sábado, 17 de junho de 2017

Justiça americana apresenta novas suspeitas contra o cartola Marco Polo Del Nero


A Justiça dos Estados Unidos confirmou as suspeitas em relação ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e manteve seu nome entre os dirigentes esportivos que teriam recebido propinas em 2014, quando Del Neto assumiu a entidade. A conclusão faz parte da nova versão do indiciamento da Justiça americana no caso envolvendo dirigentes esportivos da Fifa. Datados de 14 de junho, os documentos representam a primeira atualização no processo, que começou em maio de 2015. Para investigadores, a volta das menções a Del Nero após dois anos deve ser interpretada como confirmação de que ele está no radar da Justiça e que pode ser preso se deixar o Brasil. Em nota explicativa, a Justiça dos Estados Unidos aponta que foram excluídos dos trechos de acusação dirigentes que fecharam acordos de delação ou que, como Del Nero, estão em países que não extraditam suspeitos. O documento se concentra no julgamento que começa em novembro envolvendo José Maria Marin, Juan Napout e Manuel Burga. 

A concentração do documento no caso de Marin — em prisão domiciliar nos Estados Unidos — não significa, no entanto, que as suspeitas sobre Del Nero foram abandonadas. Fontes do FBI explicaram que, depois de dois anos de investigações, o inquérito avançou nas suspeitas sobre o atual presidente da CBF e, por isso, seu nome foi citado. No que se refere à Copa América, os americanos apontam que o contrato de direitos de TV envolvia 317 milhões de dólares (1,03 bilhão de reais), com validade até 2023. Ainda que os torneios sob investigação sejam os mesmos de 2015, os investigadores indicam que os detalhes sobre propinas a Del Nero mereceram mais destaque na nova versão da ação. Ele é apresentado como um dos co-conspiradores, ao lado de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. 

O documento traz novos detalhes de como funcionaram os acordos entre empresas e dirigentes para a venda de direitos. No que se refere à Copa América, os americanos apontam que o contrato de direitos de TV envolvia 317 milhões de dólares (1,03 bilhão de reais), com validade até 2023. Nessa conta estaria o pagamento de “dezenas de milhões de dólares de propinas” a doze dirigentes, entre eles Del Nero. “Em vários momentos, Marin, Del Nero, Teixeira e outros solicitaram e receberam propinas em troca de apoio” para contratos de transmissão de jogos, aponta a investigação. 

Foi revelado ainda que parte dos pagamentos ocorreu a partir de contas secretas na Suíça, num total de 13 milhões de dólares (42,3 milhões de reais). Outros três pagamentos foram realizados entre junho e setembro de 2013 e distribuído entre os cartolas. “Propinas foram subsequentemente distribuídas para dirigentes da Conmebol”, aponta. 

Em relação à Libertadores, as revelações indicam que esquemas de corrupção foram montados até nos Estados Unidos. “Em vários momentos, Marin, Del Nero, Teixeira e outros solicitaram e receberam propinas em troca de apoio” para contratos de transmissão de jogos, aponta a investigação. Del Nero foi arrolado na Copa do Brasil, em trama envolvendo ele, J. Hawilla e Marin. “Hawilla concordou em pagar metade do custo de propinas e distribuir entre Marin, Teixeira e Del Nero”, diz o documento.

Temer acusa Joesley de proteger o PT

A nota oficial da Presidência da República sobre a entrevista de Joesley Batista à Época destaca que o grupo JBS obteve seu primeiro financiamento no BNDES em 2005 – portanto, no primeiro mandato de Lula. Dois anos depois, a JBS faturou R$ 4 bilhões; e, em 2016, R$ 183 bilhões, o que o Planalto atribui a uma relação construída com governos anteriores à chegada de Michel Temer. "Toda essa história de 'sucesso' é preservada nos depoimentos e nas entrevistas do senhor Joesley Batista. Os reais parceiros de sua trajetória de pilhagens, os verdadeiros contatos de seu submundo, as conversas realmente comprometedoras com os sicários que o acompanhavam, os grandes tentáculos da organização criminosa que ele ajudou a forjar ficam em segundo plano, estrategicamente protegidos". O Planalto lembra ainda que o BNDES impediu a transferência do domicílio fiscal do grupo JBS para a Irlanda, o que levou a perdas acionárias da família Batista na bolsa de valores e os manteve ao alcance das autoridades brasileiras: "Havia milhões de razões para terem ódio do presidente e de seu governo". (O Antagonista)
COMENTO - Ninguém é santo nessa história. O empresário bucaneiro caipira Joesley Batista (e seus irmãos) é um rapinante que montou, sim, a sua gigantesca fortuna durante o regime petista. Obteve tudo com os petistas. Mas não diz nada a respeito dessa organização criminosa. Temer também não é santo. Qualquer país sério já o teria removido do poder. Mas, o Brasil é escravo da hermenêutica, aqui a lei existe para ser dobrada ao interesse político do momento. Lula e Fernando Henrique Cardoso são as duas maiores desgraças do Brasil.. Deveriam estar ambos presos. Se eles fossem engaiolados já desapareceriam pelo menos metade dos problemas dos brasileiros. 

Banco do Brasil investiga o petista Aldemir Bendine

O Banco do Brasil informou que abriu investigação interna para apurar informações prestadas por colaboradores na operação Lava Jato sobre o ex-presidente da instituição, e também da Petrobras, Aldemir Bendine. Bendine é alvo de um inquérito aberto pelo juiz Sérgio Moro, para investigar suspeita de recebimento de R$ 3 milhões de propina da Odebrecht. (O Antagonista)
COMENTO - Podem anotar e cobrar depois. Investigação interna no Banco do Brasil não apurará nada ao final, assim como investigação interna na Petrobras nada apurou sobre os ex-presidente petista Sérgio Gabrieli e Graça Foster. Corporações se protegem ferreamente. 

O empresário bucaneiro caipira Joesley Batista diz que não está protegendo o PT e Lula

Em sua entrevista à revista Época, Joesley Batista negou que protege a cúpula do PT, embora Michel Temer o tenha acusado disso, na tarde deste sábado. Eis o que disse o empresário sobre a roubalheira profissional dentro do Estado brasileiro: "Foi no governo do PT para frente. O Lula e o PT institucionalizaram a corrupção. Houve essa criação de núcleos, com divisão de tarefas entre os integrantes, em Estados, ministérios, fundos de pensão, bancos, BNDES. O resultado é que hoje o Estado brasileiro está dominado por organizações criminosas. O modelo do PT foi reproduzido por outros partidos". Questionado por que não gravou conversa com Lula, Joesley disse que nunca tratou com o petista sobre propina porque seu interlocutor no PT era o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, a quem fazia pagamentos em uma conta na Suíça: "Nunca tive conversa não republicana com o Lula. Zero. Eu tinha com o Guido". No BNDES, segundo o empresário, Guido "resolvia" tudo. "Então pronto. Pra que ter outro (interlocutor)? Não estou protegendo ninguém, mas só posso falar do que fiz e do que posso provar. O que posso fazer se a interlocução era com o Guido?" E ainda: "Estávamos nas mãos deles. Era só o Guido dizer no BNDES que não era mais do interesse do governo (do PT) investir no agronegócio. Pronto. Bastava uma mudança de diretriz de governo para acabar com o nosso negócio". (O Antagonista)
COMENTO - O empresário bucaneiro caipira Joesley Batista é o exemplo cabal do capitalismo páraestatal brasileiro. É uma classe parasitária, que só existe e cresce à sombra do Estado, que se alimenta do Estado e vive em conúbio criminoso com a classe política, especialmente com os esquerdistas de todos os matizes, que alimentam ideologicamente a matriz do intervencionismo estatal na vida nacional, em todas as esferas. Essa classe empresarial é essencialmente corrupta em sua origem.

Aécio Neves pede ao Supremo que pedido de sua prisão seja julgado no plenário


A defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pediu nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal que o pedido de prisão contra ele seja julgado por todos os 11 integrantes do Supremo no plenário da Corte, e não pela Primeira Turma, composta por cinco ministros, conforme previsto. Caso o pedido de Aécio Neves não seja acolhido pelo relator, Marco Aurélio Mello, o colegiado formado por Mello, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Alexandre de Moraes julgará, na terça-feira, dois recursos: um do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pede a prisão preventiva de Aécio Neves, e outro, do próprio tucano, para que sua liberdade seja assegurada. Para decidir a questão, os ministros deverão analisar a aplicação ao caso do artigo 53 da Constituição, segundo o qual os parlamentares “não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável”.

O advogado Alberto Zacharias Toron, que representa o senador afastado, argumentou que o tema afeta a relação entre os poderes, e, por isso, deve ser analisado pela composição completa do Supremo, “diante do inegável alcance político/institucional que a controvérsia assume”. Ao negar um primeiro pedido da Procuradoria Geral da República pela prisão de Aécio Neves, o ministro Edson Fachin, então relator do caso, mencionou a garantia constitucional do parlamentar, mas disse que, em um momento posterior, o assunto deveria ser melhor discutido em plenário. Entretanto, após a redistribuição do processo, a pedido da defesa, o novo relator, Marco Aurélio Mello, pautou a questão para a Primeira Turma. Nesta semana, o colegiado decidiu, por 3 votos a 2, manter presa preventivamente a jornalista Andrea Neves, irmã de Aécio. Votaram a favor da prisão os ministros Barroso, Rosa e Fux, enquanto Mello e Moraes votaram pela soltura de Andrea. 

Dallagnol diz que estabilidade de Temer dura só até o próximo escândalo


O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato na primeira instância, publicou nesta sexta-feira um post em sua conta na rede social Twitter no qual diz que a “falsa estabilidade” vendida pelo governo Michel Temer (PMDB) pode “desabar no próximo escândalo”. “Governo vende falsa promessa de estabilidade, posta sobre pilares corroídos pela corrupção, prontos a desabar no próximo escândalo”. Ele não explicou se sabe de algum outro escândalo à vista envolvendo o governo ou se falou apenas em tese. A estabilidade econômica é um dos principais trunfos usados por Temer para manter o apoio no Legislativo, principalmente do PSDB, que tem se recusado a deixar o governo esgrimindo o argumento de que isso comprometeria o futuro econômico do País. Esses procuradores deveriam se limitar ao seu trabalho, estão se intrometendo no que não é atribuição deles. Estão fazendo política explicitamente. E o pensamento político deles é ruim, eles são pretorianos.   

Executivo da Odebrecht no Equador já gravou políticos


Ele fez antes, mas não levou crédito. José Santos, executivo da Odebrecht no Equador, usou como prova de sua colaboração vídeos feitos por ele de reuniões com autoridades daquele país. Como prêmio, teve a menor pena entre os 77 delatores da empreiteira.    

Chefe de gabinete da Presidência em São Paulo coordenou reforma na casa da sogra de Temer


Chefe de gabinete da Presidência em São Paulo e tesoureiro do PMDB de São Paulo, Arlon Vianna , foi escalado pelo presidente Michel Temer em 2014 para selecionar profissionais para trabalhar em uma reforma na casa de Norma Tedesco, sogra do presidente. À época, Arlon Vianna era assessor da Vice-presidência. Temer se reuniu na quarta-feira em seu escritório em São Paulo com Arlon Vianna, o ministro Moreira Franco e sua filha, Maristela Temer. Arlon foi o responsável pela indicação de profissionais para a pintura, limpeza e reparos no imóvel alugado. O Planalto confirmou que ele somente indicou profissionais para "pequenos reparos". Arlon disse, inicialmente, que "nunca se envolveu" na reforma. "Estou te dizendo, de coração, que não me envolvo nessas coisas. De jeito nenhum. Eu trabalho com doutor Michel há 17 anos, tenho relação muito legal". Informado, então, de que o próprio Planalto havia confirmado que ele indicara profissionais para a reforma, Arlon Vianna atualizou a resposta: "Não indiquei empresa. Indiquei, se não me falha a memória, um pintor. Que nem sei aonde está. Estou até procurando ele para ele esclarecer. Um pintor, um pedreiro, uma coisa assim. Parou aí. Nem me recordo direito. Pintor ou pedreiro. É a mesma pessoa. Se você vai fazer uma reforminha, tapar buraco, uma pessoa só. Foi até junto com o pai dele. Me parece", disse.

Fernando Henrique Cardoso sugere que antecipação de eleições seria "gesto de grandeza" de Temer


Com o PSDB rachado e sob o risco de não ser uma alternativa eleitoral competitiva para 2018, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende agora que um gesto de grandeza do presidente Michel Temer seria pedir antecipação de eleições gerais. A posição de Fernando Henrique consta em uma nota. No texto, Fernando Henrique começa dizendo que sua percepção sobre a situação política do Brasil tem sofrido “abalos fortes”. Para ele, falta “legitimidade” a Temer para governar e o País vive um tipo de “anomia” (falta de regras, desorganização). Diante desse cenário, o ex-presidente diz ter mudado de opinião de que seria um golpe a convocação de eleições antes do término do mandato de Temer, em 2018.

“A ordem vigente é legal e constitucional (daí ter mencionado como ‘golpe’ uma antecipação eleitoral) mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto", escreveu o tucano na nota. 

A tese de eleições antecipadas para interromper o governo Temer é bandeira dos partidos de esquerda, liderados pelo PT. Essa possibilidade não havia encontrado abrigo no PSDB até então, inclusive Fernando Henrique se manifestou anteriormente classificando-a como golpe. Para que haja eleições antecipadas, é preciso alterar a Constituição por meio de uma proposta de emenda constitucional no Congresso (PEC). Fernando Henrique disse na tarde de quinta-feira que não é possível saber se a medida seria capaz de manter Temer no poder até a aprovação de uma PEC. "A volatilidade da conjuntura política é de tal ordem que qualquer prognóstico se torna precário. Vivemos, como diria o dr. Ulysses Guimarães, sob os impulsos de sua excelência O Fato", afirmou.

O tucano também defendeu que uma eventual antecipação das eleições gerais de 2018 seja precedida de mudanças na legislação eleitoral. Mas não mencionou qual seriam elas. "Não obstante e ainda mais por isso, devemos obedecer estritamente a Constituição. Novas eleições requerem emenda constitucional que, a meu ver, deveria ser antecedida por mudanças na legislação eleitoral. Portanto, tudo ocorreria mais facilmente com a anuência do presidente".

O novo posicionamento do ex-presidente surge na mesma semana em que o PSDB sofreu novo desgaste político ao decidir que continuará no governo Temer, apesar de parte do partido pressionar pelo desembarque. A decisão expôs um racha na legenda. O ex-ministro de Fernando Henrique, Miguel Reale Junior, autor o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, anunciou sua desfiliação, acusando o PSDB de estar se “peemedebizando”.

Fernando Henrique diz na nota que os partidos precisam pensar no País e não em interesses partidários neste momento. “Ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas para o desconhecido”, escreveu. Duas razões levaram o PSDB a permanecer no governo: evitar que o PMDB apoie uma cassação do mandato do senador Aécio Neves no Conselho de Ética do Senado e o rsico de que, numa queda de Temer, o deputado Rodrigo Maia assuma a Presidência. Lideranças do partido temem que ele se torne um adversário de peso na eleição presidencial de 2018.

O tucano, entretanto, evita se posicionar de forma clara sobre que atitude deveria tomar o PSDB imediatamente. Ele ainda condiciona uma tomada de decisão a uma deterioração maior das condições políticas. “A responsabilidade maior é a do presidente que decidirá se ainda tem forças para resistir e atuar em prol do país. Se tudo continuar como está com a desconstrução continua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo."

Para resumir o cenário, o tucano retoma a metáfora da “pinguela”, que usou ainda no início do governo Temer para resumir o papel do peemedebista naquele momento político brasileiro. “Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular”, diz a nota. No PT, a declaração de Fernando Henrique foi elogiada.

"O Fernando Henrique tem sensibilidade. Está vendo que este governo não tem mais condições e está propondo a solução mais evidente e democrática, que é a antecipação das eleições", disse o líder do partido na Câmara, Carlos Zarattini (SP).

A referência a uma eleição direta como saída para a crise política deixou surpreso o tucanato. Vice-presidente nacional do PSDB, Alberto Goldman, disse acreditar que FH estava falando sobre hipóteses. "Todos nós estamos procurando o melhor caminho para o Brasil no quadro atual. Isso explica as opiniões mais diversas e mesmo as contradições nos discursos como esse do FHC. São os males do presidencialismo que não tem flexibilidade e nos coloca em situação difícil. Fosse parlamentarismo e o gabinete teria caído com convocação de eleições gerais", disse Goldman.

Temer diz a aliados querer pressa na análise de eventual denúncia da Procuradoria Geral da República


O presidente Michel Temer afirmou a aliados, na manhã de quinta-feira, que quer acelerar o processo de análise da denúncia de que deve ser alvo e que acredita ter “ampla margem” de votos para derrubar o pedido da Procuradoria-Geral da República. A conversa ocorreu no Palácio do Jaburu, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também quer um desfecho “sem atraso” para o caso.

Maia sinalizou que o recesso parlamentar do meio do ano pode inclusive ser suspenso caso isto signifique a interrupção da análise da denúncia. Na avaliação do presidente da Câmara, o “Brasil precisa” que a eventual denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer seja apreciada com prioridade. Maia disse que os prazos serão respeitados, mas que o país terá que encerrar esta etapa. "Esse assunto precisa ter início, meio e fim. O Brasil precisa disso. Mas será respeitado prazo de dez sessões da defesa e as cinco sessões do relator. Depois da comissão, vai a plenário. Parece óbvio que, se existir a denúncia nesse período, fica difícil a Casa parar por 15 dias", afirmou Maia. C

O Palácio do Planalto quer liquidar o assunto em até dez sessões. A ideia é encerrá-lo antes do recesso que começa oficialmente em 18 de julho. No entanto, a legislação exige a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o início do recesso. Nos últimos anos, porém, a LDO não tem sido aprovada no prazo, e os parlamentares entram no chamado recesso branco, quando não há sessões deliberativas e os parlamentares não são obrigados a comparecer. Temer também recebeu os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Mendonça Filho (Educação). Segundo relatos, o presidente se mostrou tranquilo em relação à denúncia que pode chegar já na próxima semana à Câmara e precisa dos votos de 342 deputados para ser aceita. 

Israel condena voto do Brasil na Unesco


O presidente de Israel, Reuven Rivlin, reclamou na quinta-feira (15) diretamente ao novo embaixador brasileiro, Paulo Cesar Meira de Vasconcellos, do voto do Brasil na Unesco a favor de resolução que nega a soberania israelense sobre qualquer parte de Jerusalém. O voto foi dado no dia 2 de maio a partir de documento apresentado por países árabes. Israel é tratado no texto como "poder ocupante" em Jerusalém e que, portanto, não teria nenhum laço histórico ou legal com qualquer parte da cidade. Israel considera Jerusalém sua capital, una e indivisível, mas os palestinos reivindicam a parte oriental como a capital de seu eventual futuro Estado.

O Brasil foi um dos 22 países que votaram a favor da resolução do braço da ONU para Educação e Ciência. Houve 23 abstenções, 10 votos contra e três ausências. Rivlin aproveitou a cerimônia de entrega de credenciais de quatro novos embaixadores, entre eles o do Brasil, para fazer a crítica, o que revela o grau de irritação do governo israelense. O presidente disse que as relações entre Israel e o Brasil "são muito importantes" e que elas estão sendo ampliadas.

Mas não deixou de cobrar uma mudança no voto brasileiro: "Não há um só brasileiro que não saiba da conexão entre o povo judeu e Jerusalém. Nem mesmo a Unesco pode mudar isso. A decisão deveria ser esquecida, deveria realmente ser modificada e eu peço que o governo brasileiro reconsidere seu voto". O embaixador brasileiro preferiu ficar nas platitudes, em sua resposta, pelo menos segundo o comunicado oficial divulgado pela Presidência de Israel: "Nossa amizade data da criação do Estado de Israel. Como as relações bilaterais envolvem muitos campos de cooperação e temos que aperfeiçoá-las, me dedicarei à agenda positiva entre os dois países."

Descoberta vila nazista subterrânea escondida sob praia holandesa



O movimento da areia de praias na Holanda revelou um "universo nazista" completamente desconhecido até então. Túneis e bunkers construídos e usados pelo Exército alemão durante a Segunda Guerra foram encontrados sob a praia nos arredores de Haia. Como sarcófagos egípcios, as construções estavam enterradas sob a areia. Nos últimos anos, foram descobertos centenas de bunkers da Segunda Guerra na costa norte-europeia do Atlântico. São como pequenas cidades subterrâneas, com cozinhas, dormitórios e até saunas. Adolf Hitler mandou construir o complexo para tentar impedir a invasão dos Aliados. Direções escritas com tinta nas paredes estão conservadas e davam orientações para os soldados: "PAK" para onde ficavam os tanques de guerra e "K" para costa. A Holanda decidiu abrir os bunkers ao público para que as gerações futuras aprendam sobre a guerra. 

Isenção a três unidades da empresa bucaneira caipira JBS em Minas Gerais ultrapassa R$ 300 milhões


Benefícios fiscais concedidos a somente três unidades da empresa bucaneira caipira JBS em Minas Gerais entre 2011 e 2020 ultrapassam R$ 300 milhões. A isenção de impostos no Estado pode estar ligada ao pagamento de propina, segundo apontou a delação de um executivo da empresa. Uma estimativa do Sindifisco-MG (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais) mostra que o regime tributário diferenciado nessas três unidades somou um total de R$ 56,6 milhões em isenções no ano de 2014.

O delator Ricardo Saud, diretor da JBS, afirmou que o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) prometeu, em 2014, liberar o pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da empresa em troca de doações na campanha presidencial daquele ano. Os créditos de ICMS são valores do imposto pagos a mais pela empresa e que devem ser restituídos pelo Estado.

"Temos lá hoje de cara R$ 12,6 milhões de créditos de ICMS só da JBS Couro. E tínhamos mais alguma coisa lá em torno de R$ 20 milhões da JBS para ser liberado, além dos incentivos que nós precisávamos", diz Saud em sua delação. A empresa reouve o valor em compensações tributárias na compra de caminhões. Em 2014, a JBS foi a maior doadora da campanha de Aécio ao Planalto, com repasses registrados de R$ 30,4 milhões. De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o senador, outros R$ 60 milhões foram pagos ao tucano de forma indevida naquele ano. O impacto gerado na arrecadação de Minas Gerais por essas três unidades da JBS (uma em Ribeirão das Neves e outra Iturama, além de unidade da Seara em Ribeirão das Neves) alcança os R$ 332,9 milhões, já que os benefícios vigoraram entre três e dez anos. No caso da Seara, o regime diferenciado vale até 2020.

Os dados apontam ainda 107 benefícios fiscais concedidos a cerca de 30 unidades de empresas da holding J&F que recolhem impostos no Estado entre 2008 e 2020 — 45 deles continuam vigentes no governo atual, de Fernando Pimentel (PT). São unidades da própria JBS e também da Seara, Itambé, Vigor, Danúbio e Flora. O Sindifisco-MG alerta para a concessão de benefícios fiscais no Estado sem que haja retorno para a sociedade e sem transparência sobre as empresas beneficiadas. Em 2016, o Orçamento previu isenções no valor de R$ 12,7 bilhões.

Um inquérito de 2012 ainda em andamento no Ministério Público de Minas Gerais investiga supostas irregularidades na Secretaria de Estado da Fazenda e lista a relação de empresas com regime tributário diferenciado. 

Terrorista narcotraficante chefe das Farc diz que todas as armas serão entregues até 20 de junho


O terrorista narcotraficante chefe das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Rodrigo London Echeverri, disse na quinta-feira (15), em Oslo, na Noruega, que todas as armas do grupo serão entregues às Nações Unidas até 20 de junho, como planejado, e que faz parte de um acordo de paz para encerrar mais de 52 anos de guerra. As Farc precisam entregar os últimos 40% de suas armas, conforme acordo em 2016 com o governo do presidente Juan Manuel Santos.

"Nós tomamos uma decisão política. Nós respeitamos o acordo e nós o implementaremos, seja lá o que for preciso", disse o terrorista narcotraficante chefe da organização, conhecido como Timochenko. Sobre o acordo, rejeitado em um referendo público, mas aprovado pelo Congresso, o grupo narcoguerrilheiro se tornará um partido político e a maioria dos combatentes receberá uma anistia depois de explicar suas ações publicamente. Londono disse que o grupo discutirá o nome do futuro partido político, que poderá ser decidido em um congresso das Farc em agosto.

"Estamos trabalhando com a data de agosto, no meio ou no final do mês. Mas também poderá ser no início de setembro", disse ele, recusando-se a informar quais opções de nomes existem. "O Congresso decidirá todas essas coisas, democraticamente", disse. Londono falou sobre o processo de paz juntamente com a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Maria Angela Holguin, durante evento em Oslo, na Noruega.

Perguntado pelo ministro das Relações Exteriores da Noruega, Boerge Brende, para descrever alguns dos momentos mais pessoais das negociações, o líder da narcoguerrilha terrorista lembrou o tempo em que sofreu um ataque cardíaco no meio de negociações, em Havana, e foi "ressuscitado por médicos cubanos".

"Depois, recebi um cartão pessoal do presidente Santos que me desejava melhoras. Isso significou muito para mim", respondeu, visivelmente emocionado, ao público. A ministra Holguin, disse que o processo de paz enfrentou alguns obstáculos, mas que a chave para uma resolução passava pelos agricultores colombianos, que podem se sentir melhor plantando culturas legais, ao invés de coca.

"Devemos ser capazes de dar aos agricultores a possibilidade de ganhar a vida legalmente, em vez de cultivar coca. Temos de substituir as culturas e remover as minas terrestres", declarou Holguin. A Colômbia ocupa o segundo lugar, depois do Afeganistão, na lista de países com mais minas terrestres, de acordo com a ONG International Campaign to Ban Landmines. "Estamos em uma fase muito difícil. Aplicar o acordo é muitas vezes mais complicado do que fazê-lo", disse a ministra. Londono enfatizou que a reintegração de guerrilheiros na sociedade é fundamental. Além disso, "devemos remover a violência do exercício da política", disse.

Estados Unidos fecham acordo bilionário e vende aviões de combate F-15 ao Qatar


O Ministério da Defesa do Qatar disse nesta quarta-feira (14) que o país assinou um acordo para comprar aviões de combate F-15 dos Estados Unidos por US$ 12 bilhões. O acordo foi concluído apesar de o país ter sido criticado recentemente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por apoiar o terrorismo. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, e representantes do Qatar estiveram reunidos nesta quarta para selar o acordo. Segundo a "Bloomberg News" trata-se da compra de 36 jatos F-15.

A venda aumentará a cooperação e a interoperabilidade de segurança entre os Estados Unidos e Qatar, afirmou o Pentágono em uma declaração por e-mail. Mattis e o ministro de Estado para os Assuntos de Defesa do Qatar, Khalid al-Attiyah, também discutiram operações contra a organização terrorista Estado Islâmico, e a crescente escalada de tensões para todos os parceiros da região do golfo e a necessidade que se concentrem nas próximas etapas para alcançar metas comuns, informou o Pentágono.

O presidente americano disse na última sexta-feira (9) que o Qatar é um patrocinador "de alto nível" do terrorismo, dificultando potencialmente os esforços do Departamento de Estado dos Estados Unidos para aliviar as tensões e um bloqueio da nação do Golfo por estados árabes e outros.

Defesa de Palocci relaciona Mantega a pagamento a marqueteiros



A defesa do "porquinho" petista Antonio Palocci, ex-ministro nos governos Lula e Dilma, disse que o ex-ministro da Fazenda, o também petista Guido Mantega, foi o responsável pelos pagamentos ilegais feitos pela Odebrecht em contas dos marqueteiros petistas João Santana e Monica Moura, na Suíça. Palocci está preso em Curitiba por decisão do juiz Sergio Moro. Os advogados de Palocci não citaram nominalmente Mantega, mas fizeram uma indicação indireta a ele. A defesa destacou trechos do depoimento de Marcelo Odebrecht, herdeiro da empreiteira baiana, para apontar a responsabilidade de Mantega quando dos pagamentos ao marqueteiro após 2011.

"Importante ressaltar que os valores constantes da planilha "Italiano" não eram destinados ao acusado, mas sim ao partido, de forma que, após Antônio Palocci deixar o governo, o montante passou a ser gerido por terceira pessoa, como resta claro do interrogatório de Marcelo Odebrecht". Apontaram trecho do depoimento de Marcelo Odebrecht em que o empresário diz que os valores não eram para Palocci ou Mantega, mas sim para Partido dos Trabalhadores. Em seguida, apontam a data das transferências para indicar a responsabilidade para Mantega. "Não por acaso, todos os pagamentos realizados em favor dos corréus Mônica Moura e João Santana no Exterior foram realizados a partir de 19.07.2011, período em que o acusado já não mais exercia cargo público algum, e durante o qual o crédito existente a favor do Partido dos Trabalhadores por ele já não era mais gerido, segundo o próprio corréu Marcelo Odebrecht", diz o documento da defesa.

A defesa de Palocci também contestou a delação do executivo Fernando Migliaccio, um dos responsáveis pelo setor de propinas da Odebrecht, que disse que Branislav Kontic, assessor de Palocci, ia até a empresa pegar dinheiro. "Em primeiro lugar, deve-se atentar que não há prova nos autos, fora a palavra de réus colaboradores, de que o corréu Branislav Kontic ia à empresa Odebrecht buscar dinheiro em espécie", diz o documento. "Afora os interrogatórios dos colaboradores nenhuma outra prova alicerça seus depoimentos."

E usa o caso do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), flagrado levando R$ 500 mil de propina da JBS numa mala, para apontar uma incongruência do depoimento do delator da Odebrecht. "Ocorre que o colaborador foi desmascarado pelos recentes fatos envolvendo um ex-deputado federal do Paraná, que teria sido flagrado portando uma mala com R$ 500 mil, como é fato público, notório e amplamente divulgado na mídia", diz.

"No caso dos autos, afirma-se que Branislav Kontic, em uma simples mochila, acondicionava nunca menos do que um milhão de reais. Ora, como se sabe agora, R$ 500 mil ocupam o volume de uma mala média." A defesa então conclui que "a falácia contada pelo réu colaborador salta aos olhos". O Ministério Público Federal denunciou Palocci pela prática, em tese, dos delitos de corrupção passiva por uma vez, e lavagem de ativos por dezenove vezes. Os advogados pedem a absolvição de Palocci.

Os defensores também alegam que o processo contra o ex-ministro não deve ser conduzido na Justiça Federal de Curitiba. O argumento é de que a Petrobras não é estatal, mas sim empresa de economia mista, portanto não deveria ser julgada na esfera federal.

Os advogados também apontam para o fato de que a sede da empresa fica no Rio de Janeiro, não em Curitiba. "Importante frisar, para logo, que o fato de a vestibular fazer menção à administração da Petrobras não se convola em motivação jurídica idônea apta a atrair a competência da jurisdição federal, quanto mais a do Estado do Paraná", diz o documento.

As alegações finais são a última manifestação da defesa antes da sentença do juiz Sergio Moro. A peça foi protocolada pelos advogados Alessandro Silverio, Bruno Vianna e Sylvio Silveira Filho. Palocci contratou recentemente os advogados Adriano Bretas e Tracy Reinaldet, especialistas em acordos de delação premiada. 

Delação de Joesley dará fôlego à Operação Carne Fraca



Além de todo o estrago no governo, a delação de Joesley dará um grande fôlego à Operação Carne Fraca. Em seu depoimento, o empresário bucaneiro caipira detalhou o pagamento de propina a veterinários, responsáveis por avaliar a qualidade da carne nos frigoríficos. A União Europeia já ameaçou bloquear a importação de carnes brasileiras, após a operação. 

Apoiar Temer é fazer escolha entre o ruim e o péssimo, diz Doria


O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o desembarque do PSDB do governo Michel Temer (PMDB) poderia colocar o Brasil numa crise política e econômica profunda e que o apoio tucano ao presidente, ratificado nesta semana, é a escolha entre o ruim e o péssimo. “Nós estamos do lado do Brasil. Mais do que tudo, é a proteção ao Brasil, à governabilidade, o apoio às reformas no Congresso Nacional. O desembarque do PSDB do governo neste momento implicaria colocar o Brasil numa crise profunda no plano econômico e no político. Hoje, nós estamos no plano político apenas. Se o PSDB sair, mergulhamos também no plano econômico. E tudo o que nós não precisamos é de mais uma crise econômica”, disse.

Questionado se isso não significava apoiar a velha política que ele prometeu combater, Doria concordou. “É a velha política. E é ruim (..). Mas há certos momentos na vida em que você tem que fazer a avaliação sobre o ruim e o péssimo. Entre o ruim e o péssimo, o ruim é melhor que o péssimo”, afirmou. Ele também criticou o encontro entre Temer e Joesley Batista, dono da JBS, que foi gravada pelo empresário e acabou virando uma peça de acusação contra o presidente pelo Ministério Público Federal. “Não foi uma conversa adequada para um presidente da República. Nem na forma, nem no conteúdo, nem no local, nem no horário. Mas isto não implica definitivamente num equívoco fatal para o presidente.

Significa um erro ético e moral, mas não é um fato determinante para o impeachment do presidente”, disse. Sobre seu colega de partido, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) – que, assim como Temer, foi seriamente implicado pelas delações da JBS -, Doria disse que ele tem o direito de se defender. “O PSDB defende que toda investigação seja feita em sua plenitude, sem esconder nada e sem inibir nenhuma investigação (…). Aécio deve ter direito à plena defesa e se, eventualmente, for culpado, pagar por isso. Se for inocentado, retomar seu mandato e seguir sua carreira política”, afirmou.

Fundador e presidente emérito da Marcopolo morre aos 90 anos


Um dos fundadores e presidente emérito da Marcopolo S.A, o empresário Paulo Bellini, de 90 anos, morreu nesta quinta-feira (15) em Caxias do Sul, sua cidade natal. Ele estava internado desde a semana passada em um hospital da cidade. Formado em contabilidade, ele fundou em 1949 com oito sócios e quinze funcionários a Nicola & Cia. Ltda. Em 1971, a empresa mudou o nome para Marcopolo. Foi uma das primeiras indústrias brasileiras a fabricar carrocerias para ônibus, que inicialmente eram de madeira. Nos anos 60, o executivo vislumbrou o mercado internacional. Em 1961, realizou a primeira venda ao Uruguai. A partir daí, as exportações foram crescendo até que, na década de 1990, teve início o processo de internacionalização, que resultou na multinacional brasileira, que hoje mantém operações em 11 países (África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Egito, Estados Unidos, Índia, México) e vendas já realizadas para mais de 100 outras nações.

Em sua trajetória ao longo de 67 anos na Marcopolo, Bellini exerceu funções em diversas áreas da empresa. Tornou-se diretor-presidente em outubro de 1969 e foi eleito presidente do Conselho de Administração da Marcopolo, em 2006, posição que ocupou até 2012, quando foi nomeado presidente emérito. Apaixonado pela Serra Gaúcha, ele comemorou os seus 90 anos em janeiro numa festa para 800 convidados no Centro de Eventos da Festa da Uva. Na tarde desta sexta-feira (16), o corpo do empresário foi cremado em Caxias do Sul. 

Ministro interino da Cultura pede demissão


O ministro interino da Cultura, João Batista de Andrade, pediu demissão ao presidente Michel Temer nesta sexta-feira. À frente da pasta desde que o ex-ministro Roberto Freire (PPS) deixou o governo, há pouco mais de um mês, Andrade alega na carta entregue à presidência “desinteresse em ser efetivado como ministro”. “Comunico a Vossa Excelência, respeitosamente, o meu desinteresse em ser efetivado como Ministro de Estado da Cultura, posto que venho exercendo interinamente, e por determinação legal do regimento interno, por ser o atual Secretário-Executivo do Ministério da Cultura. Assim sendo, confirmo a minha disposição para contribuir de forma mais proativa possível com a transição de gestão no Ministério da Cultura, até a nomeação do próximo Ministro de Estado da Cultura e seu respectivo Secretário-Executivo”, diz Andrade na carta de demissão. 

Além do desinteresse pelo cargo, o agora ex-ministro lamentava restrições orçamentárias. Para ele, o “grave corte orçamentário da pasta, em 43%, que imobiliza o Ministério e inviabiliza alimentar qualquer sonho de uma boa política cultural, e a redução a zero dos recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC)”.  Ele também citou a “deterioração política” como motivo que o levou a tomar a decisão. 

Cineasta, João Batista de Andrade foi secretário-executivo da Cultura durante a passagem de Freire na pasta. Ele ficou no ministério em período de transição, assim como boa parte dos indicados do PPS, mas vinha tendo problemas, por exemplo, na sucessão da presidência da Ancine, ainda sob influência do PCdoB, que comandou a agência na era petista. Presidente do PPS, Roberto Freire deixou o governo depois de as delações premiadas de executivos da JBS atingirem em cheio o presidente. Ele tomou a decisão depois que Temer negou que renunciaria. Freire defendeu o desembarque de seu partido da base aliada, o que não aconteceu. A legenda mantém o Ministério da Defesa, comandado por Raul Jungmann. 

“A decisão de sair é política do partido, todos achavam que eu devia sair. Não volto atrás. Mas não vamos fazer oposição ao governo. O Raul fica por causa das Forças Armadas, ali é melhor não criar nenhum problema ” disse Roberto Freire à época de sua saída do governo. O Ministério da Cultura tem passado por turbulências constantes durante o governo de Michel Temer. Quando o peemedebista assumiu o Planalto, em maio de 2016, a pasta foi “rebaixada” a Secretaria Nacional de Cultura, vinculada ao Ministério da Educação, comandado pelo ministro Mendonça Filho (DEM). Diante de protestos, sobretudo da classe artística e dos funcionários da pasta, Temer recuou e devolveu o status de ministério à Cultura. 

Encontrar um nome disposto a assumir a pasta não foi fácil à equipe do presidente. Foram consultados ao menos cinco nomes, entre os quais a cantora Daniela Mercury, a jornalista Marília Gabriela e a atriz Bruna Lombardi. Depois das recusas, o diplomata Marcelo Calero, então secretário de Cultura municipal do Rio de Janeiro, aceitou assumir o ministério. Calero comandou a pasta durante seis meses e teve uma saída conturbada da equipe de Michel Temer. Ele revelou ter sido pressionado pelo ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, então homem-forte do governo Temer, a interferir em uma decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia vinculada à Cultura. Geddel queria que o Iphan não colocasse obstáculos à construção de um empreendimento imobiliário em uma área nobre de Salvador (BA), onde comprou um apartamento. 

Pressionado pelo colega, Marcelo Calero gravou conversas com Geddel Vieira Lima, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o próprio Michel Temer. O diálogo gravado com o presidente mostra o momento em que Calero comunica a Temer que deixaria o governo. “Tudo bem. Se você não… se é sua decisão, viu, ô Calero, tem que respeitar. Ontem acho que até fui um pouco inconveniente, né? Insistindo muito para você… pra você permanecer é… confesso que não vejo razão para isso mas você terá as suas razões”, responde o presidente. 

Geddel ainda relutou em deixar o governo, mas acabou pedindo para sair em novembro de 2016. Roberto Freire sucedeu Marcelo Calero no Ministério da Cultura em 19 de novembro de 2016. Sua gestão ficou marcada por uma discussão com o escritor Raduan Nassar durante a entrega do Prêmio Camões, em fevereiro deste ano. Nassar chamou o governo de “repressor”, criticou a nomeação do ministro Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal por Temer e disse que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um golpe. Freire rebateu afirmando que o escritor “desrespeitou a todos” ali e que “o momento é democrático”. “Quem dá prêmio a um adversário político não é a ditadura, a ditadura não reconhece”, disse o então ministro. 

Eduardo Cunha contrata novo advogado para defesa na Lava Jato


O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) contratou o advogado Délio Lins e Silva Júnior para integrar a equipe que o defende nos processos no âmbito da Operação Lava Jato. O advogado foi contratado para liderar a negociação de um acordo de delação premiada do ex-deputado. Cunha está preso em Curitiba desde outubro do ano passado. Lins e Silva defendeu Diogo Ferreira, que foi chefe de gabinete do ex-senador Delcídio do Amaral e fechou acordo de delação premiada na Lava Jato. O advogado, no entanto, disse que não foi contratado com esse objetivo dessa vez. Ele disse que foi procurado pela família do ex-deputado para integrar a equipe de advogados que atua nos vários processos contra o ex-presidente da Câmara. Agora são três escritórios na defesa de Cunha.

O principal operador financeiro de Eduardo Cunha, Lúcio Bolonha Funaro, está negociando um acordo em que promete contar o que sabe sobre pagamentos de propina e lavagem de dinheiro envolvendo políticos, sobretudo do PMDB. Funaro está preso em Brasília. Uma pessoa próxima a Eduardo Cunha disse que a eventual delação do ex-deputado tem potencial para implodir o modelo político. Eduardo Cunha é acusado de receber propina em negócios feitos na Petrobras e também de comandar um esquema de cobrança de suborno de empresários que tinham interesse em verbas do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS).

Cunha também é um dos políticos mais próximos do presidente Michel Temer. Foi citado em conversa gravada por Joesley Batista com Temer em que o empresário diz que pagava uma mesada para manter o silêncio de Cunha e Funaro na prisão. Em duas ocasiões o ex-deputado arrolou Temer como testemunha em seus processos e enviou ao presidente perguntas sobre doações de campanha e relações com empresários presos na Lava Jato.

Trump anuncia que está 'cancelando' acordo de Obama com Cuba


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o cancelamento do acordo de aproximação com Cuba firmado por seu antecessor, o muçulmano Barack Obama, e afirmou que os Estados Unidos não vão ficar quietos diante da "opressão comunista". "Estou cancelando completamente o acordo de Obama com Cuba", disse Trump a uma platéia cheia de exilados cubanos, em Miami (Flórida). "Ao facilitar as viagens e o comércio com Cuba, o acordo do governo anterior não ajuda o povo cubano, só enriquece o governo, porque os lucros vão diretamente para os militares. O resultado é mais repressão", disse o republicano.

No discurso, Trump abordou algumas das medidas que foram adiantadas por funcionários da Casa Branca na quinta-feira. A Casa Branca baixou restrições para viagens de americanos a Cuba e a proibição de transações comerciais entre empresas americanas e entidades militares cubanas. Por entidades militares cubanas entende-se todas as empresas parcialmente controladas ou com participação da Gaesa, que pertence às Forças Armadas Revolucionárias e é presidida pelo genro de Raúl Castro.

Segundo estimativas conservadoras, a Gaesa controla mais de 60% da economia cubana – incluindo 57 hotéis e o porto de Mariel, em associação com a Odebrecht, supermercados, casas de câmbio, bancos, construtoras, lojas de roupas e outros. Além disso, deve ficar mais difícil para cidadãos americanos viajarem para Cuba. Com Obama, foram criadas 12 categorias que permitiam a não cubano-americanos visitar a ilha, entre elas visitas familiares, pesquisa profissional e atividades educacionais. Os próprios viajantes tinham de descrever o propósito de sua viagem.

Com a mudança, o Departamento do Tesouro irá verificar se os viajantes realmente se enquadram em alguma das 12 categorias autorizadas. Haverá maiores restrições para os chamados "intercâmbios pessoa a pessoa". Segundo o memorando publicado pela Casa Branca, os departamentos do Tesouro e do Comércio vão iniciar o processo de publicação das novas regulamentações dentro de 30 dias. As mudanças não vão entrar em vigor até que as regulamentações sejam concluídas por Tesouro e Comércio.

No entanto, a maior parte do acordo de Obama, firmado em dezembro de 2014, ficou intacta. As relações diplomáticas entre os dois países serão mantidas. As embaixadas em Washington e Havana seguirão abertas, e os Estados Unidos continuarão a ter apenas um encarregado de negócios, e não um embaixador, em Cuba. As remessas e viagens de cubano-americanos tampouco serão afetadas.

No discurso, Trump chamou vários exilados cubanos e agradeceu a ajuda do senador republicano Marco Rubio, cubano-americano que foi seu rival na campanha presidencial, e o deputado Mario Diaz-Balart, representante do lobby anti-Castro. Também agradeceu a Berta Soler, líder do grupo dissidente Damas de Branco, dizendo que ela foi impedida de comparecer pelo regime cubano. O presidente americano chamou o governo de Raúl Castro de "brutal" e disse que o regime "comete crimes a serviço de uma ideologia depravada".

"Exilados testemunharam como o comunismo destrói uma nação. O comunismo destruiu todos os países onde esteve. Não ficaremos quietos diante da opressão comunista." Trump disse que quer ter paz em "nosso hemisfério" e acusou Cuba de semear o caos na Venezuela e de enviar armas para a Coreia do Norte, além de apoiar tráfico de pessoas e de drogas. O presidente afirmou ainda que as sanções contra Cuba não serão retiradas até que todos os prisioneiros políticos da Ilha sejam libertados, todos os partidos políticos sejam legalizados e que sejam marcadas eleições livres e com supervisão internacional.

"Vamos restringir fortemente o fluxo de dólares para os militares cubanos e fazer valer o embargo e o veto a turismo", disse o republicano. "Desafiamos o governo de Cuba a se sentar à mesa de negociação e apresentar um novo acordo", acrescentou. Em dezembro de 2014, Obama anunciou o acordo de reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, 53 anos após os dois países terem rompido relações diplomáticas. Oito meses depois, foi reaberta a embaixada americana em Havana, e no final de 2016, pousou na capital cubana o primeiro vôo comercial regular entre os dois países.

Chilena apresenta proposta pela Eldorado Brasil, da J&F



A Arauco, unidade do grupo chileno Copec, apresentou uma proposta pela Eldorado Celulose, controlada pela J&F Investimentos, disse uma pessoa com envolvimento direto no acordo. A Arauco fez uma oferta acima de R$ 11 bilhões de valor total do ativo, o que inclui a dívida de R$ 8 bilhões da fabricante de celulose. Conforme o informante, a Eldorado Brasil também é alvo de interesse da Suzano Papel e Celulose e da Fibria. Ambas foram atraídas pela possibilidade de significativa redução de custos decorrente da aquisição.

Suzano e Fibria analisam com mais receio os riscos do acordo de leniência firmado entre a empresa dos irmão Batista e o Ministério Público Federal, que ainda depende de aval do Supremo Tribunal Federal e depois do Tribunal de Contas da União. A Arauco, subsidiária do conglomerado Copec, disse em carta ao regulador chileno que para uma avaliação mais profunda pela Eldorado assinou um "acordo de confidencialidade". 

Com uma dívida de 2,4 bilhões de dólares, a venda da Eldorado foi considerada após dois membros da família controladora Batista serem envolvidos em um escândalo de corrupção.

McDonald's encerra patrocínio de décadas aos Jogos Olímpicos



O McDonald's encerrou seu acordo de patrocínio ao Comitê Olímpico Internacional, que já durava 41 anos, rompendo o contrato de apoio aos Jogos Olímpicos três anos antes do esperado, informou o COI nesta sexta-feira (16). A companhia americana, patrocinadora dos Jogos Olímpicos desde 1976 e parte do programa de principais patrocinadores do COI que contribuem com mais de um US$ 1 bilhão a cada ciclo de quatro anos, tinha contrato em vigor até 2020, incluindo a Olimpíada de Tóquio. "No mundo de negócios de hoje que avança rapidamente, nós entendemos que o McDonald's esteja procurando focar em diferentes prioridades de negócios", disse Timmo Lumme, diretor de Televisão e Serviços de Marketing do COI.

"Por essas razões, nós concordamos mutuamente com o McDonald's em nos separar". A diretora de Marketing do McDonald's, Silvia Lagnado, disse no comunicado do COI: "Como parte de nosso plano global de crescimento, nós estamos reconsiderando todos os aspectos de nossos negócios e tomamos essa decisão em cooperação com o COI para focar em diferentes prioridades". O McDonald's, que se associou aos Jogos Olímpicos pela primeira vez em 1968, era o patrocinador de varejo de alimentos.

Apesar de se retirar com efeito imediato, o McDonald's vai continuar na Olimpíada de inverno de Pyeongchang no próximo ano como patrocinador com direitos de marketing internos. 

Janot adia entrega da denúncia contra Temer ao Supremo


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar a denúncia contra o presidente Michel Temer e o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por volta do dia 26 deste mês, e não mais na próxima segunda-feira, dia 19, como estava previsto inicialmente. A mudança de data se deve à decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal que, no início desta semana, concedeu mais cinco dias de prazo para a Polícia Federal concluir o inquérito sobre a denúncia do empresário Joesley Batista, do grupo JBS. Com isso, Janot terá um tempo extra para concluir a acusação formal contra o presidente da República e Loures, que foi assessor do presidente.

Pela lei, depois da prisão de um investigado, a polícia tem dez dias para encerrar um inquérito, e o Ministério Público cinco dias, depois da conclusão da investigação, para oferecer denúncia. Loures foi preso dia 3 deste mês. Os prazos são contados a partir do momento em que cada instituição recebe os autos. Com a prorrogação autorizada por Fachin, a data limite foi ampliada. Com isso, a Procuradoria Geral terá mais prazo até formular a acusação entre os dias 23 e 26, a depender do momento em que receber o relatório final da Polícia Federal.

Longe das especulações sobre datas e prazos, Janot já disse a integrantes da equipe que não há pressa para encerrar esta primeira parte das investigações sobre Temer e Loures. Para o procurador-geral, o mais importante é consolidar todas as informações relevantes e entregar ao STF um trabalho consistente.

Com a alteração dos prazos, Janot terá tempo suficiente para incluir a íntegra do relatório da Polícia Federal na denúncia. O relatório deverá contar com importantes depoimentos, entre eles o do operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro e o de Joesley Batista. O procurador-geral também terá a sua disposição a perícia sobre a gravação de uma conversa entre Temer e Batista, no Palácio do Jaburu, na noite de 7 de março deste ano, um dos pontos de partida da delação de empresário e outros executivos da JBS.

A mudança de data deverá repercutir na estratégia de defesa do governo. Antes mesmo da apresentação da denúncia, Temer tem intensificado contatos com deputados para convencer os parlamentares a não autorizar o STF a processá-lo. Pela lei, o STF só pode julgar o presidente da República em processos criminais com autorização prévia de, no mínimo, dois terços da Câmara. Se barrar a denúncia, Temer poderia escapar das investigações enquanto permanecer na Presidência da República. Temer é investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça.

Doleiro admite à Polícia Federal operar caixa 2 do PMDB


Em depoimento prestado na última quarta-feira à Polícia Federal, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro reconheceu ter operado caixa 2 do PMDB e fez acusações ao presidente Michel Temer. Segundo uma pessoa com acesso ao interrogatório, o doleiro sustentou que Temer, que presidiu o PMDB de 2001 a 2016, tinha conhecimento de doações ilícitas de campanha feitas à legenda. A fonte, porém, não detalhou o grau de conhecimento de Temer sobre essas doações.

Ao longo de quatro horas, o doleiro falou também sobre como funcionavam nomeações a cargos públicos articuladas pelo PMDB e associadas a desvios de recursos. Apontado como aliado do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em esquemas de corrupção, Funaro está preso há quase um ano. Nas últimas semanas, ele contratou um advogado especialista em delação premiada. Apesar dos contatos com o Ministério Público Federal, não há informações de que o acordo tenha sido fechado. Ainda na audiência de quarta-feira, Funaro negou, no entanto, que ele ou seus familiares tenham recebido recursos da J&F, holding que controla a JBS, para se manter calado.

O doleiro atribui o recebimento de recursos dos irmãos Batista, donos da multinacional, a três contratos legais que mantinham com ele para prestação de serviços em operações de mercado. Segundo o doleiro, a mala com R$ 400 mil em dinheiro vivo recebidos por sua irmã, Roberta Funaro, que chegou a ser presa na Operação Patmos, deflagrada a partir das delações da JBS, também é parte do pagamento por serviços prestados de forma lícita. As investigações, no entanto, apontam que o dinheiro seria para comprar o silêncio de Funaro na cadeia.

A Procuradoria Geral da República sustenta, a partir de uma gravação feita por Joesley Batista, que o presidente Temer deu aval para que o empresário continuasse comprando o silêncio de Funaro e de Eduardo Cunha. A gravação está sendo periciada pela Polícia Federal. Assim como Funaro, Eduardo Cunha também negou, em depoimento prestado na quarta-feira em Curitiba, onde está preso, ter recebido dinheiro da JBS para ficar calado. Segundo o advogado Rodrigo Sanchez Ríos, que acompanhou a oitiva do ex-deputado, Cunha afirmou que seu silêncio nunca esteve à venda. Ele foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelo juiz Sergio Moro por colaborar no esquema de corrupção da Petrobras.

Funaro é réu na Operação Lava-Jato e está preso desde julho do ano passado. A denúncia sustenta que o doleiro operava um esquema de corrupção que cobrava propina de empresas interessadas em obter empréstimos do FI-FGTS (Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), feudo controlado pelo PMDB. Investigações apontam ainda Funaro como suspeito de ter intermediado um repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para um grupo de políticos do PMDB mais próximos ao presidente Temer.

A avaliação é de que uma delação de Funaro pode complicar a defesa de Temer, que passou à condição de investigado por autorização do Supremo Tribunal Federal. Uma eventual delação de Funaro, porém, é avaliada com cuidado pelos procuradores. Investigado no processo do mensalão, o doleiro fechou colaboração com o Ministério Público Federal e acabou se livrando de punições. Mas quebrou um dos termos do acordo, que era não voltar a praticar crime doloso.

O entorno do presidente Michel Temer também receia que Cunha resolva fazer delação e possa implicar o presidente. Segundo interlocutores do ex-deputado, no entanto, Cunha ainda avalia os próximos passos e não pretende tomar decisão enquanto não tiver acesso à íntegra dos documentos do inquérito aberto a partir da delação da JBS. Ele teme que sua situação se complique. Cunha pode ser implicado numa eventual delação de Funaro. 

Economia brasileira cresceu 0,28% em abril, diz Banco Central


A economia brasileira cresceu 0,28% em abril nas contas do Banco Central. A expectativa dos analistas era um pouco mais otimista. Previam uma alta de 0,4% do Índice de Atividade Econômica da autoridade monetária (IBC-Br), divulgado na manhã desta sexta-feira pela autarquia. Por outro lado, a autarquia revisou os dados do primeiro trimestre deste ano. O crescimento teria sido levemente melhor do que o anunciado no mês passado. Segundo o Banco Central, a atividade aumentou 1,19% e não 1,12% como divulgado. Com o resultado, o país interrompeu a sequência de vários trimestres de queda que caracterizam a pior recessão da História, dando sinais de que o pior já foi superado.

Para os economistas, o fato de o pior ter passado não significa que a recuperação será rápida. A crise política impede isso. “A economia provavelmente atingiu um ponto de inflexão durante o primeiro trimestre. No entanto, espera-se que o crescimento permaneça fraco ao longo de 2017, dada a elevada incerteza política e de política econômica e uma série de outros fatores estruturais (incluindo um mercado de trabalho fraco)”, disse o economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. 

As previsões de que o Brasil começa a entrar numa rota de recuperação foram alimentadas pelo bom desempenho do setor de serviços. Na quarta-feira, o IBGE divulgou que houve uma alta de 1% nesse segmento, o maior da economia brasileira. Foi o melhor desempenho desde abril de 2013, o que animou os especialistas. Nos cálculos da autoridade monetária, apesar do crescimento recente, o País ainda acumula uma retração de 2,66% nos últimos 12 meses. A projeção dos analistas é que o País cresça 0,41% neste ano.

O IBC-Br foi criado pelo Banco Central para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) é divulgado pelo IBGE com defasagem em torno de três meses. Tanto o IBC-Br quanto o PIB são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia.

O indicador do Banco Central leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços). Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações. 

Ex- chanceler alemão Helmut Kohl morre aos 87 anos


O ex- chanceler alemão Helmut Kohl, grande nome da reunificação da Alemanha, morreu nesta sexta-feira (16). Kohl, que foi primeiro chanceler da República Federal Alemã após a reunificação, morreu aos 87 em sua casa em Ludwigshafen. Ele governou a Alemanha entre 1982 e 1998 e foi considerado por muitos a força motriz por trás da introdução da moeda única européia, convencendo alemães céticos a abrir mão do marco alemão.

Figura histórica da União Democrata-Cristã (CDU/conservadores), é considerado aquele a quem a atual chanceler Angela Merkel deve sua ascensão política na década de 90. Ela foi sua ministra para temas femininos, passou para o Ministério do Meio Ambiente e lentamente atingiu o topo da vida política alemã. Kohl saltou à política nacional em 1976, quando se tornou chefe da oposição e chegou à chancelaria em 1982, após ganhar uma moção de censura contra o então chefe do Executivo alemão, o social-democrata Helmut Schmidt.

Um ano depois, foi ratificado pelas urnas no posto de chanceler e se manteve no cargo até 1998, quando foi derrotado pelo social-democrata Gerhard Schröder, que se aliou com Partido Verde pela primeira vez para recuperar o governo da Alemanha. Kohl, que detém o recorde de longevidade como chanceler alemão no pós-guerra, com quatro mandatos consecutivos, deixou a vida política em 2002. Após uma queda em 2008, sofreu problemas de fala e passou a usar uma cadeira de rodas. Em 2012, ele foi submetido à uma grande operação cardíaca.


Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos em 2017

O valor pago pelos brasileiros em impostos neste ano alcançou R$ 1 trilhão por volta das 8 horas desta sexta-feira (16), segundo o “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). No ano passado, o mesmo montante foi registrado somente em 5 de julho, o que revela crescimento da arrecadação tributária.


A marca de R$ 1 trilhão equivale ao montante pago em impostos, taxas e contribuições no País desde o primeiro dia do ano. O dinheiro é destinado à União, aos Estados e aos municípios. “Já que nossa economia não está crescendo, essa diferença de 19 dias reflete aumentos e correções feitos em impostos e isenções, além da obtenção de receitas extraordinárias como o Refis. Reflete também a inflação, que, apesar de ter caído, segue em patamar alto”, disse Alencar Burti, presidente da ACSP. Para ele, “no segundo semestre, espera-se elevação arrecadatória em função da melhora da atividade econômica”. 


O painel eletrônico que calcula a arrecadação em tempo real está instalado na sede da associação, na Rua Boa Vista, região central da capital paulista. O total de impostos pagos pelos brasileiros também pode ser acompanhado pela internet, na página do Impostômetro (www.impostometro.com.br).

Governo espera aprovar reforma da Previdência até agosto, diz secretário


O secretário da Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, disse nesta sexta-feiraoje (16), no Recife, que o governo espera aprovar a reforma da Previdência até agosto, e no formato em que foi aprovada na comissão especial criada para tratar do tema na Câmara dos Deputados. "Quem define a velocidade de tramitação e o conteúdo dessa matéria é o Congresso Nacional. O Congresso tem total autonomia. A perspectiva do Executivo é manter o plano da reforma tal qual foi aprovada na comissão especial, sem alterações e também na perspectiva de aprovação até agosto deste ano", afirmou. "O governo está confiante", acrescentou.

As declarações foram dadas em resposta ao questionamento da existência de clima político para aprovação da proposta, depois da delação dos empresários da JBS. Há ainda um recesso parlamentar de 18 a 31 de julho, mas o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na quinta-feira (15) que, caso a Procuradoria-Geral da República decida denunciar Temer por causa da delação da JBS, a Casa pode suspender o período de descanso para dar prioridade ao pedido. O Supremo Tribunal Federal só pode investigar o presidente caso a Câmara vote nesse sentido.

O debate contou ainda com o secretário especial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Arnaldo Barbosa de Lima Junior, e o economista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), André Magalhães, que defenderam a reforma, além do auditor da Receita Federal e professor de direito previdenciário Hugo Góes, que criticou o modelo proposto pelo governo federal. A principal defesa dos representantes do governo é de que a reforma é necessária e urgente diante da diferença negativa entre o que é pago como contribuição à Previdência e o que ela paga de volta aos brasileiros. De acordo com o secretário Marcelo Caetano, em 2016 o chamado “rombo do INSS” chegou a R$ 150 bilhões.