sábado, 3 de junho de 2017

Polícia confirma atos de terrorismo em ponte e mercado de Londres


O pânico voltou a Londres na noite deste sábado (3). Pouco mais de dois meses depois do último caso, a cidade foi alvo de dois atentados terroristas, com atropelamento de pedestres e ataques a faca em um curto intervalo. O número de feridos e mortos ainda é incerto, sem confirmação oficial. Na primeira ocorrência, uma van avançou sobre pedestres na ponte de Londres, um ponto turístico e de grande circulação de pessoas. A polícia recebeu o chamado às 22h08 (18h08 de Brasília). Minutos depois, dezenas de carros de polícia foram vistos dirigindo-se à ponte. De acordo com os relatos, uma van branca desviou da pista para a direita e seguiu em direção aos pedestres que caminhavam pela calçada. Uma das pessoas que presenciaram o episódio era a jornalista da BBC, Holly Jones, que estava naquele momento sobre a ponte que cruza o rio Tâmisa. Outras testemunhas afirmaram ter visto ao menos seis pedestres caídos após serem atingidos. Depois do atropelamento, ainda segundo testemunhas, um homem com uma faca saiu do veículo e atacou pessoas no mercado de Borough, próximo à ponte, onde há vários bares e restaurantes. Outra testemunha afirmou ter visto ao menos três pessoas que aparentavam estar feridas por golpes de faca na região da garganta. Segundo o serviço de ambulâncias de Londres, ao menos 20 pessoas foram levadas a seis hospitais da cidade. Outras, que estavam feridas levemente, foram atendidas localmente. A rede de TV BBC informou, porém, que ao menos uma pessoa teria morrido; o tabloide "The Sun" falou em sete mortos no atropelamento e que dois suspeitos teriam morrido a tiros em confronto com a polícia, já no mercado de Borough. Os policiais registraram ainda uma terceira ocorrência, um esfaqueamento no bairro de Vauxhall, a poucos quilômetros da ponte de Londres. No entanto, as autoridades descartaram a hipótese de se tratar de um ato terrorista, dizendo não haver relação com os dois primeiros ataques. A primeira-ministra britânica, Theresa May, foi informada pela polícia sobre as circunstâncias. Ela convocou uma reunião de emergência com seu gabinete para este domingo (4). O episódio ocorre às vésperas das eleições parlamentares, em que May tentará se reeleger como líder do Partido Conservador. A votação será na quinta-feira (8). O prefeito de Londres, o trabalhista Sadiq Kahn, descreveu o episódio como "ataque deliberado e covarde contra inocentes londrinos". O presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu "o que for possível fazer" para ajudar os britânicos. Os atentados deste sábado são o terceiro episódio de terrorismo no Reino Unido desde março. No dia 22 daquele mês, uma ação muito semelhante à de agora deixou cinco mortos e 50 feridos. Um homem atropelou pedestres na ponte de Westminster, abandonou o carro e atacou com uma faca um policial numa das entradas do vizinho Parlamento britânico. Ele foi morto a tiros por outro agente. No último dia 22, um homem-bomba se explodiu na saída de um show da cantora americana Ariana Grande, em Manchester, no norte da Inglaterra. A maioria dos 22 mortos eram crianças e adolescentes que assistiam ao espetáculo. Neste domingo (4), estava marcado um show beneficente para as vítimas com Ariana e outros astros da música pop, como Justin Bieber e Katy Perry.

Escritório de ex-procurador teria recebido R$ 27 milhões da JBS


Na semana em que ia deixar o Ministério Público, o ex-procurador Marcelo Miller sondou empresas investigadas na Lava-Jato para oferecer seus futuros serviços de advocacia. A JBS se antecipou e aceitou a proposta. Em Brasília, comenta-se que o escritório Trench, Rossi e Watanabe, que contratou Miller, recebeu 27 milhões de dólares pelo bem-sucedido acordo da JBS com o Ministério Público.

Líder de esquema da Carne Fraca deve citar Serraglio em delação


Apontado como "líder e principal articulador do bando criminoso" — nas palavras do juiz federal Marcos Josegrei da Silva — investigado pela operação Carne Fraca, o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, tem sua delação premiada ao Ministério Público Federal perto de ser concluída. Faltam poucas reuniões para que ele termine de prestar informações e o pacote seja submetido à homologação. O ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que em conversa telefônica grampeada pela Carne Fraca se refere a Gonçalves como "grande chefe", é um dos alvos da delação. Por conta do foro privilegiado do político, a colaboração deverá requerer a participação da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal. Gonçalves comandou o Mapa no Paraná entre 2007 e 2014 e de junho de 2015 a abril de 2016. No fim do mês passado, foi acusado pelo Ministério Púbico Federal de crimes como organização criminosa, corrupção passiva privilegiada, prevaricação (agir contra sua função para para satisfazer interesse pessoal), concussão (exigir vantagem indevida) e violação de sigilo profissional. Para o Ministério Púbico Federal, as investigações mostraram que o esquema no Paraná era comandado por Daniel Gonçalves Filho e pela chefe do Setor de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa/PR), Maria do Rocio Nascimento, que trabalhavam em Curitiba. Outros fiscais agropecuários participavam das irregularidades e mantinham contato direto com a dupla que liderava a quadrilha. Da mesma forma, representantes das empresas envolvidas atuavam de tal forma a manter o funcionamento do esquema criminoso. Poucos dias depois da denúncia, começou a tratar de sua delação. Já contratara, antes, o advogado paranaense Adriano Bretas, que também é responsável pelas delações premiadas do ex-ministro Antonio Palocci, o ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o doleiro Alberto Youssef. Na decisão em que deflagrou a Carne Fraca, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Criminal Federal de Curitiba, relatou a conversa entre Gonçalves — que era grampeado, com autorização judicial, pela Polícia Federal — e Serraglio, então deputado federal. "Em conversa com o Serraglio, Daniel é informado acerca de problemas que um frigorífico de Iporã (620 km a noroeste de Curitiba, e próxima a Umuarama, cidade em que o peemedebista, gaúcho, construiu carreira política) estaria tendo com a fiscalização. Logo após encerrar a ligação, Gonçalves ligou para Maria do Rocio Nascimento, contando-lhe que o fiscal de Iporã quer fechar o frigorífico. Ele pede a ela que averigue o que está acontecendo e lhe ponha a par. Ela então obedece à ordem e em seguida o informa de que não tem nada de errado lá, informação esta depois repassada a Serraglio", anotou Josegrei. É nessa conversa que o político saúda Gonçalves como "grande chefe". "Ela dá uma boa pista do que há na delação contra Serraglio", disse uma fonte que acompanha as conversas do ex-superintendente regional do Mapa com os procuradores do Ministério Público Federal. Após a gravação vir à tona, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) disse ter sido pressionada por deputados federais paranaenses do partido para não demitir Gonçalves: Serraglio e Sérgio Souza. Um assessor de Souza, Ronaldo Troncha, disse à Polícia Federal  que Serraglio participou da articulação para nomear o agora delator para o cargo que ocupou entre 2007 e 2016.  

Banco Central comunica indícios de crime da JBS



Antes de vir à tona a delação da JBS, que estremeceu o País, empresas do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista ganharam uma bolada apostando na contramão do mercado. Quatro companhias do grupo J&F, dona da JBS, realizaram quase 3 bilhões de dólares em operações de câmbio e juros — que renderam um ganho de cerca de 600 milhões de reais. Essas transações chamaram a atenção do Banco Central, que encontrou indícios de crime de informação privilegiada. Por isso, conforme manda a lei, a entidade monetária enviou no último dia 29 de maio um comunicado de crime ao Ministério Público Federal de São Paulo.  Executivos do grupo J&F sabiam que as suas revelações poderiam surpreender a todos e alterar os rumos do mercado. Por isso, resolveram se antecipar. A própria empresa, que tem negócios no Exterior e dívidas atreladas ao dólar, divulgou um comunicado admitindo ter realizado operações com câmbio. Os detalhes das transações financeiras atípicas também foram enviados pela entidade monetária à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais, que já abriu 10 investigações ligadas ao caso JBS.  Para obter o ganho, as empresas do grupo J&F realizaram quase 3 bilhões de dólares em operações de câmbio e juros antes de vir à tona a delação da JBS. 

Joesley terá que esclarecer quem é a sócia desconhecida da JBS


A vida de Joesley Batista não será tão mansa nos próximos tempos. No acordo com a Procuradoria Geral da República, ele se comprometeu a voltar ao Brasil para tirar dúvidas dos procuradores. Um assunto que será explorado em breve é a propriedade da Blessed, a sócia desconhecida da JBS.

Marcos Valério afirma que Ronan Maria Pinto ia entregar Lula como "mentor do assassinato" do prefeito petista Celso Daniel


Em setembro de 2012, o publicitário Marcos Valério prestou depoimento ao Ministério Público Federal e revelou que foi informado em 2004, pelo secretário-geral do PT, Silvio José "Land Rover" Pereira, que o presidente Lula estava sendo chantageado. A conversa entre os dois ocorreu dois anos após o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. O publicitário disse que o empresário Ronan Maria Pinto exigia 6 milhões de reais para não divulgar informações relacionadas ao caso Santo André, envolvendo o presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o então assessor particular Gilberto Carvalho. Marcos Valério diz agora que quer esclarecer todos detalhes da chantagem. Foi o que ele garantiu à deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), que colheu um longo depoimento do publicitário. “O Valério me disse que Ronan ia apontar o ex-presidente Lula como mentor do assassinato do Celso Daniel”, disse a deputada. Segundo ela, Marcos Valério garantiu ter as provas da chantagem.


A primeira conversa de Marcos Valério com a deputada federal foi no dia 11 de outubro. Ela foi ao presídio atender às reivindicações de presos portadores de necessidades especiais e encontrou o publicitário em uma das celas. No ano passado, Mara Gabrilli, que é filha de um empresário que foi extorquido pela quadrilha que atuava na prefeitura petista de Santo André, tinha entregado ao juiz Sérgio Moro um dossiê sobre o assassinato. No dia 3 de abril, Mara Gabrilli enviou um ofício ao procurador de São Paulo, Gianpaolo Smanio, narrando as conversas com o publicitário e pedindo andamento às investigações do crime. “Ele (Valério) deixou muito claro que o senhor Ronan Maria Pinto ia entregar o senhor Luiz Inácio Lula da Silva para a polícia como mentor do assassinato do prefeito Celso Daniel”, escreveu a deputada. Para ela, o depoimento de Marcos Valério pode ajudar a desvendar o crime.


Marcos Valério já vem negociando sua delação premiada com três promotores de Minas Gerais e dois procuradores da República. O publicitário disse que o ex-prefeito, pouco antes do assassinato, ia entregar um dossiê para a Polícia Federal e para o presidente Lula, envolvendo petistas com o crime organizado. Após o envio do ofício da deputada ao procurador de Justiça de São Paulo, dois promotores foram visitá-lo. O publicitário quer depor somente à Polícia Federal. 

Banco suíço com conta do dinheiro de Lula e Dilma é o mesmo de Eduardo Cunha

O banco suíço Julius Bar, escolhido por Joesley Batista para abrir a conta nº 06384985, que bancou os petistas Lula e Dilma, é o mesmo onde o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mantinha a famosa conta da qual era “usufrutuário”, segundo alegou. A conta, cujo saldo dos petistas Lula e Dilma chegou a US$ 150 milhões (R$ 486 milhões) em 2014, foi revelada pelo próprio Joesley Batista, dono da JBS, ao Ministério Público Federal. O relato de Joesley sobre “conta corrente” para bancar Lula e Dilma é semelhante à “conta conjunta” revelada pelo sinhozinho baiano Marcelo Odebrecht para os mesmos personagens. A “conta conjunta” do PT com a Odebrecht, para financiar “projetos políticos”, movimentou R$ 324 milhões entre 2009 e 2014. Em 2010, fim do governo Lula, a conta na Suíça tinha R$ 226,1 milhões (US$ 70 milhões), diz Joesley. Em 2014, caiu para R$ 30 milhões. Dilma alfinetou Eduardo Cunha, em diversas ocasiões, até em pronunciamentos oficiais, afirmando que, ao contrário dele, não tinha conta na Suíça. Aí está..... O que ainda falta, pelo amor de Deus, para o Ministério Público Federal pedir a extinção judicial dessa organização criminosa chamada PT? Pode pedir junto as extinções do PMDB e do PSDB que ninguém ficará indignado com isso. Não esquecer de fazer a mesma coisa com o PP. 

Investidores entram com ação coletiva contra JBS nos EUA, diz escritório Vincent Wong

Uma ação coletiva foi aberta contra a JBS nos Estados Unidos por investidores que compraram ações da empresa entre 2 de junho de 2015 e 19 de maio de 2017, informou nesta sexta-feira (2) o escritório de advogacia Vincent Wong. Conforme o comunicado, investidores que sofreram prejuízos têm até 21 de julho para solicitar ao tribunal nomeação como autor do processo, em tramitação na Corte do Distrito Leste de Nova York. Em 22 de maio foi divulgado que escritórios norte-americanos de advocacia estavam recolhendo inscrições de interessados em se juntar a ações coletivas contra a JBS, em pelo menos sete processos relacionados ao escândalo da operação Carne Fraca, deflagrado pela Polícia Federal em meados de março. Em comunicado sobre a abertura do processo, o Vincent Wong cita o pagamento de propina a órgãos reguladores para corromper inspeções nas fábricas da empresa (pontos investigados na Operação Carne Fraca), pagamentos de propina relatados pelo presidente do conselho de administração da empresa, Joesley Batista, a políticos e lobistas, além de empréstimos irregulares recebidos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O escritório também destaca as "operações suspeitas" feitas no mercado por Joesley e seu irmão Wesley Batista, presidente do frigorífico, antes da divulgação do acordo de delação premiada feito pelos executivos da empresa e que "indicam sinais de possível informação privilegiada". Segundo o escritório, em decorrência desses fatos, "os comunicados dos réus sobre os negócios, operações e perspectivas da JBS eram concretamente falsos e/ou faltavam fundamentos razoáveis em todos os momentos relevantes". No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM, órgão que regula o mercado de capitais no país) instaurou na terça-feira (31) dois inquéritos administrativos contra a JBS para investigar a atuação da companhia no mercado de dólar futuro e negociações do acionista controlador com ações da empresa. As operações foram feitas dias antes da divulgação da delação premiada dos executivos da empresa, que mexeram com os mercados. Os inquéritos foram instaurados para dar sequência às apurações iniciadas em processos administrativos abertos em 19 de maio. No total, a CVM já abriu oito processos envolvendo a JBS, após as notícias atreladas à delação de acionistas controladores da companhia. A JBS, seus controladores e outras empresas do grupo são investigadas por uso de informação privilegiada. A JBS confirmou que comprou dólar no mercado futuro horas antes da divulgação de que seus executivos fizeram delação premiada. O dólar disparou no dia seguinte, subindo mais de 8%, o que trouxe ganhos a empresa. Outra operação da empresa que resultou em inquérito foi a venda de ações da própria JBS pelos controladores em abril. Parte dos papéis foram recomprados pela tesouraria da empresa. A companhia afirmou que suas operações no mercado do câmbio são avaliadas diariamente e visam a proteção financeira da empresa, que tem dívida em dólar e negócios no exterior. Além das operações de câmbio e ações, os demais processos envolvem também transações do Banco Original, que tem os mesmos controladores, e supostas irregularidades na divulgação de fatos relevantes pela empresa. Esses processos ainda estão em análise, segundo a CVM.

Polícia Federal indicia investigados na 40ª fase da Operação Lava Jato


A Polícia Federal (PF) indiciou nesta sexta-feira (2) 14 pessoas investigadas na 40ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Asfixia, deflagrada em maio deste ano. Entre os crimes apontados no relatório da delegada Renata Rodrigues, estão corrupção e lavagem de dinheiro. Quatro pessoas foram presas nesta fase da Lava Jato, que apura o pagamento de R$ 100 milhões em propina a partir de contratos da Petrobras. Um dos indiciados por corrupção e lavagem de dinheiro é o ex-gerente da Petrobras, Márcio de Almeida Ferreira, que está preso. Segundo as investigações, o ex-gerente usou a Lei de Repatriação para lavar dinheiro. Ele tinha R$ 48 milhões em contas nas Bahamas e, no fim de 2016, fez a regularização cambial do valor, alegando que os recursos surgiram da venda de um imóvel. Para o Ministério Público Federal, Márcio Ferreira pagou tributos sobre o valor repatriado e, assim, "esquentou" o dinheiro que "certamente tem origem em propina proveniente de corrupção na Petrobras. Dele, conforme informado pelo Banco Central, foi bloqueado R$ 1,48 milhão. 

Petrobras faz pré-pagamento de dívida de R$ 1 bilhão com o Itaú

A Petrobras realizou nesta sexta-feira (2) o pré-pagamento total de uma Nota de Crédito à Exportação com o Banco Itaú, de R$ 1 bilhão e prazo de vencimento em 2020, informou a petroleira em uma nota ao mercado. A companhia afirmou ainda que continuará avaliando novas oportunidades de gerenciamento dos seus passivos, visando à melhora do perfil de amortização e à redução do custo da dívida, levando em consideração as metas de desalavancagem previstas em seu Plano de Negócios e Gestão 2017-2021. 

Ex-secretário de Cabral, Sérgio Côrtes irá trabalhar como médico na cadeia


O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes (uma daquelas maravilhas da dancinha com lencinho na cabeça) irá trabalhar na cadeia. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (2), pelo juiz Marcelo Brêtas, da 7ª Vara Federal Criminal. Côrtes está preso desde 11 de abril. Ele é médico e com a decisão poderá prestar atendimento a outros detentos. A idéia da defesa de Côrtes é possibilitar que ele consiga reduzir alguns dias de sua pena ao trabalhar no cárcere. Em 11 de abril, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram a operação Fatura Exposta em que foram presos Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do governo do muito corrupto peemedebista Sérgio Cabral, e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita. As prisões foram pedidas a partir da delação premiada de César Romero, que trabalhou com o ex-diretor do Into, ex-secretário executivo de Côrtes na Saúde, e foi o responsável por entregar todo o esquema. A delação foi homologada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. A operação investiga fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Os investigadores afirmam que, entre 2006 e 2017, os desvios chegaram a R$ 300 milhões. De acordo com as investigações, quando era diretor do Into, Sérgio Côrtes favoreceu a empresa Oscar Iskin, da qual Miguel é sócio, nas licitações do órgão. Gustavo Estellita é sócio de Miguel em outras empresas e já foi gerente comercial da Oscar Iskin. A empresa é uma das maiores fornecedoras de próteses do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal considera que Côrtes foi nomeado para o cargo de secretário de Saúde para continuar com o esquema de propina iniciado quando ele dirigia o Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into). Em 2006, quando dirigia a unidade do governo federal no Rio de Janeiro, Côrtes registrou no 11º Ofício de Niterói a compra por R$ 1,3 milhão de uma cobertura na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa. Os investigadores da Lava Jato, no Rio de Janeiro, suspeitam de que o ex-secretário de Saúde pagou pela sua cobertura um valor abaixo de mercado. 

Temer se reúne com Geraldo Alckmin em São Paulo


O presidente Michel Temer se reuniu na noite desta sexta-feira (2) com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes. Temer pediu ao governador de São Paulo o encontro desta sexta-feira. "Temer tem sido aconselhado desde quinta-feira a procurar o governador e também o prefeito João Doria para tentar esvaziar o movimento de debandada do PSDB paulista. Os dirigentes tucanos de São Paulo devem se reunir na próxima segunda-feira para discutir o rompimento com o governo federal. Na última segunda-feira, Temer já se encontrou com a cúpula tucana em São Paulo, como o ex-presidente FHC e Tasso Jereissati, presidente do partido. Esses são os chefetes históricos da proteção ao PT. Na ocasião, Temer, na companhia do "gato angorá" (apelido aplicado por Leonel Brizola) Moreira Franco, cobrou apoio do PSDB ao governo e às reformas econômicas. A principal preocupação do governo é, na verdade, com os deputados do PSDB. São deles os votos que Temer precisa seja para aprovar medidas econômicas ou para ajudar a barrar uma eventual denúncia da Procuradoria contra Temer.

Ministério Público pede a prisão preventiva de Garotinho


O Ministério Público Estadual em Campos dos Goytacazes, norte do Estado do Rio de Janeiro, pediu à Justiça Eleitoral que decrete a prisão preventiva do ex-governador Anthony Garotinho (PR). Suspeito de usar um programa assistencial chamado Cheque Cidadão para fraudar a eleição municipal de Campos no ano passado, Garotinho é acusado pelo promotor Leandro Manhães de ameaçar uma testemunha, por meio de terceiros. A suposta ameaça foi relatada pela radialista Elizabeth Gonçalves em depoimento à polícia em maio. Outra acusação feita pelo promotor é de que Garotinho esteja usando seu blog para atacar testemunhas ainda não ouvidas no processo. Caberá ao juiz da 100.º Zona Eleitoral, em Campos, decidir pela prisão ou não de Garotinho. Em novembro passado, Garotinho foi preso por causa desse mesmo processo, mas conseguiu um habeas corpus e foi colocado em liberdade pelo Tribunal Superior Eleitoral. Elizabeth, que trabalhou na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, foi presa em outubro de 2016 acusada de participar de um esquema de compra de votos por meio do programa assistencial. Em depoimentos, ela informou como o suposto esquema funcionava. Em 8 de maio passado, ela procurou a Polícia Federal para denunciar as ameaças. Elizabeth diz que está sendo perseguida desde que admitiu sua participação e contou detalhes sobre a compra de votos. Em nota, o advogado Fernando Fernandes, que defende Garotinho, afirma que o promotor “está desafiando o Tribunal Superior Eleitoral”. Segundo o advogado, as razões que embasam o pedido “são uma afronta à decisão do TSE que deu liberdade de manifestação ao ex-governador”. No último dia 16, o plenário do TSE concedeu habeas corpus a Garotinho e suspendeu medidas cautelares que proibiam o político de se manifestar em seu blog ou de falar à imprensa sobre o processo a que responde. A proibição vigorava desde o ano passado. “Caso qualquer autoridade local se sinta ofendida com as denúncias do ex-governador, os mesmos têm o direito de representar contra Garotinho e até mesmo processá-lo. Contudo, a Justiça Eleitoral não é competente para proteger a honra de delegado da Polícia Federal”, afirma o advogado de Garotinho. Fernandes também recorreu à Justiça pedindo que determine o impedimento do juiz Glaucenir de Oliveira, que reassumiu a 100ª Zona Eleitoral durante as férias do juiz Ralph Manhães e é acusado por Garotinho de praticar denunciação caluniosa. Para o advogado, o juiz não pode julgar causas que envolvam o ex-governador.

Fundador do WhatsApp diz no STF que fornecer dados à polícia é impossível


O Supremo Tribunal Federal abriu uma discussão pública nesta sexta-feira (2) para avaliar se os bloqueios judiciais impostos como sanção ao Facebook e ao WhatsApp são constitucionais. As audiências públicas, que se encerram nesta segunda-feira (5), servirão de base para que os ministros Edson Fachin e Rosa Weber possam relatar dois casos que tramitam no Supremo. As decisões vão virar referência para os juízes de primeira instância que, nos últimos anos, vêm decretando a suspensão temporária dos aplicativos como punição. Segundo a Justiça, eles se recusam reiteradamente a entregar dados das comunicações de usuários sob investigação policial. No Brasil, o WhatsApp, principal alvo dos bloqueios, tem 120 milhões de usuários, segundo seu cofundador, Brian Acton, que veio ao País para a reunião no Supremo. Somente no ano passado, foram 3.500 solicitações judiciais de acesso à comunicação de 7.600 usuários, segundo o Facebook, que comprou o WhatsApp por US$ 22 bilhões no fim de 2014. "O que quero deixar claro aqui é que toda a comunicação via aplicativo é protegida por criptografia de ponta a ponta", disse Acton: "Não é possível, nem mesmo para a nossa equipe, ter acesso ao conteúdo das mensagens". Acton respondeu às três perguntas que já haviam sido previamente formuladas pelos ministros. Ambos queriam saber se seria possível que a empresa fornecesse às autoridades informações sobre a navegação (metadados) dos usuários; se os servidores do WhatsApp têm acesso às chaves de codificação das mensagens; e se seria possível, a exemplo do que ocorre com o WhatsappWeb, espelhar a troca de mensagens entre usuários para terceiros a pedido da Justiça. Na resposta, Acton disse que o aplicativo foi criado com o ucraniano Jam Koum para funcionar como o "sistema de comunicação mais seguro do mundo". "Koum vivia em um país onde as pessoas evitavam o telefone porque o governo podia ouvir", disse Acton. Segundo ele, a empresa não tem as chaves que permitem codificar e decodificar (criptografia) o conteúdo das mensagens trocadas entre seus usuários. "Qualquer tentativa de criar acessos do tipo 'porta dos fundos' (não autorizado) a essa comunicação coloca em risco todo o sistema". Ainda segundo ele, houve exageros dos juízes que, ao decretar a suspensão do serviço, concederam vantagem indevida a competidores, como o Telegram. Esses aplicativos ganharam usuários com a suspensão do WhatsApp.  O Secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Maximiliano Martinhão, defendeu as decisões judiciais que tiraram o WhatsApp do ar nos últimos anos, mas recomendou que sejam mais bem dosadas. "A decisão do juiz em bloquear faz parte do poder de cautelar, mas ela tem de ser razoável", disse Martinhão durante a audiência pública. O secretário divergiu dos demais representantes da comunidade científica, que defenderam a inconstitucionalidade das suspensões. "O bloqueio na infraestrutura das redes pelas operadoras de telefonia não encontra respaldo legal no Marco Civil da Internet", disse Ronaldo Lemos, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. "Não está e não poderia estar no marco porque viola o princípio constitucional da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da livre concorrência". Martinhão ponderou que, ao contrário do que defendem os aplicativos, o Marco Civil permitiu que as autoridades brasileiras tenham acesso às informações trocadas por aplicativos. Essa possibilidade foi uma contrapartida negociada com os aplicativos em troca de não obrigá-los a instalar data centers (bancos de dados) no Brasil. Desde 2015, a Justiça brasileira e o WhatsApp já travaram algumas disputas e o acesso ao aplicativo já foi bloqueado por quatro vezes. 

Equador prende cinco acusados de participar de esquema da Odebrecht

Nesta sexta-feira (2), o Equador deteve mais cinco pessoas na investigação sobre o esquema de propinas da Odebrecht e apreendeu um cheque da empreiteira no valor de US$ 980 mil. "Alguns dos envolvidos têm foro na Corte Nacional de Justiça", informou à imprensa o procurador-geral Carlos Baca, que não revelou os nomes dos detidos. Essa condição impede a prisão de alguns dos envolvidos no esquema de propinas milionárias que a empreiteira é acusada de pagar a funcionários do governo equatoriano. Após as detenções, o novo presidente, Lenin Moreno, e o vice reeleito Jorge Glas – ambos do partido do ex-presidente Rafael Correa – disseram que a Justiça deve punir todos os que cometeram crimes, independentemente de quem seja.

"Não vamos permitir que nenhum ato de corrupção fique impune, venha de onde vier. Todos os envolvidos no caso Odebrecht devem responder à Justiça", escreveu o presidente em sua conta numa rede social. Em seguida, Moreno declarou a jornalistas que as investigações continuarão e que há "muito mais pessoas" envolvidas nesse processo. A operação que resultou na detenção das cinco pessoas, segundo a procuradora Thania Moreno, foi feita em casas e empresas da capital, Quito, no porto de Guayaquil (a maior cidade do país) e em Latacunga, no sul equatoriano. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, disse Moreno, foram encontrados documentos relacionados com a Odebrecht. Além do cheque de US$ 980 mil, foram apreendidos cofres, jóias, carros de luxo, dinheiro, armas sem porte e computadores. Para a procuradora, a operação confirmou que os detidos faziam parte "de um esquema de crime organizado que envolveu a Odebrecht". Carlos Baca, o procurador-geral, voltou nesta sexta-feira do Brasil, aonde veio coletar informações sobre o caso da empreiteira. Ele disse que virá novamente ao país na próxima semana. Em abril, a Justiça equatoriana decretou a prisão preventiva de Alecksey Mosquera, ex-ministro da Eletricidade, que teria recebido US$ 920 mil em propinas da Odebrecht. Acusado de se envolver no esquema juntamente com o ministro, o empresário Marcelo Endara está em prisão domiciliar. Uma ordem judicial bloqueou pagamentos à Odebrecht da ordem de US$ 40 milhões. Além disso, o Estado está proibido, por ora, de firmar mais contratos com a empresa, que ficou de fora do consórcio para a construção do metrô de Quito. Na segunda-feira (29), a República Dominicana prendeu um ministro e outras sete pessoas acusadas de envolvimento no esquema da construtora brasileira.

Lula se encontrou em Brasília com a direção comunista da CNBB por combate às reformas de Temer


Em Brasília para o congresso nacional do PT, o poderoso chefão da organização criminosa petista e ex-presidente Lula se reuniu na quinta-feira (1º) com a cúpula da organização comunista e sindicato religioso CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Na audiência com o presidente da CNBB, o bispo vermelho dom Sérgio Rocha, e o secretário-geral da confederação, também bispo vermelho dom Leonardo Steiner, Lula discutiu a realização de atos com "juristas" e intelectuais (serviçais contratados) contra as reformas propostas pelo governo Temer. Presente à audiência, o ex-ministro Gilberto Carvalho conta que Lula fez um relato sobre o momento político. A intenção, segundo Carvalho, é intensificar a relação com a igreja em oposição às reformas. Pela manhã desta sexta-feira (2), Lula se reuniu com representantes de delegações estrangeiras, aos quais reafirmou sua resistência à eventual eleição indireta à Presidência da República. Após o encontro, Lula almoçou com a ex-presidente, a mulher sapiens petista Dilma Rousseff. Nessa busca de apoio à defesa de sua candidatura à presidência, os advogados de Lula e o PT organizaram também uma conferência internacional com o título "os golpes de novo tipo na América Latina e o caso Lula". A contrariedade do sindicato petista comunista religioso CNBB ao governo Temer já foi vista em notas de repúdio às reformas da Previdência e trabalhista. Não é, contudo, unanimidade. O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, foi um que defendeu as propostas ("é necessário fazê-las e fazê-las bem"). 

Morte de juiz leva a guerra de versões entre governo e oposição na Venezuela

O assassinato de um juiz que decidiu processos contra a oposição ao ditador da Venezuela, o psicopata bolivariano Nicolás Maduro, na noite de quarta-feira (31), virou alvo de uma guerra de versões entre o governo e seus adversários. Nelson Moncada, de 37 anos, foi um dos responsáveis por ratificar a condenação do dirigente opositor Leopoldo López a 13 anos e 9 meses de prisão e controlava outros processos relacionados aos protestos de 2014. 

O juiz foi baleado diversas vezes e morto ao ser atacado por homens armados enquanto passava com seu carro por uma avenida de Caracas. Havia uma barricada montada por milicianos encapuzados a poucos metros do local. O Ministério Público, órgão completamente controlado pela ditadura, responsável pela investigação, avalia duas hipóteses: a primeira é de que ele teria sido baleado porque tentou ultrapassar a barreira. A segunda é de uma tentativa de roubo não relacionada com quem montou a barricada em que o juiz teria tentado fugir. Após matar o juiz bolivariano Moncada, os criminosos roubaram dinheiro, um telefone celular e alto-falantes do carro. Em ambos os casos os investigadores atribuem a autoria a grupos armados que atuam na região. Entretanto, nem a polícia nem o Ministério Público conseguiram provas de que eles teriam agido por motivações políticas. Apesar disso, membros e aliados do governo tratam a morte desta forma. O defensor do povo, Tarek William Saab, comparou a morte de Moncada a de outras três pessoas em barricadas, as quais chama de crimes de ódio. "Alertamos sobre um novo fenômeno com características criminosos que devemos condenar de maneira unânime. Faleceram três pessoas assassinadas. Não é possível avalizar crimes de ódio, de nenhum lado político", disse. O ministro do Interior, o também psicopata bolivariano Néstor Reverol, foi mais incisivo, ao dizer que Moncada foi morto por "matadores contratados pela direita" e citou como motivos a condenação de López e as ações pelos protestos de três anos atrás. 


Nesta sexta-feira, o movimento estudantil aliado da oposição fez um protesto diante da sede do canal estatal VTV em Caracas contra a cobertura tendenciosa das manifestações feita pela emissora, que favorece os comunistas bolivarianos chavistas. Também houve protestos contra o ditador desde o início da manhã em La Vega, bairro pobre da capital. Perto dali, no reduto chavista de Catia, "coletivos" (milícias armadas chavistas) protestaram contra a prisão de um de seus membros e a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, que se tornou crítica a Maduro.

Oito países esperam receber provas de crimes da Odebrecht


Oito países já fizeram 22 pedidos de colaboração do Brasil nas investigações da Lava Jato relacionadas à Odebrecht, informou nesta sexta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República. São eles o Peru, o Panamá, a Colômbia, a República Dominicana, a Argentina, a Venezuela, o México e o Equador. O Brasil pode começar a enviar ao Exterior provas relacionadas a crimes cometidos pela Odebrecht em países que mantém acordos de cooperação com a Procuradoria Geral da República. Terminou na quinta-feira (1º) o prazo do termo de confidencialidade do acordo de colaboração dos executivos da empreiteira, e as informações já podem ser repassadas para as autoridades de outros países. Segundo o secretário de cooperação internacional da Procuradoria Geral da República, Vladimir Aras, as provas estão sendo selecionadas para o envio aos países que as solicitaram. De acordo com ele, dos 77 delatores, 16 falam sobre crimes cometidos no Exterior. Por hora, porém, os documentos seguem sob sigilo. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a manutenção do sigilo. Agora, a divulgação das informações depende de decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. O Ministério Público também anunciou a formação de uma equipe conjunta de investigação com a Argentina. A Odebrecht pagou US$ 35 milhões em subornos a autoridades argentinas, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Representantes da Procuradoria argentina estiveram no Brasil para discutir a colaboração e o envio de provas. Um dos problemas apresentados na negociação é que, pela lei brasileira, a Procuradoria brasileira só pode entregar provas no Exterior se o país receptor se comprometer a não processar os delatores, já que têm direito a benefícios determinados pelo acordo de colaboração premiada. Caso investigadores no Exterior encontrem provas em apuração própria, porém, não há impedimentos para que os executivos da Odebrecht sejam processados.

Filho de Mantega foi sócio por 4 meses de firma citada por dono da JBS


Filho do ex-ministro Guido Mantega, Leonardo Mantega, foi sócio durante quatro meses da Companhia Brasileira de Distribuição de Material Esportivo e Saúde, cujo nome fantasia é Pedala e que recebeu US$ 5 milhões do empresário bucaneiro caipira Joesley Batista, do grupo JBS. O empresário afirmou em depoimento de delação que recebeu o pedido de ajuda à empresa diretamente de Mantega, e que o empréstimo seria convertido em sociedade. Ele diz ter feito o repasse por meio de uma de suas empresas, a Antigua Investments, em 2012. Como o negócio não prosperou, Joesley teria perdoado o empréstimo. Os documentos arquivados na Junta Comercial de São Paulo mostram que Leonardo Mantega foi sócio da empresa entre 10 de janeiro de 2012 e 30 de abril de 2012. A Companhia Brasileira de Distribuição de Material Esportivo e Saúde tem sede informada em Palmas, capital do Tocantins, onde obteve incentivos fiscais para se instalar. Os benefícios foram cancelados em 1º de março de 2016. Quando Leonardo deixou a sociedade, a Pedala continuou com os sócios dele, Dannyel Filgueiras de Lima e Silva e Rafael Attanasio. Joesley não disse em que mês foi feito o empréstimo. Segundo o advogado Conrado Almeida Corrêa Gontijo, a empresa foi criada em 2007 para atuar no e-commerce — venda não-presencial — de materiais esportivos e recebeu investimento de um fundo em setembro de 2012. “A Pedala jamais recebeu empréstimo ou investimento, de qualquer natureza, da JBS, ao contrário do que foi noticiado. O único investimento no valor noticiado foi realizado em setembro de 2012, por um fundo de investimento que jamais indicou ter qualquer relação com Joesley Batista. Referida operação foi devidamente registrada e formalizada”, informou Gontijo em nota. O advogado afirmou ainda que a empresa encerrou as atividades em 2014 e todos os valores investidos pelo fundo foram aplicados na companhia, que “entregará todos seus documentos contábeis às autoridades”. Em setembro de 2014, Leonardo e Dannyel voltaram a atuar em sociedade. Juntos, abriram a Epicom Desenvolvimento de Software. O endereço informado à Receita Federal é na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. No imóvel, funciona há 10 anos uma empresa de telemarketing. Um dos seus sócios disse ter emprestado o endereço a Dannyel por serem amigos de longa data, mas que a Epicom nunca funcionou ali e foi instalada em escritório próprio, no bairro Vila Olímpia. Dannyel é sócio também em outras duas empresas registradas na Junta Comercial de São Paulo, a Liga do Esporte e a PDV Solution. Ambas não funcionam nos endereços informados à Junta Comercial e permanecem ativas. A PDV Solution, Comércio e Serviços de Material Publicitário foi aberta em 19 fevereiro de 2008 e o endereço informado no registro da empresa é na Alameda Lorena, nos Jardins. No local funciona desde 2001 um hotel. No depoimento de delação, Joesley afirmou que, além da ajuda para a Pedala, Guido Mantega lhe pediu que depositasse US$ 20 milhões, retirados do dinheiro destinado ao PT, em outra conta no Exterior. Um ano depois, o dinheiro teria sido devolvido ao partido. O ex-ministro foi delatado por dois empresários: Marcelo Odebrecht e Joesley Batista. Marcelo Odebrecht disse que Mantega lhe pediu R$ 50 milhões para aprovar a MP 470, conhecida como “Refis da Crise”, em 2009, mas só começou a usar o dinheiro em 2011 e, para a eleição de 2014, lhe pediu e obteve mais R$ 100 milhões. Joesley disse que Mantega cobrava 4% do valor dos contratos dos créditos aprovados pelo BNDES e BNDESpar, desde 2005, mas pediu que o dinheiro ficasse com o empresário, que abriu uma conta no Exterior para o PT. Em 2014, o valor creditado para o partido alcançava, segundo o empresário, US$ 150 milhões. Na prática, Mantega movimentou R$ 300 milhões em propinas dos dois grupos. 

Com descontos, nova renegociação de dívidas com União vai até agosto

Com desconto na multa e nos juros, o novo programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas e de empresas com a União vai até o fim de agosto. A medida provisória que reinstituiu o parcelamento foi reeditada na quarta-feira (31) à noite, com alterações, porque as originais perderiam a validade nesta semana. Batizado de Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), o novo parcelamento institui reduções que podem chegar a 90% nos juros e 50% nas multas para quem pagar o débito à vista, podendo abater da dívida os créditos fiscais, recursos que tem direito a receber da Receita Federal. A Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional editarão, em até 30 dias, os atos necessários à execução dos procedimentos do programa. A medida provisória anterior, editada no início de janeiro e que tinha instituído o Programa de Regularização Tributária (PRT), não previa descontos para quem aderisse à renegociação. Pela nova medida provisória, para quem pagar parcelado o desconto será menor e cairá conforme o número de parcelas. A redução será de 80% nos juros e 40% nas multas para quem pagar em até 150 vezes (12 anos e meio) e de 50% dos juros e 25% das multas para quem parcelar em até 180 meses (15 anos). A renegociação vale para dívidas vencidas até 30 de abril deste ano. Na renegociação original, cuja adesão foi encerrada no fim de maio, o governo esperava arrecadar R$ 8 bilhões ainda este ano. A instituição de um novo programa, com a ampliação da data de vencimento das dívidas que podem ser parceladas, ampliará a arrecadação, mas o Ministério da Fazenda ainda não fez os cálculos porque estava esperando o resultado das negociações. Editada em 4 de janeiro, a medida provisória que instituiu o PRT havia sido alterada na Câmara dos Deputados. Nas últimas semanas, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reuniu-se com parlamentares para tentar reverter as mudanças e acabar com o desconto nas multas e nos juros, que a equipe econômica entendia como perdão de dívidas. O governo, no entanto, decidiu deixar a medida perder a validade e editar uma nova. A medida provisória do PRT permitiu que a nova renegociação abrangesse dívidas incluídas em outros parcelamentos. Dessa forma, quem aderiu ao programa poderá refinanciar novamente os débitos e obter o desconto nas multas e nos juros. No programa original, o contribuinte que incorresse em novos atrasos seria excluído da renegociação. A nova medida provisória manteve a prerrogativa. O parcelamento poderá ser feito de quatro formas. O contribuinte com dívidas tributárias e com direito a usar créditos fiscais da Receita para abatimento da dívida total poderá dar uma entrada de 20% à vista e parcelar o restante em 60 meses ou dar uma entrada de 18%, parcelada em 36 meses, e dividir o restante em 84 meses, totalizando 120 meses (dez anos). Quem não tiver direito a usar créditos fiscais para reduzir o débito poderá dar uma entrada de 20% ainda este ano, em até cinco parcelas, sem redução na multa e nos juros, e dividir o restante em até 175 meses com desconto escalonado, totalizando 180 meses. Quem dividir em menos parcelas terá desconto maior. Para dívidas inferiores a R$ 15 milhões, a entrada será reduzida para 7,5%, também podendo ser dividida em cinco parcelas e sem desconto nas multas e nos juros, com o restante sendo parcelado em até 175 meses.

Gleisi Hoffmann é eleita presidente do PT com 60% dos votos


Ré na Lava-Jato, a líder do PT no Senado Federal, senadora Gleisi Hoffmann (PR), foi eleita nova presidente do PT, com 60% dos votos. Seu principal concorrente, o senador Lindbergh Farias (RJ), ficou em segundo lugar, com 38% dos votos dos delegados. Gleisi substitui Rui Falcão no cargo e exercerá a função por dois anos. A eleição contou com o voto de 596 delegados e ocorreu no 6° Congresso Nacional do PT, que contou com a presença do poderoso chefão da organização criminosa e ex-presidente Lula, e da mulher sapiens, Dilma Rousseff. Ela será a primeira mulher a presidir o partido. Em sua primeira entrevista coletiva após ser eleita, Gleisi foi perguntada sobre o fato de ser ré na Lava-Jato e se isso pode ser danoso para a imagem do partido: "Mais do que já fizeram para manchar a imagem do partido?" A senadora reafirmou declarações que Lula fez em seu discurso, minutos antes, e disse que apesar dos ataques que vem sofrendo, o ex-presidente continua liderando as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais: "O PT foi desconstruído nesse processo. A gente não teve condições de fazer uma defesa. Não vejo como tentar desconstruir mais a imagem do partido como já foi feito. Quando se faz uma pesquisa de opinião, quem ganha é o presidente Lula. Quem tem ligação com o povo, quem tem legado não é fácil ser desconstruído". Candidata de Lula, Gleisi afirmou que o partido não fará autocrítica porque não quer fortalecer o discurso de seus adversários. Reunido em seu 6º Congresso, o PT era cobrado, inclusive por setores à esquerda do partido, a reconhecer supostos erros, como o envolvimento em escândalos de corrupção e alianças com partidos como o PMDB. "Não somos organização religiosa, não fazemos profissão de culpa, tampouco nos açoitamos. Não vamos ficar enumerando os erros que achamos para que a burguesia e a direita explorem nossa imagem", disse Gleisi, ao discursar no congresso petista. Ela é uma comunista, originária do PCdoB. A senadora, que é líder do PT no Senado, reconheceu, no entanto, que o partido se afastou dos movimentos sociais enquanto comandou o governo federal: "É certo que ficamos com relação mais institucional do que política". Em campanha para a presidência do PT, Gleisi ressaltou êxitos dos governos petistas, como distribuição de renda e geração de empregos: "Não teve na história de 500 anos do Brasil governos melhores do que os do PT. Não foi João Goulart, não foi Getúlio Vargas. Temos que erguer nossa cabeça para defender nosso legado e nosso governo". Ela defendeu bandeiras históricas petistas, como taxação de grandes fortunas e regulação (quer dizer "ceensura", cerceamento) dos meios de comunicação. Para a senadora, um dos desafios da nova direção do PT é nacionalizar o partido, tradicionalmente concentrado em São Paulo. Gleisi também defendeu a candidatura de Lula à Presidência da República e eleições diretas em caso de afastamento do presidente Michel Temer. Gleisi é acusada de receber R$ 1 milhão do esquema de corrupção na Petrobras para sua campanha em 2010. Ela e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo (que já foi preso), respondem por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas negam as acusações. Gleisi enfrentou o senador Lindbergh Farias (RJ) na disputa pela presidência do partido. Candidato pela corrente Muda PT, Lindbergh adotou o discurso da radicalização. Em sua fala final, para pedir os votos dos filiados, o senador afirmou que o partido precisa se preparar para o “enfrentamento”. Ele defendeu que a militância seja fortalecida para “barrar o avanço” do neoliberalismo e da burguesia. Lindbergh criticou o “afastamento” da atual direção partidária da “realidade”, ao permitir que houvesse o apoiamento a candidaturas de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara e Eunício Oliveira (PMDB-CE) para a presidência do Senado. "Precisamos de um partido preparado para o enfrentamento. Houve um distanciamento da nossa direção da realidade, parecia que não tinha havido um golpe, alguém pensar em apoiar Rodrigo Maia, Eunício Oliveira. Ali eu vi que a gente tinha que dar uma sacudida na burocracia, e encorajar a militância. Petista não vota em golpista", afirmou em seu discurso, sendo aplaudido por grande parte da platéia. Lindberg também é comunista, originário de PCdoB. O senador pregou a candidatura de Lula e afirmou que o partido tem que defender Lula contra as denúncias que recaem sobre ele. O ex-presidente é réu em cinco ações penais e neste domingo o Ministério Público pediu sua condenação. "O que fazem com Lula é a campanha mais infame que já fizeram. Lula não está acima da lei, mas não está abaixo da lei. Temos que fazer uma defesa incansável de Lula. Um ataque a Lula é um ataque ao trabalhador brasileiro. Ele é a única possibilidade que o Brasil tem de deter o avanço neoliberal", afirmou. São discursos típicos de esquerdopatas. Para integrantes da CNB, Gleisi errou ao viajar em busca de votos ao lado de Lindbergh, confiando que ele retiraria a candidatura mais à frente. Com isso, a candidatura do senador acabou crescendo no partido. Gleisi intensificou suas articulações e conseguiu, horas antes da votação, contar com a apoio das correntes Movimento PT e Optei, garantindo a ela uma margem segura. Ainda de acordo com integrantes da CNB, Gleisi chegou a se arrepender de ter aceitado o pedido de Lula para concorrer à presidência do partido.

Petrobras obtém financiamento de R$ 7 bilhões com o Banco do Brasil

A Petrobras obteve na quinta-feira (1º) financiamento no Banco do Brasil, na modalidade de nota de crédito à exportação, no valor de R$ 7 bilhões, com vencimento em 2022. Simultaneamente, a companhia liquidou antecipadamente títulos no valor de R$ 6 bilhões, que venceriam em 2019, com o mesmo banco. Em nota, a Petrobras informa que continuará avaliando novas oportunidades de financiamento de acordo com sua estratégia de gerenciamento de passivos, que visa à melhora do perfil de amortização e à redução do custo da dívida, levando em consideração as metas de desalavancagem previstas em seu Plano de Negócios e Gestão 2017-2021.

Empresários querem abrir 100 clínicas populares


De diferentes áreas, os empresários Claudio Haddad, Elie Horn e Jose Victor Oliva (ex-dono de boates, ex-marido de Hortensia Marcari), lançaram a Cia da Consulta, uma clínica com preços baixos. O plano é abrir 100 unidades do negócio.

Crescimento do PIB indica tendência de melhora da vida do brasileiro, disse Temer

O presidente Michel Temer afirmou na quinta-feira (1º) que o resultado positivo do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano favorece a confiança do Brasil e, com isso, ajuda na geração de empregos. Temer voltou a comemorar o crescimento de 1% do PIB em comparação com os últimos três meses de 2016. Segundo o presidente, a notícia traz mais “confiança” para os investimentos no País. Em um tom didático, o presidente explicou o que significa o aumento do índice que, segundo ele, indica uma tendência de “melhorar a vida do brasileiro”. “Qual é a vantagem quando o índice do PIB aumenta, portanto aumentam as riquezas nacionais? É a tendência de melhorar a vida do brasileiro, porque na verdade os preços ficam mais em conta, a confiança do Brasil cresce, isso gera empregos. Isto é que significa ter um Produto Interno Bruto elevado”, destacou. Assim como escreveu no Twitter, Temer disse que o Brasil deixa a “maior recessão dos últimos tempos”. “O crescimento do PIB traz mais confiança para novos investimentos e reforça a importância das medidas adotadas pelo governo para recuperação da economia e para gerar oportunidades mais dignas de vida aos brasileiros, entre as quais o emprego. Temos muitos desempregados e tudo isso que nós falamos a respeito do Produto Interno Bruto é para permitir a geração de empregos. É para isso que o nosso governo trabalha”, afirmou. 

Polícia do Rio de Janeiro prende 4 envolvidos em apreensão histórica de fuzis em aeroporto


A Polícia Civil prendeu quatro pessoas envolvidas na importação de armas de alto poder bélico, aprendidas na quinta-feira (1º) no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Os 60 fuzis, com carregadores, suficientes para a equipagem de dois pelotões de fuzileiros, vieram de Miami (EUA) em contêineres carregados com aquecedores de água para piscinas. Foram apreendidos 45 fuzis AK47, 14 AR10 e um fuzil G3. O valor da carga foi estimado em mais de R$4 milhões. Dois dos presos são moradores de Niterói, um da Baixada Fluminense e um de Jacarepaguá. As investigações começaram há cerca de dois anos, na Delegacia de Roubos e Furtos de cargas, após a morte de um policial militar em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A Polícia descobriu que a arma usada no assassinato do policial também havia sido usada em um roubo de cargas. Essa investigação evoluiu e acabou desencadeando novas investigações lideradas pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e desvendando um esquema internacional de compra de armas de guerra.


O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Roberto Sá, afirmou que uma informação preliminar do Instituto de Segurança Pública (ISP) indica que essa apreensão foi a maior em dez anos. “Quantas mortes não estaremos evitando com essa apreensão? Isso é medida estruturante. Nos últimos 150 dias, 250 fuzis foram apreendidos no Rio de Janeiro. É trivial isso? A Polícia apreende um fuzil por hora”, acrecentou Sá: “Precisamos de um pacto nacional para combater o uso de armas de fogo. Sozinhos não conseguiremos fazer tudo”. Um estudo da Sistema Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) destaca que o estado do Rio de Janeiro se tornou o mais perigoso do País para o transporte de cargas, com quase 10 mil registros de roubo no ano passado.  De acordo com o titular da Desarme, Fabrício Oliveira, as investigações ainda estão no início.

Guido Mantega decide partir para a delação premiada e entregar Dilma


O ex-ministro da Fazenda, o petista Guido Mantega, apontado como principal operador das propinas petistas a partir do governo da mulher sapiens Dilma Rousseff, resolveu partir para uma delação premiada. Ofereceu à Lava Jato a ex-presidente Dilma e dezenas de campanhas petistas. As delações de Antonio Palocci e da JBS precipitaram a decisão de Mantega, implicado fortemente nas duas. Mantega já mandou sua oferta inicial aos procuradores. Ainda está fechando com qual advogado tocará a delação. Por isso, as negociações estão no início. Os procuradores ainda não definiram se é o momento de aceitar a delação. Seja como for, esperam muito mais provas do que as já oferecidas por Mantega. Estão interessados em casos novos, especialmente envolvendo crimes no sistema financeiro – objeto da delação de Palocci – com uso de informações privilegiadas da equipe econômica petista. A pré-delação de Mantega, no entanto, depende do andamento da delação de Palocci. Ambas se completam. Palocci pega Lula; Mantega pega Dilma. Os dois foram, em tempos diferentes, os principais operadores das grandes propinas do PT, seja no petrolão, seja no setor financeiro, seja nos bancos públicos. A delação de Palocci está em estágio avançado; a de Mantega, em pré-negociação. Pode demorar. Nos últimos meses, Mantega já havia sondado procuradores com a intenção de colaborar. Mas se recusava a entregar fatos relevantes. Limita-se a confessar crimes já descobertos pela Lava Jato. Agora, segundo avaliação de procuradores, sua proposta é séria – ou parece ser, aos olhos dos negociadores.

Polícia Federal prende ex-deputado Rodrigo Rocha Loures em Brasília


A Polícia Federal informou ter prendido na manhã deste sábado (3) o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial do presidente Michel Temer. O mandado de prisão foi assinado na noite desta sexta-feira pelo Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, relator da Operação Lava Jato, a pedido da Procuradoria Geral da República. Rodrigo Rocha Loures é suspeito de cometer os crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução de Justiça. Em março, ele flagrado pela Polícia Federal recebendo em São Paulo uma mala com R$ 500 mil. Segundo delações de executivos da JBS no âmbito da Operação Lava Jato, o dinheiro era a primeira parcela de uma propina que seria paga por 20 anos. Ele foi preso preventivamente (antes do julgamento) em Brasília e levado para a Superintendência da Polícia Fedeeral no Distrito Federal, onde ficará sozinho em uma cela de 9 metros quadrados, com beliche e uma cama. O local não tem televisão, pia, chuveiro, nem janelas. Na segunda-feira (5) ele deverá ser transferido para o Presídio da Papuda. Em manifestação enviada ao STF nesta sexta-feira, o advogado do peemedebista, Cezar Bitencourt, avaliou que o pedido de prisão tinha como objetivo "forçar delação". Ao contestar o novo pedido de prisão, a defesa afirmava que Rocha Loures não poderia interferir mais nas investigações, já que as buscas e apreensões da Operação Patmos foram realizadas e porque, após deixar o mandato, já não tinha poder político para prejudicar a produção de provas. Rocha Loures deixou o mandato de deputado e virou suplente após a decisão de Osmar Serraglio de retornar à Câmara com sua demissão do Ministério da Justiça. Na decisão que autorizou a prisão, Fachin disse que só não havia determinado a medida anteriormente por conta do mandato parlamentar à época exercido por Rocha Loures. Ele disse, porém, que já considerava a prisão "imprescindível" para interromper o cometimento de crimes. No despacho, ele considerou "gravíssima" a conduta do ex-assessor de Temer: "O agente aqui envolvido teria encontrado lassidão em seus freios inibitórios e prosseguiria aprofundando métodos nefastos de autofinanciamento em troca de algo que não lhe pertence, que é o patrimônio público". O ministro descartou a aplicação de medidas alternativas à prisão, como uso de tornozeleira eletrônica, lamentando a necessidade da detenção. "Tratando-se o deputado federal Rodrigo Santos da Rocha Loures de político com influência no cenário nacional, até pouco tempo assessor do Presidente Michel Temer, pessoa de sua mais estrita confiança, como declarado em áudio captado por Joesley, revelam-se insuficientes para a neutralização de suas ações, medidas diversas da prisão. Não se deixa, sem embargo, de lamentar que se chegue a esse ponto", disse. O ministro questionou o argumento da defesa de que a prisão foi pedida para forçar uma delação, argumentando que não há provas dessa finalidade. Ele determinou que a prisão fosse realizada com "a máxima discrição e com a menor ostensividade" para evitar qualquer exposição indevida. A Procuradoria Geral da República já havia solicitado a prisão de Rocha Loures, mas Fachin negou esse primeiro pedido, sob o argumento de que Rocha Loures estava no exercício do mandato parlamentar e a Constituição proíbe a prisão de parlamentar (a não ser em flagrante). Na ocasião, o ministro do Supremo afirmou que os indícios em relação a Rodrigo Rocha Loures eram fortes, que a prisão era imprescindível, mas a imunidade parlamentar do então deputado do PMDB não permitia atender ao pedido. Como Rocha Loures voltou a ser suplente de deputado, Janot refez o pedido ao Supremo Tribunal Federal. Embora Fachin tenha negado o primeiro pedido de prisão, ele já havia afastado Rocha Loures do mandato parlamentar – ou seja, o peemedebista continuava deputado, mas não podia exercer as funções do cargo. O novo pedido da Procuradoria Geral da República  foi feito ao Supremo porque Rocha Loures é alvo do mesmo inquérito ao qual responde Michel Temer. Os dois são suspeitos de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução de Justiça. Segundo as investigações, Rocha Loures seria "homem de total confiança" e "verdadeiro longa manus" do presidente Michel Temer no relacionamento com empresas e recebimento de propinas.