quarta-feira, 28 de junho de 2017

Doleiro do peemedebista Sérgio Cabral diz que esquema corrupto do ex-governador era dez vezes maior



Responsável por devolver US$ 100 milhões atribuídos ao ex-governador Sérgio Cabral (PDMB), o doleiro Renato Chebar afirmou nesta quarta-feira (28) que o esquema do peemedebista "era dez vezes maior". "O esquema era muito maior. Eu era uma célula dentro do contexto muito maior. O esquema era dez vezes maior", disse o doleiro ao juiz Marcelo Bretas. Foi a primeira vez que os doleiros, responsáveis por administrar o dinheiro de Sérgio Cabral no Exterior, falaram à Justiça Federal. Eles depuseram no processo que apura o pagamento de propina de US$ 16,5 milhões pelo empresário piramista bilionário de papel Eike Batista. Questionado por Bretas se Sérgio Cabral tratava da movimentação de dinheiro no Exterior com algum constrangimento, Chebar disse que não. "Era natural. Era um negócio", disse ele. Renato e o irmão, Marcelo Chebar, reafirmaram as declarações dadas em colaboração premiada ao Ministério Público Federal. Disseram que passaram a prestar o serviço ao peemedebista Sérgio Cabral desde 2000 até 2016. Ambos afirmaram que decidiram delatar o esquema temendo desdobramentos da Operação Lava Jato. Numa das fases das investigações, a Polícia Federal apreendeu um extrato da conta Golden Rock, de Eike Batista, identificando o repasse para a Arcadia, dos irmãos Chebar. "Foi como uma espada sobre as nossas cabeças", disse Renato. Cabral é acusado de cobrar 5% de propina nos principais contratos do Estado.

Presidente Michel Temer nomeia Raquel Dodge para ser a Procuradora Geral da República


O presidente Michel Temer (PMDB) decidiu indicar a subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, segunda colocada na votação interna feita pelo Ministério Público Federal, para procuradora-geral,  em substituição a Rodrigo Janot, que deixa o cargo no dia 17 de setembro. O anúncio foi feito pelo porta-voz da presidência da República, Alexandre Parola, em um rápido pronunciamento na noite desta quarta-feira. Raquel Dodge ainda passará por sabatina no Senado antes de ser confirmada como nova procuradora-geral da República.

Na lista tríplice entregue pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) a Michel Temer nesta quarta-feira estavam os nomes dos subprocuradores Nicolao Dino (que teve 621 votos na eleição interna), Raquel Dodge (587 votos) e Mario Bonsaglia (564 votos).

Nos governos de Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, a prática foi a de nomear o primeiro colocado da lista – foi assim com Roberto Gurgel e Rodrigo Janot -, mas estava claro que Dino não seria nomeado. Além de candidato de Janot, desafeto do Planalto, ele é irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), inimigo de José Sarney, que ainda tem influência no PMDB.

Já Raquel Dodge tinha o apoio dos caciques do PMDB e é vista como uma possibilidade de diminuir o ímpeto da Operação Lava Jato e da Procuradoria-Geral da República. A nomeação dela para chefiar o Ministério Público Federal se dá no momento em que o governo Temer, encurralado pelas delações dos executivos do Grupo J&F, lança sua maior ofensiva contra a Lava Jato, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.

Denunciado ao STF por corrupção passiva, o presidente chegou a afirmar, em um duro pronunciamento ontem, que a lógica empregada na acusação do procurador-geral contra ele permitiria sugerir que Janot recebeu dinheiro do ex-procurador da República, Marcello Miller, que deixou a Procuradoria Geral da República para ser advogado da JBS.

No Ministério Público Federal desde 1987, Raquel Dodge é subprocuradora-geral da República junto ao Superior Tribunal de Justiça em matéria criminal e integra o Conselho Superior do Ministério Público. Ela teve atuação na Operação Caixa de Pandora, que investigou o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e, em primeira instância, foi membro da equipe que processou criminalmente Hildebrando Paschoal, o “deputado da motosserra”, e o Esquadrão da Morte. Raquel Dodge é mestre em Direito pela Universidade de Harvard. 

O neocoronel alagoana Renan Calheiros renuncia à liderança do PMDB, dizendo que não é "marionete"


O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou a liderança do PMDB no Senado atirando no seu alvo preferencial nos últimos dias: o presidente Michel Temer (PMDB), a quem acusou de ter “postura covarde” na reforma trabalhista e de ser tutelado pelo ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da prisão.

“Deixo a liderança do PMDB. Não seria jamais líder de papel, nem lideraria o PMDB contra trabalhadores e aposentados. Estou me libertando de uma âncora pesada e injusta. Permanecer na função seria ceder a um governo que trata o partido como um departamento do Poder Executivo e optou por massacrar os trabalhadores”, afirmou.

O senador, cuja saída já era prevista, tem feito oposição ao governo, principalmente em relação à reforma trabalhista – liderou nos bastidores a derrota de Temer na votação do projeto na Comissão de Assuntos Sociais do Senado na semana passada. “Não tenho a menor vocação para marionete. O governo não tem legitimidade para conduzir essas reformas complexas que, ao invés de resolver o problema, agravam”, disse.

Renan relembrou a gravação feita pelo delator Sérgio Machado, ex-diretor da Transpetro, de conversa com o atual líder de Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para relembrar acusação que já fizera em outras ocasiões: a de que Eduardo Cunha, preso desde outubro de 2016, manda no governo, mesmo estando preso em Curitiba pela Operação Lava Jato.

“Surgiu uma frase de Romero Jucá, que afirmou que o impeachment não saía porque eu, Renan, tinha certeza que o Eduardo Cunha mandaria no governo Michel Temer. Jucá disse que Eduardo Cunha estaria politicamente morto. Antes fosse assim. Foi um ledo engano. Eduardo Cunha permanece nomeando ministros, dando as ordens diretamente do presídio e apequenando um governo cuja República periclita nas suas mãos”, disse.

O senador afirmou que não tinha nenhum tipo de divergência com a bancada e que também não nutre nenhum ódio pessoal do presidente. “O que eu não tolero é sua postura covarde diante do desmonte da consolidação do trabalho leis trabalhistas”, afirmou.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), outro cacique do partido, disse que a decisão de Renan mostrou “grandeza”. “Se ele estiver se sentindo incomodado na situação de liderar uma bancada que tem posições diferentes, ele está tendo a grandeza de pedir para sair exatamente para unificar a bancada”, afirmou. Os mais cotados para a vaga de Renan são Jader Barbalho (PMDB-PA) – que já manifestou desinteresse em assumir o cargo – e Garibaldi Alves (PMDB-RN).

TRF4 nega quatro pedidos de suspeição ajuizados contra Moro

A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgou nesta terça-feira o mérito de mais quatro processos relativos à Operação Lava Jato. Foram negadas três exceções de suspeição contra o juiz federal Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, movidas pelas defesas de Antônio Palocci Filho, Eduardo Cosentino da Cunha e Branislav Kontic. O quarto processo, que se referia a um habeas corpus de Kontic requerendo o trancamento da ação penal, também teve o mérito negado. Todos esses processos já haviam sido negados liminarmente em outubro do ano passado, tendo sido ratificados na sessão de hoje pelo colegiado.

Fifa aponta que o cartola Ricardo Teixeira recebeu propina do Catar para escolha de sede da Copa do Mundo


A Fifa divulgou nesta nesta terça-feira o relatório do investigador americano Michael Garcia, que traz detalhes sobre as suspeitas de corrupção envolvendo o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O documento de 360 páginas mostra que o ex-dirigente brasileiro usou contratos comerciais para jogos da seleção brasileira em 2010 para camuflar o pagamento de propina que recebeu para apoiar a candidatura do Catar para receber a Copa de 2022.

As informações constam no relatório elaborado por Michael Garcia, contratado pela Fifa para apurar as suspeitas de ilegalidade há cinco anos. O americano, que hoje é juiz num tribunal de apelação de Nova Iorque, chegou à constatação de que há indícios fortes de que o Qatar comprou votos para sediar o evento.

Seu informe jamais foi tornado público e, diante da decisão da entidade de engavetar suas descobertas, Michael Garcia pediu demissão em 2014. Poucos foram processados e o Qatar jamais perdeu o direito de sediar o torneio. Nesta semana, o jornal alemão Bild teve acesso aos documentos, e a partir desta terça-feira começaria a revelar os detalhes do processo. A Fifa, porém, optou por se antecipar e publicar o relatório completo.

Um dos detalhes se refere à forma como Ricardo Teixeira integrou o esquema suspeito de compra de votos. Michael Garcia explica como uma partida entre Brasil e a Argentina, realizada no Qatar, pode ter sido usada como forma de camuflar recursos que seriam destinados a pagar Ricardo Teixeira pelo apoio ao país árabe.

O relatório destaca como o Qatar destinou 7 milhões de dólares (cerca de 23 milhões de reais, na cotação atual) a Ricardo Teixeira e ao então presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA), Julio Gordona. Naquele momento, porém, o cachê da seleção era de apenas 1,1 milhão de reais (3,6 milhões de reais).

Quem pagou pelo jogo foi a GSSG, empresa de construção do Qatar que está erguendo as principais obras da Copa do Mundo de 2022. O dinheiro, em seguida, foi enviado à empresa sediada em Zurique, a Swiss Mideast. Um total de 8,6 milhões de dólares (28 milhões de reais) foram dados para a empresa Kentaro organizar o jogo e pagar as duas seleções. A empresa, porém, deu uma comissão de 2 milhões de dólares (6,6 milhões de reais) para uma sociedade de Cingapura, a BCS. O pagamento foi apenas por terem “feito a apresentação” entre as partes envolvidas no jogo.

Mais 2 milhões de dólares teriam seguido para a empresa World Eleven, contratada pela Associação de Futebol da Argentina (AFA) para organizar amistosos pelo mundo. O dinheiro, então, seguiria para a entidade esportiva de Buenos Aires, na época presidida por Julio Grondona, um dos que votaram a favor do Qatar. No caso do Brasil, a Kentaro destinaria um valor inferior, 1,1 milhão de dólares, mais um pagamento extra de 300.000 dólares. O dinheiro foi enviado para a ISE, nas Ilhas Cayman, que depois repassou-o para a CBF.

Para o amistoso, o Qatar gastou apenas com a hospedagem de Teixeira mais de 20.000 dólares (66.000 reais), cinco vezes o que o governo gastou com Lionel Messi. O brasileiro teve um tratamento de chefe de Estado, ocupando uma suíte presidencial. Os documentos também revelam como Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, atuaria como intermediário para os interesses do Catar com as federações sul-americanas, entre elas a CBF.

O relatório de Michael Garcia sugeria que Ricardo Teixeira fosse investigado por corrupção, conflito de interesse e outras violações ao código de ética da Fifa. O então chefe da CBF ainda voou em um jato privado do Qatar para uma das reuniões e teria dito a interlocutores de outras campanhas de que o ex-presidente Lula “não é nada” e que qualquer decisão do voto do Brasil seria decidido por ele.

Gol busca pessoas maiores de 50 anos para vagas de atendimento


Muitas empresas já perceberam os benefícios de empregar funcionários mais velhos. Esse é o caso da Gol, que acaba de lançar a campanha ‘Experiência na Bagagem’, que tem o objetivo de incentivar a contratação de trabalhadores acima de 50 anos. Apesar de pessoas dessa faixa etária se encontrarem plenamente produtivas, elas encontram mais dificuldade para se recolocarem no mercado de trabalho. Segundo a Gol, o objetivo da campanha é incentivar que profissionais com mais idade se candidatem às oportunidades de emprego na empresa.

“Percebemos que os funcionários mais velhos reúnem qualidades que são muito importantes para áreas de atendimento, como sensibilidade, atenção, responsabilidade, compromisso”, afirma Jean Carlo Nogueira, diretor de RH da Gol. Não existe idade máxima para o interessado se candidatar a uma das vagas oferecidas pela Gol. Em um primeiro momento, a empresa planejou abrir para esse público vagas de atendimento nos aeroportos e por telefone.

Mas Nogueira afirma que não haverá restrição para o candidato buscar outras colocações (as vagas podem ser consultadas no site vagas.com/gol). A rotatividade média da companhia é de 50 postos de trabalho por mês. A Gol tem 15 mil funcionários, com idade média de 30 anos. Com a contratação de trabalhadores mais velhos, a empresa pretende mesclar os dois públicos. “Nossa proposta é fazer um equilíbrio entre jovialidade e maturidade”, diz Nogueira.

Segundo o executivo, os funcionários mais experientes têm qualidades essenciais para trabalhar no atendimento dos aeroportos, como facilidade para lidar com o público, comunicativos e flexíveis. A empresa também possui vagas para quem quer trabalhar em casa em atendimento telefônico.

Janot rebate Teme dizendo que há fartas provas e que ninguém está acima da lei


Em resposta ao duro discurso do presidente Michel Temer contra a sua pessoa, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que há “fartos elementos de prova” na denúncia que fez contra Temer pelo crime de corrupção passiva com base nas delações da JBS. Em nota, o procurador frisou que a acusação entregue ao Supremo Tribunal Federal traz “registro de vôos, contratos, depoimentos, gravações ambientais, imagens, vídeos, certidões, entre outros documentos” que “não deixam dúvida quanto à materialidade e a autoria” do delito cometido pelo peemedebista.

“Rodrigo Janot cumpre à risca o comando constitucional de que ninguém está acima da lei ou fora do seu alcance, cuja transgressão requer o pleno funcionamento das instituições para buscar as devidas punições. Se assim não fosse, não haveria um Estado Democrático de Direito”, diz parte do texto divulgado pela procuradoria. Isso não é verdadeiro, há alguém no Brasil que está acima de todas as leis, o poderoso chefão da organização criminosa petista, #LulaX9, que o próprio Ministério Público Federal deixou de denunciar no processo do Mensalão do PT.

Em discurso nesta terça-feira, Temer fez um ataque direto a Janot, comparando a sua proximidade com o ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, flagrado com uma mala de 500.000 reais da JBS e também denunciado pelo Ministério Público Federal, à relação entre o procurador-geral e o ex-procurador federal Marcello Miller, que deixou o Ministério Público para ser advogado da JBS.

Ao lado de aliados, Temer ainda classificou a denúncia como uma “peça de ficção” e “um trabalho trôpego” e que sua “preocupação jurídica” com ela é “mínima”. “Examinando a denúncia, eu percebo e falo com conhecimento de causa que reinventaram o código penal e incluíram uma nova categoria: a denúncia por ilação”, afirmou ao lado de aliados políticos.

Para Temer ser julgado pelo STF, 342 dos 513 deputados (ou dois terços da Câmara) precisam autorizar a abertura da ação penal contra ele, o que o afastaria do cargo por 180 dias. O presidente busca sepultar o processo movido por Janot o mais rápido possível, aproveitando uma maioria que ainda ostenta na Casa.

Funaro coloca o bilionário piramista de papel Eike Batista como testemunha de defesa


O doleiro e operador Lúcio Bolonha Funaro arrolou o bilionário piramista de papel Eike Batista como testemunha de defesa na investigação sobre operações financeiras do fundo de investimentos do FGTS. A audiência está marcada para a próxima sexta-feira (30). Eike Batista falará por videoconferência para Brasília. A Polícia Federal acredita que essas transações teriam resultado em R$ 20 milhões em propina. O dinheiro teria sido usado, sobretudo, nas campanhas de Michel Temer à Vice-Presidência da República, em 2014, e na de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012.

Governo terá de colocar mais R$ 20,6 bilhões para cobrir o déficit do falido FAT


O governo terá de aportar 20,6 bilhões de reais no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em 2018 para custear os gastos com seguro-desemprego e abono salarial, de acordo com orçamento aprovado nesta quarta-feira pelo Conselho Deliberativo do Fundo (Codefat). O valor é maior do que os 18 bilhões de reais previstos para serem injetados neste ano e do que os 12,5 bilhões de reais que foram necessários desembolsar no ano passado para cobrir o déficit.

A maior parte das despesas do FAT é obrigatória e tem tido expansão acelerada nos últimos anos. O Codefat – formado por representantes do governo, dos trabalhadores e dos patrões – projeta em 43,8 bilhões de reais os gastos com seguro-desemprego e 17,1 bilhões de reais para o pagamento do abono salarial em 2018. 

Os pagamentos dos dois benefícios devem consumir 61 bilhões de reais no próximo ano, ante 58,8 bilhões de reais previstos para 2017. No ano passado, os desembolsos somaram 55,7 bilhões de reais. Em 2002, limitavam-se a 7 bilhões de reais. A explosão nas despesas ocorreu no mesmo período em que o desemprego caiu para patamares mínimos por causa da política de valorização do salário mínimo e do aumento do número de trabalhadores com carteira assinada.

De tudo o que o FAT recebe, 70% vêm da arrecadação do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Para 2018, as receitas desses dois tributos estão estimadas em 41 bilhões de reais. Uma parcela de 30% desses recursos, porém, pode ser usada livremente pelo governo. A projeção do Codefat é que a Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo que permite ao governo realocar livremente 30% das verbas do orçamento, tirem 17,5 bilhões de reais em 2018 e 16,8 bilhões de reais neste ano.

Para cobrir o rombo, em geral, o Tesouro Nacional faz um aporte no FAT para garantir que os pagamentos de seguro-desemprego e abono salarial sejam feitos corretamente. Mas, pelo menos uma vez, em 2013, isso não aconteceu, e foi necessário recorrer a 5,5 bilhões de reais do patrimônio do fundo. O Codefat reforça sempre que é preciso o governo federal cumprir com os repasses financeiros ao fundo para compensar a frustração das receitas com a política de desoneração da folha de pagamento, aplicada pelo governo da mulher sapiens petista e ex-presidente Dilma Rousseff.

O FAT também é a principal fonte de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para 2018, estão previstos 16,4 bilhões de reais para o banco de fomento, praticamente o mesmo valor deste ano. Pela Constituição, pelo menos 40% da arrecadação do FAT vai para o BNDES, prioritariamente para o financiamento de projetos empresariais que signifiquem o aumento da geração de empregos. No final de maio deste ano isso representava 238 bilhões de reais.

A legislação diz que, se houver insuficiência de recursos para pagar seguro-desemprego e abono, o banco é obrigado a devolver o dinheiro ao fundo em parcelas. O BNDES ameaçou recorrer à Justiça se o Codefat mexer nesses recursos, pois isso afetaria seu patrimônio e a capacidade de alavancar empréstimos.

Perícia revelou novos trechos da gravação entre Temer e o empresário bucaneiro caipira Joesley Batista


Além de concluir que não houve edição, a perícia da Polícia Federal que analisou a autenticidade das gravações entregues pelo empresário Joesley Batista à Procuradoria-Geral da República acabou conseguindo esclarecer trechos que, antes, estavam incompreensíveis no diálogo entre ele e o presidente Michel Temer (PMDB). 

Em um desses momentos, uma nova fala de Temer pode fortalecer a acusação feita por Joesley de que o presidente consentiu com o pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca do silêncio do parlamentar. Em outro, Temer diz ao empresário que ele foi uma das “influências maiores” para a escolha de Henrique Meirelles como ministro da Fazenda.

Na transcrição feita pela perícia, quando falam sobre o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), Temer questiona se “o Lúcio” estava lá, em uma possível referência ao deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel que ainda não havia sido identificado no diálogo, ao que ouve a negativa do empresário.

Na sequência, quando já estariam discutindo a situação de Eduardo Cunha, pouco depois de Joesley dizer “Todo mês”, interpretado pela Procuradoria Geral da Rrepública como referência a pagamentos mensais, Temer questiona, em trecho antes não decifrado: “E o Eduardo também?”, ao que Joesley confirma “também”. A expectativa é que o procurador-geral Rodrigo Janot o denuncie, com base nesta gravação, também por obstrução de Justiça, ao tentar impedir um investigado de colaborar com as investigações.

Outro diálogo que fica mais claro, a partir da melhora de som feita pelos softwares da PF, é o trecho em que Temer indicaria o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures como seu interlocutor. Loures foi flagrado recebendo, em um restaurante de São Paulo, uma mala com 500.000 reais repassados a ele por um representante da JBS. Segundo a delação de Joesley Batista, seria a primeira parcela de um total que, em nove meses, somaria 38 milhões de reais em propina, cujos destinatários seriam o ex-parlamentar e o presidente da República. Em troca, atuariam para um benefício em favor da empresa junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Foi essa a acusação que ensejou a denúncia contra Temer por corrupção passiva.

Na transcrição definitiva do áudio, Joesley questiona diretamente o presidente se o seu interlocutor “é o Rodrigo?”, uma referência a Loures. O presidente confirma, “o Rodrigo”, ao que o empresário assente: “então ótimo”. Em meio a um trecho que permanece, em parte, ininteligível, Temer diz uma frase que ainda não havia sido decifrada: “pode passar por meio dele, viu?”, antes de completar que o ex-deputado, que foi seu assessor direto, é da sua “mais estrita confiança”.

Desde que a colaboração de Joesley veio a público, Temer vem, sucessivamente, procurando desmoralizá-lo. Primeiro, o chamou de “fanfarrão”, para justificar por que não acreditou que ele tivesse de fato subornado juízes e um procurador. No último pronunciamento, ironizou o fato de o dono do grupo JBS ter circulado pelo Brasil “de chapéu” (um boné), para não ser identificado.

A transcrição da Polícia Federal, no entanto, traz um novo trecho, em que ele e o empresário falam sobre o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Entre a sua atuação como presidente do Banco Central, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a posse como o chefe da economia sob Temer, Meirelles exerceu o cargo de presidente do Conselho de Administração do grupo empresarial de Joesley. No diálogo gravado, o presidente diz que o empresário foi uma das “influências maiores” para que ele fosse escolhido para a função atual, uma das mais importantes de todo o governo.

Aécio Neves pede ao STF para poder manter contato com a irmã


O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pediu ao Supremo Tribunal Federal permissão para manter contato com a irmã, a jornalista Andrea Neves, que foi libertada na semana passada por decisão da primeira turma da Corte. Entre as medidas cautelares estabelecidas em substituição à prisão preventiva em regime fechado, Andrea foi posta em prisão domiciliar, mas proibida de entrar em contato com qualquer um dos outros investigados no processo, incluindo Aécio Neves.

“A proibição de irmãos se comunicarem, especialmente no atual estágio do feito – já foi oferecida denúncia, inexistindo qualquer risco às investigações –, além de não se mostrar mais necessária, termina por violar direito natural do contato familiar, implicando em ofensa à própria dignidade da pessoa humana, princípio matriz da Constituição Federal”, escreveram os advogados do senador mineiro na petição protocolada na noite de terça-feira.

Também são investigados no mesmo processo o primo do senador, Frederico Pacheco, e Mendherson Souza, ex-assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). Todos foram denunciados sob a acusação de corrupção passiva, em decorrência da delação premiada de executivos da empresa JBS.

A irmã do tucano foi presa em 18 de maio, durante a Operação Patmos. Ela foi acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter solicitado a Joesley Batista, um dos controladores da empresa, a quantia de dois milhões de reais em propina, pedido que teria sido reiterado em uma divulgada gravação de Aécio e do empresário. A defesa nega as acusações.

Além dessa primeira solicitação, outros 40 milhões de reais, segundo a denúncia, teriam sido requisitados de Joesley. A defesa de Andrea Neves alega que os únicos valores que discutiu com o sócio da JBS foram os relativos a um apartamento da família no Rio de Janeiro que pretendia vender, com a finalidade de arcar com os custos de advogados.

Fachin decide enviar denúncia contra Temer diretamente à Câmara


O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, resolveu encaminhar diretamente à Câmara dos Deputados a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pelo crime de corrupção passiva no caso JBS. Fachin decidiu que não cabe à Suprema Corte, neste momento, ouvir a defesa do presidente.

Relator do inquérito no qual foi feita a denúncia, Fachin entendeu que Temer deverá fazer, primeiramente, a defesa política, pois o primeiro julgamento será na Câmara. Assim, não faria sentido abrir espaço neste momento para a defesa se manifestar diante do STF a defesa deverá ser técnico-jurídica, diferentemente da Câmara.

O Supremo só julgará o recebimento da denúncia se a Câmara autorizar previamente a abertura de processo criminal contra Temer. Se não for formada uma maioria de dois terços dos 513 deputados federais (342), o andamento ficará travado até Temer deixar o cargo. O envio da denúncia à Câmara será feito pela presidente da Corte, a ministra Cármen Lúcia. Os autos serão encaminhados ao gabinete da presidente, que então determinará a remessa para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A opção por enviar diretamente à Câmara era a defendida pelos advogados do presidente Temer e contraria o que a Procuradoria Geral da República havia pedido. Nesta terça-feira, o advogado Gustavo Guedes se reuniu com Fachin e explicou que considerava esta a forma mais rápida de tramitação. Segundo ele, se o STF decidisse ouvir Temer antes de remeter a denúncia à Câmara, ela só começaria a tramitar em agosto e só deveria ser votada em setembro pelos deputados federais.

“Não é que seja o melhor para a defesa, é o melhor para o país. Queremos julgar logo”, disse Guedes, argumentando que esta é uma questão prática pela qual o Supremo não deveria iniciar a instrução do processo. “Na nossa avaliação, o quanto antes a gente puder encaminhar e resolver, melhor”, afirmou o advogado.

Gigantesco iceberg está a horas, dias ou semanas de se romper na Antártica



Uma imensa rachadura em uma das cinco maiores plataformas de gelo da Antártica está se movendo rapidamente e, em “dias, horas ou semanas” pode originar um gigantesco iceberg. Segundo relatório divulgado por cientistas nesta quarta-feira, a largura da fenda na plataforma de gelo Larsen C está aumentando mais de 10 metros por dia – a velocidade triplicou entre 24 e 27 de junho, período analisado pelos pesquisadores. As últimas observações feitas pelos cientistas do Projeto Midas, da Universidade de Swansea, no País de Gales, que monitora a rachadura por meio de imagens de satélites e radares, não cobrem o comprimento da fissura, que tem se mantido relativamente estável em 175 quilômetros de comprimento. De acordo com os pesquisadores, apenas 13 quilômetros de gelo mantêm o bloco de 5.000 quilômetros quadrados, área equivalente a do Distrito Federal, preso à plataforma. Quando se romper, a fenda deve criar um dos dez maiores icebergs do mundo.

“As imagens mostram claramente que o iceberg permanece ligado à plataforma de gelo em seu extremo oeste – por enquanto”, afirmam os cientistas. O alargamento da rachadura passou a aumentar consideravelmente depois que a porção de gelo ainda preso ao continente desenvolveu uma bifurcação, vista no início de maio por imagens de satélite. Quando o iceberg se soltar, a plataforma Larsen C perderá mais de 10% de sua área e terá a maior retração já registrada. Segundo os cientistas, o desprendimento do bloco de gelo irá mudar fundamentalmente a paisagem da Antártica, e a nova configuração ambiental será menos estável.


Como o bloco de gelo flutuará, não deve causar aumento no nível dos oceanos. Ainda assim, futuras rupturas em decorrência desse desprendimento podem levar ao descongelamento de geleiras e, como a água dessas últimas são integradas aos mares, ao consequente aumento do nível oceânico. Os pesquisadores têm acompanhado a rachadura em Larsen C há muitos anos, em razão de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002. Nos últimos meses, no entanto, passaram a observá-la com atenção em razão do aumento expressivo da fenda. Segundo os cientistas, a fissura que pode levar à ruptura do iceberg não é derivada das mudanças climáticas, mas um fenômeno geográfico. É possível que as mudanças climáticas tenham antecipado o rompimento, mas, provavelmente, não são a causa central do fenômeno.