sexta-feira, 16 de junho de 2017

Joesley conduz pessoalmente venda de empresas da J&F



Joesley Batista vem conduzindo pessoalmente as negociações para a venda de algumas empresas do grupo. Interessados em comprar o banco Original, por exemplo, estão em contato direto com o próprio. O empresário já colocou à venda a Alpargatas, Vigor, Eldorado e Flora.

Justiça da Espanha autoriza extradição de operador da Odebrecht


A Justiça da Espanha autorizou a extradição do advogado Rodrigo Tacla Duran, que foi alvo da 36ª fase da Operação Lava-Jato, denominada “Dragão”, em novembro do ano passado. Tacla Duran foi preso em Madri no dia 18 de novembro sob a acusação de integrar o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, que ficou conhecido como o “departamento da propina”. Duran é suspeito de ser um dos operadores de offshores criadas pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. Além da Odebrecht, ele teria atuado para as empreiteiras Mendes Junior e UTC. O advogado teria faturado R$ 61 milhões, entre 2011 e 2013, atuando como operador. Deste total, R$ 54,1 milhões foram pagos por empresas que tiveram contratos com a administração pública. Ele também recebeu valores de outros operadores, como Adir Assad e Júlio Camargo

Como tem nacionalidade brasileira e espanhola, Duran recorreu à Justiça da Espanha para continuar no país. Ele chegou a alegar que corria risco de vida se fosse preso no Brasil. Em fevereiro, ele tinha conseguido a liberdade provisória. Entretanto, no despacho, os magistrados que autorizaram a extradição afirmaram que não há provas dessas ameaças. Os juízes rejeitaram também o argumento de dupla nacionalidade porque Tacla Duran não "construiu" sua vida na Espanha, mas sim no Brasil. O documento destaca ainda o princípio de reciprocidade, ou seja, o Brasil também terá que extraditar, no prazo de três meses, algum investigado na Espanha que tenha dupla nacionalidade assim como Tacla Duran, o que vai contra o artigo 5 da Constituição brasileira. A decisão ainda vai ser avaliada pelo governo espanhol.

Ele foi detido em um hotel e identificado pelas autoridades espanholas com as iniciais R.T.D. Advogado da empreiteira Odebrecht, ele foi citado pela Guarda Civil espanhola como “responsável pelo pagamento de comissões como contrapartida à concessão de contratos de obras públicas e privadas, tanto no Brasil como no exterior". 

Cartola José Maria Marin vende mansão em São Paulo para pagar a prisão domiciliar em Nova York na Trump Tower



Em busca de dinheiro para pagar advogados e os custos de sua prisão domiciliar em Nova York, na esplendora Trump Tower, o ex-presidente da CBF, o cartola José Maria Marin, de 83 anos, vendeu em fevereiro sua mansão no Jardim Europa, em São Paulo, por R$ 11,5 milhões. A empresa que a adquiriu foi a Meta Administradora de Bens, que gerencia imóveis de alto padrão. O negócio está inscrito no 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo, com data de 22 de fevereiro. Ela já havia sido posta para locação no ano passado, como meio de o cartola gerar receita uma vez que o empreendimento estava desocupado. O custo do aluguel do local podia chegar a R$ 110 mil por mês. O valor pelo qual Marin vendeu a mansão é bem inferior ao de referência, que beira os R$ 25 milhões. A mansão na nobre área paulistana foi a principal compra feita por Marin às vésperas de deixar a CBF, em abril de 2015. A residência tem mais de seis quartos e é erguida num terreno de 2.600 metros quadrados na avenida Europa. A negociação para a compra foi feita em março de 2014, mas a escritura só foi registrada em 2015. O casarão pertenceu a Jacob Klabin e Mildred Lafer, e Marin pagou por ele R$ 13,5 milhões. Pouco antes de deixar o comando da CBF, ele gastou R$ 15,4 milhões em imóveis que incluíam a mansão, um conjunto na avenida Paulista e uma cobertura de frente para a praia Barra da Tijuca - todos por valores abaixo do mercado.

O ex-presidente da CBF foi extraditado para os Estados Unidos em 3 de novembro de 2015, depois de cinco meses preso na Suíça após megaoperação da polícia local com o FBI. Ele é acusado pelo governo americano de participar de um esquema mundial de propinas e subornos no âmbito de comercialização de jogos e direitos de marketing de competições. Marin se declara inocente. Uma garantia de 15 milhões de dólares (cerca de R$ 57 milhões) permitiu a Marin o cumprimento da prisão domiciliar enquanto aguarda por julgamento. Ela só será executada caso ele desrespeite o acordo com a Justiça americana. O edifício onde Marin tem apartamento, a Trump Tower da Quinta Avenida, fica na região central da cidade, de alto valor imobiliário e a uma quadra do Central Park.

Ministro da Justiça argentino diz esperar acordo com Odebrecht


O ministro da Justiça argentino, Germán Garavano, disse nesta quinta-feira (15) que o governo ainda tem esperança de chegar a um acordo com a Odebrecht para que esta possa seguir atuando no país, desde que a empresa tenha "boa vontade" em oferecer informações sobre subornos pagos a políticos argentinos e que "se ajuste à nossa legislação". Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, a empresa brasileira teria pago US$ 35 milhões em propinas e caixa dois no país vizinho. Há, porém, dois entraves que vêm impedindo a chegada a esse acordo. "Um deles é a legislação argentina atual, que não prevê a concessão de benefícios ou de imunidade para responsáveis por crimes de corrupção", disse o ministro. 

No momento, há um projeto de lei sobre responsabilidade empresarial que está sendo debatido na Câmara dos Deputados e que contém uma cláusula que permitiria o uso do recurso de delação premiada, em troca de penas reduzidas ou outros benefícios. Na opinião do ministro, porém, a oposição kirchnerista vem colocando impedimentos para seu avanço no Parlamento. 

O segundo entrave, de acordo com o governo, é a atuação da Procuradoria, que é a entidade responsável por receber as informações das delações no Brasil e que é conduzida por Alejandra Gils Carbó, ligada ao kirchnerismo. Atualmente, há uma queda de braço entre o Executivo e a Procuradoria argentina. O primeiro acusa Gils Carbó de encobrir os crimes da Odebrecht que envolvam funcionários da gestão kirchnerista (2003-2015) e de expor apenas aqueles que mencionam os membros do atual governo, como o chefe de inteligência e amigo pessoal de Macri, Gustavo Arribas, mencionado na delação do doleiro Leonardo Meirelles como tendo sido receptor de mais de US$ 800 mil. 

"A Procuradoria poderia estar sendo muito mais proativa. Estão adotando uma atitude no mínimo passiva por conta da proximidade com o governo anterior. É decepcionante, porque não está tomando a atitude que a sociedade esperava", disse Garavano. No começo da semana, uma investigação do jornal "Clarín" afirmou que as propinas, na verdade, ultrapassariam US$ 100 milhões e que envolveriam mais de 40 políticos locais. "Não podemos nem ratificar nem negar essa informação", declarou Garavano.

Jornalista Alexandre Garcia é hostilizado em vôo da Gol



Depois do episódio de agressão e tortura vivido pela jornalista Miriam Leitão, da TV Globo e do jornal O Globo, hostilizada dentro de um avião por dirigentes do PT a bordo de um vôo da Avianca (no trajeto entre Brasília e Rio de Janeiro), o jornalista Alexandre Garcia, também do grupo Globo, passou pela mesma experiência lamentável nesta quinta-feira. Acompanhado da mulher, Magda Pereira, Garcia foi sucessivamente ofendido por um terrorista petista antes de embarcar e durante o vôo que o levou do aeroporto de Brasília ao aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. O petista estava no mesmo vôo, o 1700, da companhia aérea Gol, e registrou as hostilidades ao jornalista em um vídeo, que circula em redes sociais e no YouTube. Ainda na fila do embarque, ele grita palavras de ordem contra a Rede Globo e Alexandre Garcia, acusando-os de terem apoiado a ditadura militar, e chama o jornalista diversas vezes de “golpista”. 

"Que legal que a gente vai no mesmo vôo. Golpista! Vai ter mimimiriam Leitão? Alexandre, você também vai soltar notinha se vitimizando igual à Miriam Leitão?” - grita o petista. “Vai chamar a Polícia Federal? Vai ter mimimi? Vai dizer que é ódio? Vocês que incentivam o ódio contra o PT, o PCdoB, contra a esquerda”, continua. As agressões verbais seguiram até a entrada de Alexandre Garcia no avião, quando ele foi xingado de “cagão”. O jornalista não respondeu às provocações. 

Alexandre Garcia relata que os ataques do rapaz começaram ainda no saguão do aeroporto e, embora tenham cessado durante o vôo, foram retomados quando a aeronave pousou na capital mineira. “Vi que tinha um sujeito gritando atrás de mim, enlouquecido. É o momento dele aparecer, parecia que estava fora de si. Disse que o destino marcou esse encontro, que nos colocou no mesmo vôo. Ele veio gritando desde o balcão”, diz. 

Mesmo diante dos ataques ao jornalista na fila para embarcar, os dois funcionários da Gol responsáveis por conferir as passagens não tomaram nenhuma providência para resguardá-lo, como mostra o vídeo. As imagens mostram, no entanto, que, durante a entrada dos passageiros no avião, o comandante chama o jornalista à entrada da cabine e conversa com ele. 

Segundo Alexandre Garcia, o piloto disse que poderia retirar o rapaz do vôo, mas que ele, Garcia, não concordou com a medida. “A aeromoça da Gol tomou a iniciativa de chamar o comandante, que queria expulsá-lo do avião, mas não deixei. É alguém que quer aparecer. E ele acabou voando graças a mim”, ironiza o jornalista. “Era uma pessoa muito alterada, não dei muita importância”, afirma. 

Alexandre Garcia relata que, diante da gritaria do jovem contra ele, o ex-deputado federal do PT e ex-ministro Sigmaringa Seixas lhe prestou solidariedade no aeroporto de Brasília. Ao contrário das hostilidades a Miriam Leitão, atacada por alguns militantes petistas em um vôo de Brasília ao Rio de Janeiro, o detrator de Garcia agiu sozinho. Ele é um personagem conhecido, está sempre fazendo isso. É assessor da deputada federal petista Erika Kokay.

Empreiteira Construbase, de dono de helicóptero usado por Temer, teria pago propina a empresa de fachada


A Construbase, empreiteira que tem Natale como sócio-administrador, pagou de R$ 1,9 milhão para um empresa de fachada investigada por escoar propina na obra da Usina de Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A Construbase surgiu no inquérito da Polícia Federal a partir da quebra de sigilo da CG Consultoria. Segundo o Ministério Público Federal, a empresa serviu de fachada para pagamento de propina ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear. O Ministério Público Federal descobriu 35 repasses entre 2009 e 2012. 

Othon foi condenado a 43 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, embaraço à investigação e evasão de divisas. O almirante admitiu que os contratos com a CG Consultoria - cujo dono Carlos Gallo é seu amigo de longa data - eram forjados. Ainda na investigação das licitações para obras em Angra 3, os procuradores do Ministério Público Federal investigam repasses para a empresa Argeplan, do coronel da Polícia Militar e amigo de Temer, José Baptista Lima Filho. 

Ao obter um contrato de R$ 162 milhões na Eletronuclear, a empresa finlandesa AF foi obrigada a subcontratar duas empresas locais: a Engevix e a AF Brasil - da qual a Argeplan faz parte. Lima era gestor do contrato com a Eletronuclear, pela parte da Argeplan. O contrato foi assinado em 2012 para serviços de eletromecânica. Responsável pela condução das campanhas eleitorais de Temer, Lima teve a casa vasculhada por policiais federais em 18 de maio, em cumprimento a mandado de busca e apreensão expedido pelo Supremo Tribunal Federal. No local, foram encontrados documentos que vinculam o coronel à reforma da casa de uma filha de Temer. 

A Construbase também é suspeita de ter participado de cartel para vencer a licitação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras. o Ministério Público Federal aponta que o Consórcio Novo Cenpes, integrado por Construbase, OAS, Carioca Engenharia, Schahin Engenharia e Construcap CCPS, teria pago R$ 39 milhões em propina para obter o contrato com a Petrobras.

Alvo de mandado de prisão preventiva na Lava-Jato, o diretor da Construbase, Genésio Schiavinato Junior, se entregou à Polícia Federal em Curitiba em 4 de julho do ano passado, sendo libertado quatro dias depois. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. O contrato firmado pelo Consórcio Novo Cenpes com a Petrobras tinha previsão inicial de custo de R$ 850 milhões, mas uma série de aditivos levou o montante final a superar R$ 1 bilhão.

Oficialmente, o helicóptero Bell PR-VDN usado por Temer para a viagem a Tietê em 9 de março de 2014 está em nome da Juquis Agropecuária. Assim como a Construbase, a empresa tem Natale como sócio-administrador. 

Estados Unidos lançam ordem de prisão para os seguranças do ditador turco Erdogan

As autoridades dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira a emissão de 12 ordens de prisão contra agentes de segurança do ditador turco Recep Tayip Erdogan, suspeitos de terem agredido manifestantes curdos no mês passado em Washington. Os guarda-costas e outros partidários do ditador turco foram identificados através de vídeos, segundo o chefe da polícia da capital americana, Peter Newsham. O oficial classificou a atitude dos agentes de "ataque brutal contra manifestantes pacíficos". A manifestação resultou em 12 pessoas feridas, entre elas um policial.

Rodrigo Maia diz que pode suspender recesso parlamentar para votar denúncia contra Temer


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu nesta quinta-feira (15) que existe a possibilidade de o Congresso Nacional suspender o recesso parlamentar para analisar um eventual pedido de denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer. Maia afirmou que, em sua opinião, essa questão pode, sim, justificar uma suspensão do recesso. Ele explicou que isso seria definido em uma consulta ao Plenário. "É meio óbvio. Se tem uma denúncia contra o presidente que precisa ser votada... Aí, de repente, tem o recesso e para a eventual votação por 15 dias. Vamos voltar a tratar disso depois de 15 dias? Parar no meio do recesso, é claro que não tem condição. Tem que começar uma eventual discussão sobre esse assunto, tendo início meio e fim. Para o Brasil, isso é fundamental", disse ele. 

Assim que for apresentada pela Procuradoria Geral da República, a denúncia deve ser enviada à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Segundo o regimento interno da Casa, o colegiado terá 15 sessões para analisar o caso, sendo 10 para a apresentação da defesa do presidente e, após isso, mais cinco para o relator apresentar seu parecer. Após ser votada no colegiado, a denúncia tem de ser apreciada no plenário. Todos esses procedimentos levariam, em condições normais, ao menos um mês e meio. A recomendação do Palácio do Planalto, porém, é não usar todo o período permitido para a defesa. Maia negou que pretenda fazer qualquer tipo de alteração na tramitação do pedido. "Minha opinião é que, se a denúncia chegar, vai tramitar na base regimental, não vamos suprimir nada até porque não pode: 10 sessões para a defesa do presidente e cinco sessões para o relator. Vota na comissão e depois de duas sessões pode votar em Plenário", afirmou.

Líderes governistas dizem, porém, que há forte resistência dos parlamentares a suspender o recesso de julho, mês de férias escolares. Já o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que o período de férias está mantido entre os dias 18 e 31 de julho. Para que o Congresso Nacional seja convocado extraordinariamente no mês de julho há dois caminhos regimentais. O primeiro deles é a convocação conjunta dos presidentes da Câmara e do Senado. O segundo é a aprovação de requerimento nesse sentido pela maioria absoluta dos integrantes das duas Casas, ou seja, por pelo menos 257 deputados e 42 senadores.

Interlocutores do governo lembram, porém, que há ainda uma terceira via, considerada ainda mais fácil. Oficialmente, o Congresso só pode entrar em recesso em julho se aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Caso não aprove, Câmara e Senado entram no chamado "recesso branco", quando oficialmente parlamentares não estão em recesso, mas não há sessões no plenário e nas comissões.

Brasileiro é alvo de operação que investiga desvio de US$ 45 milhões do Banco Central de Angola


O empresário brasileiro Valdomiro Minoru Dondo, um dos homens mais ricos e poderosos de Angola, foi alvo na quarta-feira da Operação Le Coq, que mobilizou cerca de 60 agentes da Polícia Federal no Rio de Janeiro para o cumprimento de quatro mandados de condução coercitiva e 12 de busca e apreensão. A pedido da Justiça francesa, o Ministério Público Federal, em parceria com a Polícia Federal, investiga a utilização de intermediários em contratos entre o governo angolano e empresas estrangeiras na produção de papel moeda mediante pagamento de US$ 45 milhões em propina. Duas juízas francesas acompanharam a operação.

Minoro e Oscar Henrique Durão Vieira, um dos sócios do negócio, não foram encontrados pela Polícia Federal, mas os agentes conduziram, sob coerção, Vicente Cordeiro de Lima e Gerson Antônio de Souza Nascimento, com quem foram apreendidos 127 relógios no valor superior a R$ 1 milhão. Os quatro são acusados de participar de esquema que lesou contratos do Banco Central angolano com a empresa francesa Oberthur, especializada na fabricação de papel moeda.

De acordo com investigações iniciadas na França, os brasileiros, associados a angolanos e fazendo-se de representantes da Oberthur, teriam recebido comissões de 35% no valor dos contratos com o Banco Central, entre 2001 e 2012, à revelia da empresa francesa. Para isso, criaram uma cadeia de empresa de fachada, localizadas em Portugal e Hong Kong, que recebiam a propina.

Em sociedade com autoridades angolanas, Minoru construiu um império de negócios de mais de 20 empresas, tendo como cliente o governo do país. Em dezembro de 2011 ele era sócio, como pessoa física, de autoridades, ex-autoridades ou pessoas próximas a dirigentes governamentais, como Pedro Sebastião Teta, então vice-ministro da Ciência e Tecnologia, na empresa Júpiter; do brigadeiro Leopoldino Fragoso, o Dino, na Supermar; e da irmã da primeira-dama, Artemísia Cristina Cristóvão de Lemos, no Bob’s.

A proximidade entre Minoru e a família do presidente José Eduardo dos Santos, há três décadas no comando de Angola, é conhecida no país. Os negócios de Minoru em Angola começaram com a empresa Macon, de transportes coletivos, antes concentrados em lotadas de táxi e caminhonetes. Reportagem da revista “The Economist” questionou a utilidade de investimentos do governo, mostrando que foram comprados três mil ônibus, quando o país só tinha 1.500 motoristas habilitados. No começo desta década, suas empresas lucravam R$ 90 milhões anuais com contratos públicos em Angola.

Minoro não foi localizado para comentar as investigações. A Polícia suspeita que ele esteja em Luanda. Ele foi acusado em Angola de selar negócios com o Ministério da Saúde, a Casa Militar, o Ministério das Finanças e governos provinciais, supostamente transferindo recursos para empresas suas situadas em paraísos fiscais, como Ilha da Madeira, Ilhas Cayman, Suíça e Miami.

Vôos de carona de Teori e Fachi também serão investigados?


O governo Temer deixou escapar a informação de que poderá aceitar investigações sobre o uso de aeronaves de empresas privadas durante o período em que o atual presidente ocupou o cargo de vice de Dilma Roussef. Mas também quer que a Procuradoria Geral da República investigue pelo menos dois outros casos rumorosos: 
Teori Zavascki - O então relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, que morreu a bordo de um avião King Air C-90 do Hotel Emiliano, dia 19 de janeiro deste ano. Zavascki pegou carona no avião, a convite do proprietário do hotel, Carlos Alberto Filgueiras.
Luiz Edson Fachin - Em maio do ano passado, o atual relator da Lava Jato pegou carona num jatinho da JBS, no trajeto Curitiba-Brasília-Curitiba, para participar de um jantar discreto com o então presidente do Senado, visando obter votos de aprovação para sua indicação para o Supremo. A revista Veja desta semana conta que Ricardo Saur, diretor da JBS, articulou o jantar e acompanhou Fachin na viagem.
Há dezenas de outros casos, envolvendo até mesmo os ex-presidentes Lula e Dilma.

Zero Hora acusa o ficha suja Alceu Moreira por ter recebido doação declarada do concorrente da JBS, a BRF



Sem condições de acusar o deputado gaúcho Alceu Moreira por ligações corrompidas com a JBS, o jornal Zero Hora replicou o fato divulgado pela Folha: "Neste caso, Alceu Moreira é então culpado por ter recebido valores declarados e legais da BRF, concorrente da JBS". O deputado também recebeu doações declaradas do então presidente nacional do PMDB, Michel Temer, e do PMDB. A ideia é desqualificar o presidente do PMDB do Rio Grande do Sul, antes mesmo que ele emplaque a condição de relator do pedido que o STF talvez vá protocolar na Câmara, pedindo autorização para processar Temer, diz o jornalista Políbio Braga. O que ninguém diz é que o deputado federal, uma criatura de Eliseu Padilha, ex-prefeito de Osório, é um notório ficha suja, inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Improbidade Administrativa e Inelegibilidades, do Conselho Nacional de Justiça. Além disso é presidente do PMDB do Rio Grande do Sul, o que indica que o partido não busca currículos para sua direção, mas prontuário. Ele também conhece bem o Ministério Público. Quando era deputado estadual no Rio Grande do Sul, obteve do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul uma certidão de que nada havia sido apurado contra ele nas denúncias contidas no relatório da CPI dos Combustíveis, que flagrou telefonemas não republicanos de seu chefe de gabinete, com ele e com empresário do setor de combustíveis. De posse dessa certidão emitida pelo Ministério Público (desde quanto o Ministério Público tem poder de determinar encerramento e arquivamento de investigações, isso não é tarefa do Poder Judiciário?) ele se qualificou junto à bancada do PMDB para ser indicado à presidência da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Durante sua gestão, um dos primeiros projetos que entrou em votação foi o da instituição dos subsídios para os membros do Ministério Público do Estado. Alceu Moreira é um político sobre o qual não pairam dúvidas, com certeza.

Wesley Batista deixa presidência do conselho da Pilgrim's Pride

Wesley Batista, acionista da J&F Investimentos e da JBS, deixou a presidência do conselho de administração da Pilgrim's Pride (PPC). A JBS é acionista majoritária da processadora norte-americana de carne de frango, com sede em Greeley, Colorado. Segundo informações da empresa, Wesley renunciou e será substituído por Denilson Molina, diretor financeiro da divisão de alimentos da JBS nos Estados Unidos. Joesley Batista também deixou o conselho. Os irmãos, por meio do grupo J&F, firmaram acordo de leniência com o Ministério Público Federal no Brasil, com multa de R$ 10,3 bilhões, após delações de casos de corrupção.

Fachin tira de Moro investigação sobre irmão de Lula e envia à Justiça de São Paulo


O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, reconsiderou sua decisão de enviar ao juiz Sergio Moro as citações da delação da Odebrecht a pagamentos ao irmão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Frei Chico. Em resposta a um agravo regimental proposto pela defesa de Lula, Fachin decidiu que o material deve ser encaminhado à Justiça de São Paulo. José Ferreira da Silva, nome de Frei Chico, é o irmão mais velho de Lula. Os delatores Alexandrino Alencar, ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira, e Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, que chefiou o chamado departamento de propinas da empreiteira, disseram à Procuradoria-Geral da República que Frei Chico recebia uma espécie de mesada. "Narram os executivos que os pagamentos eram efetuados em dinheiro e contavam com a ciência do ex-presidente, noticiando-se, ainda, que esse contexto pode ser enquadrado na mesma relação espúria de troca de favores que se estabeleceu entre agentes públicos e empresários", diz a petição enviada por Fachin à Justiça de Curitiba à época do desmembramento dos casos relacionados à delação dos executivos da empreiteira baiana.

Para Fachin, após o recurso da defesa de Lula e a análise dos depoimentos não foi possível constatar a "relação dos fatos com a operação de repercussão nacional que tramita perante a Seção Judiciária do Paraná". "À luz dessas considerações, nos termos do art. 317, ? 2º, do RISTF, determino a remessa de cópia dos termos de depoimento dos colaboradores Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho (Termo de Depoimento n. 9) e Alexandrino de Salles Ramos Alencar (Termo de Depoimento n. 17), e documentos apresentados, à Seção Judiciária de São Paulo", conclui o ministro.

Novo caça da FAB faz primeiro voo de testes na Suécia


A fabricante sueca Saab realizou, nesta quinta-feira (15), em Linköping, o primeiro voo do novo caça da Força Aérea Brasileira (FAB), o Gripen E — também chamado de Gripen NG. O voo durou 40 minutos. Vice-presidente sênior e chefe da área de negócios da companhia, Jonas Hjelm confirmou que a entrega dos 36 caças encomendados pelo Brasil ocorrerá a partir de 2019. O modelo foi desenvolvido para atuar em diferentes funções. Além de caça de interceptação, pode ser usado como bombardeiro e avião de reconhecimento armado. "O voo foi exatamente como o esperado. O desempenho de aceleração do Gripen E é impressionante, com um bom manuseio. Estou muito feliz por ter comandado este voo inaugural", disse Marcus Wandt, o piloto do teste experimental, conforme comunicado divulgado pela Saab. O contrato com a fabricante também prevê a transferência de tecnologia para a indústria brasileira. Parte dos caças encomendados pela FAB será construída no Brasil, pela Embraer. A confirmação do acordo havia ocorrido em outubro de 2014, um dia depois da reeleição da então presidente Dilma Rousseff, com valor de quase US$ 1 bilhão acima do previsto inicialmente. No total, o País pagará US$ 5,4 bilhões pelos caças, valor superior aos US$ 4,5 bilhões mencionados durante o processo de seleção. 

Fachin dá sinal verde para que Moro sentencie Lula

O ministro Luís Edson Fachin negou ontem o pedido dos advogados de Lula, líder do PT, que tentou novamente escapar do julgamento da ação criminal sobre a compra do triplex do Guarujá. Fachin avisou que Sérgio Moro faz tudo certo e que pode sentenciar Lula.

Com crise da JBS, pecuaristas se unem para assumir frigoríficos no Mato Grosso

Após redução das atividades da empresa após delações, criadores de Mato Grosso, maior produtor de gado do País, têm dificuldade para vender os bois. Um grupo de pecuaristas de Mato Grosso, maior produtor de gado do País, está se articulando para criar uma cooperativa para reativar até 15 frigoríficos do Estado. As conversas ainda estão em estágio inicial, mas ganharam força nas últimas semanas, depois que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, controladores da JBS. A crise na empresa que se seguiu às delações provocou uma grande desarrumação no mercado de bovinos. Pecuaristas passaram a temer vender gado à prazo para a JBS, e começaram a procurar outros compradores. Mas as opções são restritas – a JBS concentra cerca de 50% do abate no Estado. Por conta desse desarranjo, o preço do gado bovino acabou caindo. Com isso, ganharam força as conversas entre os pecuaristas para assumirem frigoríficos fechados. A ideia, segundo Luciano Vacari, diretor executivo da Associação de Criadores do Mato Grosso (Acrimat), já vinha desde que foi deflagrada, em março, a Operação Carne Fraca, que investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em esquema de corrupção, mas agora foi acelerada. “A abertura de uma cooperativa é uma das possibilidades. Podemos atrair investidores de fora, mas tudo está em discussão ainda”, disse. Fazem parte desse pool de pecuaristas os irmãos Fernando e Eraí Maggi, primos do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, donos do grupo agropecuário Bom Futuro. A família Maggi é uma das maiores produtoras de soja no Brasil. Mato Grosso tem, no total, 22 frigoríficos desativados, boa parte por conta do movimento de concentração do setor. Desses, de seis a oito podem ser reabertos nos próximos meses, disse Ricardo Tomczyk, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Na terça-feira, o Minerva, terceiro maior frigorífico do País, anunciou que vai reabrir a unidade na cidade de Mirassol D’Oeste. O Marfrig também avalia reativar duas unidades.

Policia Federal investiga contratação irregular de empresas pelo governo de Angola

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal, em cooperação internacional com autoridades da França, deflagraram na quarta-feira (14) a Operação Le Coq para cumprir 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Os suspeitos de envolvimento no esquema são acusados de corrupção de agente público estrangeiro, falsificação de documentos públicos e outros crimes. A investigação apura a utilização de intermediários em contratos entre o governo angolano e empresas estrangeiras mediante pagamento de comissões. De acordo com as investigações, os envolvidos cobravam até 35% sobre o valor total para a obtenção dos contratos que seriam firmados com a administração do país africano, corrompendo agentes públicos. Sessenta policiais federais cumpriram ordens expedidas pela 9ª Vara Federal no Rio de Janeiro em imóveis residenciais e comerciais na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste.

Grupo de cidadãos protocola no Senado pedido de impeachment contra Gilmar Mendes

O ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, protocolou na quarta-feira (14), no Senado, pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes, com assinaturas de juristas, professores, funcionários públicos e estudantes. Além do impeachment, o grupo também pediu que o STF e a Procuradoria-Geral da República investiguem se a conduta de Mendes tem sido compatível com o cargo que ocupa. O grupo produziu três peças jurídicas. O impeachment foi protocolado na Secretaria-Geral da Mesa Diretora do Senado e deverá ter sua admissão inicialmente analisada pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A segunda peça é uma reclamação que será encaminhada à presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, para apuração administrativa das condutas do ministro. A terceira peça é uma notícia-crime encaminhada ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 

As três peças tomam como base a conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal em que o senador afastado Aécio Neves pede a Gilmar Mendes que interceda com outros senadores para propiciar a aprovação de um projeto de lei. Os documentos pontuam que, apesar de estar sob sigilo, a gravação foi amplamente divulgada na imprensa e o próprio ministro admitiu o teor da conversa.

“O momento da história brasileira presente pede a participação de cidadãos e cidadãs brasileiros. Na qualidade de cidadãos, nós apresentamos este pedido aqui no Senado da República, um pedido por crime de responsabilidade. Calcado em notícias de quem produz jornalismo? Não, calcado em declarações do ministro Gilmar Mendes, publicadas, sim, pela imprensa, mas por ele jamais desmentidas, essas declarações. E que nós consideramos que elas caracterizam crime de responsabilidade”, explicou o ex-procurador-geral.

O crime de responsabilidade que justificaria o impeachment, explicou Fonteles, estaria caracterizado pela conduta do ministro de “exercer atividades político-partidárias mediante a articulação e participação em atividades típicas de uma liderança político-partidária, especialmente por meio de atos de influenciar e persuadir parlamentares a votarem a favor de um determinado projeto de lei, por solicitação do presidente do respectivo partido político”, fato que teria ficado comprovado na conversa com o senador afastado.

Outras condutas de Gilmar Mendes são apontadas pelo grupo, como proferir julgamento em processo nos quais estaria impedido por ser, a parte, cliente do escritório de advocacia onde atua a esposa do ministro, ou em causas na qual seria legalmente suspeito por se apresentar como “velho amigo” de uma das partes. Em maio, o ministro divulgou nota afirmando que, no habeas corpus por meio do qual concedeu liberdade ao empresário Eike Batista, o empresário não era representado por advogado do escritório Sérgio Bermudes, onde a esposa Guiomar Mendes é sócia.

Os signatários das petições também acusam Mendes de proceder de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro das funções de ministro do Supremo Tribunal Federal, por ter feito uso de linguagem impolida, depreciativa e agressiva contra o ministro Marco Aurélio, a Procuradoria-Geral da República e seus membros, e o Tribunal Superior do Trabalho e seus membros; e de alimentar e ter relações de proximidade com pessoas investigadas ou denunciadas criminalmente no STF, ou que sejam réus, partes ou juridicamente interessadas em processos em andamento no STF e no TSE.

No pedido encaminhado ao Senado, o grupo pede que o processo seja instaurado para que seja iniciada a apuração, com apresentação de rol de testemunhas e produção de provas. No Supremo, eles querem que os pares de Mendes avaliem administrativamente, em caráter disciplinar, se ele atuou com conduta incompatível com o cargo e com suspeição nos processos que julgou, aplicando as penas previstas em lei. Já para a Procuradoria-Geral da República, o pedido é para que seja investigado se o ministro utilizou-se do cargo para atuar em favor de interesses próprios e de terceiros.

Moro manda Lula pagar custo de tradutor para testemunha no caso do Instituto Lula


Duas testemunhas, Jonathan Kellner e Juan Giraldez, fazem parte de um rol de 87 pessoas convocadas pela defesa. O caso é o do Instituto Lula, uma das três ações sob o comando de Moro. A defesa do ex-presidente Lula terá de arcar com custos de tradução para duas de suas testemunhas que serão ouvidas em ação penal sobre suposto recebimento da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. A determinação é do juiz federal Sérgio Moro. O magistrado autorizou a ida de um tradutor para Curitiba desde que a defesa pague por estas despesas. O advogado Cristiano Zanin Martins, que representa Lula, havia informado a Moro sobre a “imprescindibilidade” de um profissional “com expertise na tradução da língua inglesa para a língua portuguesa e vice-versa” para acompanhar as audiências. Moro autorizou o uso de um tradutor. “Sendo prova de interesse da defesa, deve ela providenciar a vinda de tradutor para Curitiba ou para São Paulo para realizar a tradução e arcar com os custos decorrentes".

OEA convoca reunião de chanceleres sobre a Venezuela para 19 de junho

A Organização dos Estados Americanos (OEA) realizará a segunda sessão da reunião de chanceleres sobre a Venezuela no dia 19 de junho em Cancún, no México, antes da abertura formal da Assembleia Geral do organismo. A informação foi confirmada pelo ministro de Relações Exteriores da Guatemala, Carlos Raúl Morales - que preside a reunião - em uma nota enviada à Secretaria Geral da OEA. A reunião de chanceleres sobre a crise da Venezuela foi suspensa no último dia 31 de maio na sua primeira sessão em Washington diante da falta de acordo sobre os dois projetos de declaração apresentados.

Os chanceleres retomarão a sessão em 19 de junho no Hotel Moon Palace de Cancún, onde será aberta oficialmente a 47ª Assembleia Geral da OEA, a reunião anual mais importante do organismo e da qual participam os ministros de Relações Exteriores ou algum representante desse departamento. Na reunião de 31 de maio os chanceleres se comprometeram a retomar a sessão antes da Assembleia com a intenção de que, nesse encontro, o acordo já estivesse pronto de antemão e só tivesse que ser votado.

No entanto, segundo fontes diplomáticas, não existe ainda uma proposta que possa reunir a maioria necessária para a tomada de decisões na reunião de chanceleres: 23, dois terços dos 34 Estados representados (todos do continente, menos Cuba). O acordo não foi possível em maio porque a proposta de declaração de Estados Unidos, México, Peru, Canadá e Panamá pedia o cancelamento da Assembleia Constituinte na Venezuela e era muito crítica ao governo de Nicolás Maduro, enquanto a apresentada pelos 14 países da Comunidade do Caribe (Caricom) não continha essas reivindicações.

Por outro lado, as duas propostas concordam em pedir a cessação da violência a todas as partes, um novo processo de diálogo, a criação de um grupo que o acompanhe e no convite à Venezuela para reconsiderar sua decisão de deixar a OEA. A nova reunião poderia terminar de novo sem acordo, razão pela qual os 14 países impulsores do encontro e da mediação da OEA na crise da Venezuela explora alternativas, como tentar aprovar um projeto de resolução na Assembleia, onde só precisariam de 18 votos.

Para essa votação, confiam em contar com pelo menos quatro países do Caribe, como ocorreu em ocasiões anteriores. Se isso não for possível, caso a Caricom mantenha a posição de bloco pela qual optou para a reunião de chanceleres, o grupo dos 14 cogita emitir uma declaração de imprensa assinada com a sua posição e propostas sobre a crise venezuelana. Desde o dia 1º de abril, a Venezuela vive uma onda de protestos a favor e contra o governo, alguns dos quais se tornaram violentos e deixaram um balanço de 69 mortos e mais de mil feridos, segundo dados do Ministério Público local.

Presidente da Vigor substitui Joesley Batista no conselho da JBS

A JBS comunicou na quarta-feira (14) a nomeação do diretor-presidente da Vigor, empresa do setor de lácteos da holding J&F, Gilberto Xandó, para o seu Conselho de Administração. Xandó substitui Joesley Batista, que renunciou à sua posição de membro desse conselho no último dia 26 de maio, após sua delação premiada que incluiu gravação de conversa com o presidente Michel Temer.

Xandó assumiu o cargo de diretor-presidente da Vigor em 2011, depois de ter sido executivo sênior da Natura Brasil e da Sadia. É formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e tem especialização em varejo e gestão de negócios. O presidente do Conselho da JBS, Tarek Farahat, disse que a reputação e a experiência de Xandó na indústria de alimentos, bem como em comércio e finanças, "serão inestimáveis para nós, enquanto trabalhamos para reconstruir a confiança em nossos negócios”. 

O empresário Joesley Batista, um dos controladores da JBS, retornou ao Brasil no último domingo (11) e prestou novo depoimento à Procuradoria-Geral da República no Distrito Federal, dentro do inquérito que apura recebimento de recursos ilegais pelo PT, no Exterior. A íntegra da delação premiada de Joesley Batista e seu irmão Wesley Batista, donos do grupo JBS, foi tornada pública no dia 19 de maio passado, após o ministro Edson Fachin homologar os depoimentos que haviam sido firmados com a PGR. Pelo acordo de leniência fechado entre a PGR e os negociadores da J&F, a JBS terá que pagar multa no valor de R$ 10,3 bilhões, no prazo de 25 anos.

Fachin nega pedido da defesa de Lula para suspender processo do tríplex

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, negou na quarta-feira (14) um pedido para suspender a tramitação da ação penal na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu na 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, comandada pelo juiz Sérgio Moro. O processo trata do tríplex em Guarujá, litoral de São Paulo. Na ação, a defesa de Lula pediu a suspensão do processo até que tenha acesso às negociações do acordo de delação premiada dos executivos da empreiteira OAS Léo Pinheiro e José Aldelmário.

Ao rejeitar a suspensão, Fachin entendeu que não há motivos legais para interromper a tramitação do processo. “Num juízo de cognição sumária, próprio desta fase processual, não depreendo ilegalidade flagrante na decisão atacada a justificar a concessão da liminar.”

Nessa ação, uma das três contra o ex-presidente no âmbito da Lava Jato, Lula é acusado pelo Ministério Público Federal de receber vantagens indevidas da empreiteira OAS por meio das reformas de um apartamento tríplex em Guarujá. Em depoimento prestado no mês passado ao juiz Sérgio Moro, Lula disse que não é dono do imóvel e que nunca manifestou intenção de adquirir o apartamento.

Justiça bloqueia bens de ex-secretário municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro

A juíza Mirela Erbisti, da 3ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de bens do ex-secretário municipal de Assistência Social e ex-deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB), acusado pelo Ministério Público do Estado de improbidade administrativa ao utilizar as organizações não governamentais (ONG) Casa Espírita Tesloo e Central de Oportunidades para desviar recursos públicos. 

O ex-secretário é acusado de acréscimo indevido de bens e valores em seu patrimônio, ocultação patrimonial, movimentação de valores para o Exterior e ilegalidades na execução de contratos. O processo inclui mais nove acusados.

As investigações resultaram em duas ações civis públicas propostas pelo Ministério Público. Na primeira, os acusados tiveram R$ 60 milhões em bens bloqueados e na segunda, o bloqueio foi de R$ 26.392.131,92.

No processo, o Ministério Público aponta que os repasses feitos nos convênios com a Central de Oportunidades “continham vultosos gastos com superfaturamento de preços de diversos produtos, além de declarações não condizentes com a realidade, beneficiando os fornecedores, o que evidencia os indiscutíveis atos de improbidade administrativa”.

Segundo a juíza Mirela Erbisti, o inquérito civil que baseia o pedido de liminar é vasto e robusto. “Há indícios da existência de suposto esquema de corrupção que teria causado prejuízo ao erário da ordem de R$ 60 milhões em decorrência de irregularidades praticadas, a princípio, por meio de uma única Secretaria Municipal. As alegações são graves".

No despacho, a juíza destaca que Rodrigo Bethlem é acusado de receber propina mensal de R$ 15 mil de um amigo que fornecia lanche para ONGs prestadoras de serviço à secretaria e de realizar diversas e sucessivas contratações da Central de Oportunidades com dispensa de licitação e ratificar a ordenação de despesas.

“Defiro a liminar requerida e decreto a indisponibilidade dos bens dos demandados como garantia ao ressarcimento ao erário pelos danos causados ao patrimônio público. Decreto ainda a quebra dos sigilos bancários e fiscais e das faturas de cartões de crédito de titularidade e/ou responsabilidade dos demandados referente ao período de 2009/2014”, determinou a juíza, que incluiu outros integrantes da secretaria e das ONGs no bloqueio de bens.

Junto com Rodrigo Bethlem, respondem pelas irregularidades Luiz Medeiros Gomes (ex-assessor), Goethe dos Santos Maya Vianna, Álvaro Basílio Neiva, Welington de Araújo Dias, Carmelo de Luca Neto, José Mantuano de Luca Filho, e ainda, a ONG Central de Oportunidades, Associação dos Condutores de Transporte Alternativo (Coop-Rio) e Comercial Milano Brasil.

As denúncias do MP indicam que os sócios da Comercial Milano Carmelo de Luca Neto e José Mantuano de Luca Filho, cuja empresa é uma das maiores fornecedoras de merenda escolar do município, se beneficiaram do superfaturamento na venda de lanches para ONGs conveniadas com a prefeitura. Também de acordo com o MP, os gestores das entidades recebiam uma participação de 5% das contas prestadas para monitorar os convênios.

Ministério Público Federal quer saber se houve erro de execução em trecho da transposição do São Francisco que rompeu

O Ministério Público Federal cobrou do Ministério da Integração Nacional que fiscalize o rompimento em trecho do canal do Projeto de Integração do Rio São Francisco ocorrido no último sábado (10), em Custódia (PE), para saber se houve erro de execução ou de projeto no ponto danificado. O rompimento ocorreu no Eixo Leste e o reparo definitivo foi feito em 72 horas. O pedido foi fundamentado em inquéritos civis públicos que indicam a possibilidade de falhas na construção de outros trechos do projeto da transposição. A preocupação foi exposta pela procuradora Polireda Medeiros, integrante do Grupo de Trabalho de Revitalização do Rio São Francisco, da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal, durante reunião, na terça-feira (13), em Brasília, com o secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Antônio de Pádua, e integrantes do Comitê de Gestão de Recursos Hídricos (CGRH) do Ministério Público da Paraíba.

A reunião tratou do rompimento do canal e as consequências para o abastecimento de água de Campina Grande (PB), atualmente dependente do abastecimento gerado pelo sistema da transposição, em fase de testes. O trecho danificado em Custódia foi filmado e repercutido nas redes sociais. O vídeo mostra um buraco de grande proporção que interrompeu a passagem da água no canal e desviou o fluxo em direção à vegetação lateral à estrutura. O acidente não deixou vítimas e o trecho já foi consertado, de acordo com o Ministério da Integração.

“A preocupação do Ministério Público Federal é para alertar, pedir que o Ministério da Integração Nacional preste a devida atenção a essas questões de erros de projeto e execução, e que eles avaliem se existem e em que medida existem, para que haja a devida prevenção. E que se possa evitar novos acidentes”, disse a procuradora. De acordo com ela, a Procuradoria da República em Garanhuns abriu dois inquéritos civis públicos que indicam falhas na construção do canal.

Um dos inquéritos abertos pelo MPF trata do rompimento ocorrido, em março, em uma barragem do projeto de integração localizada em Sertânia (PE). De acordo com Polireda Medeiros, laudo da área técnica do MPF indicou, como provável causa, falhas no projeto de construção do reservatório, que não incluía duas exigências técnicas necessárias para o tipo de estrutura.

A outra investigação foi iniciada em 2014 e trata de fiscalização feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e a então Controladoria-Geral da União (CGU) em toda a extensão do Eixo Leste do sistema, em que foram constatadas falhas de execução e de fiscalização das obras.

“Diante de dois acidentes no mesmo ano, do que foi apurado, não se pode afirmar que foi episódico. Também não estou afirmando que existam falhas incorrigíveis e que haverá um grande desastre. Mas é possível se recomendar prudência. É necessário que o ministério adote medidas de regularização, porque existem irregularidades”, argumentou. Há ainda outros problemas apontados pelo MPF, como a ausências de plano de segurança e de plano de ação em caso de emergência para todas as barragens da transposição localizadas na Paraíba.

Ainda de acordo com a procuradora, o secretário se mostrou “empenhado” em resolver as questões. Segundo o MPF, foi decidido, durante a reunião, que os planos de segurança das barragens da Paraíba serão encaminhados à Agência Nacional de Águas (ANA) em até três meses, e que as 12 barragens do Eixo Leste passarão por diagnóstico de um consultor externo. Também foi acertado que o Ministério da Integração Nacional reforçará a fiscalização no sistema e dará acesso integral ao Ministério Público Federal na Paraíba aos projetos que fazem parte da obra. 

Relatorio alternativo da CPI do Futebol já resultou em prisões


Em seu relatório alternativo, a CPI do Futebol no Senado sugeriu à Procuradoria-Geral indiciamento de 9 figuras ligadas à Confederação Brasileira de Futebol, incluindo ex-presidentes Ricardo Teixeira e José Maria Marin, e o atual presidente, Marco Polo del Nero. O “relatório B” já rendeu a prisão do vice-presidente da CBF e prefeito de Boca da Mata (AL), Gustavo Feijó, na operação Bola Fora, da Polícia Federal. Os três presidentes da CBF acusados de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, devem ficar com as barbas de molho. Romário (PSB-RJ), que presidiu a CPI, e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentaram o relatório alternativo que pede os indiciamentos. Antônio Osório, apontado como homem forte de Ricardo Teixeira e ex-diretor financeiro da CBF, é acusado de estelionato e crime eleitoral. O vice-presidente da CBF, Marcos Antonio Vicente, e o diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, são acusados de falsidade ideológica.

Zurich Airports começa a recrutar funcionários para o Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis

A empresa suíça Zurich Airports abriu escritório e já está recebendo currículos para selecionar funcionários de diferentes áreas para trabalhar no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis. As contratações devem ocorrer até dezembro deste ano. A previsão é que em 1º de janeiro, 165 pessoas estejam trabalhando. Os interessados em trabalhar no terminal devem enviar o currículo e a carta de apresentação para o e-mail flnairport@kspecialists.com.br. No corpo da mensagem, a pessoa precisa indicar sua área de interesse. A Zurich está procurando funcionários para atuar nos seguintes setores: operações, finanças, administração (RH, Jurídico, Comunicação Corporativa, etc), comercial (negócios variados como varejo, serviços, etc) e infraestrutura (construção, engenharia, imóveis, etc). A empresa vai definir especificamente as vagas nos próximos meses, conforme a demanda e o aproveitamento de funcionários que atuam em outras unidades. Além disso, nos próximos dias a Zurich iniciará o contato com os funcionários da Infraero que já trabalham no Hercílio Luz para saber do interesse deles em continuar no local. O CEO da empresa em Florianópolis, Tobias Markert, diz que a intenção é aproveitar o conhecimento dos atuais trabalhadores. "Teremos em torno de apenas cinco pessoas da Suíça trabalhando aqui. Com isso, vamos depender bastante do pessoal da Infraero. Queremos contar com eles, pois eles tem o know-how. Todos os funcionários que já trabalham pela Infraero aqui no aeroporto terão a possibilidade de participar pela nossa consultoria de RH".

Doleiro Lucio Bolonha dá novo longo depoimento à Polícia Federal e complica a situação de Temer


Em um longo segundo depoimento à Polícia Federal, nesta quarta-feira, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro fez revelações que podem complicar ainda mais a situação do presidente Michel Temer e do ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, investigados por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça. Chamado para esclarecer pontos incompletos do interrogatório anterior, ocorrido no dia 2 deste mês, Funaro respondeu a todas as perguntas do delegado que está à frente do inquérito. O depoimento se prolongou por mais de quatro horas, o que indicaria o forte interesse dos investigadores nas informações fornecidas pelo operador. No primeiro depoimento, Funaro acusou Geddel de fazer sondagens para saber se ele iria mesmo fazer acordo de delação premiada, como estava sendo ventilado pela imprensa. O ex-ministro, um dos principais aliados de Temer, teria ligado várias vezes para a mulher de Funaro em busca de informações sobre os planos do doleiro. Em uma conversa com Temer, em 7 de março deste ano, o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, disse que estava pagando mesadas a Funaro e ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para que os dois não fizessem delação. 

Funaro teria afirmado também que, até ser demitido, Geddel era o principal interlocutor do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista no governo. A questão é importante porque, ainda na conversa com Temer, Joesley disse que, com Geddel fora de cena, precisaria de um novo interlocutor. Temer indicou, então, Rocha Loures para tratar de “tudo” com o empresário. Dias depois, o ex-assessor saiu a campo e tratou de decisões e cargos estratégicos do governo com Joesley. Em outro momento, foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, operador da propina da JBS.

O dinheiro seria a primeira parcela de um suborno que, pelos cálculos da Policia Federal, bateria a casa dos R$ 600 milhões ao longo de 25 anos. Segundo Saud, o dinheiro seria para Temer. As conversas e o recebimento do dinheiro resultaram na abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal e na prisão de Rocha Loures. No início, Funaro se mostrava reticente em colaborar. Mas, há duas semanas, contratou o advogado Antonio Figueiredo Basto para negociar acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República. Na semana passada, o advogado Bruno Espiñeira Lemos, coordenador da defesa de Funaro, disse que seu cliente está decidido a colaborar com a Justiça. Funaro está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde junho do ano passado. Ele é acusado de se associar ao ex-deputado Eduardo Cunha para desviar dinheiro público e construir uma rede de poder político a partir de financiamento legal e ilegal de campanhas eleitorais de determinados candidatos. O doleiro é suspeito de ter intermediado um repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para um grupo de políticos do PMDB mais próximos a Temer. Parte do dinheiro teria sido entregue por Funaro no escritório de advocacia de José Yunes Filho, um dos ex-auxiliares e amigo pessoal de Temer. 

Assessor especial de Temer, Yunes pediu demissão em dezembro passado, quando soube que as informações sobre a entrega do dinheiro no escritório dele apareceriam em delações de executivos da Odebrecht. Os R$ 4 milhões fariam parte de um total de R$ 10 milhões acertados em um jantar oferecido por Temer a Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, no Palácio do Jaburu, na campanha eleitoral de 2014. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República no início deste ano, Yunes disse que Funaro realmente deixou um pacote no escritório dele.

A tentativa de Funaro de fazer acordo de delação aumenta a pressão sobre Temer. O presidente e pelo menos oito ministros já estão sendo investigados por corrupção. O movimento do operador, aliás, já teria provocado forte reação de Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba. Até recentemente, o ex-deputado considerava impossível que o ex-operador partisse para uma colaboração. Isso torna também fragilizada a posição de Eduardo Cunha, que tem quatro mandados de prisão.

Em depoimento nesta quarta-feira à Polícia Federal, em Curitiba, Eduardo Cunha manteve a linha de rebater as acusações de que a JBS pagou para que se mantivesse calado na prisão. Eduardo Cunha disse que nunca negociou seu silêncio com o governo federal. "Ele (Cunha) disse que não foi comprado e que seu silêncio nunca esteve à venda", afirmou o advogado Rodrigo Sanchez Ríos, após acompanhar a oitiva de Cunha, que durou cerca de duas horas.

O depoimento foi marcado para que Cunha respondesse a 47 das 82 perguntas formuladas pela Polícia Federal ao presidente Michel Temer no inquérito que investiga se o presidente cometeu crime de corrupção, obstrução à Justiça e organização criminosa. As perguntas foram formuladas em Brasília e lidas a Cunha pelo delegado Maurício Moscardi Grillo (que conduz o inquérito da Operação Carne Fraca).

De acordo com pessoas próximas, o ex-deputado não recuou ao evitar ataques a Temer em seu depoimento. Eduardo Cunha ainda avalia seus próximos passos, embora não descarte implicar o presidente. O ex-presidente da Câmara teria decidido adotar cautela enquanto não tiver acesso à íntegra dos documentos do inquérito da JBS, sobretudo das gravações telefônicas. A preocupação é que haja algum elemento que possa complicar sua situação.

De acordo com Ríos, Eduardo Cunha respondeu a 23 dos questionamentos sobre o caso JBS — somente aqueles não relacionados ao processo em que ele é acusado de receber propina por parte de empresas interessadas em sua influência para facilitar empréstimos do FGTS. "O deputado fez uma declaração geral. A metade das perguntas dizia respeito à ação penal sobre FGTS, e em reação a isso é mais fácil responder dentro do processo, são perguntas retiradas da nossa defesa. Quanto aos fatos da JBS, o deputado ressaltou mais uma vez que o silêncio dele nunca esteve à venda, ou seja, nunca o procuraram, nem ao presidente Temer nem interlocutores próximos ao presidente, para comprar o silêncio do deputado. Então ele refutou todas as perguntas relacionadas a esse fato", declarou o advogado à saída do depoimento de Cunha. O advogado disse ainda que Cunha negou conhecer a irmã de Lúcio Funaro, e que se houve uma ação controlada quanto ao dinheiro encontrado com ela é possível “ver para onde se direcionavam as notas”.