque um teste chamado Rorscharch, que revela traços importantes da personalidade, aplicado na detenta famosa, revelou que ela é dotada de “egocentrismo elevado” e “agressividade camuflada”, além de ser “manipuladora, insidiosa e narcisista”. No entanto, outro teste criminológico aferiu que ela, uma vez solta, não voltaria a cometer crime semelhante.

Por outro lado, há um ano, De Palma disse que Suzane merece uma chance de voltar a viver em sociedade. “O resultado do teste de Rorscharch é interessante, mas essas são características da personalidade da Suzane e não representam risco à sociedade. Para sabermos se ela realmente está apta a viver aqui fora, precisamos analisar outros elementos. Por exemplo: ela é uma presa que trabalha duro dentro da penitenciária. Isso conta ponto a seu favor”, disse o promotor em agosto de 2016. A veia manipuladora de Suzane ficou bem evidente em 2014, quando ela passou a ter direito ao regime semiaberto. Surpreendentemente, ela pediu para continuar no regime fechado. Ao investigar o que estava por trás desse desejo incomum no universo carcerário, psicólogos do sistema penal descobriram que Suzane não quis deixar a cadeia simplesmente porque não tinha para onde ir.

No entanto, logo sem seguida, ela fez amizade com uma colega de cela, Luciana Olberg, condenada por estuprar duas crianças de três anos juntamente com o namorado. Para ajudar a amiga, Luciana apresentou o irmão, Rogério Olberg, que se interessou por Suzane. Os dois namoraram e já estão planejando o casamento.

Fora da cadeia, Suzane pensa em montar uma confecção, já que ganhou três máquinas industriais de costura do apresentador Gugu Liberato, há um ano, quando deu uma entrevista a ele. No entanto, sua ex-namorada, Sandra Regina Ruiz, conhecida como Sandrão, confiscou o maquinário e disse que só entregará os equipamentos na Justiça.

Novo recurso do Facebook mostra onde encontrar wi-fi gratuito


O Facebook passou a disponibilizar uma nova ferramenta para os usuários. O find wi-fi ajuda a localizar redes de internet disponíveis mais próximas do usuário, mas somente aquelas compartilhadas por estabelecimentos. “Assim, onde quer que estejam, os usuários podem facilmente encontrar as conexões mais próximas quando a rede de dados estiver fraca”, disse a empresa em comunicado.  Para localizar conexões disponíveis, clique na aba “mais” no aplicativo do Facebook e depois em “encontrar redes wi-fi” para ativar a ferramenta. Você poderá então navegar por um mapa com os pontos mais próximos de Wi-Fi disponíveis, além de saber mais sobre os estabelecimentos com eles.

Para ter o recurso é necessário instalar a versão mais recente do aplicativo – a atualização só está disponível para aparelhos com sistemas operacionais iOS e Android. Apesar de ter sido lançada oficialmente no ano passado, só agora os usuários de todo o mundo passam a ter acesso à ferramenta. A empresa não informou quando o find wi-fi começa a funcionar no Brasil. 

Defaults corporativos atingem máxima recorde no Brasil em 2016, mostra S&P

A qualidade do crédito das companhias brasileiras que recebem atribuições de rating da agência Standard & Poor's piorou em 2016, com os defaults atingindo patamar recorde, de dez, segundo relatório da S&P.; A agência cita distúrbios políticos, a fraqueza no preço das commodities e recessão econômica mais profunda como fatores importantes para esse movimento. "Com o Brasil enfrentando um perfil de crédito enfraquecido, a S&P; Global Ratings rebaixou seu rating soberano de longo prazo em moeda estrangeira para BB (com perspectiva negativa), de BB+ em fevereiro de 2016", lembrou a agência. Isso levou a vários rebaixamentos de corporações, "particularmente instituições financeiras", que tinham ratings vinculados ao soberano. Além disso, a S&P; colocou em 22 de maio de 2017 os ratings BB de longo prazo do Brasil em observação para eventual rebaixamento, após recentes alegações de corrupção contra o presidente Michel Temer, o que complica mais o quadro político do País, na avaliação da agência.

Diretora de pesquisa de renda fixa global da S&P, Diane Vazza diz acreditar que a pressão sobre o crédito continuará em 2017, principalmente por causa das incertezas políticas e das condições econômicas, bem como pela qualidade de crédito mais fraca das corporações no Brasil, mais suscetíveis a choques macroeconômicos que companhias com ratings mais elevados. A S&P; diz também que, atualmente, a mediana do rating corporativo no Brasil está em BB, com mais de 90% das companhias avaliadas tendo grau especulativo (BB+ ou inferior).

Procuradoria denuncia Juquinha da Valec por lavagem de R$ 13,5 milhões da Ferrovia Norte-Sul

O Núcleo de Combate à Corrupção, do Ministério Público Federal, em Goiás, denunciou na quinta-feira, 29, o ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves (Juquinha), seu filho, Jader Ferreira das Neves, os advogados Leandro de Melo Ribeiro e Mauro Césio Ribeiro e o corretor de imóveis Fábio Junio Santos na Operação De Volta aos Trilhos, desdobramento da Lava Jato. Os cinco são formalmente acusados da prática dos crimes de lavagem de dinheiro e de formação de organização criminosa.

A denúncia foi ajuizada na 11ª Vara da Justiça Federal de Goiânia. A Procuradoria da República acusa Juquinha e outros investigados de lavagem de aproximadamente R$ 13,5 milhões comprando e vendendo bens com dinheiro que teria sido desviado pelo ex-presidente da Valec de contratos da empresa destinados à construção da ferrovia Norte-Sul.

"Com a finalidade de esconder a origem e a propriedade dos bens, os acusados se valeram de contratos de gaveta para negociar cotas de capital social de empresas em nome das quais mantiveram registrados lotes em Água Boa/MT, apartamentos em Goiânia/GO, casas em Bela Vista/GO, fazendas em Nova Crixás/GO e em São Félix do Xingu/PA, além de duas aeronaves", diz a nota da Procuradoria.

A Operação De Volta aos Trilhos foi deflagrada em 25 de maio. A operação tem como base investigações da Polícia Federal em Goiás e acordos de colaboração premiada assinados com o Ministério Público Federal, em Goiás, pelos executivos das construtoras Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez. Os delatores confessaram o pagamento de propina referente às obras da Ferrovia Norte-Sul ao então presidente da Valec, José Francisco das Neves, além da prática de cartel e fraude em licitações, que deram prejuízos de mais de R$ 208 milhões aos cofres públicos, em valores de 2004. Atualizado pela Selic, o prejuízo alcança R$ 885 milhões.

Juquinha e seu filho Jader, que já haviam sido condenados por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no Caso Trem Pagador a, respectivamente, 10 anos e 7 meses e 7 anos e 4 meses de reclusão, permanecem presos no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia/GO. Leandro de Melo Ribeiro, que pagou fiança de R$ 50 mil, cumpre outras medidas cautelares; Mauro Césio e Fábio Junio responderão às acusações em liberdade.

Além da condenação pelos crimes de lavagem de dinheiro e de formação de organização criminosa, o MPF/GO requer a aplicação da pena de interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas (art. 9º da Lei nº 9.613/1998), pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada; a decretação do perdimento dos bens apreendidos/sequestrados e a fixação do valor mínimo do dano aos cofres públicos, a ser reparado pelos denunciados, em R$ 208 milhões (em valores de 2004), e mais R$ 13,5 milhões pela lavagem de dinheiro.

Procuradores da Lava Jato dizem sim a Raquel Dodge

A força-tarefa da Operação Lava Jato, no Paraná, declarou publicamente na sexta-feira, 30, apoio à subprocuradora da República, Raquel Dodge, por sua indicação para o cargo de procurador-geral da República. Na terça-feira, 28, o presidente Michel Temer (PMDB) escolheu, para a cadeira hoje ocupada por Rodrigo Janot, o segundo nome da lista tríplice da eleição interna da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Raquel Dodge.

Em nota, a força-tarefa do Ministério Público Federal que conduz a Lava Jato afirmou que Raquel 'possui uma respeitada história na instituição e demonstrou ter a confiança da classe'. "A força-tarefa faz votos de que a subprocuradora-geral possa liderar a instituição na continuidade do consistente trabalho de combate à corrupção que vem sendo feito pelo MPF nos últimos anos, na defesa dos direitos humanos e no cumprimento dos deveres constitucionais e legais do Ministério Público", diz a nota. "Os procuradores da força-tarefa Lava Jato aproveitam a oportunidade para reiterar seu compromisso de dar fiel cumprimento a suas responsabilidades institucionais, especialmente lutando contra a corrupção, o desvio de recursos públicos, a criminalidade organizada e a lavagem de dinheiro."

Raquel não é alinhada ao procurador-geral Rodrigo Janot, que trava um embate histórico com Temer. Na segunda-feira, 26, Janot denunciou criminalmente o presidente por corrupção passiva no caso JBS. Temer partiu para o enfrentamento e, em manifestação pública, desafiou o procurador a apresentar provas contra ele. O mandato de Janot vai até setembro. O nome de Raquel será submetido a uma sabatina no Senado. Se for aprovada, ela assume mandato por dois anos. Ao contrário de Janot, a escolhida de Temer mantém boas relações com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, crítico recorrente dos métodos do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato.

Os procuradores, em todo País, haviam eleito na terça-feira, 27, os subprocuradores-gerais da República Nicolao Dino, Raquel Dodge e Mario Bonsaglia, pela ordem, para a lista tríplice. Nicolao teve 621 votos, Raquel, 587 e Mário, 564. A diferença entre Nicolao e Raquel foi de 34 votos.

Ao indicar Raquel Dodge, o presidente quebrou uma tradição que vinha sendo mantida desde o primeiro governo Lula e por sua sucessora Dilma - ambos prestigiaram o primeiro colocado da lista tríplice. A Constituição confere ao presidente a prerrogativa de escolher o chefe do Ministério Público Federal. O presidente não é obrigado a seguir nenhuma indicação da lista.

Raquel Elias Ferreira Dodge é Subprocuradora-Geral da República e oficia no Superior Tribunal de Justiça em matéria criminal. Integra a 3ª Câmara de Coordenação e Revisão, que trata de assuntos relacionados ao Consumidor e à Ordem Econômica. É membro do Conselho Superior do Ministério Público pelo terceiro biênio consecutivo. Foi Coordenadora da Câmara Criminal do MPF, membro da 6ª Câmara, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão Adjunta.

Atuou na equipe que redigiu o I Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil, e na I e II Comissão para adaptar o Código Penal Brasileiro ao Estatuto de Roma. Atuou na Operação Caixa de Pandora e, em primeira instância, na equipe que processou criminalmente Hildebrando Paschoal e o Esquadrão da Morte. É Mestre em Direito pela Universidade de Harvard. Ingressou no MPF em 1987.

Brasil vetou lotes dos Estados Unidos e picanha importada pela JBS

Pouco mais de uma semana após os Estados Unidos anunciarem a suspensão da compra de carne bovina brasileira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, divulgou a informação de que o Brasil também vetou a entrada de lotes do produto importado daquele país. A JBS confirmou que teve "um lote" de carne importada pela companhia foi vetado, mas não informou qual o volume rechaçado.

Na quinta-feira, 29, em discurso para agricultores e políticos no município de Campina Grande (PB), Maggi falou sobre o assunto. "Na semana passada, todos aqui receberam a notícia de que os Estados Unidos suspenderam as nossas plantas (...) de carne. Nós, esta semana, também embargamos mercadorias, carnes dos Estados Unidos (...), principalmente picanhas que chegaram aqui em desconformidade. O Ministério da Agricultura fiscalizou e falou: não está conforme, devolve." De acordo com ele, 20 contêineres foram vetados.

Na sexta-feira, 30, Maggi confirmou que "de 32 contêineres de carnes frescas e miúdos, 20 foram devolvidos por motivos de rotulagem, rastreabilidade e certificação", mas mudou a versão dada sobre o período do veto. Segundo ele, a recusa de cargas ocorreu antes da suspensão da compra de carne pelos norte-americanos ao produto brasileiro.

"Significa que 62,5% do exportado pelos Estados Unidos para o Brasil teve que retornar àquele país. Vejam que antes do comércio vem a segurança e proteção dos consumidores de ambos os países", relatou o ministro.

A JBS informou que a devolução de sua carne ocorreu por problemas na rotulagem do produto. Segundo a companhia, não há qualquer problema de sanidade com a picanha importada nem qualquer vínculo entre o veto e a proibição de importação dos Estados Unidos, anunciada em 22 de junho.

"A JBS confirma que, por questões técnicas de rotulagem do produto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento suspendeu a entrada de um lote de carne bovina in natura oriundo dos EUA. A companhia ressalta ainda que o ocorrido não possui nenhuma relação com a qualidade do produto", relatou a companhia, em nota.

Setor aéreo teve retração de 6,9% em número de passageiros em 2016

Após 13 anos consecutivos de crescimento, houve uma retração de 6,9% no número de passageiros pagos do setor aéreo brasileiro no ano passado. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), foram transportados um total de 109,6 milhões de passageiros pagos, sendo 88,7 milhões em voos domésticos e 20,9 milhões em voos internacionais. Em outra mudança, a Gol assumiu a liderança do indicador de passageiros por quilômetros pagos transportados, após nove anos de domínio da Latam.

A Anac apresentou na sexta-feira (30), os resultados do setor aéreo em 2016, com a publicação do Anuário do Transporte Aéreo 2016, que compila as principais informações do mercado. “Nos últimos dois anos, o transporte aéreo desenvolveu-se em um cenário de recessão econômica no Brasil, o que afetou diretamente o desempenho do setor”, informou a agência.

A quantidade de voos domésticos e internacionais caiu 11,4% e 7,9%, respectivamente. No geral, a quantidade de voos em 2016 foi 10,9% menor em relação a 2015, tendo sido registrados 964 mil voos. O número ficou abaixo de 1 milhão pela primeira vez desde 2010, segundo a Anac.

A tarifa aérea média doméstica praticada no ano ficou em R$ 349,14. Já o valor médio do quilômetro voado por passageiro registrou redução real de 4,1%, na comparação com 2015, alcançando valor de R$ 0,308, quando computados os dados de todas as linhas aéreas domésticas do País em 2016. Nos últimos dez anos, este indicador caiu quase à metade para as 52 linhas aéreas domésticas monitoradas desde o início da série histórica.

Segundo a Anac, neste cenário, a cada 100 assentos comercializados em voos domésticos, praticamente oito foram vendidos com tarifas aéreas inferiores a R$ 100,00 tendo a maioria (53,5%) sido comercializada com valores abaixo de R$ 300,00.

O Espírito Santo registrou a menor tarifa aérea média doméstica em 2016, com R$ 277,04. Já as viagens com origem ou destino na Paraíba apresentaram o menor valor por quilômetro voado, R$ 0,231.

A Gol assumiu a liderança do mercado doméstico em termos de demanda de passageiros por quilômetros pagos transportados, com 36,0% de participação em 2016, seguida pela Latam, líder nos nove anos anteriores, com 34,7%. Azul e Avianca obtiveram 17,1% e 11,5%, respectivamente. A Latam teve sua participação no mercado doméstico reduzida em 5,3% com relação ao ano de 2015, enquanto Gol, Azul e Avianca registraram crescimento de 0,2%, 0,5% e 21,4%, respectivamente.

Ao final de 2016, a frota total das empresas aéreas era de 498 aviões, o que representou uma queda de 11,2%, em relação ao número apresentado em dezembro de 2015.

Já a quantidade total de empregados das empresas aéreas brasileiras foi reduzida em 6,6% em 2016, em relação ao ano anterior. No entanto, o número de empregados por aeronave das empresas aéreas nacionais registrou aumento de 5,2%, tendo passado de 104,3 em 2015 para 109,8 em 2016. Segundo a Anac, esse indicador é utilizado para avaliar a eficiência operacional de uma empresa aérea.

O estudo da Anac traz ainda dados sobre atrasos e cancelamentos, mercado internacional e distribuição de voos. O Anuário do Transporte Aéreo de 2016 está disponível na seção Dados e Estatísticas do portal da Anac na internet. As informações também podem ser conferidas no Painel de Indicadores do Transporte Aéreo, que reúne, de forma ilustrativa, os principais indicadores do setor.

Planejamos reestruturação de nossos negócios, diz novo presidente da Odebrecht

O novo diretor presidente da Odebrecht S.A., Luciano Nitrini Guidolin, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo em maio, disse nesta sexta-feira que a empresa planeja reestruturar seus negócios e listar a maioria de suas unidades dentro de três anos, tornando todas públicas logo depois. A Odebrecht provavelmente começará por listar a unidade de agronegócio e seu empreendimento emblemático de construção, disse Guidolin. Enquanto isso, a empresa pretende completar US$ 3,6 bilhões em vendas de ativos no próximo ano, afirmou.

Em relação à corrupção, Guidolin disse que a prática não se espalhou por todo o grupo e que tomou todas as medidas para garantir que tais ações nunca mais aconteçam. "A Lava Jato não foi o fim e esse não será o fim da Odebrecht", disse o executivo. "Nós cresceremos, de uma base menor do que a que tivemos, mas uma mais sólida."

Uma das prioridades da Odebrecht é liberar liquidez, após a queda de receita da empresa na sequência da prisão de Marcelo Odebrecht. Além disso, o novo presidente da companhia comentou que Emílio Odebrecht deve deixar o conselho em menos de dois anos. Nos doze meses anteriores a dezembro de 2016, estima-se que a receita da empresa tenha caído cerca de 30%, para US$ 27,1 bilhões, de US$ 40 bilhões, de acordo com pessoas próximas ao grupo. A Odebrecht comentou que demitiu dezenas de milhares de trabalhadores desde 2013 e encolheu o número de empresas de 15 para 10 ao longo do ano passado. No entanto, segundo Guidolin, o grupo não estava considerando vender o que considera ser uma de suas joias da coroa: sua participação no controle da Braskem.

Caso o plano de resgate da Odebrecht funcione, a estratégia poderia servir como um modelo para outras companhias envolvidas na Operação lava Jato e que, agora, estão lutando para atrair investidores e clientes. Como parte do acordo da Odebrecht, as políticas de conformidade foram revisadas e os funcionários devem usar os dez mandamentos anticorrupção da empresa em crachás de plástico ao redor do pescoço em todos os momentos. No entanto, alguns desejam que a companhia estivesse fazendo mais. A decisão de nomear Guidolin, um veterano na empresa, foi uma oportunidade perdida de nomear um verdadeiro intruso, disse Daniel Vargas, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

O próprio Guidolin afirmou que viu seu papel como uma ponte entre a velha e a nova Odebrecht, acrescentando que teria sido um erro trazer alguém de fora. Para ele, essa pessoa "não teria conhecimento de onde estão os problemas". 

Câmara pode blindar Temer e depois deputados

A eventual recusa de autorização da Câmara para o Supremo Tribunal Federal processar o presidente Michel Temer, poderá abrir caminho a outra decisão em gestação há semanas: o plenário avalia usar o artigo 53 da Constituição para sustar todas as ações penais abertas no STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República contra deputados enrolados na Lava Jato e outros casos. O parágrafo 3º do art. 53, introduzido pela emenda nº 35, prevê que o plenário da Câmara pode sustar ação penal no STF contra deputado. Para suspender ações penais, basta o plenário da Câmara aprovar por maioria dos membros representação apresentada por qualquer partido. Negando autorização ao STF para processar Temer, a Câmara se sentirá encorajada a estender a blindagem a deputados da Lava Jato. A ideia era começar por blindar Jair Bolsonaro (PSC-RJ) de duas ações no STF por “incitar o estupro”. Mas o caso Temer é bem mais robusto.

Petrobras vê como provável perda judicial de R$ 6,5 bilhões com a Petros


A Petrobras afirmou na sexta-feira (30) que decidiu alterar para provável a expectativa de perda em um processo judicial relacionado à repactuação do Plano Petros, plano de pensão dos empregados da empresa, após a Justiça confirmar uma sentença desfavorável à estatal. A estimativa atual de impacto negativo no resultado bruto consolidado no segundo trimestre de 2017 é da ordem de R$ 6,5 bilhões, afirmou a Petrobras. A companhia disse que avalia a possibilidade de quitação do débito no âmbito do Pert (Programa Especial de Regularização Tributária), o novo Refis, cuja adesão termina em 31 de agosto. 

A Petrobras disse que a sentença judicial reconheceu a dedutibilidade na base de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) das despesas ligadas à repactuação do Plano Petros, limitada a 20% da folha de salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes vinculados ao plano.

Polícia Federal prende um dos principais traficantes da América do Sul


A Polícia Federal prendeu neste sábado Luiz Carlos da Rocha, conhecido como Cabeça Branca, um dos traficantes mais procurados pela Polícia Federal e a Interpol (polícia internacional) na América do Sul, segundo a corporação. Ele comandava uma organização criminosa especializada em tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro e foi alvo da Operação Spectrum, deflagrada no sábado. Rocha era considerado um dos “barões das drogas” no Brasil ainda em liberdade, com condenações proferidas pela Justiça Federal que somam mais de 50 anos de prisão.

Em nota, a Polícia Federal informou que Luiz Carlos da Rocha foi recentemente localizado pela área de combate ao tráfico de drogas da instituição, apesar de ter feitos várias cirurgias plásticas para mudar a face. Ele estava usando o nome de Vitor Luiz de Moraes. A estratégia de mudar o rosto, segundo a corporação, também foi usada por “outro mega traficante internacional” preso pela Polícia Federal em 2007, o colombiano Juan Carlos Ramírez-Abadía, conhecido como Chupeta.

A organização criminosa liderada por Rocha tinha perfil de extrema periculosidade e violência, segundo a Polícia Federal, e utilizava escoltas armadas, ações evasivas, carros blindados, ações de contra vigilância a fim de impedir a proximidade policial, porte de armas de grosso calibre, bem como o emprego de ações violentas e atos de intimidação para se manter em atividade por aproximadamente 30 anos no tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

O grupo operava como uma estrutura empresarial, controlando e agindo desde a área de produção em regiões inóspitas e de selva em países como a Bolívia, o Peru e a Colômbia, até a logística de transporte, distribuição e manutenção de entrepostos no Paraguai e no Brasil. Ele se fixou ainda em áreas estratégicas próximas aos principais portos brasileiros e grandes centros de consumo, dedicando-se à exportação de cocaína para a Europa e os Estados Unidos.

As investigações identificaram Rocha como um dos principais fornecedores de cocaína para facções criminosas paulistas e cariocas. Estima-se que a quadrilha liderada por ele era responsável pela introdução de 5 toneladas de cocaína por mês em território nacional, com destino final ao Exterior e ao Brasil.

Segundo a Polícia F, a cocaína era transportada em aviões de pequeno porte que partiam dos países produtores – Colômbia, Peru e Bolívia – utilizando-se do espaço aéreo venezuelano com destino a fazendas no Brasil, na fronteira entre os estados do Pará e de Mato Grosso. Depois de descarregada dos aviões do narcotráfico, a cocaína era colocada em caminhões e carretas com fundos falsos, especialmente preparados para o transporte da droga, cujo destino era o interior do estado de São Paulo, para distribuição a facções criminosas de São Paulo e do Rio, ou o porto de Santos (SP), de onde era exportada para a Europa ou os Estados Unidos.

“As ações de hoje desarticulam o núcleo e comando do grupo criminoso, encerrando a continuidade das ações delitivas e estancando o ingresso de vultosas cargas de cocaína destinada ao uso no Brasil e no exterior, combustível que impulsiona o crime e a violência em todo o mundo”, disse a PF.
Operação Spectrum

As estimativas iniciais mostram que o patrimônio sequestrado somente nesta primeira fase da Operação Spectrum foi de aproximadamente US$ 10 milhões, concentrado em fazendas, casas, aeronaves, diversos imóveis e veículos de luxo importados. A Polícia Federal também fará buscas e apreensões no Paraguai, em cooperação com a polícia local, onde Luiz Carlos da Rocha é proprietário de diversas fazendas e mantinha parte de suas operações criminosas.

As investigações indicam que o patrimônio adquirido por Rocha, com o tráfico internacional de drogas, pode atingir a soma de US$ 100 milhões, em veículos e imóveis no Brasil e em outros países, registrados em nome de “laranjas”, bem como em contas bancárias em paraísos fiscais, elementos que serão objeto da segunda fase da operação.

Hoje, cerca de 150 policiais federais cumprem 24 mandados judiciais, sendo dois de prisão preventiva, nove de busca e apreensão em imóveis, dez de busca e apreensão de veículos e três de conduções coercitivas, em Londrina (PR), Araraquara (SP), Cotia (SP), Embu das Artes (SP), São Paulo (SP) e Sorriso (MT). As ordens judiciais foram expedidas pela 23ª Vara Federal de Curitiba.

Os presos responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, associação para o tráfico, falsificação de documentos públicos e privados e organização criminosa, com penas somadas que passam de 20 anos de prisão.

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação, derivado do latim, significa espectro ou fantasma. É uma referência ao líder da organização criminosa, Luiz Carlos da Rocha, que vivia discretamente e nas sombras, “reconhecido no meio policial pela experiência internacional, transcontinental e com larga rede ilegal de relacionamentos, desviando-se das investidas policiais há quase 30 anos".

“Trata-se de mais uma ação da Polícia Federal focada na desarticulação estrutural e financeira de organização criminosa de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, responsável por abastecer facções criminosas brasileiras e internacionais”, informou a corporação. Somente no ano passado, a Polícia Federal desencadeou 121 operações contra o tráfico de drogas, com o sequestro de R$ 250 milhões em patrimônio ilegal e mais de 41 toneladas de cocaína.

Itaú não vai aliviar dívidas com J&F


O Itaú não vai aliviar na renegociação de dívida do grupo J&F. O banco, credor de uma dívida de 1 bilhão de reais, já avisou que vai executar as garantias e não renovará as linhas de crédito.

Má publicidade pode fazer ex-procurador deixar escritório


Depois do pronunciamento de Temer, a permanência do ex-procurador Marcelo Miller no escritório Trench, Rossi está em risco. Os outros sócios acham que ele trouxe má publicidade para a banca (mas muito dinheiro também).

Infraero aponta sobrepreço de R$ 1,3 bilhão em obras de ampliação dos aeroportos de Viracopos e Guarulhos


A Infraero constatou que as obras de expansão dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, iniciadas em 2012 em São Paulo, custaram R$ 1,316 bilhão a mais que o preço médio do mercado, segundo análise da própria estatal. A auditoria interna investiga possíveis irregularidades em uma série de contratações feitas pelas concessionárias que administram os dois aeroportos paulistas, todas elas com o aval da própria Infraero, que detém 49% de participação. 

O TCU já tinha acusado a Infraero de adotar postura omissa nas contratações de obras dos aeroportos concedidos, entre eles o de Guarulhos e Viracopos. Ao analisar alguns desses contratos, o tribunal havia alertado que grande parte dos serviços é prestada pelos próprios sócios privados da estatal nas concessionárias. Em cada uma dessas concessões, a Infraero é sócia de grandes empreiteiras, como OAS, em Guarulhos, e Constran (controlada pela UTC), em Viracopos, ambas envolvidas na Operação Lava Jato.

Basicamente, o TCU concluiu que cada uma dessas empresas atuou como prestadora de serviço em contratos de obras com suas próprias concessionárias, sem terem suas contratações analisadas de forma efetiva pela Infraero, apesar de a estatal pagar a metade da conta. A auditoria interna feita pela Infraero aponta que, no aeroporto de Guarulhos, o conjunto de obras realizadas na fase inicial da concessão, que iniciou-se em 2012 e concentrou os grandes projetos de reestruturação do terminal, custou 25% mais que o preço de mercado. Já as obras no aeroporto de Campinas, também iniciadas em 2012 e que incluíram fundações de prédios, construção de pátios e pistas, foram 45% mais caras do que deveriam, segundo a auditoria. 

Somados os pagamentos realizados nos dois aeroportos com o aval da Infraero, chega-se a uma conta de R$ 4,975 bilhões, quando o orçamento concluído pela área técnica da estatal chegou a um custo de R$ 3,659 bilhões. Os valores praticados pelas concessionárias só ficaram marginalmente abaixo dos orçados pela consultoria Pini, empresa contratada pelas empresas para estimar o preço das obras antes da realização. Em 2016, o TCU alertou a estatal que um total de R$ 4,539 bilhões em negócios diversos feitos com os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e também de Brasília indicava preços 39% acima dos valores de referência usados pelo tribunal. A partir dessas constatações, o tribunal deu prazos para que a Infraero fizesse seus próprios levantamentos para apurar irregularidades.

A Infraero atribui as aprovações de contratos com valores acima dos preços de mercado às decisões da “administração anterior”. O atual presidente, Antônio Claret de Oliveira, assumiu em junho do ano passado. “A Infraero destaca que colabora com todos os processos de fiscalização e que todas as obrigações financeiras cumpridas resultam de projetos e previsões contratuais firmados pela administração anterior, além de serem realizadas no estrito cumprimento da legislação em vigor”, declarou.

A estatal não respondeu por que deixou de realizar o levantamento detalhado de custos antes de as contratações serem aprovadas pelas concessionárias, tampouco informou que mudanças foram feitas para evitar que essas irregularidades ocorram novamente. Não foi esclarecido ainda se a Infraero pode rever esses contratos.

Justiça italiana ajuda a processar o bandido petista mensaleiro Pizzolato por uso de passaporte falso


A Corte de Apelação de Bolonha, na Itália, deu aval para que o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato, responda a ação no Brasil por falsificação ideológica de documentos. Condenado no julgamento do mensalão, ele cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Cabe à Justiça italiana autorizar o procedimento – chamado de extensão de extradição – porque Pizzolato foi extraditado pela Itália em outubro de 2015 apenas para cumprir pena no País. Ele foi condenado a 12 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República em março de 2016 sobre denúncia do Ministério Público Federal, em Santa Catarina. A autorização foi decidida após a Procuradoria de Bologna receber a denúncia do Ministério Público Federal. A corte italiana especifica que o brasileiro poderá ser processado “por haver induzido ao erro o funcionário do Instituto de Identificação Civil de Santa Catarina para obter uma identidade civil com suas próprias digitais e foto, mas em nome do irmão morto, Celso Pizzolato, e por haver induzido ao erro funcionários do Consulado-Geral da Itália, no Rio de Janeiro, para obtenção de passaporte também em nome do irmão”, diz trecho da autorização.

Alessandro Sivelli, advogado do bandido mensaleiro Pizzolato, disse não concordar com a decisão, pois, segundo ele, os crimes estão prescritos. Ele entrou com recurso na Corte de Cassação e a audiência está marcada para 12 de julho. A última palavra será do ministro da Justiça, Andrea Orlando. Pizzolato fugiu do Brasil em novembro de 2013 com documentos falsos emitidos em nome do irmão morto. Foi preso em Maranello, na Itália, em fevereiro de 2014. O ex-diretor do Banco do Brasil alegou ter escapado para “salvar sua vida” sob a reclamação, em vão, de que o sistema prisional brasileiro não garantiria sua segurança.

Os advogados de Pizzolato usaram o caso do ex-terrorista Cesare Battisti – condenado na Itália por terrorismo que recebeu asilo político no governo do ex-presidente Lula – para convencer a Justiça do país europeu a não extraditar o ítalo-brasileiro.

Empresas do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista devem R$ 5 bilhões à Previdência

Somadas as dívidas previdenciárias de apenas cinco das empresas do grupo J&F, a dívida dos irmãos empresários bucaneiros caipiras Joesley e Wesley Batista soma mais de R$ 5,2 bilhões. A JBS, dona da Friboi, é a maior devedora do grupo e a quinta maior da história do Brasil, com um calote de R$ 2,87 bilhões nos cofres públicos. Apenas R$ 17,4 milhões da dívida da JBS está parcelada. As empresas J&F somadas são o 3º maior devedor. A dívida previdenciária de cinco empresas do grupo J&F (JBS, Marfrig Global Foods, Margen, Swift Armour e Nicolini) é R$ 5.286.646.260,19. A Marfrig deve, entre PIS, Cofins, CSLL e Previdência Social mais de R$ 1,2 bilhão ao erário. Apenas R$ 149 milhões estão negociados. O frigorífico Nicolini, o menor devedor previdenciário das empresas do J&F, deve quatro vezes mais que Itaipu, por exemplo: R$ 233 milhões. A Swift Armour, frigorífico argentino comprado pela JBS em 2005, deve R$ 321 milhões aos cofres brasileiros previdenciários.

De R$ 7 bilhões disponíveis para inovação na Finep, 6% foram contratados em 2017



A Finep, financiadora ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, possui R$ 7 bilhões disponíveis para projetos privados de inovação no Brasil, mas somente R$ 450 milhões foram contratados até maio, diz o presidente Marcos Cintra. "Neste mesmo período do ano passado, tínhamos emprestado R$ 1,3 bilhão", afirma Cintra. Além do quadro econômico negativo, que desestimula a demanda por crédito, o uso da TJLP, hoje em 7,5%, tem um impacto negativo, segundo Cintra. Somada ao spread da própria Finep, que varia de 1,5% a 5%, e às fianças bancárias, a taxa sobe para até 16%: "O mercado de inovação de longo prazo não comporta uma taxa tão elevada".

Há duas propostas nas mãos do ministro do MCTI, Gilberto Kassab, para tornar o crédito mais atrativo, diz Cintra. A primeira é passar a indexar os empréstimos da financiadora à TR, hoje em 2%. A outra é que o FNDCT (fundo do setor) deixe de ser contábil e se torne financeiro: "Hoje, a receita não alocada ao orçamento não é capitalizada. Ela fica na Conta Única do Tesouro para fazer superavit primário". 

Em 2017, a Finep prevê arrecadar R$ 4 bilhões para projetos cujos recursos não serão reembolsados. Desse montante, só R$ 650 milhões, ligados a contratos anteriores, deverão ser liberados, diz ele. "Nos últimos 15 anos, foram arrecadados quase R$ 70 bilhões e liberados só R$ 20 bilhões. Se os recursos tivessem sido capitalizados, o fundo teria um saldo de mais de R$ 40 bilhões". Outra proposta é tornar a Finep uma instituição financeira, o que lhe permitiria captar no mercado ou no exterior, afirma Cintra.

Jornal econômico esquerdista Financial Times dia que Brasil vai voltar à recessão no último trimestre de 2017


O jornal econômico esquerdista britânico Financial Times anunciou: "Brasil vai voltar à recessão, sugerem dados". O retorno aconteceria no último trimestre deste ano, segundo a World Economics, a partir de um levantamento com gerentes de vendas dos setores de serviços e indústria. O índice não é específico e sim de nove países latino-americanos, mas "com muito peso" para o Brasil. Segundo Ed Jones, presidente da consultoria, "é o Brasil que é o problema": "Até março ele vinha se recuperando um pouco, mas nos últimos meses começamos a percebê-lo mergulhando de novo". A gestora de investimentos BlackRock também vê o País em direção, outra vez, à recessão. "Tudo no Brasil aponta para baixo", afirmou seu chefe para dívida de mercados emergentes, depois da acusação de Michel Temer pelo Ministério Público Federal.

JBS usava supermercados para pagamentos em espécie a políticos



Ao lado de valores milionários e nomes de políticos dos mais variados partidos, supermercados. Planilhas de pagamentos do frigorífico JBS listam diversos redes varejistas pelo país como fontes de pagamentos em dinheiro vivo para campanhas eleitorais. Segundo os delatores, o frigorífico combinava com os supermercados pagamentos pelos seus produtos em espécie e, a seguir, destinava as quantias diretamente a emissários dos políticos beneficiados. O ex-executivo Ricardo Saud disse que os supermercados não sabiam do que tratavam esses pagamentos nem tiveram qualquer tipo de vantagem.

O ex-funcionário Florisvaldo Caetano de Oliveira, também delator, diz que o esquema envolvia até o transporte de quantias por meio de carros-fortes. Entre os políticos apontados como beneficiados com pagamentos via supermercados, estavam o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o governador catarinense Raimundo Colombo (PSD).

Ricardo Saud mencionou ainda uma entrega de R$ 1 milhão em um supermercado de Curitiba, em 2014, para um irmão do governador paranaense Beto Richa (PSDB), mas não explicou as circunstâncias desse pagamento. Ao falar dos pagamentos para o senado tucano, o delator disse que quem recolhia o dinheiro nos varejistas era Frederico Pacheco, primo de Aécio Neves que foi preso na Operação Patmos e permaneceu um mês na cadeia. O total em espécie para o tucano, por essa forma, disse, foi de R$ 4,3 milhões.

O delator afirmou que negociou com dois supermercados para fazer pagamentos à vista por produtos da JBS, pagos em parcelas pelos donos do supermercado. "Eu dizia: 'ó, o Fred vai aí, vai pegar um dinheiro para mim'". Saud não citou o nome dessas empresas em seu depoimento, mas em uma planilha de pagamentos consta o nome "Super BH". No caso de Eduardo Cunha, Florisvaldo Caetano falou na rede Guanabara. Disse que foi buscar o dinheiro em uma loja no Rio de Janeiro em uma ocasião, em 2014, após se encontrar com Altair Pinto, braço-direito do ex-deputado e alvo na Patmos. A quantia, de cerca de R$ 500 mil, foi entregue em uma mala, disse o delator.

Com o governador catarinense Raimundo Colombo, a loja citada era do grupo Angeloni, em Florianópolis. O ex-funcionário da JBS, que integrou o conselho fiscal do frigorífico até o ano passado, disse que "em vez de os supermercados pagarem a fatura, já ficava acertado que iriam me pagar o dinheiro em espécie".

Apontado por seus superiores como um dos principais entregadores de dinheiro da companhia, ele mencionou ainda em depoimento lojas que pertenciam à própria JBS. "A JBS tem cem lojas de carnes em São Paulo. Quando tinha alguma necessidade de dinheiro vivo, em vez de depositar, entregavam."

Ele falou que a sala de seu escritório de contabilidade era usada para entregar as quantias. Contou que recebia informações sobre os repasses de Saud ou dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Na delação, Ricardo Saud disse que a empresa também esquentou dinheiro dos pagamentos a políticos por meio de notas falsas para mais de cem escritórios de advocacia pelo País. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pediu em maio informações ao Supremo Tribunal Federal sobre o assunto e prometeu providências.

Crise de estaleiros paralisa obras de US$ 6 bilhões no Rio de Janeiro


Navios com obras paralisadas no estaleiro Mauá. Cada navio tem custo aproximado de R$ 300 milhões 

Pelo menos uma vez por semana, trabalhadores do Estaleiro Mauá, na região metropolitana do Rio de Janeiro, precisam usar uma bomba para retirar dos tanques de um navio atracado no cais água que entra por uma fissura no casco. Ainda inacabada, a embarcação está com as obras paralisadas há dois anos, desde que o Mauá fechou as portas em 3 de julho de 2015, e sofre com a falta de reparo do problema e de manutenção. "A cada dia em que o navio fica parado, é mais um dinheiro que vai ter que ser gasto na sua recuperação depois", lamenta o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Edson Rocha.

Apenas no Mauá, são três navios inacabados, parte de uma lista de esqueletos gerados pela falência da indústria naval do País, após a descoberta do esquema de corrupção montado na Petrobras. Levantamento mostra que, como eles, existem outros três navios, sete sondas, um casco de plataforma e quatro comboios hidroviários — formados, cada um, por quatro barcaças e um empurrador – parados em estaleiros no País, em diferentes estágios de construção.

Juntas, essas encomendas somam US$ 6 bilhões e esperam pela solução de problemas contratuais ou judiciais. Além do fechamento de vagas com a suspensão das obras, a paralisia aumenta o custo de embarcações, que já haviam sido contratadas a preços superiores aos praticados no mercado internacional. Os navios da Transpetro no Mauá foram contratados por US$ 87 milhões, cada um. São parte de uma encomenda de quatro embarcações, uma das quais foi entregue antes da suspensão das obras.

"São barcos praticamente prontos e enferrujados", diz o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Construção e Reparo Naval (Sinaval), Sérgio Bacci: "Para concluir, vai ter que gastar mais dinheiro". Controlado pelo mesmo dono do Mauá, o empresário German Efromovich, o Estaleiro Ilha (Eisa) tem outros três navios inacabados, que foram encomendados pela Log-In, única empresa privada a apoiar o programa de retomada da indústria naval. Nos dois casos, os estaleiros alegaram não ter mais dinheiro para tocar as obras e logo depois pediram recuperação judicial, recorrendo à Justiça em busca de proteção para negociar com credores.

As sondas estão distribuídas em três estaleiros — Brasfels, Jurong Aracruz e Estaleiro Atlântico Sul— e tiveram as obras paralisadas por falta de pagamento da Sete Brasil. Criada com apoio do governo em 2010 para ser a principal fornecedora da Petrobras no pré-sal, a empresa também está em recuperação judicial. O casco da plataforma P-71 está no Rio Grande do Sul, enquanto a Petrobras e o estaleiro Ecovix discutem a rescisão do contrato. Já os comboios hidroviários estão parados no rio Tietê, em Araçatuba (SP), desde que a Justiça Federal determinou a suspensão do contrato assinado pela Transpetro, por suspeita de fraude nas licitações.

A situação remete à primeira grande falência da indústria naval brasileira, no final dos anos 1980, quando problemas financeiros provocaram paralisações em obras. O último navio entregue naquela época, o Livramento, por exemplo, demorou dez anos para ser construído. Na época, empresários do setor naval foram acusados de embolsar dinheiro do Fundo de Marinha Mercante (FMM) e deixar os estaleiros sem recursos para concluir as embarcações. O sindicato da indústria rechaça a comparação. Diz que, desta vez, a paralisação reflete a mudança na estratégia do governo e da Petrobras. "O problema é que o contratante mudou de ideia", afirma Sérgio Bacci.

O Sindicato da Indústria de Construção Naval e Offshore (Sinaval) se reuniu na última semana com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para pedir a formação de um grupo que avalie medidas para destravar obras e fomentar novas encomendas. O vice-presidente da entidade, Sergio Bacci, argumenta que o banco tem grande exposição ao setor e poderia sofrer com calotes de estaleiros e armadores. Em dezembro, a carteira do BNDES de financiamentos atrelados ao Fundo de Marinha Mercante somava R$ 19 bilhões.

"A Petrobras diz que tem que reduzir sua dívida e prefere contratar mais barato. Mas não dá para resolver o problema da Petrobras e quebrar o País", diz Bacci, citando que 50 mil trabalhadores já foram demitidos no pós-crise. 

Policia Federal prende maior empresário de ônibus do Rio de Janeiro, investigado na Lava Jato

A Polícia Federal prendeu na noite deste domingo (2) o empresário Jacob Barata Filho, um dos maiores empresários de ônibus do Rio de Janeiro, sócio de 11 das 40 empresas que atuam na capital fluminense. Barata Filho foi detido no aeroporto internacional do Galeão quando embarcava, só com passagem de ida, para Portugal. O empresário está sob investigação de ter pago propina para agentes públicos nos últimos anos. A prisão foi determinada pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato do Rio de Janeiro.

Em nota, o empresário afirmou que ele "estava realizando viagem de rotina a Portugal, onde possui negócios há décadas e para onde faz viagens mensais". "A defesa do empresário irá se pronunciar assim que tiver acesso aos autos do processo", diz o comunicado.

As empresas de ônibus já foram alvo da delação premiada do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Jonas Lopes. De acordo com ele, a Fetranspor (federação das empresas de ônibus) pagou uma mesada a conselheiros para ter "boa vontade" na análise de seus casos na corte. O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) concedeu desconto de IPVA às empresas de ônibus em um processo administrativo que tramitou por apenas um dia no Estado. O Ministério Público Federal investiga o caso.

O setor já foi citado também por Luiz Carlos Bezerra, responsável por coletar a propina do peemedebista Sérgio Cabral. Ele afirmou em depoimento a Bretas que buscou dinheiro na Companhia Flores, que opera na Baixada Fluminense. Esta empresa, contudo, não pertence a Barata Filho. Barata Filho é da segunda geração de empresários de ônibus que atuam no Rio de Janeiro. Seu pai, Jacob Barata, começou no setor na década de 1950.

O empresário preso neste domingo foi alvo de protestos durante o casamento de sua filha, no auge das manifestações de 2013. A cerimônia de Beatriz Barata tinha como um dos padrinhos o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Em 2014, Barata Filho reconheceu que as empresas ajudavam políticos na eleição – o que era vedado à época, por serem concessionárias de serviços públicos. "Naturalmente há políticos que ajudamos a eleger, com trabalho nas empresas. Como há bancada ruralista, há a do transporte. É uma ajuda pessoal. Temos certa influência junto aos funcionários. São pessoas em cujo trabalho acreditamos e pedimos para que votem nelas", afirmou.