quarta-feira, 14 de junho de 2017

País registra alta no abate de frangos, porcos e bois no 1º trimestre


A indústria brasileira de abate de frangos, porcos e bois registrou alta no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O abate de frangos foi 0,3% maior que o registrado no primeiro trimestre do ano passado. Nos três primeiros meses de 2017 foram abatidas 1,48 bilhão de cabeças. Quando comparado ao quarto trimestre de 2016, a produção foi 5,1%. A produção de ovos de galinha foi de 788,26 milhões de dúzias no primeiro trimestre de 2017. Comparando com o mesmo período de 2016, uma alta de 4,1%. Já o abate de porcos, com 10,46 milhões de cabeças, foi 2,6% maior que o primeiro trimestre do ano passado. Em relação ao período imediatamente anterior, no entanto, houve queda de 3,2%. O abate de bois registrou estabilidade. Quando comparado ao primeiro trimestre de 2016, a alta foi de 0,7%. Já em relação aos últimos três meses de 2016, uma queda de 0,5%. Foram abatidas 7,37 milhões de cabeças de gado nos três primeiros meses de 2017. A aquisição de leite in natura foi de 5,87 bilhões de litros, um aumento de 0,1% sobre o mesmo período do ano passado. Contudo, uma queda de 5,9% em relação ao quarto trimestre de 2016. 

Comissão da Câmara dos Deputados aprova projeto que proíbe corte de água e luz


A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou proposta que impede o corte de água e energia elétrica de usuários de baixa renda e em locais de serviços públicos essenciais à população. Esse impedimento vale mesmo em caso de falta de pagamento da fatura. Para usuários de baixa renda, a proposta determina a manutenção de cota mínima de fornecimento desses serviços. Pelo texto aprovado, a interrupção dos serviços de água potável e de energia elétrica só poderá ocorrer mediante ordem judicial, e nunca em véspera de feriado ou de fim de semana. A legislação atual permite a interrupção por inadimplência, após notificação da concessionária. O projeto ainda será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. 

Conselho de Ética aguardará STF para decidir futuro de Aécio Neves


João Alberto Souza, presidente do Conselho de Ética do Senado, fez chegar a colegas que pedem a abertura do processo de cassação de Aécio Neves que não moverá uma palha até o Supremo decidir se prenderá ou não o tucano. O recado foi dado por meio de correligionários no início deste semana. Trata-se de uma estratégia para adiar o máximo possível atirar Aécio Neves aos leões. Lógico, caso o Supremo decida pela prisão, ficará mais difícil para João Alberto manter-se sentado em cima do pedido de abertura do processo. Já se o STF livrar Aécio Neves da cadeia, aí é que o presidente do Conselho ficará ainda mais à vontade para não fazer o seu trabalho. 

Defesa de primo de Aécio Neves, que recebeu mala da JBS, deposita R$ 1,5 milhão para a Polícia Federal


A defesa de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), entregou nesta terça-feira o valor de R$ 1.520.100,00 à Polícia Federal, por meio de um depósito judicial. O dinheiro foi depositado em um agência da Caixa Econômica Federal em Belo Horizonte. Frederico está preso desde o dia 18 de maio, quando foi deflagrada a Operação Patmos. Ele é acusado pelo procurador-geral de receber dinheiro da JBS que seria endereçado a Aécio Neves. 

O valor depositado nesta terça-feira seria referente à parte dos repasses da JBS. Frederico é acusado de receber R$ 2 milhões da empresa, entregues em quatro encontros. Um dos encontros foi filmado pela Polícia Federal, como parte das ações controladas decorrentes da delação dos donos da JBS. 

No dia 12 de abril, Frederico foi até a sede da empresa para um encontro com o diretor Ricardo Saud, também delator. Na ocasião, o primo de Aécio Neves conta o dinheiro e guarda uma parte consigo, enquanto a maior parte do montante permanece na mala que, segundo a Polícia Federal, foi entregue a Mendherson Souza Lima, ex-assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG), próximo de Aécio Neves. Os policiais seguiram o carro de Mendherson e constataram que a mala foi guardada na casa de sua sogra, em Nova Lima (MG). 


Aécio Neves foi gravado por Joesley Batista, dono da JBS, que firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal. Na coversa, Aécio Neves pede R$ 2 milhões a Joesley para pagar seus advogados de defesa na Lava-Jato. A conversa foi revelada no dia 16 de maio. No dia seguinte, Frederico e Mendherson foram presos, assim como a irmã de Aécio, Andréa Neves, por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal. Na mesma decisão, Fachin afastou Aécio Neves do mandato no Senado, mas negou pedido de prisão do tucano. 

Na conversa com o dono da JBS, Aécio Neves indica Frederico para receber os repasses da empresa. A gravação de Joesley foi usada como base da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Aécio apresentada ao STF. O relator do caso é o ministro Marco Aurélio Mello, que ainda não decidiu se aceita ou não a denúncia. Frederico foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio Neves, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014.

Empresário bucaneiro caipira Joesley Batista prestou depoimento na investigação sobre conta da JBS para Lula e Dilma

 

O empresário bucaneiro caipira e açougueiro bilionário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud, da JBS, prestaram depoimento na segunda-feira na Procuradoria da República no Distrito Federal em investigação instaurada a partir das delações do grupo. Eles foram chamados para explicar as informações prestadas nos termos de colaboração fechado com a Operação Lava-Jato que envolvem contas no Exterior com recursos de propina supostamente destinados aos ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff. Na delação, Joesley narrou que manteve duas contas no Exterior por onde passaram cerca de US$ 150 milhões, dos quais US$ 70 milhões movimentados em nome de Lula e US$ 80 milhões, de Dilma. Essa parte da colaboração premiada fechada com a Lava-Jato foi desmembrada e encaminhada para a Procuradoria da República no Distrito Federal, que abriu um Procedimento Investigatório Criminal (PIC).

O empresário bucaneiro caipira desembarcou no domingo no Brasil. Segundo informações divulgadas na noite desta terça-feira pela assessoria da JBS, o empresário passou os últimos dias na China, e não nos Estados Unidos, como se supunha em função dos imóveis que ele em Nova Iorque. “Ele se ausentou do Brasil nos últimos dias para proteger a integridade de sua família, que sofreu reiteradas ameaças desde que ele se dispôs a colaborar com o Ministério Público”, escreveu a assessoria de Joesley, em nota. De acordo com o comunicado, o empresário esteve na segunda-feira em reuniões em Brasília. Nesta terça-feira, ele participou de encontros de trabalho em São Paulo. 

Nos últimos dias, o setor jurídico do grupo J&F, que detém a JBS, vem dando continuidade às investigações internas para oferecer à Procuradoria-Geral da República dados complementares à colaboração premiada dos executivos da empresa. Desde quando delatou dezenas de políticos do alto escalão, inclusive o presidente Michel Temer, o grupo J&F tem identificado a ação de técnicos e agentes públicos de diferentes órgãos em ações de fiscalização às suas empresas. 

Executivos têm interpretado a iniciativa como tentativa de intimidação ao grupo, por isso têm sido orientados por integrantes da Procuradoria Geral da República a registrar o nome desses funcionários e encaminhá-los ao órgão para que os episódios sejam investigados. 

Palestinos suspendem pagamentos a famílias de "mártires"

A direção da Autoridade Palestina concordou em suspender os pagamentos às famílias dos "mártires" caídos em ataques contra Israel, informou nesta terça-feira o secretário americano de Estado, Rex Tillerson. As indenizações pagas às famílias dos "mártires" eram um dos obstáculos no moribundo processo de paz no Oriente Médio. "Mudaram sua política, ao menos me informaram que mudaram esta política", disse Tillerson aos legisladores americanos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu reativar as conversações de paz e exortou Israel a limitar a construção de colônias nas terras palestinas, mas permanecem divergências. Em audiência no Senado, Tillerson disse que Washington pressionou o líder palestino Mahmud Abbas sobre a questão do pagamento às famílias dos "mártires". O tema "foi discutido diretamente" quando o presidente Abbas visitou Washington, recordou Tillerson, acrescentando que Trump analisou a questão na Casa Branca. "Disse a eles: 'uma coisa é ajudar órfãos e crianças; outra é estabelecer um pagamento para estes atos (contra Israel) e isto tem que parar".

Senador crítico às reformas muda de lado após Temer nomear aliado


O comando da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) passou ao centro da disputa política entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), acirrando a disputa política no Amazonas, que em agosto terá eleição para governador. O ápice da ranhura na relação entre os peemedebistas ocorreu há duas semanas, com a demissão da então superintendente da autarquia, Rebecca Garcia, ex-deputada federal pelo PP e aliada de Braga. 

Em seu lugar, na última quinta-feira (1º), o governo Temer nomeou Appio da Silva Tolentino, aliado do senador e ex-governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD-AM), adversário político de Braga no Estado. A demissão de Rebecca ocorreu após Braga se posicionar contra as reformas defendidas pelo Planalto, juntando-se ao grupo de peemedebistas rebeldes dentro do Senado, liderados por Renan Calheiros (AL). 

Braga é cotado como um dos candidatos ao governo do Estado para as eleições de agosto, após a cassação do mandato de José Melo (Pros). Rebecca foi nomeada superintendente da Suframa em outubro de 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff (PT), quando Braga era apontado como um dos homens fortes da gestão petista. Ocupou a função de líder do governo no Senado, promovido a ministro de Minas e Energia no segundo mandato de Dilma. Ele votou favoravelmente ao impeachment da ex-presidente. 

O cabo de guerra pela Suframa, responsável por gerenciar o PIM (Polo Industrial de Manaus) e a política de incentivos fiscais na Amazônia, ocorre num momento em que a indústria amazonense sofre com os impactos da crise econômica. O domínio político da Suframa é visto como crucial. O sucesso de sua gestão serve como boa vitrine eleitoral no Amazonas. O PIM é o principal gerador de empregos no Estado. Por meio de sua assessoria, Omar Aziz negou que Appio Tolentino tenha sido sua indicação. 

Tolentino fazia parte de uma lista de nomes sugeridos por ele para ocupar a Suframa, logo após Temer assumir a presidência. Membro da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, o parlamentar fazia críticas às reformas trabalhista e da Previdência. Após a nomeação de Tolentino, Aziz disse que votaria favoravelmente às mudanças na lei trabalhista. 

O senador, contudo, não foi à reunião da CAE que aprovou a proposta nesta terça-feira (6). Seu suplente, o senador José Medeiros (PSD-MT), votou favoravelmente à reforma da CLT.  Rebecca disse que fez parte da gestão Aziz no Amazonas, como secretária do governo, mas que as relações políticas foram rompidas. "Era de conhecimento público que ele era contra a minha nomeação para a Suframa e que trabalharia pela minha saída", afirmou. 

Ela disse que sua demissão ocorreu sem comunicação do governo e que a indicação para o cargo foi feita por Braga, com apoio da bancada do PP.  Dados oficiais indicam que 37 mil vagas de trabalho foram fechadas desde 2015 no PIM. Em 2016, na comparação com o ano anterior, o faturamento do polo industrial caiu 6%. Já entre 2015 e 2014, a queda foi de quase 8%.  Após dois anos de resultados ruins, a indústria do Amazonas apresentou sinal de recuperação no primeiro trimestre de 2017. Ante os três primeiros meses de 2016, a elevação do faturamento industrial foi de 17,22%.

Anvisa aprova medicamento para insônia inédito no Brasil


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira o registro do Rozerem (ramelteona) comprimidos 8 mg. O novo medicamento, inédito no Brasil, é indicado para o tratamento da insônia caracterizada por dificuldade em iniciar o sono. A inovação do Rozerem está em seu mecanismo de ação. Enquanto a maioria dos medicamentos contra insônia trabalham desacelerando o sistema nervoso central, a ramelteona imita a melatonina, um químico que contribui para a regulação do ciclo natural de sono-vigília (ciclo circadiano) do corpo. 

Os cientistas por trás do desenvolvimento de Rozerem explicam que o remédio direcionar os receptores de melatonina pode evitar os efeitos colaterais atordoantes dos medicamentos sedativos, que funcionam retardando o sistema nervoso central. Um representante da empresa comparou o medicamento ao ato de desligar um computador da maneira certa, enquanto usar outros medicamentos seria como simplesmente puxar o plugue, o que faz com que o processo de reinicialização demore mais tempo. 

Ensaios clínicos mostraram que o medicamento ainda causou efeitos colaterais, como sonolência diurna e tonturas, em uma pequena parte dos pacientes. Também foi associado a níveis hormonais alterados, que podem causar efeitos colaterais sexuais. O produto foi aprovado nos Estados Unidos em 2015. No Brasil, será fabricado pela empresa Takeda Ireland localizada em Bray, Irlanda, e a detentora do registro do medicamento é a Takeda Pharma LTDA, localizada em São Paulo (SP).

Justiça arquiva processo contra presidente do Bradesco na Operação Zelotes


A Tribunal Regional Federal da 1ª Região encerrou na última terça-feira a ação contra o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, decorrente da Operação Zelotes. O executivo era réu em processo judicial sob a acusação de ter buscado obter decisões favoráveis ao banco junto à Receita Federal. A decisão de arquivar o processo, por falta de justa causa, foi tomada por unanimidade pela quarta turma do TFR-1. As ações do Bradesco e da Bradespar (companhia de investimentos com participação do banco) foram as maiores altas no pregão de hoje. Os papéis subiram 3,87% (ação preferencial) e 5,39%, respectivamente. 

O Ibovespa encerrou o dia com alta de 0,15%, a 61.922 pontos. A Operação Zelotes investiga a manipulação de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – órgão colegiado do Ministério da Fazenda, última instância administrativa dos processos fiscais. É a ele que os contribuintes recorrem para contestar multas. De acordo com as investigações, empresas de advocacia e consultorias influenciavam e corrompiam integrantes do Carf. 

Dessa forma, manipularam trâmite e resultado de processos e julgamentos envolvendo empresas interessadas em anular ou diminuir os valores dos autos de infrações emitidos pela Receita Federal. Trabuco havia sido tornado réu na Justiça em junho do ano passado. A operação foi deflagrada u em 2015, provocou a abertura de duas CPIs no Congresso Nacional e motivou uma reformulação institucional no Carf.

Ministério da Fazenda bloqueia a adesão do Rio de Janeiro a programa de socorro a Estados


Após reunião no Ministério da Fazenda, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou nesta terça-feira (13) que o engavetamento do teto de gastos pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro está travando a adesão do Estado ao programa de recuperação fiscal do governo federal. O limite dos gastos do Estado pela inflação foi engavetado pela Alerj na semana passada, que considerou que as outras medidas de controle fiscal aprovadas até agora, como restrições a concessões de pensões, privatização da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto) e aumento da contribuição previdenciária de servidores são suficientes.

"Há uma divergência com a equipe do Tesouro. Eles acham que nós tínhamos que ter aprovado o teto na Assembleia Legislativa, e a Assembleia Legislativa acha que os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal já fazem com que o teto seja cumprido", disse Pezão, que se reuniu com a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi. De acordo com o governador, a Assembleia irá elaborar um parecer jurídico defendendo que, com as medidas aprovadas até agora, a LRF será contemplada. "Vamos trazer um trabalho jurídico para a Procuradoria da Fazenda Nacional ver esse entendimento que a Assembleia tem." Segundo Pezão, o parecer será entregue entre sexta (16) e segunda (19). "Estou trabalhando para que isso se encerre o mais rápido possível".

O programa de recuperação fiscal para Estados em grave situação financeira prevê a suspensão do pagamento de dívidas da União por três anos, o que dará um alívio de R$ 23 bilhões aos cofres do Rio de Janeiro. Além disso, permite a tomada de um empréstimo de R$ 3,5 bilhões, usando como garantia as ações da Cedae. Com os recursos, o governo pretende regularizar o pagamento de salários e fornecedores.

Trump autoriza Pentágono a decidir sobre nível de tropas no Afeganistão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu ao Pentágono a prerrogativa de decidir sobre o volume do contingente americano no Afeganistão, informou nesta terça-feira um alto funcionário. O funcionário confirmou as informações de que o secretário da Defesa, Jim Mattis, a partir de agora poderá determinar o número de tropas no território afegão. O mesmo funcionário destacou que ainda não há qualquer decisão sobre o nível da presença militar americana no Afeganistão.

Governo vai renegociar R$ 50 bilhões de dívidas com BNDES em duas etapas

Em um aceno aos Estados, o governo do presidente Michel Temer prepara uma renegociação de R$ 50,46 bilhões em dívidas dos governos estaduais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas etapas, uma delas ainda este ano. A medida é para dar um alívio de caixa aos governadores, que enfrentam dificuldades financeiras, mas também é um gesto político no momento em que Temer busca manter a base aliada unida para retomar as votações de reformas e para barrar eventual denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente com base nas delações da JBS.

A primeira fase do refinanciamento, a ser executada em 2017, prevê a repactuação de R$ 20 bilhões em dívidas de Estados com o BNDES que têm garantia da União. A segunda fase inclui a renegociação de R$ 30 bilhões de dividas sem garantia da União, incluindo a linha BNDES Copa, que financiou sobretudo a construção de estádios para o Mundial de futebol. Essa etapa só será efetivado a partir de janeiro de 2018.

O anúncio foi feito hoje à noite durante jantar de Temer com 16 governadores, quatro vice-governadores e o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, no Palácio do Alvorada. "Vamos pedir ao novo comando do BNDES que isso seja resolvido logo para que os Estados possam gozar desse recurso. O presidente do banco disse que nos próximos dias vai nos passar um calendário mais objetivo", disse Perillo.

O Senado Federal ainda precisa editar uma resolução para abrir uma exceção nas normas da Casa sobre limites fiscais para renegociação de dívidas, condição necessária para repactuar as dívidas dos Estados. As condições são as que foram firmadas pelo Conselho Monetário Nacional no início do ano: alongamento do prazo em 20 anos e carência de quatro anos. No jantar, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), se comprometeu a aprovar a resolução na próxima terça-feira (20). O Tesouro Nacional estima um alívio de R$ 6 bilhões aos Estados em três anos se todos os contratos forem renegociados.

"A reunião foi importante porque se estabeleceu um novo cronograma (para a renegociação da dívida com o BNDES) e esperamos que agora seja cumprido pelo governo", disse o governador do Piauí, Wellington Dias. O Estado estima um alívio de R$ 180 milhões com a medida, que seriam usados em investimentos. "Todos saímos satisfeitos com a forma como as coisas se deram, objetivas. Pedimos prazos curtos e soluções rápidas", disse Perillo. Segundo o governador de Goiás, não houve por parte dos Estados pedido por mudanças nas condições de pagamento negociadas no ano passado, apenas por celeridade no processo.

Além de conceder o alívio no pagamento da dívida, o BNDES quer inserir nos aditivos alguma garantia de que os Estados vão aprimorar a gestão dos gastos públicos. A viabilidade da medida ainda está sendo estudada pelo banco e seria uma maneira de assegurar que o Estado, independentemente do governador que estiver no exercício do mandato, terá comportamento compatível com o compromisso de pagamento da dívida e responsabilidade com a gestão fiscal. Segundo Dias, haverá um "esforço concentrado" por parte do governo para que os novos contratos da primeira fase, com as condições renegociadas, sejam assinados até julho deste ano.

Durante o jantar, governadores também retomaram os pedidos de celeridade na análise, pelo Tesouro Nacional, dos pedidos de aval a novos empréstimos pelos Estados. Segundo Dias, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se comprometeu a agilizar a liberação de R$ 7 bilhões em garantias. O Piauí tem um pedido de R$ 315 milhões para a infraestrutura. O ministro ressaltou durante o evento, no entanto, que todas as decisões serão tomadas com base na classificação de crédito do Estado.

Também participaram do jantar o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, e o vice-presidente do Banco do Brasil, Gustavo do Vale. A eles foi direcionado o pedido para a adoção de medidas no sentido de cumprir a nova legislação que autoriza o saque de até 20% do valor de depósitos judiciais nas ações em que o Estado é parte para o pagamento de precatórios, outra inciativa que traria alívio ao caixa dos governos estaduais.

O governo também discutiu a retomada do projeto que permite ao setor público vender créditos de dívidas parceladas por contribuintes, a chamada "securitização". A promessa, segundo Perillo, é que a medida seja votada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na próxima terça-feria e depois levada a plenário. A medida ainda precisa ser apreciada pela Câmara dos Deputados.

Cálculos preliminares da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional encaminhados no ano passado para a assessoria técnica do Senado Federal indicam que os Estados têm um potencial de venda de R$ 60,5 bilhões de dívidas que foram parceladas. Considerando um desconto estimado de 50%, a arrecadação dos governos estaduais poderia atingir R$ 30,2 bilhões.

Crivella diz que vai cortar subvenção destinada às escolas de samba do Rio de Janeiro



O prefeito Marcelo Crivella (PRB) diz que pretende cortar pela metade a subvenção que o município dá às escolas de samba do Rio de Janeiro. Em um momento de caixa apertado, diz que quer alocar os recursos na educação. A proposta é mais um capítulo da relação do prefeito, que é bispo licenciado da Igreja Universal, com o Carnaval. Neste primeiro ano no cargo, ignorou a tradição de entregar a chave da cidade ao rei Momo e se negou a aparecer na Sapucaí. Crivella nega que o corte seja uma perseguição ao evento, e diz que se trata de elencar prioridades. 

Desde 2016, as escolas do Grupo Especial (as primeiras do ranking) recebem R$ 2 milhões cada uma da prefeitura. Crivella quer cortar o apoio para R$ 1 milhão, valor que a prefeitura aportava até 2016 – a cifra dobrou após as escolas perderem apoios do governo do Estado e da Petrobras, que já viviam crise naquela época. 

O valor que as escolas deixarão de ganhar corresponde a 17% do orçamento básico delas – em 2017, elas receberam R$ 6 milhões, oriundos do apoio municipal, venda de ingressos, da cota de televisão e de CDs. As escolas também têm outras fontes de renda, como eventos nas quadras que acontecem ao longo do ano. 


Em 2017, a cidade recebeu 1,1 milhão de visitantes e teve uma movimentação financeira da ordem de R$ 3 bilhões proveniente do turismo, segundo a Riotur. Os recursos, diz a prefeitura, serão aplicados no custo diário per capita das crianças que estão nas creches conveniadas à administração municipal. A intenção é dobrar a diária que as instituições recebem por criança, que atualmente é de R$ 10,00. Hoje, cerca de 15 mil alunos são atendidos em 158 unidades. A nova diária de R$ 20,00 deve começar a ser paga a partir de agosto. 

O presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), Jorge Castanheira, disse que considera a decisão do prefeito um "retrocesso".  "O espetáculo chegou a um alto nível de qualidade. Isso seria um retrocesso. Aumentar verbas para a creche, de fato, é importante. Mas é tratar da questão do Carnaval do Rio de uma maneira muito simplista. O evento movimenta R$ 3 bilhões para a cidade, conforme a própria Riotur já divulgou. É toda uma economia que gira em volta disso. Movimenta hotéis, restaurantes, entre outras atividades econômicas que geram impostos para a própria prefeitura", disse ele. Crivella também quer cortar subsídio às escolas do grupo de acesso (divisão inferior de escolas). 

Segundo a prefeitura, apesar do corte, o Carnaval do Rio vai receber novos investimentos em 2018. A avenida Marquês de Sapucaí passará por obras para melhorar as condições de infraestrutura oferecidas às escolas de samba. O planejamento prevê a modernização dos sistemas de luz e som, além da instalação de telões por toda a passarela. A prefeitura estuda formas de atrair recursos da iniciativa privada para o Carnaval.

Morre o jornalista político Jorge Bastos Moreno



Políticos, artistas e músicos participaram na tarde desta quarta-feira (14) do velório do corpo do jornalista Jorge Bastos Moreno, de 63 anos, colunista do jornal O Globo. A cerimônia ocorreu em uma das capelas do cemitério São João Batista, no bairro do Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Moreno morreu na madrugada de edema agudo de pulmão decorrente de complicações cardiovasculares. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, representou o presidente Michel Temer na solenidade. "Vim em nome do presidente Michel Temer, que fez questão que eu trouxesse o abraço pessoal e o respeito do governo para um jornalista que era uma referência. Fosse para o elogio, fosse para a crítica, você tinha que saber do Moreno. Era muito perspicaz e muito observador", disse o ministro. 

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) destacou a tolerância de Moreno como uma das principais virtudes. "O melhor ensinamento dele é acreditar sempre na democracia. Logo que cheguei na capital federal, ele me convidou para participar de encontros na sua casa. Lá, ele reunia políticos de todas as correntes. Fazia uma ponte das posições diversas. Ele fará muita falta ao mundo político e jornalístico", afirmou o senador. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), também foram ao velório. "Para o jornalismo é uma perda irreparável, por essa capacidade de reunir todo tipo de pessoa, sem brigas. A morte dele abre uma chance para a reflexão no País", disse Gilmar Mendes. 

Participaram do velório também as atrizes Mariana Ximenes e Maria Ribeiro, e o cantor Gilberto Gil. "O Moreno era um irmão tardio, um filho caçula. Eu o chamava de tio e era mesmo. O sentimento que ouvi de várias pessoas aqui é o mesmo: quem vai nos unir? Ficou este vazio, mas fica esse círculo enorme de pessoas que ele ajudou a unir", lembrou Gilberto Gil. O corpo do jornalista seguirá na noite desta quarta-feira para Cuiabá (MT), sua cidade natal, onde será sepultado nesta quinta-feira (15).

Conselho Federal de Enfermagem cassa registro de Graciele Ugolini, a madrasta que matou o menino Bernardo Boldrini


Última instância do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Colégio de Presidentes julgou nesta terça-feira (13) o processo ético-disciplinar contra a enfermeira Graciele Ugulini, que responde por homicídio qualificado pela morte do enteado, o menino Bernardo Boldrini, assassinado em abril de 2014, aos 11 anos. O Cofen decidiu pela cassação do registro da enfermeira por 30 anos, acompanhando o parecer do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), encaminhado em agosto de 2016. O presidente do órgão regional, Daniel Menezes de Souza, fez a sustentação oral e pediu a manutenção da pena.

No ano passado, os conselheiros do Coren-RS votaram por unanimidade pela cassação do direito ao exercício profissional de Graciele, ao entender que a enfermeira infringiu artigos do código de ética da profissão. A plenária concluiu que ela participado de atos premeditados, com o objetivo de causar a morte de Bernardo Boldrini, utilizando-se de seu conhecimento técnico na área para tirar a vida criança.

Segundo o presidente do Coren-RS, Daniel Menezes de Souza, todo o processo de levantamento das provas testemunhais e análise dos documentos fornecidos pela Justiça foram feitos de forma criteriosa pelos conselheiros designados pelo corpo jurídico da instituição. Souza também lembrou a prerrogativa do conselho em zelar pela conduta ética da categoria. 

Presidente da CCJ rejeita pedido da base aliada para interrogar Fachin

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), decidiu rejeitar requerimento apresentado por parlamentares da base aliada por meio do qual cobravam informações ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, sobre a relação dele com o executivo Ricardo Saud, um dos delatores do grupo J&;F;, que administra a JBS. Caberá agora recurso à Mesa Diretora para que o pedido seja votado diretamente no plenário da Casa.

"Devo indeferir e não pautar o requerimento (na CCJ). Falta embasamento jurídico", afirmou Pacheco. De acordo com o peemedebista, que também é da base aliada do governo, o requerimento é atípico e, por isso, não há previsão na Constituição Federal nem no Regimento Interno da Câmara para votá-lo na comissão que preside.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Fausto Pinato (PP-SP) com apoio de vários deputados da base e até da oposição, em reação à delação premiada da JBS. Na delação, executivos da empresa incriminaram o presidente Michel Temer e disseram ter pago propina a 1.890 políticos, entre eles, vários parlamentares. Além do requerimento, base e oposição articularam a criação de uma CPI Mista para investigar o frigorífico no Congresso.

Polícia Federal encaminha à Procuradoria inquérito sobre palestras de Lula

A Polícia Federal encaminhou para a força-tarefa do Ministério Público Federal o inquérito que apura crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro supostamente praticados pelo ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em sua empresa de palestras, a LILS Palestras, Eventos e Publicações - aberta em 2011, após deixar o governo.

A investigação da Operação Lava Jato, em Curitiba, é uma das que ainda vão virar denúncia criminal, a ser apresentada ao juiz federal Sérgio Moro. Ela apura recebimento direto de R$ 9 milhões de seis empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Petrobras, outros pagamentos indiretos e de outras empresas. As suspeitas são que os pagamentos feitos por palestras realizadas pelo petista, no Brasil e em países das Américas Latina e Central e África possam ter ocultado propinas.

Na quinta-feira, 8, o delegado Dante Pegoraro Lemos assumiu o inquérito e o encaminhou para os procuradores da Lava Jato, em Curitiba. O procedimento criminal será acrescido das delações premiadas do executivos da Odebrecht, uma das empreiteiras do cartel que fatiava obras na Petrobras que pagou pelas palestras de Lula.

O inquérito era conduzido pelo delegado Márcio Anselmo, que iniciou as apurações da Lava Jato, e que no início do ano foi transferido para Vitória, no Espírito Santo. No dia 23 de março, ao deixar a condução do inquérito, o delegado escreveu em despacho que as investigações foram instauradas para apurar possíveis crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, após quebra de sigilo fiscal bancário, que "aponta recebimento de valores das empresas investigadas no âmbito da Operação Lava Jato (Odebrecht, Camargp Corrêa, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS) por parte da empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações Ltda. em valores que alcançam R$ 9.338.658,75".

Criada para que o ex-presidente pudesse dar palestras, a LILS movimentou entre 2011 e 2015 um total de R$ 52,3 milhões. Foram R$ 27 milhões recebidos, a maior parte de empreiteiras e grandes empresas, e R$ 25,2 milhões em débitos. Na ocasião, Anselmo sugeriu que o novo responsável pelo inquérito aguardasse "as informações prestadas pelos colaboradores relacionados aos fatos sob investigação" ou que fosse solicitado ao Supremo Tribunal Federal o "compartilhamento das informações" da mega delação da Odebrecht homologada em janeiro.

A investigação contra Lula é uma das que ainda serão transformadas em processo criminal pela Lava Jato em Curitiba. O ex-presidente já é réu em dois processos abertos pelo juiz federal Sérgio Moro. Um deles, em fase final, aponta corrupção e lavagem de dinheiro na reforma e ampliação do tríplex do Guarujá (SP), pela OAS, e o segundo pela compra de um terreno e de um apartamento pela Odebrecht, que teria o petista como benefíciário.

O ex-presidente ainda foi denunciado pela Procuradoria no final de maio por corrupção e lavagem de dinheiro nas reformas do sítio de Atibaia (SP), que teria envolvido as empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin, além do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Fora de Curitiba, Lula é réu em outros três processos ligados direta ou indiretamente à Lava Jato.

Nota da petista Gleisi Hoffmann sobre agressão e tortura de Miriam Leitão é incitação a linchamentos ideológicos ao estilo da SA nazistas

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), emitiu uma nota nesta terça-feira, 13, em que afirma lamentar os ataques verbais sofridos pela jornalista Míriam Leitão por delegados do PT no último dia 3 de junho, durante voo de Brasília para o Rio de janeiro. Mas, e no caso dos petistas e do petismo sempre existe um "mas", Gleisi Hoffmann afirmou ainda que a Rede Globo, emissora para qual Míriam Leitão trabalha, é responsável "em grande medida" pelo clima de ódio no País. Leia-se: como Miriam Leitão trabalha na Globo, pode ser agredida e torturada por petistas e seus asseclas. Nesta terça-feira, a jornalista relatou em sua coluna no jornal O Globo que foi xingada por delegados do PT durante o vôo no sabado, dia 3, da Aviança, de Brasília para o Rio de Janeiro. A companhia aérea Avianca teve um comportamento canalha no caso. Em resposta, a senadora afirmou que o partido orienta os militantes a não agredirem uma pessoa por suas posições políticas. "Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com as empresas para as quais trabalhem", disse a petista. Gleisi afirmou que o comportamento não agrega nada ao debate democrático e que ela, assim como outros membros do partido, também já foi vítima de agressão semelhante em locais públicos. A dirigente petista usou a nota para direcionar críticas à emissora em que a jornalista trabalha. "Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe".

Senadores da mesa diretora querem que STF diga como cumprir afastamento de Aécio Neves

Os senadores que integram a mesa diretora do Senado Federal se reuniram nessa terça-feira, 13, para debater a questão do afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Com discurso alinhado, os parlamentares alegam que não estão descumprindo a liminar do Supremo Tribunal Federal, mas também argumentam que não existe previsão de afastamento e que cabe ao Supremo esclarecer como deve ser cumprida a decisão. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, nega que o Senado tenha descumprido a liminar do ministro Edson Fachin. "Comuniquei ao senador Aécio a decisão do STF de afastá-lo. Não tem previsão regimental, constitucional de afastamento pela Justiça. Cabe ao ministro Fachin determinar a forma do afastamento e eu cumprirei a decisão complementar", disse.

O ministro Fachin determinou o afastamento de Aécio Neves em 18 de maio. Desde então, o senador não participa de atividades parlamentares, como comissões e votações. Ainda assim, não há qualquer informação de que o salário do senador seja cortado, conforme determina o regimento do Senado em caso de ausência em sessões de votação. Auxílios, verba de escritório e gabinete funcionam normalmente. Os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e Sérgio Petecão (PSD-AC) também compreendem que Aécio Neves está afastado, já que não comparece ao Senado, mas defendem que o STF deve informar melhor o que espera o afastamento. Os senadores argumentam que a posição oficial da mesa foi expressa por meio de nota na segunda-feira.

"Em decisão liminar, o ministro determinou o afastamento do senador Aécio Neves sem determinar a forma de cumprimento da medida. Nem a Constituição Federal nem o Regimento da Casa preveem a figura do 'afastamento do mandato de senador' por decisão judicial", diz a nota do Senado. O texto informa que o Senado comunicou Aécio Neves de seu afastamento e aguarda informações complementares sobre como proceder.

Romero Jucá diz que a decisão do PSDB de permanecer no governo é fundamental para aprovação de reformas

Após troca de farpas, o presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), derramou elogios sobre o PSDB e a decisão da legenda de permanecer na base do governo Michel Temer. "É uma decisão importante para o País porque o PSDB é fundamental para fazer as reformas e melhorar o ambiente econômico e social, para que em 2019 a gente entregue o País para um presidente que tenha condições de governar em outra realidade", afirmou. O senador também minimizou a decisão dos tucanos de recorrer da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que negou a cassação da chapa Dilma-Temer. "Isso é uma discussão interna do PSDB, eu não vou me manifestar. A ação é originária do PSDB e, legalmente, tanto o PSDB quanto o Ministério Público poderiam recorrer", disse.

Renan Calheiros se posiciona contra afastamento de Aécio Neves do exercício do mandato

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), se posicionou contra o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. "Uma liminar pode afastar um senador? Qual é a previsão? Você pode com o afastamento prejulgar e com vazamento seletivo condenar, sem culpa formada?", questionou Renan. No final do ano passado, Renan Calheiros contou com o apoio da Mesa Diretora da Casa para desobedecer decisão do STF de afastá-lo da presidência do Senado, que foi posteriormente revogada pelo plenário da Corte. Sobre o episódio, o líder do PMDB afirmou hoje que houve "atropelamento de prerrogativa constitucional" e "excesso de prerrogativa".

"Naquele caso anterior era o afastamento por liminar do presidente do Poder. Hoje, por liminar é o afastamento de um senador. Apesar de serem casos diferentes, eu acho que não podia em um caso, e o STF decidiu dessa forma, como não poderia no outro caso (Aécio), porque significa afastar para condenar, significa que não há presunção de inocência", avaliou o líder do PMDB. Questionado sobre a postura do atual presidente da Casa, Eunício Oliveira (CE), de não interromper nenhum benefício parlamentar de Aécio, inclusive o funcionamento do gabinete, Renan afirmou que "tudo isso faz parte de uma grande confusão dos Poderes e da competência de cada um".

"Toda hora você vê muita gente jogando com essa confusão na disputa da separação dos Poderes. Isso é terrível para a democracia", declarou: "Mais do que nunca precisa ficar claro o que cada Poder pode. É essa reconstitucionalização do Brasil que mais do que nunca precisa ser feita".  

Ele considera que é preciso buscar um entendimento entre os Três Poderes, mas questionou os limites de atuação de cada um. "O MP pode prender para delatar? Pode prender antes de condenar? Pode fazer anistia, limpar o patrimônio roubado? E o que é que pode o Legislativo? E o que pode Judiciário e o STF?" - indagou.

Fachin determinou o afastamento do tucano em 18 de maio. Desde então, o senador não participa de atividades parlamentares, como comissões e votações. Ainda assim, não há qualquer informação de que o salário do senador seria cortado, conforme determina o regimento do Senado em caso de ausência em sessões de votação. Auxílios, verba de escritório e gabinete funcionam normalmente. 

Renan também criticou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para questionar a homologação da delação dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, autorizada por Fachin. "Cria-se uma CPI no Legislativo, mas CPI pode, porque o Legislativo é político, mas você pode utilizar essa CPI nessa guerra política? Esse foi o caminho escolhido pelo Eduardo Cunha", disse, referindo-se ao ex-presidente da Câmara, que está preso em Curitiba.

Câmara aprova projeto que permite ao governo resgatar precatórios não sacados

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou no início da noite desta terça-feira, 13, em votação simbólica, o projeto de lei que permite ao governo federal resgatar os precatórios depositados mas não sacados pelos beneficiários no prazo previsto em lei, de dois anos. Pelas estimativas do governo, a iniciativa pode trazer mais de R$ 8,6 bilhões aos cofres da União. A matéria seguiu para análise do Senado.

O projeto aprovado cancela os precatórios e requisições de pequeno valor (RPV) federais depositados há mais de dois anos em banco federal e que não foram sacados pelos beneficiários. A proposta, entretanto, não extingue de forma definitiva o direito do credor, pois abre a possibilidade de o beneficiário pedir a expedição de novo precatório, mantendo a mesma posição antes ocupada na ordem para pagamento da respectiva dívida.

A proposta faz parte do pacote de medidas econômicas que o governo quer aprovar no Congresso Nacional para incrementar receitas. O objetivo é liberar o quanto antes uma parte maior dos recursos do Orçamento que foram bloqueados no início do ano. Até o momento, as despesas de custeio represadas pelo contingenciamento somam R$ 38,978 bilhões.

Caso o projeto seja aprovado rapidamente pela Câmara e pelo Senado, o governo cogita preparar e divulgar um relatório extemporâneo de avaliação de receitas e despesas, para liberar o dinheiro o mais breve possível. A divulgação regular do relatório é feita a cada dois meses. A próxima está programada até 22 de julho, referente ao terceiro bimestre do ano.

Governador do Rio de Janeiro diz que proposta de recuperação fiscal do Estado diverge do Tesouro Nacional

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, confirmou nesta terça-feira, 13, as divergências entre o governo estadual e o Tesouro Nacional para a formatação do plano de recuperação fiscal do Estado para suspender a dívida fluminense com a União por três anos. O impasse está na não aprovação pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de um teto de gastos estadual, a exemplo do federal, conforme consta na lei que criou o Regime de Recuperação Fiscal. "O Tesouro acha que temos que aprovar um teto de gastos, mas a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro entende que não é necessário, pois bastaria o que já consta na Lei de Responsabilidade Fiscal. A Assembleia acha que a LRF garante esse teto", disse Pezão, após encontro com a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi. 

Ainda assim, segundo o governador, há espaço para negociação. "Não vou propor a aprovação de teto para a Assembleia, mas vamos fazer um trabalho jurídico para trazer a nossa posição para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Traremos esse parecer na próxima semana para o Tesouro e trabalhamos para que a negociação se encerre o mais rápido possível", completou. Políticos fogem de restrições a gastos públicos como o diabo foge de uma cruz. As razões hoje o Brasil inteiro conhece.

Governo planeja abrir consulta pública sobre mudança em leis do setor elétrico

O governo planeja abrir uma consulta pública para discutir mudanças no modelo regulatório do setor elétrico ainda neste mês. Segundo o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, a idéia é lançar uma discussão com a sociedade sobre "sugestões de aperfeiçoamentos" das regras setoriais.

A consulta apresentaria os temas regulatórios específicos a serem alterados, as razões para fazê-lo e, "se possível", uma sugestão de texto legislativo. "As sugestões podem vir sobre o tema que será abordado e sobre a própria sugestão da redação legislativa, e o mercado vai identificar a urgência para cada um dos temas colocados, para que o ministério decida o encaminhamento", disse. Além disso, o presidente da EPE sinalizou que também está em análise a possibilidade de colocar em consulta pública um "documento de princípios que norteiam a atuação no setor elétrico".

Durante reunião com agentes do setor, em São Paulo, Barroso disse que após a discussão junto ao mercado, os aprimoramentos devem ser levados para o Congresso Nacional no segundo semestre.

As discussões entre agentes do setor elétrico sobre a necessidade de avanços da regulação acontecem há mais de um ano, e em 2017 representantes governamentais indicaram que avançariam nesta questão, sinalizando com a elaboração de uma medida provisória com os aprimoramentos regulatórios. A proposta, no entanto, não foi muito bem recebida pelos agentes, que defendiam maior participação do setor na elaboração das novas regras. Autoridades passaram então a falar na abertura de uma consulta pública, mas, logo após o acirramento da crise política, com a delação dos executivos da JBS, indicavam que esse processo seria feito apenas no segundo semestre.

CAE aprova audiência pública para discutir impactos da delação da JBS

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira, 13, a realização de uma audiência pública para debater os impactos da delação premiada da JBS. A data da audiência ainda não foi definida. O requerimento para a audiência foi proposto pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que sugeriu a participação do presidente da Caixa Econômica, Gilberto Magalhães Occhi; do diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Ramos; e do presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Porciúncula Gomes Pereira. Segundo Ferraço, o objetivo da audiência é verificar quais medidas estão sendo tomadas para reduzir os prejuízos causados ao mercado de ações e aos demais acionistas das empresas do grupo.

Temer, na vice-presidência, usou helicóptero de construtora investigada na Lava Jato


A viagem à Bahia em 2011 em um jatinho da JBS não foi a única vez que o presidente Michel Temer usou aeronave de empresa privada para seu deslocamento. Em 2014, o então vice-presidente foi a Tietê, no interior de São Paulo, em um helicóptero pertencente à Juquis Agropecuária Ltda. Temer estava na cidade em compromisso oficial, conforme registra a agenda da Vice-Presidência da República do dia 9 de março de 2014.

O Palácio do Planalto disse que Temer viajou em um helicóptero da FAB, o que contraria relatos de testemunhas e as próprias fotografias do então vice-presidente descendo da aeronave da Juquis. Quando indagado sobre a viagem de Temer à Bahia em 2011, no avião da JBS, o Planalto também afirmou que o deslocamento havia sido feito em aeronave da FAB. No dia seguinte, porém, o governo admitiu que a viagem ocorreu no jatinho Learjet PR-JBS da empresa de Joesley Batista. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social informou que Temer "não sabia a quem pertencia a aeronave" e que não pagou pelo serviço.

Nove de março de 2014 era um domingo e o município, terra natal do peemedebista, festejava 172 anos de emancipação. Temer chegou pela manhã, após um voo de cerca de 40 minutos desde São Paulo. Ele desembarcou do helicóptero Bell prefixo PR-VDN no aeroclube de Tietê, acompanhado de auxiliares e do amigo e futuro assessor José Yunes — que pediria demissão no final de 2016, após ser citado nas delações da Odebrecht por supostamente ter recebido R$ 1 milhão para campanhas do PMDB.


Quase ao mesmo tempo, chegou à cidade o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O tucano, contudo, viajou em um helicóptero do governo do Estado. Na ocasião, também participou do evento o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que a convite de Temer se preparava para disputar pelo PMDB o governo de São Paulo. A quatro meses do início da campanha eleitoral, Temer foi recepcionado com festa em Tietê. Recebeu homenagens da prefeitura e assistiu a uma apresentação da Orquestra Bachiana Filarmônica, regida pelo maestro João Carlos Martins. 

Ao final do evento, Temer embarcou novamente no Bell PR-VDN cinza e seguiu de volta à capital paulista. De acordo com os registros da Força Aérea Brasileira, no mesmo 9 de março de 2014, pelo menos sete ministros e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal requisitaram aeronaves oficiais para viagens a serviço. Temer, contudo, preferiu o helicóptero da Juquis, empresa com sede em São Paulo.

Segundo registrado na Receita Federal, a principal atividade econômica da Juquis é o cultivo de cana-de-açúcar, soja, eucalipto e milho, além da criação de bovinos de corte e equinos. A agropecuária tem como sócio-administrador Vanderlei de Natale, empresário com atuação em diversos segmentos, como construção civil, energia, empreendimentos imobiliários e estacionamento. Uma das empresas que ele administra é a Construbase Engenharia, investigada na Lava-Jato.

A empreiteira é suspeita de ter participado de cartel para vencer a licitação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o Consórcio Novo Cenpes, integrado por Construbase, OAS, Carioca Engenharia, Schahin Engenharia e Construcap CCPS, teria pago R$ 39 milhões em propina para obter o contrato com a Petrobras.

Alvo de mandado de prisão preventiva na Lava-Jato, o diretor da Construbase, Genésio Schiavinato Junior, se entregou à Polícia Federal em Curitiba em 4 de julho do ano passado, sendo libertado quatro dias depois. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. O contrato firmado pelo Consórcio Novo Cenpes com a Petrobras tinha previsão inicial de custo de R$ 850 milhões, mas uma série de aditivos levou o montante final a superar R$ 1 bilhão.

Na eleição de 2014, a Construbase doou oficialmente R$ 2,25 milhões a campanhas presidenciais. O PT recebeu R$ 500 mil. O R$ 1,75 milhão restante foi repassado ao PSDB. A doação rendeu ao partido um apontamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao analisar a prestação de contas da campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG), a Corte verificou que o candidato declarou ter recebido apenas R$ 500 mil, o que depois foi corrigido pelo tucano. Curiosamente, entre as obras da Construbase está o prédio-sede da Justiça Federal em Curitiba, no qual despacha o juiz Sergio Moro. 

Petrobras corta de novo o preço da gasolina e anuncia reajustes mais frequentes


A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (14) nova redução nos preços da gasolina e do diesel. O ajuste ocorre apenas 20 dias após os últimos cortes e já marca o início de mudanças na política de preços da estatal. Desta vez, o valor de venda da gasolina pelas refinarias será reduzido em 2,3% e o do diesel, em 5,8%. Se o repasse for integral, diz a estatal, o preço da gasolina nos postos cairá 0,9% (ou R$ 0,03 por litro). No caso do diesel, a queda será de 3,5% (R$ 0,11 por litro). De acordo com a empresa, a decisão foi tomada para responder à queda do preço do petróleo para a casa dos US$ 46,00 por barril e a estabilização do câmbio em torno de R$ 3,30 por dólar após a grande desvalorização provocada por incertezas políticas.

No último ajuste, no dia 25 de maio, os preços da gasolina e do diesel foram cortados em 5,4% e 3,5%, respectivamente. A queda foi questionada pelo mercado, por ter sido feita em um momento de alta do petróleo e desvalorização do real. "Os novos preços continuam com uma margem positiva em relação à paridade internacional", afirmou a Petrobras em comunicado distribuído nesta quarta-feira. A empresa vinha realizando ajustes mensais, mas já anunciou que estudava rever a periodicidade por estar perdendo mercado para produtos importados.

Nesta quarta-feira, informou que a decisão por aumentar a frequência foi tomada pelo Gemp (Grupo Executivo de Mercado e Preços), comitê interno que avalia os preços dos combustíveis. Segundo a estatal, o grupo "iniciará a prática de ajustes de preços em períodos mais curtos, sem alterar a regra de formação de preços da atual política, para acomodar as volatilidades observadas no mercado internacional".

S&P rebaixa nota de crédito da JBS


A Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da JBS por conta do envolvimento em casos de corrupção. A agência de rating reduziu nesta quarta-feira as notas da empresa de BB para B+. A classificação de risco mede a probabilidade de empresas ou países honrarem seus empréstimos, e é levada em conta por agentes como fundos de investimentos e instituições financeiras. A S&P disse que a nova avaliação decorre do acordo de leniência fechado pela controladora do frigorífico, a J&F, com o Ministério Público Federal. A negociação foi fechada no dia 31 de maio e prevê o pagamento de 10,3 bilhões de reais em multas, no prazo de 10 anos. Segundo a S&P, o caso demonstra “padrões fracos de governança, que resultam em flexibilidade financeira reduzida”. A agência também colocou a nota da empresa em perspectiva negativa, o que indica que poderá haver nova redução na sua nota. A JBS já havia sido rebaixada por outras duas grandes agências de rating recentemente: a Moody’s, na última sexta-feira, e a Fitch, no dia 22 de maio. Nesta quarta-feira, o frigorífico anunciou a nomeação de Marcelo Proença como novo diretor global de "compliance". A medida pretende garantir melhores práticas de governança do mercado, depois de envolvimento de executivos da empresa em atos ilícitos. Ele é professor de Direito Comercial da USP.

Jornal esquerdista britânico "The Guardian" passa a circular em formato tablóide em 2018



O jornal esquerdista britânico "The Guardian" passará a circular no formato tablóide a partir do próximo ano. A impressão do jornal será terceirizada para a companhia Trinity Mirror, responsável pelas publicações "Daily Mirror", "Sunday Mirror" e "Sunday People". A mudança faz parte de plano de três anos de redução de custos da empresa Guardian Media Group (GMG), lançado em 2016 e que tem como objetivo colocar as contas da companhia no azul até abril de 2019. Ela também afetará o "The Observer", edição dominical da publicação. David Pemsel, o presidente-executivo do GMG. justificou a mudança dizendo que o número de pessoas que apóiam o jornalismo produzido pela empresa está em níveis nunca alcançados antes, porém "a companhia precisa evoluir junto com a indústria gráfica para seguir produzindo seu jornalismo corajoso e premiado". 

Ao noticiar a mudança, o jornal também registra que ela decorre de fatores como queda aguda da receita publicitária de suas edições impressas, migração de leitores para meios digitais e a dificuldade de obter fatia significativa de anúncios on-line, devido à concorrência com empresas como Google e Facebook. O "The Guardian" circula desde 2005 no formato conhecido como "berliner", com dimensões de 47 cm x 31,5 cm. No formato tabloide terá 28 cm x 43 cm. 

Segundo a empresa, ela foi a primeira a adotar, no Reino Unido, o formato com o qual circulará até o final deste ano. Antes disso, adotava o padrão standard, de 60 cm x 75 cm. Em abril de 2017, sua circulação média foi de 154 mil edições diárias, contra 341 mil no mesmo mês de 2005. Apenas "Financial Times" e "Daily Telegraph" continuarão a ser publicados no Reino Unido no formato maior após a mudança no "The Guardian". O GMG registrou perdas de £ 69 milhões (cerca de R$ 292 milhões) em 2016 (exercício fiscal encerrado em junho). O processo de reestruturação da empresa inclui plano de corte de 250 vagas, sendo 100 delas na redação.

Estado Islâmico captura antiga fortaleza de Bin Laden no Afeganistão


Tora Bora, o reduto nas montanhas que já foi a fortaleza de Osama bin Laden, caiu nas mãos do Estado Islâmico (EI) na manhã desta quarta-feira (14), dando aos extremistas uma significativa vitória estratégica e simbólica, segundo autoridades afegãs e moradores locais. Combatentes talibãs que haviam anteriormente controlado o extenso complexo de cavernas e túneis fugiram durante a noite depois de um ataque determinado do Estado Islâmico que durou uma semana, segundo moradores de aldeias que fugiam da região nesta quarta-feira. 

Hazrat Ali, um membro do Parlamento e importante chefe guerreiro da área que ajudou os Estados Unidos a capturar Tora Bora da Al Qaeda, em 2001, disse que a ofensiva foi provocada pela decisão americana de despejar a chamada "mãe de todas as bombas" sobre a rede de túneis do Estado Islâmico no distrito de Achin, em abril. Com quase 10 mil quilos, ela seria a maior bomba não nuclear já utilizada. 

O Estado Islâmico então decidiu transferir seu refúgio para as cavernas e túneis em Tora Bora, segundo Ali. "Cerca de mil militantes do Estado Islâmico se reuniram perto de Tora Bora para capturar a área", disse Ali:.Eu informei às forças do governo para atacá-los e disse que estavam tentando capturar Tora Bora, mas elas não deram atenção." 

Um policial afegão local confirmou que a fortaleza havia sido dominada: "O Estado Islâmico capturou Tora Bora e áreas ao seu redor", disse: "Os anciãos das tribos estão aqui em meu escritório. Todos escaparam da área ontem à noite". Zabihullah Mujahid, um porta-voz do Taleban na região, negou que Tora Bora tivesse caído sob o domínio de seus rivais insurgentes. "A luta está ocorrendo na área de Tora Bora entre o Estado Islâmico e nossos mujahidin", declarou Mujahid pelo serviço de mensagens Viber. "É a linha de frente entre nossos mujahidin e o Estados Islâmico. Ninguém avançou nessa área". 

Ele acusou os Estados Unidos de efetuar ataques aéreos em apoio ao Estado Islâmico, mas autoridades locais e moradores negaram ter ouvido esses ataques. Os moradores disseram que os talibãs tinham fugido. "Os talibãs escaparam da área ontem à noite e nos deixaram para o Estado Islâmico com nossas mulheres e filhos", disse Juma Gul, um idoso da tribo do vale de Suleymankhel, próximo a Tora Bora, que disse estar entre as centenas de famílias que fugiram da área depois que o Estado Islâmico tomou o controle; "Não houve resistência do Taleban contra o Estado Islâmico, e as tribos locais não tinham como combatê-los, por isso nós simplesmente fugimos". Os militantes agora têm uma base de fácil defesa em Tora Bora, disse Ali, assim como acesso a muitas outras partes da província de Nangarhar pelas montanhas Spin Ghar, ao longo da fronteira paquistanesa, onde se situa Tora Bora. "O Estado Islâmico tem um enclave e vai capturar essas áreas uma após outra", disse ele. 

Ali tem ampla experiência na luta contra a Al Qaeda na região, mas também foi acusado de ter ajudado Bin Laden a escapar de Tora Bora em dezembro de 2001, supostamente traindo seus aliados dos Estados Unidos e do Afeganistão quando se aproximou da liderança da Al Qaeda.  Ali negou ter feito isso. O Estado Islâmico em Khorasan, como são conhecidos os militantes no Afeganistão e no Paquistão, não têm ligação direta com a Al Qaeda, que é em geral uma força esgotada nessa área. Mas o Estado Islâmico foi formado originalmente por elementos da Al Qaeda, e os dois grupos têm muitas semelhanças doutrinárias. 

Forças do governo e seus aliados da coalizão na área de Tora Bora se envolveram em poucas lutas recentes contra os talibãs que estão entrincheirados ali, apoiados por tribos locais na fronteira montanhosa com o Paquistão. Mas desde março forças afegãs apoiadas pelas tropas de Operações Especiais dos Estados Unidos vêm montando uma vigorosa campanha contra o Estado Islâmico no distrito de Achin, também na cadeia de Spin Ghar, mas a cerca de 80 quilômetros a leste de Tora Bora. Os seis soldados americanos mortos no Afeganistão até agora neste ano caíram em lutas ao redor do distrito de Achin. 

Os militares americanos disseram que mataram centenas de combatentes do Estados Islámico na área de Achin, incluindo o "emir" do EI em Khorasan, xeque Abdul Hasib. Este foi um comandante do Taleban no Paquistão, que rompeu com eles para unir-se ao Estado Islâmico. Esse grupo e o Taleban vêm competindo selvagemente pelo domínio nas áreas que controlam, mas os do Estado Islâmico, mais radicais, dominaram o distrito de Achin, além de território no sul da província de Nangarhar. 

As autoridades do Taleban estão preocupadas com a atração do Estado Islâmico aos jovens combatentes impacientes com o progresso da insurgência, que já dura 15 anos. Na área de Tora Bora, os moradores estavam irritados com os talibãs e com o governo por permitirem que o Estado Islâmico dominasse. Malak Tor, um líder tribal do distrito de Pachir Agam, onde se localiza Tora Bora, queixou-se de que os pedidos dos moradores para que o governo montasse uma ofensiva para proteger Tora Bora foram ignorados. 

Entre outras coisas, os insurgentes do Estado Islâmico haviam tomado uma grande mina de mármore e um depósito de combustível. "Agora eles vão conseguir recursos financeiros e então será muito difícil expulsá-los de Tora Bora", afirmou Tor. O presidente Ashraf Ghani ordenou na quarta-feira que o 201º Corpo do Exército Nacional Afegão avance contra o Estado Islâmico nos distritos que incluem Tora Bora, segundo Attaullah Khogyani, porta-voz do governador da província de Nangarhar. Alim Eshaqzai, o vice-governador, disse que autoridades de segurança iniciarão operações por terra, ar e de artilharia contra o Estado Islâmico assim que possível.

Rocha Loures foi transferido para a carceragem da Polícia Federal porque se dizia ameaçado na prisão da Papuda

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a transferência do ex-deputado federal e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, do presídio da Papuda para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília., o que foi executado nesta quarta-feira. Ele foi preso no sábado, 3 de junho, pela Polícia Federal. Se abrir a boca, Loures derruba de vez o governo de Michel Temer. Loures é uma das pessoas mais próximas de Temer e é acusado de receber R$ 500 mil por semana em propina paga pelo grupo JBS. Ele foi filmado pela Polícia Federal recebendo a propina oriunda da corrupção. Por precaução, Loures está preso, sozinho, em uma cela de nove metros quadrados na sede da Polícia Federal, em Brasília. Loures, a princípio, não está disposto a fazer delação premiada. A mulher dele é favorável à delação. O pai dele, um empresário, é contra. A delação, no entanto, vai depender do estado emocional do ex-deputado. Caso se sinta sozinho, abandonado por todos, sobretudo por Temer, pode, sim, abrir a boca. E Loures sabe muito, muito mesmo. A Polícia Federal tem a exata noção do quanto Loures é precioso. Por isso, montou todo um esquema de segurança para proteger a vida dele. Ele é suspeito de intermediar muitos negócios escusos no governo. Fala-se, na Esplanada dos Ministérios, que o ex-assessor de Temer vendia informações privilegiadas ao mercado financeiro. Inclusive, vários pontos da reforma da Previdência Social teriam sido fechados com representantes de instituições financeiras. Uma fonte do Palácio do Planalto diz que vários encontros de Loures com integrantes do mercado financeiro não constam na agenda oficial dele. Isso, inclusive, está sendo investigado pela Polícia Federal. Os depoimentos do ex-deputado serão muito importantes para se chegar aos integrantes do mercado que tinham trânsito livre no Planalto.

Deputado conservador dos EUA baleado por militante esquerdista está em estado crítico após cirurgia


O deputado republicano Steve Scalise está em estado crítico após uma cirurgia no quadril, disse porta-voz do MedStar Washington Hospital Center, hospital em que ele está internado. Scalise e outras quatro pessoas ficaram feridas após um atirador abrir fogo em um campo de beisebol onde republicanos treinavam nesta quarta-feira, em Alexandria, no Estado de Virgínia. O autor do ataque, James Hodgkinson, morreu no hospital por causa de seus ferimentos. Antes da cirurgia, o estado de saúde do deputado era estável, segundo um comunicado emitido pelo seu gabinete. Scalise inclusive conversou com sua mulher no telefone antes de entrar na sala de operação. De acordo com pessoas presentes no tiroteio, o deputado Brad Wenstrup, que é médico e serviu ao Exército no Iraque, prestou os primeiros socorros a Scalise ainda no campo.

Além de Scalise, ficaram feridos no tiroteio Zachary Barth, assessor do deputado Roger Williams; Mike Mika, lobista e ex-assessor legislativo e os dois policiais do capitólio identificados como Krystal Griner e David Bailey. O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos e o mundo inteiro estão orando por Scalise e todas as vítimas do "terrível tiroteio".

Os tiros foram disparados em um treinamento da equipe de beisebol do Congresso no Eugene Simpson Stadium Park. Os republicanos iriam jogar contra os democratas na quinta-feira em um evento anual beneficente que acontece desde 1909. O time do partido rival estava se preparando para a partida em um campo em outro local.

Scalise é o primeiro membro do Congresso a ser baleado desde a ex-representante do Arizona, Gabby Giffords, ser baleado em janeiro de 2011. Giffords foi atingida na cabeça por Jared Lee Loughner em um evento em um supermercado de Tucson. Gabby Giffords, que as autoridades disseram que era o alvo principal do tiroteio, sobreviveu ao ataque, mas outras seis pessoas foram mortas e outros 12 ficaram feridas. O atirador se declarou culpado em 2012 e foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

A deputada que foi baleada em 2011 se solidarizou com os feridos no tiroteio: "Meu coração está com meus ex-colegas, suas famílias e funcionários, e com a polícia do Capitólio — servidores públicos e heróis hoje e todo dia", escreveu Giffords no Twitter.

Steve Scalise é um conservador contrário ao aborto, anti-imigração e feroz defensor do porte de armas de fogo. O deputado pelo Estado de Louisiana é o terceiro na hierarquia da Câmara e é considerado um dos republicanos mais importantes no Congresso. Scalise foi eleito para o Congresso americano em 2008 após ter sido membro do Parlamento da Lousiana durante doze anos.

O conservador dirigia o Partido Republicano antes de ser designado em agosto de 2014 o chefe da bancada republicana, chamado de "whip" nos Estados Unidos. Cargo do personagem Frank Underwood (Kevin Spacey) no início da série "House of Cards", o "whip" é encarregado de garantir a disciplina partidária.

Em 2014, algumas pessoas pediam sua renúncia depois do deputado ter admitido que anos antes discursou, em condição de legislador local, em uma assembléia de pessoas vinculadas a David Duke, ex-chefe da organização racista Ku Klux Klan. Na época, a revelação complicou os esforços do partido de distanciar-se do espectro supremacista. Scalise pediu desculpas e disse que se tratou de um erro que ele lamentava.

Porém, o conservador nunca pediu desculpas pela sua defesa às armas de fogo. Scalise é um seguidor fervoroso da poderosa Associação Nacional do Rifle que outorgou a ele a nota "A+" por ter votado em diversas ocasiões pela ampliação do direito de compra e porte de armas.

No mês passado, o deputado apresentou um projeto de lei destinado a aliviar as restrições à venda de armas. Por diversas vezes ele se opôs às iniciativas de fortalecer a legislação sobre armas de fogo. O conservador fez um discurso controverso em abril de 2013, após o tiroteio na escola Sandy Hook, em Connecticut, que matou 26 pessoas, entre elas 20 crianças.

"Todos estamos comovidos e tristes pelos assassinatos em Sandy Hook. Porém, creio que também é decepcionante quando ocorrem estas tragédias e desgraçadamente pessoas e políticos em Washington tentam tomar partido para impor seu programa".

Nascido em Nova Orleans, Scalise é formado pela Universidade do Estado de Lousiana. O deputado iniciou sua carreira como engenheiro informático e era responsável de marketing até ser eleito em 1995 para a Câmara de Representantes de seu estado natal. O conservador é casado e pai de dois filhos. Já o atirador era um conhecido militante esquerdista americano.

JBS diz ao STF que sua delação é a "mais efetiva" já fechada


Em petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, advogados que irão defender o acordo firmado pelo Grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, sustentam que a delação dos empresários é a mais efetiva já homologada pela Corte. O argumento é baseado em comparações com os acordos firmados por executivos das empreiteiras Odebrecht, Carioca Engenharia, UTC, Andrade Gutierrez e com o acordo de colaboração do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. “Sras Ministras e Srs. Ministros, o objeto da presente discussão é o acordo de colaboração mais efetivo do qual se tem notícia, pelo qual executivos de uma empresa entregaram milhares de agentes políticos e usaram da ação controlada, estando em situação processual mais favorável do que inúmeros outros colaboradores”, sustentam a defesa, encabeçada pelo criminalista Pierpaolo Bottini.

Os advogados entregaram ao Supremo planilhas comparativas do que foi entregue e realizado pela J&F, confrontando com a situação dos outros delatores. A intenção é mostrar que, além de o acordo ser legal, foi útil para os investigadores, é amplo e entrega provas contundentes contra agentes públicos. Na peça, eles também sustentam a competência do ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo, para analisar o acordo.

“As questões suscitadas versam sobre competência relativa – uma vez que territorial – que não invalidam os atos até então praticados”, escrevem os defensores. A intenção, com essa argumentação, é manter a validade do acordo assinado e dos atos já realizados com base na delação, mesmo que o Supremo entenda que Fachin não deve continuar como relator.

Para sustentar a efetividade, continuam os advogados: “Tal acordo resultou, até o momento, na prisão de um ex-deputado, de um procurador da República, de um advogado, e na denúncia de um senador, além da instauração de inúmeros inquéritos e da assinatura de um acordo de leniência que garantiu aos cofres públicos um valor superior a 10 bilhões de reais".

A petição argumenta que anular a delação iria “inibir novos acordos” e “abalar um importante instrumento de política criminal”. O acordo de Joesley Batista é contrastado pelos defensores com os de Marcelo Odebrecht, Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, Ricardo Pernambuco e seu filho, da Carioca Engenharia, Otávio Marques Azevedo, da Andrade Gutierrez, e Sérgio Machado.

Segundo o levantamento, o empresário bucaneiro caipira Joesley Batista foi quem mais delatou agentes públicos. O número utilizado são os 1.893 citados nos anexos de Joesley Batista e o "garganta profunda" Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da J&F. Na comparação, a Odebrecht fica em segundo, com 70 políticos; Ricardo Pessoa vem depois, com 50; e em seguida Otavio Azevedo (32), Sergio Machado (31) e Ricardo Pernambuco (9).

Apesar de listar esses dados, até o momento a empresa não detalhou como cada repasse foi realizado nem detalhou possíveis contrapartidas recebidas. O valor da multa paga pelo empresário, de 110 milhões de reais, segundo o documento, também é superior aos demais. Como não é citado o valor pago pelo herdeiro da Odebrecht, Sérgio Machado fica em segundo, com 75 milhões de reais, seguido por Ricardo Pessoa, com 41 milhões de reais. 

Ponto mais contestado no acordo, a imunidade dada ao dono da JBS e aos outros seis executivos da empresa só foi concedida a Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, que não será denunciado. Todos os outros cumprirão algum tipo de pena.

Banco Central americano eleva a taxa de juros


O Federal Reserve (Fed, banco central americano) voltou a aumentar a taxa de juros nos Estados Unidos, que passa de um intervalo entre 0,75% a 1% para 1% a 1,25% ao ano. A decisão foi divulgada na tarde desta quarta-feira. É o terceiro aumento desde em dezembro de 2016.  O Fed iniciou no fim do ano passado um ciclo de aumento nos juros, que vinha sinalizando há tempos ao mercado. A instituição justificou a decisão desta quarta-feira alegando que há um crescimento “moderado, mas sólido” nos empregos e na própria economia americana. O Fed também estima que a inflação, que está abaixo da meta anual de 2%, deve se manter por volta deste patamar. Oito dos nove conselheiros do Fomc (comitê responsável pela decisão) votaram pelo aumento. 

Ministro Ricardo Lewandowski vai relatar um dos inquéritos em que Aécio Neves é investigado


O ministro Ricardo Lewandowski foi sorteado o novo relator de um dos cinco inquéritos em que o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) responde no Supremo Tribunal Federal por irregularidades narradas nas delações dos executivos da Odebrecht. No total, o senador responde a oito inquéritos no Supremo. O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, mandou o caso para redistribuição entre os colegas, porque, para ele, não há relação direta com a operação Lava-Jato. Antes de despedir-se do inquérito, Fachin incluiu nas investigações o senador Antonio Anastasia e o ex-deputado Pimenta da Veiga, ambos do PSDB de Minas Gerais. 

O inquérito apura investigação de pagamento de propina pela empreiteira propineira Odebrecht, a pedido de Aécio Neves, para campanhas dele mesmo, de Anastasia, de Veiga, e do deputado Dimas Fabiano Toledo Júnior (PP-MG). Questionado sobre o inquérito, Lewandowski afirmou que ainda não tinha visto os autos.  O nome do senador, afastado de suas funções por determinação do Supremo, já não aparece mais no painel de votações do Senado. O presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que a medida foi tomada para que não gere dúvidas sobre o cumprimento da decisão. 

Aécio Neves foi afastado do cargo no dia 18 de maio por determinação de Edson Fachin, que negou pedido de prisão ao tucano feito pela Procuradoria Geral da República. O procurador-geral, Rodrigo Janot, recorreu da decisão, classificando a prisão de Aécio Neves como “imprescindível” para a garantia da ordem pública e da instrução criminal, diante de “fatos gravíssimos” que teriam sido cometidos pelo parlamentar. 

Janot fez referência à delação do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista, dono da JBS, na qual o empresário entregou uma gravação em que Aécio Neves pede R$ 2 milhões para, supostamente, pagar a defesa dele na Lava Jato. O pedido de prisão do senador afastado será julgado na próxima terça-feira, dia 20, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. O colegiado, que é composto por cinco integrantes, ainda vai examinar o recurso apresentado pelo parlamentar para retornar ao cargo. Além de determinar o afastamento de Aécio Neves do mandato, Fachin também o proibiu de entrar em contato com outros investigados e o impediu de deixar o País.